Mais um fim de ano! – por Celso Tracco

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UFA! 2025 finalmente está terminando. Depois de tantos altos e baixos, em escala planetária, tais como guerras que não terminam, tarifaços econômicos, escândalos diários proporcionados por integrantes dos mais diversos órgãos de governo, fraudes financeiras inimagináveis, eventos climáticos extremos, uma cultura de ódio e não de paz, 2025 está nos deixando. Creio que, para a maioria das pessoas, não vai deixar muitas saudades. Apesar disso, para mim particularmente um fato superpositivo transcendeu sobre todos os outros: minha estreia como colunista nesta plataforma de notícias Hora de S. Paulo (www.horasp.com.br). E quero agradecer a cada um (a) dos leitores (as) que me honraram com sua leitura e comentários. Gratidão eterna a todos vocês. Apenas por isso ter vivido 2025 já valeu muito a pena. Espero que nossa conexão fique mais forte, a cada ano, vencendo todos os possíveis obstáculos.

E o que esperar de 2026?  Sinceramente, penso que será um ano com muitos desafios, ou seja, um ano muito difícil, principalmente para a população mais necessitada, que é a imensa maioria da população brasileira. E por que eu digo isso? Porque, além de 2026 herdar todo o manancial de problemas que vem do passado, vai se defrontar com dois fatos que impactam fortemente nossa vida. O primeiro é a Copa do Mundo de Futebol, com início em 11/06/2026 e término em 19/07/2026. Futebol ainda é o esporte mais popular do mundo, e no Brasil, apesar da queda em sua popularidade, ainda arrasta multidões. A pátria de chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, creio que já ficou no passado, mas ainda irá movimentar a mídia, o noticiário, as conversas de botequim, o imaginário popular. Certamente, a vida, quer você seja um torcedor ou não, será afetada. Então prepare-se, da maneira mais adequada de acordo com suas atividades para esse evento. Ele é efêmero, emocional, apaixonante. Dura pouco, mas enquanto dura é intenso.  O segundo evento, são as eleições em outubro, que sem dúvida são muito mais importantes para a vida de nosso país. Não são levadas muito a sério, mas nelas deveríamos por toda a nossa racionalidade, pois efetivamente podem significar o êxito ou o fracasso de toda uma nação. Teremos a eleição para presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Suas ações, ou a ausência delas, seu governo ou desgoverno, sua honestidade ou desonestidade, influenciarão nossas vidas, pelos próximos anos. Por isso devemos dar muito valor ao nosso voto. Temos a tendencia de sempre culpar os políticos, não que seja errado, mas esquecemos que, em uma democracia, eles estão lá porque foram legitimamente eleitos por nós. No final, a sociedade é responsável pela qualidade dos políticos que ela elege. Pense nisso quando decidir o seu voto.

Finalizando, período de festa, de alegria e confraternização. Deixe os problemas de lado, teremos 365 novos dias para resolvê-los. Desejo um Feliz e Santo Natal a todos os leitores e leitoras e suas famílias. Que seja um Natal de paz, harmonia, alegria, solidariedade. Que a boa vontade e compreensão permaneçam presentes em todas as celebrações. E que o Ano Novo nos revigore para continuarmos a construir uma sociedade que cultive a paz e não a guerra, que construa pontes e não muros, que seja mais justa, solidária, equalitária com todos os seus membros. Boas festas e, se Deus quiser, nos vemos em Janeiro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Breve história do Natal – por Celso Tracco

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O mundo todo sabe que o Natal é uma festa litúrgica da religião cristã. Ela celebra o nascimento de Jesus Cristo. As informações que temos sobre o nascimento de Jesus, estão restritas aos Evangelhos Sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas). E em nenhum deles, há uma data claramente definida sobre este fato. Como os Evangelhos foram escritos dezenas de anos após a morte de Jesus, certamente marcar uma data precisa de seu nascimento, não era relevante. Além disso, as primitivas comunidades cristãs reuniam-se na clandestinidade e foram violentamente perseguidas, torturadas e assassinadas pelo Império Romano até o início do século IV. Apenas em 313 d.C. os cristãos puderam celebrar livremente sua religião, quando o Imperador Constantino emitiu uma ordem tornando livre de perseguições, qualquer manifestação religiosa, inclusive a cristã. Por volta do ano 336 os cristãos de Roma passaram a celebrar o dia 25 de dezembro como a data de nascimento de Jesus Cristo. A data escolhida foi para substituir uma festa pagã chamada Sol Invictus. O Sol era reverenciado pois sempre brilhava após as trevas. Como Jesus é a luz do mundo, a associação foi imediata. Convencionou-se que esta seria a data do nascimento de Jesus. Em 380 o Imperador Teodósio decretou o cristianismo como religião oficial do Império Romano e o Natal passou a ser comemorado, oficialmente, em todo o Império no dia 25 de dezembro. Finalmente em 449 o Papa Leão I decretou, 25 de dezembro para a comemoração do nascimento de Jesus como a segunda mais importante festa litúrgica da Igreja Católica. A partir de então o 25 de dezembro fixou-se como a festa que congrega milhões de cristãos e é comemorado, inclusive por muitos não cristãos. Com o passar do tempo as comunidades cristãs em todo o mundo foram adaptando a festa aos seus costumes locais. Por exemplo o presépio foi criado por São Francisco de Assis no século XIII e incorporado as festividades religiosas do Natal.

Após a revolução industrial, com o crescimento da economia capitalista e o aumento contínuo da urbanização, a sociedade consumista tornou o Natal uma festa de aspectos profanos, mais identificada com interesses econômicos, comerciais, compras de Natal, celebrações mundanas que, em geral, não são nem um pouco comedidas.

Apesar da data ter perdido parte de seu aspecto religioso, espiritual e teológico, a mensagem de Jesus segue sendo fundamental para a nossa evolução como seres humanos. Uma mensagem de amor, de paz, de perdão, de compaixão pelo próximo. Nunca se falou tanto de Deus, mas parece que estamos cada vez mais distante Dele, personificado pelo seu Filho, Jesus Cristo! O Deus Cristão sempre defendeu os mais necessitados, os pobres e esquecidos, os pecadores e pecadoras. Em um mundo dilacerado por guerras, Ele sempre foi contra a violência, proclamando que devemos perdoar nossos inimigos. Em uma sociedade que ainda persegue e mata mulheres, devemos lembrar que Ele, salvou e perdoou uma adúltera que seria apedrejada até a morte. Deu de comer a quem tinha fome, curou os enfermos em qualquer dia da semana pois a vida de um ser humano é mais importante que uma lei injusta. Tudo que Ele fez foi por amor ao próximo, não importando qual era sua religião ou sua origem.

Que tenhamos uma alegre, abundante, harmoniosa comemoração de Natal. Não devemos nos esquecer do aniversariante, mesmo que por alguns segundos vamos trazê-lo para o meio de nós. Um Feliz e Santo Natal a todos.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Dezembro, pura emoção! – por Celso Tracco

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Dezembro me traz lindas e agradáveis lembranças, do meu tempo de criança/adolescente. Que maravilha, primeira semana de dezembro! Férias escolares. O dia todo para brincar, livre na rua. A rua era um verdadeiro parque de diversões, jogo de peão, taco, bolinha de gude, carrinho de rolimã, futebol onde o gol era marcado por pedras ou um par de chinelos. Bons tempos! Praticamente não havia carros nos bairros periféricos da grande cidade. Quando algum se aproximava, o motorista gentilmente buzinava e todos corriam para os lados. Após a passagem do veículo todos voltavam para os lugares que estavam e a brincadeira continuava. Uma pausa momentânea. Além disso tinha a preparação para o Natal. Ainda era uma festa cristã e católica por excelência. Obrigatório ir à missa na igreja da paróquia. Missa do Galo, começando à meia-noite do dia 24, as crianças podiam dormir tarde nessa noite, ou nem dormiam, porque na manhã do dia 25 começava a busca dos presentes, que os pais e parentes, escondiam pela casa toda. A diversão era achar seus presentes, embaixo de camas, dentro de armários ou em cima de alguma árvore do quintal. Uma experiência inesquecível. A vida era bela, agradável, feliz. Sim, felicidade existia e morava no meu endereço. Bons tempos, que deixaram muitas saudades. Nem sabia o que era estresse, esse vocábulo “gringo”, aportuguesado. Era feliz e ponto.   

Agora, já avançado na idade, sinto uma certa pena dos adultos responsáveis que têm tantas obrigações e deveres nesta época do ano. Primeiro, aos que impõem promessas sobre seus ombros, que por várias razões não puderam cumprir durante o ano que está findando. Não se sintam culpados, fracassados, frustrados por” falharem”, vocês não falharam, apenas colocaram o sarrafo em uma altura, não compatível com o seu salto. O pior verdugo é a sua consciência. Segundo, quanta correria com data marcada: fazer sacolinhas para crianças necessitadas, preparar reuniões com diversos amigos e parentes, organizar visitas a algumas pessoas, comprar presentes, amigo secreto no trabalho, na escola, no trabalho voluntário. Ufa, o mundo vai acabar amanhã e não vai dar tempo para tudo. Quanto estresse. Ah, sem falar do trânsito, lembra daquela rua sem carro? Hoje ela não existe nem no Polo Norte. Mas não vamos reclamar, hoje temos a internet e podemos comprar quase tudo por celular! Tranquilo? Mais ou menos, e os golpes diurnos e noturnos, as falsificações, as entregas erradas, a clonagem do cartão? Você está exagerando, as coisas não são bem assim, dizem meus amigos otimistas. Talvez não sejam mesmo, talvez eu seja pessimista demais e só vejo o lado ruim das coisas. Exemplo: no ano passado, em dezembro, eu e minha esposa levamos nossos netos, num sábado, para um passeio em um conhecido Shopping Center de São Paulo. Levei uma hora, dentro do estacionamento para achar uma vaga, e só achei porque fui ajudado por um colega de infortúnio. Um idoso que estava indo em direção ao seu carro estacionado, viu meu desânimo, se aproximou e disse:

– Amigo, está procurando vaga, temos que nos ajudar, siga-me.

Pensei, será que mereço essa sorte. Quem se preocupa com o outro? O nobre senhor, fez a gentileza de retirar o seu carro, de modo que nenhum outro ocupasse a vaga que ele me destinou. Agradeci de todo coração. Meu anjo da guarda estava atento e de plantão naquele fim de semana. Nem preciso dizer como estava o Shopping, filas pelos corredores para ir ao banheiro. Vida moderna, tudo à mão e tão distante, um estresse para cada dia. A vida pode ser bela, mesmo em dezembro, depende de você.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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60+ Viva a Vida! – por Celso Tracco

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A sociedade brasileira está vivenciando uma boa e silenciosa revolução cultural, a quebra do paradigma que após os 60 anos a vida produtiva acabou. Segundo os últimos dados disponíveis mais de 8 milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras com mais de 60 anos, estão no mercado de trabalho formal. Ou seja, exercem uma atividade sistemática e remunerada. Lembro que há alguns anos, tinha-se a convicção que havia pouquíssima chance de uma pessoa empregar-se após os 60 anos. A enorme maioria das ofertas de emprego, na descrição das qualidades requeridas para a vaga, deixava muito claro a restrição de idade. Hoje, pode-se dizer que é o contrário. Inúmeras empresas financeiras, industriais e comerciais, de vários setores da economia fazem questão de não restringir a idade do candidato à vaga, ou até, para certos trabalhos, dão preferência para os 60+, a geração ativa e “prateada”. Com o natural envelhecimento da população, a tendência é de que cada vez mais pessoas na faixa dos 60+ busquem uma colocação no mercado de trabalho, prolongando sua vida ativa e trazendo enormes benefícios para a sociedade como um todo, como veremos a seguir.

  • Ajuda a retardar o colapso do sistema previdenciário, mantendo o trabalhador ativo por mais tempo, oferecendo uma grande contribuição para as empresas em função de sua experiencia e excelência de trabalho.
  • Para os idosos que estão no mercado de trabalho, faz com que se mantenham atualizados com novas tendências profissionais; se interessem pelas novas tecnologias digitais, aumentem sua rede de contatos; desenvolvam novas habilidades; sirvam de exemplo e estímulo para outros. Não se trata “apenas” de ganhar dinheiro, que continua muito importante principalmente em um país política e economicamente instável, como o Brasil, mas proporciona à quem já cuidou durante a sua vida de muitas pessoas, possa se dedicar mais tempo a si próprio. Isso aumenta a autoestima, a dignidade e sem dúvida, contribui para uma saudável saúde mental.  
  • As empresas que adotam uma política efetiva de contratar colaboradores 60+, também nada tem a reclamar, ou seja, estão ganhando com isso. Os idosos agregam, além de suas competências técnicas, outras competências emocionais, cada vez mais importante atualmente, tais como: estabilidade, comprometimento, relacionamentos interpessoais, sabedoria em situações mais complexas, e podem acrescentar diversidade de pensamento, resultantes de sua experiência de vida.

Enfim, a sociedade brasileira, a exemplo do que já acontece com vários países mais avançados que o nosso, está aprendendo que os idosos, não são necessariamente um estorvo, um peso, um custo para seus familiares, e podem ser, com sua experiencia acumulada uma fonte de lucro para si, sua família, e seu local de trabalho. É certo que nem tudo são flores, ainda há preconceito contra os idosos, o chamado etarismo, mas tal qual outras minorias, quem quer faz acontecer. Afinal quem já venceu tantas dificuldades, situações adversas, não irá esmorecer, por estupidez preconceituosa. Vai à luta e vence!

Desenvolver em nós a arte de mudar para melhor é a maneira mais eficiente de trabalhar para um amanhã mais enriquecedor do que o hoje. A geração dos 60+ comprova na prática, que o importante na vida é o que se busca, e não o que se tem. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Racismo Estrutural, até quando? – por Celso Tracco

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Por que, oficialmente, celebramos o Dia Nacional da Consciência Negra?

Uma das definições de consciência: Conjunto de valores morais que definem certos julgamentos, ações ou intenções relacionadas com alguém, ou grupo de indivíduos que tem algo em comum. Como os valores e padrões morais, culturais, artísticos, religiosos, da sociedade brasileira são predominantemente europeus e, portanto brancos, ainda hoje os valores da cultura africana, negra, são rejeitados por parte da nossa população. Depois de uma longa luta pelos seus direitos de cidadania plena, a população negra conseguiu em 2011 que o dia 20/11 fosse declarado o Dia Nacional da Consciência Negra. Em 2023, 20/11 foi decretado como feriado nacional. A data é uma homenagem à morte de Zumbi dos Palmares. São visíveis as manifestações contra este feriado, provando que o racismo, mesmo sendo um crime inafiançável e imprescritível, continua ocorrendo diariamente no nosso país. Cito dois exemplos desta semana, que viralizaram nas redes sociais: em um jogo de futebol, Avaí (SC) x Remo (PA), ocorrido em Florianópolis (SC) uma senhora branca, insultou reiteradamente, com gestos e palavras os torcedores do time do Remo, fazendo menção à condição social, pobreza, e a cor da pele deles, preta. Em outro caso ocorrido em São Paulo (SP), um pai de uma menina de 4 anos, que estuda em uma escola municipal, chamou a polícia militar porque a menina estava tendo uma “aula” sobre religião africana. E, lamentavelmente, quatro policiais armados entraram na escola infantil para verificar o ocorrido. Segundo relato, a professora explicou que a atividade não era sobre religião, mas sobre antirracismo, apresentando a cultura afro-brasileira para as crianças. No Brasil, inclusão social, seja no lazer ou na escola é caso de polícia, literalmente.

Durante 350 anos a economia brasileira dependeu do trabalho de pessoas africanas escravizadas. Em 1888, o trabalho escravo, foi oficialmente abolido por lei. Mas o que foi feito para que mais de 3 milhões de seres humanos fossem integrados à sociedade brasileira? Exatamente nada. As consequências dessa falta de política de inclusão social, apesar de terem melhorado recentemente, repercutem ainda hoje. A população preta e parda, é a que possui os mais baixos índices de empregos de qualidade, de salário, de renda, de ascensão social. Em contrapartida é a que mais é morta pelas forças policiais, e representa a maioria da população carcerária. Cabe uma reflexão: o Brasil tirou, por lei, a escravidão da sua sociedade, mas será que a sociedade tirou a escravidão dela mesma? Parece que, para uma parte da sociedade, ainda não. Na história humana, não foi o racismo que criou a escravidão, mas no Brasil a escravidão criou o racismo. E ele se tornou estrutural, faz parte do nosso dia a dia, e as atitudes racistas são normalizadas. Ocorrem em estádios de futebol, shows, empresas, supermercados, condomínios familiares, em qualquer lugar, vemos e ouvimos relatos de atitudes racistas. Pergunto: quando uma pessoa branca pensa em uma empregada doméstica, um gari, lavador de carro, ou um segurança particular, será que ela pensa em uma pessoa de origem europeia? Ou de origem africana?

As políticas públicas são reflexo das pressões vindas da sociedade, uma vez que vivemos em um estado democrático e nossos representantes são eleitos por essa mesma sociedade. A Câmara dos Deputados, o Poder Legislativo por excelência, tem apenas 27% de representantes pretos ou pardos. No entanto, pretos e pardos compõem 56% da população. Não é de estranhar que o Dia Nacional da Consciência Negra, ainda desagrade a tanta gente. A cultura negra faz parte da identidade brasileira, não deve ser apagada.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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COP – 30. Esperança apesar de tudo – por Celso Tracco

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As mudanças climáticas podem ser naturais, mas desde meados do século XIX, as atividades humanas têm sido o principal impulsionador da aceleração dessas mudanças, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. A queima desses materiais gera gases que produzem, na atmosfera, o chamado efeito estufa. É como se fosse um grande cobertor em torno da Terra, retendo o calor do Sol e aumentando a temperatura. Os principais gases que contribuem para o efeito estufa são o dióxido de carbono, CO2, e o gás metano.

O desmatamento de florestas, contribui para liberar mais CO2 para a atmosfera, pois os vegetais, plantas e árvores, através do fenômeno denominado fotossíntese, captam o CO2 do ar, retendo as moléculas de carbono, que serve como seu alimento e liberam as moléculas de oxigênio, essencial para todas as formas de vida no planeta. No caso do gás metano, uma grande contribuição para sua liberação na atmosfera são os aterros sanitários. Como as atividades humanas demandam produções cada vez maiores de energia, bens industriais, transporte, edificações e o uso intensivo da agricultura e pecuária, continuam aumentando as emissões de gases que geram o efeito estufa. Como resultado a Terra está aquecendo mais rápido do que se estimava em 2015. O ano de 2024 foi o ano mais quente, em termos globais, já registrado na história.

Muitas pessoas acham que as mudanças climáticas significam principalmente temperaturas mais altas. Não, isso é apenas o começo de uma catástrofe já anunciada. O aumento constante da temperatura afeta outras áreas dos nossos ecossistemas como secas severas, escassez de água, (comum no estado de São Paulo), incêndios florestais pelo mundo todo, aumento do nível do mar, inundações pelo planeta, derretimento das calotas polares, tempestades extremas (ciclones, furacões, tufões) cada vez mais constantes e declínio da biodiversidade.

O combate às mudanças climáticas é um dever de toda a humanidade, é uma questão de sobrevivência. Já existe uma concordância que são três, as principais categorias de ação:

  • Redução das emissões dos gases CO2 e metano, mudando os sistemas de energia de combustíveis fósseis, (petróleo), para renováveis, (etanol) e eliminar aterros sanitários.
  • Intensa e contínua atividade de reflorestamento. Impedir a devastação dos biomas ambientais e reflorestando áreas degradadas. O Brasil tem vasta experiência nesta área.
  • Adaptação às consequências climáticas – proteger vidas e propriedades, casas, empresas, meios de subsistência, infraestrutura e ecossistemas naturais. A adaptação deve começar já e priorizar para populações e lugares mais vulneráveis. Sistemas de alerta precoce para desastres podem salvar vidas e propriedades. Os alertas via celular por exemplo devem ser levados a sério, mesmo que pareçam exagerados. O custo pela negligência pode ser muito alto, pode ser a morte.

Financiar investimentos de reflorestamento intenso, mudança da matriz energética, mudanças nos modais de mobilidade, podem parecer caros, mas devemos avaliar que o custo da reconstrução após um desastre climático anunciado será muitíssimo maior, sem contar o número de vidas humanas que podem se perder. Devemos ter a consciência que este é um trabalho de todos que habitam este planeta. O trabalho já está atrasado. Não devemos pensar em não agir, porque outros estão parados ou neguem as mudanças climáticas. É fundamental o trabalho de conscientização de todos, ricos e pobres, operários e patrões, homens e mulheres, crianças e idosos, governantes e governados. A Terra e os terráqueos estamos enfrentando uma batalha pela sobrevivência. A ameaças climáticas não obedecem a fronteiras, estamos todos interligados, precisamos e devemos nos engajar neste combate. Coopere, divulgue, atue, da maneira que você puder. Sejamos agentes desta necessária transformação, a vida futura lhe agradece. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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COP – 30.  Seja agente da transformação – por Celso Tracco

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Inicia-se nesta semana em Belém – PA a COP – 30. A sigla COP, em uma tradução literal significa “Conferência Das Partes”. É a trigésima vez que sob os auspícios da ONU os países se reúnem para debater sobre as mudanças climáticas que estão ocorrendo em todo planeta. Todos os países que fazem parte da ONU são convidados a participar, porém, por diversas razões, nem todos comparecem. As reuniões de trabalho especificas e técnicas sobre as mudanças climáticas começam na próxima segunda-feira, 10. Porém, nos dias 6 e 7 de novembro, ocorrem as reuniões, gerais e paralelas, entre os chefes de Estado ou de seus representantes designados. Além dos chefes de Estado, ministros, diplomatas, representantes das agências da ONU, participam também da Conferência, cientistas, pesquisadores, ONGs, entidades e membros da sociedade civil empenhados em discutir soluções para os graves problemas que a população mundial está enfrentando como resultado das mudanças climáticas e dos fenômenos meteorológicos extremos. O principal objetivo mensurável desta Conferência, já decidido na COP-21 é manter o aumento médio da temperatura global limitado a 1,5° C, em comparação com os índices obtidos entre 1850 – 1900. Um objetivo bastante otimista, na opinião de pesquisadores e especialistas climáticos. O ano de 2024 é considerado o ano mais quente desde quando se começaram as medições, e ultrapassou a meta dos 1,5° C.

Um ponto que quero destacar: o tema das mudanças climáticas, não deve ser restrito aos ambientes acadêmicos, ou aos gabinetes oficiais de qualquer governo constituído. Claro que os órgãos especializados são superimportantes e devem ser os condutores e executores das ações que visam inibir as mudanças climáticas. Porém, principalmente as representantes da sociedade civil, conselhos municipais do meio ambiente, por exemplo, devem participar e dialogar com o campo científico com o objetivo de prevenção de tragédias climáticas que em geral ocorrem em ambientes urbanos, cidades e municípios, como já aconteceu, recentemente, em São Sebastião e Porto Alegre, além de outros municípios gaúchos.

O Prof. Dr. Pedro Jacobi, coordenador do grupo de estudos de meio ambiente e sociedade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, com formação em economia e sociologia, será o editor-revisor do capítulo sobre impactos, vulnerabilidades e riscos que a COP-30, irá emitir após o término dos trabalhos. Ele afirmou em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que a “ciência não tem que estar numa bolha, e sim ir até a comunidade” (cf. O Estado de São Paulo – edição de 26/10/2025; pg. D10 caderno especial COP -30). Para ele, com larga experiência em questões sociais urbanas é fundamental ouvir as comunidades e debater os riscos, por exemplo das ocupações habitacionais de áreas alagáveis, encostas e outros lugares de risco socioambiental. Não adianta apenas culpar os governos depois das tragédias, temos de ter em mente que prevenir é uma tarefa de todos, entidades privadas e públicas, acadêmicas e da sociedade civil. Ações de prevenção para mitigar os efeitos da mudança climática, como a criação de “cidades esponja”, podem salvar vidas e propriedades. Por outro lado, devemos contribuir para a diminuição de emissão de gás carbono (CO2), restringir o uso de combustíveis fósseis, promover reflorestamento intensivo, combater incêndios florestais.

Estamos diante de uma nova realidade ambiental. O aumento da temperatura da Terra é um fato. Devemos nos adaptar a essa nova realidade, e combater as causas provocadas pela humanidade. O planeta Terra, mais do que nunca, precisa de nossa ajuda. Somos todos chamados a ser agentes da transformação. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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O difícil equilíbrio financeiro – por Celso Tracco

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Recentes pesquisas divulgadas pela imprensa indicam que o endividamento das famílias brasileiras está crescendo. Os números mostram que cerca de 80% das famílias têm alguma dívida a pagar. Porém, 30,5% das famílias que tem dívidas estão inadimplentes, ou seja, tem parcelas ou pagamentos vencidos e não pagos. Número recorde da série histórica que iniciou em 2010. Outro dado da pesquisa revela que a inadimplência é crescente entre as famílias que tem uma renda, considerada média pelo IBGE, entre 5 e 10 salários-mínimos. Das famílias inadimplentes, 13% declaram que não têm como pagar suas dívidas, o que também é um recorde. O principal meio de endividamento, mas não o único, são os cartões de crédito, quer sejam de entidades financeiras, quer sejam de lojas de produtos de varejo. Os carnês vêm em segundo lugar.  Vale sempre lembrar: no Brasil, os juros dos cartões de crédito rotativos, são campeões inquestionáveis quando falamos de compras parceladas.

Importante destacar que ter dívidas, por princípio, não é um problema. Os economistas definem o Crédito com o oxigênio da Economia. Sem crédito a economia não vive.  Porém, deve-se ter muito cuidado e sabedoria antes de tomar um empréstimo. Se contrair dívida não é um problema de per si, não honrar com as parcelas contratadas, sim será um enorme problema. “Se alguém quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?” (cf. Lc 14, 28). Parto deste versículo bíblico para entrar no ponto central desta coluna: todas as famílias devem e precisam ter um orçamento financeiro mensal. Para viver em equilíbrio emocional saudável, o ser humano precisa cuidar de quatro dimensões essenciais: uma vida familiar adequada; uma vocação profissional sustentável, um equilíbrio financeiro e uma espiritualidade transcendente.  Justamente o equilíbrio financeiro requer um esforço constante para não se gastar o que não poderá ser pago. E para isso é preciso um orçamento minimamente estruturado e que deve ser rigorosamente cumprido. Este é o lado econômico e financeiro da questão. Uma proposta simples e superficial. Mas não é o único lado a ser observado.

O outro lado importante é o social. Partindo do princípio que nem todas as situações de inadimplência acontecem “apenas” por um pequeno descontrole passageiro de fluxo de caixa familiar, que poderia ser solucionado por exemplo com: uma redução de despesas ou repactuar a dívida ou ainda conseguir alguma receita extra, devemos analisar casos que são bem mais complexos e sinceramente, não me parecem de fácil solução. De saída deve-se ter em conta que o sistema bancário brasileiro é um dos mais rentáveis do mundo. E o banco existe para emprestar dinheiro, e cobrar taxas e juros de acordo com o risco do empréstimo. Isto está bem explícito, por exemplo, nas faturas do cartão de crédito, e acredito que qualquer ente bancário que opere legalmente no Brasil, explica todos os pormenores das prestações a serem pagas quando alguém toma um empréstimo. Portanto, o que falta a grande parte da população, é a consciência que a economia brasileira tem um grau de previsibilidade muito baixo. Apostar que posso pagar meus empréstimos sem ter um bom lastro financeiro é um erro grave, com consequências que podem ser desastrosas. Cautela e prudência em finanças, não são apenas necessárias são indispensáveis. Como já disse um ex-ministro da economia: no Brasil até o passado é improvável. Ter um equilíbrio financeiro é fundamental para uma vida saudável. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Homenagem aos Professores (as) – por Celso Tracco

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Um professor de filosofia, em determinada aula e sem dizer uma só palavra aos seus alunos, pegou um pote de vidro, grande e vazio, colocou sobre sua mesa e começou a enchê-lo, até a boca, com bolas de tênis. Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e imediatamente todos disseram que sim. O professor então pegou uma caixa de bolinhas de gude e esvaziou-a dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de tênis.

O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim.

Imediatamente, pegou um saco com areia e esvaziou-a dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora sim, estava cheio. O professor então de modo teatral e ainda sem dizer nada, pegou sua garrafa térmica, que continha o café que ele tomava durante as aulas e derramou sobre o pote umedecendo a areia.

Os estudantes observavam a situação, esperando a pergunta do professor. Mas, sem nada perguntar o professor ensinou:

Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de tênis são os elementos mais importantes: a família, seus verdadeiros amigos, sua vocação profissional, sua espiritualidade, suas crenças, Deus. Elas representam o que é essencial em nossas vidas. Nelas estão contidas nossos princípios e valores. Valores e princípios que devemos cuidar em primeiro lugar, pois elas nos conduzem à felicidade plena. Sem elas nossas vidas serão vazias, sem um propósito definido.

As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, um bom lugar onde morar, o carro novo, o estudo que satisfaz, como ocupo minhas horas livres. São importantes, mas não são determinantes na vida.

A areia representa todas as pequenas coisas, agradáveis e desagradáveis que acontecem todos os dias na vida de qualquer ser humano: cervejinha de sexta-feira, passeios na natureza, contas para pagar, compromissos chatos e obrigatórios, contratempos e momentos de prazer. Sua importância é relativa, não determinante portanto, devemos tratá-los com a significância que eles têm, quase nula.

Mas atenção, o professor elevou a voz provocando a atenção dos alunos, se a areia fosse colocada em primeiro lugar no pote, não haveria espaço para todas as bolas de tênis e nem para as de gude. O mesmo ocorre com nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas não teremos espaço e tempo para as coisas realmente importantes.

Assim devemos prestar atenção nas coisas que são primordiais para a nossa felicidade. Brincar com os nossos filhos, sair para se divertir com a família e com os amigos, dedicar um tempo a nós mesmos, buscar conhecimento, estudar sempre, cuidar da saúde, viajar, ser fiel a nossa crença.

Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas devemos nos ocupar primeiro das bolas de tênis, depois das de gude, pois o resto é areia.

Um aluno se levantou e perguntou: professor, o que representa o café?

Com um sorriso contido, o professor respondeu: Excelente pergunta. O café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo.

Um grande e forte abraço e até nosso próximo café. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Bailes e Ratos – por Celso Tracco

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Em 9 de novembro de 1889, a agonizante monarquia brasileira organizou um baile em homenagem aos oficiais do navio chileno Almirante Cochrane. Um baile grandioso, um exagero de comidas e bebidas sem limites, para mais de 4.000 participantes, amigos da Corte, entre convidados e penetras. Ocorreu na ilha Fiscal, na baia da Guanabara, pois lá se localizava a sede da alfândega, onde se arrecadava dinheiro (impostos sobre importação e exportação) para o Erário Público. O nome do navio chileno era em honra a um mercenário escocês, Thomas A. Cochrane, que vendeu suas habilidades navais para as incipientes marinhas do Brasil e do Chile no período da independência política desses países. A ilha antes da construção da Alfândega era conhecida como a ilha dos Ratos. Seis dias após o baile, a monarquia terminou. (cf. GOMES, Laurentino, 1889, ed. Globo). Como último ato público de um regime moribundo, a monarquia, gastou dinheiro do contribuinte com uma dispendiosa festa, para homenagear marinheiros de um outro país, cujo nome do navio era de um estrangeiro mercenário e oportunista. Creio que a ilha deveria continuar se chamando Ilha dos Ratos.

O regime político mudou, desde 1889 o Brasil é uma República, mas a essência do baile e dos ratos, segue atual. Recentemente, políticos postaram nas redes sociais que antigos correligionários, todos eleitos democraticamente, “agiam como ratos e oportunistas”, ou seja, o desprezível roedor, que aliás se reproduz em escala exponencial, continua designando os “inimigos e opositores” de ocasião. Ratos também são conhecidos pelo seu voraz poder de destruição. Estamos vendo, dia sim e outro também, maus políticos e “servidores” públicos delapidando o erário público em “bailes” diários cada vez mais dispendiosos. E o povo como fica? Ele, em geral, apenas entra para pagar a conta. Isso pode mudar? Há várias respostas para essa pergunta. Arrisco algumas:

  1. Golpe de Estado e intervenção militar. Hipótese bastante discutida recentemente. Rasga-se a Constituição Federal e começamos de novo. Obviamente que isso não daria certo. A história mostra que, nos quase 136 anos de República, houve vários golpes de estado, além de tentativas fracassadas. Isto nunca levou a uma necessária transformação social. No início pode-se ter uma sensação de melhora no ambiente político. Mas, passado algum tempo, tudo volta ao “normal”. Não creio em solução de força bruta.
  2. Eleger os “líderes” carismáticos de plantão, os salvadores da pátria, os que tem a certeza de resolver todos os nossos centenários males. Não importa a ideologia política, o importante é vender ilusões, uma vez eleito tudo será diferente. Não creio em “salvadores da pátria”.
  3. Tentar algo novo. As mudanças que transformam se iniciam com novas ideias e ideais. Nunca devemos renunciar à democracia, mudanças devem ser feitas pelo voto. Apenas pelo voto. Votar em candidatos íntegros, comprometidos com as reais necessidades do povo. Tais como: investir em educação básica de qualidade; priorizar a redução da escandalosa desigualdade social; trabalhar por taxa de crescimento econômico sustentável, legislar por uma economia baseada na transição ecológica, implementar reformas que levem a um equilíbrio fiscal justo e duradouro.

Posso ter a certeza de que esses candidatos, se eleitos, vão fazer as ações que o país precisa? Não, não posso. Mas tenho certeza de que se o povo for realmente opinativo, vigilante e cobrar ações de seus candidatos, podemos entrar em uma nova era de prosperidade. Caso contrário, permaneceremos sendo o país do déficit fiscal e o “baile” continuará para a alegria dos “ratos” oportunistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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