Estamos a menos de dois meses de mais uma eleição. Em outubro vamos eleger Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. O resultado desta eleição popular, irá influenciar a vida de todos os brasileiros pelos próximos 4 anos. Penso que as prioridades, de qualquer plano de governo, devem ser nas áreas da Educação e da Saúde. Fundamentais para o desenvolvimento do Brasil não apenas pela visão da tecnocracia, mas, e principalmente, por serem uma necessidade humana, social e econômica que influenciará o futuro do país. Investir nessas áreas significa investir na própria capacidade do Brasil de garantir dignidade, competitividade e bem-estar para sua população. Este artigo reflete sobre esta importância sob uma perspectiva humanista, social e econômica.
A visão humanista coloca o ser humano no centro das políticas públicas. Sob essa perspectiva, Educação e Saúde não são apenas serviços: são direitos fundamentais permitindo que cada pessoa desenvolva todo o seu potencial, dignamente. A Educação amplia horizontes, possibilita novos conhecimentos, fortalece a autonomia, enseja novas e constantes reflexões, permite que indivíduos compreendam e transformem o mundo ao seu redor. A Saúde assegura aos cidadãos condições físicas e mentais para viver plenamente, trabalhar, estudar e participar da vida comunitária. Sem esses dois pilares, a promessa de cidadania plena se torna incompleta. Um país que negligencia Educação e Saúde públicas compromete a própria humanidade de seu povo. Infelizmente essa negligência é recorrente em nosso país, pois o orçamento público para Educação e Saúde, sempre é alvo de cortes.
Investir nessas áreas é uma estratégia de fortalecimento social. A Educação pública de qualidade reduz desigualdades, rompe ciclos de pobreza e amplia oportunidades reais de ascensão social. Ela cria ambientes seguros, comunidades engajadas e cidadãos mais preparados para participar da vida democrática. Do ponto de vista meramente econômico, o investimento em Educação pública é um dos mais rentáveis que um país pode fazer, pois: aumenta a produtividade da mão-de-obra; estimula a inovação e a capacidade tecnológica; atrai investimentos internacionais; reduz custos com desemprego, violência e assistência social. O investimento consistente em Educação pública produz ganhos econômicos duradouros, construindo uma base sólida de capital humano.
A Saúde pública, por sua vez, promove equidade ao garantir que todos, independentemente de renda, etnia, gênero ou região, tenham acesso a cuidados essenciais. Sistemas de saúde funcionais reduzem mortalidade infantil, ampliam expectativa de vida e fortalecem a coesão social ao diminuir disparidades regionais e socioeconômicas. Sabidamente, trabalhadores saudáveis produzem mais, faltam menos e permanecem ativos por mais tempo; um sistema de Saúde pública eficiente reduz gastos públicos com doenças evitáveis, fortalece a economia ao evitar crises sanitárias que paralisam setores inteiros, como ocorreu durante a pandemia.
Sem dúvida o Brasil enfrenta desafios históricos: desigualdade social, péssima distribuição de renda, disparidades regionais, infraestrutura insuficiente, mas também possui grandes oportunidades: um sistema de Saúde pública robusto, o SUS, que é uma referência internacional; uma rede educacional ampla que, com os investimentos adequados, podem elevar o país a novos patamares de desenvolvimento.
A decisão de investir em Educação e Saúde públicas é urgentíssima. Sob uma perspectiva humanista, é reconhecer o valor intrínseco de cada cidadão / cidadã. Sob uma perspectiva social, é construir um país mais justo e igualitário. Sob uma perspectiva econômica, é garantir crescimento sustentável para todas as classes sociais, e não apenas para os privilegiados. Portanto, quando Educação e Saúde avançam juntas, a sociedade se torna mais igualitária, integrada, resiliente, mais humanizada.
O Brasil só alcançará seu potencial pleno quando colocar o ser humano no centro de suas prioridades, e isso começa com uma Educação e Saúde públicas fortes, acessíveis e de qualidade. Pense nisso quando for eleger seus representantes.
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Foto: Benjamim Sepulvida/PMB

