O mundo todo sabe que o Natal é uma festa litúrgica da religião cristã. Ela celebra o nascimento de Jesus Cristo. As informações que temos sobre o nascimento de Jesus, estão restritas aos Evangelhos Sinóticos (Marcos, Mateus e Lucas). E em nenhum deles, há uma data claramente definida sobre este fato. Como os Evangelhos foram escritos dezenas de anos após a morte de Jesus, certamente marcar uma data precisa de seu nascimento, não era relevante. Além disso, as primitivas comunidades cristãs reuniam-se na clandestinidade e foram violentamente perseguidas, torturadas e assassinadas pelo Império Romano até o início do século IV. Apenas em 313 d.C. os cristãos puderam celebrar livremente sua religião, quando o Imperador Constantino emitiu uma ordem tornando livre de perseguições, qualquer manifestação religiosa, inclusive a cristã. Por volta do ano 336 os cristãos de Roma passaram a celebrar o dia 25 de dezembro como a data de nascimento de Jesus Cristo. A data escolhida foi para substituir uma festa pagã chamada Sol Invictus. O Sol era reverenciado pois sempre brilhava após as trevas. Como Jesus é a luz do mundo, a associação foi imediata. Convencionou-se que esta seria a data do nascimento de Jesus. Em 380 o Imperador Teodósio decretou o cristianismo como religião oficial do Império Romano e o Natal passou a ser comemorado, oficialmente, em todo o Império no dia 25 de dezembro. Finalmente em 449 o Papa Leão I decretou, 25 de dezembro para a comemoração do nascimento de Jesus como a segunda mais importante festa litúrgica da Igreja Católica. A partir de então o 25 de dezembro fixou-se como a festa que congrega milhões de cristãos e é comemorado, inclusive por muitos não cristãos. Com o passar do tempo as comunidades cristãs em todo o mundo foram adaptando a festa aos seus costumes locais. Por exemplo o presépio foi criado por São Francisco de Assis no século XIII e incorporado as festividades religiosas do Natal.
Após a revolução industrial, com o crescimento da economia capitalista e o aumento contínuo da urbanização, a sociedade consumista tornou o Natal uma festa de aspectos profanos, mais identificada com interesses econômicos, comerciais, compras de Natal, celebrações mundanas que, em geral, não são nem um pouco comedidas.
Apesar da data ter perdido parte de seu aspecto religioso, espiritual e teológico, a mensagem de Jesus segue sendo fundamental para a nossa evolução como seres humanos. Uma mensagem de amor, de paz, de perdão, de compaixão pelo próximo. Nunca se falou tanto de Deus, mas parece que estamos cada vez mais distante Dele, personificado pelo seu Filho, Jesus Cristo! O Deus Cristão sempre defendeu os mais necessitados, os pobres e esquecidos, os pecadores e pecadoras. Em um mundo dilacerado por guerras, Ele sempre foi contra a violência, proclamando que devemos perdoar nossos inimigos. Em uma sociedade que ainda persegue e mata mulheres, devemos lembrar que Ele, salvou e perdoou uma adúltera que seria apedrejada até a morte. Deu de comer a quem tinha fome, curou os enfermos em qualquer dia da semana pois a vida de um ser humano é mais importante que uma lei injusta. Tudo que Ele fez foi por amor ao próximo, não importando qual era sua religião ou sua origem.
Que tenhamos uma alegre, abundante, harmoniosa comemoração de Natal. Não devemos nos esquecer do aniversariante, mesmo que por alguns segundos vamos trazê-lo para o meio de nós. Um Feliz e Santo Natal a todos.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
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