Moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo entre 6 meses e 59 anos são orientados a procurar as UBSs; 16 dos pacientes não tinham vacinação ou estavam com esquema incompleto
O estado de São Paulo chegou a 23 casos confirmados de sarampo em 2026, levando as autoridades de saúde a reforçar a vacinação da população de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A estratégia foi adotada para reduzir o risco de disseminação do vírus e inclui a vacinação mesmo de pessoas que já tenham recebido doses anteriormente, conforme a orientação epidemiológica.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), dois dos casos são importados e os demais estão relacionados à importação, embora a fonte de infecção ainda não tenha sido identificada. Entre os 23 pacientes, 16 não tinham histórico de vacinação ou apresentavam esquema vacinal incompleto, cenário que reforça a preocupação das autoridades com a existência de pessoas suscetíveis à doença.
A vacinação está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A orientação também deve ser observada por quem mora em outros municípios, mas trabalha, estuda ou pretende passar temporariamente por São Paulo, Guarulhos ou São Bernardo do Campo, devido à intensa circulação de pessoas entre as cidades da região metropolitana.
A recomendação de vacinação indiscriminada foi adotada nos três municípios que concentram os casos como uma medida para ampliar rapidamente a proteção da população e dificultar a formação de novas cadeias de transmissão. O Ministério da Saúde já havia orientado, em julho, a ampliação da vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos nessas três cidades.
Quem deve tomar a vacina contra o sarampo
A vacina utilizada para proteção contra o sarampo é a tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. No cenário atual, a estratégia adotada nos municípios com recomendação específica amplia a vacinação para a faixa de 6 meses a 59 anos.
Para bebês entre 6 e 11 meses, a dose aplicada em situações de risco epidemiológico é conhecida como dose zero. Ela não substitui as doses previstas no calendário de rotina, que devem continuar sendo aplicadas posteriormente.
Na rotina de vacinação, crianças recebem as doses previstas pelo Programa Nacional de Imunizações, enquanto adolescentes e adultos devem verificar o histórico vacinal para identificar a necessidade de iniciar ou completar o esquema. Em São Paulo, a recomendação publicada pela Secretaria Municipal de Saúde prevê duas doses para pessoas de 12 meses a 29 anos e uma dose para a faixa de 30 a 59 anos, conforme o histórico de vacinação.
A recomendação é que o cidadão leve a caderneta de vacinação à UBS para que um profissional de saúde avalie quais doses são necessárias. A vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Há, porém, situações em que a vacinação não é indicada. Gestantes não devem receber a tríplice viral, por se tratar de uma vacina produzida com vírus atenuados. Pessoas com imunodeficiência grave ou histórico de reação alérgica grave a algum componente da fórmula também precisam de avaliação específica.
Já mulheres que estão amamentando podem ser vacinadas normalmente. A amamentação não precisa ser interrompida após a aplicação do imunizante.
Por que o sarampo voltou a preocupar
O sarampo é uma das doenças infecciosas de maior transmissibilidade. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para várias pessoas não imunizadas, o que torna a manutenção de uma cobertura vacinal elevada uma das principais estratégias para evitar surtos.
A atual situação em São Paulo está relacionada à circulação de vírus introduzidos por pessoas infectadas fora do país e à presença de grupos sem vacinação ou com esquemas incompletos. O Ministério da Saúde destaca que o intenso fluxo internacional de pessoas aumenta o risco de reintrodução do vírus, especialmente em locais onde a cobertura vacinal não alcança níveis considerados adequados.
Apesar do aumento de casos, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. O Ministério da Saúde ressalta que casos isolados ou importados não significam, por si só, o retorno da doença como problema de saúde pública, mas exigem vigilância e manutenção de altas coberturas vacinais.
A vice-presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm-SP), Melissa Palmier, explica que o controle depende de uma resposta rápida das autoridades diante de casos suspeitos e confirmados. Entre as medidas estão a identificação dos contatos e o chamado bloqueio vacinal, com o objetivo de interromper a transmissão.
A atenção é especialmente importante diante dos sintomas característicos da doença. Febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite estão entre os principais sinais. Em caso de suspeita, a orientação é procurar atendimento de saúde e informar possíveis viagens ou contato com pessoas que tenham circulado em locais com transmissão do vírus.
A situação reforça a importância de conferir a caderneta de vacinação, especialmente para quem circula diariamente entre os municípios da Grande São Paulo. A vacinação continua sendo a principal medida de prevenção contra o sarampo e está disponível gratuitamente na rede pública.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
- Barueri aprova programa para proteger idosos com apoio da vizinhança
- Calor aumenta e umidade pode ficar abaixo de 30% em SP nesta quinta-feira (13)
- Programa SuperAção amplia acesso a trabalho e capacitação em Cajamar
- Sarampo chega a 23 casos em SP e vacinação é reforçada na Grande São Paulo
- Conta de água pode ficar em R$ 16 para famílias de baixa renda em SP; veja quem tem direito
Foto: Fernando Frazão/Ag. Brasil
