UBSs resolvem 86% dos atendimentos sem precisar de especialista em SP

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As Unidades Básicas de Saúde de São Paulo resolveram 86% dos atendimentos médicos em 2025 sem necessidade de encaminhamento para especialistas. O índice, considerado alto, reflete mais de 15,8 milhões de consultas realizadas, com impacto direto na redução de filas e na agilidade do atendimento à população.

O resultado indica um avanço na capacidade da Atenção Básica, que passa a absorver a maior parte das demandas de saúde dentro do próprio território, diminuindo a sobrecarga em hospitais e serviços especializados.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o desempenho é resultado de investimentos recordes e da ampliação da rede. Apenas em 2025, o município destinou cerca de 25 bilhões de reais à saúde, fortalecendo estrutura, equipes e atendimento.

Um dos pilares desse avanço é a Estratégia Saúde da Família, que conta com mais de 1,7 mil equipes e cerca de 10 mil agentes comunitários atuando diretamente nos bairros. O trabalho próximo da população permite identificar demandas precocemente e ampliar a resolutividade.

A atuação integrada com equipes multiprofissionais também tem papel decisivo. Psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas atuam dentro das UBSs, ampliando o cuidado e evitando encaminhamentos desnecessários.

Na prática, o modelo permite acompanhamento contínuo dos pacientes, inclusive quando há necessidade de atendimento especializado. Unidades como a UBS Paraisópolis I adotam grupos de cuidado e ações coletivas para evitar agravamento de casos.

O avanço da rede também foi impulsionado por parcerias e modernização da infraestrutura. Desde 2021, mais de 100 novos equipamentos foram entregues, e a cidade passou a contar com mais de mil unidades de saúde integradas.

Com maior capacidade de atendimento local, a Atenção Básica se consolida como porta de entrada do sistema e melhora a experiência da população. Pelo quinto ano seguido, a saúde municipal foi apontada como o melhor serviço público da capital, segundo levantamento do Datafolha.

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Foto: Reprodução/Pref. de SP

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Psoríase e Hepcidina: o que a imunologia realmente mostra sobre causa e consequência – por Dr. Javier Carbajal

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Nos últimos anos, passaram a circular informações sugerindo que a hepcidina seria a causa da psoríase ou até mesmo a chave para resolver a doença. Essa interpretação simplifica um processo imunológico complexo e pode gerar confusões. Para compreender o tema, é importante analisar o papel real desse hormônio e sua relação com a inflamação.

Produzida principalmente pelo fígado, a hepcidina regula o metabolismo do ferro. Em estados inflamatórios, sua produção aumenta como mecanismo de defesa: ao reduzir o ferro circulante, o corpo dificulta a proliferação de microrganismos (arresto do ferro). Esse aumento ocorre em diversas condições e não indica que o hormônio seja o gatilho da doença.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica e sistêmica que afeta de 2% a 3% da população mundial. Seu eixo central envolve as interleucinas 17 e 23, além da ativação inadequada das células T. Essa desregulação acelera a renovação da pele: o ciclo que levaria um mês ocorre em poucos dias, gerando as placas descamativas características.

Embora a inflamação sistêmica da psoríase possa estimular a hepcidina, esse aumento é uma consequência, e não a origem do problema. Na medicina, é vital não confundir associação com causalidade. Como os bombeiros em um incêndio, a hepcidina está presente no local, mas não é quem inicia o fogo.

Além do fígado, a hepcidina é produzida em tecidos como macrófagos e queratinócitos, exercendo funções locais sem protagonismo na regulação da doença. O avanço científico mostra que a psoríase resulta de uma interação entre genética, imunidade e ambiente (estresse, infecções e metabolismo).

O caráter sistêmico é reforçado pelo fato de que até 30% dos pacientes desenvolvem artrite psoriásica. Além disso, alterações imunológicas associadas, como deficiências de anticorpos, mostram que a patologia vai além da pele.

O tratamento evoluiu drasticamente. Além de fototerapia e imunossupressores, os medicamentos biológicos hoje focam em alvos específicos (IL-17 e IL-23). Como a resposta varia entre indivíduos, a compreensão do perfil imunológico de cada paciente é fundamental para personalizar a estratégia médica.

Informação de qualidade é essencial para evitar interpretações simplistas. A psoríase não pode ser explicada por um único marcador. Trata-se de uma doença imunomediada complexa, que exige avaliação médica criteriosa e abordagem individualizada. Esse entendimento permite direcionar melhor o tratamento e contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.


Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga – IMUNOLOGISTA – RQE 21798 – CRM-SP 92607 – Formado pela USP e Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia. Médico Consultor em Imunologia e Alergia de Crianças e Adultos na Rede de Hospitais São Camilo; Diretor da Clínica de Alergia e Imunologia – Dr. Javier Carbajal; Membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI; Membro da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica EAACI; Membro da Sociedad Latinoamericana de Immunodeficiencias LASID; Membro da Clinical Immunology Society CIS. – A Clínica de Alergia e Imunologia Dr. Javier Carbajal é referência em São Paulo por sua orientação voltada ao diagnóstico e tratamento de Doenças Imunológicas Complexas, como Imunodeficiências Primárias, Alergias de difícil controle, Dermatite Atópica Severa, Urticária e Angioedema, Reações Adversas a Fármacos, Doenças Autoimunes e Autoinflamatórias


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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São Paulo tem primeiro caso de sarampo em 2026

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Um bebê de seis meses, uma menina, é a primeira pessoa a contrair sarampo em São Paulo, segundo informa a Secretaria de Estado da Saúde paulista. A bebe, que não foi vacinada, esteve na Bolívia em janeiro deste ano.

O caso foi registrado em fevereiro e confirmado por exames laboratoriais.

Em 2025 o estado de São Paulo teve dois casos importados de sarampo.

O governo do estado reforça que a melhor maneira de evitar ser contagiado pela doença é através da vacinação. A vacina contra o sarampo integra o Calendário Nacional de Vacinação e a primeira dose deve ser ministrada aos 12 meses de idade. A segunda dose deve ser dada aos 15 meses.

Também é necessário se vacinar entre os 5 e 29 anos, com duas doses no intervalo mínimo de 30 dias. Pessoas entre 30 e 59 anos devem tomar uma nova dose.

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

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Veneno de sapo da Amazônia pode virar arma contra superbactérias, diz Butantan

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Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan identificou substâncias no veneno do sapo-cururu amazônico (Rhaebo guttatus) que podem ajudar no combate a bactérias resistentes a antibióticos. A pesquisa descreveu as proteínas presentes na secreção do animal e apontou peptídeos — fragmentos de proteínas — com potencial atividade antimicrobiana.

Os resultados foram publicados na revista científica Toxicon e contaram com a colaboração de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro de Estudos em Biomoléculas Aplicadas à Saúde da Fiocruz, em Rondônia, responsável por fornecer as amostras do veneno.

De acordo com o biomédico Daniel Pimenta, coordenador do estudo e pesquisador do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan, a busca por novas moléculas na natureza é estratégica diante do aumento da resistência antimicrobiana.

O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Daniel Pimenta, atualmente do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan.
Foto: Divulgação/GESP

“Em um contexto de resistência antimicrobiana, a busca por novos compostos antibióticos na natureza é uma estratégia importante para o desenvolvimento futuro de fármacos capazes de combater bactérias resistentes”, afirmou o pesquisador.

Nos sapos, o veneno é armazenado em glândulas localizadas na pele e funciona como um mecanismo de defesa. A secreção atua tanto contra predadores quanto contra microrganismos presentes no ambiente, como vírus, bactérias e fungos. Por isso, a composição do veneno de anfíbios costuma reunir substâncias com diferentes efeitos biológicos, incluindo propriedades antibacterianas e antivirais.

A análise revelou que vários peptídeos identificados podem ter atividade antimicrobiana. A conclusão foi obtida a partir de análises estruturais e funcionais feitas por ferramentas computacionais, método conhecido como estudo in silico, que permite prever o papel biológico de moléculas.

Outra descoberta considerada inesperada foi a identificação da proteína BASP1 no veneno do sapo. Até então, essa substância nunca havia sido registrada em venenos de anuros — grupo que inclui sapos, rãs e pererecas — e costuma ser encontrada no sistema nervoso de humanos e outros animais.

A hipótese dos pesquisadores é que a BASP1 possa estar relacionada ao processo de contração e regeneração das glândulas da pele do animal, que passam por um processo inflamatório natural quando o veneno é liberado.

Além disso, foram identificadas proteínas associadas à contração muscular, ao estresse oxidativo e à imunidade do sapo-cururu.

Para chegar aos resultados, os cientistas realizaram uma análise proteômica do veneno, técnica que permite identificar proteínas em misturas complexas de moléculas. O primeiro passo foi transformar a secreção viscosa do animal em uma solução homogênea para possibilitar a análise em equipamentos de laboratório.

Em seguida, os compostos foram separados por cromatografia líquida e analisados em um espectrômetro de massas, equipamento capaz de identificar individualmente as moléculas presentes na amostra.

Segundo Daniel Pimenta, além do potencial terapêutico, o estudo também amplia o conhecimento sobre a biologia da espécie amazônica, ainda pouco investigada pela ciência. Os resultados indicam ainda semelhanças entre o veneno do Rhaebo guttatus e o de outras espécies de sapo-cururu, como Rhinella icterica, do sudeste do Brasil, e Rhinella marina, espécie introduzida na Austrália.

Pesquisas anteriores sobre o mesmo animal já haviam revelado um comportamento incomum: o sapo é capaz de ejetar veneno pelas glândulas localizadas atrás dos olhos quando se sente ameaçado. O fenômeno foi descrito pela primeira vez em estudo publicado em 2011 na revista Amphibia-Reptilia.

A pesquisa recebeu financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

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Foto Destaque:  Carlos Jared/Divulgação/GESP

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O corpo contra si mesmo – por Dr. Javier Carbajal

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Entender as doenças autoimunes é essencial para reconhecer sinais, evitar confusões no diagnóstico e buscar cuidado adequado. Esses quadros aparecem quando o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, passa a agir de forma desordenada e ataca estruturas saudáveis. Em situações normais, o organismo produz anticorpos e células de defesa contra infecções, toxinas e até células cancerígenas. Depois desse trabalho, entram em ação mecanismos que reduzem a inflamação e permitem a recuperação dos tecidos. Quando esse equilíbrio se rompe, surgem os problemas.

Nas doenças autoimunes, o sistema imunológico perde a capacidade de diferenciar o que é próprio do que é estranho. Passa então a produzir autoanticorpos ou ativar células que atacam tecidos saudáveis. Esse processo pode afetar articulações, pele, sangue, rins, pulmões, glândulas ou o sistema nervoso, causando inflamação persistente e danos que variam conforme o órgão envolvido. A diversidade de manifestações é um dos grandes desafios.

Os sintomas mudam de uma doença para outra, entre pessoas com o mesmo diagnóstico e até no mesmo indivíduo ao longo do tempo. Fadiga, dor, inflamação, alterações na pele ou no funcionamento de órgãos podem surgir isoladamente ou combinadas, o que dificulta a identificação precoce.

Entre os exemplos mais conhecidos estão artrite reumatoide, lúpus, esclerose múltipla, diabetes tipo 1, doença de Graves, psoríase, vitiligo, tireoidite de Hashimoto, doença de Crohn, colite ulcerativa, miastenia gravis e síndrome antifosfolípide. Embora compartilhem o mesmo princípio, que é o ataque do sistema imune ao próprio corpo, elas se manifestam de maneiras muito diferentes.

A autoimunidade começa quando ocorre a quebra da autotolerância, a capacidade do sistema imunológico de reconhecer o próprio organismo. Quando essa tolerância falha, células de defesa são ativadas de forma inadequada e passam a reagir contra tecidos saudáveis, gerando inflamação contínua e produção de autoanticorpos. Fatores genéticos têm papel importante nesse processo, mas influências ambientais também contam, como infecções, exposição a substâncias tóxicas e estresse prolongado. Em alguns casos, especialmente quando a doença aparece cedo, pode haver associação com erros inatos do sistema imune, conhecidos como imunodeficiências primárias.

O diagnóstico exige cuidado e investigação detalhada. Não existe um exame único capaz de identificar todas as doenças autoimunes. A avaliação clínica, o histórico do paciente, exames laboratoriais e o acompanhamento ao longo do tempo formam o conjunto necessário para chegar a uma resposta. Por isso, muitos pacientes enfrentam atrasos no diagnóstico ou iniciam tratamentos que não trazem o resultado esperado. O tratamento não se resume a suprimir a imunidade. Em muitos casos, reduzir a atividade do sistema imunológico sem critério pode gerar novos problemas. A abordagem mais segura envolve identificar o mecanismo imunológico alterado e direcionar o cuidado conforme a necessidade de cada paciente, sempre com foco em qualidade de vida.

Compreender como as doenças autoimunes surgem e evoluem ajuda pacientes e familiares a reconhecerem sinais de alerta e buscar avaliação especializada. Informação clara é uma aliada importante no cuidado de condições complexas e de evolução variável.


Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga – IMUNOLOGISTA – RQE 21798 – CRM-SP 92607 – Formado pela USP e Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia. Médico Consultor em Imunologia e Alergia de Crianças e Adultos na Rede de Hospitais São Camilo; Diretor da Clínica de Alergia e Imunologia – Dr. Javier Carbajal; Membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI; Membro da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica EAACI; Membro da Sociedad Latinoamericana de Immunodeficiencias LASID; Membro da Clinical Immunology Society CIS. – A Clínica de Alergia e Imunologia Dr. Javier Carbajal é referência em São Paulo por sua orientação voltada ao diagnóstico e tratamento de Doenças Imunológicas Complexas, como Imunodeficiências Primárias, Alergias de difícil controle, Dermatite Atópica Severa, Urticária e Angioedema, Reações Adversas a Fármacos, Doenças Autoimunes e Autoinflamatórias


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Dra. Tatiana Sampaio: A persistente cientista brasileira – por Celso Tracco

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Infelizmente nosso país não é reconhecido pela sua produção científica. E esse fato tem seus motivos. Em ranking das melhores universidades do mundo realizado em 2025, a melhor colocada foi a Universidade de São Paulo (USP), ficou em 118°; a segunda melhor colocada foi Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 331° lugar. Sempre é bom lembrar que o Brasil, jamais conquistou um Prêmio Nobel. Podemos ser o país dos privilégios, do desperdício do dinheiro público, da desigualdade social, e não investimos adequadamente em educação de qualidade, pesquisa científica, inovação tecnológica. Mas o país não é carente de cérebros, pois mesmo em situações consistentemente adversas, há cientistas que se destacam, e contribuem para o desenvolvimento da base científica do Brasil. Esta coluna presta uma singela homenagem a esses abnegados e abnegadas, na pessoa da Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, bióloga, professora universitária, cientista, pesquisadora.

Dra. Tatiana Sampaio nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Desde a infância, mostrou interesse pela ciência, pela pesquisa, para a área acadêmica. Formou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após sua graduação, seguiu seus estudos na mesma faculdade, onde concluiu o Mestrado e Doutorado. Continuando seu aprendizado fez cursos de pós-doutorado no exterior. Voltando ao Brasil, ingressou como professora na mesma UFRJ.

Apesar de todas as dificuldades naturais em país onde a ciência não é valorizada, seguiu sua vida de pesquisadora acadêmica.  A pesquisa que mudaria sua trajetória começou em 1997, quando passou a investigar a laminina, proteína que auxilia na comunicação entre neurônios. A partir dela, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma versão sintética criada a partir da placenta humana. O objetivo da molécula é estimular a regeneração de axônios, que são estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Os primeiros testes experimentais em humanos, que tinham fraturado completamente a coluna cervical, e ainda fora do protocolo clínico oficial, mostraram resultados considerados promissores por especialistas: seis dos oito pacientes tratados recuperaram algum movimento, e um deles voltou a caminhar.

Mesmo com resultados alentadores, a UFRJ, assim como as demais universidades e centros de pesquisas federais, sofre com o recorrente corte de verbas e repasses governamentais, como consequência enfrentou dificuldades para manter a patente internacional da molécula. O debate sobre o financiamento público da ciência no Brasil, incluindo remuneração a professores e pesquisadores, infelizmente ainda é embrionário entre nossos legisladores.  Não é raro que os próprios cientistas, recorram a recursos próprios, para seguirem com suas pesquisas. Idêntica situação foi vivida pela Dra. Tatiana Sampaio. Nos últimos meses, felizmente o trabalho da pesquisadora tem sido celebrado em eventos científicos e culturais, ganhando destaques na grande mídia brasileira. Ao mesmo tempo, especialistas pedem cautela: os resultados iniciais não garantem eficácia em larga escala, e o tratamento ainda está longe de ser disponibilizado ao público. Temos que entender que pesquisa cientifica é cara e demorada.

Dra. Tatiana tem a humildade de reconhecer seus limites e reforça que a pesquisa segue em curso. Mãe de três filhos, ela descreve sua casa como um ponto de encontro para estudantes e colegas. Embora não siga uma religião, afirma acreditar em Deus e defende que a ciência não responde a todas as perguntas. A trajetória da Dra. Tatiana Sampaio simboliza a persistência de uma pesquisadora científica brasileira diante de restrições orçamentárias. A polilaminina ainda precisa superar diversas etapas, mas já representa uma das iniciativas mais promissoras no campo da regeneração neural no país. Que o Brasil passe a reconhecer e valorizar seus pesquisadores e cientistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto Destaque: Divulgação/Faperj

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USP identifica medicamento promissor contra excesso de ferro

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que dois medicamentos usados no tratamento da osteoporose — etidronato e tiludronato — podem ajudar a combater doenças associadas ao acúmulo excessivo de ferro no organismo. Os resultados foram publicados na revista científica BioMetals.

Os testes, realizados em culturas de células humanas, mostraram que os fármacos conseguiram se ligar ao ferro em excesso, reduzir o estresse oxidativo e evitar danos celulares. A pesquisa ainda está em estágio inicial e não envolve testes clínicos em humanos.

Atualmente, existem apenas três medicamentos aprovados para tratar a sobrecarga de ferro, conhecidos como quelantes. Eles atuam se ligando ao metal para facilitar sua eliminação pelo organismo, mas podem causar efeitos colaterais relevantes, como náuseas e enjoos, o que compromete a adesão ao tratamento.

Segundo Breno Pannia Espósito, professor do Instituto de Química da USP e autor do estudo, os bisfosfonatos — classe de medicamentos que inclui etidronato e tiludronato — possuem grupos fosfato em sua estrutura química, com afinidade por íons de ferro. A partir dessa hipótese, os pesquisadores decidiram investigar o potencial dessas substâncias como agentes quelantes.

O estudo é resultado do mestrado de Julia Tiemy Leal Konno, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob orientação de Espósito.

O ferro é essencial para funções como transporte de oxigênio e produção de energia nas células. A deficiência pode causar anemia ferropriva, mas o excesso torna-se tóxico, pois favorece a formação de radicais livres que danificam estruturas celulares. Esse processo está relacionado a doenças de sobrecarga de ferro, como a hemocromatose, condição genética caracterizada pela absorção excessiva do metal.

Pacientes com talassemia, por exemplo, também podem desenvolver acúmulo crônico de ferro em razão de transfusões de sangue frequentes, necessárias para o tratamento da doença.

Nos experimentos, os testes foram realizados na presença de níveis fisiológicos normais de cálcio, já que cálcio e ferro competem no organismo. A presença do mineral reduziu parcialmente a ação dos compostos, mas não anulou sua capacidade de se ligar ao ferro.

Além de etidronato e tiludronato, outros bisfosfonatos foram avaliados e demonstraram eficácia na inibição da oxidação provocada pelo ferro. No entanto, apresentaram maior toxicidade celular, o que exigiria cautela em eventual reposicionamento terapêutico. O desempenho geral foi semelhante ao de um quelante padrão.

Outro medicamento testado, o ranelato de estrôncio, não apresentou capacidade de quelação.

De acordo com Espósito, os resultados representam uma prova de conceito. Como os experimentos foram feitos apenas em culturas celulares, ainda são necessários estudos adicionais antes que os medicamentos possam ser considerados para uso clínico no tratamento da sobrecarga de ferro.

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Foto: GESP

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Polícia apreende quase 90 mil ampolas e frascos de remédios para emagrecimento na Grande SP

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A Polícia Civil de São Paulo apreendeu cerca de 90 mil ampolas e frascos de remédios para emagrecimento na quinta-feira (19), em Santo André, na Grande São Paulo. Um homem de 26 anos foi preso em flagrante. Ele era responsável por uma farmácia de manipulação que produzia ilegalmente a substância. No local, foi encontrado um estoque de medicamentos manipulados de forma irregular, incluindo substâncias vencidas e sem prescrição.

De acordo com o boletim de ocorrência, agentes da Delegacia de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente, da Seccional de Santo André, foram até o endereço após instauração de inquérito para apurar a venda irregular de medicamentos injetáveis para emagrecimento.

Durante a fiscalização, foram encontradas cerca de 84 mil ampolas e frascos de emagrecedores armazenados na câmara fria, além de 5,3 mil ampolas fora de refrigeração. Nenhum dos produtos possuía identificação de paciente ou receituário médico correspondente, conforme exigido pelas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para manipulação individualizada.

Foram encontradas cerca de 84 mil ampolas e frascos de emagrecedores armazenados na câmara fria – Foto: SSP-SP

Ainda foram localizados insumos vencidos utilizados na fabricação de medicamentos, incluindo substâncias fracionadas sem identificação adequada, além de sanitizantes e matérias-primas com prazo de validade expirado. Parte do material apresentava vencimento entre novembro de 2025 e fevereiro deste ano.

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Investigações sobre o Meio Ambiente de Santo André como falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos terapêuticos ou medicinais.

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Fonte: GESP | Fotos: SSP-SP

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Hospital veterinário municipal passa a funcionar 24 horas em São Paulo

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A primeira unidade veterinária da rede municipal da cidade de São Paulo começou a funcionar 24 horas desde quinta-feira (19). O Hospital Veterinário Municipal Leste “Cão Orelha”, no bairro do Tatuapé, foi renomeado para homenagear o cachorro que foi espancado e morto na Praia Brava, em Florianópolis, capital catarinense, no mês de janeiro.

A unidade veterinária agora passa a realizar também atendimento para urgências e emergências das 17h às 7h.

O serviço diurno permanece disponível normalmente. Os hospitais veterinários da rede municipal oferecem atendimento clínico e cirúrgico. Mediante agendamento ou triagem, consultas, exames, cirurgias e internações podem ser realizadas. O acesso, porém, depende da disponibilidade de vagas, com prioridade para casos graves.

Atendimento

As unidades trabalham com oito especialidades: Oftalmologia; Cardiologia; Endocrinologia; Neurologia; Oncologia; Ortopedia; Dermatologia; e Cirurgia bucomaxilofacial.

Das 7h às 16h, nas unidades sul, norte e leste, os cidadãos inscritos no CadÚnico e beneficiários de programas sociais como Bolsa Família, Auxílio Gás ou Renda Mínima, podem agendar consultas presencialmente.

Quem não tem benefício ativo pode fazer uma triagem social, que neste caso, deve levar documentos que comprovem a situação econômica.

Na unidade oeste da capital paulista, o atendimento funciona por ordem de chegada, e as senhas são distribuídas a partir das 7h.

Documentos necessários:

Para realizar o atendimento, é obrigatório a apresentação de:

  • Documento oficial com foto e CPF do responsável (presença obrigatória)
  • Comprovante de residência em São Paulo (emitido há até três meses)
  • Registro Geral do Animal (RGA)
  • Número do CadÚnico
  • Cartão ou comprovante de programa social ativo

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Polícia Civil/SC

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Temperaturas altas oferecem mais riscos de desidratação a pessoas que tomam remédios psiquiátricos

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As altas temperaturas do início do ano oferecem mais risco de desidratação a pessoas que tomam medicamentos psiquiátricos. Segunda pesquisa realizada pelo Instituto Cactus, em 2023, 1 a cada 6 brasileiros faz uso de remédio para problemas emocionais. Os psicofármacos influenciam na sede e em outras atividades relacionadas à hidratação do corpo. O quadro pode ser revertido com a ingestão imediata e fracionada de líquido. Em casos graves, hidratação intravenosa pode ser necessária. Devem se atentar mais à hidratação, quem está em tratamento com estabilizadores do humor, antipsicóticos e antidepressivos tricíclicos.

Os medicamentos psiquiátricos têm ativos químicos que interferem na regulação da sede, equilíbrio hidroeletrolítico, função renal e temperatura corporal. Esse impacto é piorado pelas altas temperaturas comuns durante as estações mais quentes e ondas de calor. São sintomas do quadro: sede intensa ou nenhuma; fraqueza; dor de cabeça; tontura; boca seca; urina escura; confusão mental; lentidão cognitiva; irritabilidade; agitação; piora da ansiedade; sonolência; indisposição; em casos graves, podem correr delírio, hipotensão e taquicardia.

As altas temperaturas também intensificam os efeitos colaterais dos medicamentos psiquiátricos. Para driblar o problema, a principal orientação é manter a ingestão de água contínua e fracionada, mesmo sem sede. Outras orientações importantes são evitar a exposição prolongada e a prática esportiva no calor intenso, além de reduzir o esforço físico nesses momentos. Caso os sintomas do quadro permaneçam ou piorem, a avaliação médica é obrigatória.

Segundo o chefe do setor de psiquiatria do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), Dr. Michel Haddad, muitas vezes os sintomas são atribuídos a condições psiquiátricas ou aos efeitos colaterais do medicamento. “Esse quadro é relativamente comum e frequentemente subdiagnosticado, durante períodos de calor intenso, especialmente em: idosos, pacientes com transtornos mentais graves e pessoas em uso de múltiplos medicamentos”, explica o especialista.

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Fonte: GESP | Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil

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