Violência contra crianças – por Dra. Vera Resende

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A sociedade está profundamente impactada pela absolvição de um homem de 35 anos que transformou em “esposa” uma criança de 12 anos. Os argumentos utilizados pelos juízes que o inocentaram chamam atenção para o risco de se normalizar o inaceitável. Quando a violência contra crianças é relativizada, os limites entre o permitido e o abominável começam a desaparecer. Trata-se de uma forma brutal de destruir a infância e de impor a adultização precoce de meninas.

Diante desse cenário, é fundamental revisar o que entendemos como violência doméstica contra crianças e adolescentes à luz de estudos recentes sobre o tema.

Qualquer ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis que cause danos físico, moral ou psicológico caracteriza violência. Esse tipo de conduta fere o dever de proteção que cabe ao adulto. A criança deixa de ser reconhecida como sujeito em desenvolvimento e passa a ser tratada como objeto.

A violência doméstica pode atingir crianças de qualquer faixa etária e costuma ser praticada por pessoas do próprio círculo familiar, como pais biológicos ou adotivos, parentes, vizinhos e conhecidos. Quatro formas são mais frequentemente identificadas: negligência, violência física, violência sexual e violência psicológica.

Negligência é o descuido grave e persistente no atendimento das necessidades básicas de abrigo, sono, higiene e alimentação. Esse contexto compromete a saúde e afeta o desenvolvimento global da criança.

A violência física permanece amplamente tolerada, muitas vezes confundida com métodos de educação. Inclui danos com ou sem objetos, espancamentos, beliscões, empurrões e outras agressões. A violência sexual consiste no envolvimento forçado de crianças e adolescentes em práticas que atendem aos desejos de adultos. É uma violência silenciosa, pois a vítima é coagida a ocultar o que viveu. Em alguns casos, os responsáveis também silenciam e não denunciam por medo, vergonha ou desconhecimento.

A violência psicológica ocorre quando a criança é exposta a rejeição intensa, ameaças, humilhações e relações hostis. Esse ambiente produz efeitos emocionais profundos e duradouros, que comprometem sua formação e sua segurança interna.

A gravidade desses casos exige atenção, responsabilidade e compromisso social. Nenhuma forma de violência pode ser normalizada, ignorada ou relativizada. Crianças têm direito à proteção integral e à preservação da infância.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Dra. Tatiana Sampaio: A persistente cientista brasileira – por Celso Tracco

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Infelizmente nosso país não é reconhecido pela sua produção científica. E esse fato tem seus motivos. Em ranking das melhores universidades do mundo realizado em 2025, a melhor colocada foi a Universidade de São Paulo (USP), ficou em 118°; a segunda melhor colocada foi Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 331° lugar. Sempre é bom lembrar que o Brasil, jamais conquistou um Prêmio Nobel. Podemos ser o país dos privilégios, do desperdício do dinheiro público, da desigualdade social, e não investimos adequadamente em educação de qualidade, pesquisa científica, inovação tecnológica. Mas o país não é carente de cérebros, pois mesmo em situações consistentemente adversas, há cientistas que se destacam, e contribuem para o desenvolvimento da base científica do Brasil. Esta coluna presta uma singela homenagem a esses abnegados e abnegadas, na pessoa da Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, bióloga, professora universitária, cientista, pesquisadora.

Dra. Tatiana Sampaio nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Desde a infância, mostrou interesse pela ciência, pela pesquisa, para a área acadêmica. Formou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após sua graduação, seguiu seus estudos na mesma faculdade, onde concluiu o Mestrado e Doutorado. Continuando seu aprendizado fez cursos de pós-doutorado no exterior. Voltando ao Brasil, ingressou como professora na mesma UFRJ.

Apesar de todas as dificuldades naturais em país onde a ciência não é valorizada, seguiu sua vida de pesquisadora acadêmica.  A pesquisa que mudaria sua trajetória começou em 1997, quando passou a investigar a laminina, proteína que auxilia na comunicação entre neurônios. A partir dela, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma versão sintética criada a partir da placenta humana. O objetivo da molécula é estimular a regeneração de axônios, que são estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Os primeiros testes experimentais em humanos, que tinham fraturado completamente a coluna cervical, e ainda fora do protocolo clínico oficial, mostraram resultados considerados promissores por especialistas: seis dos oito pacientes tratados recuperaram algum movimento, e um deles voltou a caminhar.

Mesmo com resultados alentadores, a UFRJ, assim como as demais universidades e centros de pesquisas federais, sofre com o recorrente corte de verbas e repasses governamentais, como consequência enfrentou dificuldades para manter a patente internacional da molécula. O debate sobre o financiamento público da ciência no Brasil, incluindo remuneração a professores e pesquisadores, infelizmente ainda é embrionário entre nossos legisladores.  Não é raro que os próprios cientistas, recorram a recursos próprios, para seguirem com suas pesquisas. Idêntica situação foi vivida pela Dra. Tatiana Sampaio. Nos últimos meses, felizmente o trabalho da pesquisadora tem sido celebrado em eventos científicos e culturais, ganhando destaques na grande mídia brasileira. Ao mesmo tempo, especialistas pedem cautela: os resultados iniciais não garantem eficácia em larga escala, e o tratamento ainda está longe de ser disponibilizado ao público. Temos que entender que pesquisa cientifica é cara e demorada.

Dra. Tatiana tem a humildade de reconhecer seus limites e reforça que a pesquisa segue em curso. Mãe de três filhos, ela descreve sua casa como um ponto de encontro para estudantes e colegas. Embora não siga uma religião, afirma acreditar em Deus e defende que a ciência não responde a todas as perguntas. A trajetória da Dra. Tatiana Sampaio simboliza a persistência de uma pesquisadora científica brasileira diante de restrições orçamentárias. A polilaminina ainda precisa superar diversas etapas, mas já representa uma das iniciativas mais promissoras no campo da regeneração neural no país. Que o Brasil passe a reconhecer e valorizar seus pesquisadores e cientistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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A responsabilidade no processo de vendas – por Adriana Vasconcellos Soares

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A dinâmica de vendas em 2026 exige clareza absoluta sobre o papel de cada área que compõe o funil. Muitas empresas misturam funções, criam expectativas equivocadas e, quando o resultado não vem, responsabilizam setores que nunca tiveram a atribuição de vender. Essa confusão prejudica equipes, desgasta relações e desorganiza investimentos. Por isso, entender a responsabilidade de marketing, assessoria de imprensa e comercial não é apenas necessário. É estratégico.

O marketing tem a missão de gerar demanda qualificada. Ele posiciona a marca, comunica diferenciais, cria presença digital e atrai pessoas que têm potencial real para comprar. Quando existe planejamento, consistência e leitura correta de público, o marketing entrega visibilidade, interesse e tráfego. Ele aproxima o cliente, mas não conduz a negociação. Sua função é criar condições para que a venda aconteça.

A assessoria de imprensa atua em outra esfera. Ela constrói reputação, fortalece a imagem institucional e abre portas na mídia. Também é responsável por relacionamentos com jornalistas e influenciadores, criação de pautas, envio de releases, organização de coletivas e monitoramento de notícias. Além disso, passa a exercer um papel estratégico no ecossistema das inteligências artificiais, já que as citações feitas por esses sistemas têm origem em fontes confiáveis e amplamente referenciadas. Quando uma marca aparece com frequência em veículos qualificados, em sites institucionais bem estruturados e em bases respeitadas, aumenta suas chances de ser reconhecida como entidade por algoritmos e, consequentemente, mencionada nas respostas geradas por IA. Esse reconhecimento não é imediato. Ele se forma por meio de visibilidade contínua, consistência informativa e presença em fontes externas verificáveis. A assessoria também auxilia no gerenciamento de crises e no posicionamento público. A imprensa entrega autoridade, credibilidade e percepção de valor. Esses fatores impactam vendas no médio e longo prazo, mas não substituem a atuação comercial.

O comercial é quem fecha. É quem aborda, qualifica, conduz a conversa e transforma oportunidade em contrato. É no comercial que o processo encontra seu ponto decisivo. Quando leads chegam em volume e qualidade adequados, mas a conversão não avança, o problema não está na comunicação. Está na forma de abordar, no momento escolhido, na ausência de acompanhamento, na falta de conhecimento sobre o produto ou em técnicas ainda pouco desenvolvidas. Culpar o marketing ou a assessoria quando o comercial não executa sua parte é transferir responsabilidade.

É papel da comunicação alinhar essa expectativa desde a primeira reunião. Quando o cliente entende quem faz o quê, reduz frustrações e toma decisões mais inteligentes sobre investimentos. Reuniões iniciais claras evitam conflitos futuros, protegem profissionais e fortalecem parcerias de longo prazo. Marcas que compreendem essa diferença conseguem mensurar resultados com mais transparência e evoluir com mais rapidez.

Marketing e assessoria ampliam alcance, reputação e oportunidades. O comercial transforma isso em receita. Cada área opera em um estágio diferente da jornada do cliente e todas são necessárias. O erro está em esperar que uma substitua a outra.

Se você quer atrair clientes mais qualificados em 2026, estou aqui para ajudar.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Corrupção é o flagelo da civilidade – por Celso Tracco

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Passadas as emoções carnavalescas, voltamos a falar de nossa dura realidade e suas recorrentes máculas. Infelizmente, o que é bom dura pouco. Vida que segue. Vamos lá! Recentes pesquisas de opinião, afirmam que o principal problema do Brasil, apontado por mais de 50% dos entrevistados, é a corrupção. Em segundo lugar, está a (in)segurança pública. Este resultado não causa espanto para ninguém, dado que, praticamente todos os dias somos “bombardeados” com algum novo caso de corrupção envolvendo algum agente ou entidade pública.

Comprovando esta preocupante percepção da população brasileira, a ONG Transparência Internacional (www.transparenciainternacional.org.br) divulgou recentemente um estudo realizado em 182 países e territórios, denominado Índice de Percepção de Corrupção (IPC). O IPC de 2025 mede os níveis de percepção da corrupção no setor público, baseando-se em 13 fontes independentes de informação, usando uma escala que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro). A média global foi 42, o Brasil alcançou apenas 35, ficando na 107ª posição. Os três países menos corruptos no mundo são: Dinamarca (89), Finlândia (88) e Singapura (84). Além de estar abaixo da média global, o mais preocupante no caso brasileiro é que desde 2012, quando começou a divulgação deste índice, a posição do Brasil não se alterou significantemente, demonstrando que a corrupção é um problema antigo, endêmico em nossa sociedade. Abaixo algumas análises e recomendações, extraídas do relatório IPC 2025, publicado pela Transparência Internacional.

O relatório indica que “há uma estreita ligação entre corrupção e perda da liberdade democrática, quanto menos democrático é o sistema de governo, maior é a percepção de corrupção. Pesquisas e a experiência prática mostram que um modelo de poder em favor do bem comum, combatem de forma mais eficaz a corrupção. Os governos devem tomar medidas para fortalecer seus sistemas de justiça, assegurar a fiscalização independente dos processos decisórios e gastos públicos; garantir a transparência no financiamento de partidos e campanhas eleitorais e proteger a liberdade dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, é necessário que as autoridades colaborem entre si na hora de enfrentar seus desafios em comum – por exemplo, através do fechamento de canais que possibilitam a corrupção transnacional, que inclui a lavagem de dinheiro e a ocultação de verbas desviadas”.

Em um sistema político como o brasileiro, democrático ainda que tenha muitos vícios e falhas, em última análise quem decide quem vai governar é o voto popular. A sociedade, como um todo, é que elege seus governantes. Devemos procurar conhecer mais os candidatos que desejam mandatos públicos e se eles estão realmente comprometidos a fortalecer a transparência e fiscalização dos serviços públicos e, principalmente, a gestão das verbas públicas. Como opinião pessoal, parece que o governo brasileiro, institucionalmente, tem muito a fazer nesta área. Igualmente, em vista dos últimos acontecimentos, estamos muito longe de prevenir, detectar e punir a corrupção em larga escala, entre os agentes econômicos e os agentes públicos. Persiste uma percepção de impunidade para as camadas mais altas da sociedade, principalmente quando se trata de crimes financeiros. Precisamos ter sempre em mente que o dinheiro público desviado pela corrupção, no final vai significar menos verbas para saúde, educação, mobilidade urbana, moradias para quem realmente precisa. A corrupção é mais um fator que aumenta a vergonhosa desigualdade social no Brasil.

Combater a corrupção é um dever cívico, para toda a sociedade brasileira. Comprar produtos pirateados, por exemplo, é mais um elo que fortalece a corrente da corrupção. Nesta corrente, a sociedade deve ser parte da solução e não do problema.    


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Mais do que escolarização, É VIDA – por Dra. Vera Resende

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Assumir a experiência escolar como continuidade das relações que começam na família exige reconhecer o percurso entre a primeira infância e a chegada da criança à escola. A passagem da dependência total para uma independência relativa acontece no processo de amadurecimento e se constrói ao longo de várias etapas.

A idade escolar é decisiva para o desenvolvimento social. Nessa fase, ganha destaque um setor essencial da vida infantil, que funciona como via de expressão das conquistas da criança, seu ponto de apoio e afirmação de autonomia.

Insucessos podem ocorrer em qualquer situação de aprendizado, mas quando são interpretados como fracasso a criança pode se sentir exposta e fragilizada. O desempenho insatisfatório pode se somar a dificuldades nas relações sociais e aparecer em forma de resistência para interagir com pares e adultos, compreender regras, assumir responsabilidades e aprender com a experiência. São sinais que revelam intenso sofrimento psíquico.

Respeitar essa dor significa evitar dois extremos. De um lado, não transformar todas as dificuldades em diagnósticos, tratando a criança como portadora de um distúrbio grave. De outro, não negar o sofrimento ao substituí-lo por explicações distantes da sua realidade.

É necessário olhar para essa dimensão singular da experiência infantil sem rotulá-la como fracasso, mas entendê-la como parte natural do desenvolvimento, que organiza e segmenta a vida escolar. Esse olhar contribui para que a criança construa uma imagem mais favorável de si, em vez de relacioná-la à inadequação ou incapacidade. É uma perspectiva que coloca o aluno no centro, sem culpabilizá-lo e sem estigmatizar suas dificuldades, preservando sua autonomia.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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A natural ilusão do carnaval – por Celso Tracco

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Já na antiguidade, várias civilizações como a babilônica, grega e romana, celebravam festas populares. Por vários motivos: festejar a fertilidade da terra, da colheita abundante, para homenagear seus deuses ou deusas, ou o início da primavera. Uma característica comum, dessas festas, era uma liberalidade dos costumes e das regras de comportamento em tais civilizações. Nessas ocasiões, poderiam festejar senhores e escravizados, homens e mulheres, ricos e pobres, todos em igualdade de condições. Podemos dizer que nesses dias festivos, não havia distinções sociais, ou de poder ou de gênero, todos eram iguais. Até uma razoável liberalização dos costumes era permitida. Extravasar sentimentos e desejos era aceitável. Em geral as festas duravam de 3 a 5 dias, passada a festa tudo voltava ao normal, sob o império da lei e da ordem social estabelecida.

Com o fim do Império Romano, a população europeia ficou, em termos de comportamentos social, sob a leis e normas da Igreja Cristã. Este é o período que a História denomina de Cristandade. Algumas daquelas festas populares continuaram e foram se adequando ao calendário religioso. Uma delas tinha o nome latino de “carnis levale”, ou seja, adeus a carne, pois a partir do fim da festa a população estava obrigada a uma grande abstinência deste alimento. No final do século VI, a Igreja determinou que o “carnis levale” fosse celebrado justo antes do período da quaresma. Cada lugar e região festejava o “carnis levale” a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, exagerando no consumo de comidas, bebidas e com muita música e animação. O uso de máscaras, fantasias, a valorização do ridículo, eram ingredientes comuns na celebração. Portanto, podemos dizer que o Carnaval (nome aportuguesado de carnis levale) se oficializou como uma festa de origem pagã pelo Cristianismo. A diversão estava liberada antes da quaresma, período de 40 dias religiosamente dedicado à meditação, orações, jejum, silêncio e penitência.

Os colonizadores portugueses trouxeram o carnaval para o Brasil. Essa festa tinha o nome entrudo e basicamente era uma “batalha” popular de se jogar saquinhos de água cheirosa em outras pessoas. Com o passar do tempo, a população, substituiu a água cheirosa por farinha, lama, águas malcheirosas. A “brincadeira” ficou fora de controle. As autoridades proibiram a “festa” do entrudo e a população, educadamente, substituiu por “batalhas” de confete e serpentinas. Esta prática identificada como Carnaval, teve grande popularidade no Rio de Janeiro, a partir da segunda metade do século XIX. 

A partir daí o Carnaval se popularizou pelo país inteiro. Incorporou a cultura africana, com suas danças, gingados, sons de batuques e atabaques, tornando o Carnaval cada vez mais popular. Como na antiguidade, no carnaval brasileiro, não há distinções de etnia, cor, gênero, ou condição social. É tudo junto e misturado. O popular Carnaval de rua passou por cordões, corsos de carros de passeio, blocos, e escolas de samba. O Carnaval passou a dominar o Brasil inteiro de Norte a Sul. Claro que o mais famoso segue sendo o do Rio de Janeiro, mas expressões populares acontecem em milhares de cidades brasileiras como, por exemplo, em Santana de Parnaíba, tradicionalíssimo e já centenário. Desde a antiguidade, muita coisa mudou em termos sociais, costumes, comportamentos, mas a essência do Carnaval, segue sendo a mesma: são dias dedicados à alegria, ao exagero, ao esquecimento das agruras do dia a dia, à felicidade ilusória. Divirtam-se, com muita paz, muita festa, animação, até com certa extravagância. Porque terminado o “reinado de Momo”, tudo volta ao normal.   


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Reflexões a partir do caso do MC Tuto em Barueri – por Reinaldo Monteiro

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O trágico atropelamento do jovem Gabriel Alves pelo funkeiro MC Tuto, ocorrido em Barueri-SP, não é apenas um “incidente de trânsito”, mas um sintoma alarmante da omissão dos municípios em cumprir seus papéis constitucionais na segurança pública. O episódio, ocorrido durante a gravação não autorizada de um videoclipe em um local restrito ao lazer de pedestres, evidencia a falha na fiscalização e na proteção dos bens, serviços e instalações municipais, deveres fundamentais das administrações locais.

O Município como Ente Estratégico e a Falácia da Incompetência

Historicamente, muitos prefeitos esquivam-se da responsabilidade pela segurança pública, alegando que esta é uma atribuição exclusiva dos estados. No entanto, a Constituição Federal, em uma leitura sistêmica, estabelece que a segurança é um direito social e um dever do Estado (enquanto ente federado), o que inclui os municípios. O Artigo 30, inciso V, é claro ao definir que compete ao município organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local, e a segurança pública básica é, indiscutivelmente, um interesse local.

No caso de Barueri, o acidente ocorreu em uma área onde veículos eram proibidos, próximo a uma feirinha e um ginásio poliesportivo. A ausência de uma fiscalização municipal eficaz que impedisse o uso de um Porsche em alta velocidade para fins comerciais não autorizados em área de lazer demonstra uma lacuna na proteção sistêmica da população.

O Papel das Guardas Municipais e suas atribuições legais no trânsito

As Guardas Civis Municipais (GCM’s) não devem ser vistas apenas como vigilantes de prédios, mas como POLICIAIS MUNICIPAIS com 18 competências específicas para garantirem a proteção sistêmica das pessoas que utilizam os bens, serviços e instalações municipais. A Lei 13.022/2014 regulamentou o papel dessas instituições, conferindo-lhes competência para a proteção dos direitos humanos fundamentais e a preservação da vida. Quando um município falha em estruturar sua guarda ou em implementar um Plano Municipal de Segurança Pública, ele ignora as diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e a própria Constituição Federal

A segurança pública municipal é “atenção primária”. Assim como na saúde e na educação, o município deve atuar na base para evitar que conflitos locais escalem para crimes mais graves. O uso da força policial estadual para resolver problemas de ordenamento urbano local — como o controle de trânsito em áreas de lazer ou a perturbação do sossego — é um uso ineficiente de recursos humanos e materiais.

As atribuições das Guardas Municipais no trânsito fundamentam-se na competência dos municípios para organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local, conforme o Artigo 30 da Constituição Federal e artigo 24 do Código de Trânsito Brasileiro – CTB (Lei 9.503/1997), sendo que, as principais atribuições e competências legais incluem:

  • Fiscalização e Ordenamento: O município tem a responsabilidade de organizar o trânsito dentro da cidade, garantindo a segurança das pessoas que circulam em vias públicas. Isso inclui a fiscalização direta de situações de interesse local e a aplicação de leis municipais específicas;
  • Atendimento a Ocorrências: As Guardas Municipais podem atuar no atendimento de acidentes de trânsito, o que permite que a Polícia Militar direcione seu efetivo para o combate a crimes de maior potencial ofensivo;
  • Fiscalização de Trânsito: exercer as competências de trânsito que lhes forem conferidas, nas vias e logradouros municipais, ou de forma concorrente, mediante convênio celebrado com órgão de trânsito estadual ou municipal (Lei 13.022/14, art. 5º, inciso VI);
  • Educação para o Trânsito: A atuação das guardas deve contemplar a segurança viária, por meio de políticas de educação no trânsito e palestras educativas para a comunidade;
  • Buscas e Abordagens: Decisões recentes do STF reconhecem a legalidade de as Guardas Municipais realizarem buscas pessoais, veiculares e até domiciliares (RE 1.468.558 – STF);
  • Exercer o Policiamento Ostensivo, Comunitário e Preventivo: é constitucional o exercício de ações de segurança urbana pelas guardas municipais, incluindo o policiamento ostensivo, comunitário e preventivo (RE 608.588 – Tema de Repercussão 656);
  • Proteção Sistêmica: Com base na Lei 13.022/2014 (Estatuto Geral das Guardas Municipais), essas instituições possuem competência para a proteção sistêmica da população que utiliza bens, serviços e instalações municipais, o que abrange as ruas, praças e o próprio serviço de segurança viária.
  • Aplicação de Sanções e Multas: As guardas podem fiscalizar e aplicar multas baseadas em legislações municipais de interesse local, como no exemplo de Barueri com a fiscalização do uso de cerol em linhas de pipa para evitar acidentes com motociclistas.

Vale ressaltar que a atividade das Guardas Municipais, inclusive no trânsito, é sujeita ao controle externo da atividade policial pelo Ministério Público.

A Omissão Crônica e o Desperdício de Recursos

A crítica estende-se à prática de muitos prefeitos que, em vez de investirem em suas próprias estruturas de segurança, “compram” a folga de policiais militares (Atividade Delegada) para realizar funções que deveriam ser exercidas pelo ente municipal. Essa postura negligencia o fortalecimento das instituições locais e ignora a capacidade do município de legislar sobre interesse local, como a regulamentação para o uso de espaços públicos, regulamentação de horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais, regulamentação de emissão de ruídos (Perturbação do Sossego), e todo o código de posturas municipais.

Conclusão

A segurança do cidadão ao utilizar uma praça, uma rua ou um serviço de transporte é de responsabilidade direta das prefeituras. Enquanto os municípios não assumirem seu papel como a base do Sistema Único de Segurança Pública, episódios como o de Barueri – SP continuarão a expor a fragilidade do pacto federativo e a falta de compreensão de alguns gestores em relação a nossa Carta Magna. A omissão municipal não custa apenas recursos financeiros; ela custa a integridade física e a vida de jovens que, como Gabriel, deveriam estar protegidos em espaços públicos destinados ao seu lazer. É imperativo que os gestores municipais deixem de “lavar as mãos” e passem a garantir o direito social do cidadão à segurança pública básica.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


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O comportamento do consumidor em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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O consumidor de 2026 busca facilidade em todos os pontos da jornada. Ele não quer percorrer etapas longas, mudar de ambiente ou lidar com processos que exigem atenção total. Pesquisas da Euromonitor mostram que o público valoriza conforto, simplicidade e experiências que se encaixem no cotidiano, sem esforço extra. A tendência se confirma em estudos do RBC Capital Markets, que apontam maior sensibilidade ao valor e preferência por soluções diretas e funcionais.

Esse cenário desloca a lógica de presença digital. A compra deixa de depender da loja e passa a acontecer no ambiente onde o consumidor já está. Direct, WhatsApp e comentários se tornam locais naturais de conversão. A jornada é fluida e deve acompanhar o usuário de forma integrada. Plataformas como Instagram e TikTok aceleram esse processo ao estimular consumo imediato, o que torna arriscada a dependência de um único canal. Segundo o Jobspace, o comportamento híbrido é padrão e exige múltiplos pontos de contato funcionando de forma coerente.

Outro aspecto relevante é a busca por continuidade. O público não se envolve mais com conteúdos isolados. Ele procura narrativas que avancem, formatos reconhecíveis e entregas frequentes. Essa mudança impulsiona a lógica de canal, em que marcas e criadores trabalham quadros fixos, rotinas editoriais e identidade visual consistente. A Euromonitor aponta que quase metade dos consumidores desejam experiências personalizadas e com sensação de familiaridade. Postagens avulsas geram atenção momentânea. Séries criam hábito.

A tecnologia acelera essa transformação. Processos que antes exigiam grandes equipes agora podem ser estruturados por meio de planejamento e recursos de automação e inteligência artificial. Isso permite escala sem perder qualidade. Estudos da Consumidor Moderno indicam que o público aceita bem o uso de IA, desde que aplicado de forma transparente e realmente útil. O consumidor de 2026 também rejeita barreiras. Caminhos engessados, obrigatoriedade de aplicativos próprios ou etapas desnecessárias geram abandono imediato. Experiências conectadas, e não apenas multicanais, são as que se destacam. O cliente espera que uma conversa iniciada em um canal continue em outro sem perda de contexto. Quando a marca simplifica, a conversão cresce.

Outro movimento importante é a transformação do conteúdo em experiência. Quando marcas estruturam sua presença como um programa, com linguagem própria e entregas recorrentes, a audiência passa a voltar de forma espontânea. Essa dinâmica já aparece em grupos de mídia que adaptam formatos tradicionais para vídeos verticais e narrativas episódicas pensadas para consumo mobile. O conteúdo nasce no digital e para o digital.

Em 2026, presença digital eficiente depende mais de estratégia do que de volume. A construção de séries, estilos definidos e rotinas consistentes fortalece a relação. Marcas que entendem o comportamento atual deixam de disputar atenção e começam a desenvolver vínculo de longo prazo.

As previsões se alinham em diferentes estudos. A Euromonitor destaca o desejo por conforto. O RBC aponta a busca por valor real. A Consumidor Moderno reforça a importância do bem-estar e do uso consciente de tecnologia.

O Jobspace evidencia a preferência por jornadas integradas. Em conjunto, esses dados mostram um consumidor que busca facilidade, continuidade e conexão. Marcas que se adaptam a esse movimento conquistam vantagem competitiva, porque atendem não apenas a um desejo imediato, mas a um padrão de consumo que tende a se fortalecer nos próximos anos.

Por fim, a assessoria de imprensa ganha um papel ainda mais relevante nesse cenário. Com consumidores que valorizam clareza, confiança e experiências contínuas, torna-se essencial construir presença institucional sólida, visibilidade qualificada e reputação bem estruturada. A imprensa atua como ponte entre marca e sociedade, ampliando autoridade, fortalecendo narrativas e garantindo que a empresa seja encontrada, citada e reconhecida nos ambientes onde o público busca informação. Enquanto o conteúdo do dia a dia cria relação, a assessoria sustenta credibilidade, contextualiza a marca no setor e reforça sua relevância no longo prazo. Essa combinação coloca as empresas em posição de vantagem em 2026, unindo conexão imediata e reputação consistente.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Por uma cultura de paz – por Celso Tracco

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Em fevereiro retornam ao trabalho o Congresso Nacional, assim como o STF. Teoricamente os nossos deputados e senadores, legitimamente eleitos pelo povo, voltam aos seus afazeres no parlamento para elaborar, regulamentar, discutir, aprovar leis e decretos que, em última análise, deveriam melhorar a vida do povo e o bem-estar geral da nação. Este, pelo menos, é o discurso oficial. Mas, como 2026 é um ano especial, pois teremos eleições para presidente da república, governadores dos estados, senadores, deputados federais e estaduais. A agenda política estará cheia. Os parlamentares estarão, creio eu, preocupados com o futuro de sua vida na política, a qual, obviamente irá depender do resultado da eleição. Apenas como um exercício mental, interpreto o que estaria pensando um ou uma parlamentar, neste momento:

“Será que vale a pena ser candidato à reeleição? Ou posso pensar em voos mais altos? Quem sabe mudar de partido? Como será o financiamento de minha campanha? Quais serão meus potenciais adversários? Qual é minha matriz de ganhos e perdas, nesse jogo? Quais serão meus aliados nessa nova batalha? Lealdade na política é algo raro”.

Na realidade é legitimo pensar que os candidatos se prepararão para uma “sangrenta” batalha eleitoral. E quem vai determinar quem serão os vencedores? Em um regime democrático, serão os eleitores. A quantidade de votos necessários determinará quem será eleito. E o campo de batalha, para a conquista do seu voto será, prioritariamente, nas redes sociais. Quem vencer a batalha nas redes sociais, será eleito. E aqui está o ponto central deste artigo: não deixe essa batalha entrar em sua vida particular. Não leve a discussão política, radicalizada, ideológica para dentro de seu lar, entre os membros de sua família, entre seus colegas de trabalho, de barzinho, de lazer. Já está claro que a narrativa do “nós contra eles” é da campanha política, eles precisam atacar seus adversários, provar que são melhores ou menos ruins. Ultimamente tem sido pura pancadaria. Mas porque, nós precisamos ser agressivos com quem não comunga de nosso pensamento? Creio que faz parte da democracia defender nosso pensamento político, mas não deveríamos nunca chegar a uma ruptura comportamental.

Já temos muitas preocupações em nossas vidas: pagar contas, educar nos filhos, enfrentar desconforto no transporte coletivo, filas para atendimento médico, trânsito caótico, escapar de golpes pela internet, falta de segurança para andar na rua. Além de todos esses problemas, ainda temos que escutar as falcatruas, golpes, roubos, desvios de dinheiro público por políticos eleitos e outros servidores públicos, de vários partidos e ideologias. Já temos muito com que nos preocupar, então por que vou me envolver em novas lutas que não são minhas? Não coloquemos mais lenha nesta fogueira, muitas das mensagens que iremos receber, poderão ser falsas, “fabricadas” por pessoas que ninguém conhece. Essa guerra não merece ser vivida, não crie inimigos dentro de seus relacionamentos por causa da radicalização política. No final, o sistema sempre vence e o povo sempre paga a conta. Em geral os eleitores só são lembrados no período da eleição, e aí deveriam exercer seu real poder: afastar os péssimos políticos e votar consciente de sua escolha, não no menos ruim, mas no melhor. E após a eleição, caso seu candidato tenha sido eleito, cobrar as promessas eleitorais para que não fiquem no esquecimento. A eleição em um regime democrático, deve ser uma festa cívica e não uma batalha. Aproveite, em paz, o seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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Por que copiar trends afasta clientes e prejudica sua marca – por Adriana Vasconcellos Soares

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Hoje vamos falar sobre a ideia de que, se todo mundo do nicho está fazendo determinada trend, vale simplesmente copiar. Essa percepção parece inofensiva. Ela diverte, chama atenção e passa a sensação de que basta reproduzir o formato para alcançar mais pessoas. Só que, quando uma trend é   copiada sem análise do público, o resultado costuma ser o oposto do esperado. Em vez de gerar conexão, pode afastar justamente quem deveria se aproximar.

Um exemplo comum acontece com lojistas que entram em trends sobre clientes que experimentam vários produtos e não levam nada. Outra pessoa do setor pode achar graça, mas a cliente real interpreta de outro jeito. Ela pode lembrar de um dia em que não encontrou o tamanho certo, se sentiu constrangida por não comprar ou simplesmente pensar que está sendo criticada. Isso enfraquece a relação, diminui a confiança e pode até afastar um possível comprador.

Esse comportamento se repete em várias áreas. Corretores que usam termos que só outros corretores entendem, advogados que produzem trends cheias de jargão jurídico, profissionais de saúde que repetem vídeos técnicos porque viram colegas fazendo. A motivação é sempre a mesma. O conteúdo funcionou para alguém do nicho e foi replicado sem avaliar se fazia sentido para o cliente ideal. Grande parte desses erros surge porque muitos criadores consomem o Instagram como usuários e não como marcas. Assistem conteúdos de colegas, gostam e repetem. Só que quem precisa gostar é o cliente. É ele quem define se a mensagem é clara, útil e relevante. Quando o público não entende a linguagem ou não se sente parte da conversa, o vídeo perde força e a plataforma reduz o alcance nas publicações seguintes.

As redes sociais funcionam como ambiente de descoberta e relacionamento. Textos e vídeos curtos pedem clareza, identificação e mensagens que despertam interesse rápido. Não é espaço para críticas indiretas, aulas longas ou conteúdo técnico demais. É possível provocar reflexão e chamar atenção para comportamentos que merecem cuidado, mas sempre com foco em conexão real e não em ironia.

Antes de entrar em uma trend, vale observar alguns pontos simples. A mensagem conversa com a dor do meu cliente ideal? Corre o risco de ser interpretada como crítica? Está alinhada ao posicionamento da minha marca? Ajuda a reforçar a proposta de valor da minha marca? Se a resposta a estas perguntas for não, é melhor adaptar a ideia ou buscar uma linha própria.

Trends podem ser úteis quando fortalecem a identidade da marca e fazem sentido para quem realmente importa, mas deixam de ser estratégia quando são copiadas apenas porque o mercado está fazendo. Quando a criação passa a olhar primeiro para as necessidades do cliente, a comunicação ganha precisão, propósito e consistência.

Ao trocar indiretas vazias por conteúdos que geram identificação verdadeira, a marca evolui de quem segue o fluxo para quem lidera a conversa. Essa mudança simples já coloca qualquer perfil no caminho certo.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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