Recebi a indicação de prótese do quadril. E agora? Um guia para seus próximos passos – por Dr. Guilherme Falótico

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Receber a indicação para uma prótese total do quadril costuma despertar uma mistura de alívio e apreensão. De um lado, surge a esperança de se livrar de uma dor que há tempos limita sua rotina. De outro, aparecem as dúvidas: “Será que é a hora certa?”, “A cirurgia é segura?”, “Como será minha vida depois?”.

Se você está se sentindo assim, saiba que é completamente normal. Essa é uma decisão importante, e compreender cada etapa do processo é o primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida.

Neste guia, você vai conhecer as etapas essenciais após a indicação da prótese, transformando incertezas em confiança para tomar a melhor decisão.

Passo 1 – Entenda o motivo da indicação

A artrose avançada, que causa desgaste da cartilagem, é o principal motivo para a recomendação da prótese de quadril. A cirurgia costuma trazer grandes benefícios para quem apresenta situações como:

  • Dor persistente mesmo com uso regular de analgésicos.
  • Dificuldade para dormir por causa da dor.
  • Limitação para atividades simples, como cortar as unhas dos pés ou entrar no carro.
  • Abandono de atividades prazerosas devido à limitação física.
  • Falta de resposta satisfatória a fisioterapia e medicamentos.

Passo 2 – Faça as perguntas certas na consulta

Chegue preparado para conversar com o seu médico. Leve suas dúvidas anotadas e peça explicações detalhadas sobre o que esperar antes, durante e depois da cirurgia.

Sobre o procedimento:

  • Qual técnica cirúrgica será utilizada?
  • Que tipo de prótese será implantada e por quê?
  • Qual o risco real de desgaste ou soltura, considerando minha idade?

Sobre a recuperação:

  • Quanto tempo precisarei usar muletas?
  • Quando poderei dirigir?
  • Como será o plano de fisioterapia?
  • Quando poderei voltar ao trabalho, de acordo com minha atividade?

Sobre os riscos:

  • Quais são as complicações mais comuns e como são prevenidas?
  • Qual é a taxa de infecção?
  • Como será o controle da dor no pós-operatório?

Passo 3 – Prepare-se para a recuperação

Fortaleça o corpo antes da cirurgia:

  • Exercite os membros superiores, que serão importantes no uso das muletas.
  • Mantenha ou ganhe força na perna não operada.
  • Controle o peso corporal: cada quilo a menos representa cerca de 4 kg a menos de carga sobre o quadril.

Organize sua rede de apoio:

  • Deixe sua casa livre de obstáculos (retire tapetes e crie corredores desobstruídos).
  • Combine ajuda para compras, transporte e companhia nas primeiras semanas.

Passo 4 – Conheça os números que trazem tranquilidade

  • 95% de satisfação: a artroplastia de quadril está entre as cirurgias com maiores índices de sucesso.
  • 20 a 30 anos de duração: as próteses modernas têm longa vida útil.
  • Alta hospitalar em 1 a 3 dias: a recuperação inicial costuma ser rápida.
  • 95% dos pacientes retornam às atividades normais.

Passo 5 – O que esperar do pós-operatório

Primeiras 2 semanas: controle da dor, cuidados com o curativo e exercícios leves.
De 2 a 6 semanas: ganho de autonomia com uso das muletas e fisioterapia constante.
De 6 semanas a 3 meses: retorno gradual às atividades e possível abandono das muletas.
De 3 a 6 meses: retomada completa das atividades, incluindo esportes de baixo impacto.

Passo 6 – Verdades sobre os medos mais comuns

“E se a prótese soltar?”
As técnicas modernas de fixação são altamente seguras. A soltura asséptica é rara e tende a ocorrer apenas após muitos anos.

“Vou andar mancando para sempre?”
A melhora da marcha é um dos principais objetivos da cirurgia. Com fisioterapia adequada, a maioria dos pacientes recupera o caminhar normal.

“Nunca mais poderei me agachar ou cruzar as pernas?”
Algumas restrições de amplitude de movimento podem existir, dependendo da técnica utilizada, mas a qualidade de vida melhora significativamente após o procedimento.

A indicação da prótese não é um ponto final, mas um recomeço. Este é o momento de se informar e participar ativamente de cada decisão sobre seu tratamento.

Lembre-se: milhares de pessoas recuperam sua qualidade de vida todos os anos graças à artroplastia do quadril. Com preparo e expectativas realistas, você também pode dar esse passo em direção a uma vida sem dor.

A decisão informada é sempre a melhor decisão. Invista no seu entendimento!


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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COP – 30.  Seja agente da transformação – por Celso Tracco

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Inicia-se nesta semana em Belém – PA a COP – 30. A sigla COP, em uma tradução literal significa “Conferência Das Partes”. É a trigésima vez que sob os auspícios da ONU os países se reúnem para debater sobre as mudanças climáticas que estão ocorrendo em todo planeta. Todos os países que fazem parte da ONU são convidados a participar, porém, por diversas razões, nem todos comparecem. As reuniões de trabalho especificas e técnicas sobre as mudanças climáticas começam na próxima segunda-feira, 10. Porém, nos dias 6 e 7 de novembro, ocorrem as reuniões, gerais e paralelas, entre os chefes de Estado ou de seus representantes designados. Além dos chefes de Estado, ministros, diplomatas, representantes das agências da ONU, participam também da Conferência, cientistas, pesquisadores, ONGs, entidades e membros da sociedade civil empenhados em discutir soluções para os graves problemas que a população mundial está enfrentando como resultado das mudanças climáticas e dos fenômenos meteorológicos extremos. O principal objetivo mensurável desta Conferência, já decidido na COP-21 é manter o aumento médio da temperatura global limitado a 1,5° C, em comparação com os índices obtidos entre 1850 – 1900. Um objetivo bastante otimista, na opinião de pesquisadores e especialistas climáticos. O ano de 2024 é considerado o ano mais quente desde quando se começaram as medições, e ultrapassou a meta dos 1,5° C.

Um ponto que quero destacar: o tema das mudanças climáticas, não deve ser restrito aos ambientes acadêmicos, ou aos gabinetes oficiais de qualquer governo constituído. Claro que os órgãos especializados são superimportantes e devem ser os condutores e executores das ações que visam inibir as mudanças climáticas. Porém, principalmente as representantes da sociedade civil, conselhos municipais do meio ambiente, por exemplo, devem participar e dialogar com o campo científico com o objetivo de prevenção de tragédias climáticas que em geral ocorrem em ambientes urbanos, cidades e municípios, como já aconteceu, recentemente, em São Sebastião e Porto Alegre, além de outros municípios gaúchos.

O Prof. Dr. Pedro Jacobi, coordenador do grupo de estudos de meio ambiente e sociedade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, com formação em economia e sociologia, será o editor-revisor do capítulo sobre impactos, vulnerabilidades e riscos que a COP-30, irá emitir após o término dos trabalhos. Ele afirmou em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que a “ciência não tem que estar numa bolha, e sim ir até a comunidade” (cf. O Estado de São Paulo – edição de 26/10/2025; pg. D10 caderno especial COP -30). Para ele, com larga experiência em questões sociais urbanas é fundamental ouvir as comunidades e debater os riscos, por exemplo das ocupações habitacionais de áreas alagáveis, encostas e outros lugares de risco socioambiental. Não adianta apenas culpar os governos depois das tragédias, temos de ter em mente que prevenir é uma tarefa de todos, entidades privadas e públicas, acadêmicas e da sociedade civil. Ações de prevenção para mitigar os efeitos da mudança climática, como a criação de “cidades esponja”, podem salvar vidas e propriedades. Por outro lado, devemos contribuir para a diminuição de emissão de gás carbono (CO2), restringir o uso de combustíveis fósseis, promover reflorestamento intensivo, combater incêndios florestais.

Estamos diante de uma nova realidade ambiental. O aumento da temperatura da Terra é um fato. Devemos nos adaptar a essa nova realidade, e combater as causas provocadas pela humanidade. O planeta Terra, mais do que nunca, precisa de nossa ajuda. Somos todos chamados a ser agentes da transformação. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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As Guardas Municipais são as verdadeiras Polícias Municipais – por Reinaldo Monteiro

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Diante das últimas discussões acaloradas sobre segurança pública e, em especial a tramitação da PEC 18 – PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA que tramita na Câmara dos Deputados, o presente artigo analisa criticamente a omissão do poder público, em especial dos municípios, diante do papel constitucional das Guardas Municipais e das competências municipais decorrentes do pacto federativo.

A Constituição Federal de 1988 atribui aos municípios autonomia político-administrativa e competência para legislar sobre assuntos de interesse local, bem como para organizar e prestar diretamente os serviços públicos de interesse local, dentre os quais a segurança pública básica. No entanto, observa-se a negligência dos entes locais em fortalecer suas Guardas Municipais — instituições que, à luz da legislação e da jurisprudência da Suprema Corte, são verdadeiras Polícias Municipais.

A partir da análise normativa e do contexto urbano brasileiro, demonstra-se que o abandono municipal, aliado à falta de ordenamento urbano e fiscalização, contribui para o crescimento desordenado das cidades, o aumento das favelas e a consolidação de territórios dominados pelo crime organizado. Conclui-se pela urgência de reconhecer as Guardas Municipais como instrumento essencial de governança urbana, cidadania e segurança pública local.

A Constituição da República de 1988 consolidou o município como ente federativo autônomo, dotado de competências legislativas, administrativas e financeiras. Essa autonomia confere ao poder local a prerrogativa de legislar sobre assuntos de interesse local e organizar e prestar diretamente os serviços públicos de sua responsabilidade, conforme o artigo 30 da Carta Magna. Entre esses serviços, inclui-se a segurança pública básica, uma dimensão essencial da vida urbana e da efetividade dos direitos fundamentais. Contudo, a realidade brasileira mostra que muitos municípios renunciaram ao exercício de suas competências, adotando uma postura de dependência em relação aos governos estaduais e federal. Essa omissão revela um grave descompasso entre o pacto federativo e a prática administrativa, sobretudo no que se refere ao papel das Guardas Municipais, que permanecem marginalizadas das políticas de segurança pública, apesar de possuírem base legal e institucional para atuarem como polícias municipais de fato e de direito.

As competências municipais na estrutura federativa

    A autonomia municipal, assegurada pelos artigos 18 e 30 da Constituição Federal, não é apenas formal; ela representa a responsabilidade de governar o território local com efetividade. Isso inclui legislar sobre ordenamento urbano, uso e ocupação do solo, código de posturas, fiscalização do comércio, proteção de bens públicos e organização de serviços essenciais. O interesse local é o núcleo da competência municipal, e a segurança pública básica integra esse conceito, pois sem segurança não há convivência social nem desenvolvimento urbano sustentável. Assim, a omissão municipal em planejar, fiscalizar e proteger o espaço urbano constitui uma violação do pacto federativo, que exige de cada ente o cumprimento de suas atribuições constitucionais.

    As Guardas Municipais e sua natureza de Polícia Municipal

      A Lei nº 13.022/2014, conhecida como Estatuto Geral das Guardas Municipais, consolidou um marco jurídico de grande importância ao estabelecer dezoito competências específicas para essas instituições. Entre elas, destacam-se: prevenir infrações penais, atuar na proteção da comunidade, colaborar com os demais órgãos de segurança pública, fiscalizar o uso dos bens municipais e desenvolver ações de mediação de conflitos e policiamento comunitário. Na prática, as Guardas Municipais exercem atividades típicas de polícia ostensiva, realizando prisões em flagrante, buscas pessoais, veiculares e domiciliares, além de ações de patrulhamento preventivo e operações conjuntas com forças estaduais e federais. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que as Guardas Municipais possuem poder de polícia administrativa e ostensiva, desde que voltadas à proteção do interesse público e ao exercício das competências municipais (ADPF 995, RE 846.854/DF e RE 608.588/SP). Dessa forma, é possível afirmar que as GUARDAS MUNICIPAIS SÃO AS VERDADEIRAS POLÍCIAS MUNICIPAIS, pois estão mais próximas da população, possuem caráter comunitário e representam o elo mais direto entre o cidadão e o Estado no nível local. QUANDO O ASSUNTO É POLICIAMENTO OSTENSIVO COMUNITÁRIO, SÃO, DE FATO, AS MAIS “POLÍCIAS” DE TODAS AS POLÍCIAS.

      A omissão do poder público e o desgoverno urbano

        A ausência de uma política estruturada de segurança pública local alinhada ao urbanismo social tem gerado consequências devastadoras para as cidades brasileiras. A inércia dos governos municipais em exercer o controle do território urbano — por meio da fiscalização, do planejamento e da presença institucional — contribui diretamente para o crescimento desordenado, o aumento das ocupações irregulares e o fortalecimento das facções criminosas. As GUARDAS MUNICIPAIS, que podem e devem atuar de forma preventiva e integrada, permanecem subaproveitadas, subfinanciadas e desprestigiadas. Esse cenário reflete uma cultura política de omissão e transferência de responsabilidades, onde os gestores locais preferem alegar falta de competência legal para justificar a inércia administrativa e de forma pouco inteligente transferem recursos financeiros para pagamento de horas extras de policiais militares, bancam construções de batalhões, compra de viaturas, equipamentos, etc. O resultado é a proliferação de áreas dominadas por grupos criminosos, a fragilização do controle urbano e o aumento da insegurança pública. Essa omissão configura não apenas um erro de gestão, mas um rompimento do pacto federativo na prática, uma vez que o município abdica de exercer seu papel constitucional e entrega o controle do território à informalidade, ao crime e à desordem.

        Conclusão

        O pacto federativo brasileiro confere aos municípios não apenas autonomia, mas também responsabilidade direta pela gestão da segurança pública básica e da ordem urbana. Entretanto, a realidade demonstra que muitos prefeitos e câmaras municipais negligenciam essas competências, resultando em cidades desorganizadas, vulneráveis e dominadas por interesses ilícitos. As Guardas Municipais, legalmente estruturadas e operantes, são o instrumento legítimo de concretização da segurança pública local e de defesa da cidadania. Ignorá-las é perpetuar a desordem, o abandono das periferias e a expansão do crime organizado. É imprescindível que o Congresso Nacional repare essa omissão legislativa que perdura a mais de 37 anos e por meio da PEC 18 – PEC DA SEGURANÇA PÚBLICA atualize o texto constitucional conforme a realidade das guardas municipais, a evolução social e a atual jurisprudência da Suprema Corte, reconhecendo as Guardas Municipais como Polícias Municipais de fato e de direito, dotando-as de meios, estrutura e respaldo político para exercerem plenamente suas funções constitucionais. Sem isso, continuará a prevalecer o abandono urbano, a omissão estatal e a subversão da ordem pública, com consequências irreversíveis para o desenvolvimento das cidades brasileiras.


        Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


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        A criação humana como diferencial em um mundo dominado pela Inteligência Artificial – por Adriana Vasconcellos

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        A Inteligência Artificial já está em todo lugar. Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Midjourney se tornaram tão comuns que seis em cada dez brasileiros já utilizaram algum recurso de IA generativa. Ela escreve, cria imagens, analisa dados e até ajuda na tomada de decisões. No entanto, em meio a tantas automações, uma pergunta se torna inevitável: o que ainda torna o humano insubstituível? A resposta está na criação.

        A IA é poderosa para reconhecer padrões, gerar variações e otimizar processos, mas seu ponto de partida é sempre o mesmo: o que já existe. Ela replica o passado para projetar o futuro. Já a criatividade humana nasce do inesperado, da emoção, da intuição, da imperfeição, da experiência e da subjetividade. É justamente esse conjunto de nuances que dá às nossas criações autenticidade e propósito. Em um mundo onde a IA pode produzir quase tudo, o toque humano passa a ser o que diferencia, emociona e conecta.

        De acordo com pesquisa da Nexus, 37% dos brasileiros já tiveram uma decisão de compra influenciada por alguma ferramenta de Inteligência Artificial. Ou seja, a tecnologia já interfere diretamente em como as pessoas consomem, estudam e se relacionam com marcas. No entanto, o mesmo estudo mostra que essa influência não substitui a necessidade de conexões reais.

        A campanha global da Heineken, “Real Friends Are Not Artificial”, captou exatamente esse sentimento. Em um momento em que os algoritmos tentam reproduzir vínculos humanos, a marca escolheu celebrar o oposto: as amizades de verdade. Com humor e ironia, a mensagem é simples e poderosa, “desligue os bots e ligue para os amigos”.  A ação é um lembrete importante para empresas e profissionais: quanto mais avançada for a tecnologia, maior será o valor daquilo que ela não consegue reproduzir: empatia, criatividade e emoção.

        Criar é mais do que combinar informações. É interpretar o mundo e transformá-lo com significado. É o que diferencia uma resposta correta de uma ideia marcante. Enquanto a IA entrega eficiência, o ser humano entrega essência.

        As marcas que entendem isso saem na frente. Elas usam a Inteligência Artificial como ferramenta, não como substituta. Permitem que a tecnologia amplie o alcance, mas mantêm o conteúdo, o propósito e a sensibilidade no centro da estratégia.

        Na prática, isso significa investir em narrativas autênticas, em campanhas que valorizem pessoas reais, em lideranças que se comuniquem com empatia. Significa usar a IA para potencializar o pensamento humano, e não para substituí-lo. Estamos entrando em uma era em que a originalidade será o verdadeiro diferencial competitivo. Ideias criadas com sensibilidade, propósito e emoção serão as que continuarão inspirando pessoas, mesmo em meio a milhões de respostas automatizadas. A IA pode ser a ferramenta, mas a sensibilidade humana será sempre o diferencial.


        Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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        Reflexões sobre a banalização dos diagnósticos psicológicos – por Dra. Vera Resende

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        Temos visto, com frequência, explicações psicológicas sobre situações sociais, violentas ou não, com clara intenção de diagnosticar possíveis patologias nas pessoas envolvidas. Parece que todos os internautas dominam teorias capazes de identificar sintomas e sinais característicos de quadros clínicos complexos que, na verdade, exigem cuidado e atenção profissional.

        Muitos buscam informações duvidosas e incompletas em conteúdos divulgados por “profissionais” nem sempre da área da Psicologia, nem sempre qualificados, que descrevem comportamentos típicos de determinadas patologias sem o devido embasamento.

        Não por acaso, encontramos cada vez mais pacientes jovens que chegam ao consultório com um diagnóstico pronto e mostram resistência à abordagem terapêutica, pois acreditam que já sabem o que têm e o tratamento que devem seguir. Essa nova tendência traz riscos importantes à saúde mental e emocional. Seus desdobramentos interferem na convivência familiar e, por consequência, na forma como nos relacionamos socialmente.

        Um exemplo disso aparece nas distorções conceituais que transformam o ambiente familiar e os primeiros cuidados da infância em causas diretas de todos os problemas mentais. A experiência humana se desenvolve em estágios sucessivos. No primeiro deles, a infância, acontecem vivências boas e ruins que estão fora do controle da criança, pois ela ainda não possui recursos psicológicos para lidar com o que a vida lhe apresenta.

        Enquanto o adulto conta com uma área de onipotência que lhe permite algum controle sobre os acontecimentos, por ter capacidade de avaliar e prever situações, a criança ainda está formando essa estrutura. Ela tenta reunir elementos externos para fortalecer o próprio ego, que ainda não é suficientemente organizado para protegê-la das ameaças. Por isso, não consegue se sentir responsável nem pelo que lhe acontece de bom, nem pelo que lhe causa sofrimento.

        A criança depende do ego da mãe ou do adulto que a representa, pois é essa presença que a sustenta emocionalmente. Seu desenvolvimento avança do estágio de dependência total até a independência essencial, quando conquista a capacidade de estar só, de assumir compromissos e de sentir culpa de forma saudável. Assim, compreendemos o papel fundamental do ambiente familiar e das interações afetivas. Isso não significa que a criança não possa ser contrariada ou questionada, mas que precisa de uma base segura para aprender a lidar com o mundo e com suas próprias emoções.


        Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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        O massacre do Complexo do Alemão e da Penha: entre o discurso de sucesso e a tragédia humana – por Reinaldo Monteiro

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        A megaoperação policial realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, sob a gestão do governador Cláudio Castro, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, resultou em mais de 120 mortes e reacendeu um dos debates mais sensíveis da segurança pública brasileira: o limite entre o uso legítimo da força e a violação dos direitos humanos. Este artigo busca analisar criticamente os desdobramentos da operação à luz da Constituição Federal, dos tratados internacionais de direitos humanos e do contexto histórico de omissão estatal nas periferias urbanas. A metodologia utilizada é de caráter qualitativo, com base em análise documental e interpretativa, considerando a jurisprudência, a doutrina e relatórios de organismos internacionais. O texto conclui que a operação não pode ser considerada um sucesso, mas sim um reflexo da falência das políticas públicas preventivas e da persistência de uma cultura de guerra às drogas que transforma cidadãos em alvos e territórios em campos de batalha.

        A violência urbana no Rio de Janeiro e as chamadas “operações de choque” das forças de segurança vêm sendo objeto de intensos debates no campo jurídico e das políticas públicas. A recente megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha, que resultou em mais de 120 mortes, foi classificada como “um sucesso” pelo governador Cláudio Castro.

        Essa afirmação, contudo, levanta questionamentos éticos, jurídicos e institucionais. O que significa “sucesso” em uma ação que ceifou tantas vidas? Até que ponto a busca pela pacificação pode justificar a eliminação em massa de indivíduos, muitos deles sem julgamento prévio? E como a ausência do Estado nas comunidades contribui para perpetuar esse ciclo de violência?

        Este artigo propõe-se a responder tais questões à luz dos direitos humanos, da Constituição Federal e do contexto federativo brasileiro, refletindo sobre os riscos de replicação de práticas similares em outros estados e sobre caminhos possíveis para uma política pública de segurança eficaz e humanizada.

        O discurso político do “sucesso” e a lógica da guerra

        A celebração de uma operação com dezenas de mortos como um êxito institucional revela a adoção de uma lógica de guerra, incompatível com o Estado Democrático de Direito. Em vez de política de segurança, o que se observa é uma política de eliminação, que transforma comunidades em zonas de conflito e seus moradores em inimigos.

        Sob essa ótica, a noção de sucesso é distorcida: o Estado mede sua eficácia pelo número de corpos, não pela restauração da paz ou pela redução sustentável da criminalidade. O resultado é a pilha de corpos e a naturalização da letalidade, fenômeno recorrente em territórios marginalizados.

        A retórica do combate ao crime, sem respaldo em políticas sociais e urbanismo social, serve mais a interesses políticos imediatistas do que à segurança real da população. O verdadeiro sucesso deveria ser a redução da violência com respeito à legalidade e à dignidade humana.

        A violação de normas constitucionais e internacionais

        A operação contraria princípios fundamentais consagrados em tratados internacionais e na própria Constituição Federal. O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (art. 6º) e a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) asseguram o direito à vida e proíbem o uso arbitrário e desproporcional da força.

        No plano nacional, o artigo 5º da Constituição Federal garante a inviolabilidade do direito à vida e à integridade física, enquanto o artigo 144 define a segurança pública como dever do Estado e direito de todos, a ser exercida para preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas.

        Uma operação que resulta em mais de uma centena de mortes, sem controle judicial efetivo e sem garantia de apuração independente, configura falha grave de planejamento e execução, contrariando os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e legalidade administrativa.

        A omissão estatal e o domínio das facções

        A presença do crime organizado nas favelas é consequência direta da ausência histórica do Estado. A omissão em políticas de educação, saúde, saneamento, cultura, geração de renda e urbanismo, cria um vácuo de poder que é ocupado por facções e milícias.

        O Estado aparece apenas como força repressiva, perpetuando a imagem do inimigo interno. Essa dinâmica reforça a dependência das comunidades em estruturas criminosas que, paradoxalmente, oferecem uma forma precária de “ordem social”.

        Portanto, não se trata apenas de combater o tráfico, mas de reconstruir a legitimidade estatal nas periferias, oferecendo presença contínua, direitos e oportunidades. Onde o Estado se ausenta, o crime se institucionaliza.

        O espelho nacional do Rio de Janeiro

        O domínio do crime no Rio de Janeiro é uma síntese trágica do que se observa em todo o Brasil. Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiram-se devido à desarticulação federativa e à ausência de uma política nacional integrada de segurança.

        Enquanto o sistema prisional continua sendo o principal centro de comando do crime, as forças de segurança seguem fragmentadas e politizadas. Essa descoordenação faz com que a violência se reproduza em diferentes estados, com características locais, mas com a mesma raiz: ineficiência estatal e desigualdade estrutural.

        O risco de replicação em outros estados

        O modelo de repressão ostensiva, com alto custo humano, pode ser reproduzido em outros estados, inclusive São Paulo, sob o argumento de que “funciona”. O problema é que ele não resolve a causa da violência, apenas a desloca.

        A lógica da operação midiática — com helicópteros, blindados e confrontos televisivos — rende dividendos políticos, mas mina a confiança da população nas instituições. A ausência de protocolos de uso progressivo da força e de controle externo eficiente agrava o risco de novas tragédias.

        Caminhos possíveis: uma segurança pública de Estado, não de governo

        O enfrentamento ao crime organizado exige política de Estado baseada em três pilares: integração, inteligência e inclusão.

        1. Integração federativa: União, estados e municípios devem atuar conjuntamente, com compartilhamento de dados e definição clara de competências.
        2. Inteligência e tecnologia: o foco deve estar na investigação financeira e na desarticulação das estruturas econômicas do crime, e não apenas em confrontos armados.
        3. Inclusão social: políticas públicas consistentes de educação, cultura e emprego são essenciais para romper o ciclo de aliciamento e dependência das facções.
        4. Fortalecimento das Guardas Municipais: como forças de proximidade, podem atuar preventivamente, promovendo policiamento comunitário e defesa social.
        5. Respeito aos direitos humanos: a efetividade da segurança não se mede por mortos, mas por vidas protegidas.

        A megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha não foi um sucesso, mas um fracasso institucional e civilizatório. Representa a incapacidade do Estado de formular políticas baseadas em inteligência, planejamento e respeito à vida.

        A violência policial não é solução para o crime organizado, mas sintoma de um Estado que perdeu o controle sobre seus próprios meios de coerção. O desafio está em substituir a retórica da guerra pela estratégia da governança, com políticas públicas contínuas e intersetoriais.

        A verdadeira vitória contra o crime não será alcançada com fuzis, mas com inteligência, integração entre os entes federados, educação, ordenamento urbano, políticas publicas de urbanismo social, oportunidades e justiça social.


        Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


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        Megaoperação no RJ responda quem puder – por Tom Moisés

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        Read Time:1 Minute, 52 Second

        Uma pessoa perguntou a minha opinião sobre essa tragédia ocorrida no Rio de Janeiro. Achei legal alguém querer saber o que estou pensando a respeito; mas, triste e perplexo fiquei inibido em fazer qualquer comentário, pois na verdade eu ainda não tenho uma opinião formada, apenas tristeza. Pensei em escrever alguma coisa. Mas, para que fazê-lo? Já não existe opinião demais circulando por aí? Você tem alguma opinião formada sobre tudo isso? Quem somos nós na fila do pão para opinar? Em que a nossa opinião pode contribuir? Temos direito de expressar nossas opiniões e até sentimentos? Peço que me ajudem a refletir e responda quem puder:

        1-Quando começou essa história de morar nos morros e constituir as favelas?
        2-Quando as atividades criminosas passaram a dominar essas comunidades?
        3-Está certo a Polícia subir o morro para prender armas e bandidos?
        4-O que deve fazer a Polícia ao ser recebida com tiros?
        5-Está certo a Polícia matar as pessoas, não devia protegê-las?
        6-Existiam trabalhadores e pessoas do bem andando ali naquela mata?
        7-O que aconteceu foi uma operação policial ou foi um massacre?
        8-De onde vem tantas armas pesadas e soldados do crime organizado?
        9-Se o poder público realmente quiser, consegue acabar com o crime organizado?
        10-Quem ter que emitir uma opinião e posicionamento a respeito desses fatos e quem tem que ficar em silêncio?
        11-Por que as pessoas vinculam tudo à política, à esquerda e à direita?
        12-As pessoas que moram nas comunidades são reféns do crime organizado ou são coniventes?
        13-Para salvar vidas o poder público deve se omitir ou deve ampliar e endurecer o combate ao crime organizado?
        14-Como fica o emocional de um policial e de sua família ao participar de uma operação como essa?
        15- Vale a pena ser policial no Brasil?
        16- Como fica o coração de uma mãe ao chorar a morte do seu filho, mesmo se ele for um criminoso?
        17-O crime compensa?
        18-Se todos deixarem o crime haverá emprego para todo mundo?
        19-O que deve fazer os pais para impedir que seus filhos caiam no mundo da criminalidade?
        20-O Brasil tem solução?

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        Família, nada é mais importante. – por Celso Tracco

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        A família foi o primeiro núcleo da organização humana. Ela foi e sempre será, o ambiente onde se manifesta o que o ser humano tem de mais belo: o amor fraterno, o amor doado sem limites. Todas as sociedades humanas conhecidas, sempre tiveram na família, o centro do desenvolvimento social da nossa espécie, a humanização dos relacionamentos. A família proporciona a base afetiva que é responsável pela estabilidade frente às mais diversas tribulações que ocorrem em nossa vida. Todos nós precisamos, para o bom desenvolvimento psíquico e intelectual, deste amor que primeiro vem de nossos pais, naturais ou adotivos, e na sequência da convivência com nossos irmãos, irmãs e demais integrantes do núcleo familiar.

        No entanto, com a evolução social, o papel e atribuições do pai e da mãe foram se modificando. Tradicionalmente o homem era o provedor da sua prole e da esposa. Ele deveria alimentar e proteger sua família. À esposa cabia cuidar do lar e educar seus filhos.  Hoje não é mais assim. Vivemos uma época de transformações sociais. A mulher pode e deve trabalhar fora de casa, procurando sua realização pessoal e independência financeira. O homem deve partilhar as tarefas do lar e o cuidado com os filhos. O casal, mais do que nunca, precisa formar uma união para a manutenção do lar, se ocupar da vida dos filhos, além de seus outros afazeres, e tornar a convivência mais solidária, participativa e humanizada.

        Atualmente, é fato que vivemos sob o império das comunicações on-line. O mundo está apenas a um click em seu smart-phone. Isso, por um lado é bom, a tecnologia digital oferece oportunidades de aprendizado, conhecimento, conforto, inimagináveis há apenas 5 anos. Porém ela não é, e nem pode ser controladora de nossa vida. Ela deve ocupar o lugar que lhe cabe: o de uma simples ferramenta, tais como os livros impressos, o rádio, a tv, que pode, dependendo do uso e do conteúdo, ser útil. 

        O lugar dos pais é o de orientação e ensinamento para a vida e o das crianças é de aprendizes. Não se pode falar em amizade porque não há simetria ou reciprocidade nesta etapa da vida. É uma relação hierárquica. A missão dos pais é construir e transmitir valores, éticos e morais aos filhos, e com carinho apoiar a afetividade. Dar e receber amor, é uma parte essencial desse processo. Saber dizer não para os filhos na hora certa, ser firme e convincente, demandam respeito e obediência incompatíveis com uma relação de amizade. Mas, quando os filhos crescerem e esses valores estiverem incorporados ao seu jeito de ser e de agir, aí sim, poderão ser para os pais, seus melhores amigos.

        Em certos casos, os pais, no seu trabalho de cuidar dos filhos, podem e devem colocar limites no uso da ferramenta, e chegar a dizer não. Marcar limites é muito importante para formar o caráter dos filhos. Não fazer isto é um risco grande para uma correta formação dos filhos. Quando as crianças têm o que querem, não aprendem a valorizar o que recebem, e mais tarde, quando tiverem de enfrentar qualquer dificuldade na vida, o custo para elas poderá ser muito alto.

        Lembre-se: não há uma família perfeita. Cuide de sua família. Não deixe faltar o amor incondicional entre todos os familiares, aquele amor que com afeto, supera todas as turbulências que afetam nosso viver. Aproveite seu dia, sempre junto a sua linda família.


        Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


        *Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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        Omissão do Estado e o preço pago pelas favelas – por Ramon Soares

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        Read Time:3 Minute, 29 Second

        A operação policial iniciada no Rio de Janeiro em 28/10 escancara o quanto o Estado brasileiro é omisso em relação à segurança pública. Pelo menos para as classes mais baixas, as favelas e áreas periféricas. Sim, favelas. Não adianta usar um termo politicamente correto se continuamos com uma política de segurança politicamente incorreta.

        Enquanto nas áreas nobres há policiamento, nas favelas há operações, muitas vezes com nomes pomposos, como a “Operação Escudo”, em São Paulo, que resultou em mais de 80 mortes.

        Em apenas um dia de operação no Rio de Janeiro, até o início da noite, contabilizaram-se 64 mortes, quatro delas de policiais.

        Mais do que a falência do Estado do Rio de Janeiro, o que se evidencia é a falência do próprio Estado brasileiro. E, em meio a isso, assistimos a políticos trocando acusações em público, eximindo-se de responsabilidade, como crianças brigando em um parquinho, enquanto inocentes são encurralados em suas casas, policiais são lançados à “cova dos leões” e o crime se organiza em escala industrial.

        É claro que políticas públicas de saúde, educação, saneamento básico, cultura, segurança pública e, sobretudo, urbanismo social, devem estar presentes em todo o território municipal. Sim, municipal, pois é no município que a vida acontece. Fala-se muito do papel dos estados, mas pouco da responsabilidade municipal.

        Com as Polícias Militar e Civil em operação, o foco recai sobre o governo estadual, mas vejamos:

        O Complexo do Alemão, por exemplo, nasceu de forma desordenada e clandestina, a partir de lotes vendidos há mais de 30 anos por um proprietário apelidado de “Alemão”. O município nunca interveio, e hoje colhe os frutos dessa omissão.

        Especialistas poderão afirmar que não cabe ao município cuidar da segurança pública, especialmente em tragédias como essa e tantas outras pelo país. No entanto, a ausência do poder público municipal na formação de bairros, comunidades, vilarejos e distritos gera consequências graves, ainda que tardias, mas inevitáveis.

        Se, à época da venda clandestina dos lotes que deram origem ao Complexo do Alemão, a Prefeitura do Rio de Janeiro tivesse agido com rigor fiscalizando, impedindo as vendas irregulares e planejando o bairro a realidade seria diferente. Bastava um projeto simples, desenhado por um arquiteto ou engenheiro do Departamento de Habitação, com ruas retas, calçadas, áreas verdes, creches, escolas, unidades de saúde, quadras, teatros, bases comunitárias da polícia e saneamento básico.

        Isso é Urbanismo Social.

        Um projeto assim incluiria também iluminação pública, acompanhamento das construções e autorização regular para cada edificação, evitando a proliferação de construções ilegais e a expansão desordenada dos morros e periferias.

        Haverá sempre os “especialistas de sofá” aqueles que nunca entraram numa favela, nunca andaram numa viatura e desconhecem a realidade dos subúrbios, prontos para emitir opiniões. Mas seria interessante que discutissem, de fato, o papel constitucional do município em organizar e prestar serviços públicos de interesse local.

        O município não pode permitir que um bairro se desenvolva sem ruas, apenas com vielas e escadões. Não há dignidade para o cidadão que precisa acessar sua casa por becos estreitos onde o carteiro não entra, muitas vezes por falta até de um CEP.
        Um bairro, por definição, deve ter ruas e, segundo o Novo Dicionário Aurélio, rua é uma “via pública urbana ladeada por casas, prédios ou muros, utilizada para circulação de veículos e pedestres”.

        Já passou da hora de o poder público iniciar um verdadeiro planejamento urbano nas comunidades, bairros e aglomerados, com a construção de vias e a organização dos espaços em quarteirões. Só assim o Estado poderá, de fato, chegar não apenas com operações policiais desastrosas que ceifam vidas de agentes públicos e inocentes aprisionam famílias e fortalecem o crime.

        Não estamos em guerra, porque não temos um inimigo. Estamos à mercê do descaso com os menos favorecidos.


        Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


        *Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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        Os dilemas do empregado – por Tom Moisés

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        Read Time:1 Minute, 37 Second

        Não é nada fácil ser empregado:
        Se está procurando emprego ………. não tá procurando trabalho.
        Se está num trabalho ruim ………. ruim mesmo é ter que trabalhar. 
        Se fala alguma coisa certa ………. está ganhando pra isso.
        Se fala alguma coisa errada ………. é um burro e idiota.
        Se cumpre estritamente as normas ………. não tem iniciativa.
        Se faz além das normas ………. tá querendo aparecer.
        Se chama o chefe de “senhor” ………. é formal demais.
        Se chama o chefe de você ………. é muito folgado.
        Se faz tudo certinho ………. não faz mais do que a obrigação.
        Se comete um pequeno erro ………. é bastante incompetente.
        Se questiona alguma coisa ………. é indisciplinado.
        Se concorda com tudo ………. não tem opinião própria.
        Se critica alguém ou alguma coisa ………. é insubordinado.
        Se elogia ………. é puxa-saco.
        Se se diz satisfeito ………. é falso.
        Se se diz insatisfeito ………. é ingrato.
        Se não tem trabalho ………. é porque não procura.
        Se tem muito trabalho ………. é desorganizado e lento.
        Se faz cursos ………. tá querendo “dar um migué” pra sair.
        Se não faz cursos ………. não tem vontade de crescer.
        Se não paquera ninguém ………. não gosta da fruta.
        Se paquera alguém ………. é abusado e comete assédio
        Se procura conhecer outros serviços ………. não é focado.
        Se entende apenas do seu serviço ………. é acomodado.
        Se ouve opinião dos outros ………. não tem personalidade própria.
        Se não ouve ninguém ………. é prepotente e dono da razão.
        Se fica só de boca fechada ………. não é participativo. 
        Se abre a boca ………. alguém diz que tem mal hálito.
        Se fala na reunião ………. é chamado de Aparício.
        Se não fala nada na reunião ………. é desnecessário.  
        Se frequenta a sala do chefe ………. é bajulador.
        Se não frequenta ………. está na lista de dispensa.
        Se vai embora no horário certo ………. é sem comprometimento.
        Se fica até mais tarde ………. está com algum esqueminha.
        Se quer trabalhar só no home-office ………. é antissocial.
        Se vai presencialmente na empresa ………. tá pegando alguém.
        Se ri da piadinha do chefe ………. é puxa-saco.
        Se não ri ………. é demitido.

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