Primeiro Turno confirma polarização

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O resultado do primeiro turno das eleições de 2026, confirmou que o Brasil permanece profundamente polarizado política e ideologicamente. As eleições, do dia 4 de outubro, ocorreram em um clima absolutamente tranquilo e democrático em todo país. O resultado que saiu das urnas, divulgado cerca de 4 horas após o encerramento da votação, foi uma avassaladora vitória dos partidos de direita e de centro que são oposição ao atual governo. Desta vez, não houve nenhuma contestação à legitimidade das urnas eletrônicas. Para Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para o segundo turno. Flávio com 47% dos votos válidos e Lula com 45%.

Aqui cabe uma observação: O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar. No entanto 33,5 milhões NÃO comparecerem às urnas, o que corresponde a 21,1% do número de eleitores. O total de votos brancos e nulos foi de 6,0 milhões ou 3,8% do total de eleitores registrados. Portanto o total de abstenções mais os votos nulos e brancos é de 25%, ou seja 1 em cada 4 dos eleitores brasileiros optou por não votar em nenhuma opção apresentada para o mais importante cargo da república. As explicações dos analistas políticos giram em torno do desinteresse pela política, pela falta de opção da chamada terceira via, pelo cansaço da polarização, entre outras. No entanto, é extremamente preocupante que a incipiente democracia brasileira já seja desalentadora para boa parte da população.

O resultado, do ponto de vista político, comprova uma consolidação da polarização entre o bolsonarismo e o lulismo. A ida dos dois candidatos ao 2° turno mostra que nenhum dos lados conseguiu formar uma maioria nacional capaz de vencer ainda no 1° turno. Considerando os votos recebidos pelos candidatos em relação ao número de eleitores registrados, o resultado foi 35,4% para Bolsonaro, 34,0% para Lula e 31,6% para quem optou para os demais candidatos, anulou o voto ou decidiu não votar. Tudo indica que a corrida pela presidência continuará intensa, sem um resultado previsível, pois o desânimo com a política brasileira não parece que irá diminuir.

O próximo presidente, seja ele quem for, terá muitos desafios pela frente. Menciono apenas alguns:

Do ponto de vista econômico, necessariamente terá que fazer um ajuste fiscal, organizar as contas públicas, aumentar a arrecadação sem aumentar impostos, criar um ambiente financeiro que estimule investimentos na direção de fortalecer um crescimento sustentável da economia.

Outro ponto muito importante: o próximo presidente deverá enfrentar um cenário internacional bastante conflitivo, com disputas geopolíticas em várias partes do mundo, avanços tecnológicos acelerados e não disponível para todos, dificuldades de regular empresas de tecnologia, guerras que não terminam e uma competição econômica entre as duas maiores potências do planeta. Isto exigirá do Brasil um enorme e efetivo esforço diplomático e comercial.

Na área social, as desigualdades continuam marcantes no Brasil. O país não está dividido apenas por questões ideológicas, mas também por questões socioeconômicas e essa divisão se reflete na recente votação. Infelizmente este é um problema antigo, até agora sem uma solução viável.

O primeiro turno das eleições evidenciou que o país permanece com uma intensa disputa política. Seria desejável que as diferenças políticas se limitassem dentro dos ideais democráticos e interesses individuais não deveriam se sobrepor ao bem comum. A política deveria construir a governabilidade em um ambiente civilizado, evitando possíveis crises entre os poderes constituídos. Mais do que escolher um presidente, o segundo turno será uma decisão sobre qual versão de mundo, de país, de sociedade, os eleitores brasileiros desejam para o futuro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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O empresário precisa virar influenciador para construir autoridade?

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A exposição profissional mudou. Hoje, antes de contratar um médico, procurar um especialista, conhecer uma empresa ou fechar uma parceria, muita gente pesquisa o nome daquela pessoa ou negócio na internet. O que aparece nessa busca passa a fazer parte da percepção que se constrói sobre ela. Isso explica por que a presença digital ganhou importância para empresários, executivos e profissionais liberais. Mas também criou uma espécie de obrigação informal de estar sempre aparecendo. Publicar todos os dias, gravar vídeos, mostrar a rotina, comentar assuntos do momento, contar histórias pessoais. Para quem não gosta desse modelo, surge uma dúvida legítima.

É preciso se tornar um influenciador para construir autoridade? Não.

Autoridade profissional e influência digital podem se encontrar, mas não são a mesma coisa. Uma está relacionada à percepção que o mercado tem sobre o conhecimento, a experiência e a capacidade de contribuição de um profissional em determinado campo. A outra está ligada à capacidade de alcançar e mobilizar uma audiência. Um profissional pode ter muita autoridade e pouca exposição. Também pode ter muitos seguidores sem que isso represente reconhecimento pela sua atuação profissional.

Autoridade não exige exposição permanente

Durante muito tempo, a reputação profissional foi construída pela experiência, pelas relações, pelas indicações e pelo próprio trabalho. A internet acrescentou outra camada a esse processo. Hoje, aquilo que uma pessoa encontra sobre um profissional ou uma empresa também interfere na formação dessa reputação. Isso não significa que o empresário precise transformar a própria vida em conteúdo.

Um executivo pode analisar uma mudança no seu setor, um médico pode explicar uma questão relacionada à sua especialidade, um empresário pode compartilhar uma experiência de gestão, um arquiteto pode comentar uma tendência que observa no comportamento dos clientes, e nenhum deles precisa mostrar o almoço, a viagem ou a rotina familiar para ser reconhecido pelo que sabe.

Essa diferença é importante porque existe uma tendência de confundir presença profissional com exposição pessoal, são coisas diferentes. O branding pessoal pode ajudar a tornar uma trajetória profissional mais conhecida, mas não precisa transformar a pessoa em personagem. Para muitos profissionais, inclusive, uma comunicação mais reservada é mais coerente com sua personalidade, sua atividade e o público com o qual trabalham.

Também não faz sentido reproduzir o comportamento de um influenciador quando esse modelo não combina com a identidade profissional. Fazer vídeos porque todo mundo está fazendo, publicar opiniões sobre qualquer assunto ou expor a rotina sem que isso tenha relação com o posicionamento pode gerar presença, mas não necessariamente construir autoridade. O ponto de partida deveria ser outro. O que esse profissional sabe que merece ser conhecido? A resposta pode estar na própria experiência.

Perguntas que clientes fazem repetidamente, problemas que a empresa aprendeu a resolver, mudanças percebidas no mercado, decisões difíceis, erros que ensinaram alguma coisa, tendências observadas no dia a dia. Muitas vezes, há conhecimento relevante dentro de uma empresa que nunca chega a ser comunicado para fora dela. Quando esse conhecimento é organizado e compartilhado, passa a contribuir para o posicionamento profissional e não é preciso publicar todos os dias para isso. Um artigo pode revelar uma capacidade de análise, uma entrevista pode associar um profissional a determinado assunto, uma palestra pode ampliar seu reconhecimento em um segmento específico, um conteúdo técnico pode continuar sendo encontrado muito depois de sua publicação e, é aí que a comunicação começa a trabalhar a favor da autoridade.

Conhecimento também precisa ganhar visibilidade

Autoridade não se constrói apenas ensinando. A experiência e a capacidade de formular uma opinião também ajudam o mercado a entender quem é aquele profissional. Um empresário pode analisar uma mudança no comportamento dos consumidores, um médico pode explicar uma questão que costuma gerar dúvidas e um executivo pode apresentar sua leitura sobre uma transformação no setor em que atua. O que sustenta esse posicionamento é a consistência entre o que a pessoa comunica e aquilo que realmente conhece.

Por isso, volume de publicação e autoridade são coisas diferentes. É possível produzir conteúdo todos os dias e não deixar claro pelo que se pretende ser reconhecido. Também é possível publicar com menos frequência e construir uma presença profissional consistente, desde que os conteúdos revelem conhecimento, experiência e uma perspectiva própria.

Para o empresário, essa distinção é especialmente útil. O objetivo da comunicação não precisa ser transformar o dono da empresa em uma celebridade. Pode ser fazer com que clientes, parceiros, jornalistas e outros públicos compreendam melhor quem está por trás daquele negócio, o conhecimento que existe ali e os assuntos nos quais aquela empresa pode contribuir. A escolha dos canais também faz parte dessa estratégia. Para alguns profissionais, o LinkedIn será suficiente para desenvolver uma presença mais consistente. Para outros, artigos, entrevistas, eventos, palestras ou conteúdos publicados no próprio site podem cumprir um papel mais importante.

Não é necessário estar em todas as plataformas, nem acompanhar toda tendência. A comunicação precisa encontrar uma forma compatível com a identidade de quem comunica.

Um empresário que não gosta de aparecer em vídeo não precisa começar a gravar vídeos todos os dias, o médico que preserva a vida pessoal pode falar sobre sua especialidade sem abrir a intimidade e um executivo mais reservado pode construir reconhecimento compartilhando análises e experiências profissionais. Existe espaço para autoridade sem exposição excessiva.

No fim, a pergunta mais importante talvez não seja quantos seguidores um profissional precisa conquistar, mas o que uma pessoa encontrará quando pesquisar seu nome. Encontrará apenas uma descrição dizendo que ele é especialista, referência ou experiente? Ou encontrará conteúdos, entrevistas, análises e informações que permitam perceber essas características? Essa é a diferença entre afirmar autoridade e oferecer elementos para que ela seja reconhecida.

Lembre-se: construir autoridade não exige transformar sua vida em conteúdo, mas tornar visível o conhecimento que pode ajudar o mercado a reconhecer seu valor.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Voto Consciente – Sociedade Mais Justa

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O voto é a ferramenta mais importante da democracia. Por meio dele, cidadãs e cidadãos escolhem seus representantes e influenciam diretamente os rumos do país, do estado e do município. No entanto, votar não é apenas cumprir uma obrigação jurídica. Votar é exercer a cidadania de forma responsável. A sociedade brasileira lutou muito, e de várias formas, para chegar ao atual sistema democrático. Ele certamente não é perfeito, mas é muito melhor que qualquer outro tipo de governo. A democracia precisa, e deve, ser preservada. Votar consciente é basear-se na análise das propostas, da trajetória e do compromisso dos candidatos com as reais necessidades da população. Também deve ser avaliado o inegociável apreço com a democracia e com a soberania nacional.  Ao votar de forma consciente, o eleitor e eleitora, contribuem para a escolha de governantes preparados para enfrentar os principais desafios sociais de nosso povo, que são muitos. Entre outros, destaco: o combate à fome, o investimento na educação e na saúde, a melhoria urgente no transporte público, o enfrentamento ao crime organizado com uma política eficaz de segurança pública, o acesso à uma moradia digna para milhões de famílias.

Além das questões sociais que são urgentíssimas, pois apesar de sua imensa riqueza o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo, os candidatos devem manter o compromisso de exercer seu mandato de acordo com a legislação vigente, procurando sempre atuar dentro da Constituição. É fundamental respeitar a dignidade de todos e todas, independente de raça, credo, gênero, condição social. Deve, igualmente, se orientar pelo bem comum, e não apenas para beneficiar grupos específicos, ouvindo as necessidades da população, trabalhando por uma sociedade mais justa, solidária, participativa, igualitária.

As linhas acima podem parecer estranhas, utópicas, dentro de tantos escândalos públicos que lemos e ouvimos todos os dias. Sem dúvida, não é animador saber que a população brasileira vem aumentado o descrédito a respeito de suas Instituições Públicas. Mas, devemos lembrar que a democracia, em todos os países, é um sistema político em contínua construção. Não é uma fórmula acabada, ela admite e até estimula pensamentos e visões diferentes de como se pode viver, visões essas que podem ser contraditórias. A democracia não é apenas o governo da maioria, mas também um governo onde as minorias devem ser representadas e terem voz. A convivência precisa e deve ser fraterna, operativa e respeitosa entre toda a população. O atual clima de polarização política é um desserviço à sociedade brasileira. Não devemos estimular esse imbróglio.  Afinal, de acordo com normas do Estado Democrático de Direito, os eleitos devem governar para todos, e não apenas para aqueles que o elegeram. Todos os brasileiros e brasileiras aptos a votar devem exercer seu direito constitucional, em especial os idosos acima de 70 anos, para quem o voto é facultativo. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou recentemente que o Brasil tem cerca de 17 milhões de eleitores nesta faixa etária. É uma parcela expressiva da população, com muita vivência, que deve ser ouvida.

Eleitores e eleitoras devem se manifestar através do voto. Depois não adianta reclamar de quem foi eleito ou eleita. É preciso participar e lutar para modificar o que você pensa que está ruim e pode ser melhorado. Se nós, eleitores conscientes, não participarmos e não lutarmos por aquilo em que acreditamos, outros tomarão nossos lugares e decidirão por nós. Apenas reclamar não vai adiantar.  Pratique sua cidadania, vote consciente, escolha quem você acha que pode contribuir para melhorar o futuro da sociedade brasileira. A democracia agradece. Que a eleição seja, realmente, uma festa democrática.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Por que algumas empresas aparecem na imprensa e outras nunca conseguem virar notícia?

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Uma empresa pode ter uma história interessante, profissionais experientes e muito conhecimento acumulado. Ainda assim, isso não significa que tenha uma pauta jornalística. Essa é uma diferença que costuma gerar confusão. O que é importante para uma empresa nem sempre desperta o interesse de um jornalista ou do público de um veículo.

Um lançamento, a abertura de uma nova unidade, uma conquista ou o aniversário da empresa podem ter grande significado para quem está dentro do negócio. Para se transformar em notícia, porém, aquela informação precisa trazer algo que interesse também a quem está do outro lado e, é aí que muitas empresas confundem divulgação comercial com pauta jornalística.

O jornalista não começa pelo que a empresa gostaria de divulgar. Ele precisa entender por que aquela informação merece ser apresentada ao público daquele veículo. Uma pauta pode ganhar relevância porque traz uma informação nova, ajuda a explicar uma mudança, apresenta dados, mostra um comportamento que está crescendo, esclarece um problema ou coloca à disposição uma fonte capaz de analisar um assunto em discussão. Essa perspectiva muda a maneira de pensar uma pauta.

Uma empresa pode ter muito a dizer sem necessariamente ter uma notícia pronta. Cabe à comunicação identificar, dentro da experiência daquele negócio, o que pode contribuir para uma discussão que ultrapasse os seus próprios interesses. Um médico, por exemplo, não precisa falar apenas sobre sua clínica ou sobre os serviços que oferece, sua experiência pode ajudá-lo a explicar uma dúvida frequente dos pacientes, um comportamento que vem observando ou uma questão que ganhou espaço na sociedade. Isso também vale para empresários, advogados, arquitetos, especialistas em tecnologia e profissionais de outras áreas.

O conhecimento acumulado dentro de uma empresa pode se tornar informação de interesse público quando consegue ultrapassar os limites da própria empresa.

O erro de confundir divulgação com pauta

Um dos erros mais comuns na assessoria de imprensa é tentar transformar uma informação comercial em notícia apenas mudando seu título. “Empresa lança novo serviço” pode ser uma informação importante para seus clientes, mas isso não significa, por si só, que seja uma pauta relevante para um veículo. O jornalista precisa encontrar naquele lançamento um elemento que justifique a publicação. Pode ser uma mudança no comportamento do consumidor, uma tendência de mercado, um dado relevante, uma inovação com impacto mais amplo ou uma questão que ajude a explicar algo que está acontecendo.

A assessoria de imprensa pode convencer o jornalista de que toda informação da empresa merece publicação. O assessor tem o papel estratégico de encontrar os pontos de contato entre o conhecimento daquele negócio e os assuntos que interessam ao público e aos veículos. É por isso que algumas empresas aparecem na imprensa diversas vezes sem necessariamente falar de seus produtos. Elas se tornam fontes.

Um empresário pode comentar uma tendência do setor, um médico pode explicar uma dúvida que ganhou repercussão, um especialista pode analisar uma mudança regulatória e uma empresa pode apresentar dados de sua própria experiência para ajudar a compreender determinado fenômeno. Nesses casos, a marca não aparece simplesmente porque quer ser divulgada, ela aparece porque tem algo relevante a acrescentar.

Grande parte das empresas possui informações que poderiam render boas pautas, mas que permanecem restritas à rotina interna. São perguntas que os clientes fazem repetidamente, problemas que a equipe aprendeu a resolver, mudanças percebidas antes de outros profissionais, comportamentos observados ao longo dos anos e experiências que influenciaram decisões importantes. O primeiro passo é identificar esse conhecimento.

O que mudou no comportamento dos clientes? Que problema passou a aparecer com mais frequência? O que os profissionais da empresa estão observando? Existe alguma tendência que pode ser compreendida a partir da experiência do negócio? Há dados internos que ajudam a explicar um fenômeno mais amplo? Perguntas assim costumam produzir pautas mais interessantes do que uma simples apresentação institucional.

Também é preciso acompanhar o calendário jornalístico. Assuntos sazonais, mudanças econômicas, acontecimentos recentes, datas relevantes e tendências podem abrir espaço para especialistas que estejam preparados para comentar determinado tema. Nesse contexto, uma boa fonte não é necessariamente a pessoa que representa a empresa mais conhecida. É aquela que tem experiência real, consegue explicar o assunto com clareza e está disponível quando o jornalista precisa. Para o jornalista, isso faz diferença.

Uma fonte precisa ser confiável e acessível, mas também deve entender que uma entrevista não é uma apresentação comercial. A lógica da imprensa é outra.

Assessoria de imprensa e construção de credibilidade

É justamente por isso que a assessoria de imprensa pode ser entendida como uma ferramenta de construção de autoridade e reputação, e não apenas como um serviço de divulgação. O trabalho começa antes do envio de um release. É preciso conhecer a empresa, entender seus profissionais, identificar os conhecimentos que podem ser relevantes para o público, acompanhar os assuntos em discussão e reconhecer as oportunidades em que aquela experiência pode contribuir de maneira legítima. Também faz parte desse trabalho preparar fontes para entrevistas, organizar informações e construir relacionamentos profissionais com jornalistas.

Quando existe consistência, a empresa começa a ocupar outra posição. Seus profissionais deixam de ser apresentados apenas como representantes de uma marca e passam a ser reconhecidos como fontes capazes de contribuir para determinados assuntos. Essa construção não acontece de uma hora para outra e tampouco depende da quantidade de matérias publicadas.

Uma entrevista pode ter grande valor quando associa um profissional a um assunto relevante. Da mesma forma, várias publicações podem contribuir pouco para a reputação se forem apenas menções comerciais sem relação com um posicionamento claro. A imprensa pode ampliar o alcance do conhecimento de uma empresa, mas seu papel não se resume à exposição.

Uma entrevista registra uma opinião, uma reportagem pode associar um profissional a determinado assunto, uma análise publicada pode se tornar uma referência que continuará sendo encontrada depois da publicação original. É assim que a experiência começa a ganhar existência pública.

Para empresários, médicos e especialistas, talvez seja mais produtivo trocar uma pergunta por outra. Em vez de pensar apenas em “como faço para sair na imprensa?”, vale perguntar “sobre quais assuntos tenho conhecimento suficiente para ser uma fonte relevante?”.

Essa mudança de perspectiva costuma levar a uma estratégia de comunicação mais consistente e ajuda a empresa a entender que notícia não é aquilo que ela simplesmente deseja divulgar.

Lembre-se: aparecer na imprensa não começa com a tentativa de divulgar uma empresa, mas com a capacidade de oferecer ao público uma informação que vale a pena conhecer.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


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A violência nossa de cada dia

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Quando ouvimos a palavra violência, logo vem à nossa mente uma violência explícita, aquelas de filmes e series disponíveis nas plataformas digitais, com sangue jorrando, facadas, tiros para todos os lados, mortes em profusão. Infelizmente assaltos, assassinatos, confrontos armados entre as forças de segurança e facções criminosas estão cada vez mais presentes nos noticiários. No entanto, existe uma outra forma de violência menos visível, mas igualmente presente em nosso dia a dia. Ela se manifesta na abissal desigualdade social que nosso país vive e não consegue superar. A violência “invisível” está na fome de milhões de pessoas desassistidas socialmente, no trânsito caótico e selvagem das grandes cidades, no barulho insuportável, onde quer que se esteja, nos transportes públicos superlotados, no atendimento precário de serviços públicos. Esse tipo de violência que já está normalizada pela população, embora não deixe marcas físicas visíveis, afeta nossa saúde mental, emocional, psicológica, podendo deixar marcas profundas e duradouras.

Nossa vida comum está constantemente sendo agredida por fatos cotidianos, que, invariavelmente, levam a uma desumanização em nossos relacionamentos e comportamentos interpessoais. O silêncio tornou-se um objeto de luxo. É insuportável o som estridente de buzinas, sirenes, equipamentos de obras civis, veículos de todas as espécies e tamanhos, eventos diversos que invadem os espaços públicos. O trânsito, não apenas nas grandes cidades, é caótico. Motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres convivem em estado de constante disputa por espaço. Até mesmo deslocamentos simples, são transformados em experiências desgastantes. As cidades, que em sua maioria tiveram um crescimento desordenado, são desumanizadas. Por exemplo, raramente se encontra calçadas bem conservadas, com acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência. Transporte insuficiente, torna a mobilidade um grande desafio. O direito de ir e vir, indispensável em qualquer manual de cidadania, acaba comprometido por obstáculos que não deveriam existir. O atendimento aos usuários de órgãos públicos, como hospitais, bancos, escolas, repartições públicas, deveriam ser muito mais humanizados, respeitar a dignidade do cidadão, cidadã, principalmente dos idosos e das pessoas com deficiência de locomoção. Quem utiliza os serviços públicos, geralmente o faz por necessidade e não por diversão e deveria ser tratado com maior solidariedade, respeito e educação possível.

A soma desses problemas cria um ambiente permanente de tensão. Nos acostumamos a viver sob pressão, desenvolvendo sentimentos de frustração, desesperança, irritação e rancor. Quando a violência cotidiana se torna normal, a sociedade perde qualidade de vida, enfraquece os vínculos comunitários e reduz sua capacidade de construir relacionamentos e comportamentos mais solidários. A falta de bem-estar coletivo também impacta a produtividade econômica e aumenta os custos com saúde pública. Não atuamos,voluntariamente, para desenvolver o bem comum. Além das, ultra necessárias e sempre atrasadas, ações governamentais, a população também pode e deve contribuir, adotando atitudes mais respeitosas no trânsito, preservando os espaços públicos, evitando a poluição sonora e exercendo a solidariedade no convívio diário. A violência nas grandes cidades não se limita à criminalidade. Ela também está presente nas pequenas agressões diárias que comprometem a dignidade, a solidariedade e a qualidade de vida das pessoas. O barulho excessivo, os congestionamentos, os transportes lotados, a mobilidade precária e as dificuldades no acesso à saúde formam um conjunto de problemas que afetam milhões de cidadãos. Reconhecer a existência dessa violência cotidiana é o primeiro passo para combatê-la. Exigir medidas e ações do poder público é um dever de toda a população que se julga afetada. Daí a importância do voto consciente em candidatos(as) que se preocupam com o bem comum. Somente por meio de um planejamento urbano, investimentos públicos e participação social será possível construir cidades mais humanas, eficientes, solidárias, justas e acolhedoras para todos. Sem violência, aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Do mundo infantil para o universo feminino

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A mãe de uma menina se diz preocupada com alguns hábitos de sua filha, diante dos quais se sente impotente por não conseguir modificá-los. Considera-os uma evolução precoce da vaidade feminina, pois a garota se mostra “fixada” em marcas de produtos caros para pele, cabelo e unhas, prefere escolher pessoalmente suas roupas e revela preocupação excessiva com seu visual ao sair com os pais, parentes ou amigas. A menina prefere passear nos shoppings a atividades ao ar livre e frequenta salões de beleza para fazer “luzes” e esmaltar as unhas. Recentemente, provocou uma crise em seu aniversário porque desejava que a comemoração fosse realizada em um spa, tal como a colega da escola havia feito. Idade da criança: 10 anos.

Este episódio convida a refletir sobre, pelo menos, três temas que não se excluem mutuamente, porque estão interligados pela questão da educação de limites e liberdade: o lugar da infância na sociedade e a perda da autoridade parental diante das dificuldades para impor limites.

A cultura consumista sempre estimulou a precocidade da vaidade feminina. Cabe à família proteger seus filhos de um processo de adultização que se inicia de forma inocente, mas pode contribuir para estratégias de erotização da imagem.

A velocidade com a qual se difundem as informações promove transformações sociais que talvez nos façam esquecer que o desenvolvimento humano requer respeito a etapas sucessivas e preciosas, cuja ultrapassagem pode antecipar a instauração de atitudes e condutas, com prejuízo ao desenvolvimento da personalidade.

Para viver em sociedade, é necessário aprender a adiar ou sacrificar prazeres imediatos e renunciar a impulsos instantâneos. Promover essa educação não é tarefa fácil na sociedade moderna e requer o exercício da autoridade parental.

Ao retroceder no tempo, esta mãe resgata sua própria infância e seus hábitos aos 10 anos. Ela recorda que só brincava, estudava e cuidava de sua higiene corporal, vestia-se e alimentava-se de acordo com a orientação materna. Indaguei sobre eventuais atitudes de sua mãe caso exibisse os mesmos comportamentos de sua filha hoje. Ela foi categórica: jamais sua mãe concordaria.

Neste ponto, questiono: o que mudou? Há um tênue limite entre vaidade infantil e adultização, cabe aos pais proteger e orientar seus filhos


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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A inteligência artificial também está aprendendo quem é a sua empresa

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Existe uma pergunta que poucos empresários fazem ao avaliar a presença digital da própria empresa: o que a internet consegue dizer sobre meu negócio sem que eu esteja ali para explicar? Essa questão ganhou outra dimensão com a expansão da inteligência artificial. Hoje, uma pessoa pode perguntar a uma ferramenta de IA sobre uma empresa, um profissional ou determinado segmento e receber uma resposta construída a partir de informações reunidas em diferentes fontes. A empresa não participa dessa conversa, não escolhe o que será considerado relevante nem controla completamente o contexto em que seu nome aparece.

Isso muda a forma de pensar a comunicação. Durante muito tempo, a preocupação era levar o público até a empresa. Agora, existe uma etapa anterior: construir uma presença pública capaz de explicar quem está por trás da marca, o que ela faz, em que assuntos atua e qual conhecimento está associado ao seu nome. Não é apenas uma questão de tecnologia, mas de comunicação.

Há negócios que funcionam muito bem no mundo real e são surpreendentemente difíceis de compreender no ambiente digital. O site diz pouco, as páginas são genéricas, os profissionais aparecem apenas pelo nome e os conteúdos apresentam produtos e serviços, mas quase nada revelam sobre a experiência que existe por trás deles. Quem já conhece a empresa consegue preencher essas lacunas, mas quem chega pela internet, não.

O problema é que o empresário conhece profundamente o próprio negócio. Sabe como a empresa começou, conhece sua trajetória e reconhece a experiência da equipe. Só que grande parte desse conhecimento está na cabeça das pessoas. Para fazer parte da presença digital da marca, precisa ganhar alguma forma pública, seja em um site bem estruturado, artigos, entrevistas, publicações especializadas ou páginas profissionais. É desse conjunto que começa a surgir um retrato público do negócio e, estar em vários canais, porém, não resolve a questão. Uma empresa pode manter Instagram, LinkedIn, site e YouTube e ainda transmitir uma imagem difícil de entender. Há informação, mas falta uma linha que conecte tudo.

Quando a empresa fala com regularidade sobre determinados assuntos, apresenta seus profissionais, explica sua atuação e participa de conversas relacionadas ao seu campo de conhecimento, começa a criar associações mais claras. Não se trata de repetir palavras-chave, mas de deixar evidente o que sabe, onde atua e pelo que pretende ser reconhecida.

O conhecimento que não foi registrado

Há empresas com histórias relevantes que praticamente não deixaram registro delas na internet. Profissionais com vinte ou trinta anos de experiência que nunca escreveram sobre o que aprenderam nesse período. Especialistas que respondem às mesmas perguntas dos clientes todos os dias, mas nunca transformaram essas respostas em conteúdo. Isso não representa apenas uma oportunidade perdida de comunicação, mas também um conhecimento que não foi documentado. E aquilo que não é documentado tem alcance limitado.

Quando uma experiência profissional se transforma em artigo, entrevista, análise ou outro conteúdo relevante, passa a existir também como referência pública. Pode ser lida por quem ainda não conhece a empresa, compartilhada e encontrada em uma pesquisa no futuro.

A inteligência artificial torna esse aspecto ainda mais importante. Não porque exista uma fórmula capaz de fazer um sistema citar determinada empresa, mas porque as respostas são construídas a partir de informações que podem ser encontradas, interpretadas e relacionadas. Quanto menos uma empresa registra publicamente sobre o que sabe, menos elementos estarão disponíveis para contextualizar sua atuação.

É nesse cenário que o GEO, Generative Engine Optimization, ganha espaço. Mas tratá-lo apenas como uma técnica para fazer uma empresa aparecer na IA simplifica demais a questão. O trabalho começa antes. Uma empresa precisa ter informação relevante, saber como deseja se posicionar e organizar o conhecimento que já possui. Não adianta construir uma presença digital sofisticada se a marca ainda não consegue explicar claramente o que faz, para quem trabalha e quais assuntos domina. A tecnologia pode ajudar a distribuir e interpretar informações, mas não pode substituir a necessidade de produzi-las.

Vejo o GEO como uma extensão de uma boa estratégia de comunicação, e não como uma atividade isolada.

Reputação também deixa rastros

A empresa não é formada apenas pelo que publica sobre si mesma. Uma entrevista em um veículo de comunicação, uma reportagem que a menciona, a participação de um profissional em uma discussão relevante ou uma análise assinada por um especialista acrescentam informações que não partiram diretamente da marca e isso cria contexto.

Existe uma distância considerável entre afirmar que possui determinada experiência e aparecer associada a esse assunto em diferentes fontes e situações. Autoridade de marca não nasce somente do discurso institucional, ela também se constrói nas referências que existem ao redor dele. Por isso, imprensa e conteúdo próprio não deveriam ser tratados como trabalhos independentes. Uma entrevista pode aprofundar um tema desenvolvido em um artigo, uma pauta pode nascer de uma análise publicada pela empresa e uma participação em podcast pode gerar novos conteúdos para os canais digitais.

Quando essas iniciativas conversam entre si, o conhecimento deixa de aparecer de forma fragmentada.

Para um pequeno negócio, esse trabalho pode começar pelo conhecimento que já existe dentro da empresa. Quais assuntos os profissionais dominam? Que perguntas os clientes fazem repetidamente? Que problemas aparecem com frequência? Que experiências da equipe ainda não aparecem em nenhum canal público?

As respostas ajudam a identificar os territórios de conhecimento da marca e a decidir o que merece virar artigo, vídeo, entrevista, página do site ou conteúdo para as redes sociais. Não é preciso estar em todas as plataformas. Tentar ocupar todos os espaços antes de definir o que a empresa quer dizer costuma produzir uma comunicação dispersa. Uma presença menor e coerente pode ser muito mais útil do que uma presença ampla, mas sem identidade.

A empresa que você conhece não é a que a internet conhece

Você conhece sua empresa, seus clientes antigos conhecem, sua equipe conhece, mas isso não significa que o ambiente digital consiga reconhecê-la da mesma maneira. Essa diferença tende a ganhar importância à medida que a inteligência artificial participa de pesquisas, comparações e processos de descoberta. A comunicação estratégica, portanto, precisa olhar além da próxima publicação ou campanha e considerar o patrimônio de informação que a empresa está construindo.

Um conteúdo relevante registra uma parte do conhecimento do negócio, uma entrevista acrescenta uma referência, uma página bem estruturada esclarece uma informação e um posicionamento consistente reforça determinada associação. Nada disso, isoladamente, transforma uma empresa em autoridade. O valor está no conjunto.

A inteligência artificial está mudando a maneira como encontramos e organizamos informações, mas não eliminou uma necessidade que já existia antes dela. Para ser reconhecida pelo que sabe, uma empresa precisa comunicar o que sabe. A diferença é que essa comunicação agora precisa considerar ambientes nos quais a resposta não aparece como uma lista de links, mas como uma síntese produzida a partir de diferentes informações. Posicionamento, reputação e conteúdo estratégico passam a fazer parte da mesma conversa.

Por isso, vale fazer uma pergunta antes de pensar na próxima ferramenta de IA: se alguém que nunca ouviu falar da minha empresa fizer uma pergunta sobre o assunto que domino, encontrará informações suficientes para entender por que minha empresa pode ser considerada?

Não há como controlar completamente a resposta de uma inteligência artificial. Há, porém, muito a fazer sobre a qualidade da informação pública existente a respeito da empresa. Uma empresa pode saber muito e continuar pouco representada no ambiente digital. Nesse cenário, o desafio não é apenas ser encontrado. É ter algo consistente para ser encontrado e, principalmente, relevante para ser compreendido.

Lembre-se: Autoridade não se constrói apenas pelo conhecimento que uma empresa possui, mas pelas referências que cria para que esse conhecimento seja reconhecido pelo mercado.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Dia da Árvore – 21 de setembro

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O Dia da Árvore no Brasil marca o início da primavera, a mais linda das estações do ano. Porém, o Dia da Árvore, também pode ser marcado por um grande desafio de consciência e responsabilidade. Sem dúvida é um momento para refletirmos sobre a relação entre a sociedade brasileira e o meio ambiente. Em um país que abriga a maior floresta tropical do planeta, extensas áreas nos biomas do Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa, com um dos maiores volumes de água doce do mundo, a preservação da natureza deveria ser uma prioridade permanente. No entanto, a realidade mostra que ainda estamos distantes de desenvolver uma verdadeira cultura ecológica.

O Brasil, ainda enfrenta sérios desafios relacionados ao desmatamento, às queimadas, à poluição dos rios e à degradação de áreas naturais. Todos os anos, apesar de algumas melhorias ocorridas recentemente, milhares de hectares de vegetação nativa são destruídos comprometendo a biodiversidade, alterando o regime de chuvas e contribuindo para o aumento das mudanças climáticas. A perda das florestas não afeta apenas os animais e as plantas; ela ameaça diretamente a qualidade de vida e a sobrevivência da população. As árvores desempenham funções essenciais na manutenção do equilíbrio climático, na proteção dos solos e na formação dos chamados “rios voadores”, responsáveis por transportar umidade da Amazônia para diversas regiões do país. Sem a cobertura florestal, as secas tornam-se mais frequentes, a produção agrícola é prejudicada e o abastecimento de água fica comprometido.

A preservação das fontes de água doce é fundamental. O Brasil possui uma das maiores reservas de água doce do mundo, mas não é inesgotável. A destruição das matas ciliares, o assoreamento dos rios, a ocupação irregular das nascentes e a poluição causada pelo descarte inadequado de resíduos ameaçam a qualidade e a disponibilidade da água. Recuperar as áreas degradadas ao redor de rios e nascentes é um investimento no futuro, garantindo segurança hídrica para as próximas gerações.

Apesar da preocupação ambiental observada nos debates públicos, a cultura ecológica ainda não faz parte do cotidiano dos brasileiros. A preservação é vista como responsabilidade exclusiva do governo ou das organizações ambientais. Entretanto, a construção de uma consciência ecológica depende da participação de todos. Economizar água, separar resíduos para reciclagem, evitar desperdícios, preservar áreas verdes e plantar árvores são atitudes simples que podem gerar impactos significativos quando adotadas coletivamente. Embora governos e empresas possuam grandes responsabilidades, a participação da população é indispensável para promover mudanças reais e duradouras. Pequenas atitudes, como evitar o desperdício de água, economizar energia elétrica, reduzir o consumo de plásticos descartáveis e realizar a separação correta dos resíduos para reciclagem, contribuem significativamente para a proteção dos recursos naturais. O plantio de árvores e a participação em recuperação de áreas degradadas é outro fator fundamental. Árvores ajudam a melhorar a qualidade do ar, protegem os solos e contribuem para a preservação das nascentes e dos rios.

A educação ambiental é uma ferramenta essencial. Pais, professores e líderes comunitários podem incentivar crianças e jovens a compreender a importância da natureza e a adotar hábitos sustentáveis. Uma sociedade bem-informada tende a cobrar políticas públicas mais eficientes e a valorizar práticas de desenvolvimento sustentável. A participação cidadã é indispensável.

A preservação ambiental não depende apenas de grandes decisões políticas. Ela começa nas escolhas individuais e se fortalece por meio das ações coletivas. Somente com o compromisso de toda a sociedade será possível garantir a conservação dos biomas brasileiros, a recuperação dos recursos hídricos e um futuro mais equilibrado para as próximas gerações. Afinal, cuidar da natureza é cuidar da própria vida.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto: Rafa Neddemeyer/ABR

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Polícia Municipal – PEC 18 condena municípios de médio e pequeno porte a insegurança total e aumenta a desigualdade social

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A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição nº 18 de 2025 no Congresso Nacional visa promover alterações profundas na arquitetura da segurança pública brasileira. Entre as inovações introduzidas pela proposição aprovada pela Câmara dos Deputados em 04 de março de 2026, sob a presidência do Deputado Hugo Motta e agora aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ no Senado Federal, destaca-se a inserção das polícias municipais no rol dos órgãos de segurança pública do artigo 144, inciso VII, da Constituição Federal. Essa medida veio acompanhada de diversos regramentos disciplinadores no parágrafo 8º-A do referido artigo, prevendo as balizas para a criação da nova corporação (Polícia Municipal) ou para a transformação dos cargos das carreiras das atuais guardas municipais em Polícias Municipais.

Ocorre que o constituinte derivado condiciona a elegibilidade dos entes locais à satisfação cumulativa de requisitos expressos nos incisos I e II do mencionado parágrafo 8º-A do artigo 144. De forma específica e restritiva, a alínea “a” do inciso II do parágrafo 8º-A estabelece a exigência de que os municípios “demonstrem capacidade financeira, por meio de RECEITA PRÓPRIA, compatível com a manutenção da corporação”.  Esse requisito é especialmente cruel e ignora o pacto federativo no que diz respeito a repartição tributária, de forma a “CONDENAR” a maioria dos municípios a categoria de subespécie no âmbito da segurança pública.

O presente artigo examina, sob a ótica crítica do direito financeiro e constitucional, o impacto desse requisito restritivo. Analisam-se os dados oficiais e diagnósticos fiscais sobre a real autonomia orçamentária dos municípios brasileiros, demonstrando que a vinculação da segurança pública municipal à capacidade de custeio exclusivamente por receitas próprias condena a maioria esmagadora das cidades à insegurança institucionalizada, aprofunda a desigualdade federativa e sacrifica a população mais vulnerável, destinatária primordial do policiamento ostensivo, comunitário e de proximidade.

A falácia da autonomia fiscal baseda exclusivamente em receitas próprias

O desenho federativo concebido pela Carta da República de 1988 não estruturou os entes municipais como ilhas autossuficientes em termos de arrecadação tributária direta. A arrecadação própria stricto sensu, composta substancialmente por tributos como ISS, IPTU, ITBI, taxas municipais e contribuição de melhoria, não reflete o volume total de recursos necessários para o custeio da complexa máquina pública municipal. A própria sistemática de repartição de receitas tributárias, que assegura transferências constitucionais como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), compõe a receita de direito do ente local e materializa o federalismo cooperativo de redistribuição de riquezas.

Conforme evidenciado pelo diagnóstico técnico da Associação Nacional de Guardas Municipais do Brasil (AGM Brasil) e pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF 2025), baseado em dados fiscais oficiais consolidados de 2024 declarados ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi/STN), a média nacional de receitas geradas pelo esforço de arrecadação própria e potencial econômico local representou apenas 24,2% da receita total dos municípios. Isso demonstra que 75,8% dos recursos que sustentam os municípios brasileiros decorrem de transferências intergovernamentais e redistribuições tributárias.

A análise do indicador Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) Autonomia  em 5.129 municípios revelou que 61,9% das cidades (3.175 municípios) encontram-se em situação crítica ou difícil de autonomia fiscal. Mais alarmante é o fato de que 1.282 municípios, equivalentes a 25% do total avaliado, obtiveram nota zero no índice de autonomia, não arrecadando receitas locais suficientes sequer para custear as despesas elementares da estrutura do Poder Executivo e da Câmara de Vereadores.

Essa disparidade é fortemente acentuada pelo porte populacional. Enquanto municípios com mais de 100 mil habitantes alcançaram média de 0,8251 ponto em autonomia fiscal, os municípios com até 20 mil habitantes, que representam 68,6% de todas as cidades brasileiras, obtiveram uma média crítica de apenas 0,3726 ponto. A dependência das transferências constitucionais não decorre de desídia administrativa, mas de uma base econômica local exígua e da centralização tributária nacional.

Mesmo o percentual de 38,1% dos municípios (1.954 cidades) classificados nas faixas boa ou excelente pelo INDICADOR DE AUTONOMIA não pode ser considerado autossuficiente para criar e manter novos serviços de segurança pública com receitas próprias. O teste metodológico do Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) afere apenas a cobertura das despesas administrativas básicas do gabinete do prefeito e do legislativo local, e não o custeio de políticas públicas complexas como saúde, educação infantil, saneamento e segurança urbana. Desse modo, o universo real de municípios capazes de financiar integralmente suas corporações policiais apenas com arrecadação própria é drasticamente inferior, configurando um privilégio restrito a poucos centros metropolitanos de alta densidade econômica.

O requisito da alínea “A” do Inciso II do §8º-A e a condenação à insegurança institucional

Ao impor que a elegibilidade municipal para instituir a polícia municipal ou o devido reconhecimento das atuais guardas municipais em polícias municipais dependam da comprovação de “capacidade financeira, por meio de receita própria, compatível com a manutenção da corporação” (art. 144, §8º-A, II, “a”), a PEC 18 de 2025 estabelece uma barreira fiscal intransponível para mais de quatro quintos dos municípios do país.

Ao desconsiderar as transferências constitucionais de partilha federativa e exigir lastro orçamentário fundado exclusivamente em tributos de arrecadação direta, a proposta condena a esmagadora maioria dos municípios brasileiros à completa impossibilidade jurídica de transformar (reconhecer) suas guardas municipais em polícias municipais ou de constituir novos órgãos. Cria-se o fenômeno perverso da descentralização da responsabilidade social sem a correspondente viabilização dos meios de financiamento.

Essa restrição normativa gera um vazio de proteção estatal nos territórios mais vulneráveis do país. Onde o Estado-membro não consegue fazer presente o efetivo da polícia ostensiva estadual em patamares suficientes, os municípios menores e médios restarão impedidos de suprir as lacunas locais de segurança por meio de uma corporação formalmente reconhecida e estruturada em carreira. Enquanto grandes capitais e polos industriais ostentam orçamentos bilionários de IPTU e ISS para custear corporações modernas e equipadas, os pequenos municípios, que abrigam dezenas de milhões de cidadãos, serão apartados da política pública de segurança integrada e totalmente impedidos que cumprirem com suas obrigações dentro do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), pois, a Lei nº 13.675 de 2018, determina que todo município tenha um plano municipal de segurança pública.

Agravamento da desigualdade social e sacrifício do policiamento comunitário

A segurança pública é dever de todo Ente Federado e constitui direito social e fundamental de todo cidadão, sendo que, esse dever do Estado (Ente Federado) é exercido em regime de cooperação federativa para a preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio. O modelo de polícia municipal ou guarda municipal vocaciona-se, por essência, à segurança urbana, à mediação de conflitos e ao policiamento ostensivo e comunitário, atuando na raiz territorial dos problemas de convivência e violência cotidiana.

O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 656 de Repercussão Geral, reconheceu expressamente a relevância constitucional dessa atuação comunitária de proximidade pelas corporações municipais:

EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. GUARDA CIVIL. LEI DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO Nº 13.866/2004, ART. 1º, I. POLICIAMENTO PREVENTIVO E COMUNITÁRIO. ATRIBUIÇÕES. ART. 144, § 8º, DA CF. SEGURANÇA PÚBLICA. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 656. ATUAÇÃO LEGISLATIVA MUNICIPAL. LIMITES. ESTATUTO GERAL DAS GUARDAS MUNICIPAIS (LEI 13.022/2014). SISTEMA ÚNICO DE SEGURANÇA PÚBLICA (LEI 13.675/2018). FEDERALISMO COOPERATIVO. ÓRGÃO INTEGRANTE DA SEGURANÇA PÚBLICA. PRECEDENTES. COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS PARA A CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DE GUARDAS MUNICIPAIS DESTINADAS À PROTEÇÃO DOS BENS, SERVIÇOS E INSTALAÇÕES MUNICIPAIS. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1. A competência legislativa municipal estabelecida no artigo 144, § 8º, da Constituição Federal, segundo o qual ‘os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei”, é o thema iudicandum sob julgamento. 2. In casu, impugna-se, mediante recurso extraordinário, o acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo que julgou procedente a ação direta ajuizada pelo Ministério Público paulista, declarando a inconstitucionalidade do inciso I do artigo 1º da Lei Municipal nº 13.866/2004. segundo o qual cabe à Guarda Civil Metropolitana “exercer, no âmbito do Município de São Paulo, o policiamento preventivo e comunitário, promovendo a mediação de conflitos e o respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos”. Em razão da declaração de inconstitucionalidade, o legislador local deu nova redação ao texto, mantendo, em essência, seu sentido e alcance, nos seguintes termos: “I – exercer, no âmbito do Município de São Paulo, as ações de segurança urbana, em conformidade com as diretrizes e programas estabelecidos pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, promovendo o respeito aos direitos humanos”. 3. A referida norma se revela compatível com a Constituição da República, porquanto: (i) o conteúdo semântico do poder normativo conferido ao legislador municipal se compatibiliza com a repartição constitucional de competências; (ii) as Guardas Municipais atuam diretamente na área de segurança pública, por força do artigo 144 da Constituição Federal; (iii) a atribuição de policiamento preventivo e comunitário à Guarda Municipal não viola o pacto federativo, porquanto se insere em desenho normativo de cooperação entre os entes em prol da segurança pública, dever do Estado. (A) O poder normativo conferido ao legislador municipal deve se compatibilizar com a repartição constitucional de competências 4. A segurança pública é incluída pela Constituição Federal no rol dos direitos fundamentais sociais (art. 6º) e sua concretização como dever do Estado e responsabilidade de todos, com vistas à preservação da ordem pública, da incolumidade das pessoas e do patrimônio (art. 144). Em especial, no que se refere expressamente às Guardas Municipais, a Constituição Federal faculta aos Municípios sua criação, para proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei (§8º). 5. Ex positis, VOTO PELO PROVIMENTO do recurso extraordinário com repercussão geral, a fim de declarar a constitucionalidade do artigo 1º, inciso I, da Lei 13.866/2004 do Município de São Paulo, tanto em sua redação original como na redação dada pela Lei 14.879/2009, fixando-se a seguinte tese: “É constitucional, no âmbito dos municípios, o exercício de ações de segurança urbana pelas Guardas Municipais, inclusive policiamento ostensivo e comunitário, respeitadas as atribuições dos demais órgãos de segurança pública previstos no art. 144 da Constituição Federal e excluída qualquer atividade de polícia judiciária, sendo submetidas ao controle externo da atividade policial pelo Ministério Público, nos termos do artigo 129, inciso VII, da CF. Conforme o art. 144, § 8º, da Constituição Federal, as leis municipais devem observar as normas gerais fixadas pelo Congresso Nacional”.

(RE 608588, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 20-02-2025, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-s/n DIVULG 21-08-2025 PUBLIC 22-08-2025)

Ao condicionar essa vertente essencial de proteção comunitária à capacidade de geração de receita própria estrita, a PEC 18 de 2025 institucionaliza uma segregação territorial da segurança pública. As populações residentes em municípios de menor porte econômico, áreas periféricas e regiões mais empobrecidas são justamente as que mais dependem da presença da polícia municipal (guarda municipal) ostensiva, comunitária e de proximidade para a salvaguarda de escolas, postos de saúde, logradouros, segurança viária, proteção e defesa do meio ambiente, proteção e defesa das mulheres, proteção preventiva das famílias, do patrimônio local e da proteção sistêmica das pessoas que utilizam os serviços e bens públicos dos municípios.

O sacrifício imposto pelo requisito fiscal atinge de forma direta as pessoas mais pobres e vulneráveis. Estas ficarão desprovidas do policiamento ostensivo e comunitário municipal, enquanto os grandes centros urbanos concentrarão corporações policiais locais bem remuneradas e equipadas, aprofundando o abismo social brasileiro. A segurança pública comunitária deixará de ser um direito fundamental universal para se converter em um artigo de luxo disponível apenas para as administrações municipais com superávit de arrecadação tributária direta.

Negar a possibilidade de universalização da segurança pública é negar o direito fundamental do povo à segurança

A inserção da alínea “a” no inciso II do parágrafo 8º-A do artigo 144 da Constituição Federal, nos termos da redação da PEC 18 de 2025 aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ no Senado Federal, representa um grave equívoco estrutural e um retrocesso no fortalecimento da Segurança Pública, enfraquecendo e rachando o alicerce o Sistema Único de Segurança Pública, de modo que, o mencionado requisito irá impossibilitar a maioria das guardas municipais de serem devidamente reconhecidas como polícias municipais esvaziando suas atribuições no policiamento ostensivo e comunitário e, sem uma base de sustentação robusta que possibilite as forças de segurança estaduais utilizarem seus recursos materiais e humanos no combate ao crime organizado e no combate aos crimes de maior potencial ofensivo, teremos um grande “APAGÃO OPERACIONAL”, uma vez que as guardas municipais representam a 2ª maior força de segurança pública do país, de acordo com estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (Raio X das Forças de Segurança ).

Ao confundir solidez orçamentária global com arrecadação própria estrita e ignorar o modelo constitucional de federalismo cooperativo fiscal, o dispositivo inviabiliza o acesso de mais de 75% dos municípios à prerrogativa de possuírem POLÍCIAS MUNICIPAIS organizadas e valorizadas, seja pela criação ou pelo devido RECONHECIMENTO DAS ATUAIS GUARDAS MUNICIPAIS (2ª maior força de segurança pública do país).

Para evitar a consolidação de um quadro de insegurança generalizada nos rincões do país e a violação dos princípios da isonomia e da proteção social, impõe-se ao Senado Federal a correta revisão, supressão ou reformulação urgente dos requisitos previstos nos incisos I e II do §8-A do artigo 144 e, em especial uma demasiada atenção ao requisito que exige “RECEITA PRÓPRIA” para que os municípios possam garantir para o povo aquilo que já DEVER CONSTITUCIONAL, qual seja, SEGURANÇA PÚBLICA BÁSICA.

A capacidade financeira do ente local deve ser mensurada pela sua Receita Corrente Líquida global, incluindo as transferências constitucionais obrigatórias e os fundos de repasse federativo, assegurando que o direito à segurança pública comunitária e de proximidade contemple todas as camadas da sociedade brasileira, sem discriminação de capacidade fiscal territorial, bem como, assegurar que todas as Guardas Municipais já existentes e devidamente regulamentadas possam continuar a exercerem suas atribuições de POLICIAMENTO OSTENSIVO, COMUNITÁRIO E DE COMBATE A CRIMES AMBIENTAIS com excelência.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Bacharel em Direito, Pós-graduado em Direito Constitucional e Administrativo, Mestrando em Gestão e Políticas Públicas pela FGV com especialização em Urbanismo Social e Segurança Pública pelo INSPER e Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

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Caso Rodrigo Bocardi mostra por que reputação não se constrói na crise

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Uma carreira pode levar décadas para ser construída e poucos dias para ser colocada em dúvida. Tenho falado bastante sobre reputação nesta coluna. O episódio envolvendo o jornalista Rodrigo Bocardi e o SBT, que ganhou repercussão nesta semana, mostra por que esse é um assunto ao qual vale a pena voltar. O caso chama atenção não apenas pelo desfecho profissional, mas pelo que revela sobre um patrimônio que muitas vezes só é percebido quando começa a ser colocado em risco. A reputação.

Antes de qualquer análise, é preciso separar fato de acusação. As denúncias que vieram a público são negadas pelo jornalista e, segundo o SBT, as investigações internas não encontraram provas que comprometessem sua idoneidade. O caso ainda envolve versões distintas e terá seus próprios desdobramentos, mas existe uma questão que ultrapassa o episódio.

O que acontece quando a credibilidade de alguém passa a ser questionada publicamente?

Essa pergunta interessa a qualquer profissional, empresa ou marca que tenha construído sua trajetória com base na confiança. Reputação não é uma fotografia, é um acúmulo. Ela se forma lentamente, a partir de experiências, relações, entregas, escolhas e comportamentos que, ao longo do tempo, produzem uma determinada percepção. É por isso que uma pessoa pode passar décadas construindo uma trajetória respeitada e, ainda assim, descobrir que a confiança acumulada não funciona como uma espécie de seguro contra uma crise. Funciona, no máximo, como uma reserva de credibilidade e toda reserva pode ser consumida. Essa lógica vale também para as empresas.

Durante muito tempo, comunicação empresarial foi tratada principalmente como ferramenta de divulgação. A empresa precisava aparecer, divulgar seus produtos, anunciar suas novidades e conquistar espaço na imprensa. Hoje, isso é insuficiente, uma empresa também precisa cuidar daquilo que permanece depois que a notícia termina. Precisa cuidar da percepção que deixa e, é aí que reputação se torna um ativo de negócio.

Ela não aparece como uma linha no balanço financeiro. Não pode ser contabilizada da mesma maneira que um equipamento, um estoque ou um investimento e, ainda assim, influencia decisões concretas.

Um cliente escolhe uma empresa porque confia nela. Um fornecedor aceita estabelecer uma relação comercial porque acredita que será bem tratado. Um profissional aceita trabalhar com uma organização porque considera sua imagem compatível com aquilo que procura. Um parceiro associa sua marca à outra porque acredita que essa associação não colocará sua própria reputação em risco. Nenhuma dessas decisões acontece no vazio, existe uma percepção anterior sustentando cada uma delas. Por isso, reputação não deveria ser responsabilidade exclusiva do departamento de comunicação. Ela é consequência das decisões da própria organização.

Não adianta construir uma narrativa de transparência se a experiência do cliente contradiz essa narrativa. Não adianta falar em excelência se a entrega é inconsistente. Não adianta publicar conteúdo sobre ética se as relações comerciais revelam outra realidade. A comunicação pode tornar uma reputação mais conhecida, mas não consegue sustentá-la sozinha quando a prática insiste em desmentir o discurso. Esse é um ponto especialmente importante para pequenos negócios.

Em empresas menores, a distância entre a marca e as pessoas que estão à frente dela costuma ser muito curta. O cliente não se relaciona apenas com uma identidade visual ou com um CNPJ, ele se relaciona com o empresário, com o especialista, com o médico, com o consultor, com a pessoa que representa aquela empresa. A reputação do profissional passa a fazer parte da reputação do negócio e isso torna a construção de autoridade ainda mais delicada.

Vivemos um momento em que visibilidade se tornou relativamente fácil de comprar, produzir e ampliar. É possível publicar todos os dias, investir em distribuição, contratar produção de conteúdo e colocar uma marca diante de milhares de pessoas, mas visibilidade não é confiança. Ser conhecido não significa ser respeitado e autoridade não nasce simplesmente porque alguém fala muito sobre determinado assunto.

Autoridade é consequência de consistência. Ela aparece quando conhecimento, experiência, posicionamento, comportamento e comunicação começam a formar uma percepção coerente. É por isso que reputação não deveria entrar na agenda de uma empresa somente quando surge uma crise.

Quando a crise chega, já é tarde para começar a construir credibilidade. O que existe naquele momento é o resultado do trabalho realizado anteriormente. Uma empresa que manteve relações consistentes ao longo dos anos terá uma história para apresentar. Uma empresa que sempre foi coerente terá comportamentos que sustentam sua posição. Uma fonte que construiu credibilidade terá um histórico capaz de ajudar o público a interpretar uma situação controversa. Nada disso impede uma crise, mas pode mudar a forma como ela é recebida.

O problema é que a reconstrução da reputação não obedece à mesma velocidade da sua deterioração. É possível levar anos para conquistar confiança e precisar de muito mais tempo e investimento financeiro para tentar recuperá-la depois de uma ruptura. E não existe garantia de que ela voltará ao ponto de partida.

Algumas pessoas reconsideram suas percepções e outras não. Alguns clientes retornam e outros seguem adiante. Alguns parceiros permanecem e outros preferem não correr o risco.

É por isso que dizer que uma reputação pode ser reconstruída precisa vir acompanhado de uma ressalva. Pode, mas não necessariamente da mesma maneira, no mesmo tempo ou com o mesmo alcance. Certamente não sairá barato reconstruí-la. Em determinados casos, a reputação não volta a ser exatamente o que era e, essa talvez seja uma das razões mais fortes para tratá-la como patrimônio e não como imagem.

Imagem pode ser produzida.

Reputação precisa ser vivida.

Imagem pode mudar com uma campanha.

Reputação muda quando as experiências acumuladas mudam.

E essa diferença deveria orientar a maneira como empresas e profissionais pensam sua comunicação. Não se trata apenas de conseguir espaço na imprensa, aumentar seguidores ou produzir mais conteúdo. Trata-se de construir uma presença pública coerente com aquilo que se pretende representar. Porque, no fim, reputação é aquilo que permanece quando a comunicação deixa de falar e credibilidade é aquilo que faz alguém acreditar no que você diz quando seria mais fácil duvidar.

Talvez por isso o maior trabalho de comunicação não aconteça durante a crise e sim antes dela.

Lembre-se: É quando ninguém está olhando que uma empresa constrói a reputação que poderá fazer diferença quando todos estiverem olhando.

Comunicação é um Ativo de Negócio.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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