A PEC da Segurança Pública e o desentendimento conveniente – por Ramon Soares

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A Constituição Federal de 1988 já foi alterada 136 vezes — e, possivelmente, isso ainda está longe de acabar. Já não faz sentido manter um texto antigo para uma sociedade moderna e ávida por mudanças. Essas mudanças são, na essência, uma necessidade para garantir uma vida melhor e, consequentemente, o desenvolvimento nas áreas da educação, saúde e habitação.

Trata-se, portanto, de um texto com clara necessidade de atualização, visando a um melhor entendimento, reconhecimento e ampliação dos direitos individuais e coletivos. É nesse contexto que surgem as emendas constitucionais.

As emendas à Constituição são uma ótima ferramenta para os parlamentares apresentarem suas bandeiras, projetos e apoios — ou mesmo para se posicionarem como oposição — e, assim, se manterem em um mandato praticamente “infinito”, legislatura após legislatura.

No primeiro semestre deste ano, o governo federal apresentou a Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025, com foco exclusivo na Segurança Pública — se é que podemos entender dessa forma. Aqui, trataremos especificamente da Polícia Militar e das Guardas Municipais.

Governadores de oposição manifestaram-se contrários à proposta, alegando interferência do governo federal nas competências dos estados. Já os oficiais das Polícias Militares (embora não haja unanimidade entre eles) argumentam que, com a aprovação da PEC, as Guardas Municipais se tornariam concorrentes das Polícias Militares, o que, segundo esses opositores, levaria à extinção das PMs.

A proposta, em resumo, busca constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado em 2018 pela Lei nº 13.675. O objetivo é reforçar a atuação federal na segurança, ampliando o papel da União na formulação de políticas nacionais e no combate ao crime organizado.

Até aqui, tudo dentro da normalidade: um projeto do governo com a oposição contrária, e o debate político seguindo seu curso. O que não está no texto, no entanto, são as inverdades — principalmente por parte de quem se diz defensor da segurança pública, como alguns deputados federais que são policiais militares e foram eleitos com esse discurso, mas que não concordam com o possível fortalecimento das Guardas Municipais. Alegam que isso poderia interferir nas competências da Polícia Militar.

Enquanto isso, a população clama por segurança. A segurança pública é, hoje, a maior preocupação dos brasileiros, segundo pesquisa da Quaest divulgada no dia 2 de abril.

O cidadão brasileiro, de todas as classes sociais, não escolhe em um “cardápio” o tipo de polícia que deseja, de acordo com o tipo de malfeitor que deparar. Muito menos está disposto a abrir mão de qualquer ampliação na segurança que possui — que, como todos sabemos, está longe do ideal.

O estado de São Paulo, por exemplo, não dispõe de uma segurança pública exemplar:

  • A Polícia Civil apresenta um déficit de mais de 15.000 agentes;
  • A Polícia Militar tem déficit superior a 20.000 agentes;
  • A estrutura da Polícia Civil, incluindo delegacias, muitas vezes é mantida pelos próprios municípios, inclusive com funcionários cedidos;
  • A Polícia Militar, por meio de seus coronéis, solicita que os prefeitos contratem policiais de folga via atividade delegada — talvez como forma de manter esses profissionais ocupados e evitar que tenham tempo para reclamar das condições a que são submetidos.

A segurança pública é, de longe, um dos setores mais ineficientes do Estado. E não podemos aceitar que o governo se recuse a submetê-la a uma reforma.

Vejamos, por exemplo, o policiamento preventivo — que é o mais importante para o cidadão comum.

Qual é a função do policial militar, segundo a Constituição Federal?

A função do policial militar é o patrulhamento ostensivo (modalidade) e preventivo, podendo realizar apenas prisões em flagrante delito, conforme o artigo 5º, inciso LXI, da Constituição Federal.

Qual é a função do guarda municipal, segundo a Constituição Federal?

A função do guarda municipal também é o patrulhamento ostensivo e preventivo, com a mesma limitação quanto às prisões em flagrante (art. 5º, inciso LXI), além de atuar em fiscalizações de posturas municipais.

Os municípios que têm Guardas Municipais — e a boa parte pode constituí-las — frequentemente apresentam efetivos muito superiores aos da Polícia Militar local. Isso contribui para a ampliação da segurança na região, sem que haja qualquer sobreposição de funções, exceto pelo contingente.

O debate em torno da PEC da Segurança Pública nos leva a algumas reflexões importantes:

  • A aprovação da PEC não muda, na prática, as atribuições das polícias;
  • A Polícia Militar não será extinta, como muitos têm pregado;
  • As Guardas Municipais não se tornarão concorrentes das Polícias Militares;
  • A população sairá beneficiada com essa emenda?
  • A criminalidade será, de fato, reduzida?
  • O governo está realmente preocupado com a população?

E assim prosseguimos com mais uma alteração da Constituição Federal — talvez, se nada mudar, a 137ª — e só saberemos seus efeitos reais daqui a alguns anos.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Desculpa, foi culpa do corretor ortográfico – por Tom Moisés

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DESCULPA, FOI CULPA DO CORRETOR ORTOGRÁFICO

Hoje em dia quase todas as pessoas enviam e recebem mensagens escritas pelo celular. Alguns diálogos podem ser mal interpretados por conta do intrometido do corretor ortográfico.

– Agora, não posso, estou vendo um filme lindo no Telecine Piroca.
– Que isso, garota?! Para de assistir filme pornô!
– Tá louco?! O filme é romântico. Acha que eu assisto filme pornô?
– Só acho que o Telecine Piroca não passa filme romântico.
– Não! Eu digitei PIPOCA, TELECINE PIPOCA.

– Quero BODE.
– Quer o quê?
– Ops. Escrevi que quero VOCÊ!

– Oi, o que aconteceu? Você está sumido das redes sociais?
– É que agora só estou estuprando.
– O quê?
– Não! O corretor que digitou. Eu quis dizer que só estou ESTUDANDO.

– Eu me sento tão bem com ele.
– Senta, então, ué.
– Aonde? Não… eu quis dizer que me SINTO tão bem com ele.
– Tudo bem, te perdoo, afinal, você é uma galinha!
– Sou o quê?
– Não, eu quis dizer GATINHA!

– Vem pra casa que eu vou te fazer uma gostosa limonada SUICIDA.
– Não, SUIÇA.
– E aí? Tá onde?
– To comendo um macho.
– Comendo o que?
– NACHO, pai. NACHO! Comida mexicana. Queijo. Entendeu?

– Cara, te procurei ontem o dia todo. Onde você foi?
– Em uma festa, com um amigo meu, que transava comigo.
– Opa, eu quis dizer que TRAMPAVA comigo.

– Você tá meio gordinho, hein?!
– É que andei exagerando e comendo umas gordinhas.
– Opa, eu quis dizer comendo umas GORDURINHAS.

– Fiquei meia hora sentado no pinto.
– No PONTO. Esperando o ônibus.

Por favor, leia e revise o seu texto antes de enviá-lo.
E aí? Alguma vez o corretor já aprontou com você também?

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REDES SOCIAIS: O dilema do profissional liberal para comunicar serviços e estabelecer autoridade no ambiente digital – por Adriana Vasconcellos

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A dinâmica do mercado, notadamente competitivo, exige que profissionais liberais – médicos, advogados, psicólogos e consultores – estabeleçam uma forte presença digital. Contudo, o que deveria ser uma ferramenta de crescimento se tornou uma das maiores fontes de frustração. A principal dor desses especialistas não é a falta de tempo, mas a incapacidade de transformar sua autoridade construída em anos de prática em uma comunicação digital clara, ética e rentável.

De acordo com especialistas em marketing de reputação, essa dificuldade se resume a três pilares: o medo da superexposição, o rigor ético das profissões e a ineficácia em converter “likes” em clientes.

O Posicionamento “Perdido” e o Medo de Ser Genérico

Muitos profissionais sentem-se compelidos a “estar” nas redes sociais, mas hesitam em definir quem são e o que realmente resolvem. O resultado é uma comunicação genérica que não gera diferenciação no cenário saturado das Redes Sociais.

O Desafio é falar com “todo mundo” o que resulta em não falar com ninguém. Um advogado que se anuncia como “especialista em direito civil” se perde em meio a milhares de outros.

A Solução Prática (Nicho e Proposta de Valor Única – PVU): O sucesso digital exige o nicho. Em vez de focar apenas na área de atuação, o profissional deve focar na dor específica de um público. Por exemplo, um médico pode se posicionar como “Especialista em saúde preventiva para executivos com alta demanda de viagens”. Isso cria uma Proposta de Valor Única (PVU) que atrai clientes mais qualificados e dispostos a pagar por uma especialização de alto nível.

Outro ponto crucial é a consistência. A rede social é vista como um “extensor” do currículo e do consultório. A falta de um calendário editorial e a publicação esporádica enfraquecem a percepção de credibilidade e competência.

O Fio da Navalha Ética: Entre o Marketing e a Credibilidade

Para categorias como Medicina, Psicologia e Advocacia, a comunicação digital é regida por códigos de ética rigorosos. O receio de infringir regras sobre autopromoção excessiva ou promessa de resultados paralisa a ação de muitos.

O Desafio é encontrar o equilíbrio entre promover o serviço e manter a austeridade e credibilidade exigida pela profissão.

A Solução Prática é Educar e Não Prometer: A regra de ouro é educar em vez de prometer. O profissional liberal não deve vender um resultado (“Cure sua dor em 3 sessões”) e sim o conhecimento e o processo.

  • Exemplo para Médicos/Psicólogos: Em vez de usar “antes e depois” ou garantir curas, o foco deve ser na informação baseada em evidência. O conteúdo deve detalhar o passo a passo de um tratamento, a filosofia de trabalho ou desmistificar mitos comuns, sempre ressaltando o caráter individualizado de cada caso.
  • Exemplo para Advogados/Consultores: Em vez de citar casos específicos (o que pode ser vedado), o profissional deve usar estudos de caso hipotéticos ou análise de jurisprudência para demonstrar seu raciocínio e profundidade técnica.

Manter a ética significa que a informação é a principal moeda de troca, e não a venda agressiva.

A Frustração da Conversão e os Likes que Não Viram Clientes

Muitos profissionais dominam a arte de gerar “engajamento” (curtidas e comentários), mas falham na etapa crucial: converter esse interesse em agendamentos ou contratos. O seguidor consome o conteúdo e desaparece.

O Desafio: Conectar o conteúdo de “dica” (entretenimento) com o serviço de alto valor (conversão).

A Solução Prática (Funil de Conteúdo): O conteúdo deve ser estruturado em um funil, onde cada post tem um objetivo específico:

  1. Topo do Funil (Atração): Publicações que atraem o público amplo com o problema (ex: “Sinais de que seu negócio precisa de uma consultoria jurídica”).
  1. Meio do Funil (Consideração): Posts que estabelecem a autoridade do profissional como a melhor solução (ex: “As 3 Metodologias que uso na minha consultoria e a diferença entre elas”).
  1. Fundo do Funil (Conversão): Conteúdo que leva diretamente à contratação (ex: “Como funciona minha primeira sessão de avaliação e o passo a passo para agendar”).

É fundamental que cada publicação tenha uma Chamada para Ação (CTA) clara que direcione o interessado para fora da rede social (link na bio para o WhatsApp profissional, site ou formulário de pré-atendimento).

Em um ecossistema dinâmico como o das Redes Sociais, o profissional liberal que conseguir definir com clareza seu posicionamento, ancorar sua comunicação na ética e estruturar seu conteúdo para conversão terá a chave para transformar a rede social de uma fonte de dor em um verdadeiro motor de crescimento.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Cirurgia Ortopédica: 7 medidas essenciais para uma recuperação segura e sem complicações – por Dr. Guilherme Falótico

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A decisão por uma cirurgia ortopédica costuma trazer alívio e esperança, mas também pode gerar ansiedade e muitas dúvidas. O que você faz antes e depois do procedimento faz toda a diferença no resultado. A boa notícia é que grande parte das complicações pode ser evitada com medidas simples e proativas. Neste guia prático, você vai descobrir como se tornar o principal agente do seu sucesso cirúrgico, adotando hábitos que reduzem significativamente os riscos e aceleram a recuperação.

  1. Prepare seu corpo como um atleta antes de uma competição

Otimize sua saúde geral

  • Controle doenças crônicas: diabetes descompensada e hipertensão aumentam o risco de infecção e complicações cardiovasculares.
  • Pare de fumar imediatamente: o tabagismo reduz a circulação sanguínea, compromete a cicatrização e eleva o risco de trombose e infecção.
  • Mantenha boa saúde bucal: infecções dentárias podem migrar para próteses articulares.

Fortaleça a musculatura

  • A musculação orientada antes da cirurgia acelera a recuperação.
  • Aprenda os exercícios pós-operatórios antecipadamente.

2. Nutrição

Alimente-se de forma saudável

  • Priorize proteínas magras: frango, peixe, ovos e whey protein ajudam na cicatrização e manutenção da massa muscular.
  • Hidrate-se bem: a água é essencial para todos os processos de recuperação.
  • Prepare sua casa antes da cirurgia

Elimine riscos de quedas

  • Organize os móveis para criar corredores livres.
  • Retire tapetes soltos e fios elétricos do caminho.
  • Instale barras de segurança no banheiro e corrimãos nas escadas.
  • Deixe itens de uso diário ao alcance das mãos, evitando prateleiras muito altas ou baixas.

Facilite sua rotina pós-cirúrgica

  • Tenha uma cadeira firme, com assento mais alto.
  • Ajuste sua cama com travesseiros extras para manter a elevação adequada.

4. No hospital: seu papel na prevenção de complicações

Previna infecções

  • Certifique-se de que todos lavaram as mãos antes de tocá-lo.
  • Mantenha o curativo sempre limpo e seco.

Evite trombose venosa

  • Movimente tornozelos e pés com frequência enquanto estiver deitado.
  • Use as meias elásticas corretamente, quando indicadas.
  • Caminhe assim que o médico autorizar.

5. A medicação certa no momento certo

Comunique todos os medicamentos em uso

  • Informe detalhadamente quais remédios utiliza.
  • Siga rigorosamente o esquema analgésico prescrito.
  • Nunca suspenda anticoagulantes sem orientação médica.

6. Reabilitação

Seja disciplinado

  • Faça fisioterapia conforme as orientações médicas.
  • Respeite seus limites.
  • Informe imediatamente qualquer dor anormal durante os exercícios.

7. Sinais de alerta: quando buscar ajuda imediata

  • Febre acima de 38°C.
  • Aumento súbito da dor, sem melhora com medicação.
  • Inchaço excessivo ou vermelhidão que se espalha.
  • Dificuldade para respirar ou dor no peito.
  • Drenagem exagerada pelo curativo.

Agende uma consulta de preparo com sua equipe cirúrgica e esclareça todas as dúvidas. Leve esta lista de medidas e monte seu plano personalizado de preparação.

Sua recuperação começa antes mesmo da cirurgia. Invista nela!


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Bailes e Ratos – por Celso Tracco

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Em 9 de novembro de 1889, a agonizante monarquia brasileira organizou um baile em homenagem aos oficiais do navio chileno Almirante Cochrane. Um baile grandioso, um exagero de comidas e bebidas sem limites, para mais de 4.000 participantes, amigos da Corte, entre convidados e penetras. Ocorreu na ilha Fiscal, na baia da Guanabara, pois lá se localizava a sede da alfândega, onde se arrecadava dinheiro (impostos sobre importação e exportação) para o Erário Público. O nome do navio chileno era em honra a um mercenário escocês, Thomas A. Cochrane, que vendeu suas habilidades navais para as incipientes marinhas do Brasil e do Chile no período da independência política desses países. A ilha antes da construção da Alfândega era conhecida como a ilha dos Ratos. Seis dias após o baile, a monarquia terminou. (cf. GOMES, Laurentino, 1889, ed. Globo). Como último ato público de um regime moribundo, a monarquia, gastou dinheiro do contribuinte com uma dispendiosa festa, para homenagear marinheiros de um outro país, cujo nome do navio era de um estrangeiro mercenário e oportunista. Creio que a ilha deveria continuar se chamando Ilha dos Ratos.

O regime político mudou, desde 1889 o Brasil é uma República, mas a essência do baile e dos ratos, segue atual. Recentemente, políticos postaram nas redes sociais que antigos correligionários, todos eleitos democraticamente, “agiam como ratos e oportunistas”, ou seja, o desprezível roedor, que aliás se reproduz em escala exponencial, continua designando os “inimigos e opositores” de ocasião. Ratos também são conhecidos pelo seu voraz poder de destruição. Estamos vendo, dia sim e outro também, maus políticos e “servidores” públicos delapidando o erário público em “bailes” diários cada vez mais dispendiosos. E o povo como fica? Ele, em geral, apenas entra para pagar a conta. Isso pode mudar? Há várias respostas para essa pergunta. Arrisco algumas:

  1. Golpe de Estado e intervenção militar. Hipótese bastante discutida recentemente. Rasga-se a Constituição Federal e começamos de novo. Obviamente que isso não daria certo. A história mostra que, nos quase 136 anos de República, houve vários golpes de estado, além de tentativas fracassadas. Isto nunca levou a uma necessária transformação social. No início pode-se ter uma sensação de melhora no ambiente político. Mas, passado algum tempo, tudo volta ao “normal”. Não creio em solução de força bruta.
  2. Eleger os “líderes” carismáticos de plantão, os salvadores da pátria, os que tem a certeza de resolver todos os nossos centenários males. Não importa a ideologia política, o importante é vender ilusões, uma vez eleito tudo será diferente. Não creio em “salvadores da pátria”.
  3. Tentar algo novo. As mudanças que transformam se iniciam com novas ideias e ideais. Nunca devemos renunciar à democracia, mudanças devem ser feitas pelo voto. Apenas pelo voto. Votar em candidatos íntegros, comprometidos com as reais necessidades do povo. Tais como: investir em educação básica de qualidade; priorizar a redução da escandalosa desigualdade social; trabalhar por taxa de crescimento econômico sustentável, legislar por uma economia baseada na transição ecológica, implementar reformas que levem a um equilíbrio fiscal justo e duradouro.

Posso ter a certeza de que esses candidatos, se eleitos, vão fazer as ações que o país precisa? Não, não posso. Mas tenho certeza de que se o povo for realmente opinativo, vigilante e cobrar ações de seus candidatos, podemos entrar em uma nova era de prosperidade. Caso contrário, permaneceremos sendo o país do déficit fiscal e o “baile” continuará para a alegria dos “ratos” oportunistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Bebidas com Metanol, Falsas, Ilegais e a Omissão das Autoridades: um retrato da falência fiscalizatória dos entes federados – por Reinaldo Monteiro

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O recente escândalo das bebidas falsas, contaminadas com metanol que resultou em mortes e hospitalizações em diversos estados brasileiros, expõe de forma brutal a falência de um sistema de fiscalização que deveria proteger a vida e a saúde da população. Após o alarde midiático, todos os níveis de governo — União, estados e municípios — apressaram-se em demonstrar alguma reação, com operações pontuais e discursos moralistas. Contudo, o problema é estrutural e se arrasta há anos sob o manto da omissão.

A omissão generalizada e o ciclo de inércia

É notório que, antes do caso vir à tona, não havia qualquer preocupação concreta das autoridades com a fiscalização da procedência de bebidas alcoólicas. A vigilância sanitária estadual e municipal, sobrecarregada e sucateada, raramente incluía bares, depósitos ou distribuidoras de bebidas em suas rotinas de inspeção. O poder público se contentava em agir após a tragédia, jamais antes dela. Essa lógica reativa — e não preventiva — é o retrato fiel da ineficiência do Estado brasileiro em garantir direitos básicos, como o da segurança alimentar e sanitária.

O mesmo se aplica às forças policiais e ao Ministério Público, que, apesar de possuírem instrumentos legais para combater a adulteração de produtos e o comércio ilegal, pouco ou nada fizeram até que o número de vítimas se tornasse escandaloso o suficiente para gerar comoção pública. A cada crise, repete-se o mesmo roteiro: discursos de indignação, operações de fachada e, depois de alguns dias, o esquecimento.

A responsabilidade esquecida dos municípios

Pouco se fala, porém, da omissão dos municípios, que, por força constitucional (art. 30, I, II e V da Constituição Federal), têm o dever de legislar sobre assuntos de interesse local, além de organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local — o que inclui a fiscalização de bares, restaurantes e estabelecimentos similares. A atuação das prefeituras, por meio de suas vigilâncias sanitárias, fiscais e guardas municipais no exercício do poder de polícia administrativa deveriam ser constante, planejada e articulada com as polícias civil, militar, Ministério Público e demais órgãos de controle e fiscalização. Mas a realidade é outra: a maioria dos municípios limita-se a exigir alvarás e licenças, sem qualquer acompanhamento posterior das atividades e pior, sem a já citada fiscalização de ofício, se limitando a atender denúncias ou reclamações e pode-se observar essa omissão em diversos municípios brasileiros em relação as “adegas” de fachada que se tornaram um subterfugio para muitos comerciantes irresponsáveis.

Em muitos casos, bares e distribuidoras funcionam por anos sem uma única inspeção, comercializando produtos de procedência duvidosa e colocando a população em risco. A ausência de uma política local de segurança pública — entendida aqui como proteção sistêmica da população que utiliza bens, serviços e instalações municipais — evidencia o descaso dos gestores com a vida das pessoas que consomem esses produtos em seus territórios.

A falsa sensação de controle e o espetáculo da “ação tardia”

Após o desastre, o que se vê é um espetáculo de “autoridades” tentando salvar a própria imagem. Ministérios anunciam “forças-tarefas”, governos estaduais prometem endurecer as fiscalizações e prefeitos ordenam blitze emergenciais — tudo para alimentar manchetes e satisfazer a opinião pública momentaneamente indignada. Entretanto, a estrutura de controle continua a mesma: desarticulada, insuficiente e politicamente negligenciada.

A omissão dos entes federados é tanto administrativa quanto moral. É omissão administrativa porque os órgãos de vigilância e segurança pública deixaram de exercer as competências que a Constituição lhes atribui. É omissão moral porque, em nome da economia, da burocracia ou da conveniência política, permitiram que o crime prosperasse silenciosamente até cobrar seu preço em vidas humanas.

O papel do controle social e a urgência de um novo pacto federativo de fiscalização

O episódio das bebidas falsas deveria servir de ponto de inflexão para repensar o papel dos entes federados no pacto da segurança pública, sanitária e econômica. A União precisa fortalecer o controle da cadeia produtiva; os estados, intensificar o monitoramento logístico e tributário; e os municípios, assumir sua função constitucional fiscalizatória local com responsabilidade e transparência.

Mais que isso, é necessário envolver a sociedade civil — associações, conselhos e guardas municipais — em um sistema integrado de prevenção e denúncia. A omissão não pode mais ser normalizada sob a desculpa da falta de recursos ou de competência exclusiva da União. A Constituição impõe responsabilidade compartilhada para a proteção da vida e da saúde.

Conclusão

O caso das bebidas falsas não é um acidente: é o resultado previsível da omissão institucionalizada. A negligência dos entes federados e seus gestores, em especial e de forma muito particular dos municípios, que permiti que a ilegalidade se tornasse rotina em seus territórios. Devemos lembrar mais uma vez, os municípios são responsáveis constitucionalmente pela atenção primária, seja na saúde, na educação, na segurança pública ou na fiscalização de seus estabelecimentos, bares e similares. Enquanto o Estado continuar agindo apenas quando o escândalo explode, continuaremos a chorar mortes que poderiam ter sido evitadas. É preciso substituir o teatro da reação pela política da prevenção — e isso começa com o reconhecimento da responsabilidade de cada ente na construção de um país mais seguro, justo e responsável.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


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“Menas” não existe! – por Tom Moisés

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Meu tímpano está doendo até agora. Ontem um colega chegou pra mim e disse:

  • “Ano que vem tem Copa do Mundo, “to pricisano” de “aprendê” “ingrês””.
  • “O quê?” Eu perguntei, pois claro que ele não falaria inglês com “r”.
  • “Eu disse que “to pricisano” de “aprendê” “ingrês””.

Nossa! E não foi que ele repetiu, pensei.

  • “Acho que primeiro você deveria aprender o português”. Eu o adverti.
  • Não, não! “Nu portugues eu já sô bão. “Tô “pricisano mesmo é de falá ingrês”.

Tudo bem que “herrrar é Umano” mas, como dói os nossos tímpanos ao ouvirmos certas expressões erradas, hein?!

Muita utopia da minha parte sonhar que um dia as pessoas irão ler mais, saber mais e utilizarem melhor a língua (refiro-me ao uso correto do idioma).

Mas, errar não é “privilégio” apenas dos mortais que falam. Muitas vezes, os que escrevem também cometem erros quase que imperdoáveis. Aquele que ao escrever nunca errou, que atire a primeira caneta; se encontrarem alguma, né? Pois até as canetas estão desaparecendo.

Outro dia ouvir alguém dizer “menas gente”. Fiquei tão preocupado que resolvi escrever a respeito, para informar e esclarecer aos que ainda não sabem que a palavra “menas” não existe. É uma expressão incorreta, errada e que agride os ouvidos. É tão errada que até o computador não deixou eu escrevê-la. Ele corrigia sozinho. Eu tentava escrever “menas” e ele sozinho corrigia para “menos”.

A palavra “menos” significa o contrário de “mais”, em menor quantidade, comparativo de pouco. A palavra “menas” não existe. Não existe “menas gente, menas palavras, menas coisas”. O que existe são menos gente, menos palavras e menos coisas. Para alguns pode até parecer estranho, mas é assim que é o certo, pode pesquisar. E também podem confiar nesta informação. Em matemática eu “num sô bão não; mais nu portugueis eu agarato”.

E você? Tem algum erro de português que quando você ouve te incomoda?


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Por que você e sua empresa precisam da assessoria de imprensa na era da inteligência artificial – por Adriana Vasconcellos

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A Inteligência Artificial mudou a forma como nos comunicamos, buscamos informações e consumimos conteúdo. Ferramentas como ChatGPT e Perplexity já fazem parte do cotidiano de usuários e empresas. No entanto, quando o assunto é visibilidade, credibilidade e reputação da sua marca pessoal ou da sua empresa, a assessoria de imprensa nunca foi tão necessária.

Um estudo da Web Estratégica mostra que, entre julho de 2024 e agosto de 2025, apenas 0,5% do tráfego de sites no Brasil veio de ferramentas de IA. Já os buscadores tradicionais, como o Google, responderam por 23,85%. Em outras palavras, a IA ainda não substitui os canais consolidados. Porém, está se tornando um espaço decisivo para visibilidade e autoridade de marca. E é exatamente aí que a assessoria de imprensa assume um papel estratégico: garantir que sua empresa seja reconhecida como fonte confiável tanto pelos buscadores quanto pelas IAs generativas.

Como a assessoria de imprensa se transforma com a IA

• Fonte de autoridade e credibilidade
Menções em veículos confiáveis funcionam como um “selo de qualidade” para algoritmos de busca e de IA. A assessoria constrói essa presença editorial, aumentando as chances de você e sua empresa serem citados como referência em respostas automáticas.

• Visibilidade nos resumos de IA (GEO)
Enquanto o SEO tradicional busca cliques e links, a assessoria trabalha para que você e sua marca sejam lembrados nas respostas geradas por IA, que priorizam consistência e credibilidade.

• Gestão de reputação em um novo ecossistema
Se antes bastava acompanhar a mídia e as redes sociais, hoje também é preciso monitorar como você ou sua marca aparecem em plataformas de IA. A assessoria corrige narrativas, garantindo que você e sua empresa sejam representados com clareza e transparência.

• Conteúdo rico e estruturado
A IA precisa de informações consistentes para referenciar uma marca ou profissional. A assessoria produz comunicados, artigos e entrevistas bem formatados, capazes de alimentar jornalistas e algoritmos ao mesmo tempo.

• Mais tempo para relações humanas
Com tarefas repetitivas sendo automatizadas, a assessoria de imprensa pode focar no que nenhuma IA substitui: a construção de relacionamentos genuínos com jornalistas e influenciadores, base da credibilidade.

Por que isso importa para a sua empresa

O estudo da Web Estratégica deixa claro que a IA ainda não é um canal de tráfego consolidado, mas já influencia a visibilidade de marca. Isso significa que o jogo ficou mais complexo e que a disputa não será apenas por cliques, mas por credibilidade. Marcas e profissionais que aparecerem como fontes confiáveis em veículos de imprensa terão mais chances de serem citados nos resumos gerados por IA conquistando autoridade em um cenário cada vez mais competitivo.

Ou seja, mais do que buscar espaço, você e sua empresa precisam garantir a narrativa correta nos lugares certos. Essa curadoria estratégica, baseada em dados, relacionamento e reputação, é exatamente o que a assessoria de imprensa entrega.

Na era da Inteligência Artificial, a assessoria de imprensa não se torna obsoleta. Pelo contrário, se fortalece. Enquanto a tecnologia automatiza processos, o assessor potencializa a comunicação com estratégia, ética e visão de longo prazo. Investir em assessoria de imprensa hoje é preparar sua marca para o futuro, garantindo presença não só nas manchetes da imprensa e nos buscadores, mas também nas respostas que as IAs entregam diariamente a milhões de pessoas.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Adolescentes mentem? – por Dra. Vera Resende

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Recebi a mensagem de uma mãe preocupada em saber como lidar com filhos adolescentes que mentem. Essa questão nos leva a refletir sobre a forma como a comunicação se desenvolve entre os membros da família. Uma distorção nesse processo pode gerar dificuldades desde a infância e tende a se agravar na adolescência.

É fundamental instaurar hábitos de abordagem respeitosa, se o objetivo for o respeito mútuo, com transparência e coerência entre discurso e comportamento. Quem não conversou com a criança dificilmente conseguirá dialogar com o adolescente, nem obterá respostas, se nunca demonstrou interesse sincero pelo cotidiano dos filhos. Já ouvi no consultório jovens manifestarem irritação e estranhamento diante do interesse tardio de pai ou mãe. É na construção do diálogo respeitoso e acolhedor que os pais conseguem distinguir a omissão da verdade da mentira.

Na omissão de um acontecimento ou experiência, o adolescente apenas não relata detalhes ou todo o evento, por inibição, receio ou medo. Isso acontece porque ele começa a construir seu próprio universo e nem todas as experiências serão compartilhadas, já que deseja garantir sua privacidade. Já a mentira envolve a substituição da verdade por uma narrativa inventada, que exige enredos entrelaçados. É mais grave e requer atenção. Daí a importância de estabelecer confiança mútua, por meio de um espaço emocional suficientemente acolhedor para permitir as manifestações do filho.

Vale ressaltar que as mentiras se organizam em torno do sistema de valores da família. Adultos que mentem na frente dos filhos autorizam, ainda que indiretamente, que eles repitam esse comportamento. Envolvê-los em situações mentirosas, mesmo as aparentemente inofensivas, pode gerar atitudes reprováveis no futuro. Crianças percebem, por exemplo, quando adultos dão um “calote” em alguém, ou quando são chamadas à cumplicidade em pequenos delitos dos pais, com frases como:

“Não conte que eu comprei…”
“Não conte que vi ou falei com tal pessoa.”
“Não conte que fui a tal lugar.”
“Me ajude a esconder…”

No outro extremo, a rigidez excessiva também pode obstruir o canal de comunicação. Famílias muito restritivas e autoritárias encontram maior dificuldade para dialogar e, muitas vezes, não sabem ouvir o que o jovem tem a dizer. Nesse contexto, adolescentes podem mentir sobre qualquer experiência pessoal, desde o desempenho escolar até acontecimentos cotidianos.

Adolescentes tendem a mentir quando não confiam nos pais, quando não existe espaço para diálogo e quando, em vez de respeito, sentem medo. O autoritarismo e o desrespeito às individualidades são grandes vilões da interação familiar.

A autoridade paterna existe por si só, não precisa ser conquistada nem imposta. Quando os pais são inseguros, recorrem ao autoritarismo, que se expressa em gritos, punições desproporcionais e indiferença ao estágio de desenvolvimento dos filhos. Essas atitudes promovem distanciamento e confronto.

A adolescência é uma fase natural de questionamento de valores e princípios. Invariavelmente, os pais se sentem desafiados pelas questões colocadas pelos filhos e, muitas vezes, reagem com temor. Nesses casos, é recomendável buscar ajuda profissional antes que a situação fuja ao controle.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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A poda necessária – por Celso Tracco

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Uma família tinha um pequeno sítio e o único bem que possuíam era uma vaca leiteira. Da vaca tiravam vários litros de leite todos os dias, o suficiente para alimentar a família, pai mãe e um filho já adolescente. Com o leite faziam alguns poucos produtos como queijo e doces que eles trocavam por outros bens essenciais quando iam até a feira de uma cidade próxima. A vida não tinha nenhuma perspectiva para a família sitiante, na verdade ela não vivia, apenas sobrevivia, acomodada nessa situação de tirar o leite da vaquinha. Mas um dia, veio a tragedia: a vaquinha morreu. Não se deram conta que o animal já estava doente e não cuidaram de sua principal fonte de alimento. E agora o que fazer? Passado o torpor do luto, a necessidade se impôs e começaram a plantar, criar outros animais, produzir novas fontes de renda. O jovem saiu para buscar ajuda, estabeleceu novos contatos e adquiriu novos conhecimentos que fizeram a família progredir como nunca tinham imaginado. Passado algum tempo e vendo o resultado dos esforços de todos, até agradeceram a morte da vaquinha. Me sirvo desta pequena história para entrar no tema do artigo: muitas vezes em nossa vida, uma boa poda é necessária.

De tempos em tempos precisamos refletir se ainda estamos carregando “malas” cheias de coisas que já não produzem mais nenhum prazer. Foram até uteis no passado, mas hoje são peso morto. É preciso se livrar deles e mudar. Isto nos abrirá a possibilidade de uma renovação constante, consciente para uma vida nova e revigorada. Vamos nos dispor a renascer, nos livrando do que está velho, sem uso, ultrapassado e cuidando de tornar vigorosas novas fontes de satisfação pessoal.

Para isso, são necessárias duas atitudes: acreditar no novo e vencer o medo de mudar. O medo é nossa reação natural ao que interpretamos como uma ameaça, algo que entendemos que é mais forte do que nossa capacidade de enfrentá-la. Assim, nosso medo é consequência de nossa falta de confiança em superar os desdobramentos de uma mudança. Caso não encontremos dentro de nós essa confiança, não devemos ter dúvida em procurar alguma ajuda externa. A ajuda de alguém competente é a melhor maneira de nos capacitarmos para novas tarefas e situações. Isso nos ajudará a vencer o medo da novidade.

A outra atitude é ter a esperança de acreditar que o novo será melhor. A esperança é essencial para a vida, pois sem ela nosso ímpeto de viver desaparece. Caso não consigamos responder por que viver vale a pena, há grande probabilidade de entrarmos em depressão. De muitas formas, a vida é mesmo uma luta e tem muitos momentos difíceis. Tomar nossas vidas em nossas mãos, deixando de ser “vítimas do destino” e nos assumirmos como agentes de nós mesmos é o caminho mais direto para reinventá-la e melhorá-la dia a dia.

Em geral somos melhores do que imaginamos ser. É comum que as críticas que ouvimos em alguns momentos de nossas vidas tenham feito alguns estragos em nossa autoestima. Mas nossa capacidade humana de ter fé em nós mesmo e ter esperança em que vamos melhorar, faz toda a diferença. Manter a mente aberta às novas oportunidades e ter coragem para desfazer-se de coisas velhas e obsoletas é o um bom caminho para uma vida melhor e mais produtiva. Não tenha medo de se livrar de “sua vaquinha” e aproveite cada dia de sua vida.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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