Você tem problemas com a memória recente? – por Tom Moisés

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Ontem eu vim trabalhar de ônibus, ouvindo a conversa de três senhorinhas. Uma disse:

  • “Gente, estou ficando esquecida demais. Eu acabo de sair do quarto e volto para buscar alguma coisa, mas eu sempre me esqueço o que eu tinha ido buscar”.
    A segunda comentou:
  • “Eu pego o telefone para ligar urgente para uma pessoa, começo a procurar o nome da pessoa na agenda e daí me esqueço para quem eu tinha que ligar; e se eu ligo, esqueço o que eu tinha que falar. Isso porque era urgente”.
    As três sorriram e a terceira disse:
  • “Eu pego o copo d´água para tomar o remédio de pressão, mas logo me desconcentro e me vejo ali segurando o copo d’água tentando me lembrar se eu ia tomar o remédio ou se já tinha tomado”.

Ouvindo a conversa delas, fiquei pensando nesse negócio de problema com a memória recente. Deus me livre. Ainda bem que não sofro disso. Mesmo assim fui buscar um esclarecimento com o meu médico, Dr. Google.

Se você sofre com a falta de memória recente, não se preocupe, isso é normal. “Problemas na memória recente podem surgir em diferentes idades, sendo comum a partir dos 30 anos, devido a processos naturais de envelhecimento”. Depois de ler aquilo fiquei mais aliviado, afinal todos nós depois dos 18 anos temos muita informação na cabeça, excesso de notícias desnecessárias e um volume exagerado de conteúdo das redes sociais que só servem para ocupar um cantinho a mais em nossa memória e travar o nosso HD. Isso, sem falar nos e-mails, sms, whatsapp, ligações de telemarketing e nas preocupações com as contas a pagar e os compromissos pra cumprir. Eu estou bem, não sofro disso.

Entrei no trabalho e fiquei na dúvida se tinha trancado o carro. Corri até o estacionamento para ter certeza que havia acionado o alarme. Cheguei no pátio e não vi o carro. Que sensação ruim, deu suadeira, tontura, falta de ar e coceira pelo corpo com medo só de pensar na hipótese de terem roubado o meu carro comprado em suaves 72 prestações e sem seguro. Daí, graças a Deus, eu me lembrei que tinha ido trabalhar de ônibus. Lembrei. Ainda bem que a minha memória é muito boa.

E você? Sua memória ainda é boa? Comenta aqui pra gente o que você já esqueceu.


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Como pequenos negócios podem captar a atenção em um mundo de distrações digitais – por Adriana Vasconcellos

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O consumidor nunca esteve tão exposto a estímulos digitais. Cada notificação, vídeo ou meme disputa atenção em segundos. Pesquisas mostram que a média de atenção caiu de 75 segundos em 2012 para apenas 47 segundos hoje. Esse fenômeno, chamado recessão da atenção, é um desafio para qualquer marca, especialmente pequenos negócios.

Mas há boas notícias: é possível se destacar, mesmo nesse cenário, quando se entende o jogo.

Um perfil parado é o erro mais comum. Atualizações frequentes passam confiança, mantêm a marca visível e aumentam as chances de ser lembrada na hora da compra. E cuidado: ter muitos seguidores não garante relevância. Engajamento real, conteúdo útil e consistência valem muito mais do que métricas de vaidade.

Não existe horário mágico, mas dados indicam padrões: terça a quinta-feira, entre 11h e 14h ou após às 19h, costumam gerar mais engajamento. Mais importante que o horário é manter regularidade e observar as métricas de cada rede.

Se o tempo de atenção diminuiu, o conteúdo precisa conquistar nos primeiros segundos. Algumas estratégias funcionam:

  • Ofereça valor: dicas rápidas, tutoriais, bastidores ou conteúdos que ajudem o cliente.
  • Seja breve e direto: frases curtas, listas e vídeos de até 1 minuto aumentam a retenção.
  • Use recursos visuais: vídeos, carrosséis e imagens bem diagramadas atraem mais que texto puro.
  • Estimule interação: enquetes, quizzes e caixinhas de perguntas aumentam relevância.
  • Humanize sua marca: mostre quem está por trás, compartilhe depoimentos e mensagens personalizadas.

Checklist rápido: publique constantemente, foque em engajamento real, teste horários, produza conteúdo visual e interativo, responda mensagens e acompanhe métricas.

Se organizar tudo isso parece desafiador, contratar um especialista pode ser decisivo. Mas lembre-se: o trabalho vai muito além de deixar o feed bonito. Envolve estratégia, planejamento, criação, testes, análise e presença digital com propósito. O profissional ideal caminha junto com você, oferecendo orientação e construção contínua de valor.

Na era da recessão da atenção, não vence quem fala mais alto, mas quem fala de forma clara, útil e humana. Para pequenos negócios, cada postagem é uma chance de permanecer na mente do cliente. Seguidores não definem sucesso: consistência, valor e relacionamento verdadeiro é o que realmente importa.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Outras formas de se roubar a infância – por Dra. Vera Resende

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Ultimamente, temos nos escandalizado com denúncias de violência contra crianças, especialmente pela exposição abusiva e sexualizada delas. Diversos segmentos da sociedade manifestaram indignação, e autoridades perceberam a necessidade de criar leis que aumentem a proteção à infância. Seria ideal supor que todo adulto tivesse alguma responsabilidade pela criança que estivesse ao alcance de seu campo de visão, independentemente de laços de parentesco. Talvez assim a omissão fosse banida e muitas situações de abandono, violência e negligência pudessem ser evitadas.

A percepção de uma infância consumidora e já articulada ao mundo adulto pode aumentar sua vulnerabilidade, pois retira a criança do lugar em que antes era vista como símbolo de despreocupação e brincadeiras. O lúdico representava um dos mais sagrados direitos da infância, permitindo explorar a fantasia, extrair informações do mundo exterior e preparar-se para as etapas futuras da vida.

Atualmente, é comum que crianças não tenham tempo nem espaço para brincar. Suas agendas estão superlotadas de atividades, voltadas para um preparo precoce para o futuro, com a ilusão de protegê-las da violência das ruas. No entanto, acabam privadas da experiência única de conquistar autonomia, já que seu tempo permanece subordinado a horários e atividades impostos por outras pessoas, associados a compromissos, e não por elas mesmas.

Quando lhes sobra algum tempo livre, ele é frequentemente preenchido por jogos eletrônicos e redes sociais. Nesse espaço, a criança descobre precocemente o supérfluo e o integra em sua experiência, de tal modo que passa a fazer tanta falta quanto o essencial.

Assim, consolida-se um novo conceito que tolera um silencioso processo de adultização, que rouba a infância em nome de uma responsabilidade precoce. É preciso ter cuidado com o desejo de acelerar o desenvolvimento infantil, suprimindo oportunidades de fantasiar, brincar, criar e imaginar, na ilusão de forçar o crescimento e “colocar para frente” etapas que deveriam ser vividas no tempo certo.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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É possível um mundo melhor? – por Celso Tracco

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Sempre é tempo de refletir sobre o passado e, quem sabe, projetar algumas metas para o futuro. Este pequeno artigo trata sobre isso. Sou economista de formação, teólogo de vocação, escritor por aptidão e aposentado por imposição. Evidentemente não penso mais em construir empresas ou comprar um barco ou um sítio. Depois de uma certa idade, o consumo de supérfluos já não me satisfaz. Assim minhas metas tendem a ser muito mais acadêmicas, ou se desejarem, mais filosóficas e menos mundanas. Ok, chega de introdução e vamos ao que importa.

Tenho a impressão de que a sociedade atual está perdida, sem rumo, completamente desconectada das realidades estruturais que eram ou deveriam ser a base para uma convivência ordeira, pacífica, harmoniosa, solidária, civilizada, autossustentável, entre os chamados seres humanos. Nada mais equivocado, pois sentimentos e comportamentos negativos como: ambição, poder desmedido, traições, oportunismo, manipulações, roubos, balanços maquiados, desvios de dinheiro público, são escancarados e acontecem em todo lugar deste país, de manhã, de tarde e de noite. Vivemos em uma sociedade na qual o crime é organizado, mas o governo, a polícia e justiça, aparentemente, são desorganizados. Gastaria milhões de páginas para descrever tudo que há de ruim por aqui. E pior, fora do Brasil a coisa também não vai bem. Guerras que não terminam, terrorismo, centenas de milhões de pessoas passando fome, refugiados políticos e econômicos, enchentes violentas, secas duradouras, aquecimento global. Enfim, se pudesse mudaria de planeta. Poderão pensar: você está muito pessimista. Respondo com a frase de um poeta: “todo pessimista é um chato, todo otimista é um tolo, eu me considero um realista esperançoso”. Com essa esperança realista, descrevo abaixo cinco ações que seguirei adotando, visando um mundo melhor. PRIMEIRO, serei um cidadão de boa vontade, tolerante, resiliente com tudo o que acontecer ao meu redor. Que eu seja um instrumento de paz em uma sociedade em constante discórdia. Não se combate violência com mais violência, devemos abaixar a “temperatura” de qualquer discussão. Paz, tolerância e equilíbrio sempre, jamais raiva, revolta, intranquilidade. SEGUNDO que eu olhe mais para as necessidades do outro, do que para as minhas. Sempre é possível ajudar quem necessita, seja com recursos, doações, seja disponibilizando seu tempo, ouvindo ou ensinado algo. Não quero que morra comigo toda uma experiência acumulada durante décadas. TERCEIRO, ser grato pela vida que tenho e ainda produzir algo de bom para mim e para a sociedade. Ser gentil é uma benção divina, devo retribuir todo gesto agressivo que porventura vier em minha direção, com um gesto de paz e quem sabe de ternura. Gratidão sempre gera um ambiente de harmonia aos envolvidos. A sociedade precisa de paz, compreensão, atenção, gentilezas. QUARTO, propagar a esperança em melhores dias, por mais difícil que a vida possa parecer, não devemos desanimar. Aceitar uma derrota é um sinal de sabedoria, mas devemos curar nossas feridas e seguir lutando pelos nossos valores e princípios. Desistir jamais, lembre-se que um bom discurso comove, mas um testemunho arrasta. QUINTO, ser atuante nas comunidades que frequento. Devo participar, nos meus ecossistemas, no trabalho, lazer, família, grupo de bairro, igreja, clube. Vivemos cada vez mais isolados, “conversando” via internet, mas desconectados de nossa realidade existencial. Somos seres gregários, comunitários, precisamos uns dos outros, precisamos conhecer as dificuldades de nossos colegas de trabalho, de fé, parceiros e amigos. Assim como eles precisam saber das nossas dificuldades e ansiedades. Estas práticas geram uma confiança mútua e ajudam a criar uma importante rede proteção para todos os envolvidos.

Tornar um hábito essas cinco ações, depende apenas de mim mesmo, do meu comportamento, do meu modo de encarar o mundo e são fruto do meu livre arbítrio. Talvez o mundo não fique melhor, nem a sociedade brasileira se torne mais solidária e participativa; tampouco nossos governantes se tornarão mais honestos e farão leis que privilegiem realmente o povo; a Justiça, ou parte dela, continuará “vendendo” sentenças, a (in)segurança pública não protegerá o cidadão de bem. Pode ser que nada mude ou até mude para pior, mas eu estarei melhor comigo mesmo, em paz com meu espírito, porque dentro das minhas limitações terei dado o melhor de mim, comunitariamente. Minha consciência estará tranquila, pois eu terei cumprido o meu papel de cidadão.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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O crime organizado e o Estado desorganizado – por Ramon Soares

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Nesta semana, foi deflagrada uma megaoperação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal contra o crime organizado, Operação Carbono. A principal “descoberta” — se é que podemos chamar assim, já que não chega a ser surpreendente — foi justamente o grau de organização dessas atividades criminosas.

O crime organizado no Brasil teve seu início na década de 1970. Cerca de vinte anos depois, surgiu o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma facção que adotou uma estrutura com foco empresarial, consolidando-se como uma espécie de multinacional do tráfico a partir de São Paulo.

Desde então, o Estado brasileiro não atuou de forma direta, tampouco indireta, para conter o crescimento e a consolidação dessas organizações. Infelizmente, essas facções têm muito a ensinar aos governantes — que, em sua maioria, não demonstram sequer a capacidade de “tapar um buraco”.

Há quem diga que não há mais possibilidade de combater eficazmente esse sistema criminoso, ou mesmo de iniciar qualquer tipo de enfrentamento. Outros defendem o fortalecimento bélico das forças policiais. É o caso do Secretário Nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubo, que em entrevista defendeu o uso de armamento mais potente por parte da polícia, superior ao utilizado pelos criminosos.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 1.381 presídios, segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Muitas dessas unidades funcionam como verdadeiras “faculdades do crime”, onde reclusos sem qualquer experiência criminal passam a integrar organizações, sendo formados como líderes.

Para isso, é necessário que existam candidatos dispostos a se engajar nessas “empresas do crime”, que contam com suporte financeiro, social e jurídico e crescem a cada dia em velocidade alarmante.

O crime organizado tem alcançado esferas antes inimagináveis: financiamento de campanhas políticas, apoio a candidatos diretamente ligados ao crime, infiltração nas polícias, nos governos, nos partidos e até nas igrejas — com o surgimento de fenômenos como o “narcopentecostalismo” e os chamados “traficrentes”. Pode parecer piada, mas trata-se de uma realidade dura e incontestável da sociedade brasileira.

Fica evidente a organização do crime, suas influências e seus propósitos — que, ao que tudo indica, têm sido alcançados com sucesso, ainda que à custa de muito sangue derramado.

E o Estado brasileiro?

Qual é a política de Estado aplicada contra o crime?
Qual é o papel das polícias no combate e na prevenção?
Como o Estado se organiza para prevenir essas situações? Se é que existe alguma forma de organização.

Não há qualquer ação concreta por parte do Estado, além de operações pontuais realizadas pelas polícias e, mais recentemente, pela Receita Federal. Fica claro que essas ações muitas vezes nascem da iniciativa de agentes públicos — verdadeiros heróis — que assumem riscos por acreditarem em seus ideais, e não como parte de um Procedimento Operacional Padrão institucionalizado. Até porque, se algo der errado, é o proponente da ação que será responsabilizado, perseguido e assediado moralmente.

Também não há diretrizes educacionais voltadas ao tema. Deveria haver, nas escolas, desde os anos 1990, um trabalho contínuo de conscientização sobre as artimanhas do crime organizado e, especialmente, sobre as drogas — que são o principal motor dessa engrenagem criminosa. Se esse trabalho tivesse sido feito, onde estaríamos hoje?

O Estado e a sociedade brasileira precisam urgentemente se organizar. Está claro para todos nós que as organizações criminosas estão muitos passos à frente da estrutura político-administrativa do país, no que diz respeito à capacidade de organização.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


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O bom humor do Tom Moíses – Sem Veríssimo, vamos de “Tomzíssimo”

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Certamente, Veríssimo ficará feliz de fazermos crônicas bem humoradas sobre sua vida e obra. Até porque pessoas como ele não morrem, vivem para sempre. Obrigado, Veríssimo! “Onde quer que você estiver, você sempre estará lá” (leia essa frase de novo; até parecer engraçada).

Sei que a maioria das pessoas dessa geração prefere os vídeos à leitura. São dois os objetivos desse texto: 1- homenagear e agradecer ao Luís Fernando Veríssimo por toda sua contribuição social; e 2- insistir sobre o valor da leitura, pois ler é conhecer melhor as palavras e se familiarizar com o idioma; é despertar o imaginário; viajar pelo universo sem sair do lugar; conhecer os vocábulos, falar melhor e interpretar melhor a vida. Insista com suas crianças para aprenderem a ler. Só assim vão ler para aprender e “uma pessoa que lê vale por duas” (título do meu primeiro livro).

Aliás, escrevi parte do meu primeiro livro inspirado em Veríssimo. Foi um sucesso. Vendeu 3 mil exemplares no mesmo dia do lançamento. Tudo bem que foi para a mesma pessoa, minha mãe; mas, sem dúvida, foi um fenômeno de vendas.

Luisinho se foi e agora é necessário que seus imitadores continuem escrevendo para homenageá-lo e confirmar que o princípio ativo do genérico pode fazer os mesmos efeitos que o original. Compradores da tadalafila 20mg que o digam.

Muita pretensão da minha parte querer imitar o mestre; mas, como seu discípulo, tenho que escrever e manter o bom humor em alta. Eu também já fui humorista. Mas, depois, virei gestor público e “fiquei mal-humorado; fiquei sério, com cara fechada”. Antes eu sorria de tudo, contava piadas, escrevia crônicas. Aprendi muito com Veríssimo, ele me inspirava. Mas, depois que virei gestor público perdi a graça. Imagina se o tribunal de contas da internet suportaria um gestor público exercendo habilidades humorísticas. Vão me chamar de palhaço, ou dizer que estou fazendo palhaçada, o que não me incomodo. O palhaço é um grande artista que se usa do humor para entreter, emocionar e provocar reflexões. É um cara legal.  

Hoje, tive uma recaída. Decidi escrever para agradecer e prestar uma homenagem a esse grande escritor que sempre promoveu o riso e a inteligência. Falei para Rebeca, minha mulher:

– “Decidi, vou voltar a escrever”.

Ela respondeu:

– “Ué, eu nem sabia que você tinha começado”.

Liguei para a produtora que comprava os meus textos. Falei que recomeçaria a escrever. Falei com o dono e ele gostou, ficou eufórico, animado, entusiasmado e me disse: 

– “Tem certeza? Ah, tá bom, legal. Pode mandar por e-mail. Não prometo nada, mas, se der tempo, se eu conseguir, vou tentar dar uma olhada”.

Aproveitei para cobrar.

– “Chefe, quero voltar a trabalhar; mas, o senhor que me desculpe, vocês ficaram me devendo três meses de salários atrasados”.

Ele respondeu:

– “Está desculpado. Pode voltar ao trabalho”.

Se você leu até aqui, parabéns, obrigado. Acompanhe os meus textos toda semana aqui no Zero Hora Digital. Escrevo para todos, especialmente para quem não gosta de ler. Se “quem não tem cão caça com gato”; sem Veríssimo, vamos de “Tomzíssimo”. É o que tem pra hoje. Mas, tudo bem, ler o Tom pode ser tudo de bom. Muito obrigado.


Foto: Reprodução

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Se sua empresa não aparece nas respostas da IA, para o seu cliente ela simplesmente não existe – por Adriana Vasconcellos

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Na semana passada participei de um curso sobre GEO (Otimização para Mecanismos de IA Generativa)* e quero compartilhar com você um pouco do que aprendi. Essa transformação muda não só a forma como as pessoas buscam informações, mas também como as marcas são descobertas e lembradas.

Por mais de vinte anos, o Google foi o centro das atenções. Toda estratégia de marketing digital girava em torno de uma pergunta: como aparecer no topo da busca? Mas em 2025 esse jogo mudou. Hoje, quando alguém quer uma resposta rápida e confiável, muitas vezes não vai mais ao Google, e sim a ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini, Perplexity ou Copilot.

E aqui está a grande diferença: enquanto o Google mostra uma lista de links, a IA já entrega uma resposta pronta, construída com base em várias fontes. Ou seja: a disputa agora não é só para aparecer na primeira página, mas para estar dentro da resposta. Se sua empresa não aparece, para o consumidor você simplesmente não existe.

É nesse contexto que surge o GEO. Ele não substitui o SEO tradicional (aquele usado para aparecer no Google)*, mas amplia a estratégia. Agora, não basta estar bem ranqueado: é preciso ser reconhecido como referência por essas ferramentas de IA. Para isso, três pontos fazem diferença:

         Autoridade: sua empresa é mencionada em veículos de credibilidade?

•         Consistência digital: sua marca está presente de forma coerente em diferentes canais?

         Utilidade real: seu conteúdo é claro, objetivo e realmente ajuda o público?

Aqui entra a força da assessoria de imprensa. Antes, o objetivo era “sair na mídia”. Hoje, a exposição em veículos relevantes também aumenta as chances de a sua empresa ser usada como fonte pelas IAs. Um médico citado em portais de saúde, um advogado ouvido em reportagens jurídicas ou uma empresa mencionada em sites de economia ganham mais espaço como resposta quando alguém faz perguntas sobre esses temas.

No fundo, essa mudança exige que empresas e profissionais deixem de pensar só em tráfego ou posição no ranking. É preciso pensar em presença estratégica: estar citado nas respostas, ser lembrado como referência e acelerar o caminho até o cliente.

Esse novo cenário traz implicações diretas em três áreas:

         Marca e reputação: cada vez que sua empresa é citada por uma IA, sua autoridade cresce.

•         Aquisição de clientes: aparecer em mais respostas significa mais pontos de contato com quem procura soluções.

         Vendas: estar presente desde o início até a recomendação final encurta a jornada de compra.

O futuro da busca é híbrido: parte tráfego, parte presença. O ranking no Google continua importante, mas não basta. Quem não for lembrado pelas IAs corre o risco de ficar invisível.

Por isso, o recado é simples: prepare-se agora. Estruture conteúdos que realmente ajudem, construa autoridade para ser citado e invista em assessoria de imprensa como ferramenta estratégica. No novo jogo da atenção, não basta ser encontrado: é preciso ser reconhecido.

Dicionário rápido (para você não se perder nos termos):

•           SEO (Search Engine Optimization) – técnicas para melhorar a posição de um site no Google.

•           GEO (Generative Engine Optimization) – adaptação do SEO para ferramentas de IA, que passam a entregar respostas prontas em vez de links.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Osteoporose: a doença silenciosa que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas do quadril – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sabia que uma simples queda pode ser muito mais perigosa com o avanço da idade? A explicação está, muitas vezes, na osteoporose, uma doença silenciosa que fragiliza os ossos e aumenta de forma significativa o risco de fraturas, sobretudo no quadril.

Essa fratura é considerada um evento grave, capaz de transformar a rotina do paciente e da família. No entanto, existem formas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, que ajudam a evitar complicações e preservam a qualidade de vida.

O que é a osteoporose e por que o quadril é tão vulnerável?

A osteoporose enfraquece os ossos de maneira progressiva, tornando-os porosos e quebradiços, sem causar sintomas até o momento em que ocorre a fratura. O quadril é especialmente vulnerável porque suporta grande parte do peso do corpo. Em casos avançados, não apenas quedas, mas até movimentos bruscos podem resultar em fratura.

Um problema de saúde pública

A osteoporose atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, a maioria mulheres após a menopausa, em razão da queda dos níveis de estrogênio. Globalmente, uma fratura osteoporótica acontece a cada 3 segundos. Após os 50 anos, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens terão algum tipo de fratura relacionada à doença.

As fraturas do quadril têm impacto profundo: cerca de 40% dos pacientes não voltam a caminhar sozinhos e, infelizmente, essa condição é uma das principais causas de mortalidade em idosos.

Como identificar ossos enfraquecidos?

A principal ferramenta de diagnóstico é a densitometria óssea, exame rápido, indolor e não invasivo que avalia a densidade mineral dos ossos, especialmente da coluna e do quadril. Ele permite identificar precocemente a perda óssea e monitorar a resposta ao tratamento.

Exames laboratoriais e a análise do histórico clínico também auxiliam no diagnóstico, ajudando a descartar outras causas metabólicas de fragilidade óssea.

Estratégias de prevenção e tratamento

O cuidado com a saúde óssea tem dois objetivos principais: fortalecer os ossos e prevenir quedas.

1. Medidas não medicamentosas

  • Alimentação rica em cálcio: leite, queijos, iogurtes, vegetais verde-escuros (como couve e brócolis) e sardinha.
  • Vitamina D: obtida por meio de exposição solar segura (cerca de 15 minutos diários) e, se necessário, suplementação.
  • Atividade física regular: exercícios com impacto, como caminhada e musculação, são fundamentais para estimular a formação óssea e melhorar equilíbrio e força muscular.
  • Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool.

2. Tratamento medicamentoso
Em alguns casos, é necessário o uso de suplementação de cálcio e vitamina D, além de medicamentos modernos, que podem reduzir a perda óssea (antirreabsortivos) ou estimular a formação de osso novo.

A osteoporose é silenciosa, mas suas consequências podem ser devastadoras. Investir na saúde dos ossos é uma forma de garantir mais independência, autonomia e qualidade de vida no futuro. Não espere uma fratura para agir. A prevenção continua sendo o melhor tratamento.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Voluntariado. Uma sociedade em transformação – por Celso Tracco

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A vida está muito agitada, corrida, estressante. Daqui a pouco já é dezembro de novo. Parece que não sobra tempo para mais nada, não é verdade? Tendo a discordar! Sempre existe a possibilidade de enxergarmos novos horizontes, e entre tantas possibilidades pode-se até pensar em ajudar o próximo, sendo um(a) voluntário (a) em alguma ação social. Ser voluntário pode, inclusive, abrir muitas portas, pois é um trabalho temporário que não deixa de ser uma fonte de novos aprendizados.

Ajudar os menos favorecidos, ainda mais de forma desinteressada, fará muito bem a quem recebe, mas fará muito mais para quem está doando, seu tempo, seu conhecimento, suas habilidades. Pode até ajudar o /a voluntário (a) a encontrar um sentido, digamos, mais elevado na sua vida. Fazer o bem ao próximo, faz bem à alma, no sentido mais elevado do termo. Ajuda a refletir o que realmente é essencial em nossa vida. O voluntariado permite que cada participante receba, individualmente, pela sua própria percepção, lições de vida que jamais teria em outro lugar.

Há quatro pontos fundamentais em qualquer atividade de voluntariado:

  • O respeito à dignidade humana. Tratar o outro como ser humano, como seu semelhante, respeitando de forma integral a dignidade de sua vida, não importando classe social, ou intelectualidade, os fatores psicológicos opção religiosa. Ele ou ela é um ser humano, valorizo a pessoa em si, apenas isso.
  • A solidariedade. Ajudar a quem precisa, podendo ser de forma material, espiritual, apenas ouvir, aconselhar, cuidar, auxiliar, ensinar, servir, aprender. Sempre vai depender da necessidade de cada um. Trabalho não vai faltar nesta sociedade carente de compaixão e com exemplos de desumanidade diária. “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana” – Franz Kafka
  • A subsidiariedade. O trabalho do voluntário pode levar a valores que transformam a vida da pessoa assistida. Como um elo de uma corrente de solidariedade, ela pode se tornar um sujeito de uma nova ação e não apenas ser o receptor. A onda produzida por se fazer o bem, torna-se duradoura e transformadora da realidade.
  • O bem comum. O voluntariado tem a possibilidade de transcender a ação em si. Ele pode alavancar o bem para aqueles que estão à sua volta: sua família, amigos, colegas de trabalho, companheiros de lazer. Fazer o bem, compreendendo o outro, passa a ser um hábito. E isto é transformador em um mundo tão necessitado de amor.

O voluntariado pode ir muito além de uma doação de seu tempo, pode ser uma verdadeira transformação de seu entorno. A chave para isso é o amor, traduzido em gentileza, carinho e doação, sem esperar nada em troca sem esperar recompensas. Não acredita? Tente! Afinal não há nada a perder, apenas uma pequenina parte do seu tempo. E tem muito a ganhar! Não há felicidade maior que um sorriso aberto de uma criança, ou um abraço apertado de um idoso. São gestos na vida que valem muito mais do que qualquer dinheiro. Pessoalmente, trabalhei em vários projetos sociais como voluntário, sinceramente, foi um enorme aprendizado. 28 de agosto é o Dia Nacional do Voluntariado. Se você já é voluntário, parabéns. Escreva para nós, contando sua experiência. Se ainda não é voluntário (a), não perca tempo, seja. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Polícia para quem precisa! Polícia para quem precisa de polícia! – por Reinaldo Monteiro

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Infelizmente estamos vivendo tempos de muita hipocrisia, falta de conhecimento, falta de espírito público e muita policagem. No Congresso Nacional tramitam várias PEC’s com objetivo de incluir as Guardas Municipais no inciso VII do artigo 144 da Constituição Federal e ouvimos constantemente parlamentares dizendo: não podemos ferir o pacto federativo! Olha, cuidado, essa PEC invade competência dos estados! Nossa, os municípoios não podem ter suas próprias polícias! Os argumentos são os mais diversos.

O que salta aos olhos é a falta de conhecimento da Carta Magna e do tão falado por eles, do PACTO FEDERATIVO. Se os municípios cumprissem apenas aquilo que está previsto na Constituição Federal respeitando o pacto federativo, a Lei 13.022 de 2014 ( Estatuto Geral das Guardas Municipais), a Lei 13.675 de 2018 ( Sistema Único de Segurança Pública – SUSP), a Lei 10.826 de 2003 (Estatuto do Desarmamento) e as decisões do Supremo Tribunal Federal – STF, afirmo com tranquilidade, o Brasil estaria em uma situação de segurança pública muito melhor.

Quando eu lembro do trecho da música do Titãs, eu fico me perguntando: Se os municípios de fato exercerem o seu papel constitucional no que diz respeito a segurança pública, quem terá segurança? O povo pobre da periferia? Quem irá perder a reserva de mercado? E como ficará o discurso sensacionalista? Políca para quem? Quem precisa de Polícia?

Ainda na linha da reflexão inicial, onde moram e vivem as autoridades, os políticos, os promotores, os Ministros, os Prefeitos, os grandes empresários brasileiros? Na sua grande maioria em condomínios de casas luxuosas e muito bem seguras, com vigilantes fazendo rondas 24h por dia, com controle de acesso de pedestres, de veículos, prestadores de serviços, monitoramento e toda infraestrutura que o dinheiro pode pagar. Por que será que toda essa gente não abre mão dessa segurança? Ora! Se pensarmos bem, um condomínio de casas luxuosas com vias públicas patrulhadas por vigilantes armados com viaturas caracterizadas e atendendo os pequenos conflitos da vida cotidiana daquele condomínio não seria intese inconstitucional? Por que será que ninguém reclama?

A Falta de Compromisso dos Prefeitos com o Pacto Federativo e a Segurança Pública Básica

Após essas breves considerações acima com algumas reflexões, precisamos tratar daquilo que é limpido e cristalino, porém, algumas pessoas, autoridades, veículos de imprensa e parlamentares insistem em não querer enxergar que desde de 1988 os municípios possuem o DEVER de prover a SEGURANÇA PÚBLICA BÁSICA.

 A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o pacto federativo como um dos pilares da organização do Estado brasileiro, distribuindo competências entre União, Estados. Distrito Federal e Municípios. Dentro dessa estrutura, o município possue autonomia político-administrativa com papel fundamental na organização e prestação direta de serviços públicos de interesse local. O legislador constituinte reservou aos municipios a competência de legislar, organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local, portanto, reservou aos municípios a competência de organizar e prestar diretamente serviços de segurança pública, a menos que segurança pública não seja de interesse local.

 No entanto, apesar de os municípios possuírem autonomia constitucional para legislar sobre assuntos de interesse local, organizar e prestar diretamente seus serviços, muitos prefeitos demonstram omissão ao não cumprir com seu papel constitucional, qual seja, garantir o direito fundamental e social do seu cidadão à segurança, garantir a segurança pública, a incolumidade das pessoas e do patrimõnio por meio de seu órgão municipal de segurança pública, investir na criação e capacitação de Guardas Municipais pata a proteção sistêmica da população que utiliza bens, serviços e instalações municipais. Tal descaso compromete não apenas a efetividade da segurança pública local, mas  todo o sistema de segurança pública do país, pois, a partir do momento que cada município cumprir com seu papel constitucional respeitando o pacto federativo, as forças de segurança pública dos estados poderão atuar com mais efetividade no comabte ao crime organizado e nos crimes regionais e transnacionais.

1.    O que os números mostram: omissão sistêmica

Segundo dados da MUNIC/IBGE 2023, dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 1.322 possuem Guarda Municipal — ou seja, 76,3% ainda não estruturaram essa instituição básica de proteção local. Em números absolutos, são 4.248 cidades sem GM. Além disso, somente 30% das Guardas existentes utilizam armamento de fogo (396 corporações), um crescimento em relação a 2019 (22,4%), mas ainda insuficiente frente aos desafios da segurança pública.

Gráfico 1 – Municípios com e sem Guarda Municipal (IBGE/MUNIC 2023)
Gráfico 2 – Guardas Municipais com arma de fogo (2019 vs 2023)

2.    Pacto federativo, dever municipal e base legal

O pacto federativo atribui ao município a competência de legislar, organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local (CF/88, art. 30). A Lei 13.022/2014 institui normas gerais para as Guardas Municipais; a Lei 13.675/2018 integrou as Guardas Municipais ao Sistema Único de Segurança Pública – SUSP; e o Decreto 11.841/2023 disciplinou a cooperação das Guardas Municipais com os demais órgãos de segurança pública. O STF, no julgamento do RE 608.588 (Tema 656), reconheceu a constitucionalidade de leis municipais que autorizem ações de segurança urbana e policiamento ostensivo comunitário.

3.    Formação, padronização e armamento: não é opcional

A Matriz Curricular Nacional para Formação das Guardas Municipais (SENASP) estabelece diretrizes formativas e perfil profissional, com cerca de 500 horas de formação inicial e continuada por meio dos cursos de aperfeiçoamento anual de no mínimo 80 horas. O Estatuto Geral das Guardas Municipais é claro em estabelecer que as Guardas Municipais são orgãos de caráter civil, uniformizadas e armadas, portanto, não é opcional.

4. Investimento importa (e dá resultado)

Exemplos como o de Santana de Parnaíba (SP), que liderou o eixo Segurança no Connected Smart Cities 2024, demonstram que investimento consistente gera resultados. A cidade investiu R$ 280 per capita em segurança, obtendo avanços expressivos na proteção sistêmica da população e redução de índices criminais.

5. Agenda mínima para prefeitos comprometidos

  1. Instituir ou fortalecer as Guardas Municipais com base na Lei 13.022/2014 e na lei 13.675/2018 -SUSP;
  2. Adotar a Matriz SENASP, garantindo formação inicial e continuada;
  3. Estabelecer metas, indicadores e integrar tecnologias modernas;
  4. Harmonizar a legislação municipal com a jurisprudência do STF e o Decreto 11.841/2023;
  5. Garantir orçamento previsível e priorizar formação, equipamentos e governança;
  6. Criação e implementação dos planos municipais de segurança pública.

Conclusão

Os dados deixam claro: 76% dos municípios não possuem Guarda Municipal, apenas 30% das existentes estão armadas e a formação ainda é desigual. A base legal, constitucional e jurisprudencial está consolidada — o que falta é vontade política. Bons exemplos mostram que investir em Guardas Municipais estruturadas, treinadas e integradas gera retorno direto na ordem urbana, na segurança e na proteção sistêmica da população que utiliza bens, serviços e instalaçoes municipais.

Polícia para quem precisa e quem precisa de polícia é o trabalhador que acorda às 05 horas da manhã para ir trabalhar em coletivos lotados, os estudantes que estão vulneráveis nas escolas das periferias, os pequenos comerciantes, as pessoas que não conseguem dormir por conta da perturbação do sossego, o cidadão que tem que conviver com territórios dominados pelo tráfico de drogas e tudo isso é de interesse local, portanto, OS MUNICÍPIOS POR MEIO DE SUAS GUARDAS MUNICPAIS DEVEM REALIZAR O POLICIAMENTO OSTENSIVO COMUNITÁRIO para garantir o direito social do cidadão a SEGURANÇA PÚBLICA BÁSICA.

Fontes principais


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


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