Geração Z, “feed zero” e o futuro das vendas nas redes sociais – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:3 Minute, 37 Second

A Geração Z, também conhecida como Zoomers (pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e início de 2010), está mudando as regras do jogo digital e das vendas. Nativa das redes, essa geração cresceu cercada pela tecnologia, mas agora começa a utilizar as plataformas de um jeito diferente. Surge, então, uma tendência em ascensão: o “feed zero”, em que os perfis permanecem quase vazios, embora seus donos continuem ativos em stories, mensagens diretas e grupos privados.

Esse comportamento mostra que os jovens priorizam interações mais autênticas, privadas e efêmeras, o que impacta diretamente a forma como as marcas se conectam com eles e vendem seus produtos. A decisão de abandonar o feed tradicional não é aleatória, ela reflete mudanças profundas na maneira como a Geração Z enxerga o ambiente digital.

Muitos demonstram cansaço com a superexposição e a constante comparação, já que a pressão por curtidas e validação social pode gerar ansiedade, levando-os a evitar o julgamento público. Soma-se a isso a preocupação com privacidade e rastros digitais, que os faz reduzir conteúdos permanentes. Essa geração também busca autenticidade e espontaneidade, valorizando momentos reais compartilhados em formatos rápidos, como stories e mensagens privadas. Além disso, o desgaste com algoritmos e conteúdos excessivamente perfeitos desestimula a publicação no feed, reforçando a preferência por interações mais orgânicas e menos planejadas.

O resultado é um uso das redes mais seletivo, onde o conteúdo efêmero e as interações privadas ganham destaque. A Geração Z não está desconectada, apenas escolhe ambientes digitais que ofereçam controle, proximidade e menor exposição pública. Essa tendência já força mudanças nas próprias plataformas, que investem cada vez mais em stories, transmissões ao vivo e vídeos curtos, reforçando a experiência espontânea que os jovens buscam.

E como esse comportamento afeta as vendas nas redes sociais?

As redes sociais continuam sendo uma vitrine poderosa para as marcas. Costumo dizer que o Instagram pode ser tanto a 25 de Março quanto a Oscar Freire, dependendo do produto ou serviço que está sendo oferecido. Segundo o Relatório do Varejo 2025, divulgado pela Adyen, 55% dos brasileiros compram pelas redes e 37% tendem a adquirir produtos que estão em alta. No entanto, o novo comportamento da Geração Z está transformando a dinâmica das vendas. Com menos atenção no feed, anúncios estáticos e excessivamente produzidos perdem efeito. Essa geração é rápida em identificar conteúdos que parecem “forçados” e tende a ignorá-los.

Em contrapartida, a Geração Z valoriza conteúdos autênticos. Campanhas que mostram bastidores, depoimentos reais e situações do dia a dia têm muito mais chances de engajar. Nesse cenário, parcerias com microinfluenciadores e conteúdo colaborativo (UGC) se tornam estratégias poderosas. Outro fator é a expansão dos formatos efêmeros. Stories, Reels e TikTok são os espaços onde as marcas precisam estar, já que vídeos curtos, criativos e diretos geram maior conexão com esse público.

Apesar das oportunidades, existem desafios. Grande parte das interações acontece em grupos fechados e mensagens privadas, o que dificulta a mensuração de resultados. Isso exige maior investimento em dados, análise de comportamento e campanhas personalizadas. Além disso, não basta vender; é preciso construir relacionamento. A Geração Z espera que as marcas conversem, se posicionem e criem vínculos. Estratégias focadas apenas em conversão de vendas perdem força, abrindo espaço para um marketing/comunicação mais humano e participativo.

O “feed zero” e a preferência por interações privadas mostram que a Geração Z não rejeitou as redes sociais, mas demanda novas formas de conexão. Para as marcas, isso significa repensar anúncios, criar experiências autênticas e investir em formatos que gerem engajamento real.

As empresas que entenderem essa transformação terão vantagem no social commerce, que já movimenta bilhões e segue em crescimento. Portanto, este é o momento de adaptar sua estratégia, falar a língua dessa geração e transformar seguidores em clientes fiéis.

Investir nessas três frentes de forma coordenada não é luxo. É uma estratégia inteligente e cada vez mais indispensável para qualquer empresa ou profissional que queira se destacar.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Dia do Novo Pai – por Vera Resende

2 0
Read Time:2 Minute, 24 Second

Uma espécie de silêncio, uma barreira invisível cercou, durante muito tempo, a relação do homem com seu filho. A ele, sempre foi vedada a liberdade para expressar qualquer sentimento e aventurar-se na interação com crianças. Atualmente, a despeito de mudanças nos papeis sociais de homens e mulheres, este silêncio ainda se perpetua entre um grupo significativo de homens, e é transmitido de uma geração para outra, sem ser questionado, ou mesmo percebido e interpretado por eles, ou pelo grupo familiar.

Este silencio ainda compromete possibilidades de diálogo, apoiado em uma cultura com resquícios do patriarcalismo, que reserva ao homem um lugar além e acima das questões domésticas, como se   mulher e criança fossem unidades independentes no grupo familiar extenso. Felizmente, esta posição, aparentemente cômoda, vem se modificando sob a égide das rápidas transformações que atravessam a sociedade e a família.

Contudo, tais mudanças não se mostraram suficientes para reduzir o vazio que se instala na rede de relações afetivas na maioria das famílias. Ainda há distanciamento entre o homem e demais membros do núcleo familiar, denunciado no modo frágil como é concebido o vínculo entre pais e filhos, fruto da tendência cultural, que delegou à mãe a exclusividade dos cuidados comuns ao recém-nascido.

Entre os que estão abertos a mudanças, nos deparamos com um novo homem, investido do papel e das funções de pai ele se envolve na tarefa de cuidar dos filhos e, assim, recupera aspectos essenciais de sua própria humanidade, se redescobre e, ao mesmo tempo fortalece o desenvolvimento emocional da criança. Este é o ganho da existência humana: ao tomar consciência da importância de estar mais ao lado da criança e acompanhar seu crescimento, o homem moderno se autoriza a reconhecer seus sentimentos e adquire recursos pessoais para propiciar uma interação mais compassiva e amorosa.

Este homem, podemos dizer, é mais feliz porque não precisa representar o Super Herói e sabe que sua presença fortalece a vida de seu filho e de sua filha, desenvolve o sentimento de segurança afetiva e de pertencimento. Por esta razão comemoramos o Dia dos Pais, felicitando os homens que souberam ver nas mudanças sociais, a oportunidade para resgatar o mais humano dos papeis que é gerar, criar e amar outro ser humano.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Exemplos que dignificam a humanidade – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 33 Second

Após o fracasso econômico dos países socialistas no final do século XX, o predomínio do pensamento capitalista, preconizado pelo Ocidente, tornou-se mundialmente dominante. Com raríssimas exceções o capitalismo, seja ele classificado como neoliberal, seja ele controlado pelo Estado ou ainda dito humanista, rege o modo de vida da nossa sociedade. A acumulação de riqueza, a busca pelo lucro, a força do poder econômico, a lei do mais forte, privilegia o deus Dinheiro em detrimento da dignidade e do bem-estar social do ser humano. Especialmente o sistema capitalista neoliberal traz em seu bojo, uma imensa desigualdade social que cresce a cada ano.  No mundo todo, milhões de seres humanos estão condenados a viver de forma indigna, onde as condições são precárias, desumanas, implacáveis e a expectativa de vida é baixa. Mas, onde há vida há esperança e eis que surgem alguns indivíduos que, por conta própria promovem ações que visam ao menos minorar as enormes dificuldades daqueles que vivem na exclusão social.

Meu primeiro exemplo vem do Brasil: O professor Stelio Marras, recebeu como herança de família, um prédio comercial avaliado em R$ 25 milhões. Por iniciativa própria ele doou este bem ao Fundo Patrimonial da USP, com a cláusula contratual que a arrecadação advinda dos aluguéis deve ser aplicada para ajudar estudantes de baixa renda. Diz o professor: “viver como um milionário é dar as costas para a sociedade e para o ambiente, e Deus me livre viver numa ilha milionária, cercada por um mar de pobreza e miséria. Não caberia na minha cabeça, na minha alma, fazer algo diferente. O mundo é muito desigual e o Brasil, como sabemos, é campeão nesse quesito”.  www.correiobraziliense.com.br (07/07/2024)

Meu segundo exemplo vem da Áustria: Marlene Engelhorn, uma austríaca de 31 anos decidiu doar 90% de sua herança, cerca de 25 milhões de euros. A herança veio com a morte da sua avó, acionista da multinacional alemã BASF. Argumenta Marlene: “herdei uma fortuna, sem ter feito nada para isso. E o Estado nem quer impostos sobre isso. Se os políticos não fazem o seu trabalho, e não redistribuem a renda, eu mesma redistribuirei a minha riqueza”. A Áustria não cobra impostos sobre heranças. Cinquenta pessoas, foram selecionadas de um universo de 10.000 cidadãos austríacos, escolhidos aleatoriamente, não importando idade (são maiores de 16 anos), sexo, gênero, etnia ou classe social. Ela determinou que essas 50 pessoas determinem como deve ser redistribuída sua herança. www.bbc.com/portuguese/ (12/01/2024)

Por último o exemplo de Bill Gates e sua ex-esposa, Melinda. Eles têm 3 filhos, cada filho terá direito a “apenas” US$ 10 milhões, cerca de 0,02% da herança, o restante ficará com a Fundação Bill e Melinda Gates, criada em 2.000 que atua em mais de 130 países, colaborando com as áreas de igualdade de gênero, crescimento econômico, desenvolvimento global e saúde. Gates já doou cerca de US$ 60 bilhões de sua fortuna. Mais ainda, criou um movimento que incentiva milionários a doar parte de suas fortunas para ações sociais, 240 multimilionários já aderiram a esse movimento. www.tudocelular.com (21/02/2024)

Estes são apenas alguns exemplos que foram notícia. Certamente existem muito mais pessoas neste mundo dilacerado por guerras, discórdia, notícias falsas, ambições, assassinatos, drogas, exploração de menores e outras calamidades, que estão promovendo uma justiça social. Estes seres iluminados não se deixam levar pela ganância e pelo acúmulo de riqueza, mesmo que, por lei, tenham direito a ela. Ao contrário, distribuem sem um padrão definido, mas com o objetivo final de proporcionar alguma dignidade a seres humanos que jamais poderão retribuir aos seus doadores. Esta é a definição do verdadeiro amor, doar sem esperar recompensa para si próprio. Que nos sirvam como exemplos. Penso que apenas a legitima solidariedade entre os humanos poderá atenuar a enorme pobreza material de milhões de pessoas excluídas deste rico e egoísta sistema econômico.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A segurança pública e o crescimento urbano desordenado e clandestino – por Ramon Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 1 Second

A segurança pública tem sido, historicamente, discutida sob a ótica da atuação policial por governantes de todos os níveis — prefeitos, governadores e presidentes. O foco mais comum entre os políticos gira em torno do tráfico de drogas, do crime organizado e da ostensiva presença de armas nas mãos de criminosos em comunidades.

A criminalidade, no entanto, costuma ser debatida como se não houvesse uma estrutura complexa por trás de sua atuação. Pouco se considera a logística do crime organizado, o que contribui para a perpetuação da criminalidade, especialmente quando criminosos planejam suas ações e utilizam comunidades como esconderijos.

Essas comunidades, em sua maioria, surgiram de ocupações feitas por pessoas simples, de baixa renda ou em situação de extrema vulnerabilidade frente ao Estado. Por conta dessa ausência do poder público, muitas dessas áreas tornaram-se verdadeiros refúgios para criminosos — especialmente traficantes —, que acabam usando os próprios moradores, pessoas de bem e trabalhadoras, como escudos humanos em confrontos com as forças de segurança.

O Estado, em especial no âmbito municipal, falha ao não atuar preventivamente na criação e ordenação dessas comunidades. Essa omissão está diretamente relacionada à ausência de planejamento urbano — um fator que pode parecer distante da temática da segurança, mas que, na prática, tem profunda conexão com os altos índices de violência. Cidades com maiores níveis de criminalidade, como a capital fluminense, demonstram que, onde o Estado não se faz presente — não apenas por meio da polícia, mas também por meio de infraestrutura, serviços e políticas públicas —, o crime se organiza e se fortalece.

Exemplo disso foi o caso da cidade do Guarujá, em 2023, onde uma operação da Polícia Militar paulista, a Operação Escudo, teve desdobramentos catastróficos, segundo dados da própria Secretaria de Segurança. Essa e outras operações, como a Operação Verão, realizadas até 2024, resultaram em mais de 84 mortes em confrontos, entre civis e policiais. Um número alarmante, que poderia ter sido evitado com fiscalização adequada e planejamento urbano eficaz, especialmente em áreas propensas à ocupação ilegal ou a loteamentos clandestinos.

É fundamental que os municípios possuam planos de urbanização capazes de orientar o crescimento e o desenvolvimento das cidades, estabelecendo diretrizes claras para o uso e ocupação do solo, infraestrutura, serviços públicos e qualidade de vida da população. Esses planos têm ligação direta com a segurança pública, principalmente na prevenção e redução da criminalidade.

A capital do Rio de Janeiro, por exemplo, conta com 813 comunidades, onde vivem cerca de 1,3 milhão de pessoas, tornando-se a cidade com o maior número de favelas do Brasil. Nessas áreas, facções criminosas mantêm um verdadeiro arsenal bélico, comparável ao de forças armadas, o que dificulta ou inibe ações de intervenção policial — não apenas pela resistência armada, mas também pela complexidade geográfica, arquitetônica e social dessas regiões.

A Constituição Federal, em seus artigos 182 e 183, regulamentados pela Lei nº 10.257/2001, estabelece que cabe aos municípios a responsabilidade pela execução da política urbana. Já o artigo 30, inciso VIII, determina que é competência municipal promover o adequado ordenamento territorial, por meio do planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.

Dessa forma, é imprescindível que os governantes municipais sejam cobrados quanto ao ordenamento urbano, garantindo-se o livre acesso do Estado a todo o território — não apenas pelas forças policiais, mas também por meio dos serviços essenciais de saúde, educação e assistência social.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A Tríade Poderosa da Comunicação – por Adriana Vasconcellos

1 0
Read Time:3 Minute, 18 Second

Como Marketing, Branding e Assessoria de Imprensa constroem marcas fortes e impulsionam negócios

Em um cenário cada vez mais competitivo, em que a informação circula em alta velocidade e as marcas disputam atenção e credibilidade, saber como se posicionar e comunicar não é mais um diferencial, mas uma necessidade. Para alcançar visibilidade e gerar confiança, marketing, branding e assessoria de imprensa são ferramentas essenciais. E, embora complementares, cada uma cumpre uma função distinta dentro de uma estratégia de comunicação bem-sucedida.

O marketing é o conjunto de estratégias que aproxima o produto ou serviço do consumidor. Seu foco é comercial e orientado para resultados: gerar demanda, atrair atenção e estimular a compra. É por meio do marketing que as marcas se tornam visíveis, despertam interesse e geram engajamento nas redes sociais, campanhas digitais, anúncios e promoções.

Um bom exemplo é o lançamento de um novo restaurante. O marketing cria campanhas no Instagram, ativa influenciadores locais, promove sorteios e impulsiona posts patrocinados para atingir um público segmentado. O objetivo? Levar pessoas até o local, gerar movimento, fazer o negócio girar.

Diferente do marketing, o branding é o que constrói o significado da marca na mente das pessoas. Ele trabalha a percepção, o posicionamento, a identidade visual, os valores e o tom de voz. É o que responde à pergunta: “O que essa marca representa?”

Voltando ao exemplo do restaurante, o branding define se ele é um espaço sofisticado e intimista ou se é despojado e voltado para famílias. É ele quem escolhe as cores do ambiente, a linguagem do cardápio, o estilo da música ambiente e até o conteúdo publicado nas redes sociais. Um branding bem construído cria uma experiência coerente, que faz o cliente lembrar, recomendar e voltar.

Já a assessoria de imprensa atua em outra frente: conquistar espaço na mídia tradicional e digital para fortalecer a reputação e a credibilidade da marca. Ela transforma histórias e diferenciais de empresas, profissionais e projetos em pautas jornalísticas de interesse público.

Diferente de um anúncio pago, a assessoria de imprensa conquista visibilidade espontânea, com matérias em jornais, revistas, portais e programas de TV. Se o restaurante do nosso exemplo é comandado por um chef premiado ou tem um projeto social com impacto local, a assessoria é quem leva essa história à imprensa. E quando o público vê essa marca na mídia, a percepção de valor aumenta significativamente.

Embora cada ferramenta atue com focos distintos, o segredo está em integrar marketing, branding e assessoria de imprensa de forma estratégica. E mais: na ordem correta.

  1. Comece pelo branding: Antes de divulgar, é essencial entender quem a marca é. Uma marca sem identidade definida transmite mensagens confusas e não gera conexão emocional.
  1. Ative o marketing: Com a essência definida, é hora de colocar a marca em movimento, gerar presença e atrair clientes.
  1. Trabalhe a assessoria de imprensa: Agora, a história da marca pode ser levada à mídia com mais força e consistência. Isso amplia o alcance e fortalece sua reputação.

Essa tríade não é exclusiva para grandes empresas. Profissionais liberais como, por exemplo, médico e advogados, pequenos negócios e marcas pessoais também podem se beneficiar, e muito, dessa estratégia. O marketing vende, o branding conecta e a assessoria de imprensa valida. Separadas, cada uma entrega resultados importantes. Juntas, são uma combinação poderosa para quem quer ser lembrado da maneira certa, conquistar o respeito do mercado e crescer com consistência.

Investir nessas três frentes de forma coordenada não é luxo. É uma estratégia inteligente e cada vez mais indispensável para qualquer empresa ou profissional que queira se destacar.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Novo normal? Ou total anormalidade? – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 7 Second

Viver na Grande São Paulo é por si só um constante desafio. Para idosos, como eu, diria que é insano. Qualquer situação, seja para lazer, ou obrigação, como consultar um médico, exige uma grande dose de preparação, planejamento, paciência, resiliência. Locomover-se em São Paulo, seja a pé, de transporte público ou privado é tarefa para profissionais, senão vejamos por alternativas.

 Se a escolha for ir a pé, você precisa trajar-se e calçar-se adequadamente. E adequado não significa elegante. Seus pés devem se acomodar em um tênis apropriado para caminhadas por pisos bastante precários. São Paulo é bem conhecida pela qualidade de suas péssimas calçadas. Prepare-se para encontrar, vários tipos de pisos, incluindo a ausência deles. Inúmeros obstáculos desfiarão sua meta: lixo acumulado em lixeiras enormes ou mesmo fora delas, pontos de ônibus semidestruídos, postes em profusão, degraus e rampas feitas de forma aleatória, apropriação indevida do espaço público, além de entradas e saídas de veículos não sinalizadas, onde o veículo tem sempre preferência. Na parte da vestimenta, aconselha-se a usar um agasalho ou moletom sem identificações. Evidentemente não leve celular, carteira, bolsa, relógio, brincos, anéis ou aliança. Carregue pouco dinheiro, para o ladrão que lhe abordar não ficar frustrado e violento, um cartão de débito e um documento pessoal com foto. Vítimas de atropelamento, ou outros acidentes, como queda em bueiros mal tampados, são resgatadas pelo SAMU e conduzidas a um hospital público, o documento facilita a identificação. Última recomendação, tenha com você um número de telefone para emergência.

Caso sua opção seja o transporte público coletivo, as exigências e precauções são outras. Primeiro, considere que sua viagem pode levar mais tempo do que você imagina. Prepare-se para viajar em pé e, provavelmente apertado. Lugres para idosos existem e estão bem-sinalizados, mas em geral já estão ocupados. Também esteja sempre alerta com seus pertences e programe-se para deixar o coletivo pelo menos uma parada antes da sua. A viagem pode ser tensa, mas as emoções estão garantidas, trate de desfrutá-las. Ponto positivo, dependendo de sua idade a passagem e o desconforto são grátis.

Por último, você tomou coragem e resolveu ir com seu próprio carro. Se ele for um  SUV, blindado, com giroflex, sirenes, não importa se você está em uma atividade particular, todos vão pensar que você é uma autoridade e está trabalhando a serviço do bem-estar da comunidade. Os sons e luzes produzidos pelo seu veículo, obrigarão os demais condutores a “espremerem” seus carros, abrindo espaço para sua nobre passagem. Mas, se você for um dos milhões de motoristas em um carro comum, meus sentimentos. Sofrimento garantido, que São Cristóvão e o Waze lhe protejam e que você chegue ao seu destino, superando todos os obstáculos, na hora aprazada. Claro, você precisa estacionar. Sem problemas, os shoppings centers, como ilhas da fantasia em mares revoltos, estão aí para nos acolher. Não é de graça, mas o que fazer? Ok tudo terminado, missão cumprida, agora é só pegar o caminho de volta para casa. Que você se afaste das tentações, dos motoboys, dos apressadinhos, dos carros de aplicativo, das faixas de ônibus e dos VUCs. Tudo vai dar certo.

A mega São Paulo congestionada, poluída, insegura, mas rica, cosmopolita, moderna, atraente, culta, intrigante, em tudo caótica. Seu poder de sedução, certamente compensa as ameaças dos obstáculos, ela segue conquistando corações e mentes. Sigamos em frente. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante. Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Perturbação do Sossego Público: Um dever constitucional dos municípios e das Guardas Municipais – por Reinaldo Monteiro

8 0
Read Time:4 Minute, 30 Second

A perturbação do sossego público é uma infração que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas, interferindo em seu direito ao descanso, à paz e à tranquilidade. Presente no cotidiano de áreas urbanas e rurais, o problema envolve condutas como som alto, brigas, algazarras, barulhos de veículos, entre outros comportamentos ruidosos que geram incômodo à coletividade.

No Brasil, essa conduta é tipificada como contravenção penal, mas seu impacto social e jurídico pode ser significativo, sendo alvo de diversas ações policiais e judiciais. Este artigo tem por objetivo abordar o conceito, a legislação aplicável, exemplos práticos, as possíveis formas de combate à perturbação do sossego público e de quem é o dever de coibir essa prática.

Conceito e Caracterização

Perturbar o sossego público significa gerar ruídos excessivos que interfiram no bem-estar de outras pessoas, especialmente em horários destinados ao descanso. A perturbação pode ocorrer de diversas formas:

  • Uso de aparelhos sonoros em volume excessivo;
  • Gritos, brigas ou algazarras em locais públicos ou privados;
  • Funcionamento de estabelecimentos com som além do permitido;
  • Ruídos de obras fora do horário legal.

Previsão Legal

A Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941) trata da perturbação do sossego em seu artigo 42, que dispõe:

“Art. 42 – Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios:

I – com gritaria ou algazarra; 
II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; 
III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; 
IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem guarda:

Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa.”

Além disso, leis estaduais e municipais podem estabelecer regras mais específicas sobre limites de ruído, horários permitidos e fiscalização.

Implicações Sociais e Urbanas

A perturbação do sossego público é uma das queixas mais recorrentes recebidas por órgãos como a Polícia Militar, a Guarda Civil Municipal e as secretarias de meio ambiente ou fiscalização urbana. O problema é agravado pela falta de conscientização e pelo crescimento desordenado das cidades.

As principais vítimas são moradores de bairros residenciais próximos a bares, casas noturnas ou áreas de eventos, além de idosos, crianças e trabalhadores que precisam descansar.

Medidas de Prevenção e Combate

Diante da perturbação do sossego, o cidadão pode adotar as seguintes providências:

  1. Diálogo: Em casos leves, é recomendável tentar uma conversa amigável com os responsáveis.
  2. Acionamento da Guarda Civil Municipal ou da Polícia Militar: Em casos persistentes, pode-se acionar o 190 ou o número da guarda municipal.
  3. Boletim de Ocorrência: Em situações reincidentes, o registro de um Boletim de Ocorrência pode servir como prova para medidas posteriores.
  4. Ação Judicial: O prejudicado pode ingressar com uma ação civil por danos morais ou solicitar providências ao Ministério Público.
  5. Denúncia a órgãos municipais: Secretarias de meio ambiente ou fiscalização urbanística podem aplicar sanções administrativas.

Considerações finais: perturbação do sossego público é dever dos municípios

A perturbação do sossego público, embora muitas vezes vista como um problema menor, representa uma violação concreta ao direito ao bem-estar e à convivência pacífica. Cabe ao poder público, por meio de políticas de fiscalização e conscientização, e à população, por meio do respeito mútuo, promover ambientes mais saudáveis e silenciosos.

De acordo com a nossa Constituição Federal, os municípios possuem competências para legislar sobre assuntos de interesse local e, todos nós sabemos que perturbação do sossego público é um tema explicitamente de interesse local, portanto, os municípios DEVEM regulamentar, orientar, fiscalizar e autuar quem desrespeita as normas municipais acabando com a tranquilidade da sociedade gerando impactos significativos na segurança pública e na saúde da comunidade.

Na grande maioria dos municípios vivemos uma omissão legislativa e uma clara falta de espírito público por partes de nossos políticos, uma vez que as Câmaras Municipais possuem uma gigantesca capacidade para regulamentar e reduzir a perturbação do sossego nos municípios, bem como, os prefeitos são competentes para organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local e por meio de suas Guardas Municipais poderiam fazer uma excelente fiscalização para garantir a tranquilidade da comunidade local.

Não podemos esquecer jamais que o SUSP – Sistema Único de Segurança Pública preconiza que os municípios são integrantes estratégicos de segurança pública e são obrigados a desenvolverem e implatarem planos municipais de segurança pública com políticas públicas de segurança que contemplem as especificidades e peculiaridades de suas populações de modo a garantir o direito fundamental e social do cidadão a segurança.

Dentro desse contexto é necessário lembrar que a lei nº 13.675 de 2018 que criou o SUSP deixa claro que as Guardas Municipais são órgãos operacionais de segurança pública e conforme prevê o Estatuto Geral das Guardas Municipais, esses órgãos possuem 18 competências específicas e dentre elas destaca-se: “integrar-se com os demais órgãos de poder de polícia administrativa, visando a contribuir para a normatização e a fiscalização das posturas e ordenamento urbano municipal”.

A busca por uma sociedade justa, livre e solidária, passa necessariamente, pelo papel dos municípios na gestão da segurança pública como atores principais e assumindo de uma vez por todas os seus deveres enquanto entes federados e autônomos com prefeitos e vereadores eleitos pelo povo para administrarem e legislarem respectivamente em favor dos interesses da sociedade.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A Nova Era do Desejo Digital: O Morango do Amor virou um fenômeno cultural – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:4 Minute, 12 Second

O Morango do Amor virou um fenômeno cultural ao mostrar como um simples doce pode se transformar em desejo coletivo com a força do branding

Por que um morango mergulhado no chocolate virou o produto mais desejado do país nos últimos dias? A pergunta parece simples, mas a resposta revela muito sobre comportamento digital, marketing afetivo e branding de experiência. O “Morango do Amor” não é apenas uma sobremesa bonita, ele é um fenômeno cultural.

O movimento pode ser comparado ao sucesso do pistache, que também viralizou, mas de forma diferente. As pessoas não buscavam um doce específico com pistache, buscavam qualquer coisa com pistache. O que está acontecendo com o morango do amor é inédito: é a primeira vez, fora datas comemorativas como Páscoa, Natal ou Dia dos Namorados, que um único doce alcança tamanha força espontânea nas redes sociais.

O morango do amor é, acima de tudo, instagramável. A composição visual é praticamente feita para viralizar: o vermelho vivo da fruta, o brilho do chocolate, os confeitos coloridos, corações e embalagens cuidadosamente montadas. Basta um vídeo bem-feito ou até mesmo malfeito para despertar o desejo.

Esse é o ponto onde branding e marketing digital se encontram: no digital, estética é argumento de venda. Um produto visualmente atraente, mesmo simples, chama atenção e se transforma em objeto de desejo. Em um ambiente ruidoso, o morango do amor tem a força de fazer o consumidor parar de rolar o feed.

Mas não é só o visual. O morango do amor carrega consigo uma narrativa afetiva. Ele representa mimo, carinho, romantismo e cuidado. O nome já diz tudo, não é só um doce, é um gesto. Casais trocam, mães presenteiam filhos, pessoas se dão de presente. E isso reforça uma lição poderosa do branding: quando um produto se conecta com a emoção, ele se torna inesquecível.

O que diferencia o morango do amor não é apenas o sabor, é a experiência. A sobremesa vem carregada de memória, sensação e intenção. A estética seduz, mas é o significado que fideliza.

O marketing espontâneo venceu novamente

A explosão desse doce nas redes é, acima de tudo, um case de marketing espontâneo e orgânico. O morango do amor viralizou sem campanha paga e sem grandes marcas por trás. Bastaram vídeos curtos, histórias reais e gente comum postando seus acertos e erros na receita. Influenciadores, confeiteiros, donas de casa e até iniciantes na cozinha ajudaram a espalhar a tendência. E aqui está uma lição importante: não é a perfeição que viraliza, é a autenticidade. Erros divertidos, tutoriais simples e bastidores da produção foi o que gerou identificação, engajamento e desejo.

Se você tem um negócio, físico ou digital, o morango do amor ensina três verdades fundamentais:

  • Um produto simples pode virar especial com branding
    O que transforma é o cuidado na apresentação. A embalagem, a entrega, o nome.
  • Venda por impulso exige conveniência
    É preciso estar onde o desejo surge. Por exemplo, no feed do Instagram, balcão da cafeteria, checkout da loja virtual etc.
  • A experiência é o que faz o cliente voltar
    Quando o consumidor se encanta, ele compra de novo, indica e ainda compartilha.

Além disso, empreendedores que souberem aproveitar o hype não apenas venderão mais, mas criarão marcas próprias, com personalidade, estilo e presença. O morango do amor é a porta de entrada para centenas de pequenos negócios tocados por mulheres, muitas vezes com investimento mínimo e retorno imediato. Isso é branding pessoal na prática. E como aplicar isso no seu marketing?

Aqui vão três passos simples e eficazes:

  • Capriche na estética
    Seja doce, post ou e-book, a apresentação importa. Invista em imagens, detalhes, embalagens, legendas bem escritas.
  • Facilite a compra por impulso
    Use botões de compra visíveis, ofereça brindes e crie oportunidades de desejo. No físico ou no digital.
  • Conte uma boa história
    Quem faz, por que faz, como faz. No caso do morango do amor, é a vendedora da praça que sorri, é o artesão que embala um a um com cuidado. Tudo isso conecta.

Branding é emoção. E emoção vende!

O sucesso do morango do amor reforça que vender é encantar. É provocar sentimento, criar identificação e despertar vontade. E mais: mostra que você não precisa de um grande orçamento para ter um grande resultado. Só precisa de uma boa ideia e um estética bem cuidada para transformar o seu produto na alma no negócio. No fim, o morango do amor virou mais que uma sobremesa. Virou símbolo. Virou desejo. Virou lição. Agora pense: qual é o “morango do amor” do seu negócio? Qual produto ou serviço você pode transformar em desejo, só cuidando da forma como ele é visto, oferecido e vivido?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Humildade! Por onde andas? – por Celso Tracco

1 0
Read Time:2 Minute, 59 Second

Estamos vivendo em uma sociedade caótica. Somos diariamente expostos a fatos e notícias onde a ética, moral, respeito mútuo, compaixão, solidariedade, inclusão, entre outras virtudes sociais, não fazem parte do conteúdo noticiado. Ademais, as perspectivas futuras, não são nada animadoras. Será que estamos em um caminho sem volta, rumo ao caos? Prefiro pensar de um modo, digamos, mais otimista, afinal a humanidade já passou por muitos períodos turbulentos e conseguiu superá-los. Toda e qualquer anormalidade social, envolve todos os indivíduos pertencentes a essa sociedade. Portanto, penso ser muito importante termos consciência que se há um problema, somos parte deste problema e civilizadamente, devemos ser parte da solução.

Iniciando nossa reflexão, julgo ser importante desenvolvermos para a nossa vida cotidiana, uma virtude muito difícil de se encontrar hoje em dia: a humildade. Desde logo deixo claro que ser humilde, não significa ser uma pessoa passiva, inerte, contemplativa, alienada do mundo e de suas contradições. Pelo contrário, a humildade deve ser uma característica de uma pessoa ativa, participante e envolvida com sua comunidade. Ter atitude humilde e coerente, não é fácil, primeiro requer uma profunda reflexão interna sobre nós mesmos. A humildade é uma atitude que deve vir de dentro de nós. Coração, mente e espírito em comunhão. Não é apenas racional ou emocional, é algo maior com uma ampla dose de espiritualidade. A humildade não deve ser ocasional, mas um modo de vida. Uma atitude consciente e coerente com o nosso viver. Requer muita energia interna, muita reflexão e muita força de vontade. Parece desanimador? Sim, não é fácil, mas os ganhos podem ser incalculáveis. Paz e serenidade com você mesmo, não tem preço.

Reconhecer que somos seres humanos iguais a qualquer outro, nem melhores, nem piores, é um gesto de coragem e nobreza. Tendemos a pensar que quem não tem a nossa cor da pele, nossa confissão religiosa, nosso grau de instrução, nossa opção sexual, nossa ideologia, não está do “lado certo da história”. Ser humilde é construir “pontes” e não “muros”. É tratar, no dia a dia, qualquer ser humano de qualquer etnia, sexo ou idade, com a mesma dignidade e atenção que gostaríamos de sermos tratados. Ser humilde é respeitar, por princípio, a individualidade de cada pessoa humana.

Exercer a humildade, também é uma chave para aumentar nosso conhecimento. A ativa comunicação com os demais, desde que livre de preconceitos e de parâmetros pré-estabelecidos, nos leva a enxergar uma realidade com outros olhos. E surpresa! Esse novo olhar pode ser mais adequado que o anterior. Para novos conhecimentos é preciso ter o pensamento aberto para recebê-los. Caso já saiba de tudo, não preciso aprender mais nada e fecho a possibilidade de um possível crescimento intelectual.

Quem pratica a humildade tende a ver o mundo com muito mais amor, compaixão, sobriedade, equilíbrio, equidade, dando e recebendo dignidade no contato com outras pessoas. Agir com humildade torna a convivência, muito mais humanizada, equilibrada e pacífica. Não somos melhores que ninguém, evidente que somos diferentes, que pensamos diferente, que vivemos de modo diferente, mas isso não significa que não possamos conviver com o diferente de maneira cordial e convergente. A atitude humilde pode nos afastar da barbárie que a sociedade atual, parece querer nos impor. Amigo leitor, amiga leitora aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante. Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A embriaguez ao volante e a omissão dos municípios – por Ramon Soares

2 0
Read Time:3 Minute, 38 Second

Em 2021, um ano após o auge da pandemia, o Brasil registrou quase 11 mil óbitos e 76 mil hospitalizações em decorrência de acidentes de trânsito provocados pelo consumo de álcool. Somente nos anos de 2023 e 2024, a combinação entre álcool e direção causou a morte de mais de 2.400 pessoas no país, segundo dados do Jornal da USP.

A embriaguez ao volante, crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ocorre quando alguém conduz um veículo sob a influência de álcool ou de substâncias psicoativas que alterem a capacidade psicomotora. As penalidades incluem detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Trata-se de um crime de perigo abstrato, ou seja, não exige a comprovação de um dano concreto para sua caracterização.

Mais recentemente, no último dia 17, uma menina de 11 anos morreu após ser atropelada por uma caminhonete cujo condutor, embriagado, fugiu do local. Ele foi preso pouco depois pela polícia, no município de Itaquaquecetuba (SP).

As estatísticas relacionadas a esse tipo de ocorrência, no entanto, não são em sua maioria confiáveis, já que muitos acidentes não são registrados quando não há vítimas fatais. Isso se deve, principalmente, à falta de estrutura policial e de delegacias para o registro de ocorrências em diversos municípios do país.

No que diz respeito aos municípios, estes têm competência legal para atuar na fiscalização e na educação com foco na prevenção de mortes no trânsito — especialmente envolvendo motoristas embriagados. A prevenção, afinal, é sempre a melhor medida.

Segundo a Constituição Federal, compete aos municípios organizar e prestar, direta ou indiretamente, os serviços públicos de interesse local. Entre esses serviços está o trânsito. Ao integrar o Sistema Nacional de Trânsito, o município assume a responsabilidade pela gestão do tráfego local, incluindo planejamento, fiscalização e educação — o que, na prática, infelizmente nem sempre ocorre.

Com a vigência da Lei nº 14.599/2023, os municípios passaram a ter a obrigação de fiscalizar, por meio de suas instituições (como agentes de trânsito e guardas municipais), a condução de veículos por motoristas embriagados. São esses motoristas os responsáveis por verdadeiras tragédias familiares, como no caso da menina de 11 anos — entre tantos outros que se repetem ano após ano.

O SUSP – Sistema Único de Segurança Pública – foi instituído em 2018 por meio da Lei nº 13.675. De acordo com o próprio SUSP, os municípios são considerados entes estratégicos na área da segurança pública, ou seja, são responsáveis por definir estratégias dentro do âmbito de suas competências.

As Guardas Municipais e os Departamentos de Trânsito, por sua vez, são classificados pelo SUSP como órgãos operacionais. Vale lembrar que a Constituição Federal estabelece a segurança como um direito fundamental e social do cidadão, atribuindo aos municípios a responsabilidade pela prevenção primária em tudo aquilo que envolve o interesse local.

Diante disso, surge um questionamento: por que os municípios ainda não atuam de forma efetiva na segurança do trânsito, visando à redução de danos, mortes e crimes em geral? Por que essa inércia? Já passou da hora de os municípios assumirem, de fato, o papel que lhes foi conferido pela Constituição Federal.

É imprescindível que a fiscalização e a educação no trânsito sejam priorizadas pelos municípios, sobretudo no que diz respeito à embriaguez ao volante — um comportamento ainda comum e, de certa forma, aceito socialmente enquanto não provoca mortes de inocentes.

Na realidade, porém, a situação é outra, como se pode observar:

  • Não somos surpreendidos, enquanto motoristas, por operações, bloqueios ou blitzes policiais com o objetivo de prevenção ou repressão, promovidas por policiais ou agentes de trânsito munidos de talonários de multa e bafômetros;
  • Não vemos campanhas educativas em bares, baladas e estabelecimentos noturnos;
  • O tema raramente é abordado nas escolas, mesmo entre adolescentes prestes a se tornarem adultos e potenciais motoristas;
  • O assunto é praticamente inexistente em espaços culturais como teatros, cinemas, shows públicos ou privados.

Os gestores de Segurança Pública e Trânsito dos municípios devem — e esse é o verbo correto — se empenhar de forma ativa na fiscalização do trânsito, sem esperar que ocorram tragédias para, só então, agir.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: