“Menas” não existe! – por Tom Moisés

0 0
Read Time:1 Minute, 45 Second

Meu tímpano está doendo até agora. Ontem um colega chegou pra mim e disse:

  • “Ano que vem tem Copa do Mundo, “to pricisano” de “aprendê” “ingrês””.
  • “O quê?” Eu perguntei, pois claro que ele não falaria inglês com “r”.
  • “Eu disse que “to pricisano” de “aprendê” “ingrês””.

Nossa! E não foi que ele repetiu, pensei.

  • “Acho que primeiro você deveria aprender o português”. Eu o adverti.
  • Não, não! “Nu portugues eu já sô bão. “Tô “pricisano mesmo é de falá ingrês”.

Tudo bem que “herrrar é Umano” mas, como dói os nossos tímpanos ao ouvirmos certas expressões erradas, hein?!

Muita utopia da minha parte sonhar que um dia as pessoas irão ler mais, saber mais e utilizarem melhor a língua (refiro-me ao uso correto do idioma).

Mas, errar não é “privilégio” apenas dos mortais que falam. Muitas vezes, os que escrevem também cometem erros quase que imperdoáveis. Aquele que ao escrever nunca errou, que atire a primeira caneta; se encontrarem alguma, né? Pois até as canetas estão desaparecendo.

Outro dia ouvir alguém dizer “menas gente”. Fiquei tão preocupado que resolvi escrever a respeito, para informar e esclarecer aos que ainda não sabem que a palavra “menas” não existe. É uma expressão incorreta, errada e que agride os ouvidos. É tão errada que até o computador não deixou eu escrevê-la. Ele corrigia sozinho. Eu tentava escrever “menas” e ele sozinho corrigia para “menos”.

A palavra “menos” significa o contrário de “mais”, em menor quantidade, comparativo de pouco. A palavra “menas” não existe. Não existe “menas gente, menas palavras, menas coisas”. O que existe são menos gente, menos palavras e menos coisas. Para alguns pode até parecer estranho, mas é assim que é o certo, pode pesquisar. E também podem confiar nesta informação. Em matemática eu “num sô bão não; mais nu portugueis eu agarato”.

E você? Tem algum erro de português que quando você ouve te incomoda?


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Por que você e sua empresa precisam da assessoria de imprensa na era da inteligência artificial – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:3 Minute, 12 Second

A Inteligência Artificial mudou a forma como nos comunicamos, buscamos informações e consumimos conteúdo. Ferramentas como ChatGPT e Perplexity já fazem parte do cotidiano de usuários e empresas. No entanto, quando o assunto é visibilidade, credibilidade e reputação da sua marca pessoal ou da sua empresa, a assessoria de imprensa nunca foi tão necessária.

Um estudo da Web Estratégica mostra que, entre julho de 2024 e agosto de 2025, apenas 0,5% do tráfego de sites no Brasil veio de ferramentas de IA. Já os buscadores tradicionais, como o Google, responderam por 23,85%. Em outras palavras, a IA ainda não substitui os canais consolidados. Porém, está se tornando um espaço decisivo para visibilidade e autoridade de marca. E é exatamente aí que a assessoria de imprensa assume um papel estratégico: garantir que sua empresa seja reconhecida como fonte confiável tanto pelos buscadores quanto pelas IAs generativas.

Como a assessoria de imprensa se transforma com a IA

Fonte de autoridade e credibilidade
Menções em veículos confiáveis funcionam como um “selo de qualidade” para algoritmos de busca e de IA. A assessoria constrói essa presença editorial, aumentando as chances de você e sua empresa serem citados como referência em respostas automáticas.

Visibilidade nos resumos de IA (GEO)
Enquanto o SEO tradicional busca cliques e links, a assessoria trabalha para que você e sua marca sejam lembrados nas respostas geradas por IA, que priorizam consistência e credibilidade.

Gestão de reputação em um novo ecossistema
Se antes bastava acompanhar a mídia e as redes sociais, hoje também é preciso monitorar como você ou sua marca aparecem em plataformas de IA. A assessoria corrige narrativas, garantindo que você e sua empresa sejam representados com clareza e transparência.

Conteúdo rico e estruturado
A IA precisa de informações consistentes para referenciar uma marca ou profissional. A assessoria produz comunicados, artigos e entrevistas bem formatados, capazes de alimentar jornalistas e algoritmos ao mesmo tempo.

Mais tempo para relações humanas
Com tarefas repetitivas sendo automatizadas, a assessoria de imprensa pode focar no que nenhuma IA substitui: a construção de relacionamentos genuínos com jornalistas e influenciadores, base da credibilidade.

Por que isso importa para a sua empresa

O estudo da Web Estratégica deixa claro que a IA ainda não é um canal de tráfego consolidado, mas já influencia a visibilidade de marca. Isso significa que o jogo ficou mais complexo e que a disputa não será apenas por cliques, mas por credibilidade. Marcas e profissionais que aparecerem como fontes confiáveis em veículos de imprensa terão mais chances de serem citados nos resumos gerados por IA conquistando autoridade em um cenário cada vez mais competitivo.

Ou seja, mais do que buscar espaço, você e sua empresa precisam garantir a narrativa correta nos lugares certos. Essa curadoria estratégica, baseada em dados, relacionamento e reputação, é exatamente o que a assessoria de imprensa entrega.

Na era da Inteligência Artificial, a assessoria de imprensa não se torna obsoleta. Pelo contrário, se fortalece. Enquanto a tecnologia automatiza processos, o assessor potencializa a comunicação com estratégia, ética e visão de longo prazo. Investir em assessoria de imprensa hoje é preparar sua marca para o futuro, garantindo presença não só nas manchetes da imprensa e nos buscadores, mas também nas respostas que as IAs entregam diariamente a milhões de pessoas.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Adolescentes mentem? – por Dra. Vera Resende

0 0
Read Time:3 Minute, 0 Second

Recebi a mensagem de uma mãe preocupada em saber como lidar com filhos adolescentes que mentem. Essa questão nos leva a refletir sobre a forma como a comunicação se desenvolve entre os membros da família. Uma distorção nesse processo pode gerar dificuldades desde a infância e tende a se agravar na adolescência.

É fundamental instaurar hábitos de abordagem respeitosa, se o objetivo for o respeito mútuo, com transparência e coerência entre discurso e comportamento. Quem não conversou com a criança dificilmente conseguirá dialogar com o adolescente, nem obterá respostas, se nunca demonstrou interesse sincero pelo cotidiano dos filhos. Já ouvi no consultório jovens manifestarem irritação e estranhamento diante do interesse tardio de pai ou mãe. É na construção do diálogo respeitoso e acolhedor que os pais conseguem distinguir a omissão da verdade da mentira.

Na omissão de um acontecimento ou experiência, o adolescente apenas não relata detalhes ou todo o evento, por inibição, receio ou medo. Isso acontece porque ele começa a construir seu próprio universo e nem todas as experiências serão compartilhadas, já que deseja garantir sua privacidade. Já a mentira envolve a substituição da verdade por uma narrativa inventada, que exige enredos entrelaçados. É mais grave e requer atenção. Daí a importância de estabelecer confiança mútua, por meio de um espaço emocional suficientemente acolhedor para permitir as manifestações do filho.

Vale ressaltar que as mentiras se organizam em torno do sistema de valores da família. Adultos que mentem na frente dos filhos autorizam, ainda que indiretamente, que eles repitam esse comportamento. Envolvê-los em situações mentirosas, mesmo as aparentemente inofensivas, pode gerar atitudes reprováveis no futuro. Crianças percebem, por exemplo, quando adultos dão um “calote” em alguém, ou quando são chamadas à cumplicidade em pequenos delitos dos pais, com frases como:

“Não conte que eu comprei…”
“Não conte que vi ou falei com tal pessoa.”
“Não conte que fui a tal lugar.”
“Me ajude a esconder…”

No outro extremo, a rigidez excessiva também pode obstruir o canal de comunicação. Famílias muito restritivas e autoritárias encontram maior dificuldade para dialogar e, muitas vezes, não sabem ouvir o que o jovem tem a dizer. Nesse contexto, adolescentes podem mentir sobre qualquer experiência pessoal, desde o desempenho escolar até acontecimentos cotidianos.

Adolescentes tendem a mentir quando não confiam nos pais, quando não existe espaço para diálogo e quando, em vez de respeito, sentem medo. O autoritarismo e o desrespeito às individualidades são grandes vilões da interação familiar.

A autoridade paterna existe por si só, não precisa ser conquistada nem imposta. Quando os pais são inseguros, recorrem ao autoritarismo, que se expressa em gritos, punições desproporcionais e indiferença ao estágio de desenvolvimento dos filhos. Essas atitudes promovem distanciamento e confronto.

A adolescência é uma fase natural de questionamento de valores e princípios. Invariavelmente, os pais se sentem desafiados pelas questões colocadas pelos filhos e, muitas vezes, reagem com temor. Nesses casos, é recomendável buscar ajuda profissional antes que a situação fuja ao controle.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A poda necessária – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 18 Second

Uma família tinha um pequeno sítio e o único bem que possuíam era uma vaca leiteira. Da vaca tiravam vários litros de leite todos os dias, o suficiente para alimentar a família, pai mãe e um filho já adolescente. Com o leite faziam alguns poucos produtos como queijo e doces que eles trocavam por outros bens essenciais quando iam até a feira de uma cidade próxima. A vida não tinha nenhuma perspectiva para a família sitiante, na verdade ela não vivia, apenas sobrevivia, acomodada nessa situação de tirar o leite da vaquinha. Mas um dia, veio a tragedia: a vaquinha morreu. Não se deram conta que o animal já estava doente e não cuidaram de sua principal fonte de alimento. E agora o que fazer? Passado o torpor do luto, a necessidade se impôs e começaram a plantar, criar outros animais, produzir novas fontes de renda. O jovem saiu para buscar ajuda, estabeleceu novos contatos e adquiriu novos conhecimentos que fizeram a família progredir como nunca tinham imaginado. Passado algum tempo e vendo o resultado dos esforços de todos, até agradeceram a morte da vaquinha. Me sirvo desta pequena história para entrar no tema do artigo: muitas vezes em nossa vida, uma boa poda é necessária.

De tempos em tempos precisamos refletir se ainda estamos carregando “malas” cheias de coisas que já não produzem mais nenhum prazer. Foram até uteis no passado, mas hoje são peso morto. É preciso se livrar deles e mudar. Isto nos abrirá a possibilidade de uma renovação constante, consciente para uma vida nova e revigorada. Vamos nos dispor a renascer, nos livrando do que está velho, sem uso, ultrapassado e cuidando de tornar vigorosas novas fontes de satisfação pessoal.

Para isso, são necessárias duas atitudes: acreditar no novo e vencer o medo de mudar. O medo é nossa reação natural ao que interpretamos como uma ameaça, algo que entendemos que é mais forte do que nossa capacidade de enfrentá-la. Assim, nosso medo é consequência de nossa falta de confiança em superar os desdobramentos de uma mudança. Caso não encontremos dentro de nós essa confiança, não devemos ter dúvida em procurar alguma ajuda externa. A ajuda de alguém competente é a melhor maneira de nos capacitarmos para novas tarefas e situações. Isso nos ajudará a vencer o medo da novidade.

A outra atitude é ter a esperança de acreditar que o novo será melhor. A esperança é essencial para a vida, pois sem ela nosso ímpeto de viver desaparece. Caso não consigamos responder por que viver vale a pena, há grande probabilidade de entrarmos em depressão. De muitas formas, a vida é mesmo uma luta e tem muitos momentos difíceis. Tomar nossas vidas em nossas mãos, deixando de ser “vítimas do destino” e nos assumirmos como agentes de nós mesmos é o caminho mais direto para reinventá-la e melhorá-la dia a dia.

Em geral somos melhores do que imaginamos ser. É comum que as críticas que ouvimos em alguns momentos de nossas vidas tenham feito alguns estragos em nossa autoestima. Mas nossa capacidade humana de ter fé em nós mesmo e ter esperança em que vamos melhorar, faz toda a diferença. Manter a mente aberta às novas oportunidades e ter coragem para desfazer-se de coisas velhas e obsoletas é o um bom caminho para uma vida melhor e mais produtiva. Não tenha medo de se livrar de “sua vaquinha” e aproveite cada dia de sua vida.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Bonificação para guardas municipais que recuperarem motos roubadas, furtadas ou com sinais adulterados em São Paulo – por Ramon Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 40 Second

A Prefeitura de São Paulo saiu na frente no enfrentamento da criminalidade relacionada ao uso de motocicletas, ao adotar uma medida inovadora: bonificar os agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que recuperarem motos roubadas, furtadas ou com sinais identificadores adulterados. A proposta prevê o pagamento de uma indenização direta aos guardas envolvidos nas apreensões, como forma de incentivo e reconhecimento ao trabalho realizado.

Mesmo antes do pagamento das primeiras bonificações, a política já demonstrou resultados positivos: as apreensões realizadas apenas no mês de setembro superaram todas as ocorridas entre janeiro e agosto, indicando o engajamento imediato dos agentes.

Embora tenha sido alvo de críticas por parte da oposição, a medida vem sendo amplamente elogiada pela população, especialmente por quem teve sua motocicleta recuperada. Não se trata de um incentivo ao “faroeste urbano”, mas, de mais uma ferramenta colocada à disposição da segurança pública em uma metrópole com os desafios de São Paulo.

O mais significativo, porém, é que essa iniciativa aponta para uma tendência importante: a assunção, por parte dos prefeitos, de uma responsabilidade mais ativa pela segurança pública local — um tema historicamente tratado como competência exclusiva dos estados.

A realidade brasileira mostra a urgência desse novo entendimento. Segundo dados do IBGE de 2024, mais da metade da população vive concentrada em apenas 387 dos mais de 5,5 mil municípios do país. Destes, 48 cidades concentram 30,9% da população, enquanto outros 339 abrigam 27,3%. Ou seja, políticas públicas de segurança adotadas nesses municípios têm potencial de impactar positivamente a vida da maioria dos brasileiros.

Prefeitos e vereadores precisam entender que cada crime evitado e cada criminoso preso trazem benefícios diretos para a comunidade. São Paulo, por ser uma referência nacional — com uma Guarda Civil Metropolitana de 7.500 integrantes, maior do que muitas polícias militares estaduais —, pode se tornar um modelo replicável em outras cidades. É claro que adaptações serão necessárias, mas os efeitos tendem a ser positivos.

É fundamental, no entanto, que medidas como essa sejam implementadas com responsabilidade, embasadas em estudos técnicos e parâmetros claros. A expansão desse tipo de política não pode ocorrer de forma indiscriminada, sob o risco de efeitos colaterais indesejados.

No Congresso Nacional, tramita atualmente a PEC 18 (projeto de emenda constitucional), que propõe alterações constitucionais na perspectiva jurídica das guardas municipais e no papel dos municípios em relação à segurança pública. A proposta conta com apoio de diversos parlamentares, inclusive da oposição, e poderá abrir espaço para que outras cidades adotem medidas semelhantes — algumas mais ousadas, outras mais conservadoras.

Esta atualização da Constituição Federal está muito atrasada. O que está sendo discutido hoje já deveria constar no texto constitucional desde a promulgação da Carta Magna em 1988. Ainda assim, “antes tarde do que mais tarde”. Trata-se do reconhecimento das Guardas Municipais como Polícias Municipais — uma função que já exercem, de fato. Com isso, os municípios passarão a ter mais autonomia e segurança jurídica para investirem segurança pública local, seguindo o exemplo do município de São Paulo.

Diante disso, é essencial que a sociedade permaneça vigilante. Não podemos retroceder com propostas que incentivem práticas perigosas, como o chamado “bônus faroeste”. Um exemplo preocupante é o Artigo 21 do Projeto de Lei nº 6.027/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que prevê:

“Fica garantido ao Policial Civil premiação em pecúnia, por mérito especial, […] em percentual mínimo de 10% e máximo de 150% dos vencimentos do servidor premiado […], em caso de o policial ser vitimado em serviço, efetuar a apreensão de armas de grande calibre ou de uso restrito, bem como em caso de neutralização de criminosos.”

Essa proposta, que vincula bonificações à morte de criminosos, retoma uma lógica ultrapassada e perigosa, que já se mostrou ineficaz e violadora de direitos.

Precisamos refletir, como sociedade, sobre que tipo de políticas de segurança pública queremos ver adotadas por nossos representantes. O equilíbrio entre incentivo ao bom desempenho e o respeito aos direitos humanos deve ser o norte para qualquer iniciativa nesse campo.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
100 %

Bom, ruim e terrível – por Tom Moisés

0 0
Read Time:1 Minute, 9 Second

BOM: É natal!
RUIM: Você está duro, quebrado e sem dinheiro para comprar presentes.
TERRÍVEL: Para piorar não vai ganhar nada de ninguém.

BOM: Sua esposa está grávida.
RUIM: São trigêmeos.
TERRÍVEL: Você fez vasectomia no ano passado e não contou para ninguém.

BOM: Sua esposa não fala mais com você.
RUIM: Ela quer o divórcio.
TERRÍVEL: Ela é advogada.

BOM: Seu filho passou da puberdade.
RUIM: Ele está envolvido com uma vizinha.
TERRÍVEL: Você também está.

BOM: Seu namorado entende de moda feminina.
RUIM: Ele usa a sua roupa.
TERRÍVEL: Fica melhor nele do que em você.

BOM: Você decide dar aula sexual para seus filhos.
RUIM: Eles te interrompem várias vezes.
TERRÍVEL: Eles te corrigem o tempo todo.

BOM: Sua namorada arranjou um emprego.
RUIM: Ela sempre vai trabalhar vestida de “piriguete”.
TERRÍVEL: Seus colegas de futebol dizem que são clientes dela.

BOM: Você conheceu uma gata na internet, pelo menos a foto era linda.
RUIM: Você resolve se revelar e ela diz que te conhece.
TERRÍVEL: Era sua sogra.

MORAL DA HISTÓRIA: Tá ruim? Não reclama! Aprenda a viver, superar e sorrir dos problemas. Loucura mesmo é fazermos sempre as mesmas coisas e esperarmos resultados diferentes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Economia prateada movimenta trilhões, mas segue invisível na publicidade e no mercado de trabalho – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:2 Minute, 57 Second

Eles têm experiência, estabilidade financeira e representam quase um terço do consumo brasileiro. Mesmo assim, continuam invisíveis na publicidade e no mercado de trabalho. Estamos falando da geração 50+, que movimenta cifras bilionárias e segue sendo tratada como coadjuvante nas estratégias das empresas.

O Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado. Até 2044, serão 75 milhões de pessoas acima dos 60 anos, responsáveis por 35% de todo o consumo nacional. Só em 2024, a chamada economia prateada girou R$ 1,8 trilhão e deve dobrar em apenas 20 anos. Hoje, esse público já representa 20% do consumo brasileiro, segundo o Sebrae, e desperta a atenção de empresas em diversos setores.

Apesar desse potencial gigantesco, a contradição persiste: enquanto são essenciais como consumidores, profissionais 50+ enfrentam invisibilidade no mercado de trabalho e na comunicação. Para muitas empresas, ainda somos “novos para aposentar, mas velhos para contratar”. O resultado? Pessoas experientes que poderiam impulsionar resultados estratégicos permanecem subutilizadas, enquanto marcas perdem a chance de se conectar de forma genuína com o público maduro.

Inclusão é estratégia, não caridade

A inclusão de profissionais maduros não é apenas uma pauta social; é uma decisão estratégica. Ter pessoas acima de 40, 50, 60 ou até 70 anos em posições operacionais, médias ou de decisão permite compreender melhor o comportamento desse consumidor e construir ofertas mais relevantes. Além disso, a geração prateada traz atributos que impactam diretamente na performance: comprometimento, responsabilidade, inteligência emocional, disciplina e prudência.

Empresas que sabem valorizar essas qualidades aumentam a produtividade, reduzem retrabalho e formam equipes mais engajadas. É um diferencial competitivo que não pode ser ignorado.

Como integrar essa geração à comunicação das marcas

Não basta contratar, é preciso dar voz e visibilidade a esses profissionais. Veja alguns caminhos práticos:

  • Campanhas publicitárias inclusivas: mostrar pessoas maduras usando produtos ou serviços reforça representatividade e gera identificação.
  • Conteúdos educativos: profissionais 50+ podem compartilhar conhecimento técnico em vídeos, artigos, webinars e podcasts, humanizando a marca.
  • Porta-vozes experientes: executivos mais velhos podem assumir protagonismo em entrevistas e matérias, fortalecendo a credibilidade institucional.
  • Mentorias e programas internos: integrar colaboradores maduros em treinamentos reforça expertise e cria histórias inspiradoras para a comunicação externa.
  • Marketing segmentado: campanhas digitais voltadas ao público 50+ mostram que a marca fala diretamente com eles, de forma autêntica e relevante.

O mundo já aponta caminhos

Marcas globais como Dove, L’Oréal e Nike já apostaram em campanhas que valorizam a diversidade geracional e mostraram resultados positivos de engajamento e reputação. Se o mercado internacional entendeu que inclusão vende, por que ainda insistimos em tratar esse público como invisível?

A decisão está nas mãos das empresas

As marcas que compreenderem o poder da economia prateada saem na frente. Não se trata apenas de empatia ou responsabilidade social, mas de estratégia para acessar um mercado trilionário que busca representatividade e identificação.

A economia prateada não é o futuro, é o presente.

A questão é: sua empresa vai continuar ignorando esse público ou vai liderar a transformação?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Atividade física é o melhor remédio para prevenir dores e lesões ortopédicas – por Dr. Guilherme Falótico

1 0
Read Time:2 Minute, 55 Second

Você sabia que a chave para evitar dores nas costas, lesões no joelho e desgaste articular pode estar mais próxima do que se imagina? A resposta não está necessariamente em remédios ou procedimentos complexos, mas em um hábito simples e acessível: a prática regular de atividade física.

Embora ainda exista a ideia de que se movimentar pode “gastar” as articulações, estudos mostram justamente o contrário. O corpo humano foi feito para se movimentar e o exercício cumpre papel fundamental na manutenção da saúde musculoesquelética.

Explico abaixo por que a atividade física é a sua maior aliada na prevenção de problemas ortopédicos em todas as fases da vida.

Por que o movimento é essencial

A atividade física regular atua como uma forma de “manutenção preventiva” do sistema ortopédico:

  • Fortalece a musculatura: músculos fortes funcionam como suporte para ossos e articulações, absorvendo impactos e reduzindo a sobrecarga.
  • Melhora a densidade óssea: exercícios com carga controlada, como caminhada e musculação, estimulam a formação de massa óssea, ajudando a prevenir a osteoporose.
  • Nutre as articulações: o movimento favorece a circulação do líquido sinovial, responsável por lubrificar e nutrir as cartilagens.
  • Mantém a flexibilidade: alongamentos e exercícios de amplitude preservam a elasticidade muscular e a mobilidade articular.

Sedentarismo e seus impactos

Os efeitos da falta de movimento atingem diferentes perfis:

  • Adultos que passam muitas horas sentados: a inatividade enfraquece a musculatura lombar, aumentando os casos de dor nas costas.
  • Pessoas acima do peso: o excesso de carga sobre joelhos, quadril e tornozelos acelera o desgaste das articulações e favorece a artrose.
  • Idosos: a perda natural de massa muscular (sarcopenia) e óssea (osteoporose) torna o exercício ainda mais decisivo para manter independência e qualidade de vida.

Qual a dose ideal de exercício

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, como caminhada rápida, natação ou ciclismo, além de duas a três sessões semanais de fortalecimento muscular, incluindo modalidades como musculação, pilates ou treino funcional. A regularidade é mais importante que a intensidade.

E quem já sente dores?

Mesmo em casos de dores ou condições ortopédicas, o movimento continua sendo aliado. A prática orientada é parte essencial do tratamento, desde que respeite os limites de cada paciente. Um ortopedista especializado pode indicar quais atividades são seguras e, muitas vezes, a fisioterapia especializada utiliza o exercício/movimento como ferramenta de reabilitação, fortalecendo a região afetada sem agravar a lesão.

A mensagem central é clara: movimentar-se é uma estratégia eficaz e acessível para preservar a saúde ortopédica em todas as fases da vida. Cada passo dado hoje representa um investimento valioso na qualidade de vida do futuro.

Consulte um ortopedista para uma avaliação personalizada e orientações sobre quais atividades são mais indicadas para o seu biotipo, idade e objetivos. Agende uma consulta e comece hoje mesmo a transformar sua saúde ortopédica. Seu futuro agradecerá por cada passo que você der agora!


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Tempos de Primavera – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 17 Second

No hemisfério sul, entre os dias 22 e 23 de setembro, tem início a primavera, a estação das flores. No Brasil, no dia 21 de setembro comemoramos o Dia da Árvore. A data foi instituída e oficializada em 1965, porém deste os primórdios do século XX tem-se notícias de festas populares, em São Paulo, celebrando o início da primavera e o dia da Árvore.

Com uma certa dose de saudade, lembro dos bons tempos de minha infância que nesse dia sempre alguma pessoa de destaque na comunidade, uma professora ou o diretor da escola, pública obviamente, plantava ainda que simbolicamente, uma pequena muda que com o tempo iria se transformar, em uma grande árvore. Ela iria crescer forte e silenciosamente, traria sombra, abrigo e alimento para outras espécies animais. Os alunos eram incentivados a cuidar, proteger as pequenas árvores. Hoje esses gestos continuam a ser louváveis e necessários, a grande maioria das prefeituras estimula o plantio de arvores, mas já não bastam. Em geral nossas cidades são cinza pelo concreto dos edifícios, quase não deixamos espaço para as pobres árvores, que para crescer, tem de se espremer entre muralhas de cimento. Não podemos nos dar ao luxo de falar poeticamente da importância de se preservar o verde.  O tema atualmente não é “apenas” a preservação do verde, mas muito mais ampliado. Precisamos falar de ecologia.

Ecologia, palavra derivada do grego que, numa tradução livre, significa estudo da casa. Assim podemos definir como estudo da casa, ou de modo mais genérico como o cuidado do lugar onde se vive. A ecologia está ligada ao estudo da vida, da casa da humanidade, do nosso planeta Terra.

Estamos cuidando bem de nossa casa? Estamos nos importando com aquilo que a mãe natureza nos proporcionou, graciosamente, para vivermos? Qual é a sua opinião. Para mim, parece claro que estamos sendo relapsos e desleixados com a nossa casa.

Senão vejamos: qual é situação dos rios e riachos que atravessam nossa cidade? Estão límpidos e podemos beber de suas águas, sem medo? Temos cuidado e consciência do lixo, orgânico e inorgânico que produzimos? De seu descarte adequado? Seu município tem ecopontos? Você sabe onde ficam? Já utilizou? Quando você se alimenta na rua, você tem o cuidado de descartar, adequadamente os resíduos produzidos, por sua ação? Ou simplesmente deixa na calçada, ou pior em algum bueiro?

 Estamos vivendo como se a destruição de nossa casa não nos afetasse. Sujamos o ar, a água, o solo, com uma enorme quantidade de lixo.  Qual é a herança que queremos deixar para nossos filhos e netos? Afinal eles não terão outro lar para viver.

O que podemos fazer? Primeiro devemos tomar consciência de nossos deveres e responsabilidades. Gastar menos recursos naturais, produzir menos poluição, reciclar, reutilizar o que for possível. Devemos incentivar e apoiar todas as iniciativas para despoluir nossas águas, mar, lagoas, lagos, rios e ribeirões. Devemos reciclar nosso lixo, quer seja industrial ou doméstico. Devemos procurar comprar produtos que verdadeiramente são amigos do meio-ambiente. Devemos nos reeducar para sermos parte da solução, uma vez que já somos parte do problema. Nossa casa comum está gritando por ajuda. Vamos cuidar dela o melhor possível. Afinal quem não gosta de morar em uma casa limpa, bem cheirosa, bonita e agradável? Conservar o meio ambiente e a natureza é conservar a vida, a nossa vida. Não é uma opção, é uma necessidade. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
100 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

PEC da Blindagem X PEC da Segurança Pública: A prioridade invertida da Câmara dos Deputados – por Reinaldo Monteiro

1 0
Read Time:4 Minute, 53 Second

Enquanto o Brasil enfrenta uma escalada alarmante na violência urbana, no tráfico de drogas, nos crimes contra a vida e no colapso da segurança pública em diversos estados, a Câmara dos Deputados parece caminhar em sentido contrário ao clamor popular. Em vez de acelerar o trâmite da chamada PEC da Segurança Pública, que busca fortalecer a atuação das forças policiais, garantir recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para todos os entes federados sem contingenciamento, organizar os Sistema Único de Segurança Pública – SUSP com atuação mais efetiva dos municípios na segurança pública básica e ampliar a proteção ao cidadão de bem, o Parlamento brasileiro resolveu dedicar sua atenção a uma proposta que escancara o fosso entre representantes e representados: a PEC da Blindagem.

O que é a PEC da Blindagem?

Apelidada assim por diversos veículos da imprensa e juristas críticos à proposta, essa Proposta de Emenda à Constituição visa alterar o rito de julgamento de parlamentares por crimes comuns, estabelecendo exigências mais rigorosas para que decisões judiciais não possam atingir deputados e senadores. Na prática, torna ainda mais difícil que um parlamentar seja investigado, processado ou punido pela Justiça — criando uma espécie de escudo institucional contra o combate à corrupção e ao crime, além favorecer a entrada do crime organizado no Congresso Nacional por meio de mandatos eletivos.

Sob o pretexto de “preservar a independência entre os Poderes”, a PEC da Blindagem cria mecanismos que podem obstruir ações penais contra políticos e até presidentes nacionais de partidos políticos, exigindo autorizações prévias do próprio Legislativo por meio do voto secreto para medidas que, em relação a qualquer outro cidadão, são regidas por princípios constitucionais da isonomia e do devido processo legal. Uma proposta que revela a total falta de espírito público, de responsabilidade de respeito aos eleitores e extrema desconexão com a realidade da maioria do povo brasileiro

A PEC da Segurança Pública: A invisível

Em contrapartida, está quase parada nas comissões e nos escaninhos da burocracia legislativa a PEC da Segurança Pública, uma proposta de interesse direto da população brasileira. Ela trata de temas urgentes: fortalecimento das guardas municipais, ampliação de recursos para policiamento ostensivo, maior organização e integração entre os diversos órgãos de segurança pública e entes federados, melhor e maior compartilhamentos de dados e informações para reforçar o combate ao crime organizado, além de outras medidas que buscam responder à sensação generalizada de impunidade e vulnerabilidade que toma conta das cidades brasileiras.

Por que essa proposta, tão necessária, permanece esquecida? A resposta está no desalinhamento entre o que o povo espera de seus representantes e o que esses representantes efetivamente fazem com o poder que recebem, ou seja, de forma inequívoca esses parlamentares demonstram que não estão preocupados com a segurança da população, pois, com o poder que receberam do povo por meio do voto deveriam aprovar projetos e propostas de interesse do eleitor que deu seu voto de confiança para ter suas demandas atendidas e, não ver a Câmara dos Deputados usar o mandato para proteger políticos que cometem crimes.

Falta de espírito público e a desconectividade com a realidade

A atuação da Câmara dos Deputados ao priorizar uma PEC que protege políticos em detrimento de uma que protege o povo revela a falência do espírito público que deveria guiar o mandato parlamentar. O espírito público é o comprometimento com o bem coletivo, com a justiça social, com o interesse nacional — e não com a autopreservação da classe política.

Em um momento em que milhões de brasileiros vivem reféns da criminalidade, quando mães enterram filhos vítimas da violência e policiais morrem em confronto com facções criminosas cada vez mais organizadas, é injustificável que a prioridade legislativa seja uma norma que dificulta a punição de criminosos de colarinho branco travestidos de representantes do povo.

Mais do que uma inversão de prioridades, isso revela uma desconexão completa com a necessidade da população. A sociedade quer proteção, justiça, segurança. Quer ver bandidos punidos — estejam eles nas ruas ou nos gabinetes em Brasília. Mas o Parlamento parece querer blindagem, foro privilegiado, e impunidade institucionalizada.

A mensagem perigosa: “Quem tem poder, tem escudo”

Ao promover a PEC da Blindagem, a Câmara envia uma mensagem simbólica devastadora: “quem tem poder, tem escudo”. Isso mina a confiança da população na democracia, alimenta discursos radicais, e enfraquece o próprio Estado de Direito. Afinal, se o próprio Legislativo age para proteger possíveis criminosos com mandato eletivo, como esperar que a população acredite que haverá justiça para o cidadão comum?

Conclusão: O Brasil precisa de parlamentares, não de cúmplices

A população brasileira clama por líderes comprometidos com o interesse público — não por cúmplices do crime organizado, da corrupção ou da impunidade. A inversão de prioridades entre a PEC da Blindagem e a PEC da Segurança Pública é um sintoma de um problema muito maior: o distanciamento entre representantes, sociedade e vida real, pois, não é de hoje que muitos políticos vivem em uma bolha e de dentro de seus gabinetes chiques, mansões e condomínios de luxo não conseguem enxergar o Brasil dos brasileiros.

É preciso que a sociedade civil organizada, a imprensa, os juristas, as entidades de classe e os cidadãos comuns pressionem o Congresso Nacional para que a PEC da Blindagem seja rejeitada e para que a PEC da Segurança Pública receba o protagonismo e a celeridade que merece. Segurança não pode ser um tema secundário em um país que conta corpos diariamente e tem seus policiais massacrados pelo crime organizado e, por vezes pelo próprio estado que não consegue garantir nem a segurança e a saúde de seus agentes.

Enquanto o Legislativo legisla em causa própria, o povo segue desprotegido — e a democracia, enfraquecida.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
1 13 14 15 16 17 21
error: