Formação geológica no interior de São Paulo reúne paisagens naturais, áreas de preservação, trilhas, cachoeiras e atrações de ecoturismo e aventura
A Cuesta de Botucatu, localizada no Centro-Oeste do estado de São Paulo, reúne algumas das paisagens naturais mais marcantes do território paulista e vem ganhando espaço como destino de ecoturismo e geoturismo.
A região é conhecida pelo relevo característico, formado por grandes paredões rochosos de um lado e áreas de declive mais suave do outro. O resultado é uma paisagem marcada por serras, morros, vales, cachoeiras e mirantes.
Além da importância turística, a Cuesta também possui relevância ambiental e científica, especialmente por sua relação com áreas de recarga do Aquífero Guarani.
Como surgiu a Cuesta de Botucatu?
A formação do relevo é resultado de milhões de anos de transformações geológicas na região da Bacia do Paraná.
Na base da formação está o arenito da Formação Botucatu, originado a partir de um antigo deserto de dunas. Por ser uma rocha porosa, o material tem papel importante na infiltração e circulação da água subterrânea.
Sobre essa camada está o basalto da Formação Serra Geral, originado por antigos derrames de lava. A diferença na resistência dessas rochas ao processo de erosão contribuiu para a formação do relevo que caracteriza a região atualmente.
Entre os cenários que se destacam estão formações como o complexo das Três Pedras e o chamado Gigante Adormecido.



Região reúne Mata Atlântica e Cerrado
A diversidade de altitudes, solos e características geográficas também faz da região uma importante área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado.
A proteção ambiental envolve diferentes Unidades de Conservação, entre elas a Área de Proteção Ambiental Cuesta Guarani, que abrange municípios como Botucatu, Anhembi, Avaré, Bofete, Pardinho, Pratânia, São Manuel, Itatinga, Torre de Pedra e Agudos.
Segundo a engenheira florestal e doutora em Ecologia Renata Cristina Batista Fonseca, o planejamento territorial é fundamental para preservar os recursos naturais da região.
“A conservação da Cuesta ocorre por meio de estratégias integradas. O Plano de Manejo da APA estabelece regras claras para proteger os recursos hídricos, a biodiversidade e garantir a conexão entre os trechos de mata nativa”, afirma.
A especialista também destaca que características como o relevo inclinado e os solos arenosos tornam algumas áreas mais suscetíveis à erosão quando ocorre a retirada da vegetação.
Turismo e aventura movimentam a região
A paisagem da Cuesta de Botucatu também tem impulsionado atividades ligadas ao turismo de natureza.
Trilhas, mirantes, cachoeiras, grutas, cicloturismo, rapel e observação de aves estão entre as experiências disponíveis na região.

Um dos principais pontos de visitação é o Ecoparque Pedra do Índio, que oferece vista para o vale da Cuesta e para o complexo das Três Pedras. O local também funciona como ponto de apoio para trilhas e atividades de aventura.
Outro destaque é o Parque Natural Municipal Cachoeira da Marta, área de preservação que conta com passarelas, mirantes e contato direto com as paisagens naturais da região.
Para a pesquisadora Renata Fonseca, o crescimento do turismo precisa estar associado à preservação ambiental.
“O turismo precisa caminhar junto com a preservação. Quando bem planejado, gera renda para as comunidades locais e incentiva a proteção da Cuesta”, afirma.
Saiba como visitar a Cuesta de Botucatu
Ecoparque Pedra do Índio
Atrativos: mirante para o vale da Cuesta e Três Pedras, trilhas, acesso a grutas, atividades de aventura, rapel e cicloturismo.
Horário: de terça-feira a domingo, das 8h às 17h.
Entrada: o local cobra taxa de visitação. O valor deve ser consultado antes da viagem. Atividades de aventura e travessias guiadas possuem cobrança à parte.
Acesso: zona rural de Botucatu, com acesso pela Rodovia Marechal Rondon, SP-300, na altura do km 232, seguido por trecho de estrada de terra sinalizada.
Parque Natural Municipal Cachoeira da Marta
Atrativos: passarelas, mirantes, cachoeiras e atividades de educação ambiental.
Horário: de terça-feira a domingo, das 9h às 16h, com entrada permitida até as 15h30.
Entrada: gratuita.
Acesso: Bairro Recanto Azul, próximo à Rodovia Marechal Rondon, SP-300, na altura do km 242.
Observação de aves
A região também é procurada por praticantes de birdwatching, com roteiros realizados em áreas de preservação e acompanhamento de guias locais.
A recomendação é utilizar calçado adequado para trilhas e, para quem deseja observar as espécies da região, levar binóculos.
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Fotos: Divulgação/Alesp
