A teoria da janela quebrada foi apresentada em 1982 nos Estados Unidos e estabelece uma relação de causalidade entre a desordem e a criminalidade. Os autores James Wilson e George Kelling demonstraram que, em uma casa desprotegida, se alguém arremessa uma pedra e quebra os vidros de uma janela e eles não são repostos imediatamente, aquela casa passa a ser considerada abandonada e será vandalizada. Mais ainda, os estudos mostraram que não existe uma grande diferença referente a vandalismo em bairros pobres e bairros ricos. Um carro abandonado em um bairro rico com uma janela quebrada também foi depenado rapidamente.
Em resumo a teoria procura provar que a população tende a respeitar o que está bem cuidado e que funciona. No entanto se algo está abandonado, sujo, sem alguém tomando conta, o bem imóvel, seja privado ou público, não é respeitado e pequenos delitos começam a ser cometidos: vandalismo, invasões, aglomeração de usuários de drogas. Porém, os delinquentes geralmente, começam pelos pequenos delitos e, sentindo que há impunidade, podem ir avançando para delitos mais graves.
Uso dessa teoria para uma reflexão: como está a “janela quebrada” em seu bairro, em sua cidade? Sendo mais específico, como são cuidadas as escolas municipais?
Cientistas políticos e sociais, são unanimes em afirmar que a educação escolar é a base de tudo. Sem um povo minimamente escolarizado nada dará certo: a mão de obra não será qualificada, não haverá o hábito de leitura, haverá maior agressividade, menor interesse em um aprendizado constante. Então, pergunto: estamos cuidando bem de nossas “janelas escolares”?
Atenção! Apesar da prioridade pelo cuidado e manutenção do equipamento público ser do governo municipal, a fiscalização deveria ser de todos os usuários. Lembre-se que qualquer equipamento público é construído e mantido com o dinheiro de impostos, portanto pertence à comunidade e também cabe a ela preservar.
Cansamos de ver na internet como são organizadas as escolas desde o básico, nos países mais desenvolvidos. As crianças antes de aprenderem as matérias tradicionais, aprendem a ter respeito! Respeito pelos funcionários, pelos professores, pelos seus colegas, pela escola. E aprendem, não com teoria de qualquer gênero, mas praticando. Aos alunos cabe a limpeza da escola, da sala de aula, dos banheiros, de manter a ordem. A alimentação é comum para todos: alunos, professores e funcionários, aprende-se que não pode haver diferenças. Os alunos mais antigos recepcionam os mais novos, mostrando como funciona a escola.
Em uma palavra a escola pertence a eles e cabe a eles cuidarem da escola. Quanta diferença para nós! Veja como está o chão no entorno de qualquer escola de seu bairro. Bem limpo ou cheio de restos de embalagens de comida e de refrigerantes? O que os pais dos alunos conhecem da escola? Os banheiros são higienizados, limpos, torneiras funcionando, toalhas de papel, lixeiras adequadas? Pais e responsáveis devem participar de reuniões que ocorrem durante o ano letivo.
A responsabilidade também é da comunidade. Inclusive no Brasil há vários exemplos de escolas públicas que foram assumidas pela comunidade, em bairros pobres e violentos. Com diálogo, disciplina e respeitando a dignidade dos alunos, a situação caótica mudou e eles responderam positivamente. Se não agimos com dignidade, respeito, educação e disciplina com uma criança, teremos a grande chance de ter um adolescente revoltado, alienado e agressivo.
Aproveite seu dia.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
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