O Arraiá do Solstício – por Celso Tracco

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As festas juninas, são sem dúvida, uma das mais importantes manifestações do folclore brasileiro. Arrisco dizer que são celebradas em todos os municípios brasileiros e em todas as classes sociais. No nordeste brasileiro, o chamado “São João” tem uma enorme importância social, econômica e política, ninguém deixa de comemorar. As festas juninas extrapolam os motivos religiosos que as impulsionaram no Brasil colonial. Os santos católicos, Santo Antônio, São João e São Pedro, que têm suas datas comemorativas em junho, são uma fundamental referência para a comunidade católica, mas as festas adquiriram um caráter ecumênico, sempre atraindo multidões. Mas, quais foram as suas origens, onde elas começaram?

As tribos que habitavam a Europa Ocidental, mesmo antes do Império Romano, tinham como principal indicador do calendário, o Sol. E suas principais festas aconteciam no verão do Hemisfério Norte, que ocorre entre os meses de junho a agosto. Estas festas, denominadas pagãs, tinham seu ápice no Solstício de Verão, por volta do dia 21 de junho. Os povos dessas tribos realizavam rituais para marcar o início das colheitas, pedir proteção aos seus deuses, celebrar a fertilidade da terra. Eram comuns os elementos, como: fogueiras, danças específicas para a ocasião, comidas com os grãos recém-colhidos, celebrações comunitárias. O próprio Império Romano tinha suas festas para celebrar o verão e o solstício. Eram chamadas de Vestália, que acontecia em junho, em homenagem a Vesta, deusa do lar, do fogo, da vida doméstica, protetora de Roma. E em agosto, no auge do verão, homenagem a Netuno, deus do mar e das águas. O cristianismo, herdeiro das tradições populares romanas, com o passar do tempo “cristianizou” as festas de verão, adotando-as com os nomes de santos e suas festas religiosas.

No Brasil as tradições religiosas católicas foram trazidas pelos portugueses desde o século XVI. As festas juninas, em Portugal ganharam muita força após o século XII. A devoção a Santo Antônio, São João e São Pedro se consolidou, sendo estritamente religiosas, com procissões, rezas e ladainhas, fogueiras e rituais de fertilidade. Como curiosidade histórica, Santo Antônio, nasceu em Lisboa no ano de 1195, tornou-se frade da Ordem Franciscana, foi um grande estudioso e pregador. Devido ao seu grande saber teológico é considerado pela Igreja Católica Romana, Doutor da Igreja. Faleceu em Pádua, Itália em 1231. Sua fama de santo “casamenteiro” é uma tradição portuguesa. Foi canonizado em 1232 e desde então o dia de sua celebração é 13 de junho. São João Batista, primo de Jesus, é celebrado em 24 de junho, próximo ao solstício de verão e exatos seis meses antes da véspera do Natal. Dia 29 de junho é dia de São Pedro e São Paulo, pilares da Igreja, mas apenas São Pedro é celebrado nas festas juninas. Realizadas no Brasil desde a chegada dos portugueses, as festas foram incorporando várias características da cultura indígena e africana, como novos ritmos, e formas de dança. A partir do século XIX a festa se torna bem brasileira incorporando a cultura sertaneja, o ambiente rural e a religiosidade popular, formando o jeitão que permanece até hoje: roupas de “caipira”, a dança, a quadrilha originaria da Europa, fogueiras e comidas típicas brasileiras. As festas juninas são um patrimônio cultural do nosso país. Um bom exemplo de como transformar influências externas em algo essencialmente brasileiro. Celebrar Santo Antônio, São João, São Pedro é celebrar a própria formação cultural do Brasil, com sua criativa mescla das culturas indígena, europeia e africana. Aproveite seu dia e viva as festas juninas.   


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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IA, FATO ou FAKE? – por Celso Tracco

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Fato: A Inteligência Artificial, a já popular IA, é parte de nosso cotidiano, não tem mais volta. Ela é cada vez mais usada em todos os ambientes e setores da nossa vida, quer seja no agronegócio, na área acadêmica, artística, cientifica, médica, transportes, literária, no lazer em casa ou fora de casa. Incorporada ao celular, podemos até não perceber, mas esta ferramenta já está influenciando nossa vida. A IA é o ápice da chamada Quarta Revolução Industrial, ou Revolução 4.0. E como aconteceu nas três Revoluções anteriores, esta também irá modificar nosso modo de viver, nossos hábitos, nossas relações interpessoais, nossos contatos com o mundo. Por isso é correto tratá-la como uma “revolução” e não apenas como uma simples evolução. O mundo mudou e continua mudando velozmente. Isto é fato. Pode ser para melhor ou para pior, não sabemos. O futuro dirá. Porém, acredito que o caminho a ser escolhido ainda vai depender da Inteligência Natural, ou seja, de nós mesmos, os humanos.

Fake: Estamos já vivendo com uma verdadeira inundação de mensagens falsas na Internet. Como desconfiamos, a mentira nasceu com a humanidade. Somos mestres, desde a mais tenra idade, na arte de enganar, manipular, mentir, dizer meias verdades, em favor de alcançarmos nossos objetivos imediatos de modo mais rápido e com menor esforço. No passado, a mentira até podia ter “pernas curtas” e não gerar maiores transtornos, MAS, com a velocidade da luz da Internet, uma mentira pode atingir milhões de pessoas em segundos, e tornar-se uma verdade. Há cerca de 100 anos atrás, o regime nazista já tinha essa prática. Hoje, no Brasil, em ano eleitoral, quando ainda estamos em fase de pré-candidaturas, temos o uso massivo da IA. E aqui, corremos, como sociedade, um grande perigo. Cito um exemplo, a postagem de uma “dona Maria”, uma mulher comum, de meia idade, negra, pobre. Em seu vídeo, “d. Maria” fazia comentários políticos bastante contundentes. “D. Maria” jamais existiu, era fake, criada pela Inteligência Artificial, assim como o cenário, a plateia, e o conteúdo de suas falas. Os vídeos foram produzidos em 2025. Segundo informações da imprensa, a conta no Instagram de “d. Maria” alcançaram cerca de 9 milhões de visualizações, mais de 700 mil seguidores e milhares de comentários. “D. Maria” 100% fake, não era uma informação, mas uma desinformação. O grande problema é que a desinformação em escala exponencial, pode causar a desconfiança que tudo é falso. Em consequência aumenta o descrédito nas instituições, na imprensa, na ciência, gerando aumento da polarização e do extremismo. Um verdadeiro caos.

Não penso que devemos demonizar a Internet e principalmente a IA. Elas são ferramentas, e como tais, devemos tomar os devidos cuidados ao usá-las. Como por exemplo desenvolver uma educação digital crítica: saber identificar manipulações, verificar as fontes da postagem, desconfiar de conteúdos “verdadeiros” por definição própria. A opinião pública deve apoiar todas as iniciativas no sentido da responsabilização das empresas de tecnologia, pelos conteúdos falsos gerados por IA. Transparência deveria ser fundamental no conteúdo das redes sociais. Podemos e devemos fortalecer nossas relações humanas; quanto mais sólida for nossa rede real, com a família, escola, trabalho, amigos, comunidade, menos espaços haverá para a manipulação digital.

A IA não é uma ameaça por existir, mas pelo uso irresponsável que pode ser feito dela. Criar pessoas e conteúdos falsos é uma das fronteiras mais perigosas dessa tecnologia, porque atinge algo básico: a nossa capacidade de confiar. A tecnologia avança rápido, mas nossa consciência crítica precisa avançar ainda mais. Este artigo foi escrito com a ajuda de IA. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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 MAIO AMARELO – por Celso Tracco

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Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte no Brasil. A campanha educativa Maio Amarelo surgiu com o propósito de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de acidentes de trânsito. Apesar dos dados estatísticos serem precários, estima-se que em 2025, no Brasil, cerca de 33.000 pessoas perderam suas vidas no trânsito de nossas ruas e estradas. O número de feridos é ainda mais difícil de ser precisado, porém sabemos que é muito maior que o das mortes. Apesar de ainda ser alto, o número absoluto de mortes vem caindo e isso reforça a importância de se manter esta campanha consistentemente. Além da ideia educativa, ela funciona como um alerta sobre um problema que ultrapassa estatísticas, pois afeta famílias, a economia e a estrutura social de forma profunda. Fora as perdas humanas, que são irreparáveis, existe um impacto silencioso, também devastador: os danos materiais e sociais que se acumulam após cada acidente. Eles envolvem uma cadeia de custos que afeta indivíduos, empresas e a própria sociedade. Pontuando alguns acontecimentos que se originam em decorrência de um acidente de transito: perda total, ou reparos nos veículos acidentados, gerando aumento de custos com taxas de seguros e franquias; possíveis danos ao patrimônio público, como semáforos, postes, outras estruturas urbanas; nas estradas danos em passarelas, pontes, viadutos, barreiras de proteção; custos hospitalares como atendimento de urgência, cirurgia, reabilitação; perda de trabalho por afastamento, invalidez temporária; gastos sociais com previdência, saúde, assistência social. Os acidentes de trânsito geram gastos de bilhões de reais aos cofres públicos drenando recursos que poderiam ser investidos em educação, infraestrutura e políticas sociais.

Mais importante que as perdas materiais, estão os impactos sociais que os acidentes de trânsito causam, tais como: perdas de vidas humanas levando a uma desestruturação da família, com possível sobrecarga financeira; traumas emocionais podendo gerar depressão, estresse pós-traumático, desequilíbrio emocional no acidentado e em seus familiares; invalidez ou algum tipo de limitação produzindo redução da autonomia, longo período de reabilitação, dependência de terceiros. Os acidentes de trânsito, já desastrosos por si só, criam um ciclo de vulnerabilidade que afeta toda uma família e amigos, atingindo fortemente a camada mais necessitada, os mais pobres, os que têm menos acesso a suporte psicológico, jurídico e financeiro.

O Maio Amarelo não deveria ser visto apenas como mais uma campanha de conscientização, mas como um convite à responsabilidade coletiva. O trânsito é um espaço compartilhado e cada escolha individual tem impacto direto na sua vida e na vida de outras pessoas. Por isso é superimportante nos engajarmos em algumas atitudes, tais como: promover a educação no trânsito; incentivar a direção defensiva, o uso do cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, não beber se vai dirigir, não usar celular enquanto está na direção, apoiar as políticas que sejam eficazes para reduzir vítimas nos acidentes de trânsito. A direção defensiva e protetiva exige uma mudança comportamental que envolve empatia, paciência, responsabilidade e principalmente respeito ao próximo.

A campanha do Maio Amarelo nos lembra que o trânsito é um ambiente onde vidas se encontram, e podem se perder. Está claro que os danos materiais e sociais dos acidentes de trânsito são enormes, que em sua enorme maioria são evitáveis. Cada atitude consciente contribui para um trânsito mais seguro, humano e responsável. Procure usar mais o transporte público, do que o individual. A segurança viária não é apenas um tema de campanha, é um compromisso diário com a vida. Aproveite seu dia.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


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Liberdade! Liberdade! – por Celso Tracco

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A proclamação da “Lei Áurea” em 13 de maio de 1888, nos estimula a refletir sobre a prática do racismo que segue existindo não só no Brasil, como em muitas partes do mundo. Basta ver as campanhas de “Racismo Não” que, por exemplo, se propagam pelas entidades esportivas internacionais. Infelizmente as campanhas têm baixa efetividade. No caso brasileiro vivemos o racismo estrutural, enraizado na nossa sociedade. De fato, não basta dizer que se é antirracista, precisamos e devemos combater de modo exemplar os atos racistas que são praticados quase todos os dias. Atos que não devem ser tolerados ou mitigados, até porque são considerados crimes. Um breve histórico ajuda a entender por que o racismo estrutural ainda persiste entre nós.

O Brasil viveu durante 350 anos do trabalho escravo. Como a tentativa de escravizar os indígenas não deu certo, a Coroa Portuguesa empreendeu, com enorme sucesso, o tráfico de povos africanos escravizados para serem mão de obra em sua promissora colônia. É importante ressaltar que o tráfico de africanos (as), foi um sistema político e econômico multinacional, extremamente lucrativo e que durou séculos. As nefastas viagens que cruzavam o Atlântico, eram financiadas por banqueiros ou mercadores europeus, os donos do sistema financeiro da época. Os africanos, homens e mulheres, eram comprados a “troco de nada” pelos capitães dos navios e vendidos por um alto preço nos mercados de escravizados no Brasil. Fechando a operação econômica, as mercadorias produzidas pela mão de obra escravizada eram exportadas para a Europa. Essa “roda da fortuna”, enriquecia poucos e empobrecia milhões. Assim foi o processo produtivo da economia brasileira entre os séculos XVI e XIX. Os chamados ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, do café, e os menos famosos ciclos do tabaco e algodão, foram todos baseados em trabalho de escravizados. A economia brasileira não produzia internamente nem os mais básicos utensílios usados para o dia a dia. Tudo era importado. As tarifas alfandegarias sempre foram uma boa fonte de renda para os governos português e brasileiro. Finalmente, depois de longas décadas de debates, “o fim da escravidão iria “quebrar” o Brasil”, a escravidão foi abolida. Nota: o Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão.

Estima-se que cerca de 700.000 pessoas escravizadas ficaram livres a partir de 13 de maio de 1888. Na enorme maioria dos casos isto significou que eles estavam na rua apenas com a roupa do corpo, sem ter o que comer e sem saber para onde ir. A famosa Lei Aurea não previu nenhum tipo de ajuda, de indenização, de orientação, para os agora negros libertos. Foi um gigantesco “vire-se”. Além de não serem tratados como seres humanos, não possuíam documentos não tendo qualquer direito. A enorme maioria era analfabeta, e só sabiam fazer trabalhos de roça e domésticos. Para tentar viver, continuaram na condição de escravizados em troca de um prato de comida e de um monte de palha para dormir. Os que nem isso tiveram, iriam se unir em malocas, favelas, palafitas, em áreas de risco e viver de trabalhos eventuais, subemprego. De uma maneira ou de outra a população negra ou mestiça oriunda da escravidão, não teve nenhum plano governamental, organizado para ser incluída na sociedade brasileira. O estigma da cor da pele, da pobreza, da precariedade social com a população afrodescendente, infelizmente, persiste até hoje.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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MÃE – por Celso Tracco

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Mãe, mamãe, mainha, manhê. Vários vocábulos para a mesma criatura. Ser mãe é carregar no coração um amor intenso. É transformar noites mal dormidas em dias cheios de esperança, é encontrar forças onde ninguém mais encontraria, é amar antes mesmo de conhecer o rosto, a voz, o gênero. Mãe é ação contínua, é presença que permanece mesmo quando a distância insiste em se impor. O amor materno está nos detalhes: a comida que o filho(a) mais gosta, ainda que preparada às pressas, o conselho repetido mil vezes, o olhar luminoso no encontro e saudoso na despedida. É um amor que educa, orienta, critica, mas é sempre acolhedor, chamando de meu menino ou minha menina quem já passou dos 50 anos. Mãe se reinventa quando percebe que a vida mudou de ritmo ou de rumo. Seu coração se expande de maneiras inesperadas. Passa a enfrentar os novos desafios diários com uma força silenciosa, muitas vezes invisível, mas essencial e amorosa. Mãe é mãe 24 horas, todos os dias de sua nobre vida.

Neste Dia das Mães, queremos homenagear não apenas a figura materna idealizada, mas todas as formas reais, diversas e possíveis de ser mãe. Celebramos as mães biológicas, adotivas, de coração, as avós que viram mães novamente, as tias que acolhem, as madrastas que edificam novas famílias, as mulheres que criam, educam, inspiram e protegem. Cada uma delas carrega uma história única, marcada por coragem, entrega e uma capacidade extraordinária de transformar vidas, através do amor. No coração dos filhos, mãe não morre nunca.  Com alegria, todos os dias, lembro de minha adorável mãe, a incansável D. Helena, que apesar de todos os seus afazeres, nunca me recusou ajuda nas redações escolares. Gratidão eterna. Tenham um feliz Dia das Mães.

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘Lição de Coisas’


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Autismo. A importância da conscientização – por Celso Tracco

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Abril é reconhecido como o mês de conscientização do autismo. Mais do que uma campanha, é também um alerta para que a sociedade reflita e discuta sobre a diversidade, equidade e inclusão.  Podemos e devemos ampliar o debate refletindo sobre o respeito aos direitos humanos, para todos os cidadãos brasileiros. A chamada à conscientização do autismo, também representa um movimento global que busca alargar o entendimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater estigmas e promover uma convivência mais justa e acolhedora para todas as pessoas autistas. A data foi instituída pela ONU em 2007 e, desde então, tornou-se um marco anual de mobilização social. No Brasil, o mês é marcado por ações educativas, debates públicos, eventos culturais e iniciativas governamentais que reforçam a importância de enxergar o autismo como parte da diversidade humana. É muito necessário promover estas iniciativas todos os meses do ano e não apenas em abril.

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição da neurodiversidade, caracterizada por diferenças na comunicação, na interação social e na forma como a pessoa percebe e processa estímulos. O termo “espectro” é essencial: ele reconhece que cada pessoa autista é única, com habilidades, desafios e necessidades específicas. Segundo especialistas no tema, o foco deve ser no suporte adequado, no acolhimento e no desenvolvimento do potencial individual da pessoa autista, não na “cura”. As necessidades de cada pessoa, podem variar amplamente, algumas precisam de suporte intenso, outras de apoio simples. Compreender e aceitar a neurodiversidade, é reconhecer que a diferença não é um problema, mas um grande potencial de crescimento para todos. Todos os seres humanos merecem respeito, acessibilidade, compreensão, principalmente em uma sociedade que pretende ser diversa, equitativa e inclusiva, facilitando a convivência e não a invisibilidade, a injustiça e a exclusão social de qualquer grupo que tenha habilidades diferentes da maioria.

Felizmente, várias cidades brasileiras têm avançado na criação de centros especializados, capacitação de profissionais e campanhas de conscientização. O principal fundamento é a humanização. Toda vida tem valor, este lema sintetiza e ganha força nas campanhas, lembrando que as pessoas autistas não precisam ser “consertadas”, mas compreendidas; que a comunicação pode acontecer de muitas formas; diferenças não são defeitos. O principal recado para todos é: a dignidade humana é inegociável. Humanizar o olhar sobre o autismo significa abandonar estereótipos e ouvir as próprias pessoas autistas, que têm reivindicado protagonismo nas discussões sobre suas vidas. Significa também reconhecer que inclusão não é um favor, mas um direito.

A conscientização precisa ser contínua e isto significa: buscar informação de qualidade; apoiar famílias e cuidadores; promover ambientes acolhedores; combater preconceitos diariamente; ouvir e amplificar vozes das pessoas altistas, elas têm muito a colaborar com o restante da sociedade, pois elas sabem suas verdadeiras necessidades. A inclusão efetiva acontece nos gestos simples, comuns e no cotidiano, nas políticas públicas consistentes e na disposição de aprender com a diversidade.

A conscientização do TEA deve ser vista como um movimento de transformação social. Ele nos convida a repensar nossas práticas, ampliar nosso entendimento e construir uma sociedade onde todas as pessoas, autistas ou não, possam viver com dignidade, respeito e oportunidades. Conscientizar é humanizar. E humanizar é reconhecer que toda vida tem valor. Aproveite seu dia.

Para informações complementares sobre autismo acesse:  www.autistas.org.br


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Famílias endividadas – por Celso Tracco

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O crescente endividamento das famílias brasileiras tem dominado o noticiário nacional. O portal G1 de 07/04/26 destaca: “o resultado da pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor realizada pela Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo em março/ 2026 mostra que 80% das famílias brasileiras têm dívidas. Este é o maior índice da série histórica. Apenas como comparação em março de 2025 o índice alcançou 77%. A mesma pesquisa aponta que a inadimplência (famílias com contas em atraso) estabilizou em torno de 29,6%, enquanto 12,3% informam não ter condição de honrar seus compromissos”. O fantasma do endividamento já assombra o Governo Federal que prepara medidas para mitigar o problema.  

Importante lembrar que o consumo das famílias é o principal fator do crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil, responde por cerca de 64% do PIB. Apesar da amplitude da oferta de crédito, via consignados, cartões de crédito, compras parceladas em prestações, as taxas de juros, em geral, são muito altas e em alguns casos indecorosas. No cartão de crédito e crédito rotativo, passa fácil de 100% a.a. enquanto a taxa da inflação anual não passa de 5% a.a. O sistema financeiro brasileiro é regulado por normas rígidas, porém, ele não protege o consumidor. Não há uma regulação sobre os juros abusivos; não há uma transparência na oferta de crédito e não há incentivos, juros mais baixos, por exemplo para bons pagadores, aqueles que pagam em dia e não são inadimplentes. As regulações não protegem o consumidor.

Os programas oficiais de transferência de renda, como o Bolsa Família, na minha opinião, ajudam a reduzir a pobreza, mas não atuam no problema estrutural do endividamento. Motivos:  as famílias de baixa renda, comprometem a maior parte do orçamento familiar com itens essenciais; têm menor acesso a crédito barato; são mais vulneráveis para contrair dívidas; sofrem mais com oscilações econômicas. Além disso, não possuem uma educação financeira adequada e isto impede o uso equilibrado e estratégico dos recursos disponíveis. Em geral, não contam com políticas públicas de proteção ao uso do dinheiro, o que amplia sua vulnerabilidade econômica. Infelizmente a educação financeira no Brasil ainda é limitada. Isso se reflete na dificuldade de compreender juros compostos, o chamado juros sobre juros; leva ao uso inadequado do cartão de crédito: o valor da fatura aumenta, e muito, se não for paga na data marcada; a família não se planeja a longo prazo, não considera possíveis declínios das entradas econômicas e o acúmulo de várias prestações no mesmo período.

O endividamento não é apenas um problema econômico, mas social, pois ele afeta: a saúde mental gerando ansiedade, estresse e depressão. Os relacionamentos familiares, ficam abalados com conflitos sobre o uso dinheiro. Cai a produtividade no trabalho, devido à preocupação constante com o pagamento das contas.

Possíveis alternativas para melhorar essa situação: regulação mais rígida contra juros extorsivos e incentivo aos bons pagadores; programas de renegociação de dívidas com juros reduzidos. Expansão de programas de educação financeira nas escolas. Planejamento financeiro familiar, consumo mais consciente e contrair crédito como último recurso.

O endividamento das famílias brasileiras é um fenômeno complexo, que não deve ser visto, apenas por escolhas individuais. Ele é resultado de uma combinação de fatores financeiros, políticos e sociais, que se autossustentam e criam um ciclo difícil de romper. Para enfrentar o problema, é necessário um conjunto de ações coordenadas entre Estado, sistema financeiro, empresas e sociedade civil. Além de reduzir dívidas, o desafio é construir um ambiente econômico que permita às famílias brasileiras viver com dignidade, estabilidade e perspectiva de futuro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Espaçonave Terra – por Celso Tracco

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Após 53 anos, um voo tripulado volta a orbitar a Lua. A missão Artemis II foi concluída com um inequívoco sucesso. Depois de 10 dias no espaço a cápsula Orion amerissou no Oceano Pacífico próximo à costa da California. Os quatro tripulantes: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, emocionados celebraram o feito, junto às autoridades competentes e suas famílias, participando de vários compromissos oficiais. O mundo acompanhou o voo, do lançamento ao retorno à Terra, com destaque para lindas fotos feitas pelos astronautas. A escolha da tripulação foi bastante significativa: pela primeira vez na história, uma mulher, um afro-americano, um estrangeiro (canadense) além do comandante, compunham a tripulação de um voo espacial, superimportante, dos Estados Unidos. A Artemis viajou mais de 1,1 milhão de quilômetros, chegando a um ponto tão distante da Terra onde nenhum humano jamais esteve. Passou pelo lado oculto da Lua, igualmente um fato marcante, ficando 40 minutos sem nenhuma comunicação com o centro de controle. E a reentrada na atmosfera terrestre, segundo especialistas o momento mais importante e mais desafiador de uma viagem espacial, ocorreu sem qualquer incidente. O sucesso da missão abre espaço para a Artemis III que possivelmente fará um pouso na superfície lunar, para iniciar uma ocupação contínua do satélite pelos seres humanos.

Simbolicamente, podemos pensar no “lado escuro” do projeto. Entre 2012 e 2025 foram investidos perto de US$ 100 bilhões, no projeto Artemis. Creio ser razoável pensar, que esse montante, poderia ser investido em outras áreas como: saúde, educação, moradias. Até mesmo o país mais rico da Terra tem déficits em suas áreas sociais. Claro que cada um gasta seu dinheiro onde quer, mas os possíveis benefícios e riquezas da exploração econômica da Lua, se um dia chegar a acontecer, será igualmente utilizada por toda a população americana?  Ou apenas irá levar ao espaço a enorme desigualdade que já temos na Terra? Igualmente, a escolha da tripulação, sugere uma atenção sobre a representatividade e inclusão da espécie humana. Deveras positivo a participação de um afro-americano, uma mulher e um estrangeiro, entre os quatro tripulantes de uma inédita missão espacial americana. Infelizmente, muito distante da realidade que vivemos aqui na Terra, pois ainda precisamos de uma ampla política pública sobre diversidade e inclusão que realmente respeite todos os seres humanos, independentemente de gênero, cor, etnia ou credo. A humanidade há milênios convive com movimentos migratórios, mas o que estamos vendo em muitos países, Estados Unidos entre eles, é uma xenofobia declarada por muitos agentes públicos, não respeitando os mínimos direitos humanos básicos dos estrangeiros. Enquanto estamos debatendo sobre a ocupação da Lua e talvez de Marte, a Terra segue enfrentando eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Não está na hora de pelo menos, tentar minimizar os desastres ambientais, investindo em tecnologia, priorizando a solução dos problemas climáticos atuais do que investir no espaço?

Uma nova corrida espacial pode envolver disputas em vez de cooperação entre as grandes potências. A Artemis II mostrou que a humanidade é capaz de grandes feitos. A Lua, como a Terra não tem luz própria, apenas recebem e refletem a luz do Sol. Como disseram os astronautas, a Terra vista na escuridão do espaço, é como uma espaçonave, tripulada pela totalidade de seus habitantes, e ela só alcançará seu pleno potencial, quando a diversidade de sua tripulação, a exemplo da Artemis, estiver lutando pelas mesmas necessidades, mesmos princípios e mesmos objetivos, todos juntos para o bem de toda a humanidade. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Uma notícia. Um clone. Uma reflexão – por Celso Tracco

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Notícia recentemente divulgada por um dos principais veículos de impressa de nosso país, informava que pesquisadores do Instituto de Zootecnia da Universidade de São Paulo, sediado em Piracicaba – SP, tiveram sucesso em clonar um porco. “O porquinho nasceu saudável com 2,5 kg. Esse primeiro porco clonado no Brasil faz parte de uma pesquisa que vai ajudar a salvar 48 mil brasileiros que precisam de transplantes de órgãos. O projeto é do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Xenotransplanteé a transferência de órgãos entre espécies diferentes. E os órgãos dos suínos são muito parecidos com os dos seres humanos”. A notícia também esclarece que “os estudos começaram há mais de 30 anos. A eficácia dos laboratórios que já têm essa técnica estabelecida, é de apenas 1% a 5%. O próximo passo é clonar embriões geneticamente modificados para começar os estudos de transplantes em seres humanos e em futuro breve, os estudos pré-clínicos e clínicos para o fornecimento de órgãos. O coordenador do centro de pesquisa da USP explica que o sucesso na clonagem do porco foi um grande avanço, mas ainda existem desafios para que o xenotransplante faça parte da rotina da medicina” (cf. Portal G1; Jornal Nacional 03/04/2026).

Refletindo. Em primeiro lugar devemos aplaudir e enaltecer a pesquisa brasileira por esse feito. Isto coloca o Brasil em um estado avançado na técnica de clonagem de animais para não depender de outros países e dar soberania ao Brasil nesta área. Mais importante ainda ser feita pela USP, uma universidade pública. Sem dúvida um fato que deve ser aplaudido. Porém, independente de números, parece ser claro que o número de transplantes aumenta ano a ano no Brasil e a maioria deles é feita pelo S.U.S. o nosso sistema público de saúde. Também é fato que existe uma longa fila para transplantes. O principal impedimento para a obtenção de mais órgãos está na recusa, por parte das famílias dos falecidos, em permitir a retirada de órgãos que poderiam ser transplantados. Parece lógico que deveríamos ter mais campanhas educativas promovendo a doação de órgãos. Entendo, também, que se deve respeitar os sentimentos e desejos de cada família, mesmo sabendo que os órgãos de seu ente querido podem salvar vidas. Por último e não menos importante, penso que as questões éticas e sociais de se transplantar órgãos de outra espécie devem ser exaustivamente debatidas com a sociedade.  Sem dúvida a clonagem conseguida na USP, é um marco histórico que abre portas para uma revolução no transplante de órgãos. Porém o necessário desenvolvimento da pesquisa precisa ser equilibrado e cauteloso pois, os desafios técnicos, éticos e regulatórios são enormes. A sociedade civil deveria se mobilizar para obter políticas públicas garantindo que esse avanço tecnológico beneficie a população como um todo, de forma segura e justa. Assim sendo, a clonagem de porcos, ou de qualquer outro animal para fins de xenotransplante é um avanço promissor, louvável, podendo trazer esperança para milhares de doentes, mas na minha opinião, só deverá ser socialmente legítima se entre tantos outros pontos, respeitar limites éticos claros e bem conhecidos; garantir o bom tratamento aos animais em todos os procedimentos; a regulamentação, por parte do S.U.S., da chamada fila de transplante deve ser de amplo conhecimento da população e auditada por entidade respeitada, evitando a desigualdade social ao acesso; e o importantíssimo envolvimento de toda a sociedade no debate sobre necessidade ou não da clonagem.

Qual é a sua opinião sobre clonagem de animais? Deixe seu comentário e aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Páscoa da Ressurreição – por Celso Tracco

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Na História da Civilização Ocidental, povos e culturas bem antigas tinham o costume de celebrar a chegada da primavera no hemisfério norte. Eram rituais ligados à fertilidade, ao retorno da luz e ao renascimento da natureza após o inverno. Essas tradições atravessaram milênios, transformando-se de tempos em tempos, porém sem perder sua essência: a ideia de uma renovação da vida, de um ressurgimento.

A Páscoa Cristã, tem sua origem no Pessach, a celebração judaica que recorda a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Segundo relato bíblico, livro do Êxodo, Moises conduziu o povo hebreu por 40 anos, atravessando o deserto até chegarem à Terra Prometida, Canaã. O termo Pessach em hebraico, significa “passagem”. A passagem da escravidão para a liberdade e o início de uma nova vida na Terra prometida. A celebração do Pessach, continua sendo festejada na religião judaica até hoje, mantendo todo o seu simbolismo tendo seu ponto alto no jantar familiar (Seder) repleto de significados históricos, religiosos e espirituais.  

A Páscoa como hoje conhecemos, começa a ser celebrada no século I, quando as primeiras comunidades cristãs, seguidoras do Evangelho de Jesus Cristo, reinterpretam o Pessach à luz dos acontecimentos de Sua paixão, morte e ressurreição. Para o cristianismo, a Semana Santa é a principal semana do ano litúrgico.  Começa com a celebração do Domingo de Ramos, quando Jesus entra em Jerusalém aclamado pela multidão, segue com o Tríduo Pascal (Quinta-feira, Jesus institui o sacramento do amor: o lava-pés e a Eucaristia; Sexta-feira da Paixão, Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal; Sábado Santo, a Vigília Pascal) culminando com o Domingo de Páscoa que celebra a Ressurreição de Jesus, três dias após sua crucificação. Segundo a fé cristã, a Ressurreição de Cristo dá início a uma nova criação, ao novo êxodo. É a principal festa cristã! Celebra a vitória da vida sobre a morte e a promessa de renovação espiritual. A ressurreição, após a morte, é para todos aqueles que assim creem. A Igreja Católica definiu a data da Páscoa como o domingo da primeira semana de lua cheia, depois do início da primavera no hemisfério norte, isso explica por que a data varia de ano para ano.

A Páscoa da Ressurreição, celebrada pelos cristãos em todo o mundo, é mais do que uma data religiosa no calendário. Ela funciona como um lembrete poderoso de que a vida é capaz de renascer mesmo depois dos períodos mais sombrios. Em um tempo marcado por incertezas, tensões sociais, guerras e desafios coletivos, esta mensagem é claramente atual. Como vimos, no coração da celebração está a crença na ressurreição de Jesus Cristo, evento que simboliza a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre a escuridão e da esperança sobre o desânimo. Mas, para além da dimensão espiritual, a Páscoa provoca uma reflexão sobre o que significa renascer no cotidiano: reconstruir relações, recuperar a confiança, recomeçar projetos, reencontrar sentido na vida.

Talvez o maior desafio da Páscoa da Ressurreição seja transformar seu simbolismo em atitude concreta. Em tempos de polarização e radicalização, a proposta de renascer pode soar abstrata. Mas ela se manifesta em gestos simples: perdoar, escutar, acolher, reconstruir relações, procurar e encontrar. É nesse terreno do cotidiano que a mensagem pascal demonstra sua força mais transformadora e libertadora.

A celebração da Páscoa não promete, aqui na Terra, um mundo perfeito, mas lembra que a renovação é possível, pessoal e coletivamente. E, ao final, talvez seja isso que todos buscamos: a chance de recomeçar, de acreditar novamente, de enxergar luz onde parecia haver apenas trevas.

Que esta Páscoa da Ressurreição inspire caminhos de paz, esperança e humanidade. Tenha uma Feliz e Santa Páscoa.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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