A Copa do Mundo de futebol e as eleições – por Celso Tracco

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Mais uma vez, a seleção brasileira foi eliminada em uma Copa do Mundo. Caímos nas 8as. de final, perdendo para a Noruega, país sem tradição no futebol internacional. Nas redes sociais, muito se vê e ouve que o resultado do torneio pode ou irá influenciar o resultado das eleições. Mas, a história não diz isso. Desde 1994, quando começou a coincidência de eleições diretas para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, com a realização da Copa do Mundo os resultados não justificam que o eleitor(a) carrega para as urnas a emoção da vitória ou da derrota da seleção.

 – 1994, o Brasil conquistou sua 4ª. Copa, vencendo a Itália nos pênaltis, após agoniantes 0x0 nos 120 minutos de jogo. A situação, governo FHC, obteve 54% dos votos contra 27% dados a Lula. A eleição foi resolvida no 1º turno. Influência do sucesso do Plano Real e não do futebol.

– 1998, perdemos da França, na final, por incontestáveis 3×0. “Vergonha nacional”. FHC, que havia proposto a emenda da reeleição, venceu no 1º turno novamente contra Lula, 53% a 31%. Após a reeleição, houve uma maxidesvalorização do real.

– 2002, Brasil penta campeão, venceu a Alemanha na final por 2×0. A oposição, Lula, venceu o candidato da situação, José Serra, no 2º turno obtendo 61% dos votos contra 39%.

 – 2006, Brasil eliminado pela França nas 4as. de final. “Vergonha nacional”. Lula é reeleito no 2º turno com 61% dos votos contra 39% dados a Geraldo Alckmin.

– 2010 – Brasil eliminado pela Holanda nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, agora perdemos de quem nunca foi campeão mundial. A situação, PT, elege o sucessor de Lula – Dilma Rousseff com 56% dos votos contra 44% de José Serra, no 2º turno.

– 2014, o Brasil passa pela maior vergonha futebolística da história: é eliminado, na semifinal, por acachapantes 7×1 para a Alemanha em pleno Mineirão. Dilma é reeleita, 2º turno, com 52% contra 48% dados a Aécio Neves. Após as eleições o Brasil mergulhou na maior crise econômica de sua história.

– 2018, o Brasil foi eliminado pela Bélgica, nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, perdemos de qualquer um. Jair Bolsonaro é eleito no 2. ° turno com 55% dos votos contra 45% de Fernando Haddad (PT). O eleitor puniu quem provocou a crise econômica de 2015 e 2016.

– 2022, o Brasil foi eliminado pela Croácia, nas 4as. de final. “Vergonha nacional?”. Já nos acostumamos a perder para qualquer um. Jair Bolsonaro não consegue se reeleger. Obtém 49% dos votos no 2° turno contra 51% dados a Lula, que volta ao poder.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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9 de Julho – A Revolução Constitucionalista – por Celso Tracco

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A Revolução Constitucionalista de 1932 constitui um dos momentos marcantes da política brasileira da primeira metade do Século XX. Deflagrada em São Paulo, a revolução tinha como objetivo principal pressionar o governo provisório de Getúlio Vargas a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte e restaurar a ordem institucional cancelada após a Revolução de 1930, terminando com a “República Velha” e iniciando a era Vargas. A revolução paulista foi derrotada militarmente, mas deixou um legado político, sendo até hoje lembrado como símbolo da luta pela legalidade e pelos ideais de uma república federativa. Por ela 9 de Julho é feriado no Estado de São Paulo. O Obelisco do Parque Ibirapuera é um mausoléu dedicado aos combatentes paulistas desta Revolução.

A Revolução de 1930 encerrou a “República Velha”, também conhecida como república do café com leite, pois desde 1894, data da primeira eleição direta para presidente da República, havia uma alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Em outubro de 1930 foi deposto o Presidente Washington Luís que estava em fins de mandato e foi impedido de tomar posse o presidente eleito Júlio Prestes. Ambos os políticos haviam sido Governadores do estado de São Paulo. Getúlio Dorneles Vargas, assumiu em 3 de novembro o governo provisório, dissolvendo o congresso nacional e suspendendo a Constituição de 1891. Vargas passou a governar centralizando a administração pública e nomeando interventores nos estados. No caso de São Paulo, os interventores vindos de outros estados, geraram muitas tensões entre as elites paulistas. A ausência de uma Constituição e governar por decretos, eram interpretados como claros indícios de autoritarismo. Para as classes econômicas, jurídicas e militares paulistas, a manutenção desta situação significava uma ruptura dos princípios federativos e democráticos.

A conjuntura de vários fatores serviu para a eclosão da revolução: a centralização do poder por Vargas; a intervenção federal nos estados; a perda da influência política de São Paulo. Em 23 de maio, no centro de São Paulo durante uma manifestação popular contra o regime, um grupo de apoiadores do governo central, dispararam armas de fogo contra a multidão. Quatro jovens morreram imediatamente: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo Camargo. A sigla MMDC tornou-se um símbolo da resistência paulista. No dia 9 de julho de 1932, as tropas paulistas se rebelaram contra o governo federal, iniciando uma revolução armada. O conflito se concentrou em regiões do Estado de São Paulo, como Vale do Paraíba e na Serra da Mantiqueira, fronteira com Minas Gerais. Estima-se em 35.000 o número de combatentes de São Paulo e cerca de 100.0000 os do governo federal. O número de mortos é incerto, alguns historiadores apontam entre 2.000 e 2.500 sendo deste total 800 a 1.000 paulistas. Sem armamentos e munições, e em visível desvantagem numérica, em 2 de outubro de 1932 São Paulo assinou sua rendição.

Apesar da derrota militar, alguns objetivos foram alcançados: foi convocada uma Assembleia Constituinte e uma nova Constituição foi proclamada em 1934; houve a ampliação dos direitos trabalhistas; foi instituído o voto feminino e secreto; houve a criação da Justiça Eleitoral. Sem dúvida houve um legado da Revolução Constitucionalista, mas pequeno. Getúlio Vargas seguiu no poder até 1945, quando foi deposto. Em 1937, tornou-se um ditador proclamando o Estado Novo, baseado em uma nova Constituição e aboliu a autonomia dos estados. Apenas entre 1934 e 1937 houve eleições, e somente para prefeitos. Em 1950 voltou ao poder por meio do voto democrático. Suicidou-se no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, então Capital Federal em 24 de agosto de 1954. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Relações perigosas. Para quem? – por Celso Tracco

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Para a população brasileira. Mesmo acostumada a ver contínuos escândalos financeiros de todos os tipos, fraudes e descaminhos com o dinheiro público, muitas vezes fruto de relações perigosas entre agentes públicos e entidades privadas, a população pagadora de impostos não para de se surpreender. O caso do Banco Master, que segue ganhando projeção nacional, mantém a lógica de tornar privado o que deveria ser público. Este caso vem batendo todos os recordes nessa prática de relações promiscuas entre agentes públicos e o banco privado. O monstruoso escândalo tem potencial, desde que devidamente investigado, de abalar as estruturas da República Brasileira. Já sabemos quem pagará a conta, mas o que poderia ser feito para, pelo menos, tentar evitar novos escândalos?

Primeiro, devemos nos perguntar, por que um banco privado teria tanto interesse em ter laços tão estreitos com autoridades e servidores públicos? Claro que aqui estamos falando de servidores que desempenham altos cargos na administração pública. Até agora, pelo que já saiu na imprensa, sabemos que o dono e principais dirigentes do Banco Master, mantinham estreitas ligações com membros e/ou com parentes do Poder Judiciário, do Poder Legislativo, do Poder Executivo, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, além de autarquias federais, como o Banco Central. Ou seja, a rede de influência dos administradores do Master era imensa. Será que ela se desfez após a liquidação do banco, e a prisão de seu principal acionista?

Devemos sempre ter em conta a máxima de que todos são inocentes até prova em contrário. Acusar alguém antes do já conhecido “trânsito e julgado” seria uma leviandade. O que tento expor neste artigo é a precariedade de controles das instituições públicas brasileiras. Não é de hoje, e sem distinções de governos, que entidades privadas se apropriam do bem público em benefício próprio e em detrimento do interesse coletivo. Esta prática, no mínimo, drena recursos para as reais necessidades da população mais carente da sociedade brasileira. O que transparece na percepção popular é que um banco com forte atuação em setores como crédito consignado, fundos de aposentadoria de servidores púbicos, agressiva venda de produtos financeiros como CDBs, qualquer proximidade com os gestores públicos, pode gerar conflitos de interesse. Cabe aqui a famosa frase atribuída a Júlio César em 62 a.C. quando exercia o cargo Pretor (magistrado e supremo juiz em Roma) “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. A frase continua sendo válida, após 2.000 anos, para qualquer cidadão ou cidadã que exerce cargo público.

Um ponto desastroso desta relação perigosa, é a falta de confiança nas instituições e em especial no sistema financeiro que perpassa para a população em geral. O mínimo que se espera é que haja transparência total em todas as transações envolvendo o sistema financeiro e órgãos públicos. A falta de transparência, como proteger sigilo bancário de investigados pode influenciar, negativamente, a opinião pública, o que seria desastroso. O uso do dinheiro dos impostos pelos órgãos públicos, deveria ser totalmente auditável, por empresas independentes e sem relações com poderes constituídos. Os resultados das auditorias deveriam ser conhecidos da população, e quem sabe, deste modo, se dificultaria que decisões políticas fossem manipuladas por decisões particulares e privadas.

A população não pode nem deve demonizar o sistema financeiro, evidentemente a economia do país não prospera sem ele, mas o que se espera é que os agentes públicos tenham real cuidado com o dinheiro público, afinal eles foram eleitos para serem servidores públicos e não para se servirem do dinheiro público. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A escada se lava de cima para baixo – por Celso Tracco

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A expressão “a escada se lava de cima para baixo” sintetiza uma verdade universal sobre responsabilidade, atitude e comportamentos. Significa que qualquer processo de mudança, seja ele de estrutura empresarial, política ou familiar, começa pela liderança. Assim como a água escorre naturalmente do topo para os degraus inferiores, a cultura, os valores e as práticas sejam de uma entidade pública ou privada, são moldados, antes de tudo, por quem ocupa as posições do alto escalão.

No mundo dos negócios, quando uma determinada empresa precisa de uma real transformação para sobreviver, pois seu modelo de negócio está se deteriorando e ela não consegue, sozinha, se reerguer, em geral busca ajuda de alguma consultoria. E, geralmente, a “limpeza/ mudança” tem de começar pela diretoria e ir descendo até chegar à base, degrau por degrau. Muitas vezes, o gestor da empresa, que teve sucesso no passado, não percebe que o seu tempo passou, que seus métodos são ultrapassados, que o mundo mudou. Continua se agarrando a seu posto de maneira monolítica. O gesto pode até ser nobre, poético, heroico, mas é ineficaz e provavelmente egocêntrico. Pensa em si, mas não no bem comum de sua própria empresa.

No contexto social, essa máxima mostra que comportamentos éticos, respeito às leis e compromisso com o bem comum, precisam ser cultivados primeiramente por aqueles que detêm poder e influência. Quando líderes agem com transparência, justiça e coerência, criam um ambiente onde tais valores se tornam referência. Por outro lado, quando o topo se corrompe, o restante da estrutura tende a seguir o mesmo caminho, seja por conveniência, medo ou simples reprodução do exemplo recebido. Nas entidades públicas, este processo é bem evidente. A população observa seus governantes como modelos de conduta. Se eles demonstram responsabilidade, zelo pelo patrimônio coletivo e respeito às regras, fortalecem a confiança social e incentivam comportamentos socialmente elevados. Porém, quando eles caem no descrédito popular, fica muito difícil recuperarem a credibilidade.

No ambiente familiar e escolar, o princípio se repete. Pais, professores e responsáveis transmitem os primeiros parâmetros de comportamento e de relacionamentos humanos. Eles são as principais referências para aqueles que dependem de sua atuação. Caso os responsáveis agirem com honradez, respeito, de maneira integra, respeitando a coletividade, seus exemplos são seguidos e enaltecidos. Porém, quando o oposto ocorre, instala-se um ciclo de descrença e permissividade que contamina toda a escala de valores inerentes à formação das crianças e jovens. As atitudes dos responsáveis, mais do que suas palavras, moldam o caráter e as escolhas daqueles que ainda estão em formação. Não é possível exigir honestidade, disciplina, respeito ou empatia quando o exemplo oferecido contradiz esses valores. O antigo ditado “faça o que eu digo e não faça o que eu faço” está fora de moda, é como falar para as paredes, não tem aceitação nem repercussão.

Portanto, “lavar a escada de cima para baixo” significa reconhecer que toda transformação começa pelo exemplo daqueles que dirigem, comandam, ensinam, orientam e conduzem a vida de seus agregados. Não adianta cobrar ou impor mudanças e novas atitudes dos níveis inferiores, se nos níveis superiores nada muda, permanecendo com os descaminhos de sempre. A verdadeira liderança não se impõe; ela orienta, ensina, mostra novos rumos, inspira, é generosa e visivelmente enaltecida. Portanto, somente quando os degraus superiores assumem sua responsabilidade e uma atitude de mudança, a escada inteira pode, enfim, ficar limpa. Precisamos, sempre, cuidar de nossa “escada”. Aproveite seu dia.


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Uma notícia boa, mas com ressalvas – por Celso Tracco

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O IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, é calculado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), uma agência oficial da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele mede o desenvolvimento dos países em três áreas: Saúde, medida por expectativa de vida ao nascer; Educação, medida pela média de anos de estudo; e Renda, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) per capita. O IDH global é publicado anualmente; o IDHM (municipal) é publicado a cada 10 anos com base no censo feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No IDHM divulgado em maio último,  o Brasil registou o índice de 0,805 (quanto mais próximo de 1, maior é o Índice de Desenvolvimento Humano do país), classificando nosso país no grau de um alto desenvolvimento humano. O índice anteriorfoi 0,786, que colocava o Brasil na 84 ª posição mundial entre as 193 nações pesquisadas. Sem dúvida esta é uma boa notícia e deve ser comemorada, mas, com ressalvas. O IDH é uma média dos dados coletados em todo o território nacional. E como média, ela encobre enormes desigualdades estruturais, relacionadas ao gênero, raça e região.

A educação continua sendo o elo mais fraco do desenvolvimento humano no Brasil. É sabido e reconhecido que a escolaridade nunca foi uma política de Estado. Assim, a qualidade do ensino básico segue sendo baixa, a formação dos professores é fraca e muito desigual por região, basta pesquisar quanto ganha um professor e quanto ganha um vereador de qualquer cidade brasileira. A desproporção é chocante. A alfabetização plena ainda está longe de ser alcançada. Oficialmente ainda temos em torno de 7% da população acima de 15 anos analfabeta. Sendo que a taxa de analfabetismo entre a população negra é o dobro da registrada entre a população branca, quer seja entre os totalmente analfabetos como entre os analfabetos funcionais. O Brasil melhora no indicador porque mais alunos passam mais anos na escola, mas não necessariamente têm um ensino de qualidade.

Na saúde os brasileiros estão vivendo mais, apesar do SUS, Sistema Único de Saúde, sofrer inúmeros e contínuos cortes em seus orçamentos. A fila para exames, consultas transplantes, são notícias toda a semana, mais uma vez evidenciando a profunda desigualdade social que vive nossa sociedade. Quem pode pagar tem uma das melhores medicina do mundo, mas a imensa maioria da população tem de se submeter a um tratamento que beira a desumanidade. Tomando, como exemplo, o índice de mortalidade infantil, o índice nacional está em torno de 12,6 óbitos por 1.000 nascidos vivos. Os índices regionais são: Norte 16 óbitos por mil; no Nordeste 13,8; no Centro Oeste 12,8; no Sudeste 11,7 e no Sul 10,4. Ou seja, o índice na região Norte é 60% maior do que no Sul.

Na renda o crescimento é lento e mal distribuído, ainda que o aumento do IDH também reflita uma melhora na renda per capita. Mas isso ocorre em um contexto de estagnação econômica prolongada, informalidade elevada, baixa produtividade, concentração de renda entre os mais ricos. Além disso, é notória a desigualdade de renda entre homens e mulheres, e entre brancos e negros. O país cresce pouco, e o crescimento não chega a todos. Em termos de distribuição de renda continuamos a ser um dos dez países mais desiguais do mundo.

Contudo, o IDH de 0,805 merece aplauso. Ele mostra que o Brasil tem potencial e capacidade de avançar, mas também revela que o progresso é lento e desigual. O desafio é garantir que o desenvolvimento seja sentido por todos, e não apenas registrado em relatórios internacionais.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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O Arraiá do Solstício – por Celso Tracco

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As festas juninas, são sem dúvida, uma das mais importantes manifestações do folclore brasileiro. Arrisco dizer que são celebradas em todos os municípios brasileiros e em todas as classes sociais. No nordeste brasileiro, o chamado “São João” tem uma enorme importância social, econômica e política, ninguém deixa de comemorar. As festas juninas extrapolam os motivos religiosos que as impulsionaram no Brasil colonial. Os santos católicos, Santo Antônio, São João e São Pedro, que têm suas datas comemorativas em junho, são uma fundamental referência para a comunidade católica, mas as festas adquiriram um caráter ecumênico, sempre atraindo multidões. Mas, quais foram as suas origens, onde elas começaram?

As tribos que habitavam a Europa Ocidental, mesmo antes do Império Romano, tinham como principal indicador do calendário, o Sol. E suas principais festas aconteciam no verão do Hemisfério Norte, que ocorre entre os meses de junho a agosto. Estas festas, denominadas pagãs, tinham seu ápice no Solstício de Verão, por volta do dia 21 de junho. Os povos dessas tribos realizavam rituais para marcar o início das colheitas, pedir proteção aos seus deuses, celebrar a fertilidade da terra. Eram comuns os elementos, como: fogueiras, danças específicas para a ocasião, comidas com os grãos recém-colhidos, celebrações comunitárias. O próprio Império Romano tinha suas festas para celebrar o verão e o solstício. Eram chamadas de Vestália, que acontecia em junho, em homenagem a Vesta, deusa do lar, do fogo, da vida doméstica, protetora de Roma. E em agosto, no auge do verão, homenagem a Netuno, deus do mar e das águas. O cristianismo, herdeiro das tradições populares romanas, com o passar do tempo “cristianizou” as festas de verão, adotando-as com os nomes de santos e suas festas religiosas.

No Brasil as tradições religiosas católicas foram trazidas pelos portugueses desde o século XVI. As festas juninas, em Portugal ganharam muita força após o século XII. A devoção a Santo Antônio, São João e São Pedro se consolidou, sendo estritamente religiosas, com procissões, rezas e ladainhas, fogueiras e rituais de fertilidade. Como curiosidade histórica, Santo Antônio, nasceu em Lisboa no ano de 1195, tornou-se frade da Ordem Franciscana, foi um grande estudioso e pregador. Devido ao seu grande saber teológico é considerado pela Igreja Católica Romana, Doutor da Igreja. Faleceu em Pádua, Itália em 1231. Sua fama de santo “casamenteiro” é uma tradição portuguesa. Foi canonizado em 1232 e desde então o dia de sua celebração é 13 de junho. São João Batista, primo de Jesus, é celebrado em 24 de junho, próximo ao solstício de verão e exatos seis meses antes da véspera do Natal. Dia 29 de junho é dia de São Pedro e São Paulo, pilares da Igreja, mas apenas São Pedro é celebrado nas festas juninas. Realizadas no Brasil desde a chegada dos portugueses, as festas foram incorporando várias características da cultura indígena e africana, como novos ritmos, e formas de dança. A partir do século XIX a festa se torna bem brasileira incorporando a cultura sertaneja, o ambiente rural e a religiosidade popular, formando o jeitão que permanece até hoje: roupas de “caipira”, a dança, a quadrilha originaria da Europa, fogueiras e comidas típicas brasileiras. As festas juninas são um patrimônio cultural do nosso país. Um bom exemplo de como transformar influências externas em algo essencialmente brasileiro. Celebrar Santo Antônio, São João, São Pedro é celebrar a própria formação cultural do Brasil, com sua criativa mescla das culturas indígena, europeia e africana. Aproveite seu dia e viva as festas juninas.   


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IA, FATO ou FAKE? – por Celso Tracco

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Fato: A Inteligência Artificial, a já popular IA, é parte de nosso cotidiano, não tem mais volta. Ela é cada vez mais usada em todos os ambientes e setores da nossa vida, quer seja no agronegócio, na área acadêmica, artística, cientifica, médica, transportes, literária, no lazer em casa ou fora de casa. Incorporada ao celular, podemos até não perceber, mas esta ferramenta já está influenciando nossa vida. A IA é o ápice da chamada Quarta Revolução Industrial, ou Revolução 4.0. E como aconteceu nas três Revoluções anteriores, esta também irá modificar nosso modo de viver, nossos hábitos, nossas relações interpessoais, nossos contatos com o mundo. Por isso é correto tratá-la como uma “revolução” e não apenas como uma simples evolução. O mundo mudou e continua mudando velozmente. Isto é fato. Pode ser para melhor ou para pior, não sabemos. O futuro dirá. Porém, acredito que o caminho a ser escolhido ainda vai depender da Inteligência Natural, ou seja, de nós mesmos, os humanos.

Fake: Estamos já vivendo com uma verdadeira inundação de mensagens falsas na Internet. Como desconfiamos, a mentira nasceu com a humanidade. Somos mestres, desde a mais tenra idade, na arte de enganar, manipular, mentir, dizer meias verdades, em favor de alcançarmos nossos objetivos imediatos de modo mais rápido e com menor esforço. No passado, a mentira até podia ter “pernas curtas” e não gerar maiores transtornos, MAS, com a velocidade da luz da Internet, uma mentira pode atingir milhões de pessoas em segundos, e tornar-se uma verdade. Há cerca de 100 anos atrás, o regime nazista já tinha essa prática. Hoje, no Brasil, em ano eleitoral, quando ainda estamos em fase de pré-candidaturas, temos o uso massivo da IA. E aqui, corremos, como sociedade, um grande perigo. Cito um exemplo, a postagem de uma “dona Maria”, uma mulher comum, de meia idade, negra, pobre. Em seu vídeo, “d. Maria” fazia comentários políticos bastante contundentes. “D. Maria” jamais existiu, era fake, criada pela Inteligência Artificial, assim como o cenário, a plateia, e o conteúdo de suas falas. Os vídeos foram produzidos em 2025. Segundo informações da imprensa, a conta no Instagram de “d. Maria” alcançaram cerca de 9 milhões de visualizações, mais de 700 mil seguidores e milhares de comentários. “D. Maria” 100% fake, não era uma informação, mas uma desinformação. O grande problema é que a desinformação em escala exponencial, pode causar a desconfiança que tudo é falso. Em consequência aumenta o descrédito nas instituições, na imprensa, na ciência, gerando aumento da polarização e do extremismo. Um verdadeiro caos.

Não penso que devemos demonizar a Internet e principalmente a IA. Elas são ferramentas, e como tais, devemos tomar os devidos cuidados ao usá-las. Como por exemplo desenvolver uma educação digital crítica: saber identificar manipulações, verificar as fontes da postagem, desconfiar de conteúdos “verdadeiros” por definição própria. A opinião pública deve apoiar todas as iniciativas no sentido da responsabilização das empresas de tecnologia, pelos conteúdos falsos gerados por IA. Transparência deveria ser fundamental no conteúdo das redes sociais. Podemos e devemos fortalecer nossas relações humanas; quanto mais sólida for nossa rede real, com a família, escola, trabalho, amigos, comunidade, menos espaços haverá para a manipulação digital.

A IA não é uma ameaça por existir, mas pelo uso irresponsável que pode ser feito dela. Criar pessoas e conteúdos falsos é uma das fronteiras mais perigosas dessa tecnologia, porque atinge algo básico: a nossa capacidade de confiar. A tecnologia avança rápido, mas nossa consciência crítica precisa avançar ainda mais. Este artigo foi escrito com a ajuda de IA. Aproveite seu dia.


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 MAIO AMARELO – por Celso Tracco

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Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte no Brasil. A campanha educativa Maio Amarelo surgiu com o propósito de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de acidentes de trânsito. Apesar dos dados estatísticos serem precários, estima-se que em 2025, no Brasil, cerca de 33.000 pessoas perderam suas vidas no trânsito de nossas ruas e estradas. O número de feridos é ainda mais difícil de ser precisado, porém sabemos que é muito maior que o das mortes. Apesar de ainda ser alto, o número absoluto de mortes vem caindo e isso reforça a importância de se manter esta campanha consistentemente. Além da ideia educativa, ela funciona como um alerta sobre um problema que ultrapassa estatísticas, pois afeta famílias, a economia e a estrutura social de forma profunda. Fora as perdas humanas, que são irreparáveis, existe um impacto silencioso, também devastador: os danos materiais e sociais que se acumulam após cada acidente. Eles envolvem uma cadeia de custos que afeta indivíduos, empresas e a própria sociedade. Pontuando alguns acontecimentos que se originam em decorrência de um acidente de transito: perda total, ou reparos nos veículos acidentados, gerando aumento de custos com taxas de seguros e franquias; possíveis danos ao patrimônio público, como semáforos, postes, outras estruturas urbanas; nas estradas danos em passarelas, pontes, viadutos, barreiras de proteção; custos hospitalares como atendimento de urgência, cirurgia, reabilitação; perda de trabalho por afastamento, invalidez temporária; gastos sociais com previdência, saúde, assistência social. Os acidentes de trânsito geram gastos de bilhões de reais aos cofres públicos drenando recursos que poderiam ser investidos em educação, infraestrutura e políticas sociais.

Mais importante que as perdas materiais, estão os impactos sociais que os acidentes de trânsito causam, tais como: perdas de vidas humanas levando a uma desestruturação da família, com possível sobrecarga financeira; traumas emocionais podendo gerar depressão, estresse pós-traumático, desequilíbrio emocional no acidentado e em seus familiares; invalidez ou algum tipo de limitação produzindo redução da autonomia, longo período de reabilitação, dependência de terceiros. Os acidentes de trânsito, já desastrosos por si só, criam um ciclo de vulnerabilidade que afeta toda uma família e amigos, atingindo fortemente a camada mais necessitada, os mais pobres, os que têm menos acesso a suporte psicológico, jurídico e financeiro.

O Maio Amarelo não deveria ser visto apenas como mais uma campanha de conscientização, mas como um convite à responsabilidade coletiva. O trânsito é um espaço compartilhado e cada escolha individual tem impacto direto na sua vida e na vida de outras pessoas. Por isso é superimportante nos engajarmos em algumas atitudes, tais como: promover a educação no trânsito; incentivar a direção defensiva, o uso do cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, não beber se vai dirigir, não usar celular enquanto está na direção, apoiar as políticas que sejam eficazes para reduzir vítimas nos acidentes de trânsito. A direção defensiva e protetiva exige uma mudança comportamental que envolve empatia, paciência, responsabilidade e principalmente respeito ao próximo.

A campanha do Maio Amarelo nos lembra que o trânsito é um ambiente onde vidas se encontram, e podem se perder. Está claro que os danos materiais e sociais dos acidentes de trânsito são enormes, que em sua enorme maioria são evitáveis. Cada atitude consciente contribui para um trânsito mais seguro, humano e responsável. Procure usar mais o transporte público, do que o individual. A segurança viária não é apenas um tema de campanha, é um compromisso diário com a vida. Aproveite seu dia.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem: Foto Benjamim Sepulvida/PMB

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Liberdade! Liberdade! – por Celso Tracco

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A proclamação da “Lei Áurea” em 13 de maio de 1888, nos estimula a refletir sobre a prática do racismo que segue existindo não só no Brasil, como em muitas partes do mundo. Basta ver as campanhas de “Racismo Não” que, por exemplo, se propagam pelas entidades esportivas internacionais. Infelizmente as campanhas têm baixa efetividade. No caso brasileiro vivemos o racismo estrutural, enraizado na nossa sociedade. De fato, não basta dizer que se é antirracista, precisamos e devemos combater de modo exemplar os atos racistas que são praticados quase todos os dias. Atos que não devem ser tolerados ou mitigados, até porque são considerados crimes. Um breve histórico ajuda a entender por que o racismo estrutural ainda persiste entre nós.

O Brasil viveu durante 350 anos do trabalho escravo. Como a tentativa de escravizar os indígenas não deu certo, a Coroa Portuguesa empreendeu, com enorme sucesso, o tráfico de povos africanos escravizados para serem mão de obra em sua promissora colônia. É importante ressaltar que o tráfico de africanos (as), foi um sistema político e econômico multinacional, extremamente lucrativo e que durou séculos. As nefastas viagens que cruzavam o Atlântico, eram financiadas por banqueiros ou mercadores europeus, os donos do sistema financeiro da época. Os africanos, homens e mulheres, eram comprados a “troco de nada” pelos capitães dos navios e vendidos por um alto preço nos mercados de escravizados no Brasil. Fechando a operação econômica, as mercadorias produzidas pela mão de obra escravizada eram exportadas para a Europa. Essa “roda da fortuna”, enriquecia poucos e empobrecia milhões. Assim foi o processo produtivo da economia brasileira entre os séculos XVI e XIX. Os chamados ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, do café, e os menos famosos ciclos do tabaco e algodão, foram todos baseados em trabalho de escravizados. A economia brasileira não produzia internamente nem os mais básicos utensílios usados para o dia a dia. Tudo era importado. As tarifas alfandegarias sempre foram uma boa fonte de renda para os governos português e brasileiro. Finalmente, depois de longas décadas de debates, “o fim da escravidão iria “quebrar” o Brasil”, a escravidão foi abolida. Nota: o Brasil foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão.

Estima-se que cerca de 700.000 pessoas escravizadas ficaram livres a partir de 13 de maio de 1888. Na enorme maioria dos casos isto significou que eles estavam na rua apenas com a roupa do corpo, sem ter o que comer e sem saber para onde ir. A famosa Lei Aurea não previu nenhum tipo de ajuda, de indenização, de orientação, para os agora negros libertos. Foi um gigantesco “vire-se”. Além de não serem tratados como seres humanos, não possuíam documentos não tendo qualquer direito. A enorme maioria era analfabeta, e só sabiam fazer trabalhos de roça e domésticos. Para tentar viver, continuaram na condição de escravizados em troca de um prato de comida e de um monte de palha para dormir. Os que nem isso tiveram, iriam se unir em malocas, favelas, palafitas, em áreas de risco e viver de trabalhos eventuais, subemprego. De uma maneira ou de outra a população negra ou mestiça oriunda da escravidão, não teve nenhum plano governamental, organizado para ser incluída na sociedade brasileira. O estigma da cor da pele, da pobreza, da precariedade social com a população afrodescendente, infelizmente, persiste até hoje.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem: Foto de Tasha Jolley na Unsplash

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MÃE – por Celso Tracco

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Mãe, mamãe, mainha, manhê. Vários vocábulos para a mesma criatura. Ser mãe é carregar no coração um amor intenso. É transformar noites mal dormidas em dias cheios de esperança, é encontrar forças onde ninguém mais encontraria, é amar antes mesmo de conhecer o rosto, a voz, o gênero. Mãe é ação contínua, é presença que permanece mesmo quando a distância insiste em se impor. O amor materno está nos detalhes: a comida que o filho(a) mais gosta, ainda que preparada às pressas, o conselho repetido mil vezes, o olhar luminoso no encontro e saudoso na despedida. É um amor que educa, orienta, critica, mas é sempre acolhedor, chamando de meu menino ou minha menina quem já passou dos 50 anos. Mãe se reinventa quando percebe que a vida mudou de ritmo ou de rumo. Seu coração se expande de maneiras inesperadas. Passa a enfrentar os novos desafios diários com uma força silenciosa, muitas vezes invisível, mas essencial e amorosa. Mãe é mãe 24 horas, todos os dias de sua nobre vida.

Neste Dia das Mães, queremos homenagear não apenas a figura materna idealizada, mas todas as formas reais, diversas e possíveis de ser mãe. Celebramos as mães biológicas, adotivas, de coração, as avós que viram mães novamente, as tias que acolhem, as madrastas que edificam novas famílias, as mulheres que criam, educam, inspiram e protegem. Cada uma delas carrega uma história única, marcada por coragem, entrega e uma capacidade extraordinária de transformar vidas, através do amor. No coração dos filhos, mãe não morre nunca.  Com alegria, todos os dias, lembro de minha adorável mãe, a incansável D. Helena, que apesar de todos os seus afazeres, nunca me recusou ajuda nas redações escolares. Gratidão eterna. Tenham um feliz Dia das Mães.

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘Lição de Coisas’


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Foto destaque: Tamara Bellis/Unspalsh

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