Inteligência Artificial e a Desinteligência Natural

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A ministra Carmen Lúcia do STF, durante um debate na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) disse a seguinte frase: “Eu não tenho medo da inteligência artificial. Mas da desinteligência natural”. O debate sobre o acesso e uso da tecnologia digital está em alta em vários países do mundo. No Brasil não podia ser diferente. As plataformas digitais, que estão entre as empresas mais valiosas do planeta, obviamente querem o menor número de restrições possíveis. Para as “big-techs”, tudo o que é publicado pelas plataformas, caem na vala comum da “liberdade de expressão”. Para elas quem deve restringir os conteúdos é o próprio usuário. Mas, isto está mudando. Recentemente a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, foi condenada, nos Estados Unidos, a pagar 17 bilhões de dólares, para encerrar um processo movido por dezenas de estados americanos. Uma das acusações foi que o Facebook e o Instagram viciavam crianças e adolescentes. A Meta também se comprometeu a desenvolver e implementar uma serie de restrições ao uso de suas plataformas, por faixa de idade. Outros processos contra as empresas de tecnologia continuam a correr em outros países. Por outro lado, o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, revelou que cerca de 48% dos alunos brasileiros usam Inteligência Artificial (IA) pelo menos uma vez por semana para estudar. O Pisa é realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Pessoalmente penso que a IA veio para ficar, não tem volta. E “muita água ainda vai passar por debaixo da ponte”, até que se chegue a regras que sejam aceitas e aplicáveis para todos e por todos. É inegável que a IA democratiza e facilita o acesso à informação. As ferramentas inteligentes oferecem explicações rápidas, resumos e exemplos que ajudam os estudantes a revisar conteúdos complexos. Em determinadas situações, como por exemplo, a pressão por bons resultados nos vestibulares, essa agilidade se torna um diferencial. Outro ponto que pode ser destacado é a personalização. A IA ajuda a aclarar lacunas de conhecimento e sugerem exercícios sob medida. Para alunos com dificuldades específicas, isso representa uma oportunidade de avançar no próprio ritmo, sem depender exclusivamente do tempo disponível em sala de aula. Além disso, o contato frequente com IA estimula habilidades valorizadas no mercado de trabalho, como pensamento crítico, criatividade e domínio de ferramentas digitais, competências cada vez mais valorizadas em carreiras tecnológicas e científicas.

Apesar dos benefícios, o uso indiscriminado da IA acende alertas. Professores relatam que alguns estudantes passaram a depender das ferramentas para produzir redações, resolver problemas matemáticos ou elaborar trabalhos escolares. A consequência é direta: perda de autonomia e dificuldade em desenvolver raciocínio próprio. Outro risco é a desinformação. Modelos de IA podem apresentar erros, dados desatualizados ou interpretações equivocadas. Sem checagem em fontes confiáveis, estudantes podem reproduzir informações incorretas em provas e trabalhos. A ética acadêmica também entra em pauta. O plágio, agora facilitado por textos gerados automaticamente, preocupa escolas. Muitas instituições já discutem políticas específicas para orientar o uso da tecnologia e preservar a autoria dos estudantes.

Como tudo na vida, o desejável equilíbrio, deve ser o futuro do uso da IA por todos. Educadores defendem que a IA deve ser vista com uma ferramenta de auxilio ao estudante. Ele ou ela devem usar a IA para revisar conteúdos, para pesquisas, para enriquecer seu conhecimento sobre determinado tema. Mas a leitura, a prática da escrita redacional, e o esforço intelectual continuam indispensáveis. Este artigo foi escrito com a ajuda da Inteligência Artificial. Gostou? Escreva para nós, não precisa de IA.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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7 de setembro – Independência????

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A Semana da Pátria, oficialmente celebrada entre dia 1° e 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, é marcada por desfiles militares, hasteamento de bandeiras nas escolas, afirmação de identidade nacional e  diversas manifestações cívico-patriotas. Principalmente em ano eleitoral, políticos e candidatos a cargos eletivos, não perderão a oportunidade de proclamar eloquentes discursos enaltecendo a magna data. Mas, apesar das festividades cívicas, fica uma pergunta incómoda: onde está o povo na construção dos destinos da nação?  A resposta, como veremos, é desalentadora, pois a realidade histórica mostra um modelo consistente de afastamento da enorme maioria da população brasileira dos processos decisórios que moldaram o país, desde sua independência política até os dias atuais.

O “grito de Ipiranga” eternizado no quadro de Pedro Américo, denominado “Independência ou Morte” foi pintado entre 1886 e 1888 em Florença na Itália. A obra foi encomendada pelo agonizante governo imperial brasileiro para enaltecer a figura de D. Pedro I como um herói nacional. O quadro não retrata a realidade dos fatos históricos. Na prática a independência do Brasil foi um pacífico acerto familiar entre D. João VI, então rei de Portugal, e o seu filho D. Pedro. O Brasil independente nasceu preservando todas as estruturas de poder já existentes. A nobreza escravocrata, conservadora, elitista, que mantinha o poder político e econômico permaneceu intacta. O povo, majoritariamente analfabeto, escravizado e sem direitos civis, sequer foi ouvido e muito menos participou da decisão. Apesar de haver uma Constituição desde 1824, o voto, no período imperial, era apenas para quem tinha determinada soma de recursos, e, portanto, excludente. Por lei os pobres, mulheres, escravizados, libertos, estrangeiros estavam fora da vida pública.

A política brasileira, desde seu início até hoje, seguiu marcada por decisões tomadas de “cima para baixo”.  A Proclamação da República, foi outra mudança de regime político sem nenhuma participação popular. Não houve mobilização popular significativa. Não foi um movimento social amplo, foi mais um golpe militar articulado por elementos do Exército e das elites agrárias descontentes com a libertação dos escravizados, apoiados por alguns intelectuais republicanos. O povo, mais uma vez foi um mero espectador. Na República, igualmente o sistema político presidencialista não incentivava a participação popular. De 1894 a 1945, apenas homens, maiores de 18 anos alfabetizados podiam votar. O voto era proibido para mulheres e para analfabetos, lembrando que mais da metade da população brasileira era analfabeta.  Nunca foi prioridade dos governos de então proporcionar uma educação ampla e de qualidade para todos. Na verdade, as mulheres só puderam votar a partir de 1945. Após os 21 anos da ditadura militar (1964-1985), período marcado pelas restrições democráticas, uma nova Constituição foi promulgada, e o Brasil finalmente deu passos importantes rumo à participação popular. Fatos importantes tais como: voto secreto e universal, liberdade de expressão, movimentos sociais fortalecidos, conselhos de políticas públicas, são praticados pelo nossa democracia. No entanto, o desalento com a política ainda persiste, pois: há uma baixa participação popular em debates públicos; cresce a desconfiança nas instituições; não há uma educação política; é crescente a polarização que substitui o diálogo pelo conflito. Infelizmente, ainda estamos distante de uma ativa participação popular que decidi o destino da nação. .

O 7 de setembro de 1822, marcou o início formal da autonomia política brasileira, mas não proporcionou uma  independência social, econômica, cidadã. A verdadeira independência, que envolve participação popular, justiça social e uma democracia integral, ainda está sendo construída. Celebrar a Semana da Pátria é importante, refletir sobre ela é fundamental. A nação só será independente de fato quando o povo for protagonista de sua própria história.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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SESSENTA E TRÊS PAULADAS

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De acordo com notícia amplamente divulgada, um ciclista em Copacabana, Rio de Janeiro, foi acusado sem nenhuma prova, de “roubar “uma bicicleta. Ato contínuo dois seguranças particulares, e outros dois entregadores de aplicativo passaram a procurá-lo. Eles o encontraram sentado calmamente nas escadas de um prédio. Passaram a interrogá-lo e em seguida espancá-lo com pedaços de madeira e chutes, que o levaram à morte. O agredido em nenhum momento reagiu. Pelas imagens de câmeras de segurança, pode-se ver que alguns transeuntes passaram pelo local e não esboçaram nenhuma reação, nem para ajudar quem estava sendo atacado, nem para protestar sobre o linchamento. Simplesmente seguiram seu caminho, como se nada houvesse.

Deixar de indignar-se em um caso como esse, na minha opinião, é aderir à barbárie. Como, em pleno século XXI, alguém por ouvir um boato, tratar a informação como verdade e, sem perder tempo, auxiliado sabe-se lá por quem, resolve do nada, fazer justiça com as próprias mãos. No caso mataram, com crueldade, um inocente. A bicicleta pertencia à irmã da vítima. Ainda que fosse culpado, ninguém tem o direito de agredir e muito menos matar, quem quer que seja. Sabemos, infelizmente, que este não é um caso isolado. O que me leva a pensar, quão desumana é a sociedade na qual vivemos. Quando alguém deixa de ser visto como um ser humano, que tem história, família, passado, direitos, vícios, fragilidades, futuro, pode facilmente tornar-se alvo. A violência deixa de ser um ato extremo e torna-se uma reação “legitima”, na cabeça dos “justiceiros” de plantão. A verdadeira justiça não deve nascer da raiva, de uma atitude impensada, mas de um devido processo legal, fora disso o que temos é barbárie e uma banalização da violência extrema.

Refletindo o caso do ponto de vista social, os linchamentos não são pontos fora da curva, eles têm origem na ausência efetiva do Estado nas comunidades. A percepção de desconfiança nas Instituições do Estado, a sensação de impunidade, da morosidade da Justiça, da falta de segurança pública, da desinformação constante, gera um medo coletivo e insegurança. Com isso parte da população passa a acreditar na solução pela violência, muitas vezes encorajada por agentes governamentais e por notícias espetaculosas. Violência não aumenta a sensação de segurança, ao contrário gera mais violência e nesse círculo vicioso, todos saem perdendo. O linchamento por populares, mostra um problema estrutural: a segurança pública não pode ser substituída por justiçamento. A segurança pública, além do efetivo policiamento, deveria se preocupar com a prevenção, usar da chamada inteligência de todas as polícias, integrar informações, educação, conhecimento do território, políticas públicas e, fundamentalmente, direitos humanos. O linchamento, não deve ser visto como uma estatística, mas como um ato vil contra uma pessoa, que não teve oportunidade de se defender, de falar, de pedir um auxílio. Aquela pessoa, tinha nome, idade, parentes, tinha uma vida, que lhe foi arrancada de forma cruel, injusta e irreversível. A indignação não é apenas pelo crime, mas pelo absurdo de morrer por algo que não fez. A indignação também passa pelo imobilismo coletivo, incapaz de ter compaixão e, pelo menos tentar impedir que um ato bárbaro se consuma.

Temos que trabalhar por uma cultura de paz. Não, às armas. Não, à banalização da violência. Precisamos refletir o que estamos nos tornando como sociedade. Quando a justiça é trocada pela brutalidade, todos estamos em risco. Quando uma suspeita vira acusação e em seguida sentença somos todos culpados. Quando a vida não tem valor, perdemos tudo, inclusive a esperança. Indignação é justa e necessária, mas não basta. Precisamos de paz, não de guerras.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Prioridades Humanas

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Estamos a menos de dois meses de mais uma eleição. Em outubro vamos eleger Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. O resultado desta eleição popular, irá influenciar a vida de todos os brasileiros pelos próximos 4 anos. Penso que as prioridades, de qualquer plano de governo, devem ser nas áreas da Educação e da Saúde. Fundamentais para o desenvolvimento do Brasil não apenas pela visão da tecnocracia, mas, e principalmente, por serem uma necessidade humana, social e econômica que influenciará o futuro do país. Investir nessas áreas significa investir na própria capacidade do Brasil de garantir dignidade, competitividade e bem-estar para sua população. Este artigo reflete sobre esta importância sob uma perspectiva humanista, social e econômica.

A visão humanista coloca o ser humano no centro das políticas públicas. Sob essa perspectiva, Educação e Saúde não são apenas serviços: são direitos fundamentais permitindo que cada pessoa desenvolva todo o seu potencial, dignamente. A Educação amplia horizontes, possibilita novos conhecimentos, fortalece a autonomia, enseja novas e constantes reflexões, permite que indivíduos compreendam e transformem o mundo ao seu redor. A Saúde assegura aos cidadãos condições físicas e mentais para viver plenamente, trabalhar, estudar e participar da vida comunitária. Sem esses dois pilares, a promessa de cidadania plena se torna incompleta. Um país que negligencia Educação e Saúde públicas compromete a própria humanidade de seu povo. Infelizmente essa negligência é recorrente em nosso país, pois o orçamento público para Educação e Saúde, sempre é alvo de cortes.

Investir nessas áreas é uma estratégia de fortalecimento social. A Educação pública de qualidade reduz desigualdades, rompe ciclos de pobreza e amplia oportunidades reais de ascensão social. Ela cria ambientes seguros, comunidades engajadas e cidadãos mais preparados para participar da vida democrática. Do ponto de vista meramente econômico, o investimento em Educação pública é um dos mais rentáveis que um país pode fazer, pois: aumenta a produtividade da mão-de-obra; estimula a inovação e a capacidade tecnológica; atrai investimentos internacionais; reduz custos com desemprego, violência e assistência social. O investimento consistente em Educação pública produz ganhos econômicos duradouros, construindo uma base sólida de capital humano.

A Saúde pública, por sua vez, promove equidade ao garantir que todos, independentemente de renda, etnia, gênero ou região, tenham acesso a cuidados essenciais. Sistemas de saúde funcionais reduzem mortalidade infantil, ampliam expectativa de vida e fortalecem a coesão social ao diminuir disparidades regionais e socioeconômicas. Sabidamente, trabalhadores saudáveis produzem mais, faltam menos e permanecem ativos por mais tempo; um sistema de Saúde pública eficiente reduz gastos públicos com doenças evitáveis, fortalece a economia ao evitar crises sanitárias que paralisam setores inteiros, como ocorreu durante a pandemia.

Sem dúvida o Brasil enfrenta desafios históricos: desigualdade social, péssima distribuição de renda, disparidades regionais, infraestrutura insuficiente, mas também possui grandes oportunidades: um sistema de Saúde pública robusto, o SUS, que é uma referência internacional; uma rede educacional ampla que, com os investimentos adequados, podem elevar o país a novos patamares de desenvolvimento.

A decisão de investir em Educação e Saúde públicas é urgentíssima. Sob uma perspectiva humanista, é reconhecer o valor intrínseco de cada cidadão / cidadã. Sob uma perspectiva social, é construir um país mais justo e igualitário. Sob uma perspectiva econômica, é garantir crescimento sustentável para todas as classes sociais, e não apenas para os privilegiados. Portanto, quando Educação e Saúde avançam juntas, a sociedade se torna mais igualitária, integrada, resiliente, mais humanizada.

O Brasil só alcançará seu potencial pleno quando colocar o ser humano no centro de suas prioridades, e isso começa com uma Educação e Saúde públicas fortes, acessíveis e de qualidade. Pense nisso quando for eleger seus representantes.

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Foto: Benjamim Sepulvida/PMB

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Eventos climáticos extremos. Tragédia anunciada

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As previsões climáticas, feitas por cientistas há alguns anos, muitas vezes foram consideradas alarmistas por governantes negacionistas, autoritários e desinteressados no bem-estar de suas populações. No entanto, aquelas previsões, deixaram de ser um alerta distante para se tornarem uma realidade concreta que aterroriza o cotidiano das sociedades contemporâneas. O aumento da temperatura média global, impulsionado principalmente pela emissão de gases de efeito estufa, a queima de combustíveis fósseis, o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, intensificam a frequência e a severidade de eventos climáticos extremos. Ondas de calor, rios outrora caudalosos secando, incêndios florestais sem controle, enchentes devastadoras, ciclones, tornados, tufões, fortes tempestades com vendavais de alto poder de destruição, são cada vez mais frequentes em todos os continentes. Estes eventos estão se tornando parte de um novo padrão climático que destrói infraestruturas, urbanas e rurais, desaloja milhares de pessoas e mostra o despreparo de muitos países para enfrentar as variações climáticas.

As consequências dessa tragédia anunciada são muitas:

– Na Europa estamos vendo que cidades densamente povoadas enfrentam temperaturas altíssimas, ampliando riscos de mortalidade, sobrecarga energética, colapso nos serviços de saúde. As construções não estão preparadas para enfrentar um calor intenso e contínuo.

– Secas prolongadas produzem uma escassez hídrica que afeta diretamente a produção agrícola, a segurança alimentar e o abastecimento de água, especialmente em países com infraestrutura limitada.

– Chuvas intensas e localizadas provocam inundações que devastam comunidades, destruindo moradias, estradas, infraestrutura urbana, hospitais, aeroportos, como aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2024.

– Incêndios florestais em todos os continentes são a cada ano mais frequentes, intensos e devastadores com impactos ambientais e sociais profundos.

Recordes de temperatura são superados, constantemente, em várias partes da Europa. Tornados ou ciclones já são comuns no sul e sudeste do Brasil. O grau de devastação desses fenômenos é cada vez mais devastador.

As mudanças climáticas, não se restringem apenas ao clima, pois trazem profundas consequências socioeconômicas, que só tendem, infelizmente, a piorar as desigualdades sociais que o mundo já conhece. Algumas consequências socioeconômicas, derivadas das mudanças climáticas:

– As populações vulneráveis tendem a ser as mais atingidas. Comunidades pobres, moradores de áreas periféricas, de encosta, ribeirinhas, povos indígenas e populações rurais enfrentam maior exposição aos riscos e menor capacidade de adaptação. A falta de infraestrutura adequada, como saneamento, moradia segura, acesso à saúde, transforma os eventos extremos em tragédias humanitárias.

– A perda de terras agricultáveis, enchentes recorrentes e desastres naturais forçam deslocamentos internos da população. Estima-se que milhões de pessoas se tornarão refugiadas climáticas nas próximas décadas, pressionando sistemas urbanos e políticas públicas.

– Impactos na saúde pública, pois ondas de calor aumentam casos de desidratação e doenças cardiovasculares; enchentes ampliam a proliferação de doenças transmitidas pela água; queimadas afetam a qualidade do ar e elevam problemas respiratórios.

– Prováveis desafios econômicos, podem acontecer em setores como agricultura, pesca, turismo e energia.

Caso nada seja feito, a instabilidade climática pode gerar perdas financeiras, desemprego e aumento do custo de vida, perda de qualidade de vida, e que certamente atingirá a população mais vulnerável. A resposta aos eventos extremos exige planejamento, investimento e coordenação entre governos, empresas e sociedade civil.

As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios da humanidade. Podemos imaginar que os eventos extremos fazem parte de um processo complexo que redefine relações sociais, econômicas e ambientais. A forma como as políticas públicas responderão a essa crise climática determinará não apenas a qualidade de vida das gerações atuais, mas também o futuro das próximas. A crise climática já está instalada. Ela não é apenas ambiental, é social, econômica e ética. E exige ação imediata.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil

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Dia dos Pais – Mais do que uma data, uma referência

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O Dia dos Pais, no Brasil, comemorado no 2° domingo de agosto, deve ser visto como algo além de uma simples data. É uma ótima oportunidade para refletir com carinho sobre as relações que moldam nossa existência. Lembrar os gestos, atitudes, cheiros, olhares que nos acompanham desde a infância e os vínculos que continuam a se reinventar ao longo de toda a vida. Celebrar os pais é, antes de tudo, celebrar a sua presença, física daqueles que ainda estão entre nós, ou fazer um memorial daqueles que já se foram. Sempre é construtivo e educador reconhecer os grandes desafios, as incontroláveis ausências, as penosas reconstruções, que são inerentes à paternidade. Ser pai exige um esforço contínuo, em uma sociedade que está em constante mudança.

O pai não deve ser visto apenas como um ser provedor. A sociedade atual, finalmente começa a compreender que a plenitude da paternidade está no amor, na presença afetiva diária com as suas crianças, não importa a idade que tenham. A verdadeira paternidade se manifesta no abraço que acalma, na conversa que orienta, na escuta que acolhe. Pais que participam, que se envolvem, que se permitem aprender com seus filhos, ajudam a desenvolver adultos mais seguros, empáticos e conscientes. Não esperem que essa presença seja perfeita, longe disso. A paternidade afetuosa não exige perfeição, exige disponibilidade, humildade, humanidade. Exige amor.

Na sociedade atual, o conceito de pai se expande. Temos pais biológicos, adotivos, pais que são mães, mães que exercem o papel de pai, avôs que cumprem uma nova jornada, tios que se tornam referência, padrastos que constroem vínculos profundos com seus enteados, pais solo que enfrentam trabalhos dobrados. Pais que formam famílias que se reinventam com amor, dedicação, carinho com o objetivo de dar o melhor acolhimento a um ser humano que ainda está em formação e prepará-lo da melhor forma possível para um mundo não claramente acolhedor. Cada forma de paternidade carrega sua beleza e seus desafios. E todas merecem ser reconhecidas.

A paternidade ativa, participativa, acolhedora não deve ser vista apenas como um gesto individual, mas sim como uma mudança social. Vários estudos mostram que crianças com figuras paternas afetivas tendem a ter melhor desempenho escolar, maior estabilidade emocional e relações mais saudáveis na vida adulta. Além disso, pais envolvidos contribuem para a redução da desigualdade de gênero e evitam o desenvolvimento de preconceitos. Dividir responsabilidades fortalece a ideia de que o cuidado com os demais, é um valor humano, não uma obrigação feminina.

O Dia dos Pais, traz um turbilhão de emoções: de memória, de saudades, de reconciliação, de reconhecimento, de muitos afetos depois de períodos difíceis. Principalmente deve ser um dia de gratidão pelos conselhos, pelas críticas, pelos sacrifícios silenciosos, pelos gestos, pelas decisões difíceis e não compreendidas, pelo que, infelizmente, teve que ser negado. Mas, também é dia de celebrar o futuro. É incentivar novas gerações a exercerem uma paternidade mais consciente, mais afetiva, mais igualitária, mais solidária. É reconhecer que ser pai é aprender todos os dias de sua vida, e que esse aprendizado transforma não apenas a vida dos filhos, mas também a vida dos próprios pais.

Que neste Dia dos Pais, possamos reconhecer e respeitar todas as formas de paternidade. Que possamos proclamar que ser pai é um imenso ato de amor, mas também de grande responsabilidade social. E que cada gesto de cuidado, por menor que pareça, ajuda a construir um mundo mais humano.

Desejo a todos, do fundo do meu coração, um FELIZ e ABENÇOADO DIA dos PAIS.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto: Tatiane Zechetto/PMB

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Zé Roberto – apenas o maior nome do vôlei brasileiro

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José Roberto Guimarães é uma lenda viva do esporte brasileiro. Paulista de Quintana, pequena cidade perto de Marília, Zé Roberto, como é mundialmente conhecido, ajudou a popularizar o voleibol como um dos maiores esportes nacionais. Entre tantas façanhas, ele é o único treinador do planeta que conquistou 3 ouros nos jogos olímpicos com as seleções masculina (Barcelona – 1992) e feminina (Pequim – 2008 e Londres – 2012). Conheça um pouco mais da vida deste grande esportista brasileiro.

Como um garoto do interior paulista chegou ao topo do mundo

Sua trajetória começou aos 6 anos de idade quando sua família se mudou da pequena Quintana para a megalópole São Paulo. Sua infância e adolescência na grande cidade foi marcada por dificuldades, simplicidade e muito trabalho. Sua ligação com o esporte vem de família, seu pai foi jogador de futebol profissional pelo Marilia Atletico Clube, mas não seguiu na carreira, atendendo aos desejos de sua esposa dona Bethe. Aos 12 anos a família Guimarães se mudou para Santo André onde sua longa e bem-sucedida história de amor com o voleibol teve início. (cob.org.br). Nas palavras de Zé Roberto:

“Eu tive a sorte de estudar num colégio de periferia em Santo André, na vila Pires, onde meu professor de Educação Física, Valderbi Romani, era técnico do time da cidade, o Randi Esporte Clube. Posteriormente, ele a viria ser o técnico da seleção olímpica de 1972. Mas eu não queria saber de jogar vôlei. Eu gostava mesmo era de futebol”. Mas os deuses do esporte tinham outros planos para o jovem Zé Roberto e encarregaram cupido para entrar em ação. A paixão pelo vôlei começou pelas mãos de sua namorada. “Eu me apaixonei por uma jogadora de vôlei da escola e comecei a namorar com ela. Passei a assistir os treinos, a catar bola e dar os meus primeiros toques, um amigo meu me viu tocando na bola e falou para eu fazer um teste no time da cidade. Nesse teste conheci meu primeiro treinador, o Lázaro de Azevedo Pinto, que também era técnico da seleção das categorias de base. Esse cara foi quem me ensinou a amar o esporte, a gostar do que eu fazia. Ele foi com a minha cara e, no primeiro treino, já falou que iria me inscrever no Campeonato Paulista. Um mês depois, já estava disputando meu primeiro jogo com a camisa do time. Dois meses mais tarde já jogava na categoria de cima. Ele fez com que eu me apaixonasse de tal jeito pelo vôlei que me levava para todas as competições. Ele me colocou debaixo do braço e saiu comigo pelo mundo, me dando força, me ajudando. Eu não fazia a menor ideia de que eu tinha talento para o vôlei”.   

E como tinha e ainda tem talento para o vôlei e para a vida! Nas categorias de base, com 14 anos foi convocado para a seleção paulista na posição levantador, que é o cérebro de uma equipe de vôlei, ele é o que passa a bola para o atacante fazer o ponto. Ainda como juvenil foi convocado para a seleção brasileira e sua ascensão não parou mais. Com 18 anos, em 1972 foi pela primeira vez convocado para a seleção adulta, onde atuou por 16 anos. Neste período o vôlei brasileiro era amador, os jogadores tinham que ganhar a vida de outra maneira, ou a família tinha que assumir seus compromissos financeiros. A dedicação ao vôlei era por pura paixão ao esporte e para quem podia se sustentar por conta própria. Consequentemente o Brasil não conseguia, internacionalmente, resultados marcantes. Digno de registro foi o 7° lugar obtido nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976 e campeão sul-americano em 1975 e 1977. Mas isso não diminuiu a vontade e a paixão de Zé Roberto pelo esporte, pelo contrário, sentia que essa situação iria mudar e ele queria fazer parte dessa mudança. Defendeu a seleção brasileira principal entre 1972 e 1981.  Viveu a transição para o profissionalismo que resultou na chamada geração de prata, alusão ao vice-campeonato olímpico obtido em Los Angeles-1984. Seguiu atuando por vários clubes no Brasil, como Pirelli, Atlético Mineiro, Banespa, Paulistano e na Itália no Belluno até 1988, quando encerrou sua carreira como jogador, sempre atuando como levantador. Fato curioso relatado por ele próprio: seus pais ficaram muito desapontados, quando decidiu e comunicou que iria fazer faculdade de Educação Física, pois seus genitores gostariam que ele cursasse Medicina ou Engenharia, profissões muito mais valorizadas, na época, do que a de esportistas, jogadores ou treinadores. O amor era grande, mas o retorno financeiro era pouco, quando existia. Zé Roberto se formou em Educação Física e isso foi fundamental quando decidiu encerrar sua carreira de jogador e começar a de técnico de vôlei.

Zé Roberto começou sua vida na beira das quadras, logo após deixar de ser jogador. Em 1988 recebeu um convite para atuar como assistente técnico de Bebeto de Freitas, reconhecido técnico que comandou a “geração de prata” em 1984 quando o Brasil conquistou a medalha de prata com a seleção masculina de vôlei. Zé Roberto, sabia que um bom aluno, além de ter um bom professor tem que ter humildade para obter conhecimento. Passou dois anos vendo, ouvindo, trabalhando, absorvendo as palavras de seu mestre. Declarou “Era minha chance de trabalhar com um dos maiores técnicos do mundo. Eu só queria aprender. E essa experiencia, o fato de estar ali, podendo ouvi-lo, no café da manhã, no almoço e no jantar, nos treinamentos… eu só ficava com a mão no queixo, ouvindo o Bebeto e o Jorge de Barros falando e tentando absorver. Eu pensava se um dia eu iria saber de voleibol como eles, se conseguiria montar um planejamento e escrever como eles. Era muito distante o mundo que eles estavam vivendo. Eu tinha muita vontade de aprender, de estar ali, mas não desejava estar no lugar deles. Estar ali com eles era o máximo. Foram dois anos de aprendizado.”

E Zé Roberto aprendeu, e aprendeu tanto que superou seus mestres, tornou-se o técnico brasileiro de esportes coletivos, mais laureado e certamente um dos maiores do mundo. Em 1991 assumiu as seleções infanto e juvenil femininas. E no ano de sua estreia, as duas categorias se sagraram vice-campeãs mundiais. A sub-17 perdeu para a Coreia e a Sub-19 para a Rússia, países com tradição no voleibol. Sua estrela já estava brilhando, quando no ano seguinte foi convocado pela Confederação Brasileira de Voleibol para ser o técnico da seleção masculina que iria disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona. Depois de uma natural hesitação em aceitar o convite, afinal era sua primeira experiencia como técnico da seleção adulta masculina e já havia muita “cobra criada” entre os jogadores, Zé Roberto encarou o desafio levando para a quadra o que tinha de melhor: sua paixão, seu amor; sua grandeza de caráter, sua dedicação, sua humildade, sua entrega ao esporte. O grupo todo se contagiou, como deve ser em qualquer esporte coletivo, principalmente em uma competição de altíssimo nível, todos lutaram por um único objetivo. E ele foi conquistado. O Brasil finalmente havia ganho sua primeira medalha olímpica de ouro em um esporte coletivo. Pelas mãos de José Roberto Guimarães, finalmente o vôlei brasileiro subiu ao mais alto degrau do pódio. A bandeira do Brasil acima das demais, e a execução do Hino Nacional, ainda que não por inteiro, completaram o quadro inesquecível para todos os que viveram aquele momento mágico. Aos 38 anos de idade, o menino de Quintana havia alcançado o topo do mundo. Mas como todo grande vencedor, sabe que a vitória não é apenas do comandante, mas de todos os componentes da delegação. Especificamente, Zé Roberto reconheceu e agradeceu a enorme contribuição que Bebeto de Freitas teve em sua carreira. Durante a disputa dos jogos, em Barcelona, tinha constantes conversas com Bebeto, sempre querendo se aperfeiçoar mais e mais, em todos os aspectos possíveis. Fiel ao seu mantra: ninguém ganha nada sozinho.                              Zé Roberto permaneceu como técnico da seleção masculina até 1996, quando se despediu e desempenhou outras atividades em esportes fora do vôlei.

Voltou em 2003 para o vôlei feminino e iniciou mais um ciclo vitorioso em sua vida. Assumindo a seleção feminina adulta em preparação para os jogos olímpicos de Atenas em 2004, onde aconteceu, talvez a maior derrota de sua super vitoriosa carreira. O Brasil perdeu, de virada, a semifinal para a Rússia por 3 sets a 2. O Brasil saiu ganhado os dois primeiros sets, perdeu o 3°, mas no 4° que entrou em quadra a “imponderável possiblidade”. Após fazer 24 a 19, ou seja, faltando “apenas” um único ponto, o time brasileiro perdeu 5 “match-point” e a Rússia fechou o set em 28 a 26. Zé Roberto tentou o que podia, pediu tempo, parou o jogo, fez substituições, mas nada adiantou, perdemos também o 5° set. “Atenas foi devastadora. A nossa seleção era muito boa. Tivemos tudo na mão para vencer aquele jogo. Mas esporte é assim. Se jogássemos aquele jogo dez vezes, teríamos talvez ganhado oito. Mas naquele dia não era para dar certo”. Declarou a futura bicampeã olímpica Fabiana Claudino. O abalo foi muito grande, o time não se recuperou e perdeu a disputa do 3° lugar. Em Atenas o vôlei feminino voltou sem medalha. Zé Roberto, de acordo com seu inigualável caráter, se sentiu culpado pelo que aconteceu, e obviamente isso não era verdade. Incorporou que tinha que trabalhar mais, pesquisar mais, saber mais e principalmente precisava se reerguer. “O time ficou com o estigma de amarelar em momentos decisivos, pois mesmo ganhando várias competições a gente perdia uma ou outra na final. A gente perdeu o Mundial de 2006 para a Rússia por 3 a 2, com 15 a 13, por dois pontos. Vinha aquela coisa: “perderam o Mundial para Rússia de novo. “Bando de amarelonas”. Depois a gente ganhava Grand Prix, Montreaux, mas nos Jogos Panamericanos de 2007, perdemos para Cuba de 3 a 2, com 17 a 15 no tie break. “Bando de amarelonas”. A gente tinha 80% de vitórias no nosso currículo, em quatro anos, mas aí tinha uma ou outra derrota pontual, e vinha à tona aquela derrota de Atenas. Até que veio Pequim”.  No esporte, como na vida, se valoriza quem vence. No Brasil, um país onde nem a educação é prioridade, o que dizer do esporte. O Brasil nunca foi e ainda não é, apesar de ter melhorado muito sua infraestrutura e apoio ao esporte, uma potência olímpica. E aqueles que se destacam em um longo período, tem que se reinventar constantemente, demonstrando muita capacidade, resiliência e foco em sua atividade. Mais uma vez, Zé Roberto mostrou tudo isso e muito mais ao mundo. Incentivou um maior intercambio com as principais equipes do mundo, maior conhecimento das adversárias, maior número de jogos internacionais, melhor preparação física das jogadoras, além de maior conhecimento da parte hormonal, saúde mental, e técnicos brasileiros treinando times europeus. Zé Roberto tinha a convicção do que estava fazendo e os quatro anos de trabalho deram resultados inquestionáveis: o time feminino de vôlei do Brasil foi medalha de ouro em Pequim (2008) e Londres (2012). As “amarelonas” enterram o estigma de Atenas. Agora o amarelo, combinando com o verde, azul e branco representava puro ouro. O vôlei feminino brasileiro era bicampeão olímpico e Zé Roberto o único treinador brasileiro que conquistou o tricampeonato. “A única coisa que pensei foi ajoelhar e agradecer a Deus por ter saído daquela situação, eu não pensei em mais nada. Foi o título mais complicado, o mais suado, o mais complicado”. Descreve o humilde, incansável e vencedor Zé Roberto que evita supervalorizar seus feitos. Ao contrário é muito agradecido ao COI (Comitê Olímpico Brasileiro) por ter incluído seu nome no Hall da Fama. “Estar no Hall da Fama do COI é o significado máximo daquilo que eu sonhava quando era criança, adolescente, quando comecei a praticar esporte e nem imaginava que pudesse chegar, um dia, a estar pertencendo a este mundo. Por isso minha gratidão”.  José Roberto Guimarães mais do que um esportista mundialmente reverenciado é um ser humano com valores que serve de exemplo para todos nós.

Zé Roberto e suas paixões além do vôlei: família e sua relação com Barueri

José Roberto é casado com a empresária Alcione Guimarães há mais de 40 anos. O casal tem duas filhas Anna Carolina e Maria Fernanda e cinco netos. É totalmente dedicado à família, declaradamente seus maiores amores. A família Guimarães leva uma vida familiar discreta, longe dos holofotes e das badalações. Esposa e filhas trabalham com o esporte, sempre ligadas aos projetos desenvolvidos pelo Zé Roberto.  Alcione muito mais do que esposa é sua companheira de vida. Ela é a voz feminina que interage, atua, explica, aconselha, quem trabalha há décadas com um time feminino de vôlei. Pode-se imaginar que não é fácil. Zé Roberto em sua peculiar humildade soube reconhecer que precisa de uma equipe de auxiliares do mais alto gabarito, para continuar a se manter no topo. Ninguém faz nada sozinho, seu mantra continua ecoando nas quadras e na sua vida. Alcione tem uma grande parcela de responsabilidade nisso tudo e principalmente na estreita ligação da família Guimarães com a cidade de Barueri. Barueri foi a cidade que escolheu para viver há mais de 30 anos. Construiu um Centro de Treinamento (SportVille) inaugurado em 1994. Desenvolve um programa de formação de jogadoras para as categorias de base, usando a estrutura do CT e toda a logística que a prefeitura de Barueri oferece. Segundo, Zé Roberto, Barueri possui uma das melhores estruturas físicas esportistas do país, com um ginásio que comporta uma lotação de 5.400 espectadores. Zé Roberto também destaca que a população sempre comparece para dar apoio e incentivo aos jogos. Um dos projetos que participou foi a criação do Barueri Volleyball Clube iniciado em 2016 com quatro categorias, sub 17, sub 19, sub 21 e adulta.  Este seu trabalho durou até 2023, quando se transferiu para a Turquia, treinando um clube de Istambul denominado THY, entre 2024 e 2025. Voltou para a Barueri retomar o projeto do vôlei Barueri agora com a parceria do tradicional Clube Paulistano. Zé Roberto é o grande condutor deste projeto que visa revelar jogadoras de vôlei.  O vínculo com Barueri nasceu de algo maior que uma simples parceria esportiva. Para ele, Barueri se tornou um projeto de vida, onde pode unir sua paixão pelo vôlei ao desejo de formar atletas, desenvolver talentos e criar uma estrutura sólida para o esporte feminino. O município por sua vez, encontrou no Zé Roberto uma figura capaz de trazer visibilidade, profissionalismo e ambição esportiva. A relação se fortaleceu porque o técnico vencedor e a cidade empreendedora, buscavam algo em comum: crescimento sustentável, oportunidades para os jovens e protagonismo nacional.

Ao mesmo tempo continua como técnico da seleção brasileira feminina de vôlei.  Desenvolver e revelar atletas é sempre um motivo de muito orgulho para Zé Roberto. Barueri Vôlei é um espaço de formação e revelação de atletas, muitas jovens encontram no clube sua primeira oportunidade profissional. Sua preocupação social é que as jogadoras tenham oportunidades para progredirem na vida, através do esporte, que é uma ferramenta de transformação social. Treinamento rigoroso, acompanhamento psicológico, incentivo ao estudo, ajudam a formar o caráter dentro ou fora do esporte. ou fora dele.  O legado de José Roberto Guimarães ultrapassa e muito toda a grandiosidade que ele conquistou como técnico de vôlei, deixa um ensinamento para a vida, pela sua disciplina, foco em resultados, lealdade, espírito comunitário, e principalmente humildade.

Parabéns, José Roberto Guimarães, pelos 60 anos de sua vida, dedicados ao voleibol brasileiro e que sua vocação de transformar vidas através do esporte perdure por muito tempo.

*Este texto foi escrito com base em informações de www.cob.org.br ; vivadigitalsa.com.br; wikipedia José Roberto Guimarães

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Foto: Wander Roberto/COB

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A Copa do Mundo de futebol e as eleições – por Celso Tracco

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Mais uma vez, a seleção brasileira foi eliminada em uma Copa do Mundo. Caímos nas 8as. de final, perdendo para a Noruega, país sem tradição no futebol internacional. Nas redes sociais, muito se vê e ouve que o resultado do torneio pode ou irá influenciar o resultado das eleições. Mas, a história não diz isso. Desde 1994, quando começou a coincidência de eleições diretas para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, com a realização da Copa do Mundo os resultados não justificam que o eleitor(a) carrega para as urnas a emoção da vitória ou da derrota da seleção.

 – 1994, o Brasil conquistou sua 4ª. Copa, vencendo a Itália nos pênaltis, após agoniantes 0x0 nos 120 minutos de jogo. A situação, governo FHC, obteve 54% dos votos contra 27% dados a Lula. A eleição foi resolvida no 1º turno. Influência do sucesso do Plano Real e não do futebol.

– 1998, perdemos da França, na final, por incontestáveis 3×0. “Vergonha nacional”. FHC, que havia proposto a emenda da reeleição, venceu no 1º turno novamente contra Lula, 53% a 31%. Após a reeleição, houve uma maxidesvalorização do real.

– 2002, Brasil penta campeão, venceu a Alemanha na final por 2×0. A oposição, Lula, venceu o candidato da situação, José Serra, no 2º turno obtendo 61% dos votos contra 39%.

 – 2006, Brasil eliminado pela França nas 4as. de final. “Vergonha nacional”. Lula é reeleito no 2º turno com 61% dos votos contra 39% dados a Geraldo Alckmin.

– 2010 – Brasil eliminado pela Holanda nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, agora perdemos de quem nunca foi campeão mundial. A situação, PT, elege o sucessor de Lula – Dilma Rousseff com 56% dos votos contra 44% de José Serra, no 2º turno.

– 2014, o Brasil passa pela maior vergonha futebolística da história: é eliminado, na semifinal, por acachapantes 7×1 para a Alemanha em pleno Mineirão. Dilma é reeleita, 2º turno, com 52% contra 48% dados a Aécio Neves. Após as eleições o Brasil mergulhou na maior crise econômica de sua história.

– 2018, o Brasil foi eliminado pela Bélgica, nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, perdemos de qualquer um. Jair Bolsonaro é eleito no 2. ° turno com 55% dos votos contra 45% de Fernando Haddad (PT). O eleitor puniu quem provocou a crise econômica de 2015 e 2016.

– 2022, o Brasil foi eliminado pela Croácia, nas 4as. de final. “Vergonha nacional?”. Já nos acostumamos a perder para qualquer um. Jair Bolsonaro não consegue se reeleger. Obtém 49% dos votos no 2° turno contra 51% dados a Lula, que volta ao poder.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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9 de Julho – A Revolução Constitucionalista – por Celso Tracco

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A Revolução Constitucionalista de 1932 constitui um dos momentos marcantes da política brasileira da primeira metade do Século XX. Deflagrada em São Paulo, a revolução tinha como objetivo principal pressionar o governo provisório de Getúlio Vargas a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte e restaurar a ordem institucional cancelada após a Revolução de 1930, terminando com a “República Velha” e iniciando a era Vargas. A revolução paulista foi derrotada militarmente, mas deixou um legado político, sendo até hoje lembrado como símbolo da luta pela legalidade e pelos ideais de uma república federativa. Por ela 9 de Julho é feriado no Estado de São Paulo. O Obelisco do Parque Ibirapuera é um mausoléu dedicado aos combatentes paulistas desta Revolução.

A Revolução de 1930 encerrou a “República Velha”, também conhecida como república do café com leite, pois desde 1894, data da primeira eleição direta para presidente da República, havia uma alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Em outubro de 1930 foi deposto o Presidente Washington Luís que estava em fins de mandato e foi impedido de tomar posse o presidente eleito Júlio Prestes. Ambos os políticos haviam sido Governadores do estado de São Paulo. Getúlio Dorneles Vargas, assumiu em 3 de novembro o governo provisório, dissolvendo o congresso nacional e suspendendo a Constituição de 1891. Vargas passou a governar centralizando a administração pública e nomeando interventores nos estados. No caso de São Paulo, os interventores vindos de outros estados, geraram muitas tensões entre as elites paulistas. A ausência de uma Constituição e governar por decretos, eram interpretados como claros indícios de autoritarismo. Para as classes econômicas, jurídicas e militares paulistas, a manutenção desta situação significava uma ruptura dos princípios federativos e democráticos.

A conjuntura de vários fatores serviu para a eclosão da revolução: a centralização do poder por Vargas; a intervenção federal nos estados; a perda da influência política de São Paulo. Em 23 de maio, no centro de São Paulo durante uma manifestação popular contra o regime, um grupo de apoiadores do governo central, dispararam armas de fogo contra a multidão. Quatro jovens morreram imediatamente: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo Camargo. A sigla MMDC tornou-se um símbolo da resistência paulista. No dia 9 de julho de 1932, as tropas paulistas se rebelaram contra o governo federal, iniciando uma revolução armada. O conflito se concentrou em regiões do Estado de São Paulo, como Vale do Paraíba e na Serra da Mantiqueira, fronteira com Minas Gerais. Estima-se em 35.000 o número de combatentes de São Paulo e cerca de 100.0000 os do governo federal. O número de mortos é incerto, alguns historiadores apontam entre 2.000 e 2.500 sendo deste total 800 a 1.000 paulistas. Sem armamentos e munições, e em visível desvantagem numérica, em 2 de outubro de 1932 São Paulo assinou sua rendição.

Apesar da derrota militar, alguns objetivos foram alcançados: foi convocada uma Assembleia Constituinte e uma nova Constituição foi proclamada em 1934; houve a ampliação dos direitos trabalhistas; foi instituído o voto feminino e secreto; houve a criação da Justiça Eleitoral. Sem dúvida houve um legado da Revolução Constitucionalista, mas pequeno. Getúlio Vargas seguiu no poder até 1945, quando foi deposto. Em 1937, tornou-se um ditador proclamando o Estado Novo, baseado em uma nova Constituição e aboliu a autonomia dos estados. Apenas entre 1934 e 1937 houve eleições, e somente para prefeitos. Em 1950 voltou ao poder por meio do voto democrático. Suicidou-se no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, então Capital Federal em 24 de agosto de 1954. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Relações perigosas. Para quem? – por Celso Tracco

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Para a população brasileira. Mesmo acostumada a ver contínuos escândalos financeiros de todos os tipos, fraudes e descaminhos com o dinheiro público, muitas vezes fruto de relações perigosas entre agentes públicos e entidades privadas, a população pagadora de impostos não para de se surpreender. O caso do Banco Master, que segue ganhando projeção nacional, mantém a lógica de tornar privado o que deveria ser público. Este caso vem batendo todos os recordes nessa prática de relações promiscuas entre agentes públicos e o banco privado. O monstruoso escândalo tem potencial, desde que devidamente investigado, de abalar as estruturas da República Brasileira. Já sabemos quem pagará a conta, mas o que poderia ser feito para, pelo menos, tentar evitar novos escândalos?

Primeiro, devemos nos perguntar, por que um banco privado teria tanto interesse em ter laços tão estreitos com autoridades e servidores públicos? Claro que aqui estamos falando de servidores que desempenham altos cargos na administração pública. Até agora, pelo que já saiu na imprensa, sabemos que o dono e principais dirigentes do Banco Master, mantinham estreitas ligações com membros e/ou com parentes do Poder Judiciário, do Poder Legislativo, do Poder Executivo, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, além de autarquias federais, como o Banco Central. Ou seja, a rede de influência dos administradores do Master era imensa. Será que ela se desfez após a liquidação do banco, e a prisão de seu principal acionista?

Devemos sempre ter em conta a máxima de que todos são inocentes até prova em contrário. Acusar alguém antes do já conhecido “trânsito e julgado” seria uma leviandade. O que tento expor neste artigo é a precariedade de controles das instituições públicas brasileiras. Não é de hoje, e sem distinções de governos, que entidades privadas se apropriam do bem público em benefício próprio e em detrimento do interesse coletivo. Esta prática, no mínimo, drena recursos para as reais necessidades da população mais carente da sociedade brasileira. O que transparece na percepção popular é que um banco com forte atuação em setores como crédito consignado, fundos de aposentadoria de servidores púbicos, agressiva venda de produtos financeiros como CDBs, qualquer proximidade com os gestores públicos, pode gerar conflitos de interesse. Cabe aqui a famosa frase atribuída a Júlio César em 62 a.C. quando exercia o cargo Pretor (magistrado e supremo juiz em Roma) “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. A frase continua sendo válida, após 2.000 anos, para qualquer cidadão ou cidadã que exerce cargo público.

Um ponto desastroso desta relação perigosa, é a falta de confiança nas instituições e em especial no sistema financeiro que perpassa para a população em geral. O mínimo que se espera é que haja transparência total em todas as transações envolvendo o sistema financeiro e órgãos públicos. A falta de transparência, como proteger sigilo bancário de investigados pode influenciar, negativamente, a opinião pública, o que seria desastroso. O uso do dinheiro dos impostos pelos órgãos públicos, deveria ser totalmente auditável, por empresas independentes e sem relações com poderes constituídos. Os resultados das auditorias deveriam ser conhecidos da população, e quem sabe, deste modo, se dificultaria que decisões políticas fossem manipuladas por decisões particulares e privadas.

A população não pode nem deve demonizar o sistema financeiro, evidentemente a economia do país não prospera sem ele, mas o que se espera é que os agentes públicos tenham real cuidado com o dinheiro público, afinal eles foram eleitos para serem servidores públicos e não para se servirem do dinheiro público. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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