A ministra Carmen Lúcia do STF, durante um debate na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) disse a seguinte frase: “Eu não tenho medo da inteligência artificial. Mas da desinteligência natural”. O debate sobre o acesso e uso da tecnologia digital está em alta em vários países do mundo. No Brasil não podia ser diferente. As plataformas digitais, que estão entre as empresas mais valiosas do planeta, obviamente querem o menor número de restrições possíveis. Para as “big-techs”, tudo o que é publicado pelas plataformas, caem na vala comum da “liberdade de expressão”. Para elas quem deve restringir os conteúdos é o próprio usuário. Mas, isto está mudando. Recentemente a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, foi condenada, nos Estados Unidos, a pagar 17 bilhões de dólares, para encerrar um processo movido por dezenas de estados americanos. Uma das acusações foi que o Facebook e o Instagram viciavam crianças e adolescentes. A Meta também se comprometeu a desenvolver e implementar uma serie de restrições ao uso de suas plataformas, por faixa de idade. Outros processos contra as empresas de tecnologia continuam a correr em outros países. Por outro lado, o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, revelou que cerca de 48% dos alunos brasileiros usam Inteligência Artificial (IA) pelo menos uma vez por semana para estudar. O Pisa é realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Pessoalmente penso que a IA veio para ficar, não tem volta. E “muita água ainda vai passar por debaixo da ponte”, até que se chegue a regras que sejam aceitas e aplicáveis para todos e por todos. É inegável que a IA democratiza e facilita o acesso à informação. As ferramentas inteligentes oferecem explicações rápidas, resumos e exemplos que ajudam os estudantes a revisar conteúdos complexos. Em determinadas situações, como por exemplo, a pressão por bons resultados nos vestibulares, essa agilidade se torna um diferencial. Outro ponto que pode ser destacado é a personalização. A IA ajuda a aclarar lacunas de conhecimento e sugerem exercícios sob medida. Para alunos com dificuldades específicas, isso representa uma oportunidade de avançar no próprio ritmo, sem depender exclusivamente do tempo disponível em sala de aula. Além disso, o contato frequente com IA estimula habilidades valorizadas no mercado de trabalho, como pensamento crítico, criatividade e domínio de ferramentas digitais, competências cada vez mais valorizadas em carreiras tecnológicas e científicas.
Apesar dos benefícios, o uso indiscriminado da IA acende alertas. Professores relatam que alguns estudantes passaram a depender das ferramentas para produzir redações, resolver problemas matemáticos ou elaborar trabalhos escolares. A consequência é direta: perda de autonomia e dificuldade em desenvolver raciocínio próprio. Outro risco é a desinformação. Modelos de IA podem apresentar erros, dados desatualizados ou interpretações equivocadas. Sem checagem em fontes confiáveis, estudantes podem reproduzir informações incorretas em provas e trabalhos. A ética acadêmica também entra em pauta. O plágio, agora facilitado por textos gerados automaticamente, preocupa escolas. Muitas instituições já discutem políticas específicas para orientar o uso da tecnologia e preservar a autoria dos estudantes.
Como tudo na vida, o desejável equilíbrio, deve ser o futuro do uso da IA por todos. Educadores defendem que a IA deve ser vista com uma ferramenta de auxilio ao estudante. Ele ou ela devem usar a IA para revisar conteúdos, para pesquisas, para enriquecer seu conhecimento sobre determinado tema. Mas a leitura, a prática da escrita redacional, e o esforço intelectual continuam indispensáveis. Este artigo foi escrito com a ajuda da Inteligência Artificial. Gostou? Escreva para nós, não precisa de IA.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
- Marcha para Jesus reúne fé e shows neste sábado em Santana de Parnaíba
- Barueri tem alerta para tempestades entre sexta e sábado
- Caixa entra em greve por tempo indeterminado nesta quinta
- Cesta básica cai em 25 capitais, mas SP mantém maior preço
- Doação de sangue em Cajamar pode beneficiar até 188 vidas
Imagem: Gerada por IA/Freepik
