Necessidade de reforma na Segurança Pública – por Ramon Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 11 Second

O número de policiais militares (PMs) na ativa no Brasil caiu 6,8% entre 2013 e 2023, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Essa redução no efetivo vai na contramão do crescimento populacional. Entre 2010 e 2022 — anos das duas últimas edições do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) —, a população brasileira aumentou 6,5%.

Não há uma causa única para essa diminuição, que chega a 31,5% no Distrito Federal e 22,5% no Rio Grande do Sul. Esse déficit não mostra a separação do Corpo de Bombeiros da estrutura da Polícia Militar, mas evidencia uma necessidade urgente de reforma no modelo de policiamento ostensivo e preventivo, que é, essencialmente, o principal redutor dos índices criminais e a base da segurança pública.

Em São Paulo, por exemplo, os concursos públicos não conseguem preencher todas as vagas disponíveis, e não há perspectiva de reversão desse quadro. No último certame, das 2.700 vagas ofertadas, apenas 1.079 candidatos foram considerados aptos para a posse. Muitos, no entanto, não permanecem na carreira devido ao baixo salário inicial, pouco superior a R$ 4.000,00, o que faz com que a profissão seja vista apenas como uma etapa temporária até a migração para outras áreas com melhores remunerações.

Mesmo sendo o estado com maior arrecadação do país, São Paulo carece de uma política estadual de segurança pública consistente, sobretudo para os municípios menores ou fora das regiões metropolitanas. A principal alternativa adotada tem sido a “Atividade Delegada”, que permite que policiais vendam suas horas de folga para continuar trabalhando — uma medida que, na prática, incentiva a sobrecarga de trabalho e não resolve o problema da falta de efetivo.

Ainda assim, mesmo com a Atividade Delegada, há escassez de policiamento em grande parte dos municípios paulistas, exceto nas regiões centrais da capital e em algumas cidades de maior porte.

Atualmente, tramita a PEC 18/2025 (Proposta de Emenda Constitucional), que prevê algumas mudanças estruturais. Contudo, dificilmente seus efeitos serão percebidos pela população no curto ou médio prazo. O debate em torno da proposta tem se concentrado em defesas corporativistas e disputas políticas, com governadores e parlamentares argumentando que haveria uma indevida intervenção da União nos estados, o que tem dificultado o avanço da matéria.

Segundo pesquisa do Datafolha (abril de 2025), 58% dos brasileiros percebem aumento da criminalidade. Já o Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o FBSP, destaca a interiorização do crime e o avanço de facções criminosas para cidades médias e pequenas do país.

Diante desse cenário, há uma demanda urgente para que o governo federal, os estados e municípios  atualizem o modelo de segurança pública vigente.

Esse novo modelo deve priorizar a valorização do agente policial, tornando a carreira mais atrativa, com melhores condições de trabalho, formação e remuneração. Atualmente, a falta de políticas de qualificação e reconhecimento faz com que o policial não seja visto como referência profissional.

Além disso, o país carece de serviços de inteligência integrados e sincronizados entre União, estados e municípios, o que compromete a eficiência das ações de combate ao crime.

Assim, o Brasil segue com um modelo de segurança defasado e insustentável, marcado por policiais desmotivados, submetidos a escalas desumanas, e por um efetivo em constante diminuição — refletindo diretamente em uma população que não se sente segura e, de fato, não está segura.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Artroscopia do Quadril: a cirurgia minimamente invasiva que melhorou o tratamento de lesões não degenerativas do quadril – por Dr. Guilherme Falótico

0 0
Read Time:2 Minute, 49 Second

Você sente dor no quadril ao caminhar, cruzar as pernas ou se levantar de uma cadeira? Já recebeu diagnósticos de “bursite” ou “artrose inicial”, mas a dor persiste, mesmo com fisioterapia e medicamentos? O problema pode estar em lesões específicas do quadril que, até poucos anos atrás, passavam despercebidas e não tinham tratamento adequado.

A boa notícia é que a medicina evoluiu, e hoje a artroscopia do quadril oferece uma solução precisa e minimamente invasiva para diversos problemas que antes exigiam cirurgias abertas e recuperações prolongadas.

Neste artigo, vou explicar como essa técnica revolucionária está ajudando milhares de pessoas – inclusive atletas e jovens adultos – a recuperarem sua qualidade de vida sem dor.

O que é a Artroscopia do Quadril?

A artroscopia é um procedimento cirúrgico realizado através de pequenas incisões de aproximadamente 1 centímetro. Por essas micro aberturas, o cirurgião introduz uma câmera (artroscópio) e instrumentos especiais para visualizar e tratar problemas dentro da articulação.

As principais vantagens desta técnica incluem:

  • Menor dano tecidual: Preserva músculos.
  • Visualização ampliada: Permite diagnóstico e tratamento mais preciso.
  • Recuperação mais rápida: Retorno mais breve às atividades diárias
  • Menos dor pós-operatória: comparada às cirurgias tradicionais abertas

Quais Problemas Podem Ser Tratados com a Artroscopia?

1. Impacto Fêmoro-Acetabular (IFA)

É a causa mais comum de dor no quadril em adultos jovens. Ocorre quando há um conflito mecânico entre a cabeça do fêmur e a borda do acetábulo (encaixe do quadril), causando:

  • Dor na virilha ao flexionar o quadril
  • Estalos ou sensação de travamento
  • Limitação progressiva dos movimentos

2. Lesões do Lábio Acetabular

O lábio é uma estrutura de fibrocartilagem que funciona como um “amortecedor” natural do quadril. Suas lesões causam dor e limitação, principalmente na prática esportiva.

3. Remoção de corpos livres articulares

4. Tratamento de tumores sinoviais

Quem Pode se Beneficiar Deste Tratamento?

  • Adultos jovens (20-50 anos) com dor persistente no quadril
  • Atletas que sentem dor durante ou após a prática esportiva
  • Pacientes com diagnóstico de IFA/ lesão labial
  • Pessoas que não melhoraram com tratamento conservador (fisioterapia, medicamentos)

Como é o Processo de Recuperação?

A recuperação varia conforme o procedimento realizado, mas geralmente inclui:

  • Alta hospitalar no mesmo dia ou 24 horas após a cirurgia.
  • Uso de muletas por 2 a 4 semanas.
  • Fisioterapia iniciada imediatamente.
  • Retorno às atividades leves em 4-6 semanas.
  • Retorno aos esportes entre 4 e 6 meses.

Não Aceite Conviver com a Dor no Quadril!

Muitas pessoas passam anos adaptando sua vida à dor, acreditando que não há solução ou que a única alternativa seria uma prótese total – o que não é verdade para a maioria dos casos de IFA e lesões labiais.

Agende uma consulta com um especialista em quadril e descubra se a artroscopia pode ser a solução para você voltar a se movimentar sem limitações.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

“Menas” não existe! – por Tom Moisés

0 0
Read Time:1 Minute, 45 Second

Meu tímpano está doendo até agora. Ontem um colega chegou pra mim e disse:

  • “Ano que vem tem Copa do Mundo, “to pricisano” de “aprendê” “ingrês””.
  • “O quê?” Eu perguntei, pois claro que ele não falaria inglês com “r”.
  • “Eu disse que “to pricisano” de “aprendê” “ingrês””.

Nossa! E não foi que ele repetiu, pensei.

  • “Acho que primeiro você deveria aprender o português”. Eu o adverti.
  • Não, não! “Nu portugues eu já sô bão. “Tô “pricisano mesmo é de falá ingrês”.

Tudo bem que “herrrar é Umano” mas, como dói os nossos tímpanos ao ouvirmos certas expressões erradas, hein?!

Muita utopia da minha parte sonhar que um dia as pessoas irão ler mais, saber mais e utilizarem melhor a língua (refiro-me ao uso correto do idioma).

Mas, errar não é “privilégio” apenas dos mortais que falam. Muitas vezes, os que escrevem também cometem erros quase que imperdoáveis. Aquele que ao escrever nunca errou, que atire a primeira caneta; se encontrarem alguma, né? Pois até as canetas estão desaparecendo.

Outro dia ouvir alguém dizer “menas gente”. Fiquei tão preocupado que resolvi escrever a respeito, para informar e esclarecer aos que ainda não sabem que a palavra “menas” não existe. É uma expressão incorreta, errada e que agride os ouvidos. É tão errada que até o computador não deixou eu escrevê-la. Ele corrigia sozinho. Eu tentava escrever “menas” e ele sozinho corrigia para “menos”.

A palavra “menos” significa o contrário de “mais”, em menor quantidade, comparativo de pouco. A palavra “menas” não existe. Não existe “menas gente, menas palavras, menas coisas”. O que existe são menos gente, menos palavras e menos coisas. Para alguns pode até parecer estranho, mas é assim que é o certo, pode pesquisar. E também podem confiar nesta informação. Em matemática eu “num sô bão não; mais nu portugueis eu agarato”.

E você? Tem algum erro de português que quando você ouve te incomoda?


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A janela quebrada – por Celso Tracco

0 0
Read Time:3 Minute, 2 Second

A teoria da janela quebrada foi apresentada em 1982 nos Estados Unidos e estabelece uma relação de causalidade entre a desordem e a criminalidade. Os autores James Wilson e George Kelling demonstraram que, em uma casa desprotegida, se alguém arremessa uma pedra e quebra os vidros de uma janela e eles não são repostos imediatamente, aquela casa passa a ser considerada abandonada e será vandalizada. Mais ainda, os estudos mostraram que não existe uma grande diferença referente a vandalismo em bairros pobres e bairros ricos. Um carro abandonado em um bairro rico com uma janela quebrada também foi depenado rapidamente.

Em resumo a teoria procura provar que a população tende a respeitar o que está bem cuidado e que funciona. No entanto se algo está abandonado, sujo, sem alguém tomando conta, o bem imóvel, seja privado ou público, não é respeitado e pequenos delitos começam a ser cometidos: vandalismo, invasões, aglomeração de usuários de drogas. Porém, os delinquentes geralmente, começam pelos pequenos delitos e, sentindo que há impunidade, podem ir avançando para delitos mais graves.  

Uso dessa teoria para uma reflexão: como está a “janela quebrada” em seu bairro, em sua cidade? Sendo mais específico, como são cuidadas as escolas municipais?

Cientistas políticos e sociais, são unanimes em afirmar que a educação escolar é a base de tudo. Sem um povo minimamente escolarizado nada dará certo: a mão de obra não será qualificada, não haverá o hábito de leitura, haverá maior agressividade, menor interesse em um aprendizado constante. Então, pergunto: estamos cuidando bem de nossas “janelas escolares”?

Atenção! Apesar da prioridade pelo cuidado e manutenção do equipamento público ser do governo municipal, a fiscalização deveria ser de todos os usuários. Lembre-se que qualquer equipamento público é construído e mantido com o dinheiro de impostos, portanto pertence à comunidade e também cabe a ela preservar.

Cansamos de ver na internet como são organizadas as escolas desde o básico, nos países mais desenvolvidos. As crianças antes de aprenderem as matérias tradicionais, aprendem a ter respeito! Respeito pelos funcionários, pelos professores, pelos seus colegas, pela escola. E aprendem, não com teoria de qualquer gênero, mas praticando. Aos alunos cabe a limpeza da escola, da sala de aula, dos banheiros, de manter a ordem. A alimentação é comum para todos: alunos, professores e funcionários, aprende-se que não pode haver diferenças. Os alunos mais antigos recepcionam os mais novos, mostrando como funciona a escola.

Em uma palavra a escola pertence a eles e cabe a eles cuidarem da escola. Quanta diferença para nós! Veja como está o chão no entorno de qualquer escola de seu bairro. Bem limpo ou cheio de restos de embalagens de comida e de refrigerantes? O que os pais dos alunos conhecem da escola? Os banheiros são higienizados, limpos, torneiras funcionando, toalhas de papel, lixeiras adequadas? Pais e responsáveis devem participar de reuniões que ocorrem durante o ano letivo.

A responsabilidade também é da comunidade. Inclusive no Brasil há vários exemplos de escolas públicas que foram assumidas pela comunidade, em bairros pobres e violentos. Com diálogo, disciplina e respeitando a dignidade dos alunos, a situação caótica mudou e eles responderam positivamente. Se não agimos com dignidade, respeito, educação e disciplina com uma criança, teremos a grande chance de ter um adolescente revoltado, alienado e agressivo.

Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

O interesse de criminosos por motocicletas e o descaso do Estado – por Ramon Soares

1 0
Read Time:2 Minute, 56 Second

Diariamente, somos confrontados com notícias de roubos e furtos de motocicletas, e consequentes vítimas em razão da resistência no ímpeto de frustrarem a ação de bandidos na subtração do bem.

As motocicletas são excelentes meios de transporte, especialmente nas grandes cidades e regiões metropolitanas, tanto para cidadãos de bem quanto, infelizmente, para criminosos. Estes se aproveitam da agilidade e discrição do veículo para abordar vítimas e fugir rapidamente, dificultando a ação policial, tanto na repressão quanto na investigação dos crimes.

As mortes se multiplicam dia após dia, muitas vezes sem que a vítima sequer reaja. Pessoas inocentes têm sido executadas friamente, como se fossem descartáveis — mortas sem qualquer piedade, como aves em abatedouros.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Em 2024, 6.759 ocorrências foram registradas no primeiro trimestre, enquanto em 2025 foram contabilizados 7.547. Isso representa um aumento alarmante de 10,5 em relação ao mesmo período de 2024. Em termos práticos, significa que, em média, quatro motocicletas são levadas por hora no estado.

Apesar desse crescimento expressivo, a Secretaria ainda não apresentou uma explicação concreta para o aumento. Por outro lado, tem divulgado ações que considera investimentos em segurança pública. Um exemplo é a aquisição de 180 novas motocicletas para patrulhamento, com um custo de R$ 24 milhões.

No entanto, essa resposta segue um padrão já conhecido: discursos bem elaborados, apresentações de currículos e conhecimento técnico por parte das autoridades, mas pouca ação concreta. As entrevistas em telejornais parecem ser, para muitos gestores, mais importantes que a própria gestão operacional voltada à redução dos índices criminais.

Percebemos uma reação imediatista, como se apenas a exposição pública bastasse. A compra de viaturas e motocicletas é tratada como solução mágica, empurrada goela abaixo da sociedade, como se apenas isso fosse suficiente para ampliar a presença policial — seja da Polícia Militar no estado ou das Guardas Municipais nos municípios.

A realidade é que o efetivo policial está reduzido ou mal distribuído, e não existe, nem no estado de São Paulo nem nos municípios, uma política pública séria, planejada e eficaz para combater esse tipo de crime — e tantos outros. As medidas continuam paliativas, quando não meramente simbólicas, como a compra de veículos, que, além de tudo, depende de um processo burocrático demorado.

Mas por que também responsabilizar os municípios pelos crimes praticados com uso de motocicletas, além dos furtos e roubos?

Porque os municípios têm a obrigação de cuidar da segurança de suas populações. Isso está previsto no parágrafo 8º do artigo 144 da Constituição Federal, regulamentado pela Lei 13.022/14, que estabelece, entre as 18 competências das Guardas Municipais, a atuação preventiva e permanente no território do município para proteger a população que utiliza bens, serviços e instalações públicas.

Fica evidente que não há, por parte do Estado de São Paulo (pois buscamos os dados da Secretaria de Segurança paulista) nem dos municípios, qualquer medida séria, inteligente e coordenada para reduzir as mortes de trabalhadores e os prejuízos causados à população. O que vemos é uma fórmula repetida: entrevistas de gestores de segurança pública, promessas de mais viaturas — como se isso dispensasse a valorização do policial —, apresentação de estatísticas que não confortam famílias enlutadas e os bordões eleitorais de sempre, como “bandido aqui não se cria”, ou “aqui tem polícia”.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Assessoria de Imprensa: por que ela continua sendo essencial diante do novo comportamento da Geração Z? – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:3 Minute, 3 Second

Na semana passada, abordamos aqui o novo comportamento da Geração Z nas redes sociais. Hoje, vamos mostrar por que a assessoria de imprensa continua sendo essencial diante dessas mudanças. O avanço do social commerce, aliado à transformação digital dessa geração, tem levado empresas a revisarem suas estratégias de comunicação. Com menos foco no feed e maior preferência por interações privadas e conteúdos efêmeros, muitos gestores questionam se métodos tradicionais, como a assessoria de imprensa, ainda são eficazes. A resposta definitiva é: SIM. Na verdade, esse serviço se torna ainda mais fundamental nesse novo contexto.

A Geração Z, formada por jovens nascidos entre 1997 e 2012, cresceu imersa na tecnologia, mas hoje faz um uso mais seletivo e intencional das redes sociais. A tendência do “feed zero”, em que perfis permanecem praticamente vazios, não significa desconexão, mas sim a busca por autenticidade, privacidade e espontaneidade. Essa geração valoriza marcas que transmitam credibilidade e estabeleçam conexões reais, filtrando com rigor o que consome e ignorando rapidamente o que parece artificial ou excessivamente publicitário.

É justamente nesse ponto que a assessoria de imprensa mostra sua força. Ao trabalhar de forma estratégica para construir reputação, ela posiciona marcas e profissionais de forma natural nos canais onde a Geração Z busca informação, ampliando a visibilidade sem recorrer a táticas invasivas.

Ao contrário dos anúncios pagos, facilmente identificados e muitas vezes ignorados, uma reportagem em um portal de credibilidade, uma entrevista em um podcast ou um artigo de opinião em um veículo especializado carregam peso e confiança. Para a Geração Z, a validação por meio da mídia é um sinal claro de autoridade.

A assessoria de imprensa cria histórias que vão além da propaganda. As pautas são construídas com base em dados, fatos e propósitos, transmitindo mensagens mais humanas e consistentes. É o tipo de abordagem que ressoa com uma geração cansada de imagens polidas e textos engessados, e que prefere conhecer o lado verdadeiro das marcas. Indo muito além da mídia tradicional como veículos impressos, rádio e TV, a assessoria atua também nas mídias digitais, conecta marcas e profissionais a blogs, podcasts e influenciadores, e transforma pautas jornalísticas em conteúdos adaptados para Reels, TikTok e stories, garantindo que a mensagem chegue aos formatos e espaços mais consumidos pela Geração Z.

Mais do que apenas vender, essa geração busca diálogo e posicionamento genuíno. Releases, entrevistas e artigos de opinião, produzidos pela assessoria de imprensa, ajudam a fortalecer relações e a construir uma imagem sólida, o que contribui para o engajamento e a fidelização. Para atingir esse público, a assessoria de imprensa precisa atuar de forma integrada, incorporando influenciadores que tenham identificação verdadeira com a audiência, humanizando as narrativas e valorizando causas e propósitos relevantes para esse grupo. Marcas que se posicionam de maneira clara e coerente têm muito mais chances de serem lembradas e recomendadas.

Portanto, investir em assessoria de imprensa é essencial para marcas e profissionais que desejam se destacar e se conectar de forma verdadeira com a Geração Z. Em um cenário de constante transformação digital, essa estratégia se torna um diferencial competitivo, capaz de gerar credibilidade, fortalecer a autoridade e construir relacionamentos duradouros com um público cada vez mais exigente. Quem não se adaptar a essa realidade corre o risco de ficar invisível no mercado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Geração Z, “feed zero” e o futuro das vendas nas redes sociais – por Adriana Vasconcellos

0 0
Read Time:3 Minute, 37 Second

A Geração Z, também conhecida como Zoomers (pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e início de 2010), está mudando as regras do jogo digital e das vendas. Nativa das redes, essa geração cresceu cercada pela tecnologia, mas agora começa a utilizar as plataformas de um jeito diferente. Surge, então, uma tendência em ascensão: o “feed zero”, em que os perfis permanecem quase vazios, embora seus donos continuem ativos em stories, mensagens diretas e grupos privados.

Esse comportamento mostra que os jovens priorizam interações mais autênticas, privadas e efêmeras, o que impacta diretamente a forma como as marcas se conectam com eles e vendem seus produtos. A decisão de abandonar o feed tradicional não é aleatória, ela reflete mudanças profundas na maneira como a Geração Z enxerga o ambiente digital.

Muitos demonstram cansaço com a superexposição e a constante comparação, já que a pressão por curtidas e validação social pode gerar ansiedade, levando-os a evitar o julgamento público. Soma-se a isso a preocupação com privacidade e rastros digitais, que os faz reduzir conteúdos permanentes. Essa geração também busca autenticidade e espontaneidade, valorizando momentos reais compartilhados em formatos rápidos, como stories e mensagens privadas. Além disso, o desgaste com algoritmos e conteúdos excessivamente perfeitos desestimula a publicação no feed, reforçando a preferência por interações mais orgânicas e menos planejadas.

O resultado é um uso das redes mais seletivo, onde o conteúdo efêmero e as interações privadas ganham destaque. A Geração Z não está desconectada, apenas escolhe ambientes digitais que ofereçam controle, proximidade e menor exposição pública. Essa tendência já força mudanças nas próprias plataformas, que investem cada vez mais em stories, transmissões ao vivo e vídeos curtos, reforçando a experiência espontânea que os jovens buscam.

E como esse comportamento afeta as vendas nas redes sociais?

As redes sociais continuam sendo uma vitrine poderosa para as marcas. Costumo dizer que o Instagram pode ser tanto a 25 de Março quanto a Oscar Freire, dependendo do produto ou serviço que está sendo oferecido. Segundo o Relatório do Varejo 2025, divulgado pela Adyen, 55% dos brasileiros compram pelas redes e 37% tendem a adquirir produtos que estão em alta. No entanto, o novo comportamento da Geração Z está transformando a dinâmica das vendas. Com menos atenção no feed, anúncios estáticos e excessivamente produzidos perdem efeito. Essa geração é rápida em identificar conteúdos que parecem “forçados” e tende a ignorá-los.

Em contrapartida, a Geração Z valoriza conteúdos autênticos. Campanhas que mostram bastidores, depoimentos reais e situações do dia a dia têm muito mais chances de engajar. Nesse cenário, parcerias com microinfluenciadores e conteúdo colaborativo (UGC) se tornam estratégias poderosas. Outro fator é a expansão dos formatos efêmeros. Stories, Reels e TikTok são os espaços onde as marcas precisam estar, já que vídeos curtos, criativos e diretos geram maior conexão com esse público.

Apesar das oportunidades, existem desafios. Grande parte das interações acontece em grupos fechados e mensagens privadas, o que dificulta a mensuração de resultados. Isso exige maior investimento em dados, análise de comportamento e campanhas personalizadas. Além disso, não basta vender; é preciso construir relacionamento. A Geração Z espera que as marcas conversem, se posicionem e criem vínculos. Estratégias focadas apenas em conversão de vendas perdem força, abrindo espaço para um marketing/comunicação mais humano e participativo.

O “feed zero” e a preferência por interações privadas mostram que a Geração Z não rejeitou as redes sociais, mas demanda novas formas de conexão. Para as marcas, isso significa repensar anúncios, criar experiências autênticas e investir em formatos que gerem engajamento real.

As empresas que entenderem essa transformação terão vantagem no social commerce, que já movimenta bilhões e segue em crescimento. Portanto, este é o momento de adaptar sua estratégia, falar a língua dessa geração e transformar seguidores em clientes fiéis.

Investir nessas três frentes de forma coordenada não é luxo. É uma estratégia inteligente e cada vez mais indispensável para qualquer empresa ou profissional que queira se destacar.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Novo normal? Ou total anormalidade? – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 7 Second

Viver na Grande São Paulo é por si só um constante desafio. Para idosos, como eu, diria que é insano. Qualquer situação, seja para lazer, ou obrigação, como consultar um médico, exige uma grande dose de preparação, planejamento, paciência, resiliência. Locomover-se em São Paulo, seja a pé, de transporte público ou privado é tarefa para profissionais, senão vejamos por alternativas.

 Se a escolha for ir a pé, você precisa trajar-se e calçar-se adequadamente. E adequado não significa elegante. Seus pés devem se acomodar em um tênis apropriado para caminhadas por pisos bastante precários. São Paulo é bem conhecida pela qualidade de suas péssimas calçadas. Prepare-se para encontrar, vários tipos de pisos, incluindo a ausência deles. Inúmeros obstáculos desfiarão sua meta: lixo acumulado em lixeiras enormes ou mesmo fora delas, pontos de ônibus semidestruídos, postes em profusão, degraus e rampas feitas de forma aleatória, apropriação indevida do espaço público, além de entradas e saídas de veículos não sinalizadas, onde o veículo tem sempre preferência. Na parte da vestimenta, aconselha-se a usar um agasalho ou moletom sem identificações. Evidentemente não leve celular, carteira, bolsa, relógio, brincos, anéis ou aliança. Carregue pouco dinheiro, para o ladrão que lhe abordar não ficar frustrado e violento, um cartão de débito e um documento pessoal com foto. Vítimas de atropelamento, ou outros acidentes, como queda em bueiros mal tampados, são resgatadas pelo SAMU e conduzidas a um hospital público, o documento facilita a identificação. Última recomendação, tenha com você um número de telefone para emergência.

Caso sua opção seja o transporte público coletivo, as exigências e precauções são outras. Primeiro, considere que sua viagem pode levar mais tempo do que você imagina. Prepare-se para viajar em pé e, provavelmente apertado. Lugres para idosos existem e estão bem-sinalizados, mas em geral já estão ocupados. Também esteja sempre alerta com seus pertences e programe-se para deixar o coletivo pelo menos uma parada antes da sua. A viagem pode ser tensa, mas as emoções estão garantidas, trate de desfrutá-las. Ponto positivo, dependendo de sua idade a passagem e o desconforto são grátis.

Por último, você tomou coragem e resolveu ir com seu próprio carro. Se ele for um  SUV, blindado, com giroflex, sirenes, não importa se você está em uma atividade particular, todos vão pensar que você é uma autoridade e está trabalhando a serviço do bem-estar da comunidade. Os sons e luzes produzidos pelo seu veículo, obrigarão os demais condutores a “espremerem” seus carros, abrindo espaço para sua nobre passagem. Mas, se você for um dos milhões de motoristas em um carro comum, meus sentimentos. Sofrimento garantido, que São Cristóvão e o Waze lhe protejam e que você chegue ao seu destino, superando todos os obstáculos, na hora aprazada. Claro, você precisa estacionar. Sem problemas, os shoppings centers, como ilhas da fantasia em mares revoltos, estão aí para nos acolher. Não é de graça, mas o que fazer? Ok tudo terminado, missão cumprida, agora é só pegar o caminho de volta para casa. Que você se afaste das tentações, dos motoboys, dos apressadinhos, dos carros de aplicativo, das faixas de ônibus e dos VUCs. Tudo vai dar certo.

A mega São Paulo congestionada, poluída, insegura, mas rica, cosmopolita, moderna, atraente, culta, intrigante, em tudo caótica. Seu poder de sedução, certamente compensa as ameaças dos obstáculos, ela segue conquistando corações e mentes. Sigamos em frente. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante. Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Humildade! Por onde andas? – por Celso Tracco

1 0
Read Time:2 Minute, 59 Second

Estamos vivendo em uma sociedade caótica. Somos diariamente expostos a fatos e notícias onde a ética, moral, respeito mútuo, compaixão, solidariedade, inclusão, entre outras virtudes sociais, não fazem parte do conteúdo noticiado. Ademais, as perspectivas futuras, não são nada animadoras. Será que estamos em um caminho sem volta, rumo ao caos? Prefiro pensar de um modo, digamos, mais otimista, afinal a humanidade já passou por muitos períodos turbulentos e conseguiu superá-los. Toda e qualquer anormalidade social, envolve todos os indivíduos pertencentes a essa sociedade. Portanto, penso ser muito importante termos consciência que se há um problema, somos parte deste problema e civilizadamente, devemos ser parte da solução.

Iniciando nossa reflexão, julgo ser importante desenvolvermos para a nossa vida cotidiana, uma virtude muito difícil de se encontrar hoje em dia: a humildade. Desde logo deixo claro que ser humilde, não significa ser uma pessoa passiva, inerte, contemplativa, alienada do mundo e de suas contradições. Pelo contrário, a humildade deve ser uma característica de uma pessoa ativa, participante e envolvida com sua comunidade. Ter atitude humilde e coerente, não é fácil, primeiro requer uma profunda reflexão interna sobre nós mesmos. A humildade é uma atitude que deve vir de dentro de nós. Coração, mente e espírito em comunhão. Não é apenas racional ou emocional, é algo maior com uma ampla dose de espiritualidade. A humildade não deve ser ocasional, mas um modo de vida. Uma atitude consciente e coerente com o nosso viver. Requer muita energia interna, muita reflexão e muita força de vontade. Parece desanimador? Sim, não é fácil, mas os ganhos podem ser incalculáveis. Paz e serenidade com você mesmo, não tem preço.

Reconhecer que somos seres humanos iguais a qualquer outro, nem melhores, nem piores, é um gesto de coragem e nobreza. Tendemos a pensar que quem não tem a nossa cor da pele, nossa confissão religiosa, nosso grau de instrução, nossa opção sexual, nossa ideologia, não está do “lado certo da história”. Ser humilde é construir “pontes” e não “muros”. É tratar, no dia a dia, qualquer ser humano de qualquer etnia, sexo ou idade, com a mesma dignidade e atenção que gostaríamos de sermos tratados. Ser humilde é respeitar, por princípio, a individualidade de cada pessoa humana.

Exercer a humildade, também é uma chave para aumentar nosso conhecimento. A ativa comunicação com os demais, desde que livre de preconceitos e de parâmetros pré-estabelecidos, nos leva a enxergar uma realidade com outros olhos. E surpresa! Esse novo olhar pode ser mais adequado que o anterior. Para novos conhecimentos é preciso ter o pensamento aberto para recebê-los. Caso já saiba de tudo, não preciso aprender mais nada e fecho a possibilidade de um possível crescimento intelectual.

Quem pratica a humildade tende a ver o mundo com muito mais amor, compaixão, sobriedade, equilíbrio, equidade, dando e recebendo dignidade no contato com outras pessoas. Agir com humildade torna a convivência, muito mais humanizada, equilibrada e pacífica. Não somos melhores que ninguém, evidente que somos diferentes, que pensamos diferente, que vivemos de modo diferente, mas isso não significa que não possamos conviver com o diferente de maneira cordial e convergente. A atitude humilde pode nos afastar da barbárie que a sociedade atual, parece querer nos impor. Amigo leitor, amiga leitora aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante. Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Segurança Pública Municipal e Urbanismo Social: Caminhos integrados para a cidadania e prevenção da violência – por Reinaldo Monteiro

6 0
Read Time:3 Minute, 15 Second

O presente artigo analisa a intersecção entre a segurança pública municipal e o urbanismo social, com enfoque na importância da atuação integrada entre políticas de segurança e estratégias de desenvolvimento urbano voltadas à inclusão social. Considerando o papel constitucional dos municípios e o protagonismo das Guardas Municipais no contexto da Lei 13.022/2014, discute-se como o planejamento urbano pode ser uma ferramenta eficaz de prevenção à violência e promoção da cidadania. O texto propõe ainda uma abordagem sistêmica, preventiva e comunitária para a construção de cidades mais seguras e humanas.

A segurança pública, historicamente vista como responsabilidade exclusiva dos estados e da União, tem passado por uma ressignificação importante, especialmente após o reconhecimento do papel dos municípios na promoção de ambientes seguros e organizados. Em paralelo, o conceito de urbanismo social surge como uma estratégia de transformação urbana focada na inclusão, participação cidadã e melhoria da qualidade de vida em territórios vulneráveis. A articulação entre esses dois campos é essencial para uma política de segurança mais eficiente, preventiva e democrática.

O Papel dos Municípios na Segurança Pública

A Constituição Federal de 1988 atribui aos municípios competências relacionadas à organização do espaço urbano (art. 30) e à proteção dos bens, serviços e instalações públicas (art. 144, §8º), função exercida pelas Guardas Municipais. A Lei 13.022/2014, conhecida como Estatuto Geral das Guardas Municipais, reforça esse protagonismo ao estabelecer que essas instituições devem atuar com base nos princípios da prevenção, proximidade e promoção dos direitos fundamentais.

Nesse contexto, a segurança pública municipal deve ser entendida para além da repressão ao crime, incluindo ações integradas com políticas sociais, educativas, urbanísticas e ambientais.

Urbanismo Social: conceito e aplicação prática

Urbanismo social é uma abordagem de planejamento urbano que coloca as pessoas e suas necessidades no centro da política pública. Inspirado por experiências bem-sucedidas em cidades latino-americanas, como Medellín (Colômbia), o urbanismo social busca revitalizar áreas vulneráveis por meio de obras de infraestrutura, criação de espaços públicos de convivência, equipamentos sociais, mobilidade urbana e políticas de participação popular.

Esse modelo parte do princípio de que o espaço urbano qualificado reduz desigualdades e inibe dinâmicas de violência, promovendo pertencimento e cidadania.

Integração entre Segurança Pública Municipal e Urbanismo Social

A integração entre segurança pública municipal e urbanismo social exige um planejamento territorial estratégico, pautado em diagnósticos locais e participação comunitária. A presença das Guardas Municipais em ações de urbanismo preventivo pode fortalecer vínculos com a comunidade e melhorar a percepção de segurança, especialmente em áreas marcadas pela vulnerabilidade social.

Essa integração pode ocorrer de diversas formas:

  • Implantação de Planos Municipais de Segurança Pública com base em dados urbanos e sociais;
  • Participação das Guardas em projetos de requalificação de espaços públicos;
  • Apoio a programas de mediação de conflitos comunitários;
  • Inserção da segurança cidadã no contexto de políticas urbanas inclusivas.

Desafios e Oportunidades

Entre os desafios, destacam-se a escassez de recursos nos municípios, a ausência de políticas intersetoriais e a resistência cultural à mudança de paradigma em segurança. Por outro lado, há oportunidades claras:

  • Captação de recursos federais via SUSP – Sistema Único de Segurança Pública;
  • Estabelecimento de parcerias público-privadas para projetos de reurbanização;
  • Fortalecimento institucional das Guardas Municipais com base na legislação federal vigente.

Considerações Finais

A construção de cidades mais seguras passa, necessariamente, pela valorização do papel dos municípios na gestão da segurança e pela adoção de políticas urbanas centradas na dignidade humana. O urbanismo social, ao lado da segurança pública cidadã, oferece um caminho viável para combater a violência estrutural de forma preventiva, participativa e sustentável. Cabe aos gestores municipais e aos agentes públicos envolvidos no planejamento urbano e na segurança pública promover essa integração de forma planejada, estratégica e centrada nos direitos fundamentais da população.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Happy
Happy
100 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: