CAOS, DOR, SOFRIMENTO – por Celso Tracco

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Dentre todas as espécies conhecidas, o ser humano foi a que melhor desenvolveu o cérebro e com isso passa a raciocinar, a prever, a ter estratégias para enfrentar e se adaptar a qualquer situação, por mais inesperada e difícil que pareça. Infelizmente, também usa suas habilidades cognitivas, para fazer o que mais aprecia: guerrear, matar, conquistar territórios, escravizar prisioneiros, expandir domínios, eliminar possíveis ameaças, destruir a natureza. Isso não é de hoje, o famoso livro A Arte da Guerra, atribuído ao estrategista Sun Tzu, foi escrito na China há 2.500 anos. Um dos mais antigos tratados sobre o tema “guerra”. A obra tem 13 capítulos e fala da estratégia militar, planejamento, conhecimento do inimigo e flexibilidade tática. A Ilíada e a Odisseia poemas escritos pelo poeta grego Homero, são ainda mais antigos. Homero viveu entre os anos de 750 e 650 a.C. Os poemas enaltecem os guerreiros e heróis gregos, reais ou imaginários, mas sempre combatentes. Essa obra é considerada fundamental para se entender a cultura ocidental. Portanto, não é de hoje que a humanidade, no ocidente ou oriente, adora, admira, e deseja guerras. A maneira de convivência das diversas culturas humanas, certamente mudou muito nos últimos 30 séculos, mas a cobiça, a arrogância, a ganância, o desejo de conquistar, de acumular poder, de ser “o rei dos reis”, a indiferença pela vida dos outros, a exploração dos inimigos, não mudou. Continuamos com o título da mais cruel, sanguinária, bárbara, impiedosa espécie que já surgiu na face da Terra. Gostamos de enaltecer aqueles ou aquelas que a sociedade atual classifica como vencedores, atribuindo-lhes o título de: “águia ou falcão, leão ou tigre, tubarão”. Não importa onde seja: no ar, terra ou água, imitamos os maiores predadores.

Certamente ficamos indignados, vendo crianças sendo mortas em salas de aula, cidades destruídas, instalações civis de infraestrutura sendo deliberadamente bombardeadas. A intenção do atacante é clara: deixar a população inimiga padecer de fome e de sede. E isso é feito em nome de Deus, matar inocentes em nome de Deus! Deixando claro que isso acontece com qualquer dos lados em litígio. O Deus pode ser Jesus Cristo, Alá ou Javé. Pode ser chamada de cruzada ou guerra santa, o importante é que a matança de inocentes, segundo os senhores da guerra, é obra de Deus. É inacreditável que uma raça conhecida pela sua capacidade cognitiva, racional, mesmo depois de 40 séculos de história, comprovadamente recheada de genocídios sangrentos, ainda cultive uma cultura de guerra, de morte e destruição, em detrimento de uma cultura de paz, de entendimento mútuo, de compreensão. A marcha da insensatez humana não tem fim.

Há 120 anos, os Estados Unidos da América, alcançaram o posto da maior potência econômica e militar do mundo, e permanecem assim até hoje. Baseado na teoria do manda quem pode, nos últimos 80 anos o Estados Unidos já interferiu militarmente em dezenas de países, sempre com o pretexto de “proteger a democracia” e seus próprios interesses. Destaco alguns: Coreia (1950-1953); Vietnã (1955-1975); Kuwait (1991); Iraque (2003-2005); Afeganistão (2001- 2022). Essas intervenções deixaram milhões de vítimas, entre civis e militares. As baixas militares americanas, são estimadas em torno de 104.000 mortos e 305.000 feridos. Vietnã, Iraque e Afeganistão, são intervenções classificadas como verdadeiros fracassos. Os Estados Unidos, apesar de todo seu poderio econômico e militar, não alcançaram os objetivos iniciais que levaram o país à guerra. Será que valeu a pena? E agora, valerá a pena? Não tenho essa resposta, o que sei é que o caos, a dor e o sofrimento, para todos os envolvidos, já estão assegurados.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Mulheres e a estúpida hostilidade masculina

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Dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. A data lembra 08/03/1857, quando 129 mulheres operárias em uma tecelagem de Nova York entraram em greve exigindo melhores condições de trabalho e a redução da jornada de 16 horas diárias para “apenas” 10 horas. Elas não conseguiram êxito em suas reivindicações. A sociedade altamente machista e misógina daquela época, considerava a mulher um ser humano de segunda categoria, descartável. O tempo passou, novas mulheres que não se conformaram em serem apenas observadoras e seguidoras das vontades masculinas, persistiram batalhando pela causa. Perceberam que uma causa dessa magnitude, ainda que seja meritória, se vence a longo prazo. Principalmente quando a causa implica na mudança de uma cultura milenar, onde a mulher era vista como um objeto, como uma “máquina” reprodutora da espécie e cuidadora de suas crias, de seu lar, de sua família e agregados.

A Revolução Industrial, acrescentou mais um fardo para a mulher, pois ela passa a ter um valor econômico, é mão de obra barata para as fábricas em expansão. Agora, além de ser reprodutora, cuidar da casa e de seus filhos, era explorada pelo novo sistema econômico. Mostrando a resiliência e a perseverança das mulheres pela sua causa, apenas em 1910, 63 anos após aquela greve em Nova York, em um congresso feminista na Dinamarca o dia 08/03 foi escolhido como o Dia Internacional da Mulher e somente em 1975 a data foi oficializada pela ONU. Neste período, milhares de mulheres pelo mundo pagaram com suas vidas na luta pela melhoria das condições de trabalho, pela igualdade salarial, pela adoção de creches, contra abusos sexuais e psicológicos, entre outras reivindicações sociais e econômicas que hoje são leis em muitos países.

No Brasil, as mulheres também lutam pelos seus direitos cívicos e sociais há muito tempo. Cá como lá a resistência é forte por parte da sociedade machista. Algumas conquistas: apenas em 1932 foi aceito o voto feminino; em 1962, pasmem, a mulher casada deixou de ser considerada incapaz pelo Código Civil Brasileiro. Antes disso precisava da autorização expressa do marido para alienar seus próprios bens e exercer determinadas profissões. Em 2006, foi promulgada a lei Maria da Penha que defende a mulher contra a violência doméstica e em 2015 a lei do feminicídio (homicídio das mulheres em contexto de violência familiar ou de gênero).

Mas a desigualdade persiste entre homens e mulheres: a renda média das mulheres é menor que a dos homens, em praticamente todas as atividades econômicas. Cada vez mais mulheres alcançam graduações e pós-graduações universitárias, são empreendedoras e criativas, mas raras vezes atingem os mais altos níveis da administração privada ou pública. A plena igualdade de oportunidades ainda é uma utopia. Elas representam 52% da população, mas ocupam menos de 20% dos cargos públicos eletivos. Apesar dos partidos políticos serem obrigados a ter uma cota mínima de candidatas mulheres, procuram cumprir a norma, mas raramente apoiam as candidaturas femininas. Finalizando, em 2025 quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, pelo crime de feminicídio.

A sociedade seria muito mais humanizada, se homens e mulheres, pudessem viver de acordo com sua capacidade financeira, física, emocional, comportamental, exercendo a atividade que desejam de forma digna e respeitosa com todos os demais. Infelizmente a luta que começou há 170 anos, com uma greve ainda não terminou. A causa continua justa e civilizatória, e apenas com uma vida plena para todos, independente do gênero, cor, etnia, crença teremos uma sociedade pacificada. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Corrupção é o flagelo da civilidade – por Celso Tracco

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Passadas as emoções carnavalescas, voltamos a falar de nossa dura realidade e suas recorrentes máculas. Infelizmente, o que é bom dura pouco. Vida que segue. Vamos lá! Recentes pesquisas de opinião, afirmam que o principal problema do Brasil, apontado por mais de 50% dos entrevistados, é a corrupção. Em segundo lugar, está a (in)segurança pública. Este resultado não causa espanto para ninguém, dado que, praticamente todos os dias somos “bombardeados” com algum novo caso de corrupção envolvendo algum agente ou entidade pública.

Comprovando esta preocupante percepção da população brasileira, a ONG Transparência Internacional (www.transparenciainternacional.org.br) divulgou recentemente um estudo realizado em 182 países e territórios, denominado Índice de Percepção de Corrupção (IPC). O IPC de 2025 mede os níveis de percepção da corrupção no setor público, baseando-se em 13 fontes independentes de informação, usando uma escala que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro). A média global foi 42, o Brasil alcançou apenas 35, ficando na 107ª posição. Os três países menos corruptos no mundo são: Dinamarca (89), Finlândia (88) e Singapura (84). Além de estar abaixo da média global, o mais preocupante no caso brasileiro é que desde 2012, quando começou a divulgação deste índice, a posição do Brasil não se alterou significantemente, demonstrando que a corrupção é um problema antigo, endêmico em nossa sociedade. Abaixo algumas análises e recomendações, extraídas do relatório IPC 2025, publicado pela Transparência Internacional.

O relatório indica que “há uma estreita ligação entre corrupção e perda da liberdade democrática, quanto menos democrático é o sistema de governo, maior é a percepção de corrupção. Pesquisas e a experiência prática mostram que um modelo de poder em favor do bem comum, combatem de forma mais eficaz a corrupção. Os governos devem tomar medidas para fortalecer seus sistemas de justiça, assegurar a fiscalização independente dos processos decisórios e gastos públicos; garantir a transparência no financiamento de partidos e campanhas eleitorais e proteger a liberdade dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, é necessário que as autoridades colaborem entre si na hora de enfrentar seus desafios em comum – por exemplo, através do fechamento de canais que possibilitam a corrupção transnacional, que inclui a lavagem de dinheiro e a ocultação de verbas desviadas”.

Em um sistema político como o brasileiro, democrático ainda que tenha muitos vícios e falhas, em última análise quem decide quem vai governar é o voto popular. A sociedade, como um todo, é que elege seus governantes. Devemos procurar conhecer mais os candidatos que desejam mandatos públicos e se eles estão realmente comprometidos a fortalecer a transparência e fiscalização dos serviços públicos e, principalmente, a gestão das verbas públicas. Como opinião pessoal, parece que o governo brasileiro, institucionalmente, tem muito a fazer nesta área. Igualmente, em vista dos últimos acontecimentos, estamos muito longe de prevenir, detectar e punir a corrupção em larga escala, entre os agentes econômicos e os agentes públicos. Persiste uma percepção de impunidade para as camadas mais altas da sociedade, principalmente quando se trata de crimes financeiros. Precisamos ter sempre em mente que o dinheiro público desviado pela corrupção, no final vai significar menos verbas para saúde, educação, mobilidade urbana, moradias para quem realmente precisa. A corrupção é mais um fator que aumenta a vergonhosa desigualdade social no Brasil.

Combater a corrupção é um dever cívico, para toda a sociedade brasileira. Comprar produtos pirateados, por exemplo, é mais um elo que fortalece a corrente da corrupção. Nesta corrente, a sociedade deve ser parte da solução e não do problema.    


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A natural ilusão do carnaval – por Celso Tracco

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Já na antiguidade, várias civilizações como a babilônica, grega e romana, celebravam festas populares. Por vários motivos: festejar a fertilidade da terra, da colheita abundante, para homenagear seus deuses ou deusas, ou o início da primavera. Uma característica comum, dessas festas, era uma liberalidade dos costumes e das regras de comportamento em tais civilizações. Nessas ocasiões, poderiam festejar senhores e escravizados, homens e mulheres, ricos e pobres, todos em igualdade de condições. Podemos dizer que nesses dias festivos, não havia distinções sociais, ou de poder ou de gênero, todos eram iguais. Até uma razoável liberalização dos costumes era permitida. Extravasar sentimentos e desejos era aceitável. Em geral as festas duravam de 3 a 5 dias, passada a festa tudo voltava ao normal, sob o império da lei e da ordem social estabelecida.

Com o fim do Império Romano, a população europeia ficou, em termos de comportamentos social, sob a leis e normas da Igreja Cristã. Este é o período que a História denomina de Cristandade. Algumas daquelas festas populares continuaram e foram se adequando ao calendário religioso. Uma delas tinha o nome latino de “carnis levale”, ou seja, adeus a carne, pois a partir do fim da festa a população estava obrigada a uma grande abstinência deste alimento. No final do século VI, a Igreja determinou que o “carnis levale” fosse celebrado justo antes do período da quaresma. Cada lugar e região festejava o “carnis levale” a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, exagerando no consumo de comidas, bebidas e com muita música e animação. O uso de máscaras, fantasias, a valorização do ridículo, eram ingredientes comuns na celebração. Portanto, podemos dizer que o Carnaval (nome aportuguesado de carnis levale) se oficializou como uma festa de origem pagã pelo Cristianismo. A diversão estava liberada antes da quaresma, período de 40 dias religiosamente dedicado à meditação, orações, jejum, silêncio e penitência.

Os colonizadores portugueses trouxeram o carnaval para o Brasil. Essa festa tinha o nome entrudo e basicamente era uma “batalha” popular de se jogar saquinhos de água cheirosa em outras pessoas. Com o passar do tempo, a população, substituiu a água cheirosa por farinha, lama, águas malcheirosas. A “brincadeira” ficou fora de controle. As autoridades proibiram a “festa” do entrudo e a população, educadamente, substituiu por “batalhas” de confete e serpentinas. Esta prática identificada como Carnaval, teve grande popularidade no Rio de Janeiro, a partir da segunda metade do século XIX. 

A partir daí o Carnaval se popularizou pelo país inteiro. Incorporou a cultura africana, com suas danças, gingados, sons de batuques e atabaques, tornando o Carnaval cada vez mais popular. Como na antiguidade, no carnaval brasileiro, não há distinções de etnia, cor, gênero, ou condição social. É tudo junto e misturado. O popular Carnaval de rua passou por cordões, corsos de carros de passeio, blocos, e escolas de samba. O Carnaval passou a dominar o Brasil inteiro de Norte a Sul. Claro que o mais famoso segue sendo o do Rio de Janeiro, mas expressões populares acontecem em milhares de cidades brasileiras como, por exemplo, em Santana de Parnaíba, tradicionalíssimo e já centenário. Desde a antiguidade, muita coisa mudou em termos sociais, costumes, comportamentos, mas a essência do Carnaval, segue sendo a mesma: são dias dedicados à alegria, ao exagero, ao esquecimento das agruras do dia a dia, à felicidade ilusória. Divirtam-se, com muita paz, muita festa, animação, até com certa extravagância. Porque terminado o “reinado de Momo”, tudo volta ao normal.   


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Uma análise sobre o caso Banco Master e seus tentáculos no Estado Brasileiro

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Dia 18 de novembro de 2025 o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A partir de então, estamos vendo, lendo e ouvindo, dia após dia, que a relação entre instituições financeiras e o poder público continua sendo um ponto bastante nebuloso no Brasil. Em um país marcado por escândalos recorrentes, apenas para citar alguns mais recentes: Mensalão, Lava Jato, Orçamento Secreto, Carbono Oculto, Emendas Parlamentares com desvios de finalidade, qualquer aproximação entre entidades financeiras e empresariais, agentes políticos e decisões governamentais desperta suspeitas, muitas vezes justificadas, outras vezes alimentadas pela falta de transparência, que caracteriza boa parte da administração pública. Estas promiscuas relações, beiram a infâmia. O Brasil convive há séculos com a percepção de que os órgãos de Estado, pagos com dinheiro dos contribuintes, e que deveriam defender os interesses da maioria do povo, na verdade, operam para servir as elites financeiras, empresariais e políticas do país. No caso do Banco Master esta infame relação, aparentemente, chegou a níveis inimagináveis, senão vejamos:

– Tudo indica que o BC (Banco Central) tinha pleno conhecimento, há pelo menos três anos, que o Banco Master estava em condições precárias de liquidez financeira, fazendo operações sem lastro e suspeitas de fraude. Oferecia ao mercado taxas de rentabilidade bem altas, fora dos padrões, para os seus CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) tendo como elemento de venda o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), uma entidade privada que efetivamente, em caso de quebra de um banco garante o pagamento ao investidor em CDBs até R$ 250.000,00 por CPF / CNPJ. Isto por si só já deveria ter sido investigado pelo Banco Central. FGC é um fundo de caráter emergencial, não para especular, “tipo compre que o FGC garante”. Por que o BC demorou para agir?  Esta demora merece ser investigada.

– Desde o final de 2024 o Banco Master tenta conseguir investidores, sócios, compradores, com o objetivo de obter uma forte injeção de capital, pois corria o risco de insolvência. Apresenta-se um interessado: BRB (Banco de Brasília) um banco público cujo sócio majoritário é o Governo do Distrito Federal. O BRB pode operar no Brasil todo, em toda e qualquer atividade financeira. e se propõe a comprar o Master, segundo informações, interessado em sua carteira de crédito e de empréstimos consignados. Porque nenhum outro banco privado, com muito mais recursos que o BRB não demonstrou interesse em comprar o Master? Certamente porque não valia a pena. Mas um banco público possivelmente vinculado a alguma liderança política, insiste em comprar algo que seus concorrentes não querem. Este ponto obscuro deveria ser esclarecido, afinal o BRB é público. Em março de 2025, entra em cena o BC, ele deveria aprovar a compra do Master pelo BRB, mas não aprova. A carteira de créditos que o BRB comprou do Master por R$ 12 bi, segundo avaliação do BC teve seu valor superavaliado.

– Assim que se que se tornou pública a liquidação extrajudicial do Master pelo BC, entrou em cena o TCU (Tribunal de Contas da União), dando 72 horas para o BC explicar sua decisão. O BC entre outras funções estatutárias, deve atuar como guardião da moeda nacional e fiscalizar a integridade do sistema financeiro do Brasil. Está perfeitamente dentro de suas atribuições, liquidar entidades bancárias, que não honrando com seus compromissos, colocam em risco todo o sistema financeiro. Até agora não ficou claro o que respaldou a tentativa do TCU de bloquear a liquidação do Master. O que de prático aconteceu foi que houve um retardamento para o Master enviar as informações dos clientes que teriam valores a receber do FGC. Mais um ponto nebuloso: por que o TCU interveio? Com que autoridade constitucional? A quem interessa a não liquidação do Banco Master e por que tentar colocar a culpa nas ações do Banco Central?

– O STF (Supremo Tribunal Federal) interferiu de forma bastante heterodoxa no processo, com práticas pouco republicanas, inclusive impedindo ou não estimulando as investigações e as perícias da PF (Polícia Federal) sobre o caso. Atitudes que causaram constrangimentos e dissabores em diversos órgãos do governo. Além disso colocou sob sigilo, depois liberou, as investigações e depoimentos. Aqui chegamos ao ponto chave deste intrincado caso: quem estabelece os limites da atuação do STF. Certamente a Constituição Federal e/ou a Lei Maior da Magistratura devem ter algum tipo de regimento interno que regula as ações do STF. Como não advogado, não tenho condições de emitir pareceres nesta área, no entanto, tem-se a percepção que alguma medida de maior transparência deveria ser adotada. Um grande número dos ministros do STF tem parentes (esposa, filhos, filhas, ex-esposa) que possuem escritórios de advocacia, o que por si só já me parece questionável. No caso do Banco Master, vários desses escritórios já advogaram ou ainda advogam para os envolvidos e investigados no presente escândalo financeiro. As ligações particulares dos magistrados com pessoas investigadas, também não parecem ser convenientes e no mínimo, não contribuem para a abrandar a suspeição que paira no ar em certos casos.  Fica a pergunta: Por ser um Ministro ou Ministra do STF, este fica acima de qualquer suspeita, em qualquer situação?

– Grandes investidores do Master são fundos de Previdência de estados e prefeituras espalhadas pelo Brasil. Mais uma vez uma grande malversação do dinheiro público. O ex-presidente da Rio Previdência, foi preso pela PF. Certamente haverá um rombo nas finanças destes institutos. Ainda não sabemos se o Master terá recursos para ressarcir esses investidores. Por definição fundos de previdências devem ter um comportamento conservador, pois os recursos são usados para pagamentos de aposentados e pensionistas. Trata-se de uma gestão incompetente ou fraudulenta? Como, em geral, a indicação para esses cargos é política, imediatamente repercutiu no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.  Mais uma vez tem-se a percepção de que haverá aquele clima de “muito trovão e pouca chuva”, ou seja, haverá muito barulho, muita investigação, mas ninguém é punido. Estamos em ano eleitoral, onde a eleição ou reeleição é o objetivo maior.  “O vamos investigar a fundo, doa a quem doer” é, na minha opinião, apenas discurso vazio. Lembrando que parlamentares federais, têm foro privilegiado, portanto só podem ser julgados e condenados pelo STF.

– Como ponto positivo, temos a atuação da PF. Apesar de ter sofrido tentativa de interferência em seu trabalho de investigação e análises de provas, por ordem de ministros do STF, seguiu apurando os graves fatos que seguem surgindo junto ao Banco Master e seus controladores. Inclusive abrindo novas frentes com os desdobramentos que vão surgindo, tais como a atuação fora do padrão do BRB no mercado de capitais; REAG investimentos, um gestor de recursos financeiros, parceiro de negócios do MASTER, que também foi liquidado; o grupo empresarial FICTOR que oferecia aplicações via Sociedades em Conta de Participação (SCP), um modelo não regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e sem cobertura do FGC. O grupo fez uma oferta de compra para o MASTER e entrou na Justiça pedindo recuperação judicial; o RIOPREVIDENCIA, cujo ex-presidente foi preso recentemente. Os elementos sugerem que este caso está muito longe de acabar. Veremos até onde os governantes deste país permitirão a liberdade de investigação da Polícia Federal e fiscalização técnica do Banco Central.

 Quero destacar o brilhante papel do jornalismo investigativo, de vários profissionais de diversos órgãos de imprensa, que revelaram e noticiaram muitos dos detalhes que estavam, digamos ocultos. Viva a liberdade de imprensa e de opinião que ainda existe neste país. A democracia resiste. Concluindo, como disse Antônio Carlos Jobim “o Brasil não é para amadores”. Me atrevo a dizer que o próximo escândalo envolvendo autoridades constituídas, governantes, parlamentares, magistrados, empresários, líderes religiosos, e agora o “crime organizado” sempre será o mais surpreendente, o mais audacioso, o mais impactante, o mais corrupto e o mais custoso para o país. A única coisa que não muda, é quem paga tudo isso: sempre o povo, mais pobre, mais endividado, mais sofrido, que luta dia a dia para seu parco sustento e da sua família e que paga mais impostos, relativamente, que os magnatas da corrupção.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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 Foto Destaque: Rovena Rosa/Ag. Brasil

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Por uma cultura de paz – por Celso Tracco

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Em fevereiro retornam ao trabalho o Congresso Nacional, assim como o STF. Teoricamente os nossos deputados e senadores, legitimamente eleitos pelo povo, voltam aos seus afazeres no parlamento para elaborar, regulamentar, discutir, aprovar leis e decretos que, em última análise, deveriam melhorar a vida do povo e o bem-estar geral da nação. Este, pelo menos, é o discurso oficial. Mas, como 2026 é um ano especial, pois teremos eleições para presidente da república, governadores dos estados, senadores, deputados federais e estaduais. A agenda política estará cheia. Os parlamentares estarão, creio eu, preocupados com o futuro de sua vida na política, a qual, obviamente irá depender do resultado da eleição. Apenas como um exercício mental, interpreto o que estaria pensando um ou uma parlamentar, neste momento:

“Será que vale a pena ser candidato à reeleição? Ou posso pensar em voos mais altos? Quem sabe mudar de partido? Como será o financiamento de minha campanha? Quais serão meus potenciais adversários? Qual é minha matriz de ganhos e perdas, nesse jogo? Quais serão meus aliados nessa nova batalha? Lealdade na política é algo raro”.

Na realidade é legitimo pensar que os candidatos se prepararão para uma “sangrenta” batalha eleitoral. E quem vai determinar quem serão os vencedores? Em um regime democrático, serão os eleitores. A quantidade de votos necessários determinará quem será eleito. E o campo de batalha, para a conquista do seu voto será, prioritariamente, nas redes sociais. Quem vencer a batalha nas redes sociais, será eleito. E aqui está o ponto central deste artigo: não deixe essa batalha entrar em sua vida particular. Não leve a discussão política, radicalizada, ideológica para dentro de seu lar, entre os membros de sua família, entre seus colegas de trabalho, de barzinho, de lazer. Já está claro que a narrativa do “nós contra eles” é da campanha política, eles precisam atacar seus adversários, provar que são melhores ou menos ruins. Ultimamente tem sido pura pancadaria. Mas porque, nós precisamos ser agressivos com quem não comunga de nosso pensamento? Creio que faz parte da democracia defender nosso pensamento político, mas não deveríamos nunca chegar a uma ruptura comportamental.

Já temos muitas preocupações em nossas vidas: pagar contas, educar nos filhos, enfrentar desconforto no transporte coletivo, filas para atendimento médico, trânsito caótico, escapar de golpes pela internet, falta de segurança para andar na rua. Além de todos esses problemas, ainda temos que escutar as falcatruas, golpes, roubos, desvios de dinheiro público por políticos eleitos e outros servidores públicos, de vários partidos e ideologias. Já temos muito com que nos preocupar, então por que vou me envolver em novas lutas que não são minhas? Não coloquemos mais lenha nesta fogueira, muitas das mensagens que iremos receber, poderão ser falsas, “fabricadas” por pessoas que ninguém conhece. Essa guerra não merece ser vivida, não crie inimigos dentro de seus relacionamentos por causa da radicalização política. No final, o sistema sempre vence e o povo sempre paga a conta. Em geral os eleitores só são lembrados no período da eleição, e aí deveriam exercer seu real poder: afastar os péssimos políticos e votar consciente de sua escolha, não no menos ruim, mas no melhor. E após a eleição, caso seu candidato tenha sido eleito, cobrar as promessas eleitorais para que não fiquem no esquecimento. A eleição em um regime democrático, deve ser uma festa cívica e não uma batalha. Aproveite, em paz, o seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Feminicídio: chaga inadmissível – por Celso Tracco

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O feminicídio é a mais execrável violência baseada em gênero. Em 2025, a cada dia, 4 mulheres foram assassinadas no Brasil vítimas deste crime hediondo. A maioria dos assassinatos ocorrem pelo simples fato da vítima ser mulher, geralmente em contextos marcados por desigualdade, controle, abuso e relações de poder profundamente enraizadas na nossa sociedade. Não deve ser visto “apenas” como um crime individual, passional, mas como um fenômeno social que revela como estruturas históricas de machismo, misoginia e autoritarismo ainda moldam comportamentos contemporâneos.

No Brasil, o feminicídio foi reconhecido como crime hediondo em 2015, com punições severas. Ainda assim, os números permanecem alarmantes. A maioria dos assassinos tinha relacionamento próximo com suas vítimas. Muitas destas denunciaram agressões anteriores, o que prova que o feminicídio raramente é um ato isolado: ele costuma ser o desfecho trágico de um ciclo de violência que pode incluir agressões verbais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e físicas. Ciclo que poderia ter sido interrompido com proteção efetiva e políticas públicas mais robustas. As raízes dessas práticas criminais estão na desigualdade de gênero, na naturalização da violência doméstica e na ideia equivocada de que o corpo, a vida e as escolhas das mulheres devem ser controladas. Combater o feminicídio exige ações em várias frentes: educação para igualdade de gênero, fortalecimento das redes de apoio, acolhimento humanizado, responsabilização dos agressores e políticas públicas que funcionem na prática, não apenas no papel.

Durante séculos a sociedade reforçou papéis rígidos para homens e mulheres, colocando o homem como figura de autoridade e a mulher como alguém a ser controlada. Essa lógica patriarcal se manifestou em leis, costumes e práticas sociais. Mesmo com avanços significativos em direitos, igualdade e autonomia, resquícios daquela mentalidade ainda moldam comportamentos que geram agressões. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma sociedade que falhou em proteger suas cidadãs. Falar sobre feminicídio é um ato de repulsa ao que acontece em nosso país, essa prática é inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Enfrentar o feminicídio é um dever de toda a sociedade e exige ações articuladas e contínuas, tais como: educação visando a igualdade desde a primeira infância, passando por todo o sistema educacional e pelas empresas que devem orientar seus funcionários na derrubada de estereótipos de gênero; ter efetivas redes de apoio, acessíveis a todas as mulheres, de qualquer classe social e qualquer faixa de renda; campanhas de conscientização que previnam a prática de contínuas agressões as mulheres. Acolhimento comunitário e protetivo é fundamental, a violência não deve ser vista como um tema privado, é um tema social. O que se deve pensar, não é em ações isoladas, mas tentar construir um ambiente social onde a violência seja completamente rejeitada e a vida dos mais vulneráveis respeitada, protegida e dignificada. Devemos trabalhar e atuar para impedir a banalização da violência, e não combatê-la com mais violência.

Falar sobre feminicídio é um ato político necessário. É recusar o silêncio que protege agressores e invisibiliza vítimas. É reconhecer que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas uma responsabilidade coletiva. Construir um futuro sem feminicídio significa transformar mentalidades, fortalecer políticas públicas, tornar a sociedade mais igualitária, humanizada, solidária e, acima de tudo, reafirmar que a vida das mulheres, assim como de todo ser humano, importa e importa muito. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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SÃO PAULO. 472 ANOS – por Celso Tracco

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Fundada em 25 de janeiro de 1554 por padres missionários jesuítas, entre eles Manuel da Nobrega e José de Anchieta (canonizado santo pelo Papa Francisco em 2014), a vila de São Paulo foi erguida com o objetivo de evangelizar os indígenas que ali viviam. A data é celebrada na Igreja Católica pela Conversão de Saulo (Paulo) de Tarso ao cristianismo. Construíram um pequeno colégio, uma capela e alojamentos para alguns poucos colonos que cultivavam a terra para subsistir. Durante 300 anos, São Paulo teve um baixo desenvolvimento econômico e populacional. Em 1850 sua população beirava os 30.000 habitantes, pobres e sem importância para o país. Porém a partir da segunda metade do século XIX, seu status econômico mudou drasticamente devido à consolidação da cultura cafeeira. O café, produto de exportação, se espalhou pelo interior da província, trazendo riqueza e prestígio aos fazendeiros/barões do café. Para escoar a produção agrícola, ferrovias foram construídas, encurtando as distâncias, aumentando o comércio, criando cidades. A roda da fortuna, finalmente, girava na até então aprazível cidade de São Paulo.

E continuou girando, com maior intensidade, nas décadas seguintes. Devido à imigração estrangeira e doméstica, a industrialização, as novas formas de cultura, locais para feiras e negócios, tecnologia e logística, tornaram São Paulo a megalópole cosmopolita que conhecemos hoje. Sua principal força motriz está na mescla das etnias indígena, africana, europeia, asiática. É a terra dos imigrantes, dos que vieram para viver, criar seus filhos e netos, desenvolver, mesclando suas culturas, enriquecendo. São Paulo passa a ser vista, e realmente é, uma terra de oportunidades. Onde se ganha muito dinheiro. A ótica do capitalismo liberal se estabeleceu e persiste.

Porém, a roda da fortuna não gira na mesma velocidade para todos. A cidade e sua região metropolitana, é o retrato vivo de um sistema político econômico, excludente, elitista, aristocrático. Alguns exemplos: a cidade dispõe de hospitais, privados e públicos, que são referências internacionais, mas ao lado existem filas de muitos meses para marcar um exame ou cirurgia em hospitais municipais; ao lado de uma das maiores frotas de helicópteros privados do mundo, temos um sistema de transporte público altamente deficiente; ao lado de edifícios elegantes e caros, temos enormes favelas e moradias precárias; é uma das cidades que mais blinda carros no mundo e que também possui um elevado número de roubo e furto de celulares; existe uma fartura de comida, mas as dezenas de milhares dos moradores de rua precisam da ajuda de igrejas e voluntários para se alimentarem. A cidade sofre, constantemente com chuvas, enchentes, queda de árvores, recolhimento de lixo, trânsito caótico. Não há agente público que zele, que cuide da cidade. Parece que a incompetência é normal, entre as autoridades públicas.

Criado em 1917 o lema da bandeira da cidade em latim non ducor, duco – significa não sou conduzido, conduzo. Creio que esse lema deveria ser repensado. Se conduzo, tenho uma meta, um objetivo, tem um sentido de independência, de altivez, de caráter. Qual é o objetivo? Conduzo para onde? Se for para manter e fortalecer privilégios dos novos “barões” e “baronesas”, então está sendo muito eficaz. As desigualdades sociais permanecem abissais. Mas se for para termos uma cidade mais humanizada, solidária, justa, minimamente igualitária, este lema não representa a realidade.

Parabéns a todos os habitantes desta megacidade que todos os dias se levantam para trabalhar pensando e tendo esperança de dias melhores.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Paz e Harmonia – por Celso Tracco

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Tradicionalmente janeiro é um tempo de renovar esperanças e expectativas para o ano que se inicia. Novos desejos, agradáveis pensamentos, um otimismo para levantar o astral, desmantelado pela correria do final do ano que terminou. Ano novo, vida nova! Infelizmente não tenho tanto otimismo. Pelas guerras que estão acontecendo mundo afora, nada nos assegura que teremos paz e harmonia em nosso cotidiano. Deixo claro, estimado leitor, estimada leitora, que não foi minha intenção ter um título enganoso. Minha intenção é refletir que mesmo vivendo em um mundo caótico, não devemos perder a esperança em proporcionar paz e harmonia, no mínimo à nossa volta. Vejamos:  

Parece evidente que o mundo está caminhando para uma nova desordem internacional, agora de forma explícita, sem subterfúgios e sem maior cerimônia. Voltamos para a política do quem pode mais, manda mais. A lei da selva. Líderes de grandes nações agem como antigos e sanguinários imperadores romanos. Os exemplos que estamos assistindo, inclusive na América do Sul, reforçam a tese de que leis do direito internacional, que visavam proteger a soberania dos países, não são respeitadas. Voltamos à época dos impérios, onde países pequenos e sem poder bélico, eram simplesmente vassalos de algum tirano maluco que deveriam satisfazer suas vontades. Para isso não tinham dúvidas em invadir outros reinos, sem maiores explicações. Bastava ter algo para servir de pretexto para invadir, matar, ocupar, roubar, destruir, aniquilar o mais fraco. As organizações humanitárias que as nações, com muito esforço, construíram após o horror da Segunda Guerra Mundial, estão ruindo como um castelo de cartas. As leis internacionais estão sendo literalmente rasgadas pelas grandes potências militares, em prol de seus objetivos políticos e econômicos. A famosa frase de Luiz XIV, rei francês entre 1643 e 1715 que afirmava, “O Estado Sou Eu”, soa bem contemporânea. Significativamente o dito Rei também era conhecido como Rei Sol. Apenas ele poderia brilhar. A história mostra como milhões de seres humanos perderam a vida pela insensatez desses tiranos. Pedir ou desejar paz e harmonia entre as nações, neste contexto, além de utópico soa insensato.

Apesar dessas guerras estarem ainda distante do nosso país, sem dúvida, elas nos afetam indiretamente. Estamos em mundo conectado, o que nos permite ver ataques, assassinatos, operações militares diariamente. Lutar pela paz em uma cultura de guerra, não é tarefa para fracos e covardes. Sejamos fortes e corajosos, e essa força deve vir de nós mesmos.

Para isso construir bons relacionamentos é fundamental para uma vida de paz e harmonia. A menos que nossa escolha seja morar isolados do mundo, pessoas estão à nossa volta o tempo todo. A qualidade dos nossos relacionamentos, em casa ou no trabalho, influencia muito nossa qualidade de vida. Nossa paz e harmonia, então, mais ainda! Construir bons relacionamentos é uma arte, parecida com a dança: precisamos prestar atenção ao parceiro, sentir seus movimentos, conduzir em alguns momentos e deixar-se conduzir em outros, manter-se flexível e saber dançar conforme a música. Será fácil e tranquilo? Claro que não. Vai exigir muita entrega, muita paciência, muito cuidado pelo outro. Sempre é bom lembrar que temos, geralmente, expectativas e visões de vida diferentes dos demais. É muito bom termos nossa individualidade, afinal ainda não somos um algoritmo, mas para conviver em paz e harmonia, muitas vezes é preciso ceder. Deixar prá lá é uma arte para a boa convivência. Ato contrário é agir com tirania, guerreando o tempo todo.

Mais do que nunca, desejo um Feliz Ano, cheio de Paz e Harmonia, para todos nós.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Mais um fim de ano! – por Celso Tracco

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UFA! 2025 finalmente está terminando. Depois de tantos altos e baixos, em escala planetária, tais como guerras que não terminam, tarifaços econômicos, escândalos diários proporcionados por integrantes dos mais diversos órgãos de governo, fraudes financeiras inimagináveis, eventos climáticos extremos, uma cultura de ódio e não de paz, 2025 está nos deixando. Creio que, para a maioria das pessoas, não vai deixar muitas saudades. Apesar disso, para mim particularmente um fato superpositivo transcendeu sobre todos os outros: minha estreia como colunista nesta plataforma de notícias Hora de S. Paulo (www.horasp.com.br). E quero agradecer a cada um (a) dos leitores (as) que me honraram com sua leitura e comentários. Gratidão eterna a todos vocês. Apenas por isso ter vivido 2025 já valeu muito a pena. Espero que nossa conexão fique mais forte, a cada ano, vencendo todos os possíveis obstáculos.

E o que esperar de 2026?  Sinceramente, penso que será um ano com muitos desafios, ou seja, um ano muito difícil, principalmente para a população mais necessitada, que é a imensa maioria da população brasileira. E por que eu digo isso? Porque, além de 2026 herdar todo o manancial de problemas que vem do passado, vai se defrontar com dois fatos que impactam fortemente nossa vida. O primeiro é a Copa do Mundo de Futebol, com início em 11/06/2026 e término em 19/07/2026. Futebol ainda é o esporte mais popular do mundo, e no Brasil, apesar da queda em sua popularidade, ainda arrasta multidões. A pátria de chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, creio que já ficou no passado, mas ainda irá movimentar a mídia, o noticiário, as conversas de botequim, o imaginário popular. Certamente, a vida, quer você seja um torcedor ou não, será afetada. Então prepare-se, da maneira mais adequada de acordo com suas atividades para esse evento. Ele é efêmero, emocional, apaixonante. Dura pouco, mas enquanto dura é intenso.  O segundo evento, são as eleições em outubro, que sem dúvida são muito mais importantes para a vida de nosso país. Não são levadas muito a sério, mas nelas deveríamos por toda a nossa racionalidade, pois efetivamente podem significar o êxito ou o fracasso de toda uma nação. Teremos a eleição para presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Suas ações, ou a ausência delas, seu governo ou desgoverno, sua honestidade ou desonestidade, influenciarão nossas vidas, pelos próximos anos. Por isso devemos dar muito valor ao nosso voto. Temos a tendencia de sempre culpar os políticos, não que seja errado, mas esquecemos que, em uma democracia, eles estão lá porque foram legitimamente eleitos por nós. No final, a sociedade é responsável pela qualidade dos políticos que ela elege. Pense nisso quando decidir o seu voto.

Finalizando, período de festa, de alegria e confraternização. Deixe os problemas de lado, teremos 365 novos dias para resolvê-los. Desejo um Feliz e Santo Natal a todos os leitores e leitoras e suas famílias. Que seja um Natal de paz, harmonia, alegria, solidariedade. Que a boa vontade e compreensão permaneçam presentes em todas as celebrações. E que o Ano Novo nos revigore para continuarmos a construir uma sociedade que cultive a paz e não a guerra, que construa pontes e não muros, que seja mais justa, solidária, equalitária com todos os seus membros. Boas festas e, se Deus quiser, nos vemos em Janeiro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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