Feminicídio: chaga inadmissível – por Celso Tracco

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O feminicídio é a mais execrável violência baseada em gênero. Em 2025, a cada dia, 4 mulheres foram assassinadas no Brasil vítimas deste crime hediondo. A maioria dos assassinatos ocorrem pelo simples fato da vítima ser mulher, geralmente em contextos marcados por desigualdade, controle, abuso e relações de poder profundamente enraizadas na nossa sociedade. Não deve ser visto “apenas” como um crime individual, passional, mas como um fenômeno social que revela como estruturas históricas de machismo, misoginia e autoritarismo ainda moldam comportamentos contemporâneos.

No Brasil, o feminicídio foi reconhecido como crime hediondo em 2015, com punições severas. Ainda assim, os números permanecem alarmantes. A maioria dos assassinos tinha relacionamento próximo com suas vítimas. Muitas destas denunciaram agressões anteriores, o que prova que o feminicídio raramente é um ato isolado: ele costuma ser o desfecho trágico de um ciclo de violência que pode incluir agressões verbais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e físicas. Ciclo que poderia ter sido interrompido com proteção efetiva e políticas públicas mais robustas. As raízes dessas práticas criminais estão na desigualdade de gênero, na naturalização da violência doméstica e na ideia equivocada de que o corpo, a vida e as escolhas das mulheres devem ser controladas. Combater o feminicídio exige ações em várias frentes: educação para igualdade de gênero, fortalecimento das redes de apoio, acolhimento humanizado, responsabilização dos agressores e políticas públicas que funcionem na prática, não apenas no papel.

Durante séculos a sociedade reforçou papéis rígidos para homens e mulheres, colocando o homem como figura de autoridade e a mulher como alguém a ser controlada. Essa lógica patriarcal se manifestou em leis, costumes e práticas sociais. Mesmo com avanços significativos em direitos, igualdade e autonomia, resquícios daquela mentalidade ainda moldam comportamentos que geram agressões. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma sociedade que falhou em proteger suas cidadãs. Falar sobre feminicídio é um ato de repulsa ao que acontece em nosso país, essa prática é inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Enfrentar o feminicídio é um dever de toda a sociedade e exige ações articuladas e contínuas, tais como: educação visando a igualdade desde a primeira infância, passando por todo o sistema educacional e pelas empresas que devem orientar seus funcionários na derrubada de estereótipos de gênero; ter efetivas redes de apoio, acessíveis a todas as mulheres, de qualquer classe social e qualquer faixa de renda; campanhas de conscientização que previnam a prática de contínuas agressões as mulheres. Acolhimento comunitário e protetivo é fundamental, a violência não deve ser vista como um tema privado, é um tema social. O que se deve pensar, não é em ações isoladas, mas tentar construir um ambiente social onde a violência seja completamente rejeitada e a vida dos mais vulneráveis respeitada, protegida e dignificada. Devemos trabalhar e atuar para impedir a banalização da violência, e não combatê-la com mais violência.

Falar sobre feminicídio é um ato político necessário. É recusar o silêncio que protege agressores e invisibiliza vítimas. É reconhecer que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas uma responsabilidade coletiva. Construir um futuro sem feminicídio significa transformar mentalidades, fortalecer políticas públicas, tornar a sociedade mais igualitária, humanizada, solidária e, acima de tudo, reafirmar que a vida das mulheres, assim como de todo ser humano, importa e importa muito. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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SÃO PAULO. 472 ANOS – por Celso Tracco

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Fundada em 25 de janeiro de 1554 por padres missionários jesuítas, entre eles Manuel da Nobrega e José de Anchieta (canonizado santo pelo Papa Francisco em 2014), a vila de São Paulo foi erguida com o objetivo de evangelizar os indígenas que ali viviam. A data é celebrada na Igreja Católica pela Conversão de Saulo (Paulo) de Tarso ao cristianismo. Construíram um pequeno colégio, uma capela e alojamentos para alguns poucos colonos que cultivavam a terra para subsistir. Durante 300 anos, São Paulo teve um baixo desenvolvimento econômico e populacional. Em 1850 sua população beirava os 30.000 habitantes, pobres e sem importância para o país. Porém a partir da segunda metade do século XIX, seu status econômico mudou drasticamente devido à consolidação da cultura cafeeira. O café, produto de exportação, se espalhou pelo interior da província, trazendo riqueza e prestígio aos fazendeiros/barões do café. Para escoar a produção agrícola, ferrovias foram construídas, encurtando as distâncias, aumentando o comércio, criando cidades. A roda da fortuna, finalmente, girava na até então aprazível cidade de São Paulo.

E continuou girando, com maior intensidade, nas décadas seguintes. Devido à imigração estrangeira e doméstica, a industrialização, as novas formas de cultura, locais para feiras e negócios, tecnologia e logística, tornaram São Paulo a megalópole cosmopolita que conhecemos hoje. Sua principal força motriz está na mescla das etnias indígena, africana, europeia, asiática. É a terra dos imigrantes, dos que vieram para viver, criar seus filhos e netos, desenvolver, mesclando suas culturas, enriquecendo. São Paulo passa a ser vista, e realmente é, uma terra de oportunidades. Onde se ganha muito dinheiro. A ótica do capitalismo liberal se estabeleceu e persiste.

Porém, a roda da fortuna não gira na mesma velocidade para todos. A cidade e sua região metropolitana, é o retrato vivo de um sistema político econômico, excludente, elitista, aristocrático. Alguns exemplos: a cidade dispõe de hospitais, privados e públicos, que são referências internacionais, mas ao lado existem filas de muitos meses para marcar um exame ou cirurgia em hospitais municipais; ao lado de uma das maiores frotas de helicópteros privados do mundo, temos um sistema de transporte público altamente deficiente; ao lado de edifícios elegantes e caros, temos enormes favelas e moradias precárias; é uma das cidades que mais blinda carros no mundo e que também possui um elevado número de roubo e furto de celulares; existe uma fartura de comida, mas as dezenas de milhares dos moradores de rua precisam da ajuda de igrejas e voluntários para se alimentarem. A cidade sofre, constantemente com chuvas, enchentes, queda de árvores, recolhimento de lixo, trânsito caótico. Não há agente público que zele, que cuide da cidade. Parece que a incompetência é normal, entre as autoridades públicas.

Criado em 1917 o lema da bandeira da cidade em latim non ducor, duco – significa não sou conduzido, conduzo. Creio que esse lema deveria ser repensado. Se conduzo, tenho uma meta, um objetivo, tem um sentido de independência, de altivez, de caráter. Qual é o objetivo? Conduzo para onde? Se for para manter e fortalecer privilégios dos novos “barões” e “baronesas”, então está sendo muito eficaz. As desigualdades sociais permanecem abissais. Mas se for para termos uma cidade mais humanizada, solidária, justa, minimamente igualitária, este lema não representa a realidade.

Parabéns a todos os habitantes desta megacidade que todos os dias se levantam para trabalhar pensando e tendo esperança de dias melhores.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Dezembro, pura emoção! – por Celso Tracco

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Dezembro me traz lindas e agradáveis lembranças, do meu tempo de criança/adolescente. Que maravilha, primeira semana de dezembro! Férias escolares. O dia todo para brincar, livre na rua. A rua era um verdadeiro parque de diversões, jogo de peão, taco, bolinha de gude, carrinho de rolimã, futebol onde o gol era marcado por pedras ou um par de chinelos. Bons tempos! Praticamente não havia carros nos bairros periféricos da grande cidade. Quando algum se aproximava, o motorista gentilmente buzinava e todos corriam para os lados. Após a passagem do veículo todos voltavam para os lugares que estavam e a brincadeira continuava. Uma pausa momentânea. Além disso tinha a preparação para o Natal. Ainda era uma festa cristã e católica por excelência. Obrigatório ir à missa na igreja da paróquia. Missa do Galo, começando à meia-noite do dia 24, as crianças podiam dormir tarde nessa noite, ou nem dormiam, porque na manhã do dia 25 começava a busca dos presentes, que os pais e parentes, escondiam pela casa toda. A diversão era achar seus presentes, embaixo de camas, dentro de armários ou em cima de alguma árvore do quintal. Uma experiência inesquecível. A vida era bela, agradável, feliz. Sim, felicidade existia e morava no meu endereço. Bons tempos, que deixaram muitas saudades. Nem sabia o que era estresse, esse vocábulo “gringo”, aportuguesado. Era feliz e ponto.   

Agora, já avançado na idade, sinto uma certa pena dos adultos responsáveis que têm tantas obrigações e deveres nesta época do ano. Primeiro, aos que impõem promessas sobre seus ombros, que por várias razões não puderam cumprir durante o ano que está findando. Não se sintam culpados, fracassados, frustrados por” falharem”, vocês não falharam, apenas colocaram o sarrafo em uma altura, não compatível com o seu salto. O pior verdugo é a sua consciência. Segundo, quanta correria com data marcada: fazer sacolinhas para crianças necessitadas, preparar reuniões com diversos amigos e parentes, organizar visitas a algumas pessoas, comprar presentes, amigo secreto no trabalho, na escola, no trabalho voluntário. Ufa, o mundo vai acabar amanhã e não vai dar tempo para tudo. Quanto estresse. Ah, sem falar do trânsito, lembra daquela rua sem carro? Hoje ela não existe nem no Polo Norte. Mas não vamos reclamar, hoje temos a internet e podemos comprar quase tudo por celular! Tranquilo? Mais ou menos, e os golpes diurnos e noturnos, as falsificações, as entregas erradas, a clonagem do cartão? Você está exagerando, as coisas não são bem assim, dizem meus amigos otimistas. Talvez não sejam mesmo, talvez eu seja pessimista demais e só vejo o lado ruim das coisas. Exemplo: no ano passado, em dezembro, eu e minha esposa levamos nossos netos, num sábado, para um passeio em um conhecido Shopping Center de São Paulo. Levei uma hora, dentro do estacionamento para achar uma vaga, e só achei porque fui ajudado por um colega de infortúnio. Um idoso que estava indo em direção ao seu carro estacionado, viu meu desânimo, se aproximou e disse:

– Amigo, está procurando vaga, temos que nos ajudar, siga-me.

Pensei, será que mereço essa sorte. Quem se preocupa com o outro? O nobre senhor, fez a gentileza de retirar o seu carro, de modo que nenhum outro ocupasse a vaga que ele me destinou. Agradeci de todo coração. Meu anjo da guarda estava atento e de plantão naquele fim de semana. Nem preciso dizer como estava o Shopping, filas pelos corredores para ir ao banheiro. Vida moderna, tudo à mão e tão distante, um estresse para cada dia. A vida pode ser bela, mesmo em dezembro, depende de você.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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60+ Viva a Vida! – por Celso Tracco

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A sociedade brasileira está vivenciando uma boa e silenciosa revolução cultural, a quebra do paradigma que após os 60 anos a vida produtiva acabou. Segundo os últimos dados disponíveis mais de 8 milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras com mais de 60 anos, estão no mercado de trabalho formal. Ou seja, exercem uma atividade sistemática e remunerada. Lembro que há alguns anos, tinha-se a convicção que havia pouquíssima chance de uma pessoa empregar-se após os 60 anos. A enorme maioria das ofertas de emprego, na descrição das qualidades requeridas para a vaga, deixava muito claro a restrição de idade. Hoje, pode-se dizer que é o contrário. Inúmeras empresas financeiras, industriais e comerciais, de vários setores da economia fazem questão de não restringir a idade do candidato à vaga, ou até, para certos trabalhos, dão preferência para os 60+, a geração ativa e “prateada”. Com o natural envelhecimento da população, a tendência é de que cada vez mais pessoas na faixa dos 60+ busquem uma colocação no mercado de trabalho, prolongando sua vida ativa e trazendo enormes benefícios para a sociedade como um todo, como veremos a seguir.

  • Ajuda a retardar o colapso do sistema previdenciário, mantendo o trabalhador ativo por mais tempo, oferecendo uma grande contribuição para as empresas em função de sua experiencia e excelência de trabalho.
  • Para os idosos que estão no mercado de trabalho, faz com que se mantenham atualizados com novas tendências profissionais; se interessem pelas novas tecnologias digitais, aumentem sua rede de contatos; desenvolvam novas habilidades; sirvam de exemplo e estímulo para outros. Não se trata “apenas” de ganhar dinheiro, que continua muito importante principalmente em um país política e economicamente instável, como o Brasil, mas proporciona à quem já cuidou durante a sua vida de muitas pessoas, possa se dedicar mais tempo a si próprio. Isso aumenta a autoestima, a dignidade e sem dúvida, contribui para uma saudável saúde mental.  
  • As empresas que adotam uma política efetiva de contratar colaboradores 60+, também nada tem a reclamar, ou seja, estão ganhando com isso. Os idosos agregam, além de suas competências técnicas, outras competências emocionais, cada vez mais importante atualmente, tais como: estabilidade, comprometimento, relacionamentos interpessoais, sabedoria em situações mais complexas, e podem acrescentar diversidade de pensamento, resultantes de sua experiência de vida.

Enfim, a sociedade brasileira, a exemplo do que já acontece com vários países mais avançados que o nosso, está aprendendo que os idosos, não são necessariamente um estorvo, um peso, um custo para seus familiares, e podem ser, com sua experiencia acumulada uma fonte de lucro para si, sua família, e seu local de trabalho. É certo que nem tudo são flores, ainda há preconceito contra os idosos, o chamado etarismo, mas tal qual outras minorias, quem quer faz acontecer. Afinal quem já venceu tantas dificuldades, situações adversas, não irá esmorecer, por estupidez preconceituosa. Vai à luta e vence!

Desenvolver em nós a arte de mudar para melhor é a maneira mais eficiente de trabalhar para um amanhã mais enriquecedor do que o hoje. A geração dos 60+ comprova na prática, que o importante na vida é o que se busca, e não o que se tem. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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COP – 30.  Seja agente da transformação – por Celso Tracco

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Inicia-se nesta semana em Belém – PA a COP – 30. A sigla COP, em uma tradução literal significa “Conferência Das Partes”. É a trigésima vez que sob os auspícios da ONU os países se reúnem para debater sobre as mudanças climáticas que estão ocorrendo em todo planeta. Todos os países que fazem parte da ONU são convidados a participar, porém, por diversas razões, nem todos comparecem. As reuniões de trabalho especificas e técnicas sobre as mudanças climáticas começam na próxima segunda-feira, 10. Porém, nos dias 6 e 7 de novembro, ocorrem as reuniões, gerais e paralelas, entre os chefes de Estado ou de seus representantes designados. Além dos chefes de Estado, ministros, diplomatas, representantes das agências da ONU, participam também da Conferência, cientistas, pesquisadores, ONGs, entidades e membros da sociedade civil empenhados em discutir soluções para os graves problemas que a população mundial está enfrentando como resultado das mudanças climáticas e dos fenômenos meteorológicos extremos. O principal objetivo mensurável desta Conferência, já decidido na COP-21 é manter o aumento médio da temperatura global limitado a 1,5° C, em comparação com os índices obtidos entre 1850 – 1900. Um objetivo bastante otimista, na opinião de pesquisadores e especialistas climáticos. O ano de 2024 é considerado o ano mais quente desde quando se começaram as medições, e ultrapassou a meta dos 1,5° C.

Um ponto que quero destacar: o tema das mudanças climáticas, não deve ser restrito aos ambientes acadêmicos, ou aos gabinetes oficiais de qualquer governo constituído. Claro que os órgãos especializados são superimportantes e devem ser os condutores e executores das ações que visam inibir as mudanças climáticas. Porém, principalmente as representantes da sociedade civil, conselhos municipais do meio ambiente, por exemplo, devem participar e dialogar com o campo científico com o objetivo de prevenção de tragédias climáticas que em geral ocorrem em ambientes urbanos, cidades e municípios, como já aconteceu, recentemente, em São Sebastião e Porto Alegre, além de outros municípios gaúchos.

O Prof. Dr. Pedro Jacobi, coordenador do grupo de estudos de meio ambiente e sociedade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, com formação em economia e sociologia, será o editor-revisor do capítulo sobre impactos, vulnerabilidades e riscos que a COP-30, irá emitir após o término dos trabalhos. Ele afirmou em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que a “ciência não tem que estar numa bolha, e sim ir até a comunidade” (cf. O Estado de São Paulo – edição de 26/10/2025; pg. D10 caderno especial COP -30). Para ele, com larga experiência em questões sociais urbanas é fundamental ouvir as comunidades e debater os riscos, por exemplo das ocupações habitacionais de áreas alagáveis, encostas e outros lugares de risco socioambiental. Não adianta apenas culpar os governos depois das tragédias, temos de ter em mente que prevenir é uma tarefa de todos, entidades privadas e públicas, acadêmicas e da sociedade civil. Ações de prevenção para mitigar os efeitos da mudança climática, como a criação de “cidades esponja”, podem salvar vidas e propriedades. Por outro lado, devemos contribuir para a diminuição de emissão de gás carbono (CO2), restringir o uso de combustíveis fósseis, promover reflorestamento intensivo, combater incêndios florestais.

Estamos diante de uma nova realidade ambiental. O aumento da temperatura da Terra é um fato. Devemos nos adaptar a essa nova realidade, e combater as causas provocadas pela humanidade. O planeta Terra, mais do que nunca, precisa de nossa ajuda. Somos todos chamados a ser agentes da transformação. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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O difícil equilíbrio financeiro – por Celso Tracco

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Recentes pesquisas divulgadas pela imprensa indicam que o endividamento das famílias brasileiras está crescendo. Os números mostram que cerca de 80% das famílias têm alguma dívida a pagar. Porém, 30,5% das famílias que tem dívidas estão inadimplentes, ou seja, tem parcelas ou pagamentos vencidos e não pagos. Número recorde da série histórica que iniciou em 2010. Outro dado da pesquisa revela que a inadimplência é crescente entre as famílias que tem uma renda, considerada média pelo IBGE, entre 5 e 10 salários-mínimos. Das famílias inadimplentes, 13% declaram que não têm como pagar suas dívidas, o que também é um recorde. O principal meio de endividamento, mas não o único, são os cartões de crédito, quer sejam de entidades financeiras, quer sejam de lojas de produtos de varejo. Os carnês vêm em segundo lugar.  Vale sempre lembrar: no Brasil, os juros dos cartões de crédito rotativos, são campeões inquestionáveis quando falamos de compras parceladas.

Importante destacar que ter dívidas, por princípio, não é um problema. Os economistas definem o Crédito com o oxigênio da Economia. Sem crédito a economia não vive.  Porém, deve-se ter muito cuidado e sabedoria antes de tomar um empréstimo. Se contrair dívida não é um problema de per si, não honrar com as parcelas contratadas, sim será um enorme problema. “Se alguém quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?” (cf. Lc 14, 28). Parto deste versículo bíblico para entrar no ponto central desta coluna: todas as famílias devem e precisam ter um orçamento financeiro mensal. Para viver em equilíbrio emocional saudável, o ser humano precisa cuidar de quatro dimensões essenciais: uma vida familiar adequada; uma vocação profissional sustentável, um equilíbrio financeiro e uma espiritualidade transcendente.  Justamente o equilíbrio financeiro requer um esforço constante para não se gastar o que não poderá ser pago. E para isso é preciso um orçamento minimamente estruturado e que deve ser rigorosamente cumprido. Este é o lado econômico e financeiro da questão. Uma proposta simples e superficial. Mas não é o único lado a ser observado.

O outro lado importante é o social. Partindo do princípio que nem todas as situações de inadimplência acontecem “apenas” por um pequeno descontrole passageiro de fluxo de caixa familiar, que poderia ser solucionado por exemplo com: uma redução de despesas ou repactuar a dívida ou ainda conseguir alguma receita extra, devemos analisar casos que são bem mais complexos e sinceramente, não me parecem de fácil solução. De saída deve-se ter em conta que o sistema bancário brasileiro é um dos mais rentáveis do mundo. E o banco existe para emprestar dinheiro, e cobrar taxas e juros de acordo com o risco do empréstimo. Isto está bem explícito, por exemplo, nas faturas do cartão de crédito, e acredito que qualquer ente bancário que opere legalmente no Brasil, explica todos os pormenores das prestações a serem pagas quando alguém toma um empréstimo. Portanto, o que falta a grande parte da população, é a consciência que a economia brasileira tem um grau de previsibilidade muito baixo. Apostar que posso pagar meus empréstimos sem ter um bom lastro financeiro é um erro grave, com consequências que podem ser desastrosas. Cautela e prudência em finanças, não são apenas necessárias são indispensáveis. Como já disse um ex-ministro da economia: no Brasil até o passado é improvável. Ter um equilíbrio financeiro é fundamental para uma vida saudável. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A poda necessária – por Celso Tracco

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Uma família tinha um pequeno sítio e o único bem que possuíam era uma vaca leiteira. Da vaca tiravam vários litros de leite todos os dias, o suficiente para alimentar a família, pai mãe e um filho já adolescente. Com o leite faziam alguns poucos produtos como queijo e doces que eles trocavam por outros bens essenciais quando iam até a feira de uma cidade próxima. A vida não tinha nenhuma perspectiva para a família sitiante, na verdade ela não vivia, apenas sobrevivia, acomodada nessa situação de tirar o leite da vaquinha. Mas um dia, veio a tragedia: a vaquinha morreu. Não se deram conta que o animal já estava doente e não cuidaram de sua principal fonte de alimento. E agora o que fazer? Passado o torpor do luto, a necessidade se impôs e começaram a plantar, criar outros animais, produzir novas fontes de renda. O jovem saiu para buscar ajuda, estabeleceu novos contatos e adquiriu novos conhecimentos que fizeram a família progredir como nunca tinham imaginado. Passado algum tempo e vendo o resultado dos esforços de todos, até agradeceram a morte da vaquinha. Me sirvo desta pequena história para entrar no tema do artigo: muitas vezes em nossa vida, uma boa poda é necessária.

De tempos em tempos precisamos refletir se ainda estamos carregando “malas” cheias de coisas que já não produzem mais nenhum prazer. Foram até uteis no passado, mas hoje são peso morto. É preciso se livrar deles e mudar. Isto nos abrirá a possibilidade de uma renovação constante, consciente para uma vida nova e revigorada. Vamos nos dispor a renascer, nos livrando do que está velho, sem uso, ultrapassado e cuidando de tornar vigorosas novas fontes de satisfação pessoal.

Para isso, são necessárias duas atitudes: acreditar no novo e vencer o medo de mudar. O medo é nossa reação natural ao que interpretamos como uma ameaça, algo que entendemos que é mais forte do que nossa capacidade de enfrentá-la. Assim, nosso medo é consequência de nossa falta de confiança em superar os desdobramentos de uma mudança. Caso não encontremos dentro de nós essa confiança, não devemos ter dúvida em procurar alguma ajuda externa. A ajuda de alguém competente é a melhor maneira de nos capacitarmos para novas tarefas e situações. Isso nos ajudará a vencer o medo da novidade.

A outra atitude é ter a esperança de acreditar que o novo será melhor. A esperança é essencial para a vida, pois sem ela nosso ímpeto de viver desaparece. Caso não consigamos responder por que viver vale a pena, há grande probabilidade de entrarmos em depressão. De muitas formas, a vida é mesmo uma luta e tem muitos momentos difíceis. Tomar nossas vidas em nossas mãos, deixando de ser “vítimas do destino” e nos assumirmos como agentes de nós mesmos é o caminho mais direto para reinventá-la e melhorá-la dia a dia.

Em geral somos melhores do que imaginamos ser. É comum que as críticas que ouvimos em alguns momentos de nossas vidas tenham feito alguns estragos em nossa autoestima. Mas nossa capacidade humana de ter fé em nós mesmo e ter esperança em que vamos melhorar, faz toda a diferença. Manter a mente aberta às novas oportunidades e ter coragem para desfazer-se de coisas velhas e obsoletas é o um bom caminho para uma vida melhor e mais produtiva. Não tenha medo de se livrar de “sua vaquinha” e aproveite cada dia de sua vida.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Tempos de Primavera – por Celso Tracco

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No hemisfério sul, entre os dias 22 e 23 de setembro, tem início a primavera, a estação das flores. No Brasil, no dia 21 de setembro comemoramos o Dia da Árvore. A data foi instituída e oficializada em 1965, porém deste os primórdios do século XX tem-se notícias de festas populares, em São Paulo, celebrando o início da primavera e o dia da Árvore.

Com uma certa dose de saudade, lembro dos bons tempos de minha infância que nesse dia sempre alguma pessoa de destaque na comunidade, uma professora ou o diretor da escola, pública obviamente, plantava ainda que simbolicamente, uma pequena muda que com o tempo iria se transformar, em uma grande árvore. Ela iria crescer forte e silenciosamente, traria sombra, abrigo e alimento para outras espécies animais. Os alunos eram incentivados a cuidar, proteger as pequenas árvores. Hoje esses gestos continuam a ser louváveis e necessários, a grande maioria das prefeituras estimula o plantio de arvores, mas já não bastam. Em geral nossas cidades são cinza pelo concreto dos edifícios, quase não deixamos espaço para as pobres árvores, que para crescer, tem de se espremer entre muralhas de cimento. Não podemos nos dar ao luxo de falar poeticamente da importância de se preservar o verde.  O tema atualmente não é “apenas” a preservação do verde, mas muito mais ampliado. Precisamos falar de ecologia.

Ecologia, palavra derivada do grego que, numa tradução livre, significa estudo da casa. Assim podemos definir como estudo da casa, ou de modo mais genérico como o cuidado do lugar onde se vive. A ecologia está ligada ao estudo da vida, da casa da humanidade, do nosso planeta Terra.

Estamos cuidando bem de nossa casa? Estamos nos importando com aquilo que a mãe natureza nos proporcionou, graciosamente, para vivermos? Qual é a sua opinião. Para mim, parece claro que estamos sendo relapsos e desleixados com a nossa casa.

Senão vejamos: qual é situação dos rios e riachos que atravessam nossa cidade? Estão límpidos e podemos beber de suas águas, sem medo? Temos cuidado e consciência do lixo, orgânico e inorgânico que produzimos? De seu descarte adequado? Seu município tem ecopontos? Você sabe onde ficam? Já utilizou? Quando você se alimenta na rua, você tem o cuidado de descartar, adequadamente os resíduos produzidos, por sua ação? Ou simplesmente deixa na calçada, ou pior em algum bueiro?

 Estamos vivendo como se a destruição de nossa casa não nos afetasse. Sujamos o ar, a água, o solo, com uma enorme quantidade de lixo.  Qual é a herança que queremos deixar para nossos filhos e netos? Afinal eles não terão outro lar para viver.

O que podemos fazer? Primeiro devemos tomar consciência de nossos deveres e responsabilidades. Gastar menos recursos naturais, produzir menos poluição, reciclar, reutilizar o que for possível. Devemos incentivar e apoiar todas as iniciativas para despoluir nossas águas, mar, lagoas, lagos, rios e ribeirões. Devemos reciclar nosso lixo, quer seja industrial ou doméstico. Devemos procurar comprar produtos que verdadeiramente são amigos do meio-ambiente. Devemos nos reeducar para sermos parte da solução, uma vez que já somos parte do problema. Nossa casa comum está gritando por ajuda. Vamos cuidar dela o melhor possível. Afinal quem não gosta de morar em uma casa limpa, bem cheirosa, bonita e agradável? Conservar o meio ambiente e a natureza é conservar a vida, a nossa vida. Não é uma opção, é uma necessidade. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Ser político – por Celso Tracco

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A palavra política vem do grego politikós e tem como origem o termo polis, o qual podemos traduzir por comunidade/agrupamento de pessoas. Portanto toda pessoa que vive em comunidade e se interessa pelas coisas públicas desta comunidade, é, por definição, um ser político.

A manifestação política de todos os habitantes de uma comunidade, de uma cidade, estado, região ou país deveria ser frequente e contínua. Dentro de um sistema político democrático, esta prática é assegurada pelas eleições regulares e constitucionais, nas quais legítimos representantes do povo são eleitos para exercerem seus mandatos nos poderes executivo e legislativo.

Entretanto, se lançarmos um olhar mais criterioso para a história de nosso país, facilmente verificamos que a efetiva participação política de nosso povo é mínima. Podemos enumerar várias razões que justificam esse desinteresse, tais como: imposições de vontades autoritárias e absolutistas, baixa escolaridade da população, centralização e concentração do poder em mãos de pequenos grupos familiares, uma sociedade elitizada, baixíssima experiência democrática com uma sucessão de golpes e tentativas de golpes de estado.

Sem dúvida, os fatores citados acima, além de reiterados e contínuos casos de corrupção, trouxeram ao longo do tempo, a percepção de que o exercer político, em especial a política partidária, é um mal social. O povo não confia nos representantes que ele próprio elegeu. Uma tragédia. Tem-se a sensação de que os partidos políticos apenas agem de acordo com os seus próprios objetivos, ou dos objetivos pessoais de seus dirigentes. Eles não estão preocupados em promover o bem-estar dos seus eleitores. Deste modo o povo em geral, não se interessa em sequer debater sobre política. Há um sentimento de inutilidade e até de desprezo, quando se fala sobre política partidária.

Mas, a não participação dos eleitores na política, em que pesem as várias restrições sistêmicas e estruturais, é um grave erro da sociedade brasileira. Temos o dever de participar, cobrar e fiscalizar o trabalho dos eleitos. Nossa recente experiência democrática tem apenas 35 anos, e parece que já estamos cansados e desiludidos com a prática democrática. Continuamos aguardando um “salvador da pátria”, alguém que resolva de imediato, todos os problemas estruturais acumulados em séculos de nossa história. Não vai acontecer. Apenas a livre, plural e democrática manifestação de todos os segmentos de uma comunidade irá aprimorar e solidificar as instituições políticas, evitando o personalismo anacrônico e nefasto em que ainda vivemos. Uma sociedade só será forte, segura, próspera, se a maioria de seus integrantes forem conscientemente participantes ativos, trabalhando para o bem comum.

Pode parecer utópico, mas encaremos a utopia como algo muito difícil, mas possível de ser realizado. Se não trabalharmos duramente, nada irá mudar, e a sensação real de uma classe política inepta, corrupta, servil aos seus próprios interesses só irá aumentar. A manifestação política dos cidadãos, através das inúmeras entidades da sociedade civil requer muita abnegação, mudança de hábitos, de posturas e certamente sacrifícios, mas ainda assim, será o melhor caminho para construirmos uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária e humanizada para todos. Exercite sua cidadania, faz bem e não tem contra indicação.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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A janela quebrada – por Celso Tracco

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A teoria da janela quebrada foi apresentada em 1982 nos Estados Unidos e estabelece uma relação de causalidade entre a desordem e a criminalidade. Os autores James Wilson e George Kelling demonstraram que, em uma casa desprotegida, se alguém arremessa uma pedra e quebra os vidros de uma janela e eles não são repostos imediatamente, aquela casa passa a ser considerada abandonada e será vandalizada. Mais ainda, os estudos mostraram que não existe uma grande diferença referente a vandalismo em bairros pobres e bairros ricos. Um carro abandonado em um bairro rico com uma janela quebrada também foi depenado rapidamente.

Em resumo a teoria procura provar que a população tende a respeitar o que está bem cuidado e que funciona. No entanto se algo está abandonado, sujo, sem alguém tomando conta, o bem imóvel, seja privado ou público, não é respeitado e pequenos delitos começam a ser cometidos: vandalismo, invasões, aglomeração de usuários de drogas. Porém, os delinquentes geralmente, começam pelos pequenos delitos e, sentindo que há impunidade, podem ir avançando para delitos mais graves.  

Uso dessa teoria para uma reflexão: como está a “janela quebrada” em seu bairro, em sua cidade? Sendo mais específico, como são cuidadas as escolas municipais?

Cientistas políticos e sociais, são unanimes em afirmar que a educação escolar é a base de tudo. Sem um povo minimamente escolarizado nada dará certo: a mão de obra não será qualificada, não haverá o hábito de leitura, haverá maior agressividade, menor interesse em um aprendizado constante. Então, pergunto: estamos cuidando bem de nossas “janelas escolares”?

Atenção! Apesar da prioridade pelo cuidado e manutenção do equipamento público ser do governo municipal, a fiscalização deveria ser de todos os usuários. Lembre-se que qualquer equipamento público é construído e mantido com o dinheiro de impostos, portanto pertence à comunidade e também cabe a ela preservar.

Cansamos de ver na internet como são organizadas as escolas desde o básico, nos países mais desenvolvidos. As crianças antes de aprenderem as matérias tradicionais, aprendem a ter respeito! Respeito pelos funcionários, pelos professores, pelos seus colegas, pela escola. E aprendem, não com teoria de qualquer gênero, mas praticando. Aos alunos cabe a limpeza da escola, da sala de aula, dos banheiros, de manter a ordem. A alimentação é comum para todos: alunos, professores e funcionários, aprende-se que não pode haver diferenças. Os alunos mais antigos recepcionam os mais novos, mostrando como funciona a escola.

Em uma palavra a escola pertence a eles e cabe a eles cuidarem da escola. Quanta diferença para nós! Veja como está o chão no entorno de qualquer escola de seu bairro. Bem limpo ou cheio de restos de embalagens de comida e de refrigerantes? O que os pais dos alunos conhecem da escola? Os banheiros são higienizados, limpos, torneiras funcionando, toalhas de papel, lixeiras adequadas? Pais e responsáveis devem participar de reuniões que ocorrem durante o ano letivo.

A responsabilidade também é da comunidade. Inclusive no Brasil há vários exemplos de escolas públicas que foram assumidas pela comunidade, em bairros pobres e violentos. Com diálogo, disciplina e respeitando a dignidade dos alunos, a situação caótica mudou e eles responderam positivamente. Se não agimos com dignidade, respeito, educação e disciplina com uma criança, teremos a grande chance de ter um adolescente revoltado, alienado e agressivo.

Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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