Como construir marcas fortes para quem realmente manda na internet – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante anos, o mercado concentrou esforços em falar com o jovem. Linguagem acelerada, estética efêmera, tendências passageiras e a busca constante pelo que parecia novo dominaram estratégias de marketing e comunicação. Enquanto isso, um movimento silencioso ganhou força. Quem sustenta o consumo, o capital e a estabilidade migraram de forma consistente para o centro do debate digital.

Os dados já não deixam margem para dúvida. As gerações maduras concentram a maior fatia da renda, tomam decisões de compra mais estruturadas e permanecem mais fiéis às marcas. Ainda assim, por muito tempo, foram tratadas como público secundário. O resultado foi um descompasso estratégico que começa a ser corrigido agora.

A internet deixou de ser território exclusivo da juventude. Plataformas envelheceram, comportamentos mudaram e o consumo digital se tornou intergeracional. Hoje, enquanto o jovem experimenta, testa e troca com rapidez, o público maduro observa, compara, valida e permanece. Essa diferença de comportamento muda completamente a lógica de construção de marca. Marcas fortes, nesse contexto, não se constroem por volume de aparições, mas por consistência. Quem realmente manda na internet busca clareza, utilidade, coerência e profundidade. Não se trata de rejeitar inovação, mas de exigir sentido. A estética do maduro, cada vez mais presente, valoriza longevidade, patrimônio simbólico e experiências que resistem ao tempo.

Outro ponto central é a redefinição do conceito de luxo e status. Ostentação perde espaço para estabilidade, conhecimento e qualidade percebida. Produtos, serviços e marcas passam a ser escolhidos não pelo ruído que fazem, mas pelo que representam. Comunicação vazia não se sustenta. Promessas exageradas geram desconfiança. Narrativas bem construídas geram vínculo.

Construir marcas fortes para esse público exige mudança de postura. É preciso sair do impulso e entrar na estratégia. Mostrar história, explicar processos, dar contexto e assumir posicionamentos claros. A autoridade nasce quando a marca demonstra que entende o mundo em que atua e respeita a inteligência de quem consome. A integração entre assessoria de imprensa, conteúdo e presença digital se torna decisiva. Estar em ambientes editoriais confiáveis, produzir informação relevante e manter uma narrativa coerente ao longo do tempo fortalece a reputação. Para as gerações maduras, confiança não se constrói em uma campanha, mas em uma sequência de escolhas bem-feitas.

A disputa por atenção continua intensa, mas o jogo mudou. Quem insiste em falar apenas com quem faz mais barulho corre o risco de ignorar quem realmente decide. Marcas que compreendem essa virada passam a investir em profundidade, escuta e estratégia. E, ao fazer isso, não apenas acompanham a mudança, mas se posicionam à frente dela.

No cenário atual, construir marca é construir sentido. E quem manda na internet hoje é quem valoriza exatamente isso.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Saiba se você é um alienador ou alienadora parental – por Dra. Vera Resende

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A alienação parental é uma interferência negativa nas relações afetivas entre a criança e uma de suas principais figuras parentais, pai ou mãe, com a finalidade de despertar e alimentar sentimentos de ódio, desprezo ou repulsa. Trata-se de um processo mais amplo do que apenas limitar o acesso ao filho ou impedir o contato físico e visual com o outro genitor. Comentários constantes que desqualificam a imagem pessoal, atitudes hostis, questionamentos infundados sobre hábitos e decisões e críticas recorrentes fazem parte de uma campanha silenciosa que fragiliza a figura paterna ou materna.

Os efeitos da alienação parental se estendem a toda a família e podem dificultar ou até impedir a convivência da criança com avós, tios e primos, sem que haja uma justificativa razoável para isso.

É importante compreender que a alienação parental não ocorre apenas em casos de separação ou divórcio, com ou sem litígio. Esse processo pode se iniciar ainda durante a convivência do casal, integrar as dinâmicas cotidianas da família e, em alguns casos, se estender ao longo de toda a vida. Outros membros familiares também podem assumir comportamentos alienadores ao estimular críticas e comentários depreciativos sobre um dos genitores na presença da criança.

A alienação parental faz parte de um quadro de relacionamento abusivo e patológico, pois promove um verdadeiro sequestro emocional. Ao manipular e desviar o objeto de amor naturalmente escolhido pela criança, cria-se uma ruptura nas relações primárias que sustentam o desenvolvimento psicoafetivo.

Homens e mulheres podem atuar como alienadores. Em geral, a pessoa se percebe como vítima, atribui ao outro genitor a responsabilidade exclusiva pelo fracasso conjugal e orienta suas atitudes por sentimentos de raiva, ciúme e desejo de vingança. Traços patológicos costumam moldar uma postura aparentemente superprotetora, enquanto o alienador se coloca como único modelo possível para a criança. Nesse contexto, o filho é transformado em confidente e, muitas vezes, passa a ocupar um lugar de autoridade em relação ao genitor alienado.

A experiência clínica permite identificar formas sutis de alienação parental. A mudança de residência para locais distantes pode gerar um corte profundo na interação entre genitor e filho, criando uma convivência artificial, sem espaço íntimo e contínuo que sustente o vínculo parental. A desvalorização da figura paterna ou materna, apresentada sob a forma de vitimismo, pode levar a criança a assumir responsabilidades que não lhe cabem, tornando-se fonte de ansiedade precoce. Também é comum a tentativa de minimizar ou desqualificar a vida cultural e social do genitor afastado, como estratégia para fortalecer o vínculo exclusivo com quem detém a guarda.

Outro aspecto frequente é a manipulação dos sentimentos da criança, quando se deixa de ensinar o reconhecimento e o agradecimento e se permite o menosprezo às manifestações afetivas do genitor alienado. Esse processo compromete o desenvolvimento do caráter e da empatia. Com o tempo, o genitor afastado passa a ser percebido como alguém estranho.

As repercussões psicológicas desse abuso emocional podem ser profundas e duradouras. Observam-se quadros de depressão, dificuldades na construção da identidade e da autoimagem, sentimentos persistentes de culpa, isolamento, comportamentos hostis, prejuízos na organização emocional, dificuldades de socialização e de estabelecimento de vínculos afetivos. Em situações mais graves, podem surgir tendências à automutilação e comportamentos suicidas. A criança também pode apresentar resistência intensa a regras e responsabilidades compatíveis com sua idade, além de prejuízos no desempenho escolar e no senso de continuidade da própria existência.

É fundamental que os adultos reconheçam seus limites e superem o próprio egoísmo, sem transferir para a criança os conflitos conjugais e as frustrações afetivas. Preservar o direito da criança de amar e conviver com ambos os genitores é um cuidado essencial para sua saúde emocional e para a construção de relações mais saudáveis no futuro.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Levantamento revela crise de retenção na PM em SP com recorde de pedidos de demissão – por Reinaldo Monteiro

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A Associação Nacional de Guardas Municipais (AGM Brasil) elaborou um levantamento detalhado com base em dados oficiais do governo do Estado de São Paulo, publicados no Diário Oficial do Estado, sobre as exonerações de policiais da Polícia Militar (PM-SP). O levantamento, intitulado “O Êxodo Silencioso”, revela que a corporação enfrenta um desafio sem precedentes para reter seus talentos, com uma aceleração contínua no número de profissionais que decidem abandonar voluntariamente a carreira.

De acordo com a análise dos dados feita pela AGM Brasil, o número de exonerações a pedido quase triplicou em cinco anos, saltando de 356 registros em 2020 para o recorde de 917 baixas em 2025. Esse quantitativo representa uma perda constante de 2,5 policiais pedindo para sair da corporação por dia. O levantamento destaca que a evasão se concentra na base da pirâmide: 94% dos pedidos em 2025 vieram dos chamados “Praças” (policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo nas ruas), sendo que 45% do total são soldados de 2ª Classe ainda em início de carreira.

“​​Os dados que levantamos revelam um cenário de alerta máximo: estamos assistindo a um dreno contínuo de 2,5 policiais pedindo baixa por dia em 2025, um recorde histórico que quase triplicou em apenas cinco anos. Não se trata apenas de uma estatística fria, mas de um desperdício inaceitável de investimento público, onde talentos selecionados com rigor e treinados com o dinheiro do contribuinte abandonam a farda por sentirem que a profissão se tornou insustentável diante da falta de perspectiva e da desvalorização. É um capital humano valioso que se esvai sem retorno para a sociedade”, afirma Reinaldo Monteiro, presidente da AGM Brasil.

As causas apontadas pelo estudo da AGM Brasil para essa debandada são estruturais e sistêmicas. O levantamento identifica quatro fatores críticos: o militarismo excessivo que sufoca o profissional, a falta de uma carreira clara e meritocrática, os baixos salários frente ao risco de vida elevado e uma profunda desilusão profissional. O choque entre o ambiente controlado da formação e a realidade das ruas, marcada por escalas estressantes e falta de valorização, tem levado muitos a buscarem outras oportunidades, incluindo a migração de mais de 100 PMs para a Polícia Civil no último ano.

A saúde mental da tropa também está em colapso. O levantamento da AGM Brasil indica que houve cerca de 3.500 pedidos de afastamento psiquiátrico desde 2020, com uma média de duas licenças por dia em 2024. O dado mais alarmante refere-se a 2023, quando o suicídio matou mais policiais (110) do que o combate (107), apresentando uma taxa três vezes superior à da população em geral.

Para a AGM Brasil, a redução do efetivo gera sobrecarga nas equipes remanescentes e compromete a eficiência da segurança pública paulista. O cenário impõe a necessidade urgente de uma avaliação técnica sobre as diretrizes de gestão de pessoal para garantir a segurança de quem protege e da sociedade.

Reinaldo Monteiro afirma que, diante deste cenário, é ainda mais urgente que os municípios tenham Guardas Municipais estruturadas e os que ainda não dispõem de tal efetivo invistam em um planejamento estratégico de segurança pública visando a criação das corporações nas cidades. “Para se ter uma ideia, no maior Estado da Federação com 645 municípios, temos apenas 222 cidades com Guardas Municipais. No Brasil, onde temos 5.570 cidades, só existe GCM em aproximadamente 1.300 delas”, afirma o presidente da AGM Brasil.

O levantamento aponta a necessidade do Brasil colocar em funcionamento o SUSP – Sistema Único de Segurança Pública, o mais breve possível e, para o SUSP funcionar corretamente a base do sistema precisa estar bem estruturada, com irrigamento financeiro, estrutura operacional e administrativa e, todos os entes federados (municípios) DEVEM elaborar e executar seus planos municipais de segurança pública conforme a lei nº 13.675/18 determina, pois, com a base do SUSP estruturada, poderemos liberar as forças estaduais de segurança pública para o combate aos crimes de maior potencial ofensivo, em especial o crime organizado, tráfico de armas, tráfico de drogas, reforçar o policiamento nas rodovias, reforçar o efetivo dos batalhões e grupamentos especializados, etc..

Confira o levantamento detalhado abaixo:

Sobre a AGM Brasil

A AGM BRASIL – Associação Nacional de Guardas Municipais atua como representante das Guardas Municipais no Brasil, defendendo as instituições como órgãos de segurança pública, assim como seus agentes, em mais de 1.300 municípios brasileiros. O Brasil conta hoje com cerca de 100 mil guardas municipais.

A entidade trabalha para fortalecer a segurança cidadã junto aos municípios, o fiel cumprimento da constituição federal no que diz respeito a organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local (Art. 30, V, CF), dentre esses serviços, o serviço de segurança pública básica e, representando os interesses das Guardas junto a órgãos governamentais como demais forças de segurança, tendo respaldo legal do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e do Supremo Tribunal Federal (STF).


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


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Paz e Harmonia – por Celso Tracco

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Tradicionalmente janeiro é um tempo de renovar esperanças e expectativas para o ano que se inicia. Novos desejos, agradáveis pensamentos, um otimismo para levantar o astral, desmantelado pela correria do final do ano que terminou. Ano novo, vida nova! Infelizmente não tenho tanto otimismo. Pelas guerras que estão acontecendo mundo afora, nada nos assegura que teremos paz e harmonia em nosso cotidiano. Deixo claro, estimado leitor, estimada leitora, que não foi minha intenção ter um título enganoso. Minha intenção é refletir que mesmo vivendo em um mundo caótico, não devemos perder a esperança em proporcionar paz e harmonia, no mínimo à nossa volta. Vejamos:  

Parece evidente que o mundo está caminhando para uma nova desordem internacional, agora de forma explícita, sem subterfúgios e sem maior cerimônia. Voltamos para a política do quem pode mais, manda mais. A lei da selva. Líderes de grandes nações agem como antigos e sanguinários imperadores romanos. Os exemplos que estamos assistindo, inclusive na América do Sul, reforçam a tese de que leis do direito internacional, que visavam proteger a soberania dos países, não são respeitadas. Voltamos à época dos impérios, onde países pequenos e sem poder bélico, eram simplesmente vassalos de algum tirano maluco que deveriam satisfazer suas vontades. Para isso não tinham dúvidas em invadir outros reinos, sem maiores explicações. Bastava ter algo para servir de pretexto para invadir, matar, ocupar, roubar, destruir, aniquilar o mais fraco. As organizações humanitárias que as nações, com muito esforço, construíram após o horror da Segunda Guerra Mundial, estão ruindo como um castelo de cartas. As leis internacionais estão sendo literalmente rasgadas pelas grandes potências militares, em prol de seus objetivos políticos e econômicos. A famosa frase de Luiz XIV, rei francês entre 1643 e 1715 que afirmava, “O Estado Sou Eu”, soa bem contemporânea. Significativamente o dito Rei também era conhecido como Rei Sol. Apenas ele poderia brilhar. A história mostra como milhões de seres humanos perderam a vida pela insensatez desses tiranos. Pedir ou desejar paz e harmonia entre as nações, neste contexto, além de utópico soa insensato.

Apesar dessas guerras estarem ainda distante do nosso país, sem dúvida, elas nos afetam indiretamente. Estamos em mundo conectado, o que nos permite ver ataques, assassinatos, operações militares diariamente. Lutar pela paz em uma cultura de guerra, não é tarefa para fracos e covardes. Sejamos fortes e corajosos, e essa força deve vir de nós mesmos.

Para isso construir bons relacionamentos é fundamental para uma vida de paz e harmonia. A menos que nossa escolha seja morar isolados do mundo, pessoas estão à nossa volta o tempo todo. A qualidade dos nossos relacionamentos, em casa ou no trabalho, influencia muito nossa qualidade de vida. Nossa paz e harmonia, então, mais ainda! Construir bons relacionamentos é uma arte, parecida com a dança: precisamos prestar atenção ao parceiro, sentir seus movimentos, conduzir em alguns momentos e deixar-se conduzir em outros, manter-se flexível e saber dançar conforme a música. Será fácil e tranquilo? Claro que não. Vai exigir muita entrega, muita paciência, muito cuidado pelo outro. Sempre é bom lembrar que temos, geralmente, expectativas e visões de vida diferentes dos demais. É muito bom termos nossa individualidade, afinal ainda não somos um algoritmo, mas para conviver em paz e harmonia, muitas vezes é preciso ceder. Deixar prá lá é uma arte para a boa convivência. Ato contrário é agir com tirania, guerreando o tempo todo.

Mais do que nunca, desejo um Feliz Ano, cheio de Paz e Harmonia, para todos nós.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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Planejar agora para crescer em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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Os presentes já estão embaixo da árvore, os panetones ocupam as mesas e o ritmo do calendário começa a desacelerar. Para muitas empresas, profissionais liberais e marcas pessoais, esse período costuma ser associado à pausa. Para quem atua de forma estratégica, no entanto, é exatamente o início de um novo ciclo. Em comunicação, antecipar decisões é o que garante espaço no futuro. O próximo ano já começou agora para quem entende que visibilidade não se improvisa.

E 2026 tende a ser tudo menos silencioso. Copa do Mundo, eleições, grandes eventos nacionais e internacionais, feriados estrategicamente distribuídos e um fluxo intenso de informações disputando atenção diariamente. Em um cenário tão competitivo, apenas existir não sustenta posicionamento. É preciso ser visto, lembrado e reconhecido como referência, especialmente por empresas B2B, médicos, advogados, executivos e empreendedores que competem por credibilidade em mercados cada vez mais saturados.

É nesse contexto que a assessoria de imprensa se consolida como uma estratégia central de comunicação. Diferentemente da publicidade paga, que depende de investimentos constantes e enfrenta custos crescentes, a presença editorial oferece algo que não se compra. Credibilidade.

Quando uma marca, clínica ou especialista aparece em uma reportagem, entrevista ou matéria jornalística, não está apenas divulgando um serviço. Está sendo validado por um veículo que o público reconhece como fonte confiável.

Pesquisas recorrentes sobre consumo de informação mostram que o público tende a confiar mais em conteúdos jornalísticos do que em anúncios. Essa confiança se reflete diretamente na reputação. Empresas e profissionais que mantêm presença contínua na imprensa costumam ser mais lembrados em momentos de decisão, seja para contratar um serviço, agendar uma consulta ou escolher um fornecedor. Não se trata de exposição pontual, mas de construção consistente de imagem.

As redes sociais seguem cumprindo papel relevante ao atrair, engajar e aproximar públicos. A imprensa, por sua vez, legitima e consolida essa presença. Quando essas frentes atuam de forma integrada, os resultados se potencializam. Uma matéria publicada gera conteúdo para redes, fortalece autoridade digital, influencia buscas e sustenta narrativas institucionais.

Quando caminham separadas, perdem força e impacto. Em um ano marcado por grandes acontecimentos e excesso de informação, essa integração deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade.

Por isso, a assessoria de imprensa continua sendo uma das estratégias com melhor custo-benefício da comunicação. Com planejamento, consistência e leitura de cenário, ela transforma conhecimento técnico em pauta relevante, posiciona especialistas como fontes recorrentes e mantém marcas presentes nos veículos certos ao longo do ano. Não é sobre aparecer por aparecer. É sobre ocupar espaços estratégicos de forma contínua, coerente e alinhada aos objetivos do negócio.

Comunicação estratégica começa pela escuta

Na Six Comunicação Integrada, o trabalho começa pela escuta e pelo entendimento profundo de cada cliente, de sua atuação, desafios e metas. A partir disso, a expertise é traduzida em pautas jornalísticas, narrativas estratégicas e posicionamento editorial em portais, jornais, rádios, TVs e ambientes digitais. Sempre com responsabilidade, ética e, no caso das áreas da saúde e do direito, total alinhamento ao Código de Ética Médica e às diretrizes da OAB. Visibilidade sem estratégia gera ruído. Comunicação bem conduzida constrói autoridade.

Na prática, a era digital nivelou a disputa por atenção. Hoje, empresas de todos os portes competem pelos mesmos espaços simbólicos e informativos. Enquanto este texto é lido, é provável que um concorrente esteja investindo em comunicação para se manter presente ou conquistar novos públicos. A diferença está em quem compreende que comunicação não é custo, mas investimento direto em reputação, confiança e sustentabilidade.

Mostrar que sua empresa existe, explicar o que ela faz e deixar claro qual experiência entrega é essencial para crescer. Isso se torna mais eficiente quando assessoria de imprensa e marketing digital atuam de forma integrada. Essa combinação fortalece a imagem institucional, amplia presença online e transforma porta vozes em referências consistentes em seus setores.

Entrar em 2026 com um plano de comunicação estruturado é estar preparado para um ano intenso, competitivo e cheio de oportunidades. Em meio a agendas cheias e grandes eventos, quem constrói reputação com antecedência se destaca. Quem deixa para depois, disputa migalhas de atenção. A pergunta que fica é simples. Sua marca está construindo autoridade ou apenas reagindo ao mercado?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Da formação do ofício: O médico como obra inacabada – por Dr. Guilherme Falótico

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Afirmam que existem instituições que produzem médicos em série, preenchendo-os de conhecimento estanque e entregando-os ao mundo com um pergaminho que tapa ausências. E questiono: que transformação é esta que converte um jovem em autoridade de avental branco, sem antes lhe revelar a humana imperfeição da matéria que tratará?

A realidade é que se formam profissionais como quem monta estruturas e, se faltar algum elemento, segue-se adiante, pois o diploma cobre todas as lacunas. E depois admira-se quando o organismo humano, esse sistema complexo e singular, recusa funcionar conforme os manuais.

Das casas de instrução vazias

Ingressa-se com ideais luminosos, egressa-se com protocolos nas mãos. A academia, essa suposta catedral do conhecimento, converteu-se frequentemente em depósito de informações transitórias. Ensina-se o corpo como mecanismo, mas omite-se que este mecanismo sofre, teme, espera, desanima. Ocupam-se mentes com dados como quem estoca volumes, mas esquecem o essencial: que a medicina é, antes de tudo, um encontro entre duas vulnerabilidades.

Comentam agora que a residência médica, esse ritual formativo, essa travessia necessária que transforma conhecimento teórico em sabedoria prática, perdeu valor. Tornou-se cerimônia acelerada, formalidade burocrática onde se trocam noites de vigília por assinaturas no currículo. Onde está o mestre que ensinava não apenas o procedimento, mas o respeito pelo mistério? Substituíram-no pelo supervisor apressado, ele mesmo cativo da produtividade.

Do aprendizado como arte esquecida

Lembro os antigos mestres, esses seres raros, para quem o ato médico era ritual, não transação. Instruíam com paciência de artesãos, demonstravam que diagnosticar é ouvir o que as palavras silenciam, que examinar é decifrar um texto escrito na linguagem íntima do corpo. Hoje, receio, muitos aprendem a observar exames e esquecem-se de ver o doente.

E assim vamos construindo médicos ruins tecnicamente e incultos humanamente.

Da correção necessária

Não será hora de repensar a formação médica? De voltar a fazer da medicina não um curso, mas um chamado cultivado? De tratar a residência não como etapa a vencer, mas como obra a esculpir?

Talvez necessitemos mais doentes reais nos corredores e menos apresentações e narrativas. Menos especialização antecipada e mais contato com o humano em sua plenitude.

Porque no final, quando todos os aparatos falharem e todos os protocolos se mostrarem insuficientes, restará apenas o médico com seu saber, sua intuição, sua humanidade. E esse médico não se forma em seis anos. Esse médico forma-se numa existência inteira de encontros, de equívocos, de aprendizados, de humildade.

O paciente, esse ser intricado que nos confia seu corpo, merece mais do que um técnico bem instruído. Merece um humanista que conheça a ciência. E forjar esse profissional exige mais do que instalações modernas ou currículos atualizados.

Que as escolas formem não médicos, mas pontes. Não técnicos, mas tradutores. E que a residência médica seja, novamente, não um suplício a suportar, mas um deserto necessário onde se perdem as certezas frágeis para encontrar a sabedoria humilde.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Mais um fim de ano! – por Celso Tracco

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UFA! 2025 finalmente está terminando. Depois de tantos altos e baixos, em escala planetária, tais como guerras que não terminam, tarifaços econômicos, escândalos diários proporcionados por integrantes dos mais diversos órgãos de governo, fraudes financeiras inimagináveis, eventos climáticos extremos, uma cultura de ódio e não de paz, 2025 está nos deixando. Creio que, para a maioria das pessoas, não vai deixar muitas saudades. Apesar disso, para mim particularmente um fato superpositivo transcendeu sobre todos os outros: minha estreia como colunista nesta plataforma de notícias Hora de S. Paulo (www.horasp.com.br). E quero agradecer a cada um (a) dos leitores (as) que me honraram com sua leitura e comentários. Gratidão eterna a todos vocês. Apenas por isso ter vivido 2025 já valeu muito a pena. Espero que nossa conexão fique mais forte, a cada ano, vencendo todos os possíveis obstáculos.

E o que esperar de 2026?  Sinceramente, penso que será um ano com muitos desafios, ou seja, um ano muito difícil, principalmente para a população mais necessitada, que é a imensa maioria da população brasileira. E por que eu digo isso? Porque, além de 2026 herdar todo o manancial de problemas que vem do passado, vai se defrontar com dois fatos que impactam fortemente nossa vida. O primeiro é a Copa do Mundo de Futebol, com início em 11/06/2026 e término em 19/07/2026. Futebol ainda é o esporte mais popular do mundo, e no Brasil, apesar da queda em sua popularidade, ainda arrasta multidões. A pátria de chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, creio que já ficou no passado, mas ainda irá movimentar a mídia, o noticiário, as conversas de botequim, o imaginário popular. Certamente, a vida, quer você seja um torcedor ou não, será afetada. Então prepare-se, da maneira mais adequada de acordo com suas atividades para esse evento. Ele é efêmero, emocional, apaixonante. Dura pouco, mas enquanto dura é intenso.  O segundo evento, são as eleições em outubro, que sem dúvida são muito mais importantes para a vida de nosso país. Não são levadas muito a sério, mas nelas deveríamos por toda a nossa racionalidade, pois efetivamente podem significar o êxito ou o fracasso de toda uma nação. Teremos a eleição para presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Suas ações, ou a ausência delas, seu governo ou desgoverno, sua honestidade ou desonestidade, influenciarão nossas vidas, pelos próximos anos. Por isso devemos dar muito valor ao nosso voto. Temos a tendencia de sempre culpar os políticos, não que seja errado, mas esquecemos que, em uma democracia, eles estão lá porque foram legitimamente eleitos por nós. No final, a sociedade é responsável pela qualidade dos políticos que ela elege. Pense nisso quando decidir o seu voto.

Finalizando, período de festa, de alegria e confraternização. Deixe os problemas de lado, teremos 365 novos dias para resolvê-los. Desejo um Feliz e Santo Natal a todos os leitores e leitoras e suas famílias. Que seja um Natal de paz, harmonia, alegria, solidariedade. Que a boa vontade e compreensão permaneçam presentes em todas as celebrações. E que o Ano Novo nos revigore para continuarmos a construir uma sociedade que cultive a paz e não a guerra, que construa pontes e não muros, que seja mais justa, solidária, equalitária com todos os seus membros. Boas festas e, se Deus quiser, nos vemos em Janeiro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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PEC da Segurança Pública é adiada para 2026 – Substitutivo apresentado pelo relator ignora a própria Constituição

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Segurança Pública é Dever do Município: O Fundamento Constitucional e o Papel Essencial das Guardas Municipais

A noção de que a segurança pública é uma responsabilidade exclusiva dos governos estaduais está profundamente enraizada no senso comum, mas representa uma compreensão incompleta e prejudicial ao pacto federativo brasileiro. A realidade jurídica e prática, contudo, é outra. Este artigo demonstrará, com base em uma análise sistêmica da Constituição Federal e em decisões consolidadas dos tribunais superiores, que os municípios possuem um dever inequívoco com a segurança pública. Nesse cenário, a Guarda Municipal emerge como o pilar para a execução dessa responsabilidade e para o funcionamento eficaz do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

O Pacto Federativo e a Leitura Correta da Constituição

A interpretação da Constituição Federal não pode ser feita “em tirinhas”, como alertava o Ministro Eros Grau e recorda Reinaldo Monteiro, selecionando artigos isolados que convenham a uma determinada narrativa. Uma leitura sistêmica é essencial para compreender a verdadeira distribuição de competências. A ideia de que a segurança pública se resume ao Artigo 144 ignora a arquitetura federativa do Brasil. O fundamento constitucional para a responsabilidade municipal se baseia em três pilares:

  1. Autonomia Municipal: O Artigo 18 da Constituição estabelece o município como um ente federado autônomo, ao lado da União, dos Estados e do Distrito Federal. Essa autonomia não é meramente decorativa; ela confere ao município poder e dever para gerir seus próprios assuntos.
  2. Competência para o Interesse Local: O Artigo 30, inciso V, é explícito ao conferir aos municípios a competência para “organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local”.
  3. Segurança como Interesse Local: A segurança pública é, inegavelmente, um dos mais primordiais interesses locais. Questões como o roubo de celular no ponto de ônibus, a violência doméstica, a perturbação do sossego, a segurança nas praças, a proteção de escolas e hospitais e a fiscalização de trânsito são problemas que afetam diretamente a vida do cidadão no município. Ignorar essa realidade é ignorar a própria finalidade da autonomia municipal.

A “Segurança Pública Básica”: O Alicerce do Sistema

Assim como o Brasil consolidou a atuação municipal na saúde básica e na educação básica, é preciso compreender o conceito de “Segurança Pública Básica”. O termo “Estado” no Artigo 144 (“A segurança pública, dever do Estado…”) refere-se ao Estado em seu sentido amplo, englobando todos os entes federados (União, Estados e Municípios), da mesma forma que ocorre nos artigos sobre saúde (Art. 196) e educação (Art. 205).

Sem a segurança básica, o tripé do Estado social — saúde, educação e segurança — fica incompleto. O Brasil, hoje, está manco. A segurança básica é a atuação primária, aquela que garante a tranquilidade cotidiana do cidadão: a segurança no caminho para a escola, no mercado, no hospital, na praça e no trânsito. Essa divisão de tarefas é estratégica e fundamental para a eficiência do sistema como um todo. Ao assumir essa responsabilidade, o município libera as Polícias Militares para se concentrarem em crimes de maior complexidade e potencial ofensivo, como o combate ao crime organizado, ao tráfico de armas e de drogas.

A Guarda Municipal: A Polícia do Município por Força de Lei e Decisão Judicial

É preciso desmistificar a ideia de que a Guarda Municipal (GM) existe apenas para proteger o “patrimônio”. Essa interpretação restritiva nunca esteve no texto constitucional. O Artigo 144, Parágrafo 8º, determina a proteção de “bens, serviços e instalações”. Dentro de um município, “bens” incluem ruas, praças e parques; “instalações” abrangem escolas e postos de saúde; e “serviços” incluem a própria segurança pública, que é um serviço que o município deve prestar e proteger, fechando o ciclo lógico do argumento. Essa redação abrange quase 100% do território e das atividades municipais.

Reconhecimento Legal e Jurisprudencial

A evolução legal e as decisões judiciais recentes consolidaram a natureza policial das Guardas Municipais, eliminando qualquer dúvida sobre sua competência:

  • Lei 13.022/2014 (Estatuto Geral das Guardas Municipais): Esta lei federal define 18 competências específicas para as Guardas Municipais, incluindo a proteção sistêmica da população. Se as competências são específicas por lei federal, elas, por definição, não podem se sobrepor às da Polícia Militar. O argumento da “invasão de competências” é, portanto, legalmente infundado.
  • Validação pelo STF: A constitucionalidade integral da Lei 13.022 foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 5780, conferindo segurança jurídica à atuação das GMs em todo o país.
  • Natureza Policial: Em decisão histórica na ADPF 995, o STF reconheceu formalmente as Guardas Municipais como órgãos policiais integrantes do sistema de segurança pública, alterando sua natureza jurídica e reconhecendo a realidade de sua atuação.
  • A Posição da OAB: A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) oferece uma prova concreta e irrefutável dessa natureza policial. Em despacho negando a inscrição de um guarda municipal em seus quadros, a própria OAB afirmou: “Reinaldo, você não pode ter inscrição porque você é policial”. Essa recusa, vinda de uma das mais importantes instituições jurídicas do país, transforma um ponto abstrato em um fato inegável.
  • Controle Externo pelo Ministério Público: Para dissipar qualquer receio sobre “quem vigia a polícia municipal”, a estrutura de controle já existe e é robusta. A Resolução 279/2023 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) é clara ao incluir as Guardas Municipais no rol de órgãos policiais sujeitos ao controle externo da atividade policial exercido pelo MP, garantindo um mecanismo de fiscalização e responsabilização.

Por fim, é crucial desfazer a falácia de que “a guarda só pode prender em flagrante”. O Artigo 5º, inciso 61, da Constituição Federal estabelece que “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente”. O termo “ninguém” se aplica a qualquer pessoa ou polícia. A regra para a prisão é a mesma para a Guarda Municipal, a Polícia Militar, a Polícia Civil ou qualquer outra força de segurança.

O Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e a Responsabilidade Municipal

A Lei 13.675/2018, que criou o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), veio para formalizar e organizar a cooperação entre os entes federados. Um de seus pilares é a obrigação legal de cada município elaborar seu próprio Plano Municipal de Segurança Pública.

A lógica é inquestionável: se um município tem o dever de criar um plano de segurança para sua realidade local, com suas peculiaridades e diagnósticos, quem mais poderia executá-lo senão sua própria força de segurança, a Guarda Municipal. Segundo a estrutura do SUSP, os municípios e suas guardas são o alicerce do sistema. Sem uma base forte e atuante, toda a estrutura nacional de segurança fica comprometida e ineficaz.

O Que Contempla um Plano Municipal de Segurança Pública?

Longe de ser um documento abstrato, o Plano Municipal de Segurança Pública se traduz em políticas concretas, desenhadas para resolver os problemas cotidianos da população. Um plano eficaz deve contemplar eixos temáticos como:

  • Proteção e defesa da mulher, com foco no combate à violência doméstica.
  • Policiamento escolar e proteção de crianças, adolescentes e idosos.
  • Segurança viária, com educação e fiscalização de trânsito.
  • Mediação de conflitos e cultura de paz.
  • Proteção ambiental, arquitetônica e do patrimônio histórico-cultural.
  • Prevenção a crimes violentos por meio de patrulhamento comunitário.
  • Preservação da tranquilidade social, atuando na redução da perturbação do sossego.

Evidências do Sucesso: Dados que Comprovam a Eficácia Municipal

A teoria se comprova na prática. Dados concretos demonstram que o investimento na segurança municipal gera resultados diretos na redução da criminalidade e no aumento da percepção de segurança da população.

  • Ranking das Cidades Mais Seguras: De acordo com um estudo da Connect Smart Cities, que analisa diversos indicadores, somente três das 100 cidades mais seguras do país não possuem guardas municipais. Mais revelador ainda é o fato de que as 10 primeiras do ranking, sem exceção, contam com a atuação de suas guardas.
  • Redução de Homicídios: Estudos apontam que uma guarda municipal bem estruturada, com treinamento, equipamento e gestão adequados, pode reduzir em média 30% o número de homicídios no município.

Conclusão: Cumprir a Constituição para Fortalecer a Segurança de Todos

A análise sistêmica da Constituição, somada à legislação infraconstitucional e às decisões do Supremo Tribunal Federal, não deixa margem para dúvidas: a segurança pública é um dever constitucional dos municípios. As Guardas Municipais não são uma força secundária ou meramente patrimonial; são as instituições policiais designadas para exercer essa função no âmbito local, constituindo a base do Sistema Único de Segurança Pública.

Infelizmente o Susbtitutivo apresentado pelo Deputado Mendonça Filho ignora tudo o que foi observado acima, com um texto arcaico, extremamente centralizado nos governos estaduais, com profundos preconceitos com os municípios, tratando-os como subespécies dos entes federados, inclusive retirando qualquer possibilidade das cidades receberem recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública agravando ainda mais a desigualdade social e, condenando o Sistema Único de Segurança Pública ao fracasso, além de mais uma vez submeter a segurança pública do nosso país aos desmandos do “coronelismo” que até os dias de hoje se encontra enraizado em nossa sociedade.

Cabe aos prefeitos, legisladores e à sociedade como um todo abandonar a cômoda, porém equivocada, ideia de que a segurança é um problema exclusivo do estado membro. Assumir essa responsabilidade é cumprir o pacto federativo, otimizar o uso das forças policiais e, acima de tudo, construir um sistema de segurança pública verdadeiramente eficaz, integrado e capaz de garantir a paz social que todo cidadão merece.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

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Entender para atender – por Adriana Vasconcellos

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Na semana passada participei de dois encontros aqui em Alphaville/Barueri, o Ativa Experience e o Elevate Minds. Temas distintos, palestrantes diferentes e experiências únicas, mas um ponto central emergiu em ambos. Para que exista conexão verdadeira é preciso estabelecer um diálogo que ultrapasse a superfície. A comunicação só ganha força quando há intenção, escuta e disposição para compreender o que o outro realmente deseja transmitir.

Essa ideia não é nova, mas permanece atual. Stuart Hall, um dos principais teóricos da comunicação, já alertava que nenhuma mensagem existe sozinha. Ela depende da interpretação do receptor. Ou seja, comunicar não é apenas emitir informação, mas garantir que ela seja compreendida dentro do contexto, das expectativas e das experiências de quem a recebe.

No campo das relações humanas e profissionais essa lógica é ainda mais evidente. Entender para atender se tornou um princípio de convivência. Serve para a família, para colegas de trabalho e, acima de tudo, para a relação entre marcas e clientes. Sem proximidade e escuta ativa não existe construção de valor. Peter Drucker também reforçava que o objetivo da comunicação é gerar entendimento. Quando não há entendimento, não há impacto.

Vivemos em uma era em que a informação de qualidade se tornou um ativo estratégico. Como jornalista e assessora de imprensa vejo que ouvir continua sendo a ferramenta mais poderosa para acessar informação. É na escuta que surgem nuances, dores, necessidades e oportunidades que muitas vezes passam despercebidas no discurso unilateral. É ouvindo que conseguimos traduzir expectativas em estratégias e transformar percepção em resultado.

Essa troca não é apenas útil. É indispensável. No ambiente corporativo a escuta ativa representa uma vantagem competitiva. Philip Kotler, conhecido como o pai do marketing moderno, afirma que empresas orientadas para o cliente não partem do que querem vender, mas do que o público precisa. Para descobrir essas necessidades é preciso abrir espaço para o diálogo e cultivar relações que permitam entender tanto comportamentos quanto motivações. No fim, comunicar bem é menos sobre falar muito e mais sobre ouvir para falar certo.

O diálogo com propósito fortalece vínculos, constrói confiança e cria relevância. Quando uma empresa se dedica a compreender antes de responder, ela se torna mais eficiente, mais humana e mais presente na vida das pessoas.

A comunicação deixa de ser uma mensagem isolada e passa a ser uma experiência compartilhada. É aí que reside sua força.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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A violência de todo dia – por Dra. Vera Resende

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A sociedade está abalada com o aumento dos casos de feminicídio, que se tornam mais frequentes e mais visíveis a cada ano. O que nem sempre percebemos é que convivemos diariamente com outras formas de violência que passam despercebidas. A repetição desses comportamentos acaba por naturalizar gestos, palavras e atitudes agressivas no ambiente familiar, profissional e social, tornando difícil identificar quando a violência se instala.

No campo da cultura, a exposição constante a cenas de agressão também influencia nossa percepção. Filmes exibidos na televisão, mesmo os considerados leves, apresentam tramas marcadas por assassinatos e conflitos físicos. Jogos eletrônicos estimulam disputas baseadas na eliminação do oponente. A convivência com esse cenário contribui para a banalização da violência na vida cotidiana. O mesmo ocorre com agressões verbais, insultos e atitudes de humilhação, que surgem com a mesma frequência da violência física. Sempre há alguém tentando se impor sobre o outro por meio da força.

O problema se agrava quando essa normalização é transportada para a vida concreta. As brigas em bares, boates e ambientes esportivos são exemplos evidentes desse comportamento descontrolado. Infelizmente, a violência também chegou às escolas. Em muitos contextos, parece que perdemos a noção dos limites entre o aceitável e o intolerável.

Na prática clínica, encontro com frequência mulheres que sofrem violência e não reconhecem a gravidade da situação. Algumas mascaram o problema ao justificar a agressividade do parceiro com o uso de álcool ou drogas. Outras acreditam que a violência faz parte do destino, pois cresceram observando mães e avós vivendo relacionamentos marcados por desrespeito e dor. Esse padrão repetido por gerações cria um ciclo de conformismo difícil de quebrar.

A passividade diante de situações agressivas se torna um terreno fértil para o agravamento da violência. Relatos de empurrões, insultos, ameaças e destruição de objetos aparecem com naturalidade, como se fossem episódios passageiros. No entanto, a violência raramente diminui com o tempo. Ao contrário, tende a crescer à medida que a vítima perde a capacidade de reconhecer seus direitos e sua individualidade.

É fundamental prestar atenção ao que se apresenta como normal apenas porque é frequente. A violência psicológica costuma ser o primeiro passo. Ela aparece na desqualificação da vítima, no desprezo por suas ideias, na culpabilização constante e na tentativa de controlar suas escolhas. Quando a mulher deixa de se reconhecer como sujeito com voz e autonomia, o caminho para a agressão física se abre. Um objeto arremessado na parede hoje pode se voltar contra o próprio corpo amanhã. Um ataque verbal que parece pontual pode evoluir para espancamentos. E, em muitos casos, pode tirar a vida.

Romper esse ciclo requer consciência, apoio emocional e acesso a redes de proteção. A mulher não deve acreditar que suporta agressões em nome dos filhos, porque esse comportamento oferece às crianças um modelo de relacionamento marcado pela violência e pela submissão. Reconhecer a situação e buscar ajuda não é motivo de vergonha. É um ato de preservação da vida e da saúde emocional.

A violência cotidiana não começa de forma explícita. Ela nasce no silêncio, na naturalização do desrespeito e na repetição de padrões que precisam ser interrompidos. Falar sobre isso é essencial para quebrar um ciclo histórico e criar espaços mais seguros para todas as mulheres. Se a vida se organiza pelo respeito e pelo cuidado, é nesse caminho que precisamos insistir.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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