Reflexões a partir do caso do MC Tuto em Barueri – por Reinaldo Monteiro

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O trágico atropelamento do jovem Gabriel Alves pelo funkeiro MC Tuto, ocorrido em Barueri-SP, não é apenas um “incidente de trânsito”, mas um sintoma alarmante da omissão dos municípios em cumprir seus papéis constitucionais na segurança pública. O episódio, ocorrido durante a gravação não autorizada de um videoclipe em um local restrito ao lazer de pedestres, evidencia a falha na fiscalização e na proteção dos bens, serviços e instalações municipais, deveres fundamentais das administrações locais.

O Município como Ente Estratégico e a Falácia da Incompetência

Historicamente, muitos prefeitos esquivam-se da responsabilidade pela segurança pública, alegando que esta é uma atribuição exclusiva dos estados. No entanto, a Constituição Federal, em uma leitura sistêmica, estabelece que a segurança é um direito social e um dever do Estado (enquanto ente federado), o que inclui os municípios. O Artigo 30, inciso V, é claro ao definir que compete ao município organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local, e a segurança pública básica é, indiscutivelmente, um interesse local.

No caso de Barueri, o acidente ocorreu em uma área onde veículos eram proibidos, próximo a uma feirinha e um ginásio poliesportivo. A ausência de uma fiscalização municipal eficaz que impedisse o uso de um Porsche em alta velocidade para fins comerciais não autorizados em área de lazer demonstra uma lacuna na proteção sistêmica da população.

O Papel das Guardas Municipais e suas atribuições legais no trânsito

As Guardas Civis Municipais (GCM’s) não devem ser vistas apenas como vigilantes de prédios, mas como POLICIAIS MUNICIPAIS com 18 competências específicas para garantirem a proteção sistêmica das pessoas que utilizam os bens, serviços e instalações municipais. A Lei 13.022/2014 regulamentou o papel dessas instituições, conferindo-lhes competência para a proteção dos direitos humanos fundamentais e a preservação da vida. Quando um município falha em estruturar sua guarda ou em implementar um Plano Municipal de Segurança Pública, ele ignora as diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e a própria Constituição Federal

A segurança pública municipal é “atenção primária”. Assim como na saúde e na educação, o município deve atuar na base para evitar que conflitos locais escalem para crimes mais graves. O uso da força policial estadual para resolver problemas de ordenamento urbano local — como o controle de trânsito em áreas de lazer ou a perturbação do sossego — é um uso ineficiente de recursos humanos e materiais.

As atribuições das Guardas Municipais no trânsito fundamentam-se na competência dos municípios para organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local, conforme o Artigo 30 da Constituição Federal e artigo 24 do Código de Trânsito Brasileiro – CTB (Lei 9.503/1997), sendo que, as principais atribuições e competências legais incluem:

  • Fiscalização e Ordenamento: O município tem a responsabilidade de organizar o trânsito dentro da cidade, garantindo a segurança das pessoas que circulam em vias públicas. Isso inclui a fiscalização direta de situações de interesse local e a aplicação de leis municipais específicas;
  • Atendimento a Ocorrências: As Guardas Municipais podem atuar no atendimento de acidentes de trânsito, o que permite que a Polícia Militar direcione seu efetivo para o combate a crimes de maior potencial ofensivo;
  • Fiscalização de Trânsito: exercer as competências de trânsito que lhes forem conferidas, nas vias e logradouros municipais, ou de forma concorrente, mediante convênio celebrado com órgão de trânsito estadual ou municipal (Lei 13.022/14, art. 5º, inciso VI);
  • Educação para o Trânsito: A atuação das guardas deve contemplar a segurança viária, por meio de políticas de educação no trânsito e palestras educativas para a comunidade;
  • Buscas e Abordagens: Decisões recentes do STF reconhecem a legalidade de as Guardas Municipais realizarem buscas pessoais, veiculares e até domiciliares (RE 1.468.558 – STF);
  • Exercer o Policiamento Ostensivo, Comunitário e Preventivo: é constitucional o exercício de ações de segurança urbana pelas guardas municipais, incluindo o policiamento ostensivo, comunitário e preventivo (RE 608.588 – Tema de Repercussão 656);
  • Proteção Sistêmica: Com base na Lei 13.022/2014 (Estatuto Geral das Guardas Municipais), essas instituições possuem competência para a proteção sistêmica da população que utiliza bens, serviços e instalações municipais, o que abrange as ruas, praças e o próprio serviço de segurança viária.
  • Aplicação de Sanções e Multas: As guardas podem fiscalizar e aplicar multas baseadas em legislações municipais de interesse local, como no exemplo de Barueri com a fiscalização do uso de cerol em linhas de pipa para evitar acidentes com motociclistas.

Vale ressaltar que a atividade das Guardas Municipais, inclusive no trânsito, é sujeita ao controle externo da atividade policial pelo Ministério Público.

A Omissão Crônica e o Desperdício de Recursos

A crítica estende-se à prática de muitos prefeitos que, em vez de investirem em suas próprias estruturas de segurança, “compram” a folga de policiais militares (Atividade Delegada) para realizar funções que deveriam ser exercidas pelo ente municipal. Essa postura negligencia o fortalecimento das instituições locais e ignora a capacidade do município de legislar sobre interesse local, como a regulamentação para o uso de espaços públicos, regulamentação de horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais, regulamentação de emissão de ruídos (Perturbação do Sossego), e todo o código de posturas municipais.

Conclusão

A segurança do cidadão ao utilizar uma praça, uma rua ou um serviço de transporte é de responsabilidade direta das prefeituras. Enquanto os municípios não assumirem seu papel como a base do Sistema Único de Segurança Pública, episódios como o de Barueri – SP continuarão a expor a fragilidade do pacto federativo e a falta de compreensão de alguns gestores em relação a nossa Carta Magna. A omissão municipal não custa apenas recursos financeiros; ela custa a integridade física e a vida de jovens que, como Gabriel, deveriam estar protegidos em espaços públicos destinados ao seu lazer. É imperativo que os gestores municipais deixem de “lavar as mãos” e passem a garantir o direito social do cidadão à segurança pública básica.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

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O comportamento do consumidor em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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O consumidor de 2026 busca facilidade em todos os pontos da jornada. Ele não quer percorrer etapas longas, mudar de ambiente ou lidar com processos que exigem atenção total. Pesquisas da Euromonitor mostram que o público valoriza conforto, simplicidade e experiências que se encaixem no cotidiano, sem esforço extra. A tendência se confirma em estudos do RBC Capital Markets, que apontam maior sensibilidade ao valor e preferência por soluções diretas e funcionais.

Esse cenário desloca a lógica de presença digital. A compra deixa de depender da loja e passa a acontecer no ambiente onde o consumidor já está. Direct, WhatsApp e comentários se tornam locais naturais de conversão. A jornada é fluida e deve acompanhar o usuário de forma integrada. Plataformas como Instagram e TikTok aceleram esse processo ao estimular consumo imediato, o que torna arriscada a dependência de um único canal. Segundo o Jobspace, o comportamento híbrido é padrão e exige múltiplos pontos de contato funcionando de forma coerente.

Outro aspecto relevante é a busca por continuidade. O público não se envolve mais com conteúdos isolados. Ele procura narrativas que avancem, formatos reconhecíveis e entregas frequentes. Essa mudança impulsiona a lógica de canal, em que marcas e criadores trabalham quadros fixos, rotinas editoriais e identidade visual consistente. A Euromonitor aponta que quase metade dos consumidores desejam experiências personalizadas e com sensação de familiaridade. Postagens avulsas geram atenção momentânea. Séries criam hábito.

A tecnologia acelera essa transformação. Processos que antes exigiam grandes equipes agora podem ser estruturados por meio de planejamento e recursos de automação e inteligência artificial. Isso permite escala sem perder qualidade. Estudos da Consumidor Moderno indicam que o público aceita bem o uso de IA, desde que aplicado de forma transparente e realmente útil. O consumidor de 2026 também rejeita barreiras. Caminhos engessados, obrigatoriedade de aplicativos próprios ou etapas desnecessárias geram abandono imediato. Experiências conectadas, e não apenas multicanais, são as que se destacam. O cliente espera que uma conversa iniciada em um canal continue em outro sem perda de contexto. Quando a marca simplifica, a conversão cresce.

Outro movimento importante é a transformação do conteúdo em experiência. Quando marcas estruturam sua presença como um programa, com linguagem própria e entregas recorrentes, a audiência passa a voltar de forma espontânea. Essa dinâmica já aparece em grupos de mídia que adaptam formatos tradicionais para vídeos verticais e narrativas episódicas pensadas para consumo mobile. O conteúdo nasce no digital e para o digital.

Em 2026, presença digital eficiente depende mais de estratégia do que de volume. A construção de séries, estilos definidos e rotinas consistentes fortalece a relação. Marcas que entendem o comportamento atual deixam de disputar atenção e começam a desenvolver vínculo de longo prazo.

As previsões se alinham em diferentes estudos. A Euromonitor destaca o desejo por conforto. O RBC aponta a busca por valor real. A Consumidor Moderno reforça a importância do bem-estar e do uso consciente de tecnologia.

O Jobspace evidencia a preferência por jornadas integradas. Em conjunto, esses dados mostram um consumidor que busca facilidade, continuidade e conexão. Marcas que se adaptam a esse movimento conquistam vantagem competitiva, porque atendem não apenas a um desejo imediato, mas a um padrão de consumo que tende a se fortalecer nos próximos anos.

Por fim, a assessoria de imprensa ganha um papel ainda mais relevante nesse cenário. Com consumidores que valorizam clareza, confiança e experiências contínuas, torna-se essencial construir presença institucional sólida, visibilidade qualificada e reputação bem estruturada. A imprensa atua como ponte entre marca e sociedade, ampliando autoridade, fortalecendo narrativas e garantindo que a empresa seja encontrada, citada e reconhecida nos ambientes onde o público busca informação. Enquanto o conteúdo do dia a dia cria relação, a assessoria sustenta credibilidade, contextualiza a marca no setor e reforça sua relevância no longo prazo. Essa combinação coloca as empresas em posição de vantagem em 2026, unindo conexão imediata e reputação consistente.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Por uma cultura de paz – por Celso Tracco

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Em fevereiro retornam ao trabalho o Congresso Nacional, assim como o STF. Teoricamente os nossos deputados e senadores, legitimamente eleitos pelo povo, voltam aos seus afazeres no parlamento para elaborar, regulamentar, discutir, aprovar leis e decretos que, em última análise, deveriam melhorar a vida do povo e o bem-estar geral da nação. Este, pelo menos, é o discurso oficial. Mas, como 2026 é um ano especial, pois teremos eleições para presidente da república, governadores dos estados, senadores, deputados federais e estaduais. A agenda política estará cheia. Os parlamentares estarão, creio eu, preocupados com o futuro de sua vida na política, a qual, obviamente irá depender do resultado da eleição. Apenas como um exercício mental, interpreto o que estaria pensando um ou uma parlamentar, neste momento:

“Será que vale a pena ser candidato à reeleição? Ou posso pensar em voos mais altos? Quem sabe mudar de partido? Como será o financiamento de minha campanha? Quais serão meus potenciais adversários? Qual é minha matriz de ganhos e perdas, nesse jogo? Quais serão meus aliados nessa nova batalha? Lealdade na política é algo raro”.

Na realidade é legitimo pensar que os candidatos se prepararão para uma “sangrenta” batalha eleitoral. E quem vai determinar quem serão os vencedores? Em um regime democrático, serão os eleitores. A quantidade de votos necessários determinará quem será eleito. E o campo de batalha, para a conquista do seu voto será, prioritariamente, nas redes sociais. Quem vencer a batalha nas redes sociais, será eleito. E aqui está o ponto central deste artigo: não deixe essa batalha entrar em sua vida particular. Não leve a discussão política, radicalizada, ideológica para dentro de seu lar, entre os membros de sua família, entre seus colegas de trabalho, de barzinho, de lazer. Já está claro que a narrativa do “nós contra eles” é da campanha política, eles precisam atacar seus adversários, provar que são melhores ou menos ruins. Ultimamente tem sido pura pancadaria. Mas porque, nós precisamos ser agressivos com quem não comunga de nosso pensamento? Creio que faz parte da democracia defender nosso pensamento político, mas não deveríamos nunca chegar a uma ruptura comportamental.

Já temos muitas preocupações em nossas vidas: pagar contas, educar nos filhos, enfrentar desconforto no transporte coletivo, filas para atendimento médico, trânsito caótico, escapar de golpes pela internet, falta de segurança para andar na rua. Além de todos esses problemas, ainda temos que escutar as falcatruas, golpes, roubos, desvios de dinheiro público por políticos eleitos e outros servidores públicos, de vários partidos e ideologias. Já temos muito com que nos preocupar, então por que vou me envolver em novas lutas que não são minhas? Não coloquemos mais lenha nesta fogueira, muitas das mensagens que iremos receber, poderão ser falsas, “fabricadas” por pessoas que ninguém conhece. Essa guerra não merece ser vivida, não crie inimigos dentro de seus relacionamentos por causa da radicalização política. No final, o sistema sempre vence e o povo sempre paga a conta. Em geral os eleitores só são lembrados no período da eleição, e aí deveriam exercer seu real poder: afastar os péssimos políticos e votar consciente de sua escolha, não no menos ruim, mas no melhor. E após a eleição, caso seu candidato tenha sido eleito, cobrar as promessas eleitorais para que não fiquem no esquecimento. A eleição em um regime democrático, deve ser uma festa cívica e não uma batalha. Aproveite, em paz, o seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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Por que copiar trends afasta clientes e prejudica sua marca – por Adriana Vasconcellos Soares

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Hoje vamos falar sobre a ideia de que, se todo mundo do nicho está fazendo determinada trend, vale simplesmente copiar. Essa percepção parece inofensiva. Ela diverte, chama atenção e passa a sensação de que basta reproduzir o formato para alcançar mais pessoas. Só que, quando uma trend é   copiada sem análise do público, o resultado costuma ser o oposto do esperado. Em vez de gerar conexão, pode afastar justamente quem deveria se aproximar.

Um exemplo comum acontece com lojistas que entram em trends sobre clientes que experimentam vários produtos e não levam nada. Outra pessoa do setor pode achar graça, mas a cliente real interpreta de outro jeito. Ela pode lembrar de um dia em que não encontrou o tamanho certo, se sentiu constrangida por não comprar ou simplesmente pensar que está sendo criticada. Isso enfraquece a relação, diminui a confiança e pode até afastar um possível comprador.

Esse comportamento se repete em várias áreas. Corretores que usam termos que só outros corretores entendem, advogados que produzem trends cheias de jargão jurídico, profissionais de saúde que repetem vídeos técnicos porque viram colegas fazendo. A motivação é sempre a mesma. O conteúdo funcionou para alguém do nicho e foi replicado sem avaliar se fazia sentido para o cliente ideal. Grande parte desses erros surge porque muitos criadores consomem o Instagram como usuários e não como marcas. Assistem conteúdos de colegas, gostam e repetem. Só que quem precisa gostar é o cliente. É ele quem define se a mensagem é clara, útil e relevante. Quando o público não entende a linguagem ou não se sente parte da conversa, o vídeo perde força e a plataforma reduz o alcance nas publicações seguintes.

As redes sociais funcionam como ambiente de descoberta e relacionamento. Textos e vídeos curtos pedem clareza, identificação e mensagens que despertam interesse rápido. Não é espaço para críticas indiretas, aulas longas ou conteúdo técnico demais. É possível provocar reflexão e chamar atenção para comportamentos que merecem cuidado, mas sempre com foco em conexão real e não em ironia.

Antes de entrar em uma trend, vale observar alguns pontos simples. A mensagem conversa com a dor do meu cliente ideal? Corre o risco de ser interpretada como crítica? Está alinhada ao posicionamento da minha marca? Ajuda a reforçar a proposta de valor da minha marca? Se a resposta a estas perguntas for não, é melhor adaptar a ideia ou buscar uma linha própria.

Trends podem ser úteis quando fortalecem a identidade da marca e fazem sentido para quem realmente importa, mas deixam de ser estratégia quando são copiadas apenas porque o mercado está fazendo. Quando a criação passa a olhar primeiro para as necessidades do cliente, a comunicação ganha precisão, propósito e consistência.

Ao trocar indiretas vazias por conteúdos que geram identificação verdadeira, a marca evolui de quem segue o fluxo para quem lidera a conversa. Essa mudança simples já coloca qualquer perfil no caminho certo.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Início do Ano Escolar e Agenda Infantil – por Dra. Vera Resende

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O início do ano escolar é um momento oportuno para refletir sobre o que está acontecendo com a infância e sobre a forma como temos conduzido a vida das crianças. Até alguns anos atrás esse questionamento seria improvável. A infância era marcada pela despreocupação e pelas brincadeiras. Hoje muitas crianças quase não têm tempo para brincar. Suas rotinas estão preenchidas por uma agenda extensa de atividades e quando conseguem um intervalo as brincadeiras se limitam aos jogos de computador, muitas vezes de modo solitário. Surge então a dúvida. Essa nova tendência realmente favorece o desenvolvimento infantil?

Vivemos em uma sociedade que parece não reservar espaço para a criança. Muitas permanecem confinadas em casas pequenas e são mantidas em excesso de compromissos na tentativa de protegê-las da violência das ruas. Em outros casos a intenção é acelerar a preparação para o futuro. Um dos reflexos mais negativos desse modelo é o prejuízo para a sociabilidade. As relações humanas hoje estão marcadas pelo medo e pela desconfiança. A tolerância, a compaixão e a solidariedade aparecem com menos frequência e isso dificulta o enfrentamento de situações que exigem diálogo e negociação.

Uma agenda programada integralmente pelos adultos compromete o desenvolvimento do senso de responsabilidade. A criança não aprende a administrar o próprio tempo porque nunca teve a oportunidade de organizá-lo. Isso gera dificuldades quando ela precisa lidar com tarefas e compromissos assumidos por iniciativa própria. A infância precisa de tempo ocioso. É nesse espaço que a imaginação se desenvolve, que surgem as brincadeiras e que a convivência entre pares se fortalece.

Além da falta de uma rede de amigos criada pelas próprias crianças, muitas têm poucos irmãos ou nenhum e poucos primos. Com isso convivem menos com outras crianças da mesma idade. Essa convivência faria diferença na troca de experiências e ajudaria no distanciamento natural dos assuntos do mundo adulto. É importante observar o contexto que sustenta esse modelo educativo e reconhecer seus efeitos no desenvolvimento da sociabilidade. Em muitas famílias as crianças se tornam depositárias das expectativas dos pais. Muitos adultos projetam nos filhos seus ideais de autorrealização e sucesso. A sociedade atual é competitiva e cria a impressão de que todos precisam demonstrar felicidade e êxito. Esse ambiente não protege as crianças. Ele se torna fonte de ansiedade e interfere no seu bem-estar.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Feminicídio: chaga inadmissível – por Celso Tracco

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O feminicídio é a mais execrável violência baseada em gênero. Em 2025, a cada dia, 4 mulheres foram assassinadas no Brasil vítimas deste crime hediondo. A maioria dos assassinatos ocorrem pelo simples fato da vítima ser mulher, geralmente em contextos marcados por desigualdade, controle, abuso e relações de poder profundamente enraizadas na nossa sociedade. Não deve ser visto “apenas” como um crime individual, passional, mas como um fenômeno social que revela como estruturas históricas de machismo, misoginia e autoritarismo ainda moldam comportamentos contemporâneos.

No Brasil, o feminicídio foi reconhecido como crime hediondo em 2015, com punições severas. Ainda assim, os números permanecem alarmantes. A maioria dos assassinos tinha relacionamento próximo com suas vítimas. Muitas destas denunciaram agressões anteriores, o que prova que o feminicídio raramente é um ato isolado: ele costuma ser o desfecho trágico de um ciclo de violência que pode incluir agressões verbais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e físicas. Ciclo que poderia ter sido interrompido com proteção efetiva e políticas públicas mais robustas. As raízes dessas práticas criminais estão na desigualdade de gênero, na naturalização da violência doméstica e na ideia equivocada de que o corpo, a vida e as escolhas das mulheres devem ser controladas. Combater o feminicídio exige ações em várias frentes: educação para igualdade de gênero, fortalecimento das redes de apoio, acolhimento humanizado, responsabilização dos agressores e políticas públicas que funcionem na prática, não apenas no papel.

Durante séculos a sociedade reforçou papéis rígidos para homens e mulheres, colocando o homem como figura de autoridade e a mulher como alguém a ser controlada. Essa lógica patriarcal se manifestou em leis, costumes e práticas sociais. Mesmo com avanços significativos em direitos, igualdade e autonomia, resquícios daquela mentalidade ainda moldam comportamentos que geram agressões. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma sociedade que falhou em proteger suas cidadãs. Falar sobre feminicídio é um ato de repulsa ao que acontece em nosso país, essa prática é inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Enfrentar o feminicídio é um dever de toda a sociedade e exige ações articuladas e contínuas, tais como: educação visando a igualdade desde a primeira infância, passando por todo o sistema educacional e pelas empresas que devem orientar seus funcionários na derrubada de estereótipos de gênero; ter efetivas redes de apoio, acessíveis a todas as mulheres, de qualquer classe social e qualquer faixa de renda; campanhas de conscientização que previnam a prática de contínuas agressões as mulheres. Acolhimento comunitário e protetivo é fundamental, a violência não deve ser vista como um tema privado, é um tema social. O que se deve pensar, não é em ações isoladas, mas tentar construir um ambiente social onde a violência seja completamente rejeitada e a vida dos mais vulneráveis respeitada, protegida e dignificada. Devemos trabalhar e atuar para impedir a banalização da violência, e não combatê-la com mais violência.

Falar sobre feminicídio é um ato político necessário. É recusar o silêncio que protege agressores e invisibiliza vítimas. É reconhecer que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas uma responsabilidade coletiva. Construir um futuro sem feminicídio significa transformar mentalidades, fortalecer políticas públicas, tornar a sociedade mais igualitária, humanizada, solidária e, acima de tudo, reafirmar que a vida das mulheres, assim como de todo ser humano, importa e importa muito. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Por que ser citado por inteligências artificiais virou ativo estratégico – por Adriana Vasconcellos Soares

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Já tratei desse tema anteriormente nesta coluna, mas vale retomar. Durante muito tempo, o SEO operou dentro de uma lógica previsível. Produzir conteúdo, conquistar posições nos buscadores, atrair tráfego e converter. Mesmo com mudanças constantes de algoritmo, a regra era clara. Quem aparecia mais, tinha mais chances de ser escolhido.

Esse cenário começou a mudar de forma estrutural. Hoje, uma parcela crescente dos usuários inicia sua jornada informacional dentro das inteligências artificiais. Em vez de buscar links, eles fazem perguntas, pedem comparações e recebem respostas prontas. Em muitos casos, essas respostas não geram cliques. Elas formam percepções.

Enquanto empresas seguem focadas apenas em métricas tradicionais, um novo tipo de visibilidade se consolida. A visibilidade por citação. Perguntas que antes movimentavam topo e meio de funil, como o que é, como funciona ou vale a pena, agora são respondidas diretamente pelas IAs. O usuário recebe contexto e alternativas sem acessar um site. O SEO não acaba, mas muda de papel. O topo de funil deixa de ser medido apenas por sessões e passa a ser medido por exposição dentro das respostas algorítmicas.

Não aparecer nesse ambiente significa deixar de existir em um momento decisivo da jornada.

Tráfego zero não é impacto zero. Um erro comum é associar impacto digital apenas a visitas. Na prática, a influência pode estar sendo construída fora do funil tradicional. Quando uma IA cita repetidamente a mesma marca ao longo de diferentes perguntas, o usuário cria familiaridade e confiança, mesmo sem clicar. No momento da conversão, a decisão já foi parcialmente construída. A citação não gerou tráfego, mas gerou consideração.

O princípio da familiaridade segue válido. Pessoas tendem a escolher o que reconhecem. As IAs ampliam esse efeito ao repetir referências em contextos distintos. Muitas empresas só percebem essa mudança nos números finais. As vendas continuam, mas os caminhos tradicionais de atribuição já não explicam tudo. Parte do convencimento aconteceu antes.

Outra consideração relevante é a substituição de pontos de contato. Antes, a jornada passava por blogs, reviews, vídeos e comparadores. Hoje, grande parte desse processo é sintetizada em uma conversa. Isso reduz interações diretas, mas aumenta o peso de cada menção. Uma citação em uma resposta pode valer mais do que várias impressões isoladas. Ser citado por uma IA é gerar influência. Ao mencionar uma marca, a IA sinaliza relevância e confiabilidade. Esse reconhecimento é cumulativo. Quanto mais contexto consistente uma empresa oferece, maiores as chances de continuar sendo referenciada.

A ausência tem custo. Não aparecer é não ser considerado.

O papel da assessoria de imprensa nesse cenário

Nesse contexto, a assessoria de imprensa ganha uma nova camada estratégica. É por meio de pautas relevantes, fontes qualificadas, presença editorial consistente e reputação construída em veículos confiáveis que as marcas se tornam referências reutilizáveis pelas IAs.

Conteúdos jornalísticos bem-posicionados, entrevistas, artigos de opinião, menções em matérias e presença institucional sólida aumentam a probabilidade de citação algorítmica. A IA aprende a partir de fontes confiáveis e recorrentes. A assessoria atua justamente nesse terreno.

Ser citado por inteligências artificiais deixou de ser curiosidade e passou a ser ativo estratégico. Não por gerar cliques diretos, mas por influenciar decisões antes mesmo da intenção explícita de compra. Visibilidade já não é apenas sessão. É presença recorrente, associação clara a temas e soluções, construção de autoridade reaproveitável. Quem entende essa mudança deixa de competir apenas por posição no ranking e passa a disputar espaço mental. Em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos, ser lembrado pode valer mais do que ser clicado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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RED-S e o momento em que o corpo do esportista entra em modo de emergência – por Dr. Guilherme Falótico

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No mundo do esporte, onde mais é frequentemente confundido com melhor, existe uma condição silenciosa que está minando a saúde de atletas profissionais e amadores: a Deficiência Energética Relativa no Esporte (RED-S). Esta não é simplesmente uma questão de comer pouco, mas sim de um desequilíbrio crítico entre a energia consumida e a energia gasta, um estado em que o corpo, literalmente, começa a se consumir para sobreviver.

O que é RED-S? Uma definição que vai além da nutrição

Anteriormente conhecida como a Tríade da Mulher Atleta Feminina, que englobava distúrbios alimentares, amenorreia (ausência de menstruação) e osteoporose, a RED-S representa uma evolução desse conceito. Hoje, sabemos que essa condição:

  • Afeta homens e mulheres de todas as idades e níveis esportivos
  • Impacta praticamente todos os sistemas do corpo
  • Pode ocorrer mesmo sem diagnóstico de transtorno alimentar

O núcleo do problema é simples na teoria, mas complexo na prática, pois o esportista não consome calorias suficientes para suportar seu gasto energético diário, incluindo as demandas do treino, da recuperação e das funções corporais básicas.

O efeito dominó fisiológico quando o corpo desliga sistemas para sobreviver

Imagine seu corpo como uma empresa em crise financeira. A RED-S é o momento em que o “CEO fisiológico” começa a desligar departamentos não-essenciais para manter as luzes acesas:

  1. Sistema reprodutivo: O primeiro a ser “desligado”
  1. Mulheres: irregularidade ou ausência menstrual
  2. Homens: redução significativa dos níveis de testosterona
  3. Consequência: infertilidade e alterações profundas na libido
  1. Sistema ósseo: Um silêncio perigoso
  1. Redução da densidade mineral óssea
  2. Aumento do risco de fraturas por estresse
  3. Dano que pode ser irreversível em atletas jovens
  1. Sistema endócrino em caos
  1. Cortisol elevado crônico (hormônio do estresse)
  2. Redução do hormônio do crescimento
  3. Resistência à insulina
  4. Tireoide desregulada
  1. Sistema imunológico comprometido
  1. Infecções recorrentes
  2. Resfriados constantes
  3. Recuperação lenta de lesões
  1. Impacto no desempenho: A ironia final
  1. Fadiga precoce
  2. Perda de força e potência
  3. Tempos de reação mais lentos
  4. Maior risco de lesões
  5. Recuperação inadequada entre treinos

Quem está em risco? Mitos e Verdades

Contrariamente à crença popular, a RED-S não afeta apenas:

  • Atletas de esportes estéticos (ginástica, patinação, dança)
  • Atletas de endurance (corredores, ciclistas, triatletas)
  • Atletas com distúrbios alimentares declarados

Ela também pode afetar:

  • Esportistas recreacionais com alta carga de treino
  • Homens que restringem calorias para alcançar definição muscular
  • Adolescentes em fase de crescimento com treinos intensivos
  • Qualquer pessoa com desequilíbrio energético crônico

Os Sinais de Alerta: Reconhecendo antes que seja tarde

A RED-S muitas vezes se instala gradualmente. Fique atento a:

  • Perda de peso não intencional ou dificuldade em ganhar peso
  • Preocupação excessiva com alimentação e composição corporal
  • Frequentes fraturas por estresse ou lesões recorrentes
  • Queda inexplicável no desempenho, apesar do treino consistente
  • Alterações de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos
  • Sensação constante de frio
  • Problemas gastrointestinais frequentes

O Caminho para a recuperação: Uma jornada de respeito

Tratar a RED-S não é apenas “comer mais”. É um processo multifacetado:

  1. Ajuste energético imediato: Aumentar a ingestão calórica para atender às necessidades, frequentemente com apoio nutricional especializado.
  2. Redução do volume ou intensidade do treino: Temporariamente, para permitir que o corpo se recupere.
  3. Acompanhamento multidisciplinar: Envolvendo médico do esporte, nutricionista, psicólogo e treinador.
  4. Reparo ósseo: Monitoramento da densidade mineral óssea e possível suplementação.
  5. Retorno gradual: À plena atividade apenas quando os marcadores de saúde forem restaurados.

A mudança cultural necessária

Combater a RED-S exige uma transformação na cultura esportiva:

  • Treinadores que valorizam saúde acima de performance a qualquer custo
  • Esportistas que veem o descanso e a nutrição adequada como parte integral do treino
  • Competições que não recompensam corpos insustentavelmente magros
  • Uma compreensão de que performance ótima requer saúde ótima

Um apelo à escuta corporal

Se você é atleta, treinador, pai de um jovem esportista ou simplesmente alguém que busca excelência física, lembre-se: seu corpo não é uma máquina que pode operar sem combustível. Ele é um sistema biológico complexo que precisa de equilíbrio para prosperar. A verdadeira performance de elite não vem da exaustão, mas da energia abundante. Não da restrição, mas da nutrição estratégica. Não do desrespeito aos limites, mas da sabedoria em reconhecê-los.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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SÃO PAULO. 472 ANOS – por Celso Tracco

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Fundada em 25 de janeiro de 1554 por padres missionários jesuítas, entre eles Manuel da Nobrega e José de Anchieta (canonizado santo pelo Papa Francisco em 2014), a vila de São Paulo foi erguida com o objetivo de evangelizar os indígenas que ali viviam. A data é celebrada na Igreja Católica pela Conversão de Saulo (Paulo) de Tarso ao cristianismo. Construíram um pequeno colégio, uma capela e alojamentos para alguns poucos colonos que cultivavam a terra para subsistir. Durante 300 anos, São Paulo teve um baixo desenvolvimento econômico e populacional. Em 1850 sua população beirava os 30.000 habitantes, pobres e sem importância para o país. Porém a partir da segunda metade do século XIX, seu status econômico mudou drasticamente devido à consolidação da cultura cafeeira. O café, produto de exportação, se espalhou pelo interior da província, trazendo riqueza e prestígio aos fazendeiros/barões do café. Para escoar a produção agrícola, ferrovias foram construídas, encurtando as distâncias, aumentando o comércio, criando cidades. A roda da fortuna, finalmente, girava na até então aprazível cidade de São Paulo.

E continuou girando, com maior intensidade, nas décadas seguintes. Devido à imigração estrangeira e doméstica, a industrialização, as novas formas de cultura, locais para feiras e negócios, tecnologia e logística, tornaram São Paulo a megalópole cosmopolita que conhecemos hoje. Sua principal força motriz está na mescla das etnias indígena, africana, europeia, asiática. É a terra dos imigrantes, dos que vieram para viver, criar seus filhos e netos, desenvolver, mesclando suas culturas, enriquecendo. São Paulo passa a ser vista, e realmente é, uma terra de oportunidades. Onde se ganha muito dinheiro. A ótica do capitalismo liberal se estabeleceu e persiste.

Porém, a roda da fortuna não gira na mesma velocidade para todos. A cidade e sua região metropolitana, é o retrato vivo de um sistema político econômico, excludente, elitista, aristocrático. Alguns exemplos: a cidade dispõe de hospitais, privados e públicos, que são referências internacionais, mas ao lado existem filas de muitos meses para marcar um exame ou cirurgia em hospitais municipais; ao lado de uma das maiores frotas de helicópteros privados do mundo, temos um sistema de transporte público altamente deficiente; ao lado de edifícios elegantes e caros, temos enormes favelas e moradias precárias; é uma das cidades que mais blinda carros no mundo e que também possui um elevado número de roubo e furto de celulares; existe uma fartura de comida, mas as dezenas de milhares dos moradores de rua precisam da ajuda de igrejas e voluntários para se alimentarem. A cidade sofre, constantemente com chuvas, enchentes, queda de árvores, recolhimento de lixo, trânsito caótico. Não há agente público que zele, que cuide da cidade. Parece que a incompetência é normal, entre as autoridades públicas.

Criado em 1917 o lema da bandeira da cidade em latim non ducor, duco – significa não sou conduzido, conduzo. Creio que esse lema deveria ser repensado. Se conduzo, tenho uma meta, um objetivo, tem um sentido de independência, de altivez, de caráter. Qual é o objetivo? Conduzo para onde? Se for para manter e fortalecer privilégios dos novos “barões” e “baronesas”, então está sendo muito eficaz. As desigualdades sociais permanecem abissais. Mas se for para termos uma cidade mais humanizada, solidária, justa, minimamente igualitária, este lema não representa a realidade.

Parabéns a todos os habitantes desta megacidade que todos os dias se levantam para trabalhar pensando e tendo esperança de dias melhores.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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Como construir marcas fortes para quem realmente manda na internet – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante anos, o mercado concentrou esforços em falar com o jovem. Linguagem acelerada, estética efêmera, tendências passageiras e a busca constante pelo que parecia novo dominaram estratégias de marketing e comunicação. Enquanto isso, um movimento silencioso ganhou força. Quem sustenta o consumo, o capital e a estabilidade migraram de forma consistente para o centro do debate digital.

Os dados já não deixam margem para dúvida. As gerações maduras concentram a maior fatia da renda, tomam decisões de compra mais estruturadas e permanecem mais fiéis às marcas. Ainda assim, por muito tempo, foram tratadas como público secundário. O resultado foi um descompasso estratégico que começa a ser corrigido agora.

A internet deixou de ser território exclusivo da juventude. Plataformas envelheceram, comportamentos mudaram e o consumo digital se tornou intergeracional. Hoje, enquanto o jovem experimenta, testa e troca com rapidez, o público maduro observa, compara, valida e permanece. Essa diferença de comportamento muda completamente a lógica de construção de marca. Marcas fortes, nesse contexto, não se constroem por volume de aparições, mas por consistência. Quem realmente manda na internet busca clareza, utilidade, coerência e profundidade. Não se trata de rejeitar inovação, mas de exigir sentido. A estética do maduro, cada vez mais presente, valoriza longevidade, patrimônio simbólico e experiências que resistem ao tempo.

Outro ponto central é a redefinição do conceito de luxo e status. Ostentação perde espaço para estabilidade, conhecimento e qualidade percebida. Produtos, serviços e marcas passam a ser escolhidos não pelo ruído que fazem, mas pelo que representam. Comunicação vazia não se sustenta. Promessas exageradas geram desconfiança. Narrativas bem construídas geram vínculo.

Construir marcas fortes para esse público exige mudança de postura. É preciso sair do impulso e entrar na estratégia. Mostrar história, explicar processos, dar contexto e assumir posicionamentos claros. A autoridade nasce quando a marca demonstra que entende o mundo em que atua e respeita a inteligência de quem consome. A integração entre assessoria de imprensa, conteúdo e presença digital se torna decisiva. Estar em ambientes editoriais confiáveis, produzir informação relevante e manter uma narrativa coerente ao longo do tempo fortalece a reputação. Para as gerações maduras, confiança não se constrói em uma campanha, mas em uma sequência de escolhas bem-feitas.

A disputa por atenção continua intensa, mas o jogo mudou. Quem insiste em falar apenas com quem faz mais barulho corre o risco de ignorar quem realmente decide. Marcas que compreendem essa virada passam a investir em profundidade, escuta e estratégia. E, ao fazer isso, não apenas acompanham a mudança, mas se posicionam à frente dela.

No cenário atual, construir marca é construir sentido. E quem manda na internet hoje é quem valoriza exatamente isso.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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