Polícia faz operação contra quadrilha que furtava medicamentos de alto custo em SP

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A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (17) uma operação para combater uma organização criminosa especializada no furto de medicamentos de alto custo. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão em diferentes regiões da capital paulista.

A ação é coordenada pela Delegacia de Investigações Gerais de Itapeva, com apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos, e mobiliza cerca de 50 policiais.

Segundo as investigações, o grupo atuava principalmente em farmácias e estabelecimentos ligados ao setor de saúde, visando produtos de alto valor.

O caso começou após furtos registrados em Itapeva no ano passado. A partir da análise de imagens e monitoramento, a polícia identificou inicialmente quatro suspeitos e, posteriormente, ampliou o número de envolvidos.

Até o momento, dois suspeitos foram presos em Guarulhos. Outros investigados seguem sendo procurados.

Os materiais apreendidos serão encaminhados para perícia e devem ajudar no avanço das investigações.

A polícia apura a atuação da quadrilha e possíveis conexões com outros crimes semelhantes.

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Mais de 200 obras transformam Santana de Parnaíba em referência no estado

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Santana de Parnaíba intensifica o ritmo de crescimento com mais de 200 obras concluídas nos últimos anos e novos investimentos em áreas estratégicas como saúde, educação e segurança, consolidando a cidade como referência em desenvolvimento no estado de São Paulo.

Um dos principais marcos recentes é a entrega do Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, inaugurado em novembro de 2025 com recursos próprios. A cidade também avança com a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde no bairro 120, ampliando o acesso da população aos serviços.

Na educação, o município segue expandindo a rede. O colégio do Suru já está em funcionamento, enquanto a unidade do Jaguari foi entregue recentemente. Outras duas escolas estão em construção nos bairros Cidade São Pedro e Parque Santana.

As unidades contam com estrutura moderna, incluindo salas equipadas, áreas de recreação e espaços adaptados para atendimento infantil. A Etec Bartolomeu Bueno também passou por reforma e ampliação.

Na área de segurança, a cidade inaugurou novos equipamentos, como a Delegacia de Defesa da Mulher, uma unidade da Polícia Civil e um complexo de segurança na Estrada dos Romeiros.

O local também deve concentrar futuramente a nova Câmara Municipal e o Fórum, reunindo serviços públicos em um único polo administrativo.

Com planejamento contínuo e investimentos estruturais, Santana de Parnaíba fortalece sua posição como uma das cidades que mais crescem na região, com foco na qualidade de vida e na ampliação dos serviços à população.

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Barueri registra menor número de roubos em 24 anos e mantém queda em 2026

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Barueri iniciou 2026 com o menor número de roubos para um primeiro bimestre desde 2001, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Entre janeiro e fevereiro, foram registrados 107 casos, queda de 16,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado reforça a tendência de redução da criminalidade no município, que já havia encerrado 2025 com o menor índice anual da série histórica.

Os números incluem roubos de carga, bancários e outros crimes em geral — estes últimos com queda de 15%. Os roubos a banco permaneceram zerados, enquanto os de carga recuaram de oito para cinco ocorrências.

Também houve redução em crimes relacionados a veículos. Os roubos caíram 20,5% e os furtos tiveram queda de 17%. Já os casos de homicídio doloso foram reduzidos pela metade no período.

A Prefeitura atribui os resultados ao reforço no efetivo e à ampliação da estrutura da Guarda Civil Municipal, que atualmente conta com 553 agentes, incluindo profissionais em formação.

A frota operacional também foi ampliada e hoje soma 166 viaturas, o que contribui para maior cobertura e redução no tempo de resposta às ocorrências.

Outro fator destacado é o investimento em capacitação, com treinamentos práticos e teóricos voltados para situações reais, mediação de conflitos e atendimento à população.

A atuação da GCM passou a seguir planejamento estratégico com base em análise territorial, incluindo patrulhamento especializado, uso de motocicletas e bases móveis em áreas de maior fluxo.

A tecnologia também tem papel central na estratégia. O município passou a utilizar drones e veículos elétricos, ampliando a capacidade de monitoramento e presença em locais de difícil acesso.

A expectativa é de avanço com o programa Smart Barueri, que integra câmeras, inteligência artificial, reconhecimento facial e leitura de placas para monitoramento em tempo real.

O sistema deve fortalecer a atuação preventiva, permitindo identificar suspeitos, localizar veículos roubados e agilizar decisões operacionais, consolidando a tendência de queda nos índices de criminalidade.

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Foto: Ana Guice/PMB

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Mulher é presa por incentivar violência nas redes em operação da Polícia Civil

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A Polícia Civil de São Paulo prendeu uma mulher de 22 anos suspeita de disseminar conteúdo de ódio e incentivar práticas violentas nas redes sociais. A prisão temporária foi cumprida neste domingo (12), no Maranhão, com apoio da polícia local.

A investigação começou após análises do Núcleo de Observação e Análise Digital, que identificou interações da suspeita com um jovem de 18 anos antes de um caso recente de violência no interior paulista.

Segundo as autoridades, há indícios de que a mulher estimulava comportamentos violentos e demonstrava interesse em ações semelhantes em ambiente digital.

O caso também contou com apoio da agência norte-americana Homeland Security Investigations, que identificou atividades suspeitas e compartilhou informações com o Brasil.

Com base nas provas, a Delegacia de Investigações Criminais de Mogi das Cruzes solicitou à Justiça a prisão temporária e mandados de busca, que foram autorizados.

A investigada permanecerá presa por até 30 dias, enquanto dispositivos eletrônicos foram apreendidos para análise e aprofundamento das investigações.

O jovem de 18 anos citado no caso já está preso, após ter sido detido anteriormente e ter a prisão convertida em preventiva.

As autoridades continuam apurando possíveis conexões e a participação de outros envolvidos.

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Foto: Arquivo/SSP-SP

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Guarda Municipal de Barueri terá treinamento para atender pessoas com autismo

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A Câmara de Barueri aprovou na última terça-feira (7) um projeto que cria o Programa Guarda Amiga do Autista, iniciativa que prevê treinamento específico para agentes da Guarda Municipal no atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A proposta busca tornar as abordagens mais seguras e adequadas, reduzindo situações de estresse e garantindo um atendimento mais humanizado para pessoas autistas e suas famílias.

O programa prevê capacitação dos agentes em técnicas de comunicação, identificação de sinais do autismo e procedimentos para lidar com crises, evitando abordagens inadequadas.

A medida considera que o autismo pode impactar a forma como a pessoa reage a estímulos e interações, exigindo preparo diferenciado por parte das forças de segurança.

Além disso, os guardas serão orientados a reconhecer documentos específicos, como a carteira da pessoa com TEA, e poderão participar de treinamentos com especialistas da área.

O projeto também autoriza a Prefeitura a firmar parcerias com universidades e instituições para garantir a formação contínua dos agentes.

Segundo o autor, vereador Thiago Rodrigues, a iniciativa fortalece a preparação da Guarda e melhora a qualidade do atendimento à população.

Segundo o autor do projeto de lei, a medida busca tornar o atendimento mais humano e eficiente. | Foto: Marco Miatelo/CMB

Com a aprovação no Legislativo, o texto segue agora para sanção ou veto do prefeito.

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Foto destaque: Alisson Roberto/PMB

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Mulher morre após ser baleada durante tiroteio com PM de folga em SP

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Uma mulher de 53 anos morreu após ser atingida por um disparo durante um tiroteio na noite de sábado (11), na Avenida Regente Feijó, na zona leste de São Paulo. O confronto envolveu um policial militar de folga e suspeitos de roubo de motocicleta.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o policial presenciou o crime e interveio, momento em que houve troca de tiros. A vítima, que estava nas proximidades, acabou sendo atingida.

A mulher foi socorrida e levada ao Hospital Tatuapé, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda não há confirmação sobre a origem do disparo que atingiu a vítima, se partiu do policial ou dos suspeitos.

O caso foi registrado como roubo, resistência e homicídio, e será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Além disso, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta do agente envolvido na ocorrência.

A investigação busca esclarecer a dinâmica do confronto e identificar os suspeitos do crime.

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Operação na zona sul de SP remove 167 motos e aplica R$ 1,1 milhão em multas

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A Polícia Militar realizou na noite de domingo (5) a operação “Paz e Proteção” na zona sul de São Paulo e desmontou um evento irregular, resultando na remoção de 167 motocicletas e na aplicação de cerca de R$ 1,1 milhão em multas.

A ação ocorreu na área do 3º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, com apoio do Ministério Público, e teve como foco conter aglomerações ilegais e reforçar a ordem pública na região.

Segundo a PM, o local foi cercado de forma estratégica, permitindo a dispersão do público sem registro de confrontos ou incidentes mais graves durante a intervenção.

Durante a operação, também foram recuperados seis veículos com queixa de roubo ou furto, além da apreensão de quatro equipamentos de som do tipo “paredão”, frequentemente utilizados em eventos clandestinos.

Uma pessoa foi detida ao longo da ação, embora a polícia não tenha detalhado as circunstâncias da ocorrência.

No campo administrativo, os agentes realizaram 173 autuações, que juntas somam aproximadamente R$ 1,1 milhão em penalidades aplicadas.

A operação integra uma série de ações voltadas ao combate de eventos irregulares e práticas que geram perturbação do sossego, além de infrações de trânsito e possíveis crimes associados.

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Fotos: Divulgação/PMESP

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Polícia encontra tonel enterrado com 200 kg de drogas em área de mata

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Uma operação da Polícia Militar revelou um esconderijo improvisado com cerca de 200 quilos de drogas enterrados em uma área de mata na tarde desta quarta-feira (1º). O material estava escondido em tonéis, sob o solo, em uma região usada por criminosos como ponto estratégico para armazenamento ilegal.

A descoberta ocorreu após equipes do Comando Força Patrulha do 18º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (18º BPM/M) identificarem movimentação suspeita nas proximidades da Estrada do Vista Alegre. Dois homens em uma motocicleta ignoraram a ordem de parada e fugiram por uma estrada de terra.

Na sequência, outros quatro suspeitos foram vistos nas imediações e também escaparam ao perceber a aproximação das viaturas, entrando em uma trilha no meio da vegetação.

Com base em denúncias já registradas, indicando o uso da área como depósito clandestino, os policiais ampliaram as buscas. Durante a varredura, um forte cheiro típico de entorpecentes chamou a atenção da equipe, além de sinais recentes de escavação no solo.

Ao aprofundar a inspeção, os agentes localizaram quatro tonéis enterrados contendo grande quantidade de substâncias ilícitas. O volume apreendido gira em torno de 200 quilos, mas a composição exata ainda será confirmada por perícia técnica.

A apreensão representa um impacto direto na logística do tráfico na região, já que o local funcionava como base de armazenamento e distribuição de drogas. Até o momento, ninguém foi preso.

A ocorrência segue em andamento, com apoio de outras equipes para tentar identificar e localizar os envolvidos que fugiram.

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GCM Barueri prende motorista com 273 iPhones escondidos em caminhão

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Um motorista foi preso em flagrante com 273 celulares iPhone sem documentação na noite desta segunda-feira (30), em Barueri, na Grande São Paulo. A carga ilegal estava escondida dentro de um caminhão baú e, segundo a polícia, seria levada para venda na região da Santa Ifigênia, tradicional polo de eletrônicos na capital.

A abordagem ocorreu durante patrulhamento na Avenida Gupe, no Jardim Belval — área conhecida por registros frequentes de roubo de carga. Os agentes da Guarda Civil Municipal de Barueri notaram o veículo estacionado com uma luz interna acesa, o que chamou atenção.

Ao se aproximarem, encontraram a cabine destravada e com a chave na ignição. Na sequência, ao verificarem o compartimento de carga, flagraram o motorista retirando pacotes escondidos em um compartimento lateral do baú.

Durante a vistoria, os agentes identificaram que os volumes continham diversos aparelhos celulares de alto valor, sem comprovação de origem. Questionado, o motorista admitiu que os produtos haviam sido trazidos do Paraguai e estavam misturados à carga regular. Ele afirmou ainda que faria a entrega dos aparelhos a terceiros, que seriam responsáveis pela comercialização em São Paulo.

Diante da situação, o homem recebeu voz de prisão. A ocorrência foi encaminhada inicialmente à delegacia, que orientou o encaminhamento à Polícia Federal por indícios de crime federal, como descaminho — quando há entrada de mercadorias no país sem o pagamento de tributos.

O suspeito e os aparelhos foram levados à sede da Polícia Federal, na Lapa. Após análise do caso, o delegado responsável decidiu liberar o caminhão, que foi entregue a outro condutor. Já o motorista permaneceu à disposição da Justiça Federal.

Ao todo, foram apreendidos 273 iPhones de diferentes modelos.

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Herança da Ditadura Militar – Mais uma vez alguns Militares querem a extinção das Guardas Municipais – por Reinaldo Monteiro

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Herança da Ditadura Militar – Mais uma vez alguns Militares querem a Extinção das Guardas Municipais, porém, o DNA da Polícia no Brasil é de caráter civil e comunitário


O Legado Ancestral e a Essência Civil das Guardas Municipais: O Pioneirismo da Segurança Pública no Brasil

As Guardas Civis Municipais não são apenas instituições contemporâneas de suporte local; elas representam, em sua gênese, o órgão policial pioneiro no Brasil, possuindo uma trajetória que se confunde com a própria construção do Estado nacional. Enquanto muitos enxergam a segurança pública como um fenômeno estritamente estadual ou federal, a história revela que a proteção do cidadão e a manutenção da ordem pública começaram no seio dos municípios, consolidando as Guardas Civis como as verdadeiras polícias de proximidade, de caráter intrinsecamente civil e comunitário.

A Primazia Histórica: As Certidões de Nascimento de uma Instituição Policial e de Caráter Civil

O marco inicial da segurança pública institucionalizada no país remonta a 14 de junho de 1831, data considerada a “primeira certidão de nascimento” das Guardas Civis Municipais, especificamente com registros em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Pouco depois, em 10 de outubro de 1831, foi promulgada a lei de criação do corpo permanente da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, com a missão explícita de “manter a tranquilidade e auxiliar a justiça”.

Este pioneirismo é evidenciado pelo fato de que a Guarda Municipal de São Paulo, criada em 15 de dezembro de 1831, foi a segunda do país, tendo como seu primeiro comandante e presidente da província o brigadeiro Tobias de Aguiar. É um dado histórico contundente que o atual Quartel da Rota, em São Paulo, foi originalmente construído para abrigar a Guarda Municipal Permanente, evidenciando que as raízes da segurança ostensiva no estado são municipais e civis.

Heroísmo e Soberania: O Legado Esquecido

A relevância das Guardas Civis Municipais transcende o patrulhamento local, alcançando feitos de soberania nacional. Um exemplo emblemático é o de Estevão de Almeida Chaves, Guarda Civil Municipal morto em combate em 1831 durante a retomada da Fortaleza da Ilha das Cobras, cujo ato heroico foi reconhecido por decreto imperial. No plano internacional, relatos históricos apontam que foi um Guarda Civil Municipal o responsável por ceifar a vida do ditador Solano Lopes, pondo fim à Guerra do Paraguai.

Além disso, a influência das Guardas Civis na estrutura militar brasileira é profunda: o Batalhão de Polícia do Exército (PE) foi criado a partir de 44 voluntários da Guarda Civil de São Paulo, herdando inclusive parte do seu lema, “servir e proteger”. Durante a Revolução de 1932, os guardas civis também estiveram na linha de frente, reafirmando seu compromisso com os ideais democráticos e sociais.

A influência das Guardas Civis (especificamente através da antiga Guarda Civil de São Paulo) na criação da Polícia do Exército (PE) foi direta e fundamental, manifestando-se tanto no efetivo inicial quanto na identidade institucional da corporação militar.

Os principais pontos dessa influência foram:

  • Cessão de Efetivo Pioneiro: O atual Batalhão de Polícia do Exército foi criado a partir de 44 voluntários da Guarda Civil de São Paulo. Esses homens foram a base para a estruturação do que hoje é a PE.
  • Legado do Lema Institucional: Parte expressiva do lema da Polícia do Exército, “Servir e Proteger”, é uma herança direta da Guarda Civil de São Paulo. Esse lema foi instituído originalmente por Zenóbio da Costa (patrono da Guarda Municipal do Rio de Janeiro) ao retornar da Segunda Guerra Mundial.
  • Registro Histórico: Essa colaboração e origem estão documentadas em registros oficiais, como os livros da Biblioteca do Exército (Bibliex), que narram a história dos 44 voluntários paulistas na formação da força.

É importante destacar que, embora a Guarda Civil de São Paulo fosse uma instituição estadual na época, as atuais Guardas Civis Municipais compartilham a mesma raiz histórica e identidade civil dessas corporações, que foram, em muitos casos, unificadas ou transformadas em outras polícias durante o período militar. Portanto, a raiz da Polícia do Exército está profundamente ligada ao modelo de Guarda Civil.

Outro ponto importantíssimo da história, foi a participação das Guardas Civis Municipais na Guerra do Paraguai, que é marcada por um feito histórico de grande relevância para o desfecho do conflito: o relato de que foi um Guarda Civil Municipal o responsável por ceifar a vida do ditador paraguaio Francisco Solano López, ato que efetivamente pôs fim à guerra.

Essa informação é um dos exemplos do legado e da importância das Guardas Civis Municipais para a soberania nacional, embora seja um fato frequentemente omitido ou “escondido” na historiografia tradicional brasileira, o resgate desse tipo de participação histórica é essencial para fortalecer o sentimento de pertencimento e a autoestima dos atuais integrantes das Guardas Civis Municipais do Brasil.

Ditadura Militar: A extinção das Guardas Civis Municipais

O Ato Institucional nº 5 (AI-5), que marcou o endurecimento da ditadura militar no Brasil, teve um impacto profundo e severo sobre as Guardas Civis Municipais, na tentativa de “extermínio” ou extinção dessas instituições.

Os principais efeitos e motivos de tentativa de extinção das Guardas Civis Municipais pelos militares são:

  • Temor pela Proximidade com a População: O regime militar via com desconfiança o fato de as guardas serem a força de segurança mais próxima dos cidadãos, mantendo um contato direto e comunitário. Temia-se que, devido a esse vínculo, as corporações pudessem “trocar de lado” e apoiar movimentos populares contra o governo central.
  • Percepção de Ameaça: Naquele período, as Guardas Civis Municipais eram descritas como forças bem armadas, bem preparadas e que trabalhavam em benefício do povo, o que as tornava uma ameaça potencial aos olhos de quem detinha o poder sob o AI-5.
  • Extinção e Assimilação: Em diversas capitais, o regime conseguiu efetivamente extinguir as Guardas Civis Municipais ou assimilá-las a estruturas estaduais de caráter militar. Muitas dessas antigas Guardas Civis Municipais foram unificadas a corpos policiais militares, tornando-se forças auxiliares do Exército, o que deu origem à configuração atual das Polícias Militares.
  • Estratégias de Sobrevivência: No interior do país, a extinção total foi mais difícil de implementar. Um exemplo curioso é o de Guardas em São Paulo que, para fugir da “caça às bruxas” da época e evitar o desmantelamento, transformaram-se temporariamente em bandas de música, preservando assim sua existência de forma descaracterizada.

Somente com o fim da ditadura militar em 1985 e a promulgação da Constituição Federal de 1988 é que as Guardas Civis Municipais voltaram a surgir formalmente, inicialmente com um caráter mais focado na proteção patrimonial, antes de recuperarem sua identidade como órgãos plenos de segurança pública e de policiamento ostensivo.

A Essência de Proximidade e o Reconhecimento Jurídico

As Guardas Municipais sempre foram, em sua essência, polícias de proximidade. Diferente de modelos militarizados voltados para o combate, as Guardas Civis Municipais atuam no cotidiano do munícipe, onde a “percepção de segurança” é construída pelo contato direto e comunitário. Essa natureza civil foi, inclusive, motivo de perseguição durante períodos de exceção, como no Ato Institucional nº 5, que buscou extinguir ou militarizar essas forças por sua perigosa proximidade com a população.

Atualmente, essa natureza policial foi definitivamente chancelada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Através da ADPF 995 e do Tema 656, a Suprema Corte estabeleceu que as Guardas Civis Municipais são órgãos de segurança pública parte integrante do sistema constitucional de segurança pública e com competência para realizar policiamento ostensivo, buscas pessoais, veiculares e até domiciliares, além das prisões em flagrante, como qualquer outro órgão policial do país. Com um efetivo de mais de 120 mil homens e mulheres (estimativas indicam ultrapassar 130 mil em todo o território), as Guardas Civis Municipais já são a terceira maior força de segurança do Brasil.

Resgate, Valorização e Dignidade

O Brasil não pode mais se dar ao luxo de ignorar ou “jogar no lixo” a história e o legado das suas Guardas Civis Municipais. É imperativo promover um resgate da historicidade dessas instituições, reconhecendo que o sentimento de pertencimento do agente público nasce do conhecimento de suas raízes centenárias.

Mais do que um reconhecimento histórico, é necessário um reconhecimento constitucional pleno e definitivo. Valorizar as Guardas Civis Municipais no texto da Constituição Federal não é apenas um ato de justiça histórica, mas uma medida fundamental para garantir dignidade profissional, elevar a autoestima dos milhares de agentes que, diariamente, arriscam suas vidas nas ruas do Brasil na busca de garantir o direito social do cidadão à segurança pública, além de fazer cumprir o papel dos municípios na segurança pública, qual seja, organizar e prestar diretamente serviços públicos de interesse local. O devido reconhecimento das Guardas Civis Municipais no texto constitucional como órgãos policiais, é a reparação da omissão legislativa que perdura desde a promulgação da nossa Carta Magna. O reconhecimento de que a segurança pública começa nos municípios é o caminho para um modelo de policiamento mais humano, eficiente e verdadeiramente democrático.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

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