Ordem e Progresso

Ordem e Progresso

0 0
Read Time:3 Minute, 34 Second

O resultado do segundo turno das eleições brasileiras de 2026 marcou mais um capítulo relevante da história democrática do nosso país. O Presidente Lula foi reeleito para o seu quarto mandato. Alguns dados, desta eleição histórica, devem ser destacados: o Partido dos Trabalhadores é o único partido político que disputou todas as 10 eleições presidenciais desde 1989, venceu em 6 oportunidades e ficou em segundo em outras 4; é primeira vez que o candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno, vence no segundo; também é inédito, no período republicano, que um presidente da república é eleito pela quarta vez. No entanto, conforme tem acontecido nas últimas eleições, a disputa deste ano, foi muito acirrada refletindo um cenário de forte polarização política. Tanto Flavio Bolsonaro como Luís Inácio Lula da Silva promoveram ampla mobilização popular de seus apoiadores, tanto nas manifestações de rua, como na internet. Igualmente suas campanhas proporcionaram intensas e desgastantes batalhas judiciais, além de contínuas declarações agressivas de ambos os lados. Porém o que fica de positivo é que perto de 130 milhões de brasileiros(as) compareceram às urnas para exercer um dos direitos mais importantes de uma democracia: escolher seus representantes por meio do voto. Em um país continental, com diferentes culturas, interesses e visões de mundo, a participação popular reafirma que a legitimidade do poder político nasce da vontade dos cidadãos e cidadãs. Resumindo, esta eleição reafirmou a intensa participação da cidadania, fortalecendo o sistema democrático, mas igualmente sugere que o Brasil precisa aperfeiçoar seu sistema político eleitoral.

O processo eleitoral trouxe à tona críticas recorrentes ao sistema político brasileiro. Entre os pontos frequentemente debatidos estão a alta polarização do debate público, o papel das redes sociais na disseminação de informações e desinformações, os elevados custos das campanhas e a sensação de distanciamento entre representantes eleitos e parte da população. Essas críticas não devem ser vistas como ameaças à democracia, mas como sinais de que o sistema pode, e deve, ser constantemente aperfeiçoado. Parece claro que as plataformas digitais precisam ter maior controle por parte do Sistema Judiciário. Deveriam também ser responsabilizadas por divulgarem conteúdos falsos, ofensivos, fake news como se nada tivessem com isso. A legislação eleitoral tem de se adaptar urgentemente às novas tecnologias e à Inteligência Artificial. O uso de dinheiro público no processo eleitoral também deve ser debatido, assim como o instrumento da reeleição, para todos os cargos eletivos. Como sociedade temos de debater e melhorar pontos que precisam ser aperfeiçoados pois, em democracias consolidadas as divergências são resolvidas pelo debate público e pelo voto, e nunca pela força ou por rupturas institucionais que infelizmente, candidatos derrotados tentam impor. Em última análise, a força da democracia brasileira reside justamente nessa combinação entre participação popular, liberdade de escolha e constante busca por melhorias, sempre de encontro ao compromisso fundamental com a estabilidade do Estado Democrático de Direito.

Terminada a eleição, devemos seguir adiante. O Brasil precisa de paz, a sociedade precisa de paz, a política brasileira precisa de paz. Já estamos cansados de tentativas e insinuações de golpes de Estado. Basta! Deve-se adotar uma cultura de paz, rejeitar o ódio, a polarização, a radicalização e a busca do poder pessoal ou de um grupo de pessoas. Cabe aos vencedores adotar a nobreza de oferecer a paz aos derrotados. Sem humilhações ou revanchismos. A nossa bandeira traz a frase positivista, “Ordem e Progresso”. Os governantes devem dar o exemplo de atuarem dentro do ordenamento jurídico constitucional. Ninguém está acima da Lei. E que o trabalho conjunto de governo e sociedade, traga o desejado progresso para todos, em especial para os mais necessitados, os menos capacitados e os excluídos. Somente em uma sociedade mais igualitária, solidária, inclusiva, justa, organizada, participativa, haverá a desejada paz.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: José Cruz/ABR

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Average Rating

5 Star
0%
4 Star
0%
3 Star
0%
2 Star
0%
1 Star
0%

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

erro: