Recentes pesquisas divulgadas pela imprensa indicam que o endividamento das famílias brasileiras está crescendo. Os números mostram que cerca de 80% das famílias têm alguma dívida a pagar. Porém, 30,5% das famílias que tem dívidas estão inadimplentes, ou seja, tem parcelas ou pagamentos vencidos e não pagos. Número recorde da série histórica que iniciou em 2010. Outro dado da pesquisa revela que a inadimplência é crescente entre as famílias que tem uma renda, considerada média pelo IBGE, entre 5 e 10 salários-mínimos. Das famílias inadimplentes, 13% declaram que não têm como pagar suas dívidas, o que também é um recorde. O principal meio de endividamento, mas não o único, são os cartões de crédito, quer sejam de entidades financeiras, quer sejam de lojas de produtos de varejo. Os carnês vêm em segundo lugar. Vale sempre lembrar: no Brasil, os juros dos cartões de crédito rotativos, são campeões inquestionáveis quando falamos de compras parceladas.
Importante destacar que ter dívidas, por princípio, não é um problema. Os economistas definem o Crédito com o oxigênio da Economia. Sem crédito a economia não vive. Porém, deve-se ter muito cuidado e sabedoria antes de tomar um empréstimo. Se contrair dívida não é um problema de per si, não honrar com as parcelas contratadas, sim será um enorme problema. “Se alguém quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?” (cf. Lc 14, 28). Parto deste versículo bíblico para entrar no ponto central desta coluna: todas as famílias devem e precisam ter um orçamento financeiro mensal. Para viver em equilíbrio emocional saudável, o ser humano precisa cuidar de quatro dimensões essenciais: uma vida familiar adequada; uma vocação profissional sustentável, um equilíbrio financeiro e uma espiritualidade transcendente. Justamente o equilíbrio financeiro requer um esforço constante para não se gastar o que não poderá ser pago. E para isso é preciso um orçamento minimamente estruturado e que deve ser rigorosamente cumprido. Este é o lado econômico e financeiro da questão. Uma proposta simples e superficial. Mas não é o único lado a ser observado.
O outro lado importante é o social. Partindo do princípio que nem todas as situações de inadimplência acontecem “apenas” por um pequeno descontrole passageiro de fluxo de caixa familiar, que poderia ser solucionado por exemplo com: uma redução de despesas ou repactuar a dívida ou ainda conseguir alguma receita extra, devemos analisar casos que são bem mais complexos e sinceramente, não me parecem de fácil solução. De saída deve-se ter em conta que o sistema bancário brasileiro é um dos mais rentáveis do mundo. E o banco existe para emprestar dinheiro, e cobrar taxas e juros de acordo com o risco do empréstimo. Isto está bem explícito, por exemplo, nas faturas do cartão de crédito, e acredito que qualquer ente bancário que opere legalmente no Brasil, explica todos os pormenores das prestações a serem pagas quando alguém toma um empréstimo. Portanto, o que falta a grande parte da população, é a consciência que a economia brasileira tem um grau de previsibilidade muito baixo. Apostar que posso pagar meus empréstimos sem ter um bom lastro financeiro é um erro grave, com consequências que podem ser desastrosas. Cautela e prudência em finanças, não são apenas necessárias são indispensáveis. Como já disse um ex-ministro da economia: no Brasil até o passado é improvável. Ter um equilíbrio financeiro é fundamental para uma vida saudável. Aproveite seu dia.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.
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