Pesquisa diz que 73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6×1

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Cerca de 84% dos brasileiros são favoráveis aos trabalhadores terem, no mínimo, dois dias de descanso por semana, segundo a pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, feita nas 27 unidades da Federação, entre os dias 30 de janeiro e 5 deste mês. A pesquisa mostrou ainda que  73% apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução de salário. Foram ouvidos 2.021 cidadãos acima de 16 anos de idade.

O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esclareceu nesta quinta-feira (12) à Agência Brasil que a ampla maioria – 62% dos consultados – sabe que há em debate, no âmbito do governo federal e do Congresso Nacional, a proposta de acabar com a escala 6×1. 

“A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, disse Tokarski. 

De maneira genérica, 63% dos consultados se mostraram a favor do fim da escala 6×1. Ao serem indagados se tiver redução de salário continuaria a favor ou mudaria de opinião, 30% afirmaram ser favoráveis, desde que não se mexa no bolso dos trabalhadores. 

A mesma pergunta foi feita para os 22% que afirmaram ser contrários ao fim da jornada 6×1. Desses, 11% disseram que iriam continuar sendo contra, mas 10% responderam que “se não mexer no bolso, eu topo”.

Com a diminuição do salário, o total de pessoas favoráveis ao fim da escala cai para 28%, ou seja, a minoria. Outros 40% só são favoráveis à escala 6×1 se a medida for aprovada e não implicar em redução salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis ao fim da jornada, mas ainda não têm opinião formada sobre a condicionante de manutenção ou redução dos salários.

Marcelo Tokarski avalia que a grande discussão no Congresso vai tratar da redução da jornada, com ou sem diminuição da remuneração dos trabalhadores. Para ele, o que a pesquisa mostra muito claramente é que quase todo mundo é favorável que tem que ter uma folga a mais. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, disse.

“Essa é a grande questão, porque as empresas defendem que a jornada não seja reduzida mas, se houver redução, é com diminuição do salário. E os trabalhadores, de maneira geral, não topam uma redução de jornada com redução de salário”, explica.

Menos dinheiro

De acordo com Marcelo Tokarski, o problema é que, no Brasil, país de renda média baixa, de trabalho mais precarizado, pouca gente aceita ter uma folga a mais se o salário diminuir. 

“Acho que é um pouco essa leitura que a pesquisa nos traz e que joga luz sobre essa discussão”, disse. 

A pesquisa aponta que 84% das pessoas acreditam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias. “É quase um viés de desejo. Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar. Acho que é um pouco isso que o dado evidencia ali para a gente”.

Lula

O projeto de acabar com a jornada 6×1 tem mais aprovação por quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Era uma promessa, uma bandeira defendida pelo governo também. É natural que quem votou no Lula tende a apoiar mais”, disse Marcelo Tokarski.

A pesquisa revela que 71% dos entrevistados que votaram no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022 são a favor do projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1. Outros 15% são contra, enquanto 15% não opinaram. Já entre quem votou em Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais, 53% são a favor do fim das 44 horas de trabalho semanais, 32% são contrários e 15% não opinaram.

PEC

A PEC 148/2015 foi aprovada no dia 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara, com voto favorável de, pelo menos, 49 senadores e 308 deputados.

Se aprovada, o fim da escala 6×1 ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, serão mantidas as regras atuais. No ano seguinte, o número de descansos semanais subirá de um para dois. Atualmente, a jornada máxima semanal de trabalho é de 44 horas mas, a partir de 2027, poderá cair para 40 horas. O teto final será de 36 horas por semana de 2031 em diante. Anteriormente, o que se previa era que os empregadores não poderiam reduzir a remuneração dos trabalhadores para compensar o novo tempo de descanso. Esse ponto deverá ser votado pelo Congresso Nacional.

A pesquisa indagou dos entrevistados se acham que a proposta será aprovada pelo Congresso, e 52% disseram que sim, contra 35% que responderam que não. Outros 13% não opinaram. E apenas 12% afirmaram entender bem a PEC.

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Paulo Pinto/Ag. Brasil

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Uma análise sobre o caso Banco Master e seus tentáculos no Estado Brasileiro

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Dia 18 de novembro de 2025 o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A partir de então, estamos vendo, lendo e ouvindo, dia após dia, que a relação entre instituições financeiras e o poder público continua sendo um ponto bastante nebuloso no Brasil. Em um país marcado por escândalos recorrentes, apenas para citar alguns mais recentes: Mensalão, Lava Jato, Orçamento Secreto, Carbono Oculto, Emendas Parlamentares com desvios de finalidade, qualquer aproximação entre entidades financeiras e empresariais, agentes políticos e decisões governamentais desperta suspeitas, muitas vezes justificadas, outras vezes alimentadas pela falta de transparência, que caracteriza boa parte da administração pública. Estas promiscuas relações, beiram a infâmia. O Brasil convive há séculos com a percepção de que os órgãos de Estado, pagos com dinheiro dos contribuintes, e que deveriam defender os interesses da maioria do povo, na verdade, operam para servir as elites financeiras, empresariais e políticas do país. No caso do Banco Master esta infame relação, aparentemente, chegou a níveis inimagináveis, senão vejamos:

– Tudo indica que o BC (Banco Central) tinha pleno conhecimento, há pelo menos três anos, que o Banco Master estava em condições precárias de liquidez financeira, fazendo operações sem lastro e suspeitas de fraude. Oferecia ao mercado taxas de rentabilidade bem altas, fora dos padrões, para os seus CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) tendo como elemento de venda o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), uma entidade privada que efetivamente, em caso de quebra de um banco garante o pagamento ao investidor em CDBs até R$ 250.000,00 por CPF / CNPJ. Isto por si só já deveria ter sido investigado pelo Banco Central. FGC é um fundo de caráter emergencial, não para especular, “tipo compre que o FGC garante”. Por que o BC demorou para agir?  Esta demora merece ser investigada.

– Desde o final de 2024 o Banco Master tenta conseguir investidores, sócios, compradores, com o objetivo de obter uma forte injeção de capital, pois corria o risco de insolvência. Apresenta-se um interessado: BRB (Banco de Brasília) um banco público cujo sócio majoritário é o Governo do Distrito Federal. O BRB pode operar no Brasil todo, em toda e qualquer atividade financeira. e se propõe a comprar o Master, segundo informações, interessado em sua carteira de crédito e de empréstimos consignados. Porque nenhum outro banco privado, com muito mais recursos que o BRB não demonstrou interesse em comprar o Master? Certamente porque não valia a pena. Mas um banco público possivelmente vinculado a alguma liderança política, insiste em comprar algo que seus concorrentes não querem. Este ponto obscuro deveria ser esclarecido, afinal o BRB é público. Em março de 2025, entra em cena o BC, ele deveria aprovar a compra do Master pelo BRB, mas não aprova. A carteira de créditos que o BRB comprou do Master por R$ 12 bi, segundo avaliação do BC teve seu valor superavaliado.

– Assim que se que se tornou pública a liquidação extrajudicial do Master pelo BC, entrou em cena o TCU (Tribunal de Contas da União), dando 72 horas para o BC explicar sua decisão. O BC entre outras funções estatutárias, deve atuar como guardião da moeda nacional e fiscalizar a integridade do sistema financeiro do Brasil. Está perfeitamente dentro de suas atribuições, liquidar entidades bancárias, que não honrando com seus compromissos, colocam em risco todo o sistema financeiro. Até agora não ficou claro o que respaldou a tentativa do TCU de bloquear a liquidação do Master. O que de prático aconteceu foi que houve um retardamento para o Master enviar as informações dos clientes que teriam valores a receber do FGC. Mais um ponto nebuloso: por que o TCU interveio? Com que autoridade constitucional? A quem interessa a não liquidação do Banco Master e por que tentar colocar a culpa nas ações do Banco Central?

– O STF (Supremo Tribunal Federal) interferiu de forma bastante heterodoxa no processo, com práticas pouco republicanas, inclusive impedindo ou não estimulando as investigações e as perícias da PF (Polícia Federal) sobre o caso. Atitudes que causaram constrangimentos e dissabores em diversos órgãos do governo. Além disso colocou sob sigilo, depois liberou, as investigações e depoimentos. Aqui chegamos ao ponto chave deste intrincado caso: quem estabelece os limites da atuação do STF. Certamente a Constituição Federal e/ou a Lei Maior da Magistratura devem ter algum tipo de regimento interno que regula as ações do STF. Como não advogado, não tenho condições de emitir pareceres nesta área, no entanto, tem-se a percepção que alguma medida de maior transparência deveria ser adotada. Um grande número dos ministros do STF tem parentes (esposa, filhos, filhas, ex-esposa) que possuem escritórios de advocacia, o que por si só já me parece questionável. No caso do Banco Master, vários desses escritórios já advogaram ou ainda advogam para os envolvidos e investigados no presente escândalo financeiro. As ligações particulares dos magistrados com pessoas investigadas, também não parecem ser convenientes e no mínimo, não contribuem para a abrandar a suspeição que paira no ar em certos casos.  Fica a pergunta: Por ser um Ministro ou Ministra do STF, este fica acima de qualquer suspeita, em qualquer situação?

– Grandes investidores do Master são fundos de Previdência de estados e prefeituras espalhadas pelo Brasil. Mais uma vez uma grande malversação do dinheiro público. O ex-presidente da Rio Previdência, foi preso pela PF. Certamente haverá um rombo nas finanças destes institutos. Ainda não sabemos se o Master terá recursos para ressarcir esses investidores. Por definição fundos de previdências devem ter um comportamento conservador, pois os recursos são usados para pagamentos de aposentados e pensionistas. Trata-se de uma gestão incompetente ou fraudulenta? Como, em geral, a indicação para esses cargos é política, imediatamente repercutiu no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.  Mais uma vez tem-se a percepção de que haverá aquele clima de “muito trovão e pouca chuva”, ou seja, haverá muito barulho, muita investigação, mas ninguém é punido. Estamos em ano eleitoral, onde a eleição ou reeleição é o objetivo maior.  “O vamos investigar a fundo, doa a quem doer” é, na minha opinião, apenas discurso vazio. Lembrando que parlamentares federais, têm foro privilegiado, portanto só podem ser julgados e condenados pelo STF.

– Como ponto positivo, temos a atuação da PF. Apesar de ter sofrido tentativa de interferência em seu trabalho de investigação e análises de provas, por ordem de ministros do STF, seguiu apurando os graves fatos que seguem surgindo junto ao Banco Master e seus controladores. Inclusive abrindo novas frentes com os desdobramentos que vão surgindo, tais como a atuação fora do padrão do BRB no mercado de capitais; REAG investimentos, um gestor de recursos financeiros, parceiro de negócios do MASTER, que também foi liquidado; o grupo empresarial FICTOR que oferecia aplicações via Sociedades em Conta de Participação (SCP), um modelo não regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e sem cobertura do FGC. O grupo fez uma oferta de compra para o MASTER e entrou na Justiça pedindo recuperação judicial; o RIOPREVIDENCIA, cujo ex-presidente foi preso recentemente. Os elementos sugerem que este caso está muito longe de acabar. Veremos até onde os governantes deste país permitirão a liberdade de investigação da Polícia Federal e fiscalização técnica do Banco Central.

 Quero destacar o brilhante papel do jornalismo investigativo, de vários profissionais de diversos órgãos de imprensa, que revelaram e noticiaram muitos dos detalhes que estavam, digamos ocultos. Viva a liberdade de imprensa e de opinião que ainda existe neste país. A democracia resiste. Concluindo, como disse Antônio Carlos Jobim “o Brasil não é para amadores”. Me atrevo a dizer que o próximo escândalo envolvendo autoridades constituídas, governantes, parlamentares, magistrados, empresários, líderes religiosos, e agora o “crime organizado” sempre será o mais surpreendente, o mais audacioso, o mais impactante, o mais corrupto e o mais custoso para o país. A única coisa que não muda, é quem paga tudo isso: sempre o povo, mais pobre, mais endividado, mais sofrido, que luta dia a dia para seu parco sustento e da sua família e que paga mais impostos, relativamente, que os magnatas da corrupção.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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 Foto Destaque: Rovena Rosa/Ag. Brasil

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Câmara de Barueri aprova projeto do prefeito Beto Piteri que concede reajuste de 10% aos servidores

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A Câmara Municipal de Barueri aprovou por unanimidade o Projeto de Lei Complementar nº 001/2026, de autoria do prefeito Beto Piteri (Republicanos), que prevê reajuste salarial de 10% aos servidores públicos municipais. A proposta agora segue para sanção do Executivo e posterior publicação no Diário Oficial do município.

O projeto foi encaminhado pelo prefeito ao Legislativo e tramitou de forma célere. Após análise das comissões internas, o texto foi levado à votação em plenário, onde recebeu o voto favorável de todos os vereadores presentes.

De acordo com o conteúdo do projeto, o reajuste deverá entrar em vigor a partir de 1º de maio de 2026, caso seja sancionado dentro dos prazos legais. O percentual será aplicado sobre os vencimentos dos servidores municipais, conforme previsto na legislação.

Durante a tramitação, o prefeito afirmou que a proposta tem como objetivo reconhecer o trabalho desempenhado pelos servidores públicos. A declaração consta na justificativa apresentada junto ao projeto encaminhado à Câmara.

A aprovação unânime indica consenso entre os parlamentares em relação à proposta. A valorização do funcionalismo público tem sido uma pauta recorrente nas discussões legislativas do município, especialmente diante do impacto dos serviços públicos na rotina da população.

Com a aprovação pelo Legislativo, o projeto aguarda agora a sanção do prefeito. Após a publicação oficial, o reajuste passará a integrar a folha de pagamento dos servidores dentro do prazo estabelecido.

O aumento salarial deve gerar impacto direto na remuneração dos funcionários públicos municipais e pode refletir também na economia local, a partir da ampliação do poder de compra de parte dos trabalhadores do município.

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Foto: Marco Miatelo/CMB

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Preço do azeite cai 25% em 2025 nos supermercados paulistas, aponta APAS

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O preço do azeite de oliva encerrou 2025 com uma das maiores quedas entre os produtos vendidos nos supermercados do Estado de São Paulo. Segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), o produto acumulou deflação de 25,02% no ano, após 11 meses consecutivos de recuo.

A redução foi observada ao longo de praticamente todo o ano. Em dezembro, o azeite registrou queda de 3,02%, contribuindo para o resultado da subcategoria de óleos, que fechou 2025 com retração de 4,93%. O movimento representou um alívio para o consumidor, após um período de forte pressão nos preços em anos anteriores.

De acordo com o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, a trajetória de baixa está diretamente ligada a fatores externos e a medidas adotadas no Brasil. “No caso do azeite, o movimento de queda vem sendo observado em 11 meses consecutivos, principalmente devido à retomada da produção europeia e pela isenção da alíquota sobre a importação do produto, adotada pelo governo federal”, afirma.

O levantamento indica que a normalização da oferta internacional foi determinante para a redução das cotações. Em 2024, quebras de safra na Europa pressionaram os preços, cenário que começou a se reverter no ano seguinte. “A partir de março de 2025, houve uma redução gradual no preço, impulsionada principalmente pela retomada da produção europeia e pela isenção da alíquota sobre a importação do produto”, conclui Queiroz.

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Foto: Edson Mesquita Jr/Hora SP

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Não se constrói estabilidade enfraquecendo o Banco Central – por Luiz Lemos Leite

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Com a serenidade de quem dedicou a vida ao sistema financeiro brasileiro, manifesto publicamente meu repúdio às práticas fraudulentas apontadas em documentos divulgados pela imprensa nacional. As reportagens revelam o uso indevido de estruturas empresariais e do discurso de inovação para gerar prejuízos a empresas, investidores e ao crédito produtivo. Aos 96 anos, com 75 anos de atuação profissional, sigo atento e preocupado com movimentos que colocam em risco pilares institucionais fundamentais para a vida nacional.

À luz desse material jornalístico e das narrativas que surgiram após a liquidação extrajudicial do Banco Master, considero indispensável me posicionar. Decisões prudenciais adotadas pelo Banco Central não podem ser tratadas como objeto de disputa política nem reduzidas a interpretações tendenciosas. São atos voltados à preservação do Sistema Financeiro Nacional, à proteção da economia real e ao resguardo dos fundamentos do regime democrático. Por sua natureza, exigem elevado grau de qualificação técnica e jurídica.

Falo a partir da experiência de quem acompanhou, ao longo de décadas, a consolidação das instituições responsáveis pela estabilidade do sistema financeiro brasileiro. Participei diretamente de processos decisórios, atravessei ciclos econômicos distintos e vivi momentos de crise que exigiram rigor técnico, independência institucional e estrita observância às normas. Essa trajetória permite afirmar, com segurança, que as decisões prudenciais do Banco Central têm natureza essencialmente técnica e constituem instrumento indispensável à preservação da confiança, da moeda e do crédito produtivo.

Registro, ainda, que sou o diretor mais antigo em atividade do Banco Central, condição que me confere a posição de decano de sua Diretoria. Essa circunstância, somada a uma vida dedicada ao serviço público e ao compromisso institucional, confere-me autoridade moral para me manifestar em defesa da autonomia, da credibilidade e do papel institucional da autoridade monetária.

Em nenhuma das inúmeras liquidações e processos de reorganização do sistema financeiro dos quais participei presenciei algo semelhante ao que se observa no presente. Há uma campanha aberta destinada a fragilizar a imagem do Banco Central por meio de pressões políticas, ruídos institucionais e ações de desinformação. Movimentos dessa natureza não contribuem para a solidez do mercado nem para o fortalecimento da democracia.

O debate sobre eventuais irregularidades deve ocorrer com imparcialidade, responsabilidade e competência, nos foros adequados. Precisa estar baseado em fatos, informações técnicas consistentes e pleno respeito ao devido processo legal. Não se pode admitir que setores inteiros sejam colocados sob suspeita por meio de generalizações ou construções narrativas que desconsiderem a diversidade das atividades econômicas e os avanços regulatórios alcançados, que só têm concorrido para obstar a conquista da tão almejada maturidade democrática do Brasil. Não podemos perder a esperança.

Ao longo desse percurso, atuei tanto na esfera pública quanto na iniciativa privada. Em 1982, fundei a Associação Nacional de Fomento Comercial, a ANFAC, entidade que presido há 44 anos e que teve papel relevante na consolidação do mercado de recebíveis e no desenvolvimento de modalidades de crédito empresarial não bancárias. Essa vivência reforça minha convicção quanto à centralidade da estabilidade regulatória e da atuação técnica do Banco Central para o funcionamento do crédito e da economia real. Em 1º de abril de 2025, a convite do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tive a honra de participar das comemorações pelos 60 anos da instituição. Constatar que o Banco Central do Brasil se consolidou como uma das autoridades monetárias mais respeitadas do mundo é motivo de legítimo orgulho para todos os brasileiros. Diante disso, não poderia me calar frente às aleivosias dirigidas à instituição, muitas vezes utilizadas na defesa de interesses escusos, em detrimento do rigor técnico que sempre orientou sua atuação.


Luiz Lemos Leite é advogado e fundador e presidente da Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC) e diretor mais antigo em atividade do Banco Central do Brasil, condição que o coloca como decano de sua Diretoria.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Foto: Gil Ferreira/Ag. CNJ

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Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça

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A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (26) que vai reduzir em 5,2% o preço da gasolina A vendida às distribuidoras. O novo preço passa a valer a partir desta terça-feira (27).

A gasolina A é o combustível puro que sai das refinarias e é misturado ao etanol pelas distribuidoras, para que possa ser vendido ao consumidor final nos postos.

Com a redução, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14.

No comunicado que anunciou a mudança de valores, a empresa informa que, desde dezembro de 2022, a queda no preço da gasolina chega a R$ 0,50 ─ um recuo de 26,9%, já considerando a inflação do período.

A última mudança no preço do combustível havia sido em 21 de outubro de 2025, quando ficou 4,9% mais barata.

Preço nas bombas

O movimento da Petrobras deve representar alívio na inflação do país, uma vez que a gasolina é o produto com maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que apura a inflação oficial.

Apesar de a Petrobras ser a maior produtora do combustível no país, o preço da gasolina nas bombas não depende apenas da estatal. Após o produto ser vendido às distribuidoras, sofre influências de outros custos, como o frete, mistura com o etanol, cobrança de impostos e a margem de lucro dos postos.

Diesel

A Petrobras informou que o preço do diesel vendido às distribuidoras não sofrerá alteração. Desde dezembro de 2022, a redução acumulada no preço do óleo combustível vendido às distribuidoras é de 36,3%, considerando a inflação do período.

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Shutterstock

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Cate abre última semana de janeiro com mais de 1,3 mil vagas de emprego em São Paulo

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O Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (Cate) inicia a última semana de janeiro com mais de 1.300 vagas de emprego abertas em processos seletivos para diferentes áreas na capital paulista. As oportunidades abrangem setores como comércio, serviços, construção civil e gastronomia, com salários que variam de R$ 800, para estágio em logística, a R$ 4.000, para o cargo de encarregado de padaria.

Os interessados devem se cadastrar no Portal Cate ou comparecer a uma das unidades, fixas ou móveis, até o dia 28 de janeiro. Para o atendimento presencial, é necessário apresentar RG, CPF e carteira de trabalho, física ou digital.

Há mais de 400 vagas permanentes para funções auxiliares em áreas como escritório, logística, limpeza e expedição, distribuídas por todas as regiões da cidade. A maioria exige de três a seis meses de experiência e ensino médio completo, com salários que chegam a R$ 2.500.

Para o comércio, são oferecidas mais de 200 vagas de atendente, grande parte sem exigência de experiência, com remuneração de até R$ 2.100. Na área de gastronomia, há mais de 160 oportunidades, em sua maioria para candidatos com ensino fundamental e sem experiência, com salários entre R$ 1.537 e R$ 2.330.

O Cate também disponibiliza mais de 100 vagas para pessoas com deficiência, em cargos como serralheiro, porteiro, bilheteiro e encanador. Algumas funções não exigem experiência, desde que o candidato comprove escolaridade compatível. As unidades contam ainda com a Central de Intermediação em Libras (CIL) para atendimento a pessoas surdas.

Na área de tecnologia, o Portal Cate reúne vagas e cursos em uma seção específica, com oportunidades para funções como agente de suporte técnico, analista de sistemas júnior e assistente de marketing digital.

Na quarta-feira (28), ocorre um processo seletivo com 180 vagas no setor de supermercados, para cargos de repositor, atendente de loja, operador de caixa e fiscal, na Rua da Mina Central, 38, na Vila Heliópolis, das 9h às 16h. No mesmo dia, o Cate Central, na Avenida Rio Branco, 252, seleciona candidatos para atendente de bilheteria, com salários de até R$ 1.805. Na quinta-feira (29), a unidade realiza nova seleção para 100 vagas de atendentes de loja e supermercado.

Serviço

Processos seletivos para vagas gerais
Inscrições até 28 de janeiro (quarta-feira), às 18h
Portal Cate

Clique aqui e veja os endereços das unidades do Cate.

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Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil

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Programa Conexão do Emprego impulsiona recolocação profissional em Santana de Parnaíba

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Nesta quinta-feira (15), o programa Conexão do Emprego, em parceria com a Prefeitura de Santana de Parnaíba e o Cash Atacado, promoveu mais uma ação voltada à geração de emprego e renda no município, com a oferta de diversas oportunidades para moradores que buscam inserção ou recolocação no mercado de trabalho.

As entrevistas presenciais foram realizadas no PAT do Poupatempo Fazendinha, fortalecendo a iniciativa de aproximar empregadores e trabalhadores e ampliar o acesso da população a vagas formais.

Na ação com o Cash Atacado, foram disponibilizadas oportunidades para os cargos de operador de loja, operador de caixa, passador e açougueiro. Os salários partem de R$ 2.066,00, com benefícios como assistência médica, vale-transporte, seguro de vida e vale-alimentação.

Além dessa parceria, Santana de Parnaíba iniciou o ano com milhares de vagas abertas em diferentes áreas. Entre as funções disponíveis estão administrador de marketing, assistente administrativo, auxiliar financeiro, técnico de suporte em TI, chefe de cozinha, consultor de negócios, conferente de logística e torneiro mecânico, entre outras.

Os interessados devem procurar a unidade do PAT mais próxima, munidos de documentos pessoais e currículo atualizado, para obter informações detalhadas e realizar o encaminhamento aos processos seletivos.

Os Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) integram a rede do Governo do Estado de São Paulo e oferecem serviços gratuitos à população, com foco na geração de emprego e renda. Entre as atribuições estão o fornecimento de informações e orientações aos trabalhadores e o apoio às empresas na busca por profissionais, promovendo o encontro entre quem procura trabalho e quem oferece vagas.

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Foto: Reprodução/PMSP

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Venda de motocicletas em 2025 é a maior dos últimos 22 anos

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A venda de motocicletas no país em 2025 foi a maior registrada desde 2003. Foram comercializadas 2.197.851 unidades no ano passado, uma alta de 17,1% em relação a 2024 (1.876.427 unidades).

O segundo ano com mais vendas foi 2011 (1.940.543 unidades) e o terceiro, 2008 (1.925.558 unidades).

Os dados, divulgados nesta quinta-feira (15), são da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

“O desempenho do setor reflete a demanda aquecida por veículos de duas rodas, impulsionada principalmente pela mobilidade urbana e pelo uso profissional”, destaca o presidente da entidade, Marcos Bento.

No ano passado, 1.980.538 motocicletas foram produzidas nas linhas de montagem das fabricantes instaladas em Manaus, volume 13,3% superior ao registrado em 2024. Esse foi o melhor desempenho do setor desde 2011 e o terceiro maior da história da indústria motociclística nacional, desde 2003.

As exportações encerraram 2025 com 43.117 motocicletas embarcadas, volume 39,1% superior ao registrado no ano anterior. 

Projeções para 2026

A Abraciclo estima que a produção em 2026 deverá ser de aproximadamente 2.070.000 motocicletas, volume 4,5% superior às 1.980.538 unidades fabricadas em 2025.

A previsão da entidade é que sejam vendidas no país, neste ano, 2.300.000 motocicletas, um avanço de 4,6% em relação às 2.197.851 unidades comercializadas no ano passado.

As exportações, segundo a Abraciclo, também devem apresentar elevação. A entidade estima que 45.000 motocicletas sejam destinadas ao mercado externo em 2026, crescimento de 4,4% na comparação com 2025.

“As projeções indicam o crescimento consolidado do segmento no Brasil e reforçam o papel estratégico do Polo Industrial de Manaus, o maior polo de produção de duas rodas fora do eixo asiático”, afirma o presidente da Abraciclo.

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Paulo Pinto/Ag. Brasil

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Inmetro orienta uso da geladeira para reduzir consumo de energia

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Um dos eletrodomésticos que mais pesam na conta mensal de energia é a geladeira. Além de funcionar 24 horas por dia, o abre e fecha da porta do equipamento pelas pessoas da casa levam ao aumento do consumo de eletricidade.

Por essa razão, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) está orientando os cidadãos que boas práticas de instalação, uso e manutenção ajudam a reduzir o consumo, além de evitar desperdícios e prolongar a vida útil do aparelho.

Dicas

A primeira dica é que a geladeira não deve ficar colada à parede nem ser instalada em espaços muito estreitos. Componentes como o compressor e o condensador precisam de espaço para liberar o calor gerado durante o funcionamento. Quando essa ventilação é prejudicada, o motor trabalha mais para manter a temperatura interna, o que aumenta o consumo.

O Inmetro recomenda seguir as instruções do fabricante que, em geral, indicam uma distância mínima de cerca de 15 centímetros das paredes.

Outra orientação importante, é evitar abrir a porta da geladeira com frequência ou mantê-la aberta por muito tempo. Esse hábito permite a entrada de ar quente, o que exige maior esforço do sistema de refrigeração.

Para reduzir o consumo, o Inmetro sugere que o ideal é organizar os produtos, abrir a porta apenas quando necessário e evitar guardar alimentos ainda quentes no interior do aparelho. Deve-se também verificar regularmente a borracha de vedação, porque desgastes e frestas comprometem a eficiência e elevam o gasto de energia.

De acordo com o Instituto, a limpeza do condensador, chamado serpentina, que está localizado na parte traseira da maioria dos modelos, é fundamental para o bom desempenho da geladeira, uma vez que o acúmulo de poeira e gordura dificulta a liberação de calor e pode aumentar o consumo.

Uma prática adotada por muitas pessoas, que é secar roupas atrás da geladeira, é considerada totalmente inadequada pelo Inmetro, porque bloqueia a saída de calor, reduz a ventilação e prejudica o funcionamento do equipamento. O Instituto reforça que a adoção desses cuidados contribui para um consumo mais eficiente, reduz a conta de energia e ajuda a manter o eletrodoméstico em boas condições por mais tempo.

O Inmetro reforça ainda que ao comprar uma geladeira, o cidadão deve verificar na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) o consumo mensal e dar preferência aos modelos mais eficientes., “uma vez que a eficiência energética faz diferença na conta de energia”.

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Fabio Rodrigues Pozzembom/Ag. Brasil

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