A humanidade é, dentre todas as espécies que já habitaram a Terra ao longo de seus bilhões de anos de existência, a que possui o maior poder de destruição. E não estou me referindo apenas ao vasto e diversificado arsenal de armamentos militares que existem em muitos países ao redor do planeta. Me refiro à própria índole do ser humano, maldosa por natureza.
Como é possível que alguém, diante de uma tragédia ambiental, se aproveite da situação para roubar e saquear propriedades desprotegidas, ou desviar recursos e doações destinados à população atingida? É verdade que em geral, frente a uma calamidade, se forma uma imensa corrente de solidariedade: órgãos oficiais, ONGs, igrejas, clubes, comunidades, e até mesmo cidadãos comuns, tornam-se voluntários doando seu tempo e suas habilidades, às vezes até arriscando suas vidas em favor de pessoas que nem conhecem. No entanto, o mal persiste em ofuscar o bem. Como explicar que milhares de pessoas, muitas delas idosas, se recusem a deixar suas casas, pequenos comércios e armazéns por medo de serem saqueadas? Para mim, isso reflete a degradação máxima do ser humano.
Aqueles que agem dessa maneira não têm caráter algum e são ainda piores do que os animais ditos irracionais, pois estes não atacam, roubam ou matam deliberadamente sua própria espécie. Sinceramente, sinto-me indignado como ser humano e, indo contra todas as minhas crenças, penso que aqueles que abusam dos que já perderam praticamente tudo, não merecem fazer parte da comunidade e não merecem uma segunda chance. Infelizmente, muitos dos que praticam esses atos, são pessoas comuns, homens e mulheres que não têm o roubo como meio de vida.
Essas pessoas não se manifestam apenas em grandes catástrofes, mas também episodicamente no cotidiano. Todos nós já testemunhamos acidentes rodoviários envolvendo carretas que transportam alimentos, eletrônicos ou qualquer outro bem de valor. Dezenas de pessoas comuns surgem do nada, como um cardume de piranhas atacando um animal ferido e indefeso, dilacerando-o até a morte. A carga da carreta acidentada é saqueada em questão de minutos, e nem se preocupam em saber se alguém ficou ferido devido ao acidente. Como chegamos a esse estado de barbárie?
Será a desumanidade de viver em cidades gigantescas, onde tudo é difícil e precário para a maioria de seus habitantes? Será a impunidade que assola este país há séculos? Será o inconsciente coletivo, onde pensamos que se eu não roubo, outros vão roubar, e chega de sermos ingênuos? Ou será porque não temos em nossa cultura a formação adequada de valores verdadeiramente humanos? Afinal, tenho certeza de que a imensa maioria das pessoas com mais de 10 anos sabe que roubar algo ou alguém não é correto, talvez não saibam que é um crime, mas sabem que é errado. Não devemos amenizar a punição para quem comete esse tipo de delito.
Acredito que estamos chegando a um ponto de não retorno. Ou retomamos o caminho de uma cultura de paz, solidariedade, responsabilidade social e convivência pacífica e ordeira, onde os livros devem ser mais acessíveis do que as armas e onde a comunicação seja baseada em princípios éticos e não em desinformação. Ou então vai prevalecer a lei do mais forte, a barbárie, a selvageria e a total desumanidade. A ausência de qualquer tipo de lei ou ordem, se tornará mais um novo normal. Alguns desses cenários, infelizmente, já estão fazendo parte do nosso cotidiano. Ainda assim, sinceramente, aproveite seu dia.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
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