Homenagem aos Professores (as) – por Celso Tracco

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Um professor de filosofia, em determinada aula e sem dizer uma só palavra aos seus alunos, pegou um pote de vidro, grande e vazio, colocou sobre sua mesa e começou a enchê-lo, até a boca, com bolas de tênis. Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e imediatamente todos disseram que sim. O professor então pegou uma caixa de bolinhas de gude e esvaziou-a dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de tênis.

O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim.

Imediatamente, pegou um saco com areia e esvaziou-a dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora sim, estava cheio. O professor então de modo teatral e ainda sem dizer nada, pegou sua garrafa térmica, que continha o café que ele tomava durante as aulas e derramou sobre o pote umedecendo a areia.

Os estudantes observavam a situação, esperando a pergunta do professor. Mas, sem nada perguntar o professor ensinou:

Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de tênis são os elementos mais importantes: a família, seus verdadeiros amigos, sua vocação profissional, sua espiritualidade, suas crenças, Deus. Elas representam o que é essencial em nossas vidas. Nelas estão contidas nossos princípios e valores. Valores e princípios que devemos cuidar em primeiro lugar, pois elas nos conduzem à felicidade plena. Sem elas nossas vidas serão vazias, sem um propósito definido.

As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, um bom lugar onde morar, o carro novo, o estudo que satisfaz, como ocupo minhas horas livres. São importantes, mas não são determinantes na vida.

A areia representa todas as pequenas coisas, agradáveis e desagradáveis que acontecem todos os dias na vida de qualquer ser humano: cervejinha de sexta-feira, passeios na natureza, contas para pagar, compromissos chatos e obrigatórios, contratempos e momentos de prazer. Sua importância é relativa, não determinante portanto, devemos tratá-los com a significância que eles têm, quase nula.

Mas atenção, o professor elevou a voz provocando a atenção dos alunos, se a areia fosse colocada em primeiro lugar no pote, não haveria espaço para todas as bolas de tênis e nem para as de gude. O mesmo ocorre com nossas vidas. Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas não teremos espaço e tempo para as coisas realmente importantes.

Assim devemos prestar atenção nas coisas que são primordiais para a nossa felicidade. Brincar com os nossos filhos, sair para se divertir com a família e com os amigos, dedicar um tempo a nós mesmos, buscar conhecimento, estudar sempre, cuidar da saúde, viajar, ser fiel a nossa crença.

Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas devemos nos ocupar primeiro das bolas de tênis, depois das de gude, pois o resto é areia.

Um aluno se levantou e perguntou: professor, o que representa o café?

Com um sorriso contido, o professor respondeu: Excelente pergunta. O café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo.

Um grande e forte abraço e até nosso próximo café. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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Bailes e Ratos – por Celso Tracco

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Em 9 de novembro de 1889, a agonizante monarquia brasileira organizou um baile em homenagem aos oficiais do navio chileno Almirante Cochrane. Um baile grandioso, um exagero de comidas e bebidas sem limites, para mais de 4.000 participantes, amigos da Corte, entre convidados e penetras. Ocorreu na ilha Fiscal, na baia da Guanabara, pois lá se localizava a sede da alfândega, onde se arrecadava dinheiro (impostos sobre importação e exportação) para o Erário Público. O nome do navio chileno era em honra a um mercenário escocês, Thomas A. Cochrane, que vendeu suas habilidades navais para as incipientes marinhas do Brasil e do Chile no período da independência política desses países. A ilha antes da construção da Alfândega era conhecida como a ilha dos Ratos. Seis dias após o baile, a monarquia terminou. (cf. GOMES, Laurentino, 1889, ed. Globo). Como último ato público de um regime moribundo, a monarquia, gastou dinheiro do contribuinte com uma dispendiosa festa, para homenagear marinheiros de um outro país, cujo nome do navio era de um estrangeiro mercenário e oportunista. Creio que a ilha deveria continuar se chamando Ilha dos Ratos.

O regime político mudou, desde 1889 o Brasil é uma República, mas a essência do baile e dos ratos, segue atual. Recentemente, políticos postaram nas redes sociais que antigos correligionários, todos eleitos democraticamente, “agiam como ratos e oportunistas”, ou seja, o desprezível roedor, que aliás se reproduz em escala exponencial, continua designando os “inimigos e opositores” de ocasião. Ratos também são conhecidos pelo seu voraz poder de destruição. Estamos vendo, dia sim e outro também, maus políticos e “servidores” públicos delapidando o erário público em “bailes” diários cada vez mais dispendiosos. E o povo como fica? Ele, em geral, apenas entra para pagar a conta. Isso pode mudar? Há várias respostas para essa pergunta. Arrisco algumas:

  1. Golpe de Estado e intervenção militar. Hipótese bastante discutida recentemente. Rasga-se a Constituição Federal e começamos de novo. Obviamente que isso não daria certo. A história mostra que, nos quase 136 anos de República, houve vários golpes de estado, além de tentativas fracassadas. Isto nunca levou a uma necessária transformação social. No início pode-se ter uma sensação de melhora no ambiente político. Mas, passado algum tempo, tudo volta ao “normal”. Não creio em solução de força bruta.
  2. Eleger os “líderes” carismáticos de plantão, os salvadores da pátria, os que tem a certeza de resolver todos os nossos centenários males. Não importa a ideologia política, o importante é vender ilusões, uma vez eleito tudo será diferente. Não creio em “salvadores da pátria”.
  3. Tentar algo novo. As mudanças que transformam se iniciam com novas ideias e ideais. Nunca devemos renunciar à democracia, mudanças devem ser feitas pelo voto. Apenas pelo voto. Votar em candidatos íntegros, comprometidos com as reais necessidades do povo. Tais como: investir em educação básica de qualidade; priorizar a redução da escandalosa desigualdade social; trabalhar por taxa de crescimento econômico sustentável, legislar por uma economia baseada na transição ecológica, implementar reformas que levem a um equilíbrio fiscal justo e duradouro.

Posso ter a certeza de que esses candidatos, se eleitos, vão fazer as ações que o país precisa? Não, não posso. Mas tenho certeza de que se o povo for realmente opinativo, vigilante e cobrar ações de seus candidatos, podemos entrar em uma nova era de prosperidade. Caso contrário, permaneceremos sendo o país do déficit fiscal e o “baile” continuará para a alegria dos “ratos” oportunistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

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A poda necessária – por Celso Tracco

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Uma família tinha um pequeno sítio e o único bem que possuíam era uma vaca leiteira. Da vaca tiravam vários litros de leite todos os dias, o suficiente para alimentar a família, pai mãe e um filho já adolescente. Com o leite faziam alguns poucos produtos como queijo e doces que eles trocavam por outros bens essenciais quando iam até a feira de uma cidade próxima. A vida não tinha nenhuma perspectiva para a família sitiante, na verdade ela não vivia, apenas sobrevivia, acomodada nessa situação de tirar o leite da vaquinha. Mas um dia, veio a tragedia: a vaquinha morreu. Não se deram conta que o animal já estava doente e não cuidaram de sua principal fonte de alimento. E agora o que fazer? Passado o torpor do luto, a necessidade se impôs e começaram a plantar, criar outros animais, produzir novas fontes de renda. O jovem saiu para buscar ajuda, estabeleceu novos contatos e adquiriu novos conhecimentos que fizeram a família progredir como nunca tinham imaginado. Passado algum tempo e vendo o resultado dos esforços de todos, até agradeceram a morte da vaquinha. Me sirvo desta pequena história para entrar no tema do artigo: muitas vezes em nossa vida, uma boa poda é necessária.

De tempos em tempos precisamos refletir se ainda estamos carregando “malas” cheias de coisas que já não produzem mais nenhum prazer. Foram até uteis no passado, mas hoje são peso morto. É preciso se livrar deles e mudar. Isto nos abrirá a possibilidade de uma renovação constante, consciente para uma vida nova e revigorada. Vamos nos dispor a renascer, nos livrando do que está velho, sem uso, ultrapassado e cuidando de tornar vigorosas novas fontes de satisfação pessoal.

Para isso, são necessárias duas atitudes: acreditar no novo e vencer o medo de mudar. O medo é nossa reação natural ao que interpretamos como uma ameaça, algo que entendemos que é mais forte do que nossa capacidade de enfrentá-la. Assim, nosso medo é consequência de nossa falta de confiança em superar os desdobramentos de uma mudança. Caso não encontremos dentro de nós essa confiança, não devemos ter dúvida em procurar alguma ajuda externa. A ajuda de alguém competente é a melhor maneira de nos capacitarmos para novas tarefas e situações. Isso nos ajudará a vencer o medo da novidade.

A outra atitude é ter a esperança de acreditar que o novo será melhor. A esperança é essencial para a vida, pois sem ela nosso ímpeto de viver desaparece. Caso não consigamos responder por que viver vale a pena, há grande probabilidade de entrarmos em depressão. De muitas formas, a vida é mesmo uma luta e tem muitos momentos difíceis. Tomar nossas vidas em nossas mãos, deixando de ser “vítimas do destino” e nos assumirmos como agentes de nós mesmos é o caminho mais direto para reinventá-la e melhorá-la dia a dia.

Em geral somos melhores do que imaginamos ser. É comum que as críticas que ouvimos em alguns momentos de nossas vidas tenham feito alguns estragos em nossa autoestima. Mas nossa capacidade humana de ter fé em nós mesmo e ter esperança em que vamos melhorar, faz toda a diferença. Manter a mente aberta às novas oportunidades e ter coragem para desfazer-se de coisas velhas e obsoletas é o um bom caminho para uma vida melhor e mais produtiva. Não tenha medo de se livrar de “sua vaquinha” e aproveite cada dia de sua vida.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Tempos de Primavera – por Celso Tracco

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No hemisfério sul, entre os dias 22 e 23 de setembro, tem início a primavera, a estação das flores. No Brasil, no dia 21 de setembro comemoramos o Dia da Árvore. A data foi instituída e oficializada em 1965, porém deste os primórdios do século XX tem-se notícias de festas populares, em São Paulo, celebrando o início da primavera e o dia da Árvore.

Com uma certa dose de saudade, lembro dos bons tempos de minha infância que nesse dia sempre alguma pessoa de destaque na comunidade, uma professora ou o diretor da escola, pública obviamente, plantava ainda que simbolicamente, uma pequena muda que com o tempo iria se transformar, em uma grande árvore. Ela iria crescer forte e silenciosamente, traria sombra, abrigo e alimento para outras espécies animais. Os alunos eram incentivados a cuidar, proteger as pequenas árvores. Hoje esses gestos continuam a ser louváveis e necessários, a grande maioria das prefeituras estimula o plantio de arvores, mas já não bastam. Em geral nossas cidades são cinza pelo concreto dos edifícios, quase não deixamos espaço para as pobres árvores, que para crescer, tem de se espremer entre muralhas de cimento. Não podemos nos dar ao luxo de falar poeticamente da importância de se preservar o verde.  O tema atualmente não é “apenas” a preservação do verde, mas muito mais ampliado. Precisamos falar de ecologia.

Ecologia, palavra derivada do grego que, numa tradução livre, significa estudo da casa. Assim podemos definir como estudo da casa, ou de modo mais genérico como o cuidado do lugar onde se vive. A ecologia está ligada ao estudo da vida, da casa da humanidade, do nosso planeta Terra.

Estamos cuidando bem de nossa casa? Estamos nos importando com aquilo que a mãe natureza nos proporcionou, graciosamente, para vivermos? Qual é a sua opinião. Para mim, parece claro que estamos sendo relapsos e desleixados com a nossa casa.

Senão vejamos: qual é situação dos rios e riachos que atravessam nossa cidade? Estão límpidos e podemos beber de suas águas, sem medo? Temos cuidado e consciência do lixo, orgânico e inorgânico que produzimos? De seu descarte adequado? Seu município tem ecopontos? Você sabe onde ficam? Já utilizou? Quando você se alimenta na rua, você tem o cuidado de descartar, adequadamente os resíduos produzidos, por sua ação? Ou simplesmente deixa na calçada, ou pior em algum bueiro?

 Estamos vivendo como se a destruição de nossa casa não nos afetasse. Sujamos o ar, a água, o solo, com uma enorme quantidade de lixo.  Qual é a herança que queremos deixar para nossos filhos e netos? Afinal eles não terão outro lar para viver.

O que podemos fazer? Primeiro devemos tomar consciência de nossos deveres e responsabilidades. Gastar menos recursos naturais, produzir menos poluição, reciclar, reutilizar o que for possível. Devemos incentivar e apoiar todas as iniciativas para despoluir nossas águas, mar, lagoas, lagos, rios e ribeirões. Devemos reciclar nosso lixo, quer seja industrial ou doméstico. Devemos procurar comprar produtos que verdadeiramente são amigos do meio-ambiente. Devemos nos reeducar para sermos parte da solução, uma vez que já somos parte do problema. Nossa casa comum está gritando por ajuda. Vamos cuidar dela o melhor possível. Afinal quem não gosta de morar em uma casa limpa, bem cheirosa, bonita e agradável? Conservar o meio ambiente e a natureza é conservar a vida, a nossa vida. Não é uma opção, é uma necessidade. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Ser político – por Celso Tracco

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A palavra política vem do grego politikós e tem como origem o termo polis, o qual podemos traduzir por comunidade/agrupamento de pessoas. Portanto toda pessoa que vive em comunidade e se interessa pelas coisas públicas desta comunidade, é, por definição, um ser político.

A manifestação política de todos os habitantes de uma comunidade, de uma cidade, estado, região ou país deveria ser frequente e contínua. Dentro de um sistema político democrático, esta prática é assegurada pelas eleições regulares e constitucionais, nas quais legítimos representantes do povo são eleitos para exercerem seus mandatos nos poderes executivo e legislativo.

Entretanto, se lançarmos um olhar mais criterioso para a história de nosso país, facilmente verificamos que a efetiva participação política de nosso povo é mínima. Podemos enumerar várias razões que justificam esse desinteresse, tais como: imposições de vontades autoritárias e absolutistas, baixa escolaridade da população, centralização e concentração do poder em mãos de pequenos grupos familiares, uma sociedade elitizada, baixíssima experiência democrática com uma sucessão de golpes e tentativas de golpes de estado.

Sem dúvida, os fatores citados acima, além de reiterados e contínuos casos de corrupção, trouxeram ao longo do tempo, a percepção de que o exercer político, em especial a política partidária, é um mal social. O povo não confia nos representantes que ele próprio elegeu. Uma tragédia. Tem-se a sensação de que os partidos políticos apenas agem de acordo com os seus próprios objetivos, ou dos objetivos pessoais de seus dirigentes. Eles não estão preocupados em promover o bem-estar dos seus eleitores. Deste modo o povo em geral, não se interessa em sequer debater sobre política. Há um sentimento de inutilidade e até de desprezo, quando se fala sobre política partidária.

Mas, a não participação dos eleitores na política, em que pesem as várias restrições sistêmicas e estruturais, é um grave erro da sociedade brasileira. Temos o dever de participar, cobrar e fiscalizar o trabalho dos eleitos. Nossa recente experiência democrática tem apenas 35 anos, e parece que já estamos cansados e desiludidos com a prática democrática. Continuamos aguardando um “salvador da pátria”, alguém que resolva de imediato, todos os problemas estruturais acumulados em séculos de nossa história. Não vai acontecer. Apenas a livre, plural e democrática manifestação de todos os segmentos de uma comunidade irá aprimorar e solidificar as instituições políticas, evitando o personalismo anacrônico e nefasto em que ainda vivemos. Uma sociedade só será forte, segura, próspera, se a maioria de seus integrantes forem conscientemente participantes ativos, trabalhando para o bem comum.

Pode parecer utópico, mas encaremos a utopia como algo muito difícil, mas possível de ser realizado. Se não trabalharmos duramente, nada irá mudar, e a sensação real de uma classe política inepta, corrupta, servil aos seus próprios interesses só irá aumentar. A manifestação política dos cidadãos, através das inúmeras entidades da sociedade civil requer muita abnegação, mudança de hábitos, de posturas e certamente sacrifícios, mas ainda assim, será o melhor caminho para construirmos uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária e humanizada para todos. Exercite sua cidadania, faz bem e não tem contra indicação.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A janela quebrada – por Celso Tracco

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A teoria da janela quebrada foi apresentada em 1982 nos Estados Unidos e estabelece uma relação de causalidade entre a desordem e a criminalidade. Os autores James Wilson e George Kelling demonstraram que, em uma casa desprotegida, se alguém arremessa uma pedra e quebra os vidros de uma janela e eles não são repostos imediatamente, aquela casa passa a ser considerada abandonada e será vandalizada. Mais ainda, os estudos mostraram que não existe uma grande diferença referente a vandalismo em bairros pobres e bairros ricos. Um carro abandonado em um bairro rico com uma janela quebrada também foi depenado rapidamente.

Em resumo a teoria procura provar que a população tende a respeitar o que está bem cuidado e que funciona. No entanto se algo está abandonado, sujo, sem alguém tomando conta, o bem imóvel, seja privado ou público, não é respeitado e pequenos delitos começam a ser cometidos: vandalismo, invasões, aglomeração de usuários de drogas. Porém, os delinquentes geralmente, começam pelos pequenos delitos e, sentindo que há impunidade, podem ir avançando para delitos mais graves.  

Uso dessa teoria para uma reflexão: como está a “janela quebrada” em seu bairro, em sua cidade? Sendo mais específico, como são cuidadas as escolas municipais?

Cientistas políticos e sociais, são unanimes em afirmar que a educação escolar é a base de tudo. Sem um povo minimamente escolarizado nada dará certo: a mão de obra não será qualificada, não haverá o hábito de leitura, haverá maior agressividade, menor interesse em um aprendizado constante. Então, pergunto: estamos cuidando bem de nossas “janelas escolares”?

Atenção! Apesar da prioridade pelo cuidado e manutenção do equipamento público ser do governo municipal, a fiscalização deveria ser de todos os usuários. Lembre-se que qualquer equipamento público é construído e mantido com o dinheiro de impostos, portanto pertence à comunidade e também cabe a ela preservar.

Cansamos de ver na internet como são organizadas as escolas desde o básico, nos países mais desenvolvidos. As crianças antes de aprenderem as matérias tradicionais, aprendem a ter respeito! Respeito pelos funcionários, pelos professores, pelos seus colegas, pela escola. E aprendem, não com teoria de qualquer gênero, mas praticando. Aos alunos cabe a limpeza da escola, da sala de aula, dos banheiros, de manter a ordem. A alimentação é comum para todos: alunos, professores e funcionários, aprende-se que não pode haver diferenças. Os alunos mais antigos recepcionam os mais novos, mostrando como funciona a escola.

Em uma palavra a escola pertence a eles e cabe a eles cuidarem da escola. Quanta diferença para nós! Veja como está o chão no entorno de qualquer escola de seu bairro. Bem limpo ou cheio de restos de embalagens de comida e de refrigerantes? O que os pais dos alunos conhecem da escola? Os banheiros são higienizados, limpos, torneiras funcionando, toalhas de papel, lixeiras adequadas? Pais e responsáveis devem participar de reuniões que ocorrem durante o ano letivo.

A responsabilidade também é da comunidade. Inclusive no Brasil há vários exemplos de escolas públicas que foram assumidas pela comunidade, em bairros pobres e violentos. Com diálogo, disciplina e respeitando a dignidade dos alunos, a situação caótica mudou e eles responderam positivamente. Se não agimos com dignidade, respeito, educação e disciplina com uma criança, teremos a grande chance de ter um adolescente revoltado, alienado e agressivo.

Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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É possível um mundo melhor? – por Celso Tracco

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Sempre é tempo de refletir sobre o passado e, quem sabe, projetar algumas metas para o futuro. Este pequeno artigo trata sobre isso. Sou economista de formação, teólogo de vocação, escritor por aptidão e aposentado por imposição. Evidentemente não penso mais em construir empresas ou comprar um barco ou um sítio. Depois de uma certa idade, o consumo de supérfluos já não me satisfaz. Assim minhas metas tendem a ser muito mais acadêmicas, ou se desejarem, mais filosóficas e menos mundanas. Ok, chega de introdução e vamos ao que importa.

Tenho a impressão de que a sociedade atual está perdida, sem rumo, completamente desconectada das realidades estruturais que eram ou deveriam ser a base para uma convivência ordeira, pacífica, harmoniosa, solidária, civilizada, autossustentável, entre os chamados seres humanos. Nada mais equivocado, pois sentimentos e comportamentos negativos como: ambição, poder desmedido, traições, oportunismo, manipulações, roubos, balanços maquiados, desvios de dinheiro público, são escancarados e acontecem em todo lugar deste país, de manhã, de tarde e de noite. Vivemos em uma sociedade na qual o crime é organizado, mas o governo, a polícia e justiça, aparentemente, são desorganizados. Gastaria milhões de páginas para descrever tudo que há de ruim por aqui. E pior, fora do Brasil a coisa também não vai bem. Guerras que não terminam, terrorismo, centenas de milhões de pessoas passando fome, refugiados políticos e econômicos, enchentes violentas, secas duradouras, aquecimento global. Enfim, se pudesse mudaria de planeta. Poderão pensar: você está muito pessimista. Respondo com a frase de um poeta: “todo pessimista é um chato, todo otimista é um tolo, eu me considero um realista esperançoso”. Com essa esperança realista, descrevo abaixo cinco ações que seguirei adotando, visando um mundo melhor. PRIMEIRO, serei um cidadão de boa vontade, tolerante, resiliente com tudo o que acontecer ao meu redor. Que eu seja um instrumento de paz em uma sociedade em constante discórdia. Não se combate violência com mais violência, devemos abaixar a “temperatura” de qualquer discussão. Paz, tolerância e equilíbrio sempre, jamais raiva, revolta, intranquilidade. SEGUNDO que eu olhe mais para as necessidades do outro, do que para as minhas. Sempre é possível ajudar quem necessita, seja com recursos, doações, seja disponibilizando seu tempo, ouvindo ou ensinado algo. Não quero que morra comigo toda uma experiência acumulada durante décadas. TERCEIRO, ser grato pela vida que tenho e ainda produzir algo de bom para mim e para a sociedade. Ser gentil é uma benção divina, devo retribuir todo gesto agressivo que porventura vier em minha direção, com um gesto de paz e quem sabe de ternura. Gratidão sempre gera um ambiente de harmonia aos envolvidos. A sociedade precisa de paz, compreensão, atenção, gentilezas. QUARTO, propagar a esperança em melhores dias, por mais difícil que a vida possa parecer, não devemos desanimar. Aceitar uma derrota é um sinal de sabedoria, mas devemos curar nossas feridas e seguir lutando pelos nossos valores e princípios. Desistir jamais, lembre-se que um bom discurso comove, mas um testemunho arrasta. QUINTO, ser atuante nas comunidades que frequento. Devo participar, nos meus ecossistemas, no trabalho, lazer, família, grupo de bairro, igreja, clube. Vivemos cada vez mais isolados, “conversando” via internet, mas desconectados de nossa realidade existencial. Somos seres gregários, comunitários, precisamos uns dos outros, precisamos conhecer as dificuldades de nossos colegas de trabalho, de fé, parceiros e amigos. Assim como eles precisam saber das nossas dificuldades e ansiedades. Estas práticas geram uma confiança mútua e ajudam a criar uma importante rede proteção para todos os envolvidos.

Tornar um hábito essas cinco ações, depende apenas de mim mesmo, do meu comportamento, do meu modo de encarar o mundo e são fruto do meu livre arbítrio. Talvez o mundo não fique melhor, nem a sociedade brasileira se torne mais solidária e participativa; tampouco nossos governantes se tornarão mais honestos e farão leis que privilegiem realmente o povo; a Justiça, ou parte dela, continuará “vendendo” sentenças, a (in)segurança pública não protegerá o cidadão de bem. Pode ser que nada mude ou até mude para pior, mas eu estarei melhor comigo mesmo, em paz com meu espírito, porque dentro das minhas limitações terei dado o melhor de mim, comunitariamente. Minha consciência estará tranquila, pois eu terei cumprido o meu papel de cidadão.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Voluntariado. Uma sociedade em transformação – por Celso Tracco

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A vida está muito agitada, corrida, estressante. Daqui a pouco já é dezembro de novo. Parece que não sobra tempo para mais nada, não é verdade? Tendo a discordar! Sempre existe a possibilidade de enxergarmos novos horizontes, e entre tantas possibilidades pode-se até pensar em ajudar o próximo, sendo um(a) voluntário (a) em alguma ação social. Ser voluntário pode, inclusive, abrir muitas portas, pois é um trabalho temporário que não deixa de ser uma fonte de novos aprendizados.

Ajudar os menos favorecidos, ainda mais de forma desinteressada, fará muito bem a quem recebe, mas fará muito mais para quem está doando, seu tempo, seu conhecimento, suas habilidades. Pode até ajudar o /a voluntário (a) a encontrar um sentido, digamos, mais elevado na sua vida. Fazer o bem ao próximo, faz bem à alma, no sentido mais elevado do termo. Ajuda a refletir o que realmente é essencial em nossa vida. O voluntariado permite que cada participante receba, individualmente, pela sua própria percepção, lições de vida que jamais teria em outro lugar.

Há quatro pontos fundamentais em qualquer atividade de voluntariado:

  • O respeito à dignidade humana. Tratar o outro como ser humano, como seu semelhante, respeitando de forma integral a dignidade de sua vida, não importando classe social, ou intelectualidade, os fatores psicológicos opção religiosa. Ele ou ela é um ser humano, valorizo a pessoa em si, apenas isso.
  • A solidariedade. Ajudar a quem precisa, podendo ser de forma material, espiritual, apenas ouvir, aconselhar, cuidar, auxiliar, ensinar, servir, aprender. Sempre vai depender da necessidade de cada um. Trabalho não vai faltar nesta sociedade carente de compaixão e com exemplos de desumanidade diária. “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana” – Franz Kafka
  • A subsidiariedade. O trabalho do voluntário pode levar a valores que transformam a vida da pessoa assistida. Como um elo de uma corrente de solidariedade, ela pode se tornar um sujeito de uma nova ação e não apenas ser o receptor. A onda produzida por se fazer o bem, torna-se duradoura e transformadora da realidade.
  • O bem comum. O voluntariado tem a possibilidade de transcender a ação em si. Ele pode alavancar o bem para aqueles que estão à sua volta: sua família, amigos, colegas de trabalho, companheiros de lazer. Fazer o bem, compreendendo o outro, passa a ser um hábito. E isto é transformador em um mundo tão necessitado de amor.

O voluntariado pode ir muito além de uma doação de seu tempo, pode ser uma verdadeira transformação de seu entorno. A chave para isso é o amor, traduzido em gentileza, carinho e doação, sem esperar nada em troca sem esperar recompensas. Não acredita? Tente! Afinal não há nada a perder, apenas uma pequenina parte do seu tempo. E tem muito a ganhar! Não há felicidade maior que um sorriso aberto de uma criança, ou um abraço apertado de um idoso. São gestos na vida que valem muito mais do que qualquer dinheiro. Pessoalmente, trabalhei em vários projetos sociais como voluntário, sinceramente, foi um enorme aprendizado. 28 de agosto é o Dia Nacional do Voluntariado. Se você já é voluntário, parabéns. Escreva para nós, contando sua experiência. Se ainda não é voluntário (a), não perca tempo, seja. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Esperança ou Colapso? – por Celso Tracco

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Constantemente ecoam notícias que estamos próximos do “fim do mundo”. Profecias (falsas, na minha opinião) de todos os cantos do planeta, dão conta que o mundo vai acabar em tal data. Videntes anunciam o apocalipse nas redes sociais de tempos em tempos. Deixando de lado essas bizarrices, várias análises, baseadas em dados científicos, preveem o colapso da atual forma de vida no planeta Terra, caso a humanidade não mude alguns hábitos. Exemplos:

A mudança climática já está gerando eventos extremos em todo planeta. Chuvas torrenciais em todos os continentes, períodos de seca e de calor escaldante constante, temperatura mais elevada nos oceanos, derretimento das geleiras e da cobertura polar, desaparecimento de lagos e rios, ameaça de aumento do nível do mar causando o desaparecimento de países insulares. A mudança climática também pode extinguir a cultura de alimentos amplamente consumidos em nosso dia a dia.

O mundo está assistindo inúmeros conflitos e guerras declaradas na Europa, Oriente Médio, África e Sudeste da Ásia, e sempre surgem no horizonte ameaças do uso de armas nucleares, o que seria realmente catastrófico para humanidade.

O crime organizado que se tornou uma empresa multinacional. Tráfico de drogas em submarinos, uso de aviões próprios, troca de malas com cocaína e outros entorpecentes em aeroportos importantes, tráfico de qualquer tipo de armamento, ameaçam a paz diariamente.

Além das ações cada vez mais violentas e letais, ainda temos decisões políticas que não contribuem com a vida e matam em silêncio. Os governantes da grande maioria dos países, cortam investimentos nas áreas de educação, saúde, saneamento básico, transportes, moradias populares, mas investem em armamentos, novos contingentes policiais, novos aparelhos de vigilância que visam combater a violência urbana, sempre com mais violência ostensiva. Não combatem efetivamente as causas da violência, como o tráfico de armas, de drogas, de dinheiro ilícito. Neste confronto urbano vemos que muitos inocentes, adultos e crianças, morrem ou são feridos por balas “perdidas”. Uma tragédia que infelizmente a sociedade está normalizando. Vemos vários países que constroem ou estão projetando construir muros em suas fronteiras, um grande crescimento da xenofobia, que só irá gerar mais violência. As cenas de milhares de inocentes famintos, que alguém poderoso decidiu impedir de terem acesso a alimentos, deveria constranger e envergonhar qualquer ser humano. São contínuos os aumentos de mortes e perseguições por intolerância religiosa, por motivos ideológicos e por questões econômicas.

Sim a situação geral parece ser muito desanimadora. O que fazer? Sentar e aceitar em contemplação passiva todos os desmandos gerados pela irracionalidade humana, ou manifestar-se em favor de uma cultura de paz, fraternidade e solidariedade?

Quero ser otimista, mesmo que pareça utópico. Creio que a solução está na própria humanidade, pois o ser humano é a única espécie viva no planeta que tem a capacidade de discernir e agir para, pelo menos, tentar evitar o caos. A pergunta novamente é: a humanidade quer se unir de fato, e salvar o planeta ou continuar a expor características como:  arrogância, soberba, prepotência, egocentrismo e continuar indiferente, pensando apenas em si e não na coletividade? Não me atrevo a prever o futuro, apenas penso que temos o poder de torná-lo melhor do que se apresenta hoje. Depende apenas de nós, do nosso comportamento e de nossas atitudes perante a sociedade, seus problemas e seus governantes. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Fazer o bem, sempre! – por Celso Tracco

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A humanidade é, dentre todas as espécies que já habitaram a Terra ao longo de seus bilhões de anos de existência, a que possui o maior poder de destruição. E não estou me referindo apenas ao vasto e diversificado arsenal de armamentos militares que existem em muitos países ao redor do planeta. Me refiro à própria índole do ser humano, maldosa por natureza.

Como é possível que alguém, diante de uma tragédia ambiental, se aproveite da situação para roubar e saquear propriedades desprotegidas, ou desviar recursos e doações destinados à população atingida? É verdade que em geral, frente a uma calamidade, se forma uma imensa corrente de solidariedade: órgãos oficiais, ONGs, igrejas, clubes, comunidades, e até mesmo cidadãos comuns, tornam-se voluntários doando seu tempo e suas habilidades, às vezes até arriscando suas vidas em favor de pessoas que nem conhecem. No entanto, o mal persiste em ofuscar o bem. Como explicar que milhares de pessoas, muitas delas idosas, se recusem a deixar suas casas, pequenos comércios e armazéns por medo de serem saqueadas? Para mim, isso reflete a degradação máxima do ser humano.

Aqueles que agem dessa maneira não têm caráter algum e são ainda piores do que os animais ditos irracionais, pois estes não atacam, roubam ou matam deliberadamente sua própria espécie. Sinceramente, sinto-me indignado como ser humano e, indo contra todas as minhas crenças, penso que aqueles que abusam dos que já perderam praticamente tudo, não merecem fazer parte da comunidade e não merecem uma segunda chance. Infelizmente, muitos dos que praticam esses atos, são pessoas comuns, homens e mulheres que não têm o roubo como meio de vida.

Essas pessoas não se manifestam apenas em grandes catástrofes, mas também episodicamente no cotidiano. Todos nós já testemunhamos acidentes rodoviários envolvendo carretas que transportam alimentos, eletrônicos ou qualquer outro bem de valor. Dezenas de pessoas comuns surgem do nada, como um cardume de piranhas atacando um animal ferido e indefeso, dilacerando-o até a morte. A carga da carreta acidentada é saqueada em questão de minutos, e nem se preocupam em saber se alguém ficou ferido devido ao acidente. Como chegamos a esse estado de barbárie?

Será a desumanidade de viver em cidades gigantescas, onde tudo é difícil e precário para a maioria de seus habitantes? Será a impunidade que assola este país há séculos? Será o inconsciente coletivo, onde pensamos que se eu não roubo, outros vão roubar, e chega de sermos ingênuos? Ou será porque não temos em nossa cultura a formação adequada de valores verdadeiramente humanos? Afinal, tenho certeza de que a imensa maioria das pessoas com mais de 10 anos sabe que roubar algo ou alguém não é correto, talvez não saibam que é um crime, mas sabem que é errado. Não devemos amenizar a punição para quem comete esse tipo de delito.

Acredito que estamos chegando a um ponto de não retorno. Ou retomamos o caminho de uma cultura de paz, solidariedade, responsabilidade social e convivência pacífica e ordeira, onde os livros devem ser mais acessíveis do que as armas e onde a comunicação seja baseada em princípios éticos e não em desinformação. Ou então vai prevalecer a lei do mais forte, a barbárie, a selvageria e a total desumanidade. A ausência de qualquer tipo de lei ou ordem, se tornará mais um novo normal. Alguns desses cenários, infelizmente, já estão fazendo parte do nosso cotidiano. Ainda assim, sinceramente, aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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