Prioridades Humanas

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Estamos a menos de dois meses de mais uma eleição. Em outubro vamos eleger Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. O resultado desta eleição popular, irá influenciar a vida de todos os brasileiros pelos próximos 4 anos. Penso que as prioridades, de qualquer plano de governo, devem ser nas áreas da Educação e da Saúde. Fundamentais para o desenvolvimento do Brasil não apenas pela visão da tecnocracia, mas, e principalmente, por serem uma necessidade humana, social e econômica que influenciará o futuro do país. Investir nessas áreas significa investir na própria capacidade do Brasil de garantir dignidade, competitividade e bem-estar para sua população. Este artigo reflete sobre esta importância sob uma perspectiva humanista, social e econômica.

A visão humanista coloca o ser humano no centro das políticas públicas. Sob essa perspectiva, Educação e Saúde não são apenas serviços: são direitos fundamentais permitindo que cada pessoa desenvolva todo o seu potencial, dignamente. A Educação amplia horizontes, possibilita novos conhecimentos, fortalece a autonomia, enseja novas e constantes reflexões, permite que indivíduos compreendam e transformem o mundo ao seu redor. A Saúde assegura aos cidadãos condições físicas e mentais para viver plenamente, trabalhar, estudar e participar da vida comunitária. Sem esses dois pilares, a promessa de cidadania plena se torna incompleta. Um país que negligencia Educação e Saúde públicas compromete a própria humanidade de seu povo. Infelizmente essa negligência é recorrente em nosso país, pois o orçamento público para Educação e Saúde, sempre é alvo de cortes.

Investir nessas áreas é uma estratégia de fortalecimento social. A Educação pública de qualidade reduz desigualdades, rompe ciclos de pobreza e amplia oportunidades reais de ascensão social. Ela cria ambientes seguros, comunidades engajadas e cidadãos mais preparados para participar da vida democrática. Do ponto de vista meramente econômico, o investimento em Educação pública é um dos mais rentáveis que um país pode fazer, pois: aumenta a produtividade da mão-de-obra; estimula a inovação e a capacidade tecnológica; atrai investimentos internacionais; reduz custos com desemprego, violência e assistência social. O investimento consistente em Educação pública produz ganhos econômicos duradouros, construindo uma base sólida de capital humano.

A Saúde pública, por sua vez, promove equidade ao garantir que todos, independentemente de renda, etnia, gênero ou região, tenham acesso a cuidados essenciais. Sistemas de saúde funcionais reduzem mortalidade infantil, ampliam expectativa de vida e fortalecem a coesão social ao diminuir disparidades regionais e socioeconômicas. Sabidamente, trabalhadores saudáveis produzem mais, faltam menos e permanecem ativos por mais tempo; um sistema de Saúde pública eficiente reduz gastos públicos com doenças evitáveis, fortalece a economia ao evitar crises sanitárias que paralisam setores inteiros, como ocorreu durante a pandemia.

Sem dúvida o Brasil enfrenta desafios históricos: desigualdade social, péssima distribuição de renda, disparidades regionais, infraestrutura insuficiente, mas também possui grandes oportunidades: um sistema de Saúde pública robusto, o SUS, que é uma referência internacional; uma rede educacional ampla que, com os investimentos adequados, podem elevar o país a novos patamares de desenvolvimento.

A decisão de investir em Educação e Saúde públicas é urgentíssima. Sob uma perspectiva humanista, é reconhecer o valor intrínseco de cada cidadão / cidadã. Sob uma perspectiva social, é construir um país mais justo e igualitário. Sob uma perspectiva econômica, é garantir crescimento sustentável para todas as classes sociais, e não apenas para os privilegiados. Portanto, quando Educação e Saúde avançam juntas, a sociedade se torna mais igualitária, integrada, resiliente, mais humanizada.

O Brasil só alcançará seu potencial pleno quando colocar o ser humano no centro de suas prioridades, e isso começa com uma Educação e Saúde públicas fortes, acessíveis e de qualidade. Pense nisso quando for eleger seus representantes.

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Eventos climáticos extremos. Tragédia anunciada

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As previsões climáticas, feitas por cientistas há alguns anos, muitas vezes foram consideradas alarmistas por governantes negacionistas, autoritários e desinteressados no bem-estar de suas populações. No entanto, aquelas previsões, deixaram de ser um alerta distante para se tornarem uma realidade concreta que aterroriza o cotidiano das sociedades contemporâneas. O aumento da temperatura média global, impulsionado principalmente pela emissão de gases de efeito estufa, a queima de combustíveis fósseis, o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, intensificam a frequência e a severidade de eventos climáticos extremos. Ondas de calor, rios outrora caudalosos secando, incêndios florestais sem controle, enchentes devastadoras, ciclones, tornados, tufões, fortes tempestades com vendavais de alto poder de destruição, são cada vez mais frequentes em todos os continentes. Estes eventos estão se tornando parte de um novo padrão climático que destrói infraestruturas, urbanas e rurais, desaloja milhares de pessoas e mostra o despreparo de muitos países para enfrentar as variações climáticas.

As consequências dessa tragédia anunciada são muitas:

– Na Europa estamos vendo que cidades densamente povoadas enfrentam temperaturas altíssimas, ampliando riscos de mortalidade, sobrecarga energética, colapso nos serviços de saúde. As construções não estão preparadas para enfrentar um calor intenso e contínuo.

– Secas prolongadas produzem uma escassez hídrica que afeta diretamente a produção agrícola, a segurança alimentar e o abastecimento de água, especialmente em países com infraestrutura limitada.

– Chuvas intensas e localizadas provocam inundações que devastam comunidades, destruindo moradias, estradas, infraestrutura urbana, hospitais, aeroportos, como aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2024.

– Incêndios florestais em todos os continentes são a cada ano mais frequentes, intensos e devastadores com impactos ambientais e sociais profundos.

Recordes de temperatura são superados, constantemente, em várias partes da Europa. Tornados ou ciclones já são comuns no sul e sudeste do Brasil. O grau de devastação desses fenômenos é cada vez mais devastador.

As mudanças climáticas, não se restringem apenas ao clima, pois trazem profundas consequências socioeconômicas, que só tendem, infelizmente, a piorar as desigualdades sociais que o mundo já conhece. Algumas consequências socioeconômicas, derivadas das mudanças climáticas:

– As populações vulneráveis tendem a ser as mais atingidas. Comunidades pobres, moradores de áreas periféricas, de encosta, ribeirinhas, povos indígenas e populações rurais enfrentam maior exposição aos riscos e menor capacidade de adaptação. A falta de infraestrutura adequada, como saneamento, moradia segura, acesso à saúde, transforma os eventos extremos em tragédias humanitárias.

– A perda de terras agricultáveis, enchentes recorrentes e desastres naturais forçam deslocamentos internos da população. Estima-se que milhões de pessoas se tornarão refugiadas climáticas nas próximas décadas, pressionando sistemas urbanos e políticas públicas.

– Impactos na saúde pública, pois ondas de calor aumentam casos de desidratação e doenças cardiovasculares; enchentes ampliam a proliferação de doenças transmitidas pela água; queimadas afetam a qualidade do ar e elevam problemas respiratórios.

– Prováveis desafios econômicos, podem acontecer em setores como agricultura, pesca, turismo e energia.

Caso nada seja feito, a instabilidade climática pode gerar perdas financeiras, desemprego e aumento do custo de vida, perda de qualidade de vida, e que certamente atingirá a população mais vulnerável. A resposta aos eventos extremos exige planejamento, investimento e coordenação entre governos, empresas e sociedade civil.

As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios da humanidade. Podemos imaginar que os eventos extremos fazem parte de um processo complexo que redefine relações sociais, econômicas e ambientais. A forma como as políticas públicas responderão a essa crise climática determinará não apenas a qualidade de vida das gerações atuais, mas também o futuro das próximas. A crise climática já está instalada. Ela não é apenas ambiental, é social, econômica e ética. E exige ação imediata.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil

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Dia dos Pais – Mais do que uma data, uma referência

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O Dia dos Pais, no Brasil, comemorado no 2° domingo de agosto, deve ser visto como algo além de uma simples data. É uma ótima oportunidade para refletir com carinho sobre as relações que moldam nossa existência. Lembrar os gestos, atitudes, cheiros, olhares que nos acompanham desde a infância e os vínculos que continuam a se reinventar ao longo de toda a vida. Celebrar os pais é, antes de tudo, celebrar a sua presença, física daqueles que ainda estão entre nós, ou fazer um memorial daqueles que já se foram. Sempre é construtivo e educador reconhecer os grandes desafios, as incontroláveis ausências, as penosas reconstruções, que são inerentes à paternidade. Ser pai exige um esforço contínuo, em uma sociedade que está em constante mudança.

O pai não deve ser visto apenas como um ser provedor. A sociedade atual, finalmente começa a compreender que a plenitude da paternidade está no amor, na presença afetiva diária com as suas crianças, não importa a idade que tenham. A verdadeira paternidade se manifesta no abraço que acalma, na conversa que orienta, na escuta que acolhe. Pais que participam, que se envolvem, que se permitem aprender com seus filhos, ajudam a desenvolver adultos mais seguros, empáticos e conscientes. Não esperem que essa presença seja perfeita, longe disso. A paternidade afetuosa não exige perfeição, exige disponibilidade, humildade, humanidade. Exige amor.

Na sociedade atual, o conceito de pai se expande. Temos pais biológicos, adotivos, pais que são mães, mães que exercem o papel de pai, avôs que cumprem uma nova jornada, tios que se tornam referência, padrastos que constroem vínculos profundos com seus enteados, pais solo que enfrentam trabalhos dobrados. Pais que formam famílias que se reinventam com amor, dedicação, carinho com o objetivo de dar o melhor acolhimento a um ser humano que ainda está em formação e prepará-lo da melhor forma possível para um mundo não claramente acolhedor. Cada forma de paternidade carrega sua beleza e seus desafios. E todas merecem ser reconhecidas.

A paternidade ativa, participativa, acolhedora não deve ser vista apenas como um gesto individual, mas sim como uma mudança social. Vários estudos mostram que crianças com figuras paternas afetivas tendem a ter melhor desempenho escolar, maior estabilidade emocional e relações mais saudáveis na vida adulta. Além disso, pais envolvidos contribuem para a redução da desigualdade de gênero e evitam o desenvolvimento de preconceitos. Dividir responsabilidades fortalece a ideia de que o cuidado com os demais, é um valor humano, não uma obrigação feminina.

O Dia dos Pais, traz um turbilhão de emoções: de memória, de saudades, de reconciliação, de reconhecimento, de muitos afetos depois de períodos difíceis. Principalmente deve ser um dia de gratidão pelos conselhos, pelas críticas, pelos sacrifícios silenciosos, pelos gestos, pelas decisões difíceis e não compreendidas, pelo que, infelizmente, teve que ser negado. Mas, também é dia de celebrar o futuro. É incentivar novas gerações a exercerem uma paternidade mais consciente, mais afetiva, mais igualitária, mais solidária. É reconhecer que ser pai é aprender todos os dias de sua vida, e que esse aprendizado transforma não apenas a vida dos filhos, mas também a vida dos próprios pais.

Que neste Dia dos Pais, possamos reconhecer e respeitar todas as formas de paternidade. Que possamos proclamar que ser pai é um imenso ato de amor, mas também de grande responsabilidade social. E que cada gesto de cuidado, por menor que pareça, ajuda a construir um mundo mais humano.

Desejo a todos, do fundo do meu coração, um FELIZ e ABENÇOADO DIA dos PAIS.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Restringir o acesso às Redes Sociais. É suficiente? – por Celso Tracco

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As redes sociais já fazem parte da nossa vida cotidiana. Digitalizar virou um hábito. Assim como amar, comer, beber, andar, correr, jogar, gastar, economizar, observar, participar e por aí vai. É fácil listar um sem-número de verbos que significam uma atividade a qual optamos ou não, praticar. De algumas atividades podemos gostar tanto que, mais do que um hábito, viram um vício. O praticante pode se tornar escravo ou escrava daquela atividade. Penso ser o pior tipo de escravidão, pois a pessoa se torna escrava, pela sua própria vontade. Como o tempo pode-se desenvolver uma idolatria pelos vícios preferidos. Sem controle, o usuário (a) pode matar ou morrer pelos seus ídolos. Rompida a barreira da razão, dos bons princípios de convivência, do equilíbrio que sustenta o discernimento, tudo pode acontecer. Apenas como um exemplo comum: a bebida alcoólica, desde a antiguidade faz parte das celebrações da sociedade humana. Festas, conquistas, celebrações, casamentos, em geral são comemorados com bebidas alcoólicas. No entanto se a pessoa se torna dependente da bebida, uma droga lícita, ela não só está pondo sua vida em risco, como pode, indiretamente, ameaçar a vida de outras pessoas. É razoável pensar que a venda e o uso de bebida alcoólica devem ter algum tipo de restrição.

No caso das redes sociais, o ponto central é que o ambiente digital, tal como está estruturado hoje, expõe o usuário a riscos psicológicos, sociais e de segurança, tanto que vários países já começaram a impor proibições e limites de uso. Pesquisas tem mostrado queo uso prolongado de redes sociais está associado à ansiedade, depressão, baixa autoestima e sensação de inadequação. Plataformas com rolagem infinita, notificações constantes e vídeos automáticos são projetadas para manter o usuário conectado por longos períodos, criando dependência comportamental e afetando a saúde mental. Passar mais de 30 horas por semana em dispositivos digitais, comprovadamente afeta o sono, a concentração e o desempenho escolar. Principalmente entre os jovens, o cuidado deve ser redobrado.  

Os conteúdos a que os jovens podem estar expostos não são virtuosos, pelo contrário são violentos ou sexualizados, “fake news”, padrões irreais de beleza, grupos que incentivam autolesão ou comportamentos de risco. Organismos internacionais afirmam que algoritmos incentivam o uso contínuo, criando dependência semelhante à observada em jogos de azar, comprometendo a segurança dos menores e adolescentes. E, efetivamente, não existem restrições ao acesso digital.

O problema é tão grave que alguns países, como Austrália, França, Reino Unido, Indonésia já implementaram restrições de uso das redes sociais para menores de 15 anos. O Brasil, recentemente aprovou o chamado ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital, que não proíbe o uso, mas restringe conteúdos e exige maior transparência das plataformas.

Mas, proibir é suficiente?  Pesquisadores concordam que proibições isoladas não resolvem o problema. Os jovens conseguem burlar as regras usando celulares de adultos e os limites de idade não alteram os algoritmos que tornam as plataformas viciantes. Sem mudanças estruturais nas plataformas, os adolescentes podem migrar para ambientes digitais ainda mais perigosos. A solução defendida por especialistas envolve a reformulação dos algoritmos, a redução de mecanismos viciantes, a proteção de dados desde a concepção dos aplicativos, supervisão mais ativa dos pais e responsáveis e a educação digital nas escolas. A internet oferece oportunidades valiosas, mas seus riscos para crianças e adolescentes são reais e crescentes. O movimento global de proibições mostra que governos estão reagindo, mas também evidencia que o problema é mais profundo do que simplesmente proibir o acesso. E você o que pensa sobre este tema?  Você já se sente afetado (a) por este problema? Deixe seu comentário.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Idosos exigem respeito – por Celso Tracco

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Dia 26/07 no Brasil é comemorado o Dia dos Avós. Parabéns a todos aqueles e aquelas que desfrutam do encantamento de conviver com um neto ou uma neta. Netos são a sobremesa da vida. Infelizmente, a vida da maioria dos idosos não é tão doce. Com o incremento da expectativa de vida, que já passa dos 75 anos, o Brasil vive uma transformação demográfica profunda. E isto altera as relações familiares, as questões econômicas, as políticas públicas e, principalmente, a forma como enxergamos o envelhecimento. Mas, ao mesmo tempo em que aumenta o número dos idosos, cresce também a necessidade de se enfrentar um problema estrutural: o etarismo, a discriminação social baseada na idade.

Em geral, quem chega a uma idade avançada, tem muito a contribuir nas áreas: social, cultural, econômica e afetiva. Eles são guardiães de memórias, tradições que formam o arcabouço de identidades familiares e comunitárias. Em muitas famílias são eles que sustentam vínculos afetivos, cuidam dos netos, de outro idoso. Transmitem valores e estabilidade emocional para as novas gerações. Além disso, sua participação econômica pode ser expressiva. Não são poucos, homens e mulheres, que continuam ativos no mercado de trabalho, e/ou empregando suas aposentadorias e pensões para o sustento da família. Entre a população de baixa renda, é comum que o benefício do idoso seja a principal fonte financeira da casa. Ignorar esta relevância, é ignorar a própria estrutura social brasileira.

Apesar de toda essa importância, o etarismo, assim como outras ofensas sociais, ainda é normalizado no Brasil. Ele aparece em situações jocosas, desvalorizando a capacidade cognitiva dos idosos, na exclusão digital, nas barreiras que dificultam o acesso ao mercado de trabalho e principalmente, na baixa prioridade que os governantes estabelecem para as políticas públicas destinadas aos idosos. É preciso mais respeito com os idosos. O etarismo se manifesta de muitas maneiras, mas vou abordar apenas duas: no campo do trabalho, em que pese algumas mudanças no relacionamento social, os idosos ainda são vistos como “menos produtivos”, “resistentes à digitalização”, “inadequados”, “teimosos e com dificuldades em socializar”, mesmo que tenham uma experiencia profissional comprovada; no campo da saúde, seus sintomas e queixas de dores e/ou desconfortos, são frequentemente minimizados como “coisas da idade”, “é assim mesmo”, “já vai passar” dificultando diagnósticos e tratamentos. Tem-se a nítida impressão de que não se dá a devida importância aos seus reclamos. Esses preconceitos ferem a dignidade, a autoestima, e limita possíveis oportunidades para o idoso (a).

O crescimento da expectativa de vida está relacionado com os avanços sociais. O aumento da população idosa é uma conquista coletiva, não deve ser vista como um fardo. Para enfrentar o etarismo, o Brasil precisa de uma mudança cultural significativa. Deve-se abandonar a ideia de que a juventude/ idade adulta são os únicos períodos produtivos da vida. Precisamos dar valor para a experiencia, a maturidade emocional, o conhecimento acumulado pelos idosos. Reconhecer que são recursos valiosos. Os idosos são parte essencial da identidade brasileira. Ter preconceitos contra eles é, no mínimo, uma falta de respeito. O etarismo, portanto, impede o país de aproveitar plenamente, todo potencial de trabalho que a velhice proporciona. Em uma sociedade marcada pela desigualdade, não absorver o significante papel dos idosos é desperdiçar uma fonte de recursos disponíveis. Construir uma sociedade que respeita todas as idades, é um compromisso moral, ético e humanitário. Todos serão beneficiados, incluindo aqueles que ainda irão envelhecer. Que no futuro próximo, nossos queridos idosos sejam tratados com amor, respeito e dedicação. Todo ser humano, não importa a idade, deve ter sua dignidade respeitada. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A Copa do Mundo de futebol e as eleições – por Celso Tracco

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Mais uma vez, a seleção brasileira foi eliminada em uma Copa do Mundo. Caímos nas 8as. de final, perdendo para a Noruega, país sem tradição no futebol internacional. Nas redes sociais, muito se vê e ouve que o resultado do torneio pode ou irá influenciar o resultado das eleições. Mas, a história não diz isso. Desde 1994, quando começou a coincidência de eleições diretas para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, com a realização da Copa do Mundo os resultados não justificam que o eleitor(a) carrega para as urnas a emoção da vitória ou da derrota da seleção.

 – 1994, o Brasil conquistou sua 4ª. Copa, vencendo a Itália nos pênaltis, após agoniantes 0x0 nos 120 minutos de jogo. A situação, governo FHC, obteve 54% dos votos contra 27% dados a Lula. A eleição foi resolvida no 1º turno. Influência do sucesso do Plano Real e não do futebol.

– 1998, perdemos da França, na final, por incontestáveis 3×0. “Vergonha nacional”. FHC, que havia proposto a emenda da reeleição, venceu no 1º turno novamente contra Lula, 53% a 31%. Após a reeleição, houve uma maxidesvalorização do real.

– 2002, Brasil penta campeão, venceu a Alemanha na final por 2×0. A oposição, Lula, venceu o candidato da situação, José Serra, no 2º turno obtendo 61% dos votos contra 39%.

 – 2006, Brasil eliminado pela França nas 4as. de final. “Vergonha nacional”. Lula é reeleito no 2º turno com 61% dos votos contra 39% dados a Geraldo Alckmin.

– 2010 – Brasil eliminado pela Holanda nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, agora perdemos de quem nunca foi campeão mundial. A situação, PT, elege o sucessor de Lula – Dilma Rousseff com 56% dos votos contra 44% de José Serra, no 2º turno.

– 2014, o Brasil passa pela maior vergonha futebolística da história: é eliminado, na semifinal, por acachapantes 7×1 para a Alemanha em pleno Mineirão. Dilma é reeleita, 2º turno, com 52% contra 48% dados a Aécio Neves. Após as eleições o Brasil mergulhou na maior crise econômica de sua história.

– 2018, o Brasil foi eliminado pela Bélgica, nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, perdemos de qualquer um. Jair Bolsonaro é eleito no 2. ° turno com 55% dos votos contra 45% de Fernando Haddad (PT). O eleitor puniu quem provocou a crise econômica de 2015 e 2016.

– 2022, o Brasil foi eliminado pela Croácia, nas 4as. de final. “Vergonha nacional?”. Já nos acostumamos a perder para qualquer um. Jair Bolsonaro não consegue se reeleger. Obtém 49% dos votos no 2° turno contra 51% dados a Lula, que volta ao poder.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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9 de Julho – A Revolução Constitucionalista – por Celso Tracco

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A Revolução Constitucionalista de 1932 constitui um dos momentos marcantes da política brasileira da primeira metade do Século XX. Deflagrada em São Paulo, a revolução tinha como objetivo principal pressionar o governo provisório de Getúlio Vargas a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte e restaurar a ordem institucional cancelada após a Revolução de 1930, terminando com a “República Velha” e iniciando a era Vargas. A revolução paulista foi derrotada militarmente, mas deixou um legado político, sendo até hoje lembrado como símbolo da luta pela legalidade e pelos ideais de uma república federativa. Por ela 9 de Julho é feriado no Estado de São Paulo. O Obelisco do Parque Ibirapuera é um mausoléu dedicado aos combatentes paulistas desta Revolução.

A Revolução de 1930 encerrou a “República Velha”, também conhecida como república do café com leite, pois desde 1894, data da primeira eleição direta para presidente da República, havia uma alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Em outubro de 1930 foi deposto o Presidente Washington Luís que estava em fins de mandato e foi impedido de tomar posse o presidente eleito Júlio Prestes. Ambos os políticos haviam sido Governadores do estado de São Paulo. Getúlio Dorneles Vargas, assumiu em 3 de novembro o governo provisório, dissolvendo o congresso nacional e suspendendo a Constituição de 1891. Vargas passou a governar centralizando a administração pública e nomeando interventores nos estados. No caso de São Paulo, os interventores vindos de outros estados, geraram muitas tensões entre as elites paulistas. A ausência de uma Constituição e governar por decretos, eram interpretados como claros indícios de autoritarismo. Para as classes econômicas, jurídicas e militares paulistas, a manutenção desta situação significava uma ruptura dos princípios federativos e democráticos.

A conjuntura de vários fatores serviu para a eclosão da revolução: a centralização do poder por Vargas; a intervenção federal nos estados; a perda da influência política de São Paulo. Em 23 de maio, no centro de São Paulo durante uma manifestação popular contra o regime, um grupo de apoiadores do governo central, dispararam armas de fogo contra a multidão. Quatro jovens morreram imediatamente: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo Camargo. A sigla MMDC tornou-se um símbolo da resistência paulista. No dia 9 de julho de 1932, as tropas paulistas se rebelaram contra o governo federal, iniciando uma revolução armada. O conflito se concentrou em regiões do Estado de São Paulo, como Vale do Paraíba e na Serra da Mantiqueira, fronteira com Minas Gerais. Estima-se em 35.000 o número de combatentes de São Paulo e cerca de 100.0000 os do governo federal. O número de mortos é incerto, alguns historiadores apontam entre 2.000 e 2.500 sendo deste total 800 a 1.000 paulistas. Sem armamentos e munições, e em visível desvantagem numérica, em 2 de outubro de 1932 São Paulo assinou sua rendição.

Apesar da derrota militar, alguns objetivos foram alcançados: foi convocada uma Assembleia Constituinte e uma nova Constituição foi proclamada em 1934; houve a ampliação dos direitos trabalhistas; foi instituído o voto feminino e secreto; houve a criação da Justiça Eleitoral. Sem dúvida houve um legado da Revolução Constitucionalista, mas pequeno. Getúlio Vargas seguiu no poder até 1945, quando foi deposto. Em 1937, tornou-se um ditador proclamando o Estado Novo, baseado em uma nova Constituição e aboliu a autonomia dos estados. Apenas entre 1934 e 1937 houve eleições, e somente para prefeitos. Em 1950 voltou ao poder por meio do voto democrático. Suicidou-se no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, então Capital Federal em 24 de agosto de 1954. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Relações perigosas. Para quem? – por Celso Tracco

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Para a população brasileira. Mesmo acostumada a ver contínuos escândalos financeiros de todos os tipos, fraudes e descaminhos com o dinheiro público, muitas vezes fruto de relações perigosas entre agentes públicos e entidades privadas, a população pagadora de impostos não para de se surpreender. O caso do Banco Master, que segue ganhando projeção nacional, mantém a lógica de tornar privado o que deveria ser público. Este caso vem batendo todos os recordes nessa prática de relações promiscuas entre agentes públicos e o banco privado. O monstruoso escândalo tem potencial, desde que devidamente investigado, de abalar as estruturas da República Brasileira. Já sabemos quem pagará a conta, mas o que poderia ser feito para, pelo menos, tentar evitar novos escândalos?

Primeiro, devemos nos perguntar, por que um banco privado teria tanto interesse em ter laços tão estreitos com autoridades e servidores públicos? Claro que aqui estamos falando de servidores que desempenham altos cargos na administração pública. Até agora, pelo que já saiu na imprensa, sabemos que o dono e principais dirigentes do Banco Master, mantinham estreitas ligações com membros e/ou com parentes do Poder Judiciário, do Poder Legislativo, do Poder Executivo, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, além de autarquias federais, como o Banco Central. Ou seja, a rede de influência dos administradores do Master era imensa. Será que ela se desfez após a liquidação do banco, e a prisão de seu principal acionista?

Devemos sempre ter em conta a máxima de que todos são inocentes até prova em contrário. Acusar alguém antes do já conhecido “trânsito e julgado” seria uma leviandade. O que tento expor neste artigo é a precariedade de controles das instituições públicas brasileiras. Não é de hoje, e sem distinções de governos, que entidades privadas se apropriam do bem público em benefício próprio e em detrimento do interesse coletivo. Esta prática, no mínimo, drena recursos para as reais necessidades da população mais carente da sociedade brasileira. O que transparece na percepção popular é que um banco com forte atuação em setores como crédito consignado, fundos de aposentadoria de servidores púbicos, agressiva venda de produtos financeiros como CDBs, qualquer proximidade com os gestores públicos, pode gerar conflitos de interesse. Cabe aqui a famosa frase atribuída a Júlio César em 62 a.C. quando exercia o cargo Pretor (magistrado e supremo juiz em Roma) “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. A frase continua sendo válida, após 2.000 anos, para qualquer cidadão ou cidadã que exerce cargo público.

Um ponto desastroso desta relação perigosa, é a falta de confiança nas instituições e em especial no sistema financeiro que perpassa para a população em geral. O mínimo que se espera é que haja transparência total em todas as transações envolvendo o sistema financeiro e órgãos públicos. A falta de transparência, como proteger sigilo bancário de investigados pode influenciar, negativamente, a opinião pública, o que seria desastroso. O uso do dinheiro dos impostos pelos órgãos públicos, deveria ser totalmente auditável, por empresas independentes e sem relações com poderes constituídos. Os resultados das auditorias deveriam ser conhecidos da população, e quem sabe, deste modo, se dificultaria que decisões políticas fossem manipuladas por decisões particulares e privadas.

A população não pode nem deve demonizar o sistema financeiro, evidentemente a economia do país não prospera sem ele, mas o que se espera é que os agentes públicos tenham real cuidado com o dinheiro público, afinal eles foram eleitos para serem servidores públicos e não para se servirem do dinheiro público. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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A escada se lava de cima para baixo – por Celso Tracco

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A expressão “a escada se lava de cima para baixo” sintetiza uma verdade universal sobre responsabilidade, atitude e comportamentos. Significa que qualquer processo de mudança, seja ele de estrutura empresarial, política ou familiar, começa pela liderança. Assim como a água escorre naturalmente do topo para os degraus inferiores, a cultura, os valores e as práticas sejam de uma entidade pública ou privada, são moldados, antes de tudo, por quem ocupa as posições do alto escalão.

No mundo dos negócios, quando uma determinada empresa precisa de uma real transformação para sobreviver, pois seu modelo de negócio está se deteriorando e ela não consegue, sozinha, se reerguer, em geral busca ajuda de alguma consultoria. E, geralmente, a “limpeza/ mudança” tem de começar pela diretoria e ir descendo até chegar à base, degrau por degrau. Muitas vezes, o gestor da empresa, que teve sucesso no passado, não percebe que o seu tempo passou, que seus métodos são ultrapassados, que o mundo mudou. Continua se agarrando a seu posto de maneira monolítica. O gesto pode até ser nobre, poético, heroico, mas é ineficaz e provavelmente egocêntrico. Pensa em si, mas não no bem comum de sua própria empresa.

No contexto social, essa máxima mostra que comportamentos éticos, respeito às leis e compromisso com o bem comum, precisam ser cultivados primeiramente por aqueles que detêm poder e influência. Quando líderes agem com transparência, justiça e coerência, criam um ambiente onde tais valores se tornam referência. Por outro lado, quando o topo se corrompe, o restante da estrutura tende a seguir o mesmo caminho, seja por conveniência, medo ou simples reprodução do exemplo recebido. Nas entidades públicas, este processo é bem evidente. A população observa seus governantes como modelos de conduta. Se eles demonstram responsabilidade, zelo pelo patrimônio coletivo e respeito às regras, fortalecem a confiança social e incentivam comportamentos socialmente elevados. Porém, quando eles caem no descrédito popular, fica muito difícil recuperarem a credibilidade.

No ambiente familiar e escolar, o princípio se repete. Pais, professores e responsáveis transmitem os primeiros parâmetros de comportamento e de relacionamentos humanos. Eles são as principais referências para aqueles que dependem de sua atuação. Caso os responsáveis agirem com honradez, respeito, de maneira integra, respeitando a coletividade, seus exemplos são seguidos e enaltecidos. Porém, quando o oposto ocorre, instala-se um ciclo de descrença e permissividade que contamina toda a escala de valores inerentes à formação das crianças e jovens. As atitudes dos responsáveis, mais do que suas palavras, moldam o caráter e as escolhas daqueles que ainda estão em formação. Não é possível exigir honestidade, disciplina, respeito ou empatia quando o exemplo oferecido contradiz esses valores. O antigo ditado “faça o que eu digo e não faça o que eu faço” está fora de moda, é como falar para as paredes, não tem aceitação nem repercussão.

Portanto, “lavar a escada de cima para baixo” significa reconhecer que toda transformação começa pelo exemplo daqueles que dirigem, comandam, ensinam, orientam e conduzem a vida de seus agregados. Não adianta cobrar ou impor mudanças e novas atitudes dos níveis inferiores, se nos níveis superiores nada muda, permanecendo com os descaminhos de sempre. A verdadeira liderança não se impõe; ela orienta, ensina, mostra novos rumos, inspira, é generosa e visivelmente enaltecida. Portanto, somente quando os degraus superiores assumem sua responsabilidade e uma atitude de mudança, a escada inteira pode, enfim, ficar limpa. Precisamos, sempre, cuidar de nossa “escada”. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto de Meritt Thomas/Unsplash

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Uma notícia boa, mas com ressalvas – por Celso Tracco

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O IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, é calculado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), uma agência oficial da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele mede o desenvolvimento dos países em três áreas: Saúde, medida por expectativa de vida ao nascer; Educação, medida pela média de anos de estudo; e Renda, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto) per capita. O IDH global é publicado anualmente; o IDHM (municipal) é publicado a cada 10 anos com base no censo feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No IDHM divulgado em maio último,  o Brasil registou o índice de 0,805 (quanto mais próximo de 1, maior é o Índice de Desenvolvimento Humano do país), classificando nosso país no grau de um alto desenvolvimento humano. O índice anteriorfoi 0,786, que colocava o Brasil na 84 ª posição mundial entre as 193 nações pesquisadas. Sem dúvida esta é uma boa notícia e deve ser comemorada, mas, com ressalvas. O IDH é uma média dos dados coletados em todo o território nacional. E como média, ela encobre enormes desigualdades estruturais, relacionadas ao gênero, raça e região.

A educação continua sendo o elo mais fraco do desenvolvimento humano no Brasil. É sabido e reconhecido que a escolaridade nunca foi uma política de Estado. Assim, a qualidade do ensino básico segue sendo baixa, a formação dos professores é fraca e muito desigual por região, basta pesquisar quanto ganha um professor e quanto ganha um vereador de qualquer cidade brasileira. A desproporção é chocante. A alfabetização plena ainda está longe de ser alcançada. Oficialmente ainda temos em torno de 7% da população acima de 15 anos analfabeta. Sendo que a taxa de analfabetismo entre a população negra é o dobro da registrada entre a população branca, quer seja entre os totalmente analfabetos como entre os analfabetos funcionais. O Brasil melhora no indicador porque mais alunos passam mais anos na escola, mas não necessariamente têm um ensino de qualidade.

Na saúde os brasileiros estão vivendo mais, apesar do SUS, Sistema Único de Saúde, sofrer inúmeros e contínuos cortes em seus orçamentos. A fila para exames, consultas transplantes, são notícias toda a semana, mais uma vez evidenciando a profunda desigualdade social que vive nossa sociedade. Quem pode pagar tem uma das melhores medicina do mundo, mas a imensa maioria da população tem de se submeter a um tratamento que beira a desumanidade. Tomando, como exemplo, o índice de mortalidade infantil, o índice nacional está em torno de 12,6 óbitos por 1.000 nascidos vivos. Os índices regionais são: Norte 16 óbitos por mil; no Nordeste 13,8; no Centro Oeste 12,8; no Sudeste 11,7 e no Sul 10,4. Ou seja, o índice na região Norte é 60% maior do que no Sul.

Na renda o crescimento é lento e mal distribuído, ainda que o aumento do IDH também reflita uma melhora na renda per capita. Mas isso ocorre em um contexto de estagnação econômica prolongada, informalidade elevada, baixa produtividade, concentração de renda entre os mais ricos. Além disso, é notória a desigualdade de renda entre homens e mulheres, e entre brancos e negros. O país cresce pouco, e o crescimento não chega a todos. Em termos de distribuição de renda continuamos a ser um dos dez países mais desiguais do mundo.

Contudo, o IDH de 0,805 merece aplauso. Ele mostra que o Brasil tem potencial e capacidade de avançar, mas também revela que o progresso é lento e desigual. O desafio é garantir que o desenvolvimento seja sentido por todos, e não apenas registrado em relatórios internacionais.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto: Rovena Rosa/Ag. Brasil

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