Páscoa da Ressurreição – por Celso Tracco

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Na História da Civilização Ocidental, povos e culturas bem antigas tinham o costume de celebrar a chegada da primavera no hemisfério norte. Eram rituais ligados à fertilidade, ao retorno da luz e ao renascimento da natureza após o inverno. Essas tradições atravessaram milênios, transformando-se de tempos em tempos, porém sem perder sua essência: a ideia de uma renovação da vida, de um ressurgimento.

A Páscoa Cristã, tem sua origem no Pessach, a celebração judaica que recorda a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Segundo relato bíblico, livro do Êxodo, Moises conduziu o povo hebreu por 40 anos, atravessando o deserto até chegarem à Terra Prometida, Canaã. O termo Pessach em hebraico, significa “passagem”. A passagem da escravidão para a liberdade e o início de uma nova vida na Terra prometida. A celebração do Pessach, continua sendo festejada na religião judaica até hoje, mantendo todo o seu simbolismo tendo seu ponto alto no jantar familiar (Seder) repleto de significados históricos, religiosos e espirituais.  

A Páscoa como hoje conhecemos, começa a ser celebrada no século I, quando as primeiras comunidades cristãs, seguidoras do Evangelho de Jesus Cristo, reinterpretam o Pessach à luz dos acontecimentos de Sua paixão, morte e ressurreição. Para o cristianismo, a Semana Santa é a principal semana do ano litúrgico.  Começa com a celebração do Domingo de Ramos, quando Jesus entra em Jerusalém aclamado pela multidão, segue com o Tríduo Pascal (Quinta-feira, Jesus institui o sacramento do amor: o lava-pés e a Eucaristia; Sexta-feira da Paixão, Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal; Sábado Santo, a Vigília Pascal) culminando com o Domingo de Páscoa que celebra a Ressurreição de Jesus, três dias após sua crucificação. Segundo a fé cristã, a Ressurreição de Cristo dá início a uma nova criação, ao novo êxodo. É a principal festa cristã! Celebra a vitória da vida sobre a morte e a promessa de renovação espiritual. A ressurreição, após a morte, é para todos aqueles que assim creem. A Igreja Católica definiu a data da Páscoa como o domingo da primeira semana de lua cheia, depois do início da primavera no hemisfério norte, isso explica por que a data varia de ano para ano.

A Páscoa da Ressurreição, celebrada pelos cristãos em todo o mundo, é mais do que uma data religiosa no calendário. Ela funciona como um lembrete poderoso de que a vida é capaz de renascer mesmo depois dos períodos mais sombrios. Em um tempo marcado por incertezas, tensões sociais, guerras e desafios coletivos, esta mensagem é claramente atual. Como vimos, no coração da celebração está a crença na ressurreição de Jesus Cristo, evento que simboliza a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre a escuridão e da esperança sobre o desânimo. Mas, para além da dimensão espiritual, a Páscoa provoca uma reflexão sobre o que significa renascer no cotidiano: reconstruir relações, recuperar a confiança, recomeçar projetos, reencontrar sentido na vida.

Talvez o maior desafio da Páscoa da Ressurreição seja transformar seu simbolismo em atitude concreta. Em tempos de polarização e radicalização, a proposta de renascer pode soar abstrata. Mas ela se manifesta em gestos simples: perdoar, escutar, acolher, reconstruir relações, procurar e encontrar. É nesse terreno do cotidiano que a mensagem pascal demonstra sua força mais transformadora e libertadora.

A celebração da Páscoa não promete, aqui na Terra, um mundo perfeito, mas lembra que a renovação é possível, pessoal e coletivamente. E, ao final, talvez seja isso que todos buscamos: a chance de recomeçar, de acreditar novamente, de enxergar luz onde parecia haver apenas trevas.

Que esta Páscoa da Ressurreição inspire caminhos de paz, esperança e humanidade. Tenha uma Feliz e Santa Páscoa.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Barueri 77 anos – por Celso Tracco

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Barueri nasceu como um aldeamento indígena, por volta de 1560 fundado pelo padre José de Anchieta. Em 1809 tornou-se freguesia. A partir de 1870 cresceu como uma vila em torno da estação da Estrada de Ferro Sorocabana. Após muita luta e disposição de moradores pela sua emancipação, foi declarado município em 1949. A cidade completa 77 anos de emancipação política, consolidada como um dos maiores exemplos de desenvolvimento urbano, eficiência administrativa e vitalidade econômica do Brasil. Desde sua fundação como município, em 26 de março de 1949 desmembrado de Santana de Parnaíba, trilhou um caminho de crescimento acelerado, transformando-se de um pequeno núcleo às margens da linha férrea em um dos mais importantes polos corporativos e de qualidade de vida da Região Metropolitana de São Paulo. Ao longo das últimas décadas, Barueri se destacou pela capacidade de planejar, inovar e atrair investimentos. Hoje, figura entre os municípios com maior PIB per capita do país, impulsionado por um ambiente empresarial robusto que reúne mais de 14 mil empresas, entre elas multinacionais, instituições financeiras, companhias de tecnologia e startups que encontram em Barueri um dos locais mais estratégicos do país, para o seu empreendimento.

O avanço econômico de Barueri é acompanhado por uma gestão pública reconhecida pela eficiência e pela capacidade de transformar arrecadação em serviços de alta qualidade, para toda sua população. A cidade investe de forma contínua em infraestrutura, mobilidade, segurança, tecnologia e políticas sociais, criando um modelo de administração que se tornou referência nacional. A modernização do sistema viário, a ampliação de corredores de ônibus, a iluminação pública em LED e o monitoramento inteligente por câmeras são exemplos de iniciativas que reforçam a segurança e a funcionalidade urbana. Barueri também se destaca pela digitalização de serviços e pela adoção de soluções inovadoras que aproximam o cidadão da administração municipal.

A educação é mais um dos orgulhos da cidade. A rede municipal conta com mais de 100 unidades de ensino atendendo cerca de 62.000 alunos é reconhecida pela qualidade, oferecendo desde educação infantil até o ensino técnico. Destaque para a Fundação Instituto de Educação de Barueri (FIEB), instituição que forma profissionais altamente qualificados e preparados para o mercado de trabalho e para adequada inserção na sociedade   

Na saúde, Barueri mantém uma das estruturas mais completas da região. O Hospital Municipal de Barueri, aliado às diversas unidades básicas e centros especializados, garante atendimento humanizado e eficiente, resultado de investimentos constantes em tecnologia, capacitação e ampliação de serviços.

Apesar de seu perfil corporativo, Barueri preserva espaços de convivência e lazer que fortalecem o bem-estar da população. Parques, centros culturais, teatros, bibliotecas, arenas esportivas e uma agenda ativa de eventos reforçam o caráter acolhedor e vibrante da cidade, valorizando a qualidade de vida de seus habitantes. O Parque Municipal Dom José, o Parque da Maturidade, o Parque da Juventude, além do Complexo Cultural Praça das Artes, são exemplos de locais muito queridos e frequentados pelos moradores, reunindo natureza, cultura, dezenas de atividades que promovem bem-estar e ajudam na sociabilidade da população.

Ao celebrar 77 anos, Barueri reafirma sua vocação para o crescimento sustentável e para a inovação. A cidade segue atraindo investimentos, ampliando oportunidades e construindo políticas públicas que impactam positivamente a vida de seus habitantes.

Mais do que comemorar seu passado, Barueri celebra a força de sua gente, a visão de seus gestores e a capacidade de se reinventar continuamente. Uma cidade que honra sua trajetória e segue avançando com a mesma energia que marcou sua fundação, pronta para um futuro ainda mais promissor. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Copo meio cheio, meio vazio? – por Celso Tracco

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Uma recente pesquisa de opinião pública, perguntou aos entrevistados qual era percepção deles sobre a situação econômica do Brasil. Para 48% entrevistados a economia piorou, para 24% a economia melhorou e para 26% ficou igual. Considerando que o instituto de pesquisa é sério e confiável, a sensação da maioria da população é que a economia não vai bem. Quando a pergunta se refere ao futuro, as respostas também mostram um certo desalento. Não se discute os números da pesquisa, o que podemos fazer é tentar interpretá-los. Paradoxalmente, o Brasil vem apresentando alguns dados macroeconômicos e sociais que são positivos, por exemplo:

– O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu acima de 3% ao ano, de 2021 a 2024. Em 2025 cresceu 2,3%. Deve-se ressaltar que essas taxas de crescimento foram acima das que o mercado financeiro estimou.

– O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil no mesmo período subiu 5 posições. Certo que ainda não é o ideal, mas melhoramos.

– A expectativa de vida, atingiu em 2025 o maior patamar da série histórica, praticamente 80 anos para mulheres e 74 anos para homens. O índice de mortalidade infantil também, está em decréscimo atingindo 12,3 óbitos até o primeiro ano de vida, por 1.000 nascimentos. O índice está em queda contínua e abaixo da média mundial.

– A inflação está controlada e em baixa. Certo que o custo disso é uma alta taxa de juros que traz um aumento muito alto para empréstimos bancários, mas ainda assim a economia cresceu.

– A taxa de desemprego está no menor nível desde quando começou a ser contabilizada em 2012. O rendimento médio dos empregados também apresentou alta. Milhões de pessoas não estão mais vivendo abaixo da linha da pobreza.

Olhando o “copo meio cheio” podemos afirmar que todos os pontos listados acima são positivos para a economia brasileira e consequentemente para a população. Olhando o “copo meio vazio” podemos pensar que o país, através de seus governantes não fazem nada mais do que sua obrigação. Eles estão lá para isso mesmo. Também posso pensar que apesar das elites governantes não colaborarem, mesmo assim temos progredido. O fato é que para o cidadão e cidadã comum, a percepção da situação geral do Brasil é preocupante, e seu olhar para o futuro próximo, pessimista.   Os bons resultados que o Brasil obteve nos últimos anos estão sendo ofuscados pelos pontos que a população considera negativos.

Não há dúvida alguma que temos muitos pontos a melhorar. Pontos que impactam negativamente o nosso dia a dia. A (in)segurança pública é o maior deles. Em qualquer pesquisa ela aparece como um destaque negativo, ainda mais com a atuação do crime organizado, em vários setores da sociedade. O transporte público sempre apresenta problemas, principalmente nas grandes cidades. Basta chover para o que era péssimo, ficar caótico. Nossa educação básica, também não vai bem no geral. Além desses, digamos, problemas cotidianos, ainda enfrentamos uma crise de confiança em nossas instituições republicanas que a radicalização política eleitoreira, não ajuda em nada. E, atualmente, temos que lidar com um mundo em guerra que, certamente, trará reflexos negativos para toda a economia mundial.   Enfim problemas existem, e são muitos, mas será que não estamos tão estressados, que não conseguimos ver nada de bom? Podemos ser mais esperançosos com o futuro próximo? O que você acha? Hora de São Paulo, gostaria de ouvir sua opinião. Deixe seu comentário abaixo e aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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CAOS, DOR, SOFRIMENTO – por Celso Tracco

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Dentre todas as espécies conhecidas, o ser humano foi a que melhor desenvolveu o cérebro e com isso passa a raciocinar, a prever, a ter estratégias para enfrentar e se adaptar a qualquer situação, por mais inesperada e difícil que pareça. Infelizmente, também usa suas habilidades cognitivas, para fazer o que mais aprecia: guerrear, matar, conquistar territórios, escravizar prisioneiros, expandir domínios, eliminar possíveis ameaças, destruir a natureza. Isso não é de hoje, o famoso livro A Arte da Guerra, atribuído ao estrategista Sun Tzu, foi escrito na China há 2.500 anos. Um dos mais antigos tratados sobre o tema “guerra”. A obra tem 13 capítulos e fala da estratégia militar, planejamento, conhecimento do inimigo e flexibilidade tática. A Ilíada e a Odisseia poemas escritos pelo poeta grego Homero, são ainda mais antigos. Homero viveu entre os anos de 750 e 650 a.C. Os poemas enaltecem os guerreiros e heróis gregos, reais ou imaginários, mas sempre combatentes. Essa obra é considerada fundamental para se entender a cultura ocidental. Portanto, não é de hoje que a humanidade, no ocidente ou oriente, adora, admira, e deseja guerras. A maneira de convivência das diversas culturas humanas, certamente mudou muito nos últimos 30 séculos, mas a cobiça, a arrogância, a ganância, o desejo de conquistar, de acumular poder, de ser “o rei dos reis”, a indiferença pela vida dos outros, a exploração dos inimigos, não mudou. Continuamos com o título da mais cruel, sanguinária, bárbara, impiedosa espécie que já surgiu na face da Terra. Gostamos de enaltecer aqueles ou aquelas que a sociedade atual classifica como vencedores, atribuindo-lhes o título de: “águia ou falcão, leão ou tigre, tubarão”. Não importa onde seja: no ar, terra ou água, imitamos os maiores predadores.

Certamente ficamos indignados, vendo crianças sendo mortas em salas de aula, cidades destruídas, instalações civis de infraestrutura sendo deliberadamente bombardeadas. A intenção do atacante é clara: deixar a população inimiga padecer de fome e de sede. E isso é feito em nome de Deus, matar inocentes em nome de Deus! Deixando claro que isso acontece com qualquer dos lados em litígio. O Deus pode ser Jesus Cristo, Alá ou Javé. Pode ser chamada de cruzada ou guerra santa, o importante é que a matança de inocentes, segundo os senhores da guerra, é obra de Deus. É inacreditável que uma raça conhecida pela sua capacidade cognitiva, racional, mesmo depois de 40 séculos de história, comprovadamente recheada de genocídios sangrentos, ainda cultive uma cultura de guerra, de morte e destruição, em detrimento de uma cultura de paz, de entendimento mútuo, de compreensão. A marcha da insensatez humana não tem fim.

Há 120 anos, os Estados Unidos da América, alcançaram o posto da maior potência econômica e militar do mundo, e permanecem assim até hoje. Baseado na teoria do manda quem pode, nos últimos 80 anos o Estados Unidos já interferiu militarmente em dezenas de países, sempre com o pretexto de “proteger a democracia” e seus próprios interesses. Destaco alguns: Coreia (1950-1953); Vietnã (1955-1975); Kuwait (1991); Iraque (2003-2005); Afeganistão (2001- 2022). Essas intervenções deixaram milhões de vítimas, entre civis e militares. As baixas militares americanas, são estimadas em torno de 104.000 mortos e 305.000 feridos. Vietnã, Iraque e Afeganistão, são intervenções classificadas como verdadeiros fracassos. Os Estados Unidos, apesar de todo seu poderio econômico e militar, não alcançaram os objetivos iniciais que levaram o país à guerra. Será que valeu a pena? E agora, valerá a pena? Não tenho essa resposta, o que sei é que o caos, a dor e o sofrimento, para todos os envolvidos, já estão assegurados.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Mulheres e a estúpida hostilidade masculina

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Dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. A data lembra 08/03/1857, quando 129 mulheres operárias em uma tecelagem de Nova York entraram em greve exigindo melhores condições de trabalho e a redução da jornada de 16 horas diárias para “apenas” 10 horas. Elas não conseguiram êxito em suas reivindicações. A sociedade altamente machista e misógina daquela época, considerava a mulher um ser humano de segunda categoria, descartável. O tempo passou, novas mulheres que não se conformaram em serem apenas observadoras e seguidoras das vontades masculinas, persistiram batalhando pela causa. Perceberam que uma causa dessa magnitude, ainda que seja meritória, se vence a longo prazo. Principalmente quando a causa implica na mudança de uma cultura milenar, onde a mulher era vista como um objeto, como uma “máquina” reprodutora da espécie e cuidadora de suas crias, de seu lar, de sua família e agregados.

A Revolução Industrial, acrescentou mais um fardo para a mulher, pois ela passa a ter um valor econômico, é mão de obra barata para as fábricas em expansão. Agora, além de ser reprodutora, cuidar da casa e de seus filhos, era explorada pelo novo sistema econômico. Mostrando a resiliência e a perseverança das mulheres pela sua causa, apenas em 1910, 63 anos após aquela greve em Nova York, em um congresso feminista na Dinamarca o dia 08/03 foi escolhido como o Dia Internacional da Mulher e somente em 1975 a data foi oficializada pela ONU. Neste período, milhares de mulheres pelo mundo pagaram com suas vidas na luta pela melhoria das condições de trabalho, pela igualdade salarial, pela adoção de creches, contra abusos sexuais e psicológicos, entre outras reivindicações sociais e econômicas que hoje são leis em muitos países.

No Brasil, as mulheres também lutam pelos seus direitos cívicos e sociais há muito tempo. Cá como lá a resistência é forte por parte da sociedade machista. Algumas conquistas: apenas em 1932 foi aceito o voto feminino; em 1962, pasmem, a mulher casada deixou de ser considerada incapaz pelo Código Civil Brasileiro. Antes disso precisava da autorização expressa do marido para alienar seus próprios bens e exercer determinadas profissões. Em 2006, foi promulgada a lei Maria da Penha que defende a mulher contra a violência doméstica e em 2015 a lei do feminicídio (homicídio das mulheres em contexto de violência familiar ou de gênero).

Mas a desigualdade persiste entre homens e mulheres: a renda média das mulheres é menor que a dos homens, em praticamente todas as atividades econômicas. Cada vez mais mulheres alcançam graduações e pós-graduações universitárias, são empreendedoras e criativas, mas raras vezes atingem os mais altos níveis da administração privada ou pública. A plena igualdade de oportunidades ainda é uma utopia. Elas representam 52% da população, mas ocupam menos de 20% dos cargos públicos eletivos. Apesar dos partidos políticos serem obrigados a ter uma cota mínima de candidatas mulheres, procuram cumprir a norma, mas raramente apoiam as candidaturas femininas. Finalizando, em 2025 quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, pelo crime de feminicídio.

A sociedade seria muito mais humanizada, se homens e mulheres, pudessem viver de acordo com sua capacidade financeira, física, emocional, comportamental, exercendo a atividade que desejam de forma digna e respeitosa com todos os demais. Infelizmente a luta que começou há 170 anos, com uma greve ainda não terminou. A causa continua justa e civilizatória, e apenas com uma vida plena para todos, independente do gênero, cor, etnia, crença teremos uma sociedade pacificada. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Dra. Tatiana Sampaio: A persistente cientista brasileira – por Celso Tracco

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Infelizmente nosso país não é reconhecido pela sua produção científica. E esse fato tem seus motivos. Em ranking das melhores universidades do mundo realizado em 2025, a melhor colocada foi a Universidade de São Paulo (USP), ficou em 118°; a segunda melhor colocada foi Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 331° lugar. Sempre é bom lembrar que o Brasil, jamais conquistou um Prêmio Nobel. Podemos ser o país dos privilégios, do desperdício do dinheiro público, da desigualdade social, e não investimos adequadamente em educação de qualidade, pesquisa científica, inovação tecnológica. Mas o país não é carente de cérebros, pois mesmo em situações consistentemente adversas, há cientistas que se destacam, e contribuem para o desenvolvimento da base científica do Brasil. Esta coluna presta uma singela homenagem a esses abnegados e abnegadas, na pessoa da Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, bióloga, professora universitária, cientista, pesquisadora.

Dra. Tatiana Sampaio nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Desde a infância, mostrou interesse pela ciência, pela pesquisa, para a área acadêmica. Formou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após sua graduação, seguiu seus estudos na mesma faculdade, onde concluiu o Mestrado e Doutorado. Continuando seu aprendizado fez cursos de pós-doutorado no exterior. Voltando ao Brasil, ingressou como professora na mesma UFRJ.

Apesar de todas as dificuldades naturais em país onde a ciência não é valorizada, seguiu sua vida de pesquisadora acadêmica.  A pesquisa que mudaria sua trajetória começou em 1997, quando passou a investigar a laminina, proteína que auxilia na comunicação entre neurônios. A partir dela, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma versão sintética criada a partir da placenta humana. O objetivo da molécula é estimular a regeneração de axônios, que são estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Os primeiros testes experimentais em humanos, que tinham fraturado completamente a coluna cervical, e ainda fora do protocolo clínico oficial, mostraram resultados considerados promissores por especialistas: seis dos oito pacientes tratados recuperaram algum movimento, e um deles voltou a caminhar.

Mesmo com resultados alentadores, a UFRJ, assim como as demais universidades e centros de pesquisas federais, sofre com o recorrente corte de verbas e repasses governamentais, como consequência enfrentou dificuldades para manter a patente internacional da molécula. O debate sobre o financiamento público da ciência no Brasil, incluindo remuneração a professores e pesquisadores, infelizmente ainda é embrionário entre nossos legisladores.  Não é raro que os próprios cientistas, recorram a recursos próprios, para seguirem com suas pesquisas. Idêntica situação foi vivida pela Dra. Tatiana Sampaio. Nos últimos meses, felizmente o trabalho da pesquisadora tem sido celebrado em eventos científicos e culturais, ganhando destaques na grande mídia brasileira. Ao mesmo tempo, especialistas pedem cautela: os resultados iniciais não garantem eficácia em larga escala, e o tratamento ainda está longe de ser disponibilizado ao público. Temos que entender que pesquisa cientifica é cara e demorada.

Dra. Tatiana tem a humildade de reconhecer seus limites e reforça que a pesquisa segue em curso. Mãe de três filhos, ela descreve sua casa como um ponto de encontro para estudantes e colegas. Embora não siga uma religião, afirma acreditar em Deus e defende que a ciência não responde a todas as perguntas. A trajetória da Dra. Tatiana Sampaio simboliza a persistência de uma pesquisadora científica brasileira diante de restrições orçamentárias. A polilaminina ainda precisa superar diversas etapas, mas já representa uma das iniciativas mais promissoras no campo da regeneração neural no país. Que o Brasil passe a reconhecer e valorizar seus pesquisadores e cientistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Corrupção é o flagelo da civilidade – por Celso Tracco

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Passadas as emoções carnavalescas, voltamos a falar de nossa dura realidade e suas recorrentes máculas. Infelizmente, o que é bom dura pouco. Vida que segue. Vamos lá! Recentes pesquisas de opinião, afirmam que o principal problema do Brasil, apontado por mais de 50% dos entrevistados, é a corrupção. Em segundo lugar, está a (in)segurança pública. Este resultado não causa espanto para ninguém, dado que, praticamente todos os dias somos “bombardeados” com algum novo caso de corrupção envolvendo algum agente ou entidade pública.

Comprovando esta preocupante percepção da população brasileira, a ONG Transparência Internacional (www.transparenciainternacional.org.br) divulgou recentemente um estudo realizado em 182 países e territórios, denominado Índice de Percepção de Corrupção (IPC). O IPC de 2025 mede os níveis de percepção da corrupção no setor público, baseando-se em 13 fontes independentes de informação, usando uma escala que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (altamente íntegro). A média global foi 42, o Brasil alcançou apenas 35, ficando na 107ª posição. Os três países menos corruptos no mundo são: Dinamarca (89), Finlândia (88) e Singapura (84). Além de estar abaixo da média global, o mais preocupante no caso brasileiro é que desde 2012, quando começou a divulgação deste índice, a posição do Brasil não se alterou significantemente, demonstrando que a corrupção é um problema antigo, endêmico em nossa sociedade. Abaixo algumas análises e recomendações, extraídas do relatório IPC 2025, publicado pela Transparência Internacional.

O relatório indica que “há uma estreita ligação entre corrupção e perda da liberdade democrática, quanto menos democrático é o sistema de governo, maior é a percepção de corrupção. Pesquisas e a experiência prática mostram que um modelo de poder em favor do bem comum, combatem de forma mais eficaz a corrupção. Os governos devem tomar medidas para fortalecer seus sistemas de justiça, assegurar a fiscalização independente dos processos decisórios e gastos públicos; garantir a transparência no financiamento de partidos e campanhas eleitorais e proteger a liberdade dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, é necessário que as autoridades colaborem entre si na hora de enfrentar seus desafios em comum – por exemplo, através do fechamento de canais que possibilitam a corrupção transnacional, que inclui a lavagem de dinheiro e a ocultação de verbas desviadas”.

Em um sistema político como o brasileiro, democrático ainda que tenha muitos vícios e falhas, em última análise quem decide quem vai governar é o voto popular. A sociedade, como um todo, é que elege seus governantes. Devemos procurar conhecer mais os candidatos que desejam mandatos públicos e se eles estão realmente comprometidos a fortalecer a transparência e fiscalização dos serviços públicos e, principalmente, a gestão das verbas públicas. Como opinião pessoal, parece que o governo brasileiro, institucionalmente, tem muito a fazer nesta área. Igualmente, em vista dos últimos acontecimentos, estamos muito longe de prevenir, detectar e punir a corrupção em larga escala, entre os agentes econômicos e os agentes públicos. Persiste uma percepção de impunidade para as camadas mais altas da sociedade, principalmente quando se trata de crimes financeiros. Precisamos ter sempre em mente que o dinheiro público desviado pela corrupção, no final vai significar menos verbas para saúde, educação, mobilidade urbana, moradias para quem realmente precisa. A corrupção é mais um fator que aumenta a vergonhosa desigualdade social no Brasil.

Combater a corrupção é um dever cívico, para toda a sociedade brasileira. Comprar produtos pirateados, por exemplo, é mais um elo que fortalece a corrente da corrupção. Nesta corrente, a sociedade deve ser parte da solução e não do problema.    


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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A natural ilusão do carnaval – por Celso Tracco

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Já na antiguidade, várias civilizações como a babilônica, grega e romana, celebravam festas populares. Por vários motivos: festejar a fertilidade da terra, da colheita abundante, para homenagear seus deuses ou deusas, ou o início da primavera. Uma característica comum, dessas festas, era uma liberalidade dos costumes e das regras de comportamento em tais civilizações. Nessas ocasiões, poderiam festejar senhores e escravizados, homens e mulheres, ricos e pobres, todos em igualdade de condições. Podemos dizer que nesses dias festivos, não havia distinções sociais, ou de poder ou de gênero, todos eram iguais. Até uma razoável liberalização dos costumes era permitida. Extravasar sentimentos e desejos era aceitável. Em geral as festas duravam de 3 a 5 dias, passada a festa tudo voltava ao normal, sob o império da lei e da ordem social estabelecida.

Com o fim do Império Romano, a população europeia ficou, em termos de comportamentos social, sob a leis e normas da Igreja Cristã. Este é o período que a História denomina de Cristandade. Algumas daquelas festas populares continuaram e foram se adequando ao calendário religioso. Uma delas tinha o nome latino de “carnis levale”, ou seja, adeus a carne, pois a partir do fim da festa a população estava obrigada a uma grande abstinência deste alimento. No final do século VI, a Igreja determinou que o “carnis levale” fosse celebrado justo antes do período da quaresma. Cada lugar e região festejava o “carnis levale” a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, exagerando no consumo de comidas, bebidas e com muita música e animação. O uso de máscaras, fantasias, a valorização do ridículo, eram ingredientes comuns na celebração. Portanto, podemos dizer que o Carnaval (nome aportuguesado de carnis levale) se oficializou como uma festa de origem pagã pelo Cristianismo. A diversão estava liberada antes da quaresma, período de 40 dias religiosamente dedicado à meditação, orações, jejum, silêncio e penitência.

Os colonizadores portugueses trouxeram o carnaval para o Brasil. Essa festa tinha o nome entrudo e basicamente era uma “batalha” popular de se jogar saquinhos de água cheirosa em outras pessoas. Com o passar do tempo, a população, substituiu a água cheirosa por farinha, lama, águas malcheirosas. A “brincadeira” ficou fora de controle. As autoridades proibiram a “festa” do entrudo e a população, educadamente, substituiu por “batalhas” de confete e serpentinas. Esta prática identificada como Carnaval, teve grande popularidade no Rio de Janeiro, a partir da segunda metade do século XIX. 

A partir daí o Carnaval se popularizou pelo país inteiro. Incorporou a cultura africana, com suas danças, gingados, sons de batuques e atabaques, tornando o Carnaval cada vez mais popular. Como na antiguidade, no carnaval brasileiro, não há distinções de etnia, cor, gênero, ou condição social. É tudo junto e misturado. O popular Carnaval de rua passou por cordões, corsos de carros de passeio, blocos, e escolas de samba. O Carnaval passou a dominar o Brasil inteiro de Norte a Sul. Claro que o mais famoso segue sendo o do Rio de Janeiro, mas expressões populares acontecem em milhares de cidades brasileiras como, por exemplo, em Santana de Parnaíba, tradicionalíssimo e já centenário. Desde a antiguidade, muita coisa mudou em termos sociais, costumes, comportamentos, mas a essência do Carnaval, segue sendo a mesma: são dias dedicados à alegria, ao exagero, ao esquecimento das agruras do dia a dia, à felicidade ilusória. Divirtam-se, com muita paz, muita festa, animação, até com certa extravagância. Porque terminado o “reinado de Momo”, tudo volta ao normal.   


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Por uma cultura de paz – por Celso Tracco

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Em fevereiro retornam ao trabalho o Congresso Nacional, assim como o STF. Teoricamente os nossos deputados e senadores, legitimamente eleitos pelo povo, voltam aos seus afazeres no parlamento para elaborar, regulamentar, discutir, aprovar leis e decretos que, em última análise, deveriam melhorar a vida do povo e o bem-estar geral da nação. Este, pelo menos, é o discurso oficial. Mas, como 2026 é um ano especial, pois teremos eleições para presidente da república, governadores dos estados, senadores, deputados federais e estaduais. A agenda política estará cheia. Os parlamentares estarão, creio eu, preocupados com o futuro de sua vida na política, a qual, obviamente irá depender do resultado da eleição. Apenas como um exercício mental, interpreto o que estaria pensando um ou uma parlamentar, neste momento:

“Será que vale a pena ser candidato à reeleição? Ou posso pensar em voos mais altos? Quem sabe mudar de partido? Como será o financiamento de minha campanha? Quais serão meus potenciais adversários? Qual é minha matriz de ganhos e perdas, nesse jogo? Quais serão meus aliados nessa nova batalha? Lealdade na política é algo raro”.

Na realidade é legitimo pensar que os candidatos se prepararão para uma “sangrenta” batalha eleitoral. E quem vai determinar quem serão os vencedores? Em um regime democrático, serão os eleitores. A quantidade de votos necessários determinará quem será eleito. E o campo de batalha, para a conquista do seu voto será, prioritariamente, nas redes sociais. Quem vencer a batalha nas redes sociais, será eleito. E aqui está o ponto central deste artigo: não deixe essa batalha entrar em sua vida particular. Não leve a discussão política, radicalizada, ideológica para dentro de seu lar, entre os membros de sua família, entre seus colegas de trabalho, de barzinho, de lazer. Já está claro que a narrativa do “nós contra eles” é da campanha política, eles precisam atacar seus adversários, provar que são melhores ou menos ruins. Ultimamente tem sido pura pancadaria. Mas porque, nós precisamos ser agressivos com quem não comunga de nosso pensamento? Creio que faz parte da democracia defender nosso pensamento político, mas não deveríamos nunca chegar a uma ruptura comportamental.

Já temos muitas preocupações em nossas vidas: pagar contas, educar nos filhos, enfrentar desconforto no transporte coletivo, filas para atendimento médico, trânsito caótico, escapar de golpes pela internet, falta de segurança para andar na rua. Além de todos esses problemas, ainda temos que escutar as falcatruas, golpes, roubos, desvios de dinheiro público por políticos eleitos e outros servidores públicos, de vários partidos e ideologias. Já temos muito com que nos preocupar, então por que vou me envolver em novas lutas que não são minhas? Não coloquemos mais lenha nesta fogueira, muitas das mensagens que iremos receber, poderão ser falsas, “fabricadas” por pessoas que ninguém conhece. Essa guerra não merece ser vivida, não crie inimigos dentro de seus relacionamentos por causa da radicalização política. No final, o sistema sempre vence e o povo sempre paga a conta. Em geral os eleitores só são lembrados no período da eleição, e aí deveriam exercer seu real poder: afastar os péssimos políticos e votar consciente de sua escolha, não no menos ruim, mas no melhor. E após a eleição, caso seu candidato tenha sido eleito, cobrar as promessas eleitorais para que não fiquem no esquecimento. A eleição em um regime democrático, deve ser uma festa cívica e não uma batalha. Aproveite, em paz, o seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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Feminicídio: chaga inadmissível – por Celso Tracco

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O feminicídio é a mais execrável violência baseada em gênero. Em 2025, a cada dia, 4 mulheres foram assassinadas no Brasil vítimas deste crime hediondo. A maioria dos assassinatos ocorrem pelo simples fato da vítima ser mulher, geralmente em contextos marcados por desigualdade, controle, abuso e relações de poder profundamente enraizadas na nossa sociedade. Não deve ser visto “apenas” como um crime individual, passional, mas como um fenômeno social que revela como estruturas históricas de machismo, misoginia e autoritarismo ainda moldam comportamentos contemporâneos.

No Brasil, o feminicídio foi reconhecido como crime hediondo em 2015, com punições severas. Ainda assim, os números permanecem alarmantes. A maioria dos assassinos tinha relacionamento próximo com suas vítimas. Muitas destas denunciaram agressões anteriores, o que prova que o feminicídio raramente é um ato isolado: ele costuma ser o desfecho trágico de um ciclo de violência que pode incluir agressões verbais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e físicas. Ciclo que poderia ter sido interrompido com proteção efetiva e políticas públicas mais robustas. As raízes dessas práticas criminais estão na desigualdade de gênero, na naturalização da violência doméstica e na ideia equivocada de que o corpo, a vida e as escolhas das mulheres devem ser controladas. Combater o feminicídio exige ações em várias frentes: educação para igualdade de gênero, fortalecimento das redes de apoio, acolhimento humanizado, responsabilização dos agressores e políticas públicas que funcionem na prática, não apenas no papel.

Durante séculos a sociedade reforçou papéis rígidos para homens e mulheres, colocando o homem como figura de autoridade e a mulher como alguém a ser controlada. Essa lógica patriarcal se manifestou em leis, costumes e práticas sociais. Mesmo com avanços significativos em direitos, igualdade e autonomia, resquícios daquela mentalidade ainda moldam comportamentos que geram agressões. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma sociedade que falhou em proteger suas cidadãs. Falar sobre feminicídio é um ato de repulsa ao que acontece em nosso país, essa prática é inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Enfrentar o feminicídio é um dever de toda a sociedade e exige ações articuladas e contínuas, tais como: educação visando a igualdade desde a primeira infância, passando por todo o sistema educacional e pelas empresas que devem orientar seus funcionários na derrubada de estereótipos de gênero; ter efetivas redes de apoio, acessíveis a todas as mulheres, de qualquer classe social e qualquer faixa de renda; campanhas de conscientização que previnam a prática de contínuas agressões as mulheres. Acolhimento comunitário e protetivo é fundamental, a violência não deve ser vista como um tema privado, é um tema social. O que se deve pensar, não é em ações isoladas, mas tentar construir um ambiente social onde a violência seja completamente rejeitada e a vida dos mais vulneráveis respeitada, protegida e dignificada. Devemos trabalhar e atuar para impedir a banalização da violência, e não combatê-la com mais violência.

Falar sobre feminicídio é um ato político necessário. É recusar o silêncio que protege agressores e invisibiliza vítimas. É reconhecer que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas uma responsabilidade coletiva. Construir um futuro sem feminicídio significa transformar mentalidades, fortalecer políticas públicas, tornar a sociedade mais igualitária, humanizada, solidária e, acima de tudo, reafirmar que a vida das mulheres, assim como de todo ser humano, importa e importa muito. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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