Dia 26/07 no Brasil é comemorado o Dia dos Avós. Parabéns a todos aqueles e aquelas que desfrutam do encantamento de conviver com um neto ou uma neta. Netos são a sobremesa da vida. Infelizmente, a vida da maioria dos idosos não é tão doce. Com o incremento da expectativa de vida, que já passa dos 75 anos, o Brasil vive uma transformação demográfica profunda. E isto altera as relações familiares, as questões econômicas, as políticas públicas e, principalmente, a forma como enxergamos o envelhecimento. Mas, ao mesmo tempo em que aumenta o número dos idosos, cresce também a necessidade de se enfrentar um problema estrutural: o etarismo, a discriminação social baseada na idade.
Em geral, quem chega a uma idade avançada, tem muito a contribuir nas áreas: social, cultural, econômica e afetiva. Eles são guardiães de memórias, tradições que formam o arcabouço de identidades familiares e comunitárias. Em muitas famílias são eles que sustentam vínculos afetivos, cuidam dos netos, de outro idoso. Transmitem valores e estabilidade emocional para as novas gerações. Além disso, sua participação econômica pode ser expressiva. Não são poucos, homens e mulheres, que continuam ativos no mercado de trabalho, e/ou empregando suas aposentadorias e pensões para o sustento da família. Entre a população de baixa renda, é comum que o benefício do idoso seja a principal fonte financeira da casa. Ignorar esta relevância, é ignorar a própria estrutura social brasileira.
Apesar de toda essa importância, o etarismo, assim como outras ofensas sociais, ainda é normalizado no Brasil. Ele aparece em situações jocosas, desvalorizando a capacidade cognitiva dos idosos, na exclusão digital, nas barreiras que dificultam o acesso ao mercado de trabalho e principalmente, na baixa prioridade que os governantes estabelecem para as políticas públicas destinadas aos idosos. É preciso mais respeito com os idosos. O etarismo se manifesta de muitas maneiras, mas vou abordar apenas duas: no campo do trabalho, em que pese algumas mudanças no relacionamento social, os idosos ainda são vistos como “menos produtivos”, “resistentes à digitalização”, “inadequados”, “teimosos e com dificuldades em socializar”, mesmo que tenham uma experiencia profissional comprovada; no campo da saúde, seus sintomas e queixas de dores e/ou desconfortos, são frequentemente minimizados como “coisas da idade”, “é assim mesmo”, “já vai passar” dificultando diagnósticos e tratamentos. Tem-se a nítida impressão de que não se dá a devida importância aos seus reclamos. Esses preconceitos ferem a dignidade, a autoestima, e limita possíveis oportunidades para o idoso (a).
O crescimento da expectativa de vida está relacionado com os avanços sociais. O aumento da população idosa é uma conquista coletiva, não deve ser vista como um fardo. Para enfrentar o etarismo, o Brasil precisa de uma mudança cultural significativa. Deve-se abandonar a ideia de que a juventude/ idade adulta são os únicos períodos produtivos da vida. Precisamos dar valor para a experiencia, a maturidade emocional, o conhecimento acumulado pelos idosos. Reconhecer que são recursos valiosos. Os idosos são parte essencial da identidade brasileira. Ter preconceitos contra eles é, no mínimo, uma falta de respeito. O etarismo, portanto, impede o país de aproveitar plenamente, todo potencial de trabalho que a velhice proporciona. Em uma sociedade marcada pela desigualdade, não absorver o significante papel dos idosos é desperdiçar uma fonte de recursos disponíveis. Construir uma sociedade que respeita todas as idades, é um compromisso moral, ético e humanitário. Todos serão beneficiados, incluindo aqueles que ainda irão envelhecer. Que no futuro próximo, nossos queridos idosos sejam tratados com amor, respeito e dedicação. Todo ser humano, não importa a idade, deve ter sua dignidade respeitada. Aproveite seu dia.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo
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