Tecnologia será expandida para a rodovia após testes na Raposo Tavares; autuações só acontecem após validação da Polícia Militar Rodoviária
Motoristas que utilizam a Rodovia Castello Branco (SP-280) passarão a contar com um novo sistema de fiscalização baseado em inteligência artificial. A tecnologia, desenvolvida pela Ecovias Raposo Castello, será utilizada para identificar comportamentos de risco, como o uso de celular ao volante e a falta do cinto de segurança.
Diferentemente dos radares de velocidade, as câmeras inteligentes não aplicam multas automaticamente. O sistema apenas identifica possíveis infrações e encaminha as imagens para análise da Polícia Militar Rodoviária. Somente após a confirmação visual feita por um policial é que uma autuação poderá ser emitida, conforme prevê a legislação brasileira.
Como funciona a fiscalização com inteligência artificial
Os equipamentos utilizam algoritmos de visão computacional capazes de monitorar veículos em movimento durante o dia e também à noite.
O processo acontece em três etapas:
- A inteligência artificial identifica indícios de infrações, como uso do celular ou ausência do cinto de segurança;
- As imagens são encaminhadas para análise da Polícia Militar Rodoviária;
- Apenas após a validação humana a infração pode resultar em multa. Caso não seja possível confirmar a irregularidade, o registro é descartado.
Segundo a concessionária, a tecnologia atua como ferramenta de apoio à fiscalização e não substitui o trabalho dos policiais.
Testes já apontam mais de mil possíveis infrações
O sistema já está em operação experimental na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), nos quilômetros 19 e 28.
De acordo com a Ecovias Raposo Castello, em apenas 72 horas de funcionamento, os equipamentos registraram mais de mil indícios de infrações.
As ocorrências mais frequentes foram:
- motoristas dirigindo sem o cinto de segurança;
- passageiros sem o cinto;
- uso de telefone celular durante a condução.
A concessionária afirma que os resultados reforçam o potencial da tecnologia para reduzir comportamentos que aumentam o risco de acidentes.
Velocidade média ainda depende de regulamentação
Outro projeto em estudo é a implantação da fiscalização por velocidade média.
Nesse modelo, o sistema calcula o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos da rodovia para verificar se a velocidade média ultrapassou o limite permitido.
Segundo a concessionária, a tecnologia já existe, mas sua utilização ainda depende de regulamentação e debates sobre a legislação brasileira.
Celular e falta de cinto aumentam o risco de acidentes
Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostram que o uso do cinto de segurança reduz o risco de morte em cerca de 60% para ocupantes dos bancos dianteiros e 44% para passageiros do banco traseiro.
Já o uso do celular ao volante pode aumentar em até 400% o risco de acidentes. Durante a digitação de mensagens, esse risco pode ser até 23 vezes maior, segundo a entidade.
A expectativa é que a expansão do sistema para a Castello Branco contribua para reduzir essas infrações e aumentar a segurança viária.
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Foto: Edson Mesquita Jr/Hora SP
