MAIO AMARELO – por Celso Tracco

 MAIO AMARELO – por Celso Tracco

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Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte no Brasil. A campanha educativa Maio Amarelo surgiu com o propósito de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de acidentes de trânsito. Apesar dos dados estatísticos serem precários, estima-se que em 2025, no Brasil, cerca de 33.000 pessoas perderam suas vidas no trânsito de nossas ruas e estradas. O número de feridos é ainda mais difícil de ser precisado, porém sabemos que é muito maior que o das mortes. Apesar de ainda ser alto, o número absoluto de mortes vem caindo e isso reforça a importância de se manter esta campanha consistentemente. Além da ideia educativa, ela funciona como um alerta sobre um problema que ultrapassa estatísticas, pois afeta famílias, a economia e a estrutura social de forma profunda. Fora as perdas humanas, que são irreparáveis, existe um impacto silencioso, também devastador: os danos materiais e sociais que se acumulam após cada acidente. Eles envolvem uma cadeia de custos que afeta indivíduos, empresas e a própria sociedade. Pontuando alguns acontecimentos que se originam em decorrência de um acidente de transito: perda total, ou reparos nos veículos acidentados, gerando aumento de custos com taxas de seguros e franquias; possíveis danos ao patrimônio público, como semáforos, postes, outras estruturas urbanas; nas estradas danos em passarelas, pontes, viadutos, barreiras de proteção; custos hospitalares como atendimento de urgência, cirurgia, reabilitação; perda de trabalho por afastamento, invalidez temporária; gastos sociais com previdência, saúde, assistência social. Os acidentes de trânsito geram gastos de bilhões de reais aos cofres públicos drenando recursos que poderiam ser investidos em educação, infraestrutura e políticas sociais.

Mais importante que as perdas materiais, estão os impactos sociais que os acidentes de trânsito causam, tais como: perdas de vidas humanas levando a uma desestruturação da família, com possível sobrecarga financeira; traumas emocionais podendo gerar depressão, estresse pós-traumático, desequilíbrio emocional no acidentado e em seus familiares; invalidez ou algum tipo de limitação produzindo redução da autonomia, longo período de reabilitação, dependência de terceiros. Os acidentes de trânsito, já desastrosos por si só, criam um ciclo de vulnerabilidade que afeta toda uma família e amigos, atingindo fortemente a camada mais necessitada, os mais pobres, os que têm menos acesso a suporte psicológico, jurídico e financeiro.

O Maio Amarelo não deveria ser visto apenas como mais uma campanha de conscientização, mas como um convite à responsabilidade coletiva. O trânsito é um espaço compartilhado e cada escolha individual tem impacto direto na sua vida e na vida de outras pessoas. Por isso é superimportante nos engajarmos em algumas atitudes, tais como: promover a educação no trânsito; incentivar a direção defensiva, o uso do cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, não beber se vai dirigir, não usar celular enquanto está na direção, apoiar as políticas que sejam eficazes para reduzir vítimas nos acidentes de trânsito. A direção defensiva e protetiva exige uma mudança comportamental que envolve empatia, paciência, responsabilidade e principalmente respeito ao próximo.

A campanha do Maio Amarelo nos lembra que o trânsito é um ambiente onde vidas se encontram, e podem se perder. Está claro que os danos materiais e sociais dos acidentes de trânsito são enormes, que em sua enorme maioria são evitáveis. Cada atitude consciente contribui para um trânsito mais seguro, humano e responsável. Procure usar mais o transporte público, do que o individual. A segurança viária não é apenas um tema de campanha, é um compromisso diário com a vida. Aproveite seu dia.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem: Foto Benjamim Sepulvida/PMB

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