A Geração Z, também conhecida como Zoomers (pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e início de 2010), está mudando as regras do jogo digital e das vendas. Nativa das redes, essa geração cresceu cercada pela tecnologia, mas agora começa a utilizar as plataformas de um jeito diferente. Surge, então, uma tendência em ascensão: o “feed zero”, em que os perfis permanecem quase vazios, embora seus donos continuem ativos em stories, mensagens diretas e grupos privados.
Esse comportamento mostra que os jovens priorizam interações mais autênticas, privadas e efêmeras, o que impacta diretamente a forma como as marcas se conectam com eles e vendem seus produtos. A decisão de abandonar o feed tradicional não é aleatória, ela reflete mudanças profundas na maneira como a Geração Z enxerga o ambiente digital.
Muitos demonstram cansaço com a superexposição e a constante comparação, já que a pressão por curtidas e validação social pode gerar ansiedade, levando-os a evitar o julgamento público. Soma-se a isso a preocupação com privacidade e rastros digitais, que os faz reduzir conteúdos permanentes. Essa geração também busca autenticidade e espontaneidade, valorizando momentos reais compartilhados em formatos rápidos, como stories e mensagens privadas. Além disso, o desgaste com algoritmos e conteúdos excessivamente perfeitos desestimula a publicação no feed, reforçando a preferência por interações mais orgânicas e menos planejadas.
O resultado é um uso das redes mais seletivo, onde o conteúdo efêmero e as interações privadas ganham destaque. A Geração Z não está desconectada, apenas escolhe ambientes digitais que ofereçam controle, proximidade e menor exposição pública. Essa tendência já força mudanças nas próprias plataformas, que investem cada vez mais em stories, transmissões ao vivo e vídeos curtos, reforçando a experiência espontânea que os jovens buscam.
E como esse comportamento afeta as vendas nas redes sociais?
As redes sociais continuam sendo uma vitrine poderosa para as marcas. Costumo dizer que o Instagram pode ser tanto a 25 de Março quanto a Oscar Freire, dependendo do produto ou serviço que está sendo oferecido. Segundo o Relatório do Varejo 2025, divulgado pela Adyen, 55% dos brasileiros compram pelas redes e 37% tendem a adquirir produtos que estão em alta. No entanto, o novo comportamento da Geração Z está transformando a dinâmica das vendas. Com menos atenção no feed, anúncios estáticos e excessivamente produzidos perdem efeito. Essa geração é rápida em identificar conteúdos que parecem “forçados” e tende a ignorá-los.
Em contrapartida, a Geração Z valoriza conteúdos autênticos. Campanhas que mostram bastidores, depoimentos reais e situações do dia a dia têm muito mais chances de engajar. Nesse cenário, parcerias com microinfluenciadores e conteúdo colaborativo (UGC) se tornam estratégias poderosas. Outro fator é a expansão dos formatos efêmeros. Stories, Reels e TikTok são os espaços onde as marcas precisam estar, já que vídeos curtos, criativos e diretos geram maior conexão com esse público.
Apesar das oportunidades, existem desafios. Grande parte das interações acontece em grupos fechados e mensagens privadas, o que dificulta a mensuração de resultados. Isso exige maior investimento em dados, análise de comportamento e campanhas personalizadas. Além disso, não basta vender; é preciso construir relacionamento. A Geração Z espera que as marcas conversem, se posicionem e criem vínculos. Estratégias focadas apenas em conversão de vendas perdem força, abrindo espaço para um marketing/comunicação mais humano e participativo.
O “feed zero” e a preferência por interações privadas mostram que a Geração Z não rejeitou as redes sociais, mas demanda novas formas de conexão. Para as marcas, isso significa repensar anúncios, criar experiências autênticas e investir em formatos que gerem engajamento real.
As empresas que entenderem essa transformação terão vantagem no social commerce, que já movimenta bilhões e segue em crescimento. Portanto, este é o momento de adaptar sua estratégia, falar a língua dessa geração e transformar seguidores em clientes fiéis.
Investir nessas três frentes de forma coordenada não é luxo. É uma estratégia inteligente e cada vez mais indispensável para qualquer empresa ou profissional que queira se destacar.

Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.
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