Instagram muda regras e obriga marcas a rever estratégias em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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O Instagram iniciou 2026 promovendo mudanças que alteram diretamente a forma como marcas, criadores de conteúdo e empresas conseguem crescer dentro da plataforma. E o recado da rede social ficou mais claro nos últimos meses. Quantidade já não é suficiente. O foco agora está em originalidade, autenticidade e qualidade de audiência.

A principal mudança foi confirmada oficialmente por Adam Mosseri, chefe do Instagram, no fim de abril. A plataforma começou a ampliar a penalização para contas que repostam conteúdo de terceiros sem utilizar as ferramentas oficiais do aplicativo. Antes concentrada nos Reels, a análise agora também passa a atingir fotos e carrosséis.

Na prática, perfis que vivem de republicar conteúdos prontos, sem acrescentar contexto, edição ou interpretação própria, deixarão de ser recomendados para novos usuários. Isso significa que a conta continua existindo normalmente para os seguidores atuais, mas perde capacidade de crescimento orgânico. O impacto tende a ser significativo principalmente para páginas de curadoria, agregadores de conteúdo e perfis que utilizavam repostagens como principal estratégia de alcance.

O Instagram deixa claro que o problema não é compartilhar conteúdo de terceiros, mas fazer isso sem gerar valor adicional. Apenas dar créditos na legenda ou inserir marca d’água já não basta. A plataforma passa a priorizar conteúdos considerados “originais”, ou seja, materiais que tragam edição relevante, narração, análise, contexto, remixagem ou uso das ferramentas oficiais, como Remix, Collab e o botão de repost.

Essa mudança acompanha uma tendência mais ampla das redes sociais. Plataformas querem reduzir conteúdos repetitivos e estimular a produção autoral. Para o algoritmo, perfis que apenas replicam materiais passam a competir menos por distribuição. Outro ponto importante é que o Instagram avalia o comportamento da conta nos últimos 30 dias. Isso significa que perfis impactados podem recuperar alcance ao mudar a estratégia e voltar a produzir conteúdo original.

O fim da obsessão por números

Paralelamente às mudanças no algoritmo, a Meta também iniciou uma grande remoção de contas falsas, bots e perfis inativos. A ação já provocou queda significativa no número de seguidores de influenciadores, celebridades e empresas.

Embora muitos tenham interpretado a redução como algo negativo, a própria plataforma sinaliza que a limpeza busca melhorar a autenticidade das métricas e combater manipulações artificiais de engajamento. Na prática, o Instagram está tentando separar audiência real de números inflados.

O movimento afeta diretamente uma cultura antiga das redes sociais, baseada na obsessão por quantidade de seguidores. Durante anos, perfis compravam seguidores ou utilizavam automações para aumentar artificialmente relevância. O problema é que números vazios não geram relacionamento, venda nem influência real.

Agora, a lógica começa a mudar. Com menos bots e contas inativas, o engajamento tende a se tornar mais fiel ao comportamento da audiência verdadeira. Curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos passam a refletir interações mais qualificadas. Isso melhora a leitura do algoritmo sobre relevância do conteúdo. Em muitos casos, perder seguidores pode até fortalecer o perfil. Se antes uma base cheia de contas inativas limitava o alcance, agora uma audiência menor, porém mais ativa, tende a melhorar distribuição orgânica e conversão.

O que muda para empresas e criadores

As mudanças obrigam marcas e produtores de conteúdo a repensarem estratégias. A lógica de volume perde espaço para construção de identidade. Publicar muito já não garante crescimento. Repetir tendências sem adaptação também perde força. O Instagram passa a valorizar mais contexto, posicionamento e diferenciação. Isso não significa abandonar referências ou conteúdos compartilhados. O ponto central está na transformação da informação. Perfis que comentam notícias, analisam tendências, contextualizam conteúdos e desenvolvem leitura própria continuam tendo espaço. Já aqueles que apenas replicam materiais prontos tendem a perder relevância.

Outro fator decisivo passa a ser consistência. Contas que mantêm frequência equilibrada, proposta clara e relacionamento real com a audiência tendem a se adaptar melhor ao novo cenário. O algoritmo está cada vez mais voltado para retenção de atenção qualificada e não apenas para volume de publicação. O Instagram também reforça uma mudança importante no mercado digital. Métricas de vaidade perdem espaço para indicadores mais concretos. Alcance qualificado, tempo de consumo, salvamentos, compartilhamentos e conversão passam a valer mais do que quantidade bruta de seguidores.

A plataforma deixa claro que crescimento artificial tem prazo de validade. Para empresas, isso representa uma mudança estratégica importante. Perfis mais enxutos, mas com audiência real, tendem a gerar resultados melhores em vendas, autoridade e relacionamento.

O que fazer agora

O primeiro passo é revisar a estratégia de conteúdo. Perfis que dependem excessivamente de repostagens precisam começar a produzir interpretação, análise e contexto próprio. Também vale acompanhar o “Status da Conta” dentro das configurações do Instagram, onde a própria plataforma informa possíveis restrições de recomendação.

Outro ponto importante é revisar a base de seguidores. O Instagram já identifica contas suspeitas de spam, permitindo uma limpeza gradual e estratégica. Mas existe um detalhe que muitos ignoram. Se o engajamento continua baixo mesmo após a remoção de bots e perfis falsos, o problema provavelmente não está apenas na audiência. Pode estar no conteúdo, na frequência, na linguagem ou na ausência de posicionamento claro.

As mudanças de 2026 mostram que o Instagram está deixando de premiar volume artificial para favorecer relevância real. E isso altera completamente as regras do jogo para quem usa a plataforma como ferramenta de marca, influência ou negócio.

Você gostaria de saber como ajustar sua estratégia de conteúdo para se adequar a essas novas regras?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Acordo entre Folha e Google reforça novo papel da imprensa na era das inteligências artificiais – por Adriana Vasconcellos Soares

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O recente acordo entre a Folha de S. Paulo e o Google marca uma mudança relevante na forma como a informação circula e influencia decisões no ambiente digital. A parceria prevê o uso de conteúdos jornalísticos do veículo para aprimorar as respostas do Gemini e reforça um movimento que já vinha sendo alertado nesta coluna há alguns meses. De forma silenciosa, as inteligências artificiais estão cada vez mais conectadas a fontes confiáveis de informação.

Na prática, isso significa que parte do acervo e da produção contínua da Folha passa a alimentar diretamente um sistema que responde perguntas, orienta escolhas e molda percepções. Não se trata apenas de distribuição de conteúdo, mas de influência estruturada.

Durante anos, o SEO seguiu uma lógica clara. Produzir conteúdo, ganhar posições nos buscadores, atrair tráfego e converter. Mesmo com mudanças frequentes, o princípio era estável. Quem aparecia mais, tinha mais chances de ser escolhido.

Esse modelo começa a mudar de forma consistente. Hoje, uma parcela crescente dos usuários inicia sua jornada dentro de inteligências artificiais. Em vez de buscar links, fazem perguntas. Em vez de navegar por páginas, recebem respostas prontas, organizadas e contextualizadas. Muitas vezes, sem clicar em nenhum site.

Essa mudança desloca o centro da estratégia digital. O topo do funil deixa de ser medido apenas por visitas e passa a ser medido por exposição dentro das respostas geradas por IA. É o que se consolida como visibilidade por citação.

Se antes a disputa era por posição no Google, agora passa a ser também por presença nas respostas das inteligências artificiais.

Tráfego zero não é ausência de impacto

Um erro comum é avaliar desempenho apenas por métricas tradicionais. Nem toda influência gera clique. E nem toda decisão começa em um site. Um usuário pode fazer diversas perguntas ao longo de dias ou semanas. Se uma mesma marca aparece repetidamente nas respostas, mesmo sem gerar acesso direto, ela constrói familiaridade. Quando chega o momento da decisão, essa marca já ocupa espaço na mente do consumidor.

A conversão acontece, mas o caminho até ela não aparece de forma clara nas ferramentas tradicionais de análise.

Nesse novo cenário, a jornada se encurta. Antes, o consumidor passava por blogs, vídeos, comparadores e avaliações. Agora, grande parte desse processo pode acontecer dentro de uma única interação com IA. Isso reduz os pontos de contato, mas aumenta o peso de cada menção.

Uma citação relevante pode valer mais do que dezenas de impressões dispersas.

Citação é influência

Quando uma inteligência artificial menciona uma marca, ela não está apenas informando. Está validando. Está sinalizando que aquela empresa faz parte do conjunto de opções confiáveis para determinado tema.

Esse reconhecimento tende a se acumular. Quanto mais uma marca aparece com contexto claro, maior a probabilidade de continuar sendo referenciada. O contrário também é verdadeiro. Não aparecer significa, muitas vezes, não ser considerado. Esse movimento já começa a impactar a leitura interna das empresas. Em alguns casos, campanhas pagas apresentam melhor desempenho enquanto o tráfego orgânico parece estagnar. Na prática, o conteúdo orgânico continua relevante, mas seu papel mudou. Ele alimenta a base de conhecimento que sustenta as respostas das Ias, enquanto outros canais capturam a conversão.

O acordo entre Folha e Google torna esse processo mais explícito. Mostra que as plataformas estão estruturando parcerias com fontes confiáveis para qualificar suas respostas. E, nesse contexto, a origem da informação passa a ser ainda mais relevante.

O papel estratégico da assessoria de imprensa

É nesse ponto que a assessoria de imprensa ganha protagonismo. Mais do que gerar visibilidade em veículos tradicionais, ela passa a atuar como ponte entre marcas e os sistemas que organizam a informação no ambiente digital. Ao posicionar empresas em veículos relevantes, produzir conteúdo editorial consistente e fortalecer a presença institucional, a assessoria contribui diretamente para que essas marcas se tornem fontes confiáveis. E são essas fontes que alimentam as inteligências artificiais.

Entrevistas, artigos, menções em reportagens e presença recorrente na mídia aumentam a probabilidade de uma marca ser citada em respostas algorítmicas. Não por acaso, as IAs tendem a priorizar conteúdos com lastro editorial, frequência e credibilidade.

Nesse cenário, a assessoria deixa de ser apenas uma ferramenta de relacionamento com a imprensa e passa a ser um ativo estratégico de posicionamento digital. O impacto não está apenas na exposição, mas na construção de autoridade reutilizável. Uma vez consolidada, essa autoridade pode ser continuamente referenciada em diferentes contextos, perguntas e jornadas de consumo.

O novo jogo da visibilidade

O acordo entre a Folha de S. Paulo e o Google deixa claro que a disputa por atenção mudou de lugar. Ela não acontece mais apenas nos buscadores ou nas redes sociais. Ela acontece dentro das respostas das inteligências artificiais, que passaram a filtrar, organizar e indicar quais marcas merecem ser consideradas.

Nesse cenário, ser encontrado continua importante, mas já não é suficiente. O que realmente pesa é ser citado com frequência, com contexto e dentro de fontes confiáveis. É isso que constrói percepção, reduz dúvida e influencia decisões antes mesmo do clique.

Visibilidade, agora, é ser lembrado antes de ser procurado. E é exatamente nesse ponto que a assessoria de imprensa faz a diferença no negócio. Ao posicionar a marca em veículos relevantes, fortalecer sua reputação e garantir presença consistente em conteúdos de qualidade, ela amplia as chances de citação nas inteligências artificiais e consolida a empresa como referência no mercado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Estar no Google virou condição para existir no mercado – por Adriana Vasconcellos Soares

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O comportamento do consumidor mudou de forma silenciosa, mas definitiva. Antes de entrar em contato com uma empresa, o cliente pesquisa no Google. Em poucos segundos, forma uma percepção e decide se confia ou não. Essa análise acontece sem aviso, sem interação e, muitas vezes, sem que a empresa perceba que perdeu uma oportunidade de venda.

Esse hábito não é pontual. Ele acontece em escala massiva. O Google processa cerca de 8,5 bilhões de buscas por dia no mundo, o equivalente a aproximadamente 99 mil pesquisas por segundo. No Brasil, as estimativas indicam algo em torno de 380 milhões de buscas diárias. Mais do que volume, esses números mostram um padrão. O Google continua sendo o principal ponto de partida para decisões.

Não por acaso, cerca de 93% dos brasileiros afirmam que pesquisam no buscador antes de realizar uma compra. Ou seja, a decisão começa muito antes do contato com a empresa.

Nesse cenário, a escolha não está baseada apenas em preço ou qualidade. Ela passa, principalmente, pela percepção. Fotos, avaliações, comentários, frequência de atualização, respostas aos clientes e organização do perfil se tornaram critérios determinantes. Não se trata apenas de estar presente, mas de como a empresa é encontrada e interpretada. Muitas empresas ainda concentram seus esforços apenas nas redes sociais. Isso é um erro estratégico. Se a marca não aparece nas pesquisas do Google ou aparece de forma desorganizada, ela simplesmente deixa de ser considerada. O buscador se consolidou como o principal ambiente de descoberta, validação e comparação.

Outro dado reforça essa mudança. Cerca de 70% das buscas no Brasil já são feitas por dispositivos móveis. Isso significa que a decisão acontece de forma rápida, muitas vezes quando o cliente precisa de uma solução imediata. Quem aparece bem-posicionado e transmite confiança tem mais chances de ser escolhido.

Nesse contexto, o perfil no Google, especialmente por meio do Google Meu Negócio, deixou de ser um recurso complementar e passou a ser um ativo estratégico. Ele influencia diretamente a visibilidade local e pode determinar se uma empresa será encontrada ou ignorada. Os impactos da falta de otimização são mais profundos do que parecem. Perda de ligações, menos visitas, redução no fluxo de clientes e enfraquecimento da autoridade digital. E o ponto mais crítico é que isso acontece sem sinais claros. A empresa não recebe o contato, mas também não percebe que foi descartada no processo de escolha.

Por outro lado, empresas que estruturam sua presença de forma estratégica constroem vantagem competitiva. Estar bem-posicionado não garante resultado por si só, mas aumenta significativamente a chance de ser considerado. E, em um cenário de decisão rápida, ser considerado já faz diferença.

A otimização envolve mais do que técnica. Passa por organização das informações, uso correto de palavras-chave, gestão de avaliações, atualização constante e coerência no posicionamento. É comunicação aplicada ao ambiente de busca.

Com o avanço da inteligência artificial, esse cenário ganha ainda mais relevância. Ferramentas de IA utilizam informações disponíveis na internet para construir respostas e recomendações. O Google segue como uma das principais fontes desse processo. Empresas com presença estruturada, consistência de dados e reputação consolidada têm mais chances de serem corretamente interpretadas e citadas.

É nesse ponto que a assessoria de imprensa atua como facilitadora. Ao posicionar a empresa em veículos de comunicação de grande influência, gerar conteúdo relevante e ampliar a presença institucional, ela fortalece a reputação e cria sinais externos de credibilidade. Esses sinais ajudam não apenas na percepção do público, mas também na leitura dos sistemas digitais, aumentando as chances de associação correta da marca aos temas em que atua.

No cenário atual, não basta existir. É preciso ser encontrado, compreendido e considerado confiável em poucos segundos.

Um passo simples é fazer um teste direto. Pesquise o nome da sua empresa no Google e observe o que aparece. As informações estão completas? A imagem transmite profissionalismo? As avaliações reforçam a confiança?

Se houver dúvidas, há espaço para evolução. E, nesse ambiente altamente competitivo, quem se posiciona melhor tende a ser lembrado primeiro.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Dia das Mulheres expõe avanços e desigualdades na vida das brasileiras

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Empreender, cuidar da família e lidar com desigualdades que ainda marcam o mercado de trabalho fazem parte da rotina de milhões de brasileiras. Para muitas delas, a busca por autonomia profissional também nasce do desejo de equilibrar carreira e maternidade.

Maria Joana Darc Paulino Gomes Barbosa, proprietária da Sapataria Ophicina Dos Calçados, divide o dia entre a gestão de um negócio no setor de serviços e os cuidados com os filhos. A decisão de empreender surgiu justamente da necessidade de ter mais flexibilidade para acompanhar o crescimento da família, levá-los à escola e participar mais de perto do cotidiano deles. Joana afirma que organização e uma rede de apoio formada pelo marido e pela família foram fundamentais para tornar essa rotina possível.

Maria Joana Darc Paulino Gomes Barbosa
Foto: Arquivo Pessoal

A trajetória da empresária reflete um movimento crescente no país. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam que cerca de 48,1 milhões de mulheres fazem parte da força de trabalho brasileira, considerando a população com 14 anos ou mais. Apesar disso, a participação feminina no mercado ainda é menor que a masculina. Enquanto a taxa de participação dos homens supera 70%, entre as mulheres fica pouco acima de 50%. No mesmo período, o Brasil registrou cerca de 103 milhões de pessoas ocupadas, um dos maiores patamares da série histórica, mas a desigualdade permanece visível.

O desemprego segue mais elevado entre mulheres. Levantamentos da PNAD Contínua mostram que, em alguns períodos recentes, a taxa de desocupação feminina superou 8%, enquanto entre os homens ficou próxima de 5% a 6%. A diferença é ainda maior no recorte racial, já que mulheres negras continuam registrando taxas mais altas de desocupação e informalidade.

Outro fator relevante nesse cenário é a dupla jornada. Além das atividades profissionais, as mulheres seguem dedicando mais tempo aos cuidados da casa e da família. A consultora e professora de Comércio Exterior Marcia Hashimoto afirma que o desafio exige disciplina e organização constantes. “Administrar o tempo é uma habilidade essencial para quem concilia família e carreira. Aprender a organizar a rotina ajuda a minimizar a culpa que muitas mães sentem ao dividir as responsabilidades entre o trabalho e os cuidados com os filhos”, explica.

Marcia Hashimoto – Foto: Arquivo pessoal

Empreendedorismo cresce entre mulheres

Diante dessas dificuldades, o empreendedorismo tem surgido como alternativa para muitas brasileiras. Levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua mostra que o Brasil possui cerca de 10,4 milhões de mulheres à frente do próprio negócio, número recorde e equivalente a aproximadamente 34% dos empreendedores do país. O crescimento é significativo nas últimas décadas, mas ainda convive com obstáculos como acesso mais restrito a crédito e menor faturamento médio.

A corretora de seguros e criadora do Empodera, grupo de empresárias que aposta no networking e na colaboração feminina para o crescimento de mulheres no empreendedorismo, Fatima Cossolin já conciliou a maternidade com a gestão de um negócio próprio e afirma que organização e capacitação profissional são fundamentais nesse processo. Segundo ela, quando existe preparo e planejamento, é possível administrar as demandas da família e do trabalho. “A presença feminina no empreendedorismo evoluiu nos últimos anos, embora ainda exista espaço para maior valorização e respeito às mulheres no ambiente profissional”, diz.

Fatima Cossolin – Foto: Arquivo Pesoal

A experiência de outras empreendedoras reforça esse cenário. Michelle Magalhães Costa, fundadora da Pulse Estratégia, decidiu estruturar o próprio negócio para conseguir permanecer mais próxima da família. Sem rede de apoio familiar e sem babá, precisou reorganizar a rotina e priorizar escolhas que permitissem conciliar maternidade e carreira. “O maior desafio é o tempo. Muitas vezes precisamos dizer não a projetos interessantes porque sabemos que não conseguiremos assumir naquele momento”, afirma. Para Michelle, a maternidade também exige mudanças de mentalidade e mais clareza sobre os próprios limites. “Não existe romantismo. A carga para a mulher é maior, mas seguimos trabalhando e buscando crescer”, resume.

Michelle Magalhães Costa. – Foto: Arquivo Pessoal

A experiência de Maria Joana Darc Paulino Gomes Barbosa também ilustra essa realidade. Ela afirma que eliminar o sentimento de culpa foi um passo importante para equilibrar vida pessoal e profissional. Apesar da satisfação com a escolha, reconhece que os desafios são constantes, especialmente na administração do tempo e nas cobranças internas provocadas pela dupla jornada. Ela também percebe dificuldades no acesso a crédito e financiamentos para mulheres empreendedoras, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à educação financeira e a linhas de financiamento mais acessíveis. Para outras mães que pensam em empreender, deixa uma mensagem baseada na própria experiência. “É preciso resiliência e perseverança, porque os dias difíceis existem, mas quem tem clareza sobre seus objetivos não deve desistir”, incentiva.

Violência, desigualdade e saúde ainda desafiam políticas públicas

No campo da violência, os números continuam alarmantes. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser tipificado na legislação brasileira. A maioria das vítimas é mulher negra e grande parte dos assassinatos ocorre dentro da própria residência, geralmente cometidos por parceiros ou ex-parceiros.

A violência sexual também permanece elevada. O relatório aponta mais de 87 mil registros de estupro em um ano, o equivalente a uma ocorrência aproximadamente a cada seis minutos no país. Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação desses crimes.

No âmbito das políticas públicas, o enfrentamento à violência contra a mulher envolve diferentes iniciativas federais e estaduais. O Ministério das Mulheres coordena programas voltados à prevenção da violência, fortalecimento da rede de proteção e ampliação de serviços de atendimento às vítimas. Entre os principais canais de apoio está a Central de Atendimento à Mulher, conhecida como Ligue 180, que funciona como serviço nacional de orientação e denúncia.

Já na área da saúde, as ações são orientadas pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, conduzida pelo Ministério da Saúde. O sistema público garante exames preventivos para câncer de mama e de colo do útero, acompanhamento pré-natal e assistência durante o parto e o puerpério. Propostas em discussão também buscam ampliar políticas específicas voltadas à menopausa e ao climatério.

O conjunto desses dados mostra que o Dia das Mulheres no Brasil representa ao mesmo tempo um momento de reconhecimento das conquistas e um alerta para desafios que ainda persistem. Avançar na igualdade de oportunidades depende de políticas públicas consistentes, mudanças culturais e de uma sociedade que reconheça a participação feminina como parte essencial do desenvolvimento econômico e social do país.

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Como os links nas legendas do Instagram podem transformar engajamento e conversão – por Adriana Vasconcellos Soares

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O Instagram iniciou uma mudança importante na dinâmica do feed ao testar links clicáveis diretamente nas legendas das publicações. Antes disso, links funcionavam quase sempre na bio, nos stories ou em anúncios pagos, o que criava barreiras entre o interesse do usuário e a ação desejada. Agora, o caminho pode ficar mais curto, mais fluido e mais estratégico para quem cria e consome conteúdo.

A novidade já começou a ser liberada, mas por enquanto apenas para assinantes do programa Meta Verified. A opção aparece no momento da criação da postagem e o acesso está sendo distribuído aos poucos. Isso permite que alguns perfis direcionem o público de forma imediata para um site, WhatsApp, página de vendas ou matéria jornalística sem depender do famoso “link na bio”. Para quem trabalha com conteúdo e conversão, essa simplificação reduz etapas e tende a aumentar cliques, visitas e compras.

O movimento acompanha uma tendência global. Plataformas como TikTok e YouTube já investem há algum tempo em formatos que aproximam conteúdo e ação rápida, competindo por retenção e transações dentro da própria sessão de uso. Com isso, a Meta sinaliza uma estratégia clara: tornar seus produtos mais atrativos para criadores e marcas que dependem de resultados diretos no digital.

A legenda sempre foi o espaço com mais profundidade no Instagram. É ali que entram contexto, argumentos e storytelling. Com o link incorporado, a legenda deixa de ser apenas narrativa e passa a funcionar como ponto de conversão. Isso favorece criadores, profissionais autônomos, empreendedores e empresas que precisam gerar ações imediatas como cadastro, compra ou acesso a conteúdos externos.

Há também impacto direto nas estratégias orgânicas. Durante anos, a limitação dos links dividiu o fluxo de navegação e reduziu taxas de clique. Agora, conteúdos jornalísticos, lançamentos de produtos, páginas de venda e formulários passam a competir em igualdade com formatos antes restritos aos anúncios. Isso pode ajudar veículos de comunicação, que ganham uma porta de entrada mais rápida entre post e matéria, e também criadores que oferecem materiais complementares, newsletters e comunidades.

Ainda assim, especialistas alertam para um ponto de atenção pouco discutido. Como o clique leva o usuário para fora do Instagram, ainda está em análise o impacto sobre alcance e entrega. O algoritmo prioriza retenção e permanência dentro da plataforma. Posts que geram saída imediata podem ser interpretados de forma diferente pelo sistema. Essa resposta só ficará clara com testes e monitoramento constante.

Outro efeito esperado é a mudança progressiva no comportamento do público. Produtos vistos no feed podem ser comprados na hora. Postagens informativas podem virar portas de aprofundamento imediato. Criadores podem direcionar para páginas específicas sem exigir navegação extra. Tudo isso transforma o feed em uma etapa mais estratégica dentro do funil de decisão.

Para quem trabalha com dados, este é um momento de observação ativa. É essencial acompanhar métricas como CTR das legendas, variação no tempo médio de visualização, impressões e diferenças de entrega entre posts com e sem link. O período inicial deve ser experimental e orientado por ajustes finos.

Ainda não há data confirmada para liberação geral. Mas o avanço dos testes indica um Instagram cada vez mais focado em agilidade, integração entre conteúdo e ação e redução de fricção na jornada do usuário. Se o recurso se consolidar, marcas, criadores e empresas terão novas possibilidades de resultado e precisarão adaptar a escrita, a estratégia e o planejamento de conteúdo para aproveitar esse potencial.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Planejar agora para crescer em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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Os presentes já estão embaixo da árvore, os panetones ocupam as mesas e o ritmo do calendário começa a desacelerar. Para muitas empresas, profissionais liberais e marcas pessoais, esse período costuma ser associado à pausa. Para quem atua de forma estratégica, no entanto, é exatamente o início de um novo ciclo. Em comunicação, antecipar decisões é o que garante espaço no futuro. O próximo ano já começou agora para quem entende que visibilidade não se improvisa.

E 2026 tende a ser tudo menos silencioso. Copa do Mundo, eleições, grandes eventos nacionais e internacionais, feriados estrategicamente distribuídos e um fluxo intenso de informações disputando atenção diariamente. Em um cenário tão competitivo, apenas existir não sustenta posicionamento. É preciso ser visto, lembrado e reconhecido como referência, especialmente por empresas B2B, médicos, advogados, executivos e empreendedores que competem por credibilidade em mercados cada vez mais saturados.

É nesse contexto que a assessoria de imprensa se consolida como uma estratégia central de comunicação. Diferentemente da publicidade paga, que depende de investimentos constantes e enfrenta custos crescentes, a presença editorial oferece algo que não se compra. Credibilidade.

Quando uma marca, clínica ou especialista aparece em uma reportagem, entrevista ou matéria jornalística, não está apenas divulgando um serviço. Está sendo validado por um veículo que o público reconhece como fonte confiável.

Pesquisas recorrentes sobre consumo de informação mostram que o público tende a confiar mais em conteúdos jornalísticos do que em anúncios. Essa confiança se reflete diretamente na reputação. Empresas e profissionais que mantêm presença contínua na imprensa costumam ser mais lembrados em momentos de decisão, seja para contratar um serviço, agendar uma consulta ou escolher um fornecedor. Não se trata de exposição pontual, mas de construção consistente de imagem.

As redes sociais seguem cumprindo papel relevante ao atrair, engajar e aproximar públicos. A imprensa, por sua vez, legitima e consolida essa presença. Quando essas frentes atuam de forma integrada, os resultados se potencializam. Uma matéria publicada gera conteúdo para redes, fortalece autoridade digital, influencia buscas e sustenta narrativas institucionais.

Quando caminham separadas, perdem força e impacto. Em um ano marcado por grandes acontecimentos e excesso de informação, essa integração deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade.

Por isso, a assessoria de imprensa continua sendo uma das estratégias com melhor custo-benefício da comunicação. Com planejamento, consistência e leitura de cenário, ela transforma conhecimento técnico em pauta relevante, posiciona especialistas como fontes recorrentes e mantém marcas presentes nos veículos certos ao longo do ano. Não é sobre aparecer por aparecer. É sobre ocupar espaços estratégicos de forma contínua, coerente e alinhada aos objetivos do negócio.

Comunicação estratégica começa pela escuta

Na Six Comunicação Integrada, o trabalho começa pela escuta e pelo entendimento profundo de cada cliente, de sua atuação, desafios e metas. A partir disso, a expertise é traduzida em pautas jornalísticas, narrativas estratégicas e posicionamento editorial em portais, jornais, rádios, TVs e ambientes digitais. Sempre com responsabilidade, ética e, no caso das áreas da saúde e do direito, total alinhamento ao Código de Ética Médica e às diretrizes da OAB. Visibilidade sem estratégia gera ruído. Comunicação bem conduzida constrói autoridade.

Na prática, a era digital nivelou a disputa por atenção. Hoje, empresas de todos os portes competem pelos mesmos espaços simbólicos e informativos. Enquanto este texto é lido, é provável que um concorrente esteja investindo em comunicação para se manter presente ou conquistar novos públicos. A diferença está em quem compreende que comunicação não é custo, mas investimento direto em reputação, confiança e sustentabilidade.

Mostrar que sua empresa existe, explicar o que ela faz e deixar claro qual experiência entrega é essencial para crescer. Isso se torna mais eficiente quando assessoria de imprensa e marketing digital atuam de forma integrada. Essa combinação fortalece a imagem institucional, amplia presença online e transforma porta vozes em referências consistentes em seus setores.

Entrar em 2026 com um plano de comunicação estruturado é estar preparado para um ano intenso, competitivo e cheio de oportunidades. Em meio a agendas cheias e grandes eventos, quem constrói reputação com antecedência se destaca. Quem deixa para depois, disputa migalhas de atenção. A pergunta que fica é simples. Sua marca está construindo autoridade ou apenas reagindo ao mercado?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Geração Z, “feed zero” e o futuro das vendas nas redes sociais – por Adriana Vasconcellos

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A Geração Z, também conhecida como Zoomers (pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e início de 2010), está mudando as regras do jogo digital e das vendas. Nativa das redes, essa geração cresceu cercada pela tecnologia, mas agora começa a utilizar as plataformas de um jeito diferente. Surge, então, uma tendência em ascensão: o “feed zero”, em que os perfis permanecem quase vazios, embora seus donos continuem ativos em stories, mensagens diretas e grupos privados.

Esse comportamento mostra que os jovens priorizam interações mais autênticas, privadas e efêmeras, o que impacta diretamente a forma como as marcas se conectam com eles e vendem seus produtos. A decisão de abandonar o feed tradicional não é aleatória, ela reflete mudanças profundas na maneira como a Geração Z enxerga o ambiente digital.

Muitos demonstram cansaço com a superexposição e a constante comparação, já que a pressão por curtidas e validação social pode gerar ansiedade, levando-os a evitar o julgamento público. Soma-se a isso a preocupação com privacidade e rastros digitais, que os faz reduzir conteúdos permanentes. Essa geração também busca autenticidade e espontaneidade, valorizando momentos reais compartilhados em formatos rápidos, como stories e mensagens privadas. Além disso, o desgaste com algoritmos e conteúdos excessivamente perfeitos desestimula a publicação no feed, reforçando a preferência por interações mais orgânicas e menos planejadas.

O resultado é um uso das redes mais seletivo, onde o conteúdo efêmero e as interações privadas ganham destaque. A Geração Z não está desconectada, apenas escolhe ambientes digitais que ofereçam controle, proximidade e menor exposição pública. Essa tendência já força mudanças nas próprias plataformas, que investem cada vez mais em stories, transmissões ao vivo e vídeos curtos, reforçando a experiência espontânea que os jovens buscam.

E como esse comportamento afeta as vendas nas redes sociais?

As redes sociais continuam sendo uma vitrine poderosa para as marcas. Costumo dizer que o Instagram pode ser tanto a 25 de Março quanto a Oscar Freire, dependendo do produto ou serviço que está sendo oferecido. Segundo o Relatório do Varejo 2025, divulgado pela Adyen, 55% dos brasileiros compram pelas redes e 37% tendem a adquirir produtos que estão em alta. No entanto, o novo comportamento da Geração Z está transformando a dinâmica das vendas. Com menos atenção no feed, anúncios estáticos e excessivamente produzidos perdem efeito. Essa geração é rápida em identificar conteúdos que parecem “forçados” e tende a ignorá-los.

Em contrapartida, a Geração Z valoriza conteúdos autênticos. Campanhas que mostram bastidores, depoimentos reais e situações do dia a dia têm muito mais chances de engajar. Nesse cenário, parcerias com microinfluenciadores e conteúdo colaborativo (UGC) se tornam estratégias poderosas. Outro fator é a expansão dos formatos efêmeros. Stories, Reels e TikTok são os espaços onde as marcas precisam estar, já que vídeos curtos, criativos e diretos geram maior conexão com esse público.

Apesar das oportunidades, existem desafios. Grande parte das interações acontece em grupos fechados e mensagens privadas, o que dificulta a mensuração de resultados. Isso exige maior investimento em dados, análise de comportamento e campanhas personalizadas. Além disso, não basta vender; é preciso construir relacionamento. A Geração Z espera que as marcas conversem, se posicionem e criem vínculos. Estratégias focadas apenas em conversão de vendas perdem força, abrindo espaço para um marketing/comunicação mais humano e participativo.

O “feed zero” e a preferência por interações privadas mostram que a Geração Z não rejeitou as redes sociais, mas demanda novas formas de conexão. Para as marcas, isso significa repensar anúncios, criar experiências autênticas e investir em formatos que gerem engajamento real.

As empresas que entenderem essa transformação terão vantagem no social commerce, que já movimenta bilhões e segue em crescimento. Portanto, este é o momento de adaptar sua estratégia, falar a língua dessa geração e transformar seguidores em clientes fiéis.

Investir nessas três frentes de forma coordenada não é luxo. É uma estratégia inteligente e cada vez mais indispensável para qualquer empresa ou profissional que queira se destacar.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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A Nova Era do Desejo Digital: O Morango do Amor virou um fenômeno cultural – por Adriana Vasconcellos

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O Morango do Amor virou um fenômeno cultural ao mostrar como um simples doce pode se transformar em desejo coletivo com a força do branding

Por que um morango mergulhado no chocolate virou o produto mais desejado do país nos últimos dias? A pergunta parece simples, mas a resposta revela muito sobre comportamento digital, marketing afetivo e branding de experiência. O “Morango do Amor” não é apenas uma sobremesa bonita, ele é um fenômeno cultural.

O movimento pode ser comparado ao sucesso do pistache, que também viralizou, mas de forma diferente. As pessoas não buscavam um doce específico com pistache, buscavam qualquer coisa com pistache. O que está acontecendo com o morango do amor é inédito: é a primeira vez, fora datas comemorativas como Páscoa, Natal ou Dia dos Namorados, que um único doce alcança tamanha força espontânea nas redes sociais.

O morango do amor é, acima de tudo, instagramável. A composição visual é praticamente feita para viralizar: o vermelho vivo da fruta, o brilho do chocolate, os confeitos coloridos, corações e embalagens cuidadosamente montadas. Basta um vídeo bem-feito ou até mesmo malfeito para despertar o desejo.

Esse é o ponto onde branding e marketing digital se encontram: no digital, estética é argumento de venda. Um produto visualmente atraente, mesmo simples, chama atenção e se transforma em objeto de desejo. Em um ambiente ruidoso, o morango do amor tem a força de fazer o consumidor parar de rolar o feed.

Mas não é só o visual. O morango do amor carrega consigo uma narrativa afetiva. Ele representa mimo, carinho, romantismo e cuidado. O nome já diz tudo, não é só um doce, é um gesto. Casais trocam, mães presenteiam filhos, pessoas se dão de presente. E isso reforça uma lição poderosa do branding: quando um produto se conecta com a emoção, ele se torna inesquecível.

O que diferencia o morango do amor não é apenas o sabor, é a experiência. A sobremesa vem carregada de memória, sensação e intenção. A estética seduz, mas é o significado que fideliza.

O marketing espontâneo venceu novamente

A explosão desse doce nas redes é, acima de tudo, um case de marketing espontâneo e orgânico. O morango do amor viralizou sem campanha paga e sem grandes marcas por trás. Bastaram vídeos curtos, histórias reais e gente comum postando seus acertos e erros na receita. Influenciadores, confeiteiros, donas de casa e até iniciantes na cozinha ajudaram a espalhar a tendência. E aqui está uma lição importante: não é a perfeição que viraliza, é a autenticidade. Erros divertidos, tutoriais simples e bastidores da produção foi o que gerou identificação, engajamento e desejo.

Se você tem um negócio, físico ou digital, o morango do amor ensina três verdades fundamentais:

  • Um produto simples pode virar especial com branding
    O que transforma é o cuidado na apresentação. A embalagem, a entrega, o nome.
  • Venda por impulso exige conveniência
    É preciso estar onde o desejo surge. Por exemplo, no feed do Instagram, balcão da cafeteria, checkout da loja virtual etc.
  • A experiência é o que faz o cliente voltar
    Quando o consumidor se encanta, ele compra de novo, indica e ainda compartilha.

Além disso, empreendedores que souberem aproveitar o hype não apenas venderão mais, mas criarão marcas próprias, com personalidade, estilo e presença. O morango do amor é a porta de entrada para centenas de pequenos negócios tocados por mulheres, muitas vezes com investimento mínimo e retorno imediato. Isso é branding pessoal na prática. E como aplicar isso no seu marketing?

Aqui vão três passos simples e eficazes:

  • Capriche na estética
    Seja doce, post ou e-book, a apresentação importa. Invista em imagens, detalhes, embalagens, legendas bem escritas.
  • Facilite a compra por impulso
    Use botões de compra visíveis, ofereça brindes e crie oportunidades de desejo. No físico ou no digital.
  • Conte uma boa história
    Quem faz, por que faz, como faz. No caso do morango do amor, é a vendedora da praça que sorri, é o artesão que embala um a um com cuidado. Tudo isso conecta.

Branding é emoção. E emoção vende!

O sucesso do morango do amor reforça que vender é encantar. É provocar sentimento, criar identificação e despertar vontade. E mais: mostra que você não precisa de um grande orçamento para ter um grande resultado. Só precisa de uma boa ideia e um estética bem cuidada para transformar o seu produto na alma no negócio. No fim, o morango do amor virou mais que uma sobremesa. Virou símbolo. Virou desejo. Virou lição. Agora pense: qual é o “morango do amor” do seu negócio? Qual produto ou serviço você pode transformar em desejo, só cuidando da forma como ele é visto, oferecido e vivido?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Sua marca pessoal fala por você antes mesmo que você diga qualquer coisa – por Adriana Vasconcellos

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Você sabia que 55% da primeira impressão que causamos nas pessoas se baseia na nossa aparência, 38% no tom de voz e apenas 7% no conteúdo do que falamos? Esse dado, muitas vezes subestimado, revela uma verdade poderosa: sua imagem comunica antes mesmo de você abrir a boca.

Mais do que aparência física, marca pessoal é o conjunto daquilo que você é, demonstra e transmite. É o reflexo direto da sua identidade, seus valores, sua postura e da forma como você se relaciona com o mundo. Ter um brand pessoal bem definido é essencial, não apenas para quem ocupa cargos de liderança ou atua como influenciador, mas para qualquer profissional que queira crescer com autenticidade, consistência e reputação.

A primeira impressão: rápida, emocional e duradoura

Estudos apontam que levamos cerca de 10 segundos para formar uma impressão sobre alguém. Isso inclui não só aparência, mas comportamento, tom de voz, expressões faciais e postura. O que você transmite nos seus primeiros instantes de contato pode abrir (ou fechar) portas sem que você perceba.

Em um mundo hiperconectado e visual, sua marca pessoal é seu maior ativo. Ela influencia diretamente:

  • Sua credibilidade e capacidade de gerar confiança;
  • A força e a qualidade do seu networking e dos seus relacionamentos profissionais;
  • Sua valorização no mercado e a percepção do seu diferencial competitivo;
  • A efetividade da sua comunicação e clareza da sua mensagem;
  • E, não menos importante, sua autoestima e bem-estar.

Hoje, não há separação entre o mundo físico e o digital. O modo como você se apresenta no LinkedIn, Instagram, WhatsApp, em reuniões presenciais ou num simples café com colegas compõe sua narrativa pessoal e profissional. Tudo está interligado. Se você deseja crescer na carreira, atrair oportunidades de negócios, ser lembrado por aquilo que faz de melhor e se destacar de forma ética e verdadeira, precisa investir em construir e cuidar da sua marca pessoal.

E isso começa com algumas perguntas simples, mas fundamentais:

  • Quem é você?
  • Quais são os seus valores inegociáveis?
  • Que tipo de impressão você deseja causar?
  • Como deseja ser lembrado?

O poder da marca pessoal nas mídias sociais e fora delas também

As redes sociais são, sem dúvida, os maiores palcos para a construção e fortalecimento de uma marca pessoal. Seja no LinkedIn, Instagram, TikTok ou outras plataformas, elas permitem que você seja visto, ouvido e lembrado. Mas estar presente não basta. É preciso ter posicionamento, estratégia e consistência.

E, para quem quer dar um passo além, a assessoria de imprensa é uma aliada poderosa nessa jornada de visibilidade e reputação. Enquanto as redes sociais constroem sua imagem por meio de conteúdo próprio, a presença na mídia tradicional agrega autoridade e validação externa. Ser mencionado por jornais, revistas, sites e programas de TV ou rádio fortalece sua credibilidade, amplia seu alcance e ajuda a consolidar sua imagem como referência no que você faz.

A combinação de posicionamento digital com aparições estratégicas na imprensa é o que diferencia perfis comuns de marcas pessoais memoráveis. A seguir, alguns passos essenciais:

  • Defina sua marca pessoal: Antes de qualquer postagem ou aparição, tenha clareza sobre quem você é, seus valores e a mensagem que deseja transmitir.
  • Escolha as plataformas certas: LinkedIn é excelente para posicionamento profissional, enquanto Instagram favorece uma abordagem mais visual e emocional. Conheça seu público e esteja onde ele está.
  • Crie conteúdo de valor: Compartilhe histórias reais, bastidores, aprendizados e temas que estejam alinhados à sua expertise. Isso gera conexão e identificação.
  • Seja consistente: Marcas fortes se constroem com frequência, não com postagens esporádicas. Mantenha ritmo, coerência e presença contínua.
  • Engaje com sua audiência: Responda, interaja, agradeça. Construir marca pessoal é, antes de tudo, sobre relacionamento.
  • Monitore e cuide da sua reputação: Avalie como está sendo percebido, responda críticas com inteligência e esteja atento a possíveis crises.
  • Invista em assessoria de imprensa: Ser notícia em veículos respeitados reforça sua autoridade de forma orgânica e espontânea. A assessoria ajuda a transformar sua trajetória, ideias e diferenciais em pautas de interesse público, posicionando você como fonte confiável no seu setor. Lembre-se! Quem quer se destacar precisa estar nas redes. Mas também precisa ser reconhecido fora delas. A união entre imagem digital e presença na mídia fortalece sua marca pessoal em todas as direções.

E para empresas? A lógica é a mesma

Assim como pessoas, empresas precisam construir e manter sua marca de forma profissional. Isso passa por identidade visual clara, tom de voz consistente, presença digital bem gerida e imagem institucional alinhada aos seus valores. Quando bem-feita, a comunicação corporativa transmite confiança, qualidade e solidez.

Tenha em mente que ter um brand pessoal bem definido não é vaidade. É visão de futuro. Sua marca pessoal fala por você quando você entra em uma sala. Mas também quando você sai. Ela abre portas, constrói reputação e torna sua trajetória profissional mais coerente, humana e reconhecida. A pergunta que fica é: você está deixando a sua marca ou apenas passando despercebido?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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A nova força da reputação; por que a assessoria de imprensa se tornou essencial? – por Adriana Vasconcellos

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Em um cenário cada vez mais competitivo, em que a visibilidade digital influencia decisões de consumo, escolha de serviços e formação de opinião, a presença na mídia tradicional voltou a ocupar um papel estratégico nas estratégias de comunicação de empresas e profissionais liberais.

Enquanto alguns médicos, advogados e empreendedores ganham espaço em reportagens, entrevistas e colunas de destaque, outros – igualmente qualificados – permanecem invisíveis aos olhos do público. O fator determinante, na maioria dos casos, não está na competência técnica, mas na ausência de uma assessoria de imprensa estruturada.

A era da visibilidade qualificada

Com o avanço das redes sociais, muitos profissionais passaram a apostar exclusivamente nos próprios canais digitais para fortalecer a imagem pessoal ou institucional. No entanto, o alcance e a credibilidade conquistados por meio de matérias espontâneas em veículos de comunicação respeitados continuam sendo diferenciais de peso.

Aparecer na mídia não é apenas uma questão de vaidade ou marketing. Trata-se de uma construção sólida de reputação e autoridade. O que se pública nos jornais, revistas, portais de notícias e programas de TV ou rádio tende a ser percebido como conteúdo de interesse público, com maior credibilidade perante os leitores, ouvintes e espectadores. Além disso, as publicações em veículos de grande audiência têm efeito direto no ambiente digital. As menções e links em sites de notícias contribuem para o ranqueamento orgânico no Google, aumentando a visibilidade de forma consistente e duradoura.

Estudos sobre comportamento do consumidor e decisão de compra indicam que a exposição positiva na mídia pode influenciar diretamente a escolha por um profissional ou serviço. A associação do nome de uma clínica, escritório ou empresa a fontes jornalísticas confiáveis amplia o alcance da marca e fortalece a percepção de autoridade no segmento de atuação.

Além de gerar reconhecimento, a assessoria de imprensa também contribui para a construção de uma narrativa estratégica, que posiciona o cliente como fonte especializada em sua área, facilitando o relacionamento com jornalistas e formadores de opinião.

Uma demanda em crescimento

O aumento da busca por serviços de assessoria de imprensa por profissionais da saúde, do direito e do setor empresarial revela uma mudança de mentalidade no mercado. Cada vez mais, esses profissionais e empresas entendem que ser notícia é uma forma legítima e eficiente de conquistar espaço, atrair oportunidades e reforçar a reputação.

Em um mundo onde a informação circula em velocidade recorde e a credibilidade é um ativo valioso, estar presente na mídia deixou de ser uma escolha opcional. Tornou-se uma necessidade estratégica para quem deseja se destacar e ter credibilidade.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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