O mercado que muitos pequenos negócios ainda ignoram – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muito tempo, boa parte das estratégias de marketing concentrou seus esforços em conquistar consumidores mais jovens. Afinal, acreditava-se que inovação, consumo e crescimento estavam diretamente ligados às novas gerações. Mas os números mostram que essa lógica já não explica completamente o mercado brasileiro. Uma parcela cada vez mais ativa da economia é formada por pessoas com mais de 50 anos. Conhecida como “geração prateada” ou “economia prateada”, essa população reúne profissionais experientes, consumidores com maior poder aquisitivo e pessoas que permanecem economicamente ativas por muito mais tempo do que ocorria décadas atrás.

Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, somente em 2024, brasileiros entre 50 e 79 anos produziram cerca de R$ 89 bilhões por mês em renda do trabalho, o equivalente a 20% de toda a renda do trabalho do país. Além disso, essa parcela da população movimenta outros R$ 12 bilhões mensais provenientes de aposentadorias e pensões, ampliando significativamente sua capacidade de consumo.

Mais do que números, esse cenário revela uma mudança de comportamento. A ideia de que pessoas acima dos 50 anos estão encerrando a vida profissional já não reflete a realidade de uma parcela significativa da população. Muitos permanecem no mercado por escolha, ocupando cargos de liderança, atuando como consultores, empreendedores, professores e profissionais liberais. Outros iniciam uma segunda ou até uma terceira carreira, expressão utilizada para descrever profissionais que, após anos de experiência em uma área, decidem empreender ou seguir um novo caminho profissional. Há ainda quem permaneça trabalhando simplesmente porque deseja continuar produzindo, aprendendo e participando da vida econômica e social.

Ao mesmo tempo, trata-se de um público mais escolarizado, com maior expectativa de vida, mais autonomia financeira e disposição para investir em qualidade de vida, viagens, saúde, educação, tecnologia, lazer e experiências. Apesar disso, muitas pequenas empresas continuam direcionando praticamente toda sua comunicação para públicos mais jovens. Esse talvez seja um dos maiores erros estratégicos de posicionamento.

Quem conversa apenas com um perfil de consumidor pode deixar de enxergar um mercado altamente qualificado, fiel e disposto a consumir produtos e serviços que atendam suas necessidades reais.

Mas conquistar esse público não depende apenas de adaptar campanhas publicitárias, o maior desafio é construir confiança. É justamente nesse contexto que a comunicação estratégica e a assessoria de imprensa assumem um papel fundamental.

Consumidores mais maduros costumam valorizar reputação, credibilidade e histórico antes de tomar decisões. Eles pesquisam, comparam informações, procuram referências e tendem a confiar mais em empresas que demonstram autoridade no mercado.

Nesse contexto, entrevistas, reportagens, artigos assinados e presença recorrente na imprensa funcionam como importantes elementos de validação. Quando uma empresa aparece em veículos de comunicação explicando tendências, compartilhando conhecimento ou oferecendo orientações ao mercado, ela deixa de ser apenas mais uma opção comercial e passa a ser percebida como referência.

Esse movimento ganha ainda mais importância com o avanço da inteligência artificial. Ferramentas como Google AI Overviews, ChatGPT, Gemini e Perplexity passaram a utilizar conteúdos publicados em fontes confiáveis para construir respostas aos usuários. Isso significa que uma estratégia consistente de assessoria de imprensa fortalece não apenas a reputação perante as pessoas, mas também aumenta a presença digital em ambientes utilizados pelas inteligências artificiais.

Para pequenos negócios, essa pode ser uma oportunidade importante. Enquanto grandes empresas disputam investimentos elevados em mídia paga, negócios locais podem conquistar espaço produzindo conteúdo útil, compartilhando conhecimento especializado e construindo autoridade por meio da imprensa. Mais do que vender produtos, trata-se de construir relacionamento com um público que valoriza experiência, consistência e confiança.

O envelhecimento da população brasileira costuma ser apresentado como um desafio econômico. No entanto, especialistas defendem que ele também representa uma oportunidade de desenvolvimento, desde que empresas e governos saibam aproveitar o potencial produtivo e consumidor dessa geração.

Para quem atua com pequenos negócios, a mensagem é clara, talvez o próximo grande mercado para sua empresa não esteja nas novas gerações. Ele pode estar justamente entre consumidores que acumulam experiência, renda, tempo e disposição para continuar investindo em qualidade de vida. A diferença é que essas pessoas não procuram apenas preço. Elas procuram confiança. E a confiança continua sendo construída por meio de comunicação, reputação e autoridade.

A disputa não acontece apenas por visibilidade, ela acontece por confiança. E confiança continua sendo um dos ativos mais valiosos para qualquer negócio. No ambiente digital atual, ser encontrado é importante, mas ser reconhecido como uma fonte confiável pode fazer toda a diferença quando um cliente, um parceiro ou até mesmo uma inteligência artificial precisa escolher quem merece ser lembrado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Como pequenos negócios podem ganhar autoridade em um mundo dominado pela inteligência artificial – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muitos anos, a visibilidade de pequenas empresas dependia principalmente de publicidade, indicação de clientes e presença nas redes sociais. Hoje, a lógica da comunicação está mudando rapidamente. A inteligência artificial está transformando a forma como as pessoas pesquisam informações, escolhem fornecedores e tomam decisões de compra.

Nesse novo cenário, a assessoria de imprensa deixa de ser uma ferramenta utilizada apenas por grandes empresas e passa a ocupar um papel estratégico também para pequenos negócios. A mudança acontece porque a inteligência artificial alterou o caminho da informação.

Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e os próprios resumos gerados pelo Google passaram a responder perguntas dos usuários antes mesmo que eles visitem um site. Quando alguém procura por um profissional, uma empresa ou uma solução para determinado problema, muitas vezes recebe uma resposta pronta, baseada em conteúdos considerados confiáveis pelos sistemas de inteligência artificial. E é justamente nesse ponto que a imprensa ganha relevância.

Credibilidade passa a valer mais do que alcance

As redes sociais continuam importantes, mas enfrentam um desafio crescente. O volume de conteúdo produzido diariamente é tão grande que conquistar atenção se tornou cada vez mais difícil. Além disso, alcance não significa necessariamente confiança. Uma publicação pode alcançar milhares de pessoas e ainda assim gerar pouco impacto na percepção do público. Já uma reportagem, uma entrevista ou um artigo publicado em um veículo de comunicação costuma carregar um elemento que nenhuma rede social consegue reproduzir integralmente, a credibilidade editorial.

Quando uma empresa é citada por um veículo de imprensa, ela passa por um processo de validação que fortalece sua reputação perante clientes, parceiros e mercado. Na era da inteligência artificial, esse reconhecimento ganha uma dimensão adicional, já que as IAs tendem a utilizar fontes consideradas confiáveis para construir respostas e recomendações. Isso significa que a presença em veículos de comunicação pode contribuir para aumentar a autoridade digital de uma marca.

Pequenas empresas também podem ser referência

Existe uma percepção equivocada de que assessoria de imprensa é um recurso exclusivo para grandes corporações. Na prática, pequenos negócios possuem algo extremamente valioso para a imprensa, que são histórias reais, conhecimento especializado e conexão direta com problemas que afetam a vida das pessoas.

Empresas familiares, profissionais liberais, clínicas, escritórios, consultorias e prestadores de serviço acumulam experiências que podem gerar pautas relevantes para veículos locais, regionais e até nacionais. O desafio não está na falta de conteúdo, mas na capacidade de transformar conhecimento em informação de interesse público.

É exatamente esse o papel da assessoria de imprensa.

Mais do que divulgar produtos ou serviços, ela identifica oportunidades de posicionamento, constrói narrativas relevantes e conecta especialistas aos temas que estão em discussão na sociedade.

Autoridade digital não se constrói apenas com algoritmos

Muitas empresas concentram seus esforços exclusivamente nas redes sociais. Embora essas plataformas sejam importantes, elas estão sujeitas a mudanças constantes de algoritmo, alcance e comportamento do usuário. Por isso, uma estratégia baseada apenas em redes sociais cria dependência de plataformas que a empresa não controla.

A assessoria de imprensa ajuda a diversificar essa presença.

Entrevistas, reportagens, artigos de opinião e participações em pautas jornalísticas geram ativos de reputação que permanecem disponíveis por muito mais tempo. Além disso, fortalecem a presença da marca em ambientes que podem ser utilizados como referência por buscadores e sistemas de inteligência artificial. Em outras palavras, a empresa deixa de depender apenas da própria comunicação e passa a contar também com reconhecimento externo.

A nova disputa é por confiança

A inteligência artificial está tornando a informação mais acessível, mas também está ampliando a necessidade de fontes confiáveis. Quanto maior o volume de conteúdo disponível, maior a importância da credibilidade. Nesse contexto, pequenas empresas que investem em reputação, relacionamento com a imprensa e construção de autoridade tendem a ganhar vantagem competitiva.

A disputa não acontece apenas por visibilidade, ela acontece por confiança. E confiança continua sendo um dos ativos mais valiosos para qualquer negócio. No ambiente digital atual, ser encontrado é importante, mas ser reconhecido como uma fonte confiável pode fazer toda a diferença quando um cliente, um parceiro ou até mesmo uma inteligência artificial precisa escolher quem merece ser lembrado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Como aparecer nos resumos do Google e nos chats de IA – por Adriana Vasconcellos Soares

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A inteligência artificial mudou a forma como as pessoas pesquisam informações na internet. As buscas não estão diminuindo. Elas estão se expandindo. O que mudou foi o comportamento do usuário e a maneira como o conteúdo é consumido.

Apesar do crescimento de ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity, o Google continua sendo a principal porta de entrada para a informação digital. Embora a empresa não divulgue números detalhados por país, o Brasil é atualmente o segundo maior mercado de buscas do mundo, atrás apenas da Índia. Dados de mercado indicam que mais de 90% dos brasileiros conectados utilizam o buscador regularmente. Considerando que o Google processa mais de 16 bilhões de pesquisas por dia em todo o mundo, estima-se que os brasileiros realizem bilhões de buscas diariamente, impulsionados pela alta penetração da internet e pelo uso massivo de dispositivos móveis.

O que está mudando não é a importância das buscas, mas a forma como elas acontece.

Hoje, parte das respostas já aparece pronta nos resumos do Google, nos AI Overviews e em plataformas de inteligência artificial. Em vez de acessar vários links para encontrar uma informação, o usuário faz uma pergunta e recebe uma síntese pronta com recomendações, explicações, comparações e caminhos para tomada de decisão.

Segundo estudos recentes do mercado de SEO, os resumos gerados por IA aumentaram significativamente as impressões nas buscas, mas reduziram os cliques para os sites. Isso revela uma transformação importante. A visibilidade digital não depende mais apenas de gerar tráfego. Ela passa a depender também da capacidade de aparecer nas respostas produzidas pelas inteligências artificiais.

Nesse novo cenário, empresas, marcas e profissionais de diferentes segmentos precisam adaptar sua comunicação. A seguir, veja oito passos para aumentar as chances de aparecer nos resumos do Google e nos chats de IA.

1 – Entenda como as pessoas pesquisam

As buscas ficaram mais conversacionais e específicas. O usuário não pesquisa apenas “consultoria financeira” ou “advogado trabalhista”. Agora ele pergunta:

“Qual a melhor estratégia para reduzir custos na empresa?”

“Como escolher um advogado para revisão contratual?”

“Qual plataforma vale mais a pena para pequenas empresas?”

As inteligências artificiais trabalham exatamente em cima desse modelo de pergunta e resposta. Quanto mais sua comunicação refletir a linguagem real do público, maiores serão as chances de relevância.

2 – Transforme dúvidas reais em conteúdo

Um dos caminhos mais eficientes é usar as perguntas frequentes dos clientes como pauta de conteúdo. Toda empresa acumula dúvidas recorrentes no atendimento, nas reuniões comerciais e nas redes sociais. Essas perguntas mostram exatamente o que o mercado quer entender. Conteúdos que respondem questões práticas tendem a performar melhor tanto nos buscadores quanto nas respostas geradas por IA.

3 – Use linguagem simples e objetiva

Muitas marcas ainda produzem conteúdos excessivamente técnicos, longos e difíceis de interpretar. As inteligências artificiais priorizam clareza, contexto e objetividade. Isso significa que a linguagem precisa ser acessível sem perder profundidade. Em vez de tentar impressionar com termos complexos, o ideal é explicar de forma clara, direta e útil.

4 – Tenha presença em fontes confiáveis

As IAs tendem a priorizar informações provenientes de fontes recorrentes e consideradas confiáveis. Por isso, presença digital não significa apenas ter um site. Significa construir reputação em diferentes ambientes. Perfis completos em plataformas relevantes do setor, avaliações positivas, participação em eventos, entrevistas, entrevistas e artigos publicados na imprensa e presença institucional consistente ajudam a fortalecer a autoridade digital.

5 – Produza conteúdos focados em uma única resposta

Conteúdos muito amplos dificultam a interpretação e o reaproveitamento pelas inteligências artificiais. Materiais mais objetivos costumam funcionar melhor. Um artigo, vídeo ou postagem que responda claramente uma única dúvida tende a ter maior potencial de reutilização nos resumos automáticos e isso não significa superficialidade, significa organização da informação.

6 – Use vídeos como ferramenta de descoberta

YouTube, Instagram, TikTok e outras plataformas deixaram de ser apenas redes sociais. Elas também funcionam como mecanismos de busca. Muitas pessoas pesquisam diretamente nesses ambientes antes de tomar decisões.

Vídeos curtos, explicativos e educativos ajudam a ampliar a presença digital e aumentam as chances de descoberta tanto nas plataformas sociais quanto nos resultados do Google.

7 – Produza conteúdo para quem está decidindo

Grande parte das empresas ainda concentram produção apenas no topo do funil, focando conteúdos genéricos e informativos, mas as inteligências artificiais também valorizam materiais ligados à tomada de decisão. Comparativos, análises, perguntas frequentes, estudos de caso, provas sociais e demonstrações de resultados ajudam a construir confiança e relevância. Esses conteúdos influenciam diretamente a percepção do usuário antes da escolha final.

8 – Use a inteligência artificial como apoio estratégico

A IA pode ajudar na identificação de pautas, organização de ideias, simplificação da linguagem e estruturação de conteúdos, mas existe um ponto importante, que precisa ser considerado: a tecnologia apoia a produção, ela não substitui experiência, repertório, estratégia e conhecimento humano. O diferencial continua sendo a capacidade da marca de gerar contexto, credibilidade e interpretação qualificada.

O papel da assessoria de imprensa na era das respostas por IA

Nesse novo ambiente digital, a assessoria de imprensa passa a exercer uma função ainda mais estratégica. Mais do que gerar visibilidade em veículos de comunicação, ela ajuda a construir autoridade em fontes consideradas confiáveis por buscadores e sistemas de inteligência artificial.

Quando uma empresa aparece de forma consistente em entrevistas, reportagens, artigos de opinião e matérias especializadas, aumenta sua relevância não apenas para o público, mas também para os mecanismos que organizam a informação online. As inteligências artificiais tendem a priorizar conteúdos com lastro editorial, recorrência e credibilidade.

Isso significa que a presença na imprensa pode ampliar as chances de uma marca ser citada em respostas geradas por IA. A assessoria deixa de atuar apenas como uma ferramenta de relacionamento com jornalistas e passa a contribuir diretamente para o posicionamento digital e para a construção de reputação.

A nova lógica da visibilidade

O comportamento digital mudou, o usuário quer respostas rápidas, claras e contextualizadas. Nesse cenário, aparecer nos resumos do Google e nas respostas das inteligências artificiais se tornou parte estratégica da construção de autoridade. A disputa não acontece apenas pelo clique, ela acontece pela presença na resposta. Empresas que conseguem unir conteúdo útil, linguagem acessível, reputação, autoridade e consistência aumentam significativamente suas chances de serem lembradas antes mesmo da decisão de compra.

Hoje, ser encontrado continua importante, mas ser citado pelas inteligências artificiais passou a ter peso estratégico na construção de influência, credibilidade e relevância digital. A inteligência artificial está transformando a comunicação, mas não substitui a confiança construída por empresas, especialistas e veículos de comunicação.

Nesse contexto, produzir conteúdo de qualidade, manter presença consistente e investir em reputação tornou-se tão importante quanto aparecer nas primeiras posições do Google.

No novo ambiente digital, quem conquista espaço nas respostas conquista também espaço na decisão.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Crise não começa quando viraliza – por Adriana Vasconcellos Soares

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Quando uma crise explode nas redes sociais, a sensação para muitas empresas é de surpresa. Mas, na prática, raramente uma crise surge do nada. Na maioria das vezes, os sinais estavam presentes muito antes do problema ganhar repercussão pública. O erro mais comum é acreditar que gestão de crise começa quando a marca já está sendo criticada. Na realidade, ela começa muito antes. Empresas que conseguem preservar reputação em momentos difíceis normalmente investem em preparação, monitoramento e processos claros de tomada de decisão.

A gestão de crise pode ser dividida em seis etapas. Prevenção, detecção, classificação, resposta, monitoramento e aprendizado. Embora pareçam fases independentes, elas funcionam como um ciclo contínuo de proteção da reputação.

A crise começa antes da crise

A prevenção é a etapa mais importante. A melhor crise é aquela que não acontece ou que consegue ser controlada antes de ganhar proporções maiores. Para isso, é fundamental que a empresa tenha um comitê de crise definido, reunindo áreas como marketing, atendimento, jurídico e assessoria de imprensa. Cada profissional precisa saber exatamente qual será seu papel em uma situação crítica.

Outro ponto importante é o treinamento de porta-vozes. Em momentos de tensão, declarações mal formuladas podem ampliar o problema. Por isso, quem representa a organização deve estar preparado para entrevistas, pronunciamentos e interações públicas.

Também é recomendável mapear riscos potenciais. Produtos, serviços, campanhas publicitárias, questões trabalhistas, falhas operacionais e posicionamentos institucionais podem se transformar em gatilhos de crise.

Mensagens pré-aprovadas para cenários recorrentes ajudam a acelerar respostas e reduzir erros. Da mesma forma, é importante definir canais oficiais de comunicação e deixar claro para o público onde buscar informações confiáveis.

Depois da prevenção vem a detecção. Ferramentas de social listening permitem acompanhar menções à marca em tempo real e identificar mudanças no sentimento do público. Comentários negativos isolados fazem parte da rotina de qualquer empresa. O alerta surge quando essas manifestações começam a ganhar volume, alcance e engajamento. Monitorar palavras-chave relacionadas à organização e termos sensíveis, como reclamações, denúncias, processos ou acusações, ajuda a identificar problemas ainda nos estágios iniciais. Quanto mais cedo a empresa percebe o problema, maiores são as chances de controle.

Nem toda crítica, porém, representa uma crise. Antes de agir, é necessário avaliar a gravidade do tema, o alcance da repercussão e a urgência da situação. Uma reclamação individual pode exigir apenas atendimento. Já uma denúncia envolvendo segurança, discriminação ou descumprimento de normas pode demandar resposta imediata e mobilização de diferentes áreas da empresa.

Responder rápido não significa responder sem estratégia

Quando a crise está instalada, a comunicação passa a ser decisiva. A recomendação é responder no mesmo canal onde o problema surgiu, reforçando sempre os canais oficiais da empresa. O público espera posicionamento claro, objetivo e coerente. Linguagem defensiva costuma gerar mais desgaste. O caminho mais seguro é demonstrar empatia, reconhecer preocupações legítimas e explicar quais medidas estão sendo adotadas.

Quando houver erro, assumir responsabilidade costuma produzir resultados melhores do que tentar minimizar ou transferir culpa. Em situações que envolvem dados pessoais ou informações específicas, o ideal é direcionar a conversa para canais privados, sem deixar de comunicar publicamente que a questão está sendo tratada.

Publicar uma nota também não encerra o problema. A empresa precisa acompanhar continuamente as reações do público, avaliar se o tom das conversas está mudando e verificar se novas informações surgiram. Dependendo da evolução do cenário, ajustes na estratégia podem ser necessários.

Outro cuidado importante é garantir alinhamento interno. Todos os porta-vozes e equipes envolvidas devem seguir a mesma narrativa para evitar mensagens contraditórias.

O que fica depois da crise

Uma crise bem administrada também gera aprendizado. Após o encerramento do episódio, é recomendável elaborar um relatório detalhado registrando ações adotadas, resultados alcançados, erros identificados e oportunidades de melhoria.

Os protocolos devem ser revisados e as equipes treinadas com base na experiência real. Quando fizer sentido, comunicar publicamente as mudanças implementadas ajuda a reconstruir confiança e demonstrar compromisso com a melhoria contínua.

Muitas empresas investem em gestão de crise apenas quando o problema já está instalado. O desafio é que reputação não se fortalece durante a crise. Ela é construída antes dela. Organizações que investem em monitoramento, planejamento, treinamento e comunicação consistente costumam enfrentar momentos difíceis com mais segurança e menor impacto.

No ambiente digital, onde uma publicação pode ganhar milhares de compartilhamentos em poucos minutos, estar preparado deixou de ser uma opção. Tornou-se parte da estratégia de proteção da marca e da continuidade dos negócios.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Influência não é sinônimo de fama – por Adriana Vasconcellos Soares

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Você já ouviu falar em Tatiana Sampaio ou Jaqueline Goes de Jesus?

Provavelmente, muita gente responderá não. E esse talvez seja um dos retratos mais claros da forma como o Brasil aprendeu a medir relevância de maneira distorcida.

Vivemos em uma era em que visibilidade virou métrica de valor. Seguidores, curtidas, alcance e visualizações passaram a funcionar como indicadores automáticos de importância. Quanto maior a exposição, maior a percepção de influência. Mas visibilidade e influência não são a mesma coisa.

Visibilidade é ser visto.

Influência é gerar impacto real na vida de alguém.

Uma influenciadora digital pode mobilizar milhões de pessoas para comprar um produto em poucas horas. Isso tem valor econômico, alcance e força comercial. Mas existe outro tipo de influência, menos barulhenta e muitas vezes invisível para os algoritmos.

Tatiana Coelho de Sampaio é bióloga e pesquisadora brasileira. Chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ganhou projeção internacional ao desenvolver a polilaminina, medicamento 100% brasileiro com potencial para regenerar lesões medulares. Seu trabalho influencia diretamente a possibilidade de uma pessoa voltar a abraçar o filho, recuperar autonomia ou caminhar novamente.

Devido à relevância de sua atuação na medicina regenerativa, Tatiana Sampaio passou a ser apontada na mídia especializada como uma das cientistas brasileiras com potencial para disputar um Prêmio Nobel no futuro. Em 2025, recebeu o Prêmio Todas, da Folha de S.Paulo, em reconhecimento ao impacto científico e social de sua pesquisa.

Jaqueline Goes de Jesus é biomédica, pesquisadora e cientista brasileira reconhecida internacionalmente por coordenar a equipe responsável pelo sequenciamento genético do SARS-CoV-2 apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de COVID-19 no Brasil. O feito auxiliou diretamente pesquisas relacionadas a diagnósticos, vacinas e monitoramento do vírus.

A pesquisadora baiana possui doutorado em Patologia Humana pela UFBA e atua como professora no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Além da atuação durante a pandemia, Jaqueline também teve papel relevante no mapeamento genético do vírus da zika no Brasil e em projetos de monitoramento de patógenos.

O impacto do trabalho dessas profissionais ultrapassa audiência. Ele altera realidades. As duas são importantes. Mas apenas um tipo de influência costuma ser premiado pelas plataformas digitais. Isso acontece porque o algoritmo não mede transformação. Mede reação.

Ele privilegia quem gera engajamento rápido, compartilhamento instantâneo e permanência na tela. O mercado, por sua vez, aprendeu a confundir atenção com autoridade. O resultado é uma distorção perigosa. Pessoas extremamente relevantes podem permanecer invisíveis, enquanto figuras altamente visíveis são percebidas automaticamente como referência.

Essa lógica afeta não apenas celebridades ou cientistas. Afeta empresas, empresários, médicos, advogados, professores, consultores e qualquer profissional que dependa de reputação para crescer.

A pergunta que deveria orientar qualquer estratégia de marca hoje é simples.

Você está construindo visibilidade ou influência?

Existe uma diferença importante entre acumular audiência e construir autoridade. Seguidores podem desaparecer quando o algoritmo muda. Influência permanece porque está ligada à percepção de valor, confiança e resultado entregue.

É justamente nesse ponto que a assessoria de imprensa ganha relevância estratégica.

Enquanto as redes sociais trabalham velocidade e alcance, a assessoria atua na construção de credibilidade. Ela transforma conhecimento em narrativa pública, posiciona profissionais como fontes confiáveis e conecta experiências reais a temas de interesse coletivo.

A lógica muda completamente. Em vez de disputar apenas atenção, o profissional passa a disputar relevância.

Quando uma empresa ou especialista aparece em entrevistas, reportagens, artigos e veículos de comunicação, sua autoridade deixa de depender exclusivamente do algoritmo. A reputação passa a ser validada por contexto, consistência e reconhecimento externo.

Isso não significa abandonar as redes sociais. Significa entender que presença digital sozinha não sustenta influência de longo prazo. A construção de marca mais sólida não é necessariamente a mais barulhenta. Muitas vezes, é a mais consistente.

A influência verdadeira não nasce apenas da exposição. Nasce da capacidade de transformar percepção, gerar confiança e produzir impacto real.

E talvez esteja aí uma das maiores mudanças da comunicação atual. As marcas mais fortes do futuro provavelmente não serão apenas as mais vistas. Serão as mais lembradas quando alguém precisar confiar em uma decisão importante.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Instagram muda regras e obriga marcas a rever estratégias em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

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O Instagram iniciou 2026 promovendo mudanças que alteram diretamente a forma como marcas, criadores de conteúdo e empresas conseguem crescer dentro da plataforma. E o recado da rede social ficou mais claro nos últimos meses. Quantidade já não é suficiente. O foco agora está em originalidade, autenticidade e qualidade de audiência.

A principal mudança foi confirmada oficialmente por Adam Mosseri, chefe do Instagram, no fim de abril. A plataforma começou a ampliar a penalização para contas que repostam conteúdo de terceiros sem utilizar as ferramentas oficiais do aplicativo. Antes concentrada nos Reels, a análise agora também passa a atingir fotos e carrosséis.

Na prática, perfis que vivem de republicar conteúdos prontos, sem acrescentar contexto, edição ou interpretação própria, deixarão de ser recomendados para novos usuários. Isso significa que a conta continua existindo normalmente para os seguidores atuais, mas perde capacidade de crescimento orgânico. O impacto tende a ser significativo principalmente para páginas de curadoria, agregadores de conteúdo e perfis que utilizavam repostagens como principal estratégia de alcance.

O Instagram deixa claro que o problema não é compartilhar conteúdo de terceiros, mas fazer isso sem gerar valor adicional. Apenas dar créditos na legenda ou inserir marca d’água já não basta. A plataforma passa a priorizar conteúdos considerados “originais”, ou seja, materiais que tragam edição relevante, narração, análise, contexto, remixagem ou uso das ferramentas oficiais, como Remix, Collab e o botão de repost.

Essa mudança acompanha uma tendência mais ampla das redes sociais. Plataformas querem reduzir conteúdos repetitivos e estimular a produção autoral. Para o algoritmo, perfis que apenas replicam materiais passam a competir menos por distribuição. Outro ponto importante é que o Instagram avalia o comportamento da conta nos últimos 30 dias. Isso significa que perfis impactados podem recuperar alcance ao mudar a estratégia e voltar a produzir conteúdo original.

O fim da obsessão por números

Paralelamente às mudanças no algoritmo, a Meta também iniciou uma grande remoção de contas falsas, bots e perfis inativos. A ação já provocou queda significativa no número de seguidores de influenciadores, celebridades e empresas.

Embora muitos tenham interpretado a redução como algo negativo, a própria plataforma sinaliza que a limpeza busca melhorar a autenticidade das métricas e combater manipulações artificiais de engajamento. Na prática, o Instagram está tentando separar audiência real de números inflados.

O movimento afeta diretamente uma cultura antiga das redes sociais, baseada na obsessão por quantidade de seguidores. Durante anos, perfis compravam seguidores ou utilizavam automações para aumentar artificialmente relevância. O problema é que números vazios não geram relacionamento, venda nem influência real.

Agora, a lógica começa a mudar. Com menos bots e contas inativas, o engajamento tende a se tornar mais fiel ao comportamento da audiência verdadeira. Curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos passam a refletir interações mais qualificadas. Isso melhora a leitura do algoritmo sobre relevância do conteúdo. Em muitos casos, perder seguidores pode até fortalecer o perfil. Se antes uma base cheia de contas inativas limitava o alcance, agora uma audiência menor, porém mais ativa, tende a melhorar distribuição orgânica e conversão.

O que muda para empresas e criadores

As mudanças obrigam marcas e produtores de conteúdo a repensarem estratégias. A lógica de volume perde espaço para construção de identidade. Publicar muito já não garante crescimento. Repetir tendências sem adaptação também perde força. O Instagram passa a valorizar mais contexto, posicionamento e diferenciação. Isso não significa abandonar referências ou conteúdos compartilhados. O ponto central está na transformação da informação. Perfis que comentam notícias, analisam tendências, contextualizam conteúdos e desenvolvem leitura própria continuam tendo espaço. Já aqueles que apenas replicam materiais prontos tendem a perder relevância.

Outro fator decisivo passa a ser consistência. Contas que mantêm frequência equilibrada, proposta clara e relacionamento real com a audiência tendem a se adaptar melhor ao novo cenário. O algoritmo está cada vez mais voltado para retenção de atenção qualificada e não apenas para volume de publicação. O Instagram também reforça uma mudança importante no mercado digital. Métricas de vaidade perdem espaço para indicadores mais concretos. Alcance qualificado, tempo de consumo, salvamentos, compartilhamentos e conversão passam a valer mais do que quantidade bruta de seguidores.

A plataforma deixa claro que crescimento artificial tem prazo de validade. Para empresas, isso representa uma mudança estratégica importante. Perfis mais enxutos, mas com audiência real, tendem a gerar resultados melhores em vendas, autoridade e relacionamento.

O que fazer agora

O primeiro passo é revisar a estratégia de conteúdo. Perfis que dependem excessivamente de repostagens precisam começar a produzir interpretação, análise e contexto próprio. Também vale acompanhar o “Status da Conta” dentro das configurações do Instagram, onde a própria plataforma informa possíveis restrições de recomendação.

Outro ponto importante é revisar a base de seguidores. O Instagram já identifica contas suspeitas de spam, permitindo uma limpeza gradual e estratégica. Mas existe um detalhe que muitos ignoram. Se o engajamento continua baixo mesmo após a remoção de bots e perfis falsos, o problema provavelmente não está apenas na audiência. Pode estar no conteúdo, na frequência, na linguagem ou na ausência de posicionamento claro.

As mudanças de 2026 mostram que o Instagram está deixando de premiar volume artificial para favorecer relevância real. E isso altera completamente as regras do jogo para quem usa a plataforma como ferramenta de marca, influência ou negócio.

Você gostaria de saber como ajustar sua estratégia de conteúdo para se adequar a essas novas regras?


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Acordo entre Folha e Google reforça novo papel da imprensa na era das inteligências artificiais – por Adriana Vasconcellos Soares

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O recente acordo entre a Folha de S. Paulo e o Google marca uma mudança relevante na forma como a informação circula e influencia decisões no ambiente digital. A parceria prevê o uso de conteúdos jornalísticos do veículo para aprimorar as respostas do Gemini e reforça um movimento que já vinha sendo alertado nesta coluna há alguns meses. De forma silenciosa, as inteligências artificiais estão cada vez mais conectadas a fontes confiáveis de informação.

Na prática, isso significa que parte do acervo e da produção contínua da Folha passa a alimentar diretamente um sistema que responde perguntas, orienta escolhas e molda percepções. Não se trata apenas de distribuição de conteúdo, mas de influência estruturada.

Durante anos, o SEO seguiu uma lógica clara. Produzir conteúdo, ganhar posições nos buscadores, atrair tráfego e converter. Mesmo com mudanças frequentes, o princípio era estável. Quem aparecia mais, tinha mais chances de ser escolhido.

Esse modelo começa a mudar de forma consistente. Hoje, uma parcela crescente dos usuários inicia sua jornada dentro de inteligências artificiais. Em vez de buscar links, fazem perguntas. Em vez de navegar por páginas, recebem respostas prontas, organizadas e contextualizadas. Muitas vezes, sem clicar em nenhum site.

Essa mudança desloca o centro da estratégia digital. O topo do funil deixa de ser medido apenas por visitas e passa a ser medido por exposição dentro das respostas geradas por IA. É o que se consolida como visibilidade por citação.

Se antes a disputa era por posição no Google, agora passa a ser também por presença nas respostas das inteligências artificiais.

Tráfego zero não é ausência de impacto

Um erro comum é avaliar desempenho apenas por métricas tradicionais. Nem toda influência gera clique. E nem toda decisão começa em um site. Um usuário pode fazer diversas perguntas ao longo de dias ou semanas. Se uma mesma marca aparece repetidamente nas respostas, mesmo sem gerar acesso direto, ela constrói familiaridade. Quando chega o momento da decisão, essa marca já ocupa espaço na mente do consumidor.

A conversão acontece, mas o caminho até ela não aparece de forma clara nas ferramentas tradicionais de análise.

Nesse novo cenário, a jornada se encurta. Antes, o consumidor passava por blogs, vídeos, comparadores e avaliações. Agora, grande parte desse processo pode acontecer dentro de uma única interação com IA. Isso reduz os pontos de contato, mas aumenta o peso de cada menção.

Uma citação relevante pode valer mais do que dezenas de impressões dispersas.

Citação é influência

Quando uma inteligência artificial menciona uma marca, ela não está apenas informando. Está validando. Está sinalizando que aquela empresa faz parte do conjunto de opções confiáveis para determinado tema.

Esse reconhecimento tende a se acumular. Quanto mais uma marca aparece com contexto claro, maior a probabilidade de continuar sendo referenciada. O contrário também é verdadeiro. Não aparecer significa, muitas vezes, não ser considerado. Esse movimento já começa a impactar a leitura interna das empresas. Em alguns casos, campanhas pagas apresentam melhor desempenho enquanto o tráfego orgânico parece estagnar. Na prática, o conteúdo orgânico continua relevante, mas seu papel mudou. Ele alimenta a base de conhecimento que sustenta as respostas das Ias, enquanto outros canais capturam a conversão.

O acordo entre Folha e Google torna esse processo mais explícito. Mostra que as plataformas estão estruturando parcerias com fontes confiáveis para qualificar suas respostas. E, nesse contexto, a origem da informação passa a ser ainda mais relevante.

O papel estratégico da assessoria de imprensa

É nesse ponto que a assessoria de imprensa ganha protagonismo. Mais do que gerar visibilidade em veículos tradicionais, ela passa a atuar como ponte entre marcas e os sistemas que organizam a informação no ambiente digital. Ao posicionar empresas em veículos relevantes, produzir conteúdo editorial consistente e fortalecer a presença institucional, a assessoria contribui diretamente para que essas marcas se tornem fontes confiáveis. E são essas fontes que alimentam as inteligências artificiais.

Entrevistas, artigos, menções em reportagens e presença recorrente na mídia aumentam a probabilidade de uma marca ser citada em respostas algorítmicas. Não por acaso, as IAs tendem a priorizar conteúdos com lastro editorial, frequência e credibilidade.

Nesse cenário, a assessoria deixa de ser apenas uma ferramenta de relacionamento com a imprensa e passa a ser um ativo estratégico de posicionamento digital. O impacto não está apenas na exposição, mas na construção de autoridade reutilizável. Uma vez consolidada, essa autoridade pode ser continuamente referenciada em diferentes contextos, perguntas e jornadas de consumo.

O novo jogo da visibilidade

O acordo entre a Folha de S. Paulo e o Google deixa claro que a disputa por atenção mudou de lugar. Ela não acontece mais apenas nos buscadores ou nas redes sociais. Ela acontece dentro das respostas das inteligências artificiais, que passaram a filtrar, organizar e indicar quais marcas merecem ser consideradas.

Nesse cenário, ser encontrado continua importante, mas já não é suficiente. O que realmente pesa é ser citado com frequência, com contexto e dentro de fontes confiáveis. É isso que constrói percepção, reduz dúvida e influencia decisões antes mesmo do clique.

Visibilidade, agora, é ser lembrado antes de ser procurado. E é exatamente nesse ponto que a assessoria de imprensa faz a diferença no negócio. Ao posicionar a marca em veículos relevantes, fortalecer sua reputação e garantir presença consistente em conteúdos de qualidade, ela amplia as chances de citação nas inteligências artificiais e consolida a empresa como referência no mercado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Estar no Google virou condição para existir no mercado – por Adriana Vasconcellos Soares

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O comportamento do consumidor mudou de forma silenciosa, mas definitiva. Antes de entrar em contato com uma empresa, o cliente pesquisa no Google. Em poucos segundos, forma uma percepção e decide se confia ou não. Essa análise acontece sem aviso, sem interação e, muitas vezes, sem que a empresa perceba que perdeu uma oportunidade de venda.

Esse hábito não é pontual. Ele acontece em escala massiva. O Google processa cerca de 8,5 bilhões de buscas por dia no mundo, o equivalente a aproximadamente 99 mil pesquisas por segundo. No Brasil, as estimativas indicam algo em torno de 380 milhões de buscas diárias. Mais do que volume, esses números mostram um padrão. O Google continua sendo o principal ponto de partida para decisões.

Não por acaso, cerca de 93% dos brasileiros afirmam que pesquisam no buscador antes de realizar uma compra. Ou seja, a decisão começa muito antes do contato com a empresa.

Nesse cenário, a escolha não está baseada apenas em preço ou qualidade. Ela passa, principalmente, pela percepção. Fotos, avaliações, comentários, frequência de atualização, respostas aos clientes e organização do perfil se tornaram critérios determinantes. Não se trata apenas de estar presente, mas de como a empresa é encontrada e interpretada. Muitas empresas ainda concentram seus esforços apenas nas redes sociais. Isso é um erro estratégico. Se a marca não aparece nas pesquisas do Google ou aparece de forma desorganizada, ela simplesmente deixa de ser considerada. O buscador se consolidou como o principal ambiente de descoberta, validação e comparação.

Outro dado reforça essa mudança. Cerca de 70% das buscas no Brasil já são feitas por dispositivos móveis. Isso significa que a decisão acontece de forma rápida, muitas vezes quando o cliente precisa de uma solução imediata. Quem aparece bem-posicionado e transmite confiança tem mais chances de ser escolhido.

Nesse contexto, o perfil no Google, especialmente por meio do Google Meu Negócio, deixou de ser um recurso complementar e passou a ser um ativo estratégico. Ele influencia diretamente a visibilidade local e pode determinar se uma empresa será encontrada ou ignorada. Os impactos da falta de otimização são mais profundos do que parecem. Perda de ligações, menos visitas, redução no fluxo de clientes e enfraquecimento da autoridade digital. E o ponto mais crítico é que isso acontece sem sinais claros. A empresa não recebe o contato, mas também não percebe que foi descartada no processo de escolha.

Por outro lado, empresas que estruturam sua presença de forma estratégica constroem vantagem competitiva. Estar bem-posicionado não garante resultado por si só, mas aumenta significativamente a chance de ser considerado. E, em um cenário de decisão rápida, ser considerado já faz diferença.

A otimização envolve mais do que técnica. Passa por organização das informações, uso correto de palavras-chave, gestão de avaliações, atualização constante e coerência no posicionamento. É comunicação aplicada ao ambiente de busca.

Com o avanço da inteligência artificial, esse cenário ganha ainda mais relevância. Ferramentas de IA utilizam informações disponíveis na internet para construir respostas e recomendações. O Google segue como uma das principais fontes desse processo. Empresas com presença estruturada, consistência de dados e reputação consolidada têm mais chances de serem corretamente interpretadas e citadas.

É nesse ponto que a assessoria de imprensa atua como facilitadora. Ao posicionar a empresa em veículos de comunicação de grande influência, gerar conteúdo relevante e ampliar a presença institucional, ela fortalece a reputação e cria sinais externos de credibilidade. Esses sinais ajudam não apenas na percepção do público, mas também na leitura dos sistemas digitais, aumentando as chances de associação correta da marca aos temas em que atua.

No cenário atual, não basta existir. É preciso ser encontrado, compreendido e considerado confiável em poucos segundos.

Um passo simples é fazer um teste direto. Pesquise o nome da sua empresa no Google e observe o que aparece. As informações estão completas? A imagem transmite profissionalismo? As avaliações reforçam a confiança?

Se houver dúvidas, há espaço para evolução. E, nesse ambiente altamente competitivo, quem se posiciona melhor tende a ser lembrado primeiro.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Dia das Mulheres expõe avanços e desigualdades na vida das brasileiras

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Empreender, cuidar da família e lidar com desigualdades que ainda marcam o mercado de trabalho fazem parte da rotina de milhões de brasileiras. Para muitas delas, a busca por autonomia profissional também nasce do desejo de equilibrar carreira e maternidade.

Maria Joana Darc Paulino Gomes Barbosa, proprietária da Sapataria Ophicina Dos Calçados, divide o dia entre a gestão de um negócio no setor de serviços e os cuidados com os filhos. A decisão de empreender surgiu justamente da necessidade de ter mais flexibilidade para acompanhar o crescimento da família, levá-los à escola e participar mais de perto do cotidiano deles. Joana afirma que organização e uma rede de apoio formada pelo marido e pela família foram fundamentais para tornar essa rotina possível.

Maria Joana Darc Paulino Gomes Barbosa
Foto: Arquivo Pessoal

A trajetória da empresária reflete um movimento crescente no país. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam que cerca de 48,1 milhões de mulheres fazem parte da força de trabalho brasileira, considerando a população com 14 anos ou mais. Apesar disso, a participação feminina no mercado ainda é menor que a masculina. Enquanto a taxa de participação dos homens supera 70%, entre as mulheres fica pouco acima de 50%. No mesmo período, o Brasil registrou cerca de 103 milhões de pessoas ocupadas, um dos maiores patamares da série histórica, mas a desigualdade permanece visível.

O desemprego segue mais elevado entre mulheres. Levantamentos da PNAD Contínua mostram que, em alguns períodos recentes, a taxa de desocupação feminina superou 8%, enquanto entre os homens ficou próxima de 5% a 6%. A diferença é ainda maior no recorte racial, já que mulheres negras continuam registrando taxas mais altas de desocupação e informalidade.

Outro fator relevante nesse cenário é a dupla jornada. Além das atividades profissionais, as mulheres seguem dedicando mais tempo aos cuidados da casa e da família. A consultora e professora de Comércio Exterior Marcia Hashimoto afirma que o desafio exige disciplina e organização constantes. “Administrar o tempo é uma habilidade essencial para quem concilia família e carreira. Aprender a organizar a rotina ajuda a minimizar a culpa que muitas mães sentem ao dividir as responsabilidades entre o trabalho e os cuidados com os filhos”, explica.

Marcia Hashimoto – Foto: Arquivo pessoal

Empreendedorismo cresce entre mulheres

Diante dessas dificuldades, o empreendedorismo tem surgido como alternativa para muitas brasileiras. Levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua mostra que o Brasil possui cerca de 10,4 milhões de mulheres à frente do próprio negócio, número recorde e equivalente a aproximadamente 34% dos empreendedores do país. O crescimento é significativo nas últimas décadas, mas ainda convive com obstáculos como acesso mais restrito a crédito e menor faturamento médio.

A corretora de seguros e criadora do Empodera, grupo de empresárias que aposta no networking e na colaboração feminina para o crescimento de mulheres no empreendedorismo, Fatima Cossolin já conciliou a maternidade com a gestão de um negócio próprio e afirma que organização e capacitação profissional são fundamentais nesse processo. Segundo ela, quando existe preparo e planejamento, é possível administrar as demandas da família e do trabalho. “A presença feminina no empreendedorismo evoluiu nos últimos anos, embora ainda exista espaço para maior valorização e respeito às mulheres no ambiente profissional”, diz.

Fatima Cossolin – Foto: Arquivo Pesoal

A experiência de outras empreendedoras reforça esse cenário. Michelle Magalhães Costa, fundadora da Pulse Estratégia, decidiu estruturar o próprio negócio para conseguir permanecer mais próxima da família. Sem rede de apoio familiar e sem babá, precisou reorganizar a rotina e priorizar escolhas que permitissem conciliar maternidade e carreira. “O maior desafio é o tempo. Muitas vezes precisamos dizer não a projetos interessantes porque sabemos que não conseguiremos assumir naquele momento”, afirma. Para Michelle, a maternidade também exige mudanças de mentalidade e mais clareza sobre os próprios limites. “Não existe romantismo. A carga para a mulher é maior, mas seguimos trabalhando e buscando crescer”, resume.

Michelle Magalhães Costa. – Foto: Arquivo Pessoal

A experiência de Maria Joana Darc Paulino Gomes Barbosa também ilustra essa realidade. Ela afirma que eliminar o sentimento de culpa foi um passo importante para equilibrar vida pessoal e profissional. Apesar da satisfação com a escolha, reconhece que os desafios são constantes, especialmente na administração do tempo e nas cobranças internas provocadas pela dupla jornada. Ela também percebe dificuldades no acesso a crédito e financiamentos para mulheres empreendedoras, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à educação financeira e a linhas de financiamento mais acessíveis. Para outras mães que pensam em empreender, deixa uma mensagem baseada na própria experiência. “É preciso resiliência e perseverança, porque os dias difíceis existem, mas quem tem clareza sobre seus objetivos não deve desistir”, incentiva.

Violência, desigualdade e saúde ainda desafiam políticas públicas

No campo da violência, os números continuam alarmantes. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser tipificado na legislação brasileira. A maioria das vítimas é mulher negra e grande parte dos assassinatos ocorre dentro da própria residência, geralmente cometidos por parceiros ou ex-parceiros.

A violência sexual também permanece elevada. O relatório aponta mais de 87 mil registros de estupro em um ano, o equivalente a uma ocorrência aproximadamente a cada seis minutos no país. Especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação desses crimes.

No âmbito das políticas públicas, o enfrentamento à violência contra a mulher envolve diferentes iniciativas federais e estaduais. O Ministério das Mulheres coordena programas voltados à prevenção da violência, fortalecimento da rede de proteção e ampliação de serviços de atendimento às vítimas. Entre os principais canais de apoio está a Central de Atendimento à Mulher, conhecida como Ligue 180, que funciona como serviço nacional de orientação e denúncia.

Já na área da saúde, as ações são orientadas pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, conduzida pelo Ministério da Saúde. O sistema público garante exames preventivos para câncer de mama e de colo do útero, acompanhamento pré-natal e assistência durante o parto e o puerpério. Propostas em discussão também buscam ampliar políticas específicas voltadas à menopausa e ao climatério.

O conjunto desses dados mostra que o Dia das Mulheres no Brasil representa ao mesmo tempo um momento de reconhecimento das conquistas e um alerta para desafios que ainda persistem. Avançar na igualdade de oportunidades depende de políticas públicas consistentes, mudanças culturais e de uma sociedade que reconheça a participação feminina como parte essencial do desenvolvimento econômico e social do país.

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Como os links nas legendas do Instagram podem transformar engajamento e conversão – por Adriana Vasconcellos Soares

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O Instagram iniciou uma mudança importante na dinâmica do feed ao testar links clicáveis diretamente nas legendas das publicações. Antes disso, links funcionavam quase sempre na bio, nos stories ou em anúncios pagos, o que criava barreiras entre o interesse do usuário e a ação desejada. Agora, o caminho pode ficar mais curto, mais fluido e mais estratégico para quem cria e consome conteúdo.

A novidade já começou a ser liberada, mas por enquanto apenas para assinantes do programa Meta Verified. A opção aparece no momento da criação da postagem e o acesso está sendo distribuído aos poucos. Isso permite que alguns perfis direcionem o público de forma imediata para um site, WhatsApp, página de vendas ou matéria jornalística sem depender do famoso “link na bio”. Para quem trabalha com conteúdo e conversão, essa simplificação reduz etapas e tende a aumentar cliques, visitas e compras.

O movimento acompanha uma tendência global. Plataformas como TikTok e YouTube já investem há algum tempo em formatos que aproximam conteúdo e ação rápida, competindo por retenção e transações dentro da própria sessão de uso. Com isso, a Meta sinaliza uma estratégia clara: tornar seus produtos mais atrativos para criadores e marcas que dependem de resultados diretos no digital.

A legenda sempre foi o espaço com mais profundidade no Instagram. É ali que entram contexto, argumentos e storytelling. Com o link incorporado, a legenda deixa de ser apenas narrativa e passa a funcionar como ponto de conversão. Isso favorece criadores, profissionais autônomos, empreendedores e empresas que precisam gerar ações imediatas como cadastro, compra ou acesso a conteúdos externos.

Há também impacto direto nas estratégias orgânicas. Durante anos, a limitação dos links dividiu o fluxo de navegação e reduziu taxas de clique. Agora, conteúdos jornalísticos, lançamentos de produtos, páginas de venda e formulários passam a competir em igualdade com formatos antes restritos aos anúncios. Isso pode ajudar veículos de comunicação, que ganham uma porta de entrada mais rápida entre post e matéria, e também criadores que oferecem materiais complementares, newsletters e comunidades.

Ainda assim, especialistas alertam para um ponto de atenção pouco discutido. Como o clique leva o usuário para fora do Instagram, ainda está em análise o impacto sobre alcance e entrega. O algoritmo prioriza retenção e permanência dentro da plataforma. Posts que geram saída imediata podem ser interpretados de forma diferente pelo sistema. Essa resposta só ficará clara com testes e monitoramento constante.

Outro efeito esperado é a mudança progressiva no comportamento do público. Produtos vistos no feed podem ser comprados na hora. Postagens informativas podem virar portas de aprofundamento imediato. Criadores podem direcionar para páginas específicas sem exigir navegação extra. Tudo isso transforma o feed em uma etapa mais estratégica dentro do funil de decisão.

Para quem trabalha com dados, este é um momento de observação ativa. É essencial acompanhar métricas como CTR das legendas, variação no tempo médio de visualização, impressões e diferenças de entrega entre posts com e sem link. O período inicial deve ser experimental e orientado por ajustes finos.

Ainda não há data confirmada para liberação geral. Mas o avanço dos testes indica um Instagram cada vez mais focado em agilidade, integração entre conteúdo e ação e redução de fricção na jornada do usuário. Se o recurso se consolidar, marcas, criadores e empresas terão novas possibilidades de resultado e precisarão adaptar a escrita, a estratégia e o planejamento de conteúdo para aproveitar esse potencial.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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