Nova maternidade de Cajamar terá UTI Neonatal; obras avançam

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As obras da nova maternidade municipal de Cajamar seguem avançando e já começam a transformar a estrutura do Hospital Municipal Enfermeiro Antônio Policarpo de Oliveira, no distrito do Polvilho.

A nova unidade integra o projeto de ampliação e modernização da rede pública de saúde da cidade e promete aumentar a capacidade de atendimento para gestantes, mães e recém-nascidos.

Com o avanço das intervenções, a futura maternidade ganha forma e reforça os investimentos da Prefeitura na ampliação dos serviços hospitalares e no fortalecimento da saúde pública municipal.

O projeto prevê uma estrutura moderna, com foco em acolhimento, humanização e atendimento especializado desde os primeiros momentos de vida dos bebês.

Segundo a Prefeitura, a nova maternidade contará com recepções ampliadas, novos leitos de enfermaria, espaço ecumênico, lanchonete, área administrativa, almoxarifado e ambientes destinados à capacitação contínua das equipes de saúde.

A unidade também terá novos leitos de UTI Neonatal e uma agência transfusional inédita no município, ampliando a capacidade de atendimento em casos de maior complexidade.

Além disso, a maternidade contará com o suporte dos 10 leitos de UTI Adulto Tipo II inaugurados recentemente no hospital, fortalecendo a rede de assistência às pacientes.

A administração municipal afirma que a proposta é oferecer um ambiente mais moderno, seguro e preparado para garantir atendimento qualificado às futuras mães e aos recém-nascidos da cidade.

Nos últimos anos, Cajamar vem ampliando investimentos em infraestrutura hospitalar e modernização dos serviços de saúde, acompanhando o crescimento populacional e a demanda por atendimento especializado.

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Fotos: Divulgação/PMC

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Pirapora do Bom Jesus anuncia nova UBS e amplia atendimento de saúde na cidade

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A Prefeitura de Pirapora do Bom Jesus anunciou a construção da quinta Unidade Básica de Saúde (UBS) do município. A nova estrutura será instalada no bairro Parque Payol 2 – Green Hills e deve ampliar o atendimento de saúde para mais de 3 mil moradores da região.

O anúncio foi feito pelo prefeito Gregorio Maglio durante a assinatura da ordem de serviço realizada na última quinta-feira (14), na área onde será construída a unidade.

Segundo a Prefeitura, a obra será financiada pelo novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, com investimento estimado em R$ 3 milhões.

A nova UBS será do tipo 2, modelo considerado mais completo dentro da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), com capacidade para abrigar até duas equipes de Saúde da Família.

De acordo com Gregorio, a implantação da unidade deve reduzir a necessidade de deslocamento dos moradores até outras regiões da cidade para atendimento médico.

“É uma obra que vai mudar o dia a dia de mais de 3 mil pessoas. A saúde vai chegar na porta da casa”, afirmou o prefeito durante a cerimônia.

A futura unidade contará com consultórios médicos, odontológicos e de enfermagem, além de espaços para atendimento psicológico, assistência social, vacinação, dispensação de medicamentos e realização de procedimentos.

O projeto também prevê estrutura acessível e sustentável, seguindo padrões mais modernos de construção na área da saúde pública.

Segundo a administração municipal, a UBS será sede da sexta e sétima equipe de agentes comunitários da saúde da cidade.

A secretária municipal de Saúde, Antonia Maria da Paixão Santos, classificou o início da obra como um momento histórico para o município e destacou que a nova estrutura deve ampliar o acesso da população aos serviços essenciais de saúde.

A cerimônia de lançamento contou ainda com a presença do vice-prefeito Luciano Motorista, secretários municipais, vereadores e representantes do Ministério da Saúde.

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Foto: Gilberto Labriola/PMPBJ

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Barueri terá a primeira FATEC da Saúde do Estado de São Paulo

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A deputada estadual Bruna Furlan anunciou a implantação da primeira FATEC da Saúde do Estado de São Paulo em Barueri. A nova unidade será construída ao lado do Hospital Regional Rota dos Bandeirantes e deve transformar o município em uma referência estadual na formação de profissionais da área da saúde.

A Fatec da Saúde será construída ao lado do Hospital Regional Rota dos Bandeirantes. | Foto: Reprodução/PMB

O projeto prevê uma estrutura em uma área com cerca de 7 mil metros quadrados e será a primeira unidade do Centro Paula Souza totalmente voltada ao setor da saúde. Atualmente, as FATECs estão espalhadas por diversas regiões paulistas, mas nenhuma possui atuação exclusiva nesta área.

A proposta é vista como um dos maiores investimentos recentes em educação técnica e tecnológica ligados à saúde pública na Grande São Paulo.

Segundo o anúncio, a Prefeitura de Barueri ficará responsável pela construção da unidade, com apoio do prefeito Beto Piteri. Já o Governo do Estado, por meio do Centro Paula Souza, assumirá os investimentos internos, aquisição de equipamentos, implantação dos cursos e contratação dos professores.

A expectativa é que a nova faculdade atraia estudantes de diferentes cidades da região e amplie a formação de mão de obra qualificada para hospitais, clínicas, laboratórios e serviços especializados de saúde.

Bruna Furlan afirmou que o projeto representa um marco para Barueri e também para o Estado de São Paulo. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Durante o anúncio, Bruna Furlan afirmou que o projeto representa um marco para Barueri e também para o Estado de São Paulo ao unir ensino técnico, tecnologia e saúde em um único espaço educacional.

A implantação da FATEC da Saúde também reforça o movimento de expansão de Barueri em áreas ligadas à inovação, educação e desenvolvimento regional. Nos últimos anos, o município passou a concentrar investimentos em estruturas públicas voltadas à tecnologia, qualificação profissional e ampliação dos serviços de saúde.

Com a futura unidade, a cidade deve fortalecer ainda mais sua posição como um dos principais polos de investimento e formação profissional da Região Metropolitana de São Paulo.

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Foto: Cauber Drone/PMB

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Hospital das Clínicas lidera ranking de pronto-socorro mais lembrado de SP

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O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP conquistou o primeiro lugar na categoria “Pronto-Socorro” em pesquisa realizada pelo Datafolha sobre os serviços mais lembrados da capital paulista. A instituição pública apareceu entre os destaques ao lado de hospitais privados de referência.

Segundo o levantamento, o Hospital das Clínicas recebeu 6% das menções espontâneas dos entrevistados, dentro da margem de erro em relação aos hospitais São Luiz e São Camilo, com 7%, e ao Hospital Israelita Albert Einstein, com 5%.

A pesquisa ouviu 1.008 moradores da cidade de São Paulo, com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 13 de fevereiro. O estudo avaliou a percepção da população sobre empresas e instituições em 39 categorias.

Em 2025, os institutos que integram o complexo do Hospital das Clínicas realizaram cerca de 140 mil atendimentos de urgência e emergência. Somente o Instituto Central respondeu por aproximadamente 45,6 mil atendimentos de alta complexidade.

De acordo com a direção da instituição, o reconhecimento reforça o papel estratégico do hospital no atendimento público de alta complexidade, aliado ao investimento em tecnologia, inovação e modernização dos fluxos assistenciais.

Entre os avanços apontados estão a integração digital entre equipes médicas, protocolos mais ágeis para casos graves e uso de tecnologias de diagnóstico e monitoramento em tempo real.

O Hospital das Clínicas é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e é considerado uma das principais referências médicas do país.

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Foto: Divulgação/GESP

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UBSs resolvem 86% dos atendimentos sem precisar de especialista em SP

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As Unidades Básicas de Saúde de São Paulo resolveram 86% dos atendimentos médicos em 2025 sem necessidade de encaminhamento para especialistas. O índice, considerado alto, reflete mais de 15,8 milhões de consultas realizadas, com impacto direto na redução de filas e na agilidade do atendimento à população.

O resultado indica um avanço na capacidade da Atenção Básica, que passa a absorver a maior parte das demandas de saúde dentro do próprio território, diminuindo a sobrecarga em hospitais e serviços especializados.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o desempenho é resultado de investimentos recordes e da ampliação da rede. Apenas em 2025, o município destinou cerca de 25 bilhões de reais à saúde, fortalecendo estrutura, equipes e atendimento.

Um dos pilares desse avanço é a Estratégia Saúde da Família, que conta com mais de 1,7 mil equipes e cerca de 10 mil agentes comunitários atuando diretamente nos bairros. O trabalho próximo da população permite identificar demandas precocemente e ampliar a resolutividade.

A atuação integrada com equipes multiprofissionais também tem papel decisivo. Psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas atuam dentro das UBSs, ampliando o cuidado e evitando encaminhamentos desnecessários.

Na prática, o modelo permite acompanhamento contínuo dos pacientes, inclusive quando há necessidade de atendimento especializado. Unidades como a UBS Paraisópolis I adotam grupos de cuidado e ações coletivas para evitar agravamento de casos.

O avanço da rede também foi impulsionado por parcerias e modernização da infraestrutura. Desde 2021, mais de 100 novos equipamentos foram entregues, e a cidade passou a contar com mais de mil unidades de saúde integradas.

Com maior capacidade de atendimento local, a Atenção Básica se consolida como porta de entrada do sistema e melhora a experiência da população. Pelo quinto ano seguido, a saúde municipal foi apontada como o melhor serviço público da capital, segundo levantamento do Datafolha.

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Foto: Reprodução/Pref. de SP

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Psoríase e Hepcidina: o que a imunologia realmente mostra sobre causa e consequência – por Dr. Javier Carbajal

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Nos últimos anos, passaram a circular informações sugerindo que a hepcidina seria a causa da psoríase ou até mesmo a chave para resolver a doença. Essa interpretação simplifica um processo imunológico complexo e pode gerar confusões. Para compreender o tema, é importante analisar o papel real desse hormônio e sua relação com a inflamação.

Produzida principalmente pelo fígado, a hepcidina regula o metabolismo do ferro. Em estados inflamatórios, sua produção aumenta como mecanismo de defesa: ao reduzir o ferro circulante, o corpo dificulta a proliferação de microrganismos (arresto do ferro). Esse aumento ocorre em diversas condições e não indica que o hormônio seja o gatilho da doença.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica e sistêmica que afeta de 2% a 3% da população mundial. Seu eixo central envolve as interleucinas 17 e 23, além da ativação inadequada das células T. Essa desregulação acelera a renovação da pele: o ciclo que levaria um mês ocorre em poucos dias, gerando as placas descamativas características.

Embora a inflamação sistêmica da psoríase possa estimular a hepcidina, esse aumento é uma consequência, e não a origem do problema. Na medicina, é vital não confundir associação com causalidade. Como os bombeiros em um incêndio, a hepcidina está presente no local, mas não é quem inicia o fogo.

Além do fígado, a hepcidina é produzida em tecidos como macrófagos e queratinócitos, exercendo funções locais sem protagonismo na regulação da doença. O avanço científico mostra que a psoríase resulta de uma interação entre genética, imunidade e ambiente (estresse, infecções e metabolismo).

O caráter sistêmico é reforçado pelo fato de que até 30% dos pacientes desenvolvem artrite psoriásica. Além disso, alterações imunológicas associadas, como deficiências de anticorpos, mostram que a patologia vai além da pele.

O tratamento evoluiu drasticamente. Além de fototerapia e imunossupressores, os medicamentos biológicos hoje focam em alvos específicos (IL-17 e IL-23). Como a resposta varia entre indivíduos, a compreensão do perfil imunológico de cada paciente é fundamental para personalizar a estratégia médica.

Informação de qualidade é essencial para evitar interpretações simplistas. A psoríase não pode ser explicada por um único marcador. Trata-se de uma doença imunomediada complexa, que exige avaliação médica criteriosa e abordagem individualizada. Esse entendimento permite direcionar melhor o tratamento e contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.


Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga – IMUNOLOGISTA – RQE 21798 – CRM-SP 92607 – Formado pela USP e Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia. Médico Consultor em Imunologia e Alergia de Crianças e Adultos na Rede de Hospitais São Camilo; Diretor da Clínica de Alergia e Imunologia – Dr. Javier Carbajal; Membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI; Membro da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica EAACI; Membro da Sociedad Latinoamericana de Immunodeficiencias LASID; Membro da Clinical Immunology Society CIS. – A Clínica de Alergia e Imunologia Dr. Javier Carbajal é referência em São Paulo por sua orientação voltada ao diagnóstico e tratamento de Doenças Imunológicas Complexas, como Imunodeficiências Primárias, Alergias de difícil controle, Dermatite Atópica Severa, Urticária e Angioedema, Reações Adversas a Fármacos, Doenças Autoimunes e Autoinflamatórias


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São Paulo tem primeiro caso de sarampo em 2026

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Um bebê de seis meses, uma menina, é a primeira pessoa a contrair sarampo em São Paulo, segundo informa a Secretaria de Estado da Saúde paulista. A bebe, que não foi vacinada, esteve na Bolívia em janeiro deste ano.

O caso foi registrado em fevereiro e confirmado por exames laboratoriais.

Em 2025 o estado de São Paulo teve dois casos importados de sarampo.

O governo do estado reforça que a melhor maneira de evitar ser contagiado pela doença é através da vacinação. A vacina contra o sarampo integra o Calendário Nacional de Vacinação e a primeira dose deve ser ministrada aos 12 meses de idade. A segunda dose deve ser dada aos 15 meses.

Também é necessário se vacinar entre os 5 e 29 anos, com duas doses no intervalo mínimo de 30 dias. Pessoas entre 30 e 59 anos devem tomar uma nova dose.

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

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Veneno de sapo da Amazônia pode virar arma contra superbactérias, diz Butantan

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Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan identificou substâncias no veneno do sapo-cururu amazônico (Rhaebo guttatus) que podem ajudar no combate a bactérias resistentes a antibióticos. A pesquisa descreveu as proteínas presentes na secreção do animal e apontou peptídeos — fragmentos de proteínas — com potencial atividade antimicrobiana.

Os resultados foram publicados na revista científica Toxicon e contaram com a colaboração de pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro de Estudos em Biomoléculas Aplicadas à Saúde da Fiocruz, em Rondônia, responsável por fornecer as amostras do veneno.

De acordo com o biomédico Daniel Pimenta, coordenador do estudo e pesquisador do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan, a busca por novas moléculas na natureza é estratégica diante do aumento da resistência antimicrobiana.

O trabalho foi coordenado pelo pesquisador Daniel Pimenta, atualmente do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan.
Foto: Divulgação/GESP

“Em um contexto de resistência antimicrobiana, a busca por novos compostos antibióticos na natureza é uma estratégia importante para o desenvolvimento futuro de fármacos capazes de combater bactérias resistentes”, afirmou o pesquisador.

Nos sapos, o veneno é armazenado em glândulas localizadas na pele e funciona como um mecanismo de defesa. A secreção atua tanto contra predadores quanto contra microrganismos presentes no ambiente, como vírus, bactérias e fungos. Por isso, a composição do veneno de anfíbios costuma reunir substâncias com diferentes efeitos biológicos, incluindo propriedades antibacterianas e antivirais.

A análise revelou que vários peptídeos identificados podem ter atividade antimicrobiana. A conclusão foi obtida a partir de análises estruturais e funcionais feitas por ferramentas computacionais, método conhecido como estudo in silico, que permite prever o papel biológico de moléculas.

Outra descoberta considerada inesperada foi a identificação da proteína BASP1 no veneno do sapo. Até então, essa substância nunca havia sido registrada em venenos de anuros — grupo que inclui sapos, rãs e pererecas — e costuma ser encontrada no sistema nervoso de humanos e outros animais.

A hipótese dos pesquisadores é que a BASP1 possa estar relacionada ao processo de contração e regeneração das glândulas da pele do animal, que passam por um processo inflamatório natural quando o veneno é liberado.

Além disso, foram identificadas proteínas associadas à contração muscular, ao estresse oxidativo e à imunidade do sapo-cururu.

Para chegar aos resultados, os cientistas realizaram uma análise proteômica do veneno, técnica que permite identificar proteínas em misturas complexas de moléculas. O primeiro passo foi transformar a secreção viscosa do animal em uma solução homogênea para possibilitar a análise em equipamentos de laboratório.

Em seguida, os compostos foram separados por cromatografia líquida e analisados em um espectrômetro de massas, equipamento capaz de identificar individualmente as moléculas presentes na amostra.

Segundo Daniel Pimenta, além do potencial terapêutico, o estudo também amplia o conhecimento sobre a biologia da espécie amazônica, ainda pouco investigada pela ciência. Os resultados indicam ainda semelhanças entre o veneno do Rhaebo guttatus e o de outras espécies de sapo-cururu, como Rhinella icterica, do sudeste do Brasil, e Rhinella marina, espécie introduzida na Austrália.

Pesquisas anteriores sobre o mesmo animal já haviam revelado um comportamento incomum: o sapo é capaz de ejetar veneno pelas glândulas localizadas atrás dos olhos quando se sente ameaçado. O fenômeno foi descrito pela primeira vez em estudo publicado em 2011 na revista Amphibia-Reptilia.

A pesquisa recebeu financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

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Foto Destaque:  Carlos Jared/Divulgação/GESP

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O corpo contra si mesmo – por Dr. Javier Carbajal

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Entender as doenças autoimunes é essencial para reconhecer sinais, evitar confusões no diagnóstico e buscar cuidado adequado. Esses quadros aparecem quando o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo, passa a agir de forma desordenada e ataca estruturas saudáveis. Em situações normais, o organismo produz anticorpos e células de defesa contra infecções, toxinas e até células cancerígenas. Depois desse trabalho, entram em ação mecanismos que reduzem a inflamação e permitem a recuperação dos tecidos. Quando esse equilíbrio se rompe, surgem os problemas.

Nas doenças autoimunes, o sistema imunológico perde a capacidade de diferenciar o que é próprio do que é estranho. Passa então a produzir autoanticorpos ou ativar células que atacam tecidos saudáveis. Esse processo pode afetar articulações, pele, sangue, rins, pulmões, glândulas ou o sistema nervoso, causando inflamação persistente e danos que variam conforme o órgão envolvido. A diversidade de manifestações é um dos grandes desafios.

Os sintomas mudam de uma doença para outra, entre pessoas com o mesmo diagnóstico e até no mesmo indivíduo ao longo do tempo. Fadiga, dor, inflamação, alterações na pele ou no funcionamento de órgãos podem surgir isoladamente ou combinadas, o que dificulta a identificação precoce.

Entre os exemplos mais conhecidos estão artrite reumatoide, lúpus, esclerose múltipla, diabetes tipo 1, doença de Graves, psoríase, vitiligo, tireoidite de Hashimoto, doença de Crohn, colite ulcerativa, miastenia gravis e síndrome antifosfolípide. Embora compartilhem o mesmo princípio, que é o ataque do sistema imune ao próprio corpo, elas se manifestam de maneiras muito diferentes.

A autoimunidade começa quando ocorre a quebra da autotolerância, a capacidade do sistema imunológico de reconhecer o próprio organismo. Quando essa tolerância falha, células de defesa são ativadas de forma inadequada e passam a reagir contra tecidos saudáveis, gerando inflamação contínua e produção de autoanticorpos. Fatores genéticos têm papel importante nesse processo, mas influências ambientais também contam, como infecções, exposição a substâncias tóxicas e estresse prolongado. Em alguns casos, especialmente quando a doença aparece cedo, pode haver associação com erros inatos do sistema imune, conhecidos como imunodeficiências primárias.

O diagnóstico exige cuidado e investigação detalhada. Não existe um exame único capaz de identificar todas as doenças autoimunes. A avaliação clínica, o histórico do paciente, exames laboratoriais e o acompanhamento ao longo do tempo formam o conjunto necessário para chegar a uma resposta. Por isso, muitos pacientes enfrentam atrasos no diagnóstico ou iniciam tratamentos que não trazem o resultado esperado. O tratamento não se resume a suprimir a imunidade. Em muitos casos, reduzir a atividade do sistema imunológico sem critério pode gerar novos problemas. A abordagem mais segura envolve identificar o mecanismo imunológico alterado e direcionar o cuidado conforme a necessidade de cada paciente, sempre com foco em qualidade de vida.

Compreender como as doenças autoimunes surgem e evoluem ajuda pacientes e familiares a reconhecerem sinais de alerta e buscar avaliação especializada. Informação clara é uma aliada importante no cuidado de condições complexas e de evolução variável.


Dr. Javier Ricardo Carbajal Lizárraga – IMUNOLOGISTA – RQE 21798 – CRM-SP 92607 – Formado pela USP e Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia. Médico Consultor em Imunologia e Alergia de Crianças e Adultos na Rede de Hospitais São Camilo; Diretor da Clínica de Alergia e Imunologia – Dr. Javier Carbajal; Membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia ASBAI; Membro da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica EAACI; Membro da Sociedad Latinoamericana de Immunodeficiencias LASID; Membro da Clinical Immunology Society CIS. – A Clínica de Alergia e Imunologia Dr. Javier Carbajal é referência em São Paulo por sua orientação voltada ao diagnóstico e tratamento de Doenças Imunológicas Complexas, como Imunodeficiências Primárias, Alergias de difícil controle, Dermatite Atópica Severa, Urticária e Angioedema, Reações Adversas a Fármacos, Doenças Autoimunes e Autoinflamatórias


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Dra. Tatiana Sampaio: A persistente cientista brasileira – por Celso Tracco

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Infelizmente nosso país não é reconhecido pela sua produção científica. E esse fato tem seus motivos. Em ranking das melhores universidades do mundo realizado em 2025, a melhor colocada foi a Universidade de São Paulo (USP), ficou em 118°; a segunda melhor colocada foi Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 331° lugar. Sempre é bom lembrar que o Brasil, jamais conquistou um Prêmio Nobel. Podemos ser o país dos privilégios, do desperdício do dinheiro público, da desigualdade social, e não investimos adequadamente em educação de qualidade, pesquisa científica, inovação tecnológica. Mas o país não é carente de cérebros, pois mesmo em situações consistentemente adversas, há cientistas que se destacam, e contribuem para o desenvolvimento da base científica do Brasil. Esta coluna presta uma singela homenagem a esses abnegados e abnegadas, na pessoa da Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, bióloga, professora universitária, cientista, pesquisadora.

Dra. Tatiana Sampaio nasceu no Rio de Janeiro em 1966. Desde a infância, mostrou interesse pela ciência, pela pesquisa, para a área acadêmica. Formou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após sua graduação, seguiu seus estudos na mesma faculdade, onde concluiu o Mestrado e Doutorado. Continuando seu aprendizado fez cursos de pós-doutorado no exterior. Voltando ao Brasil, ingressou como professora na mesma UFRJ.

Apesar de todas as dificuldades naturais em país onde a ciência não é valorizada, seguiu sua vida de pesquisadora acadêmica.  A pesquisa que mudaria sua trajetória começou em 1997, quando passou a investigar a laminina, proteína que auxilia na comunicação entre neurônios. A partir dela, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma versão sintética criada a partir da placenta humana. O objetivo da molécula é estimular a regeneração de axônios, que são estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos. Os primeiros testes experimentais em humanos, que tinham fraturado completamente a coluna cervical, e ainda fora do protocolo clínico oficial, mostraram resultados considerados promissores por especialistas: seis dos oito pacientes tratados recuperaram algum movimento, e um deles voltou a caminhar.

Mesmo com resultados alentadores, a UFRJ, assim como as demais universidades e centros de pesquisas federais, sofre com o recorrente corte de verbas e repasses governamentais, como consequência enfrentou dificuldades para manter a patente internacional da molécula. O debate sobre o financiamento público da ciência no Brasil, incluindo remuneração a professores e pesquisadores, infelizmente ainda é embrionário entre nossos legisladores.  Não é raro que os próprios cientistas, recorram a recursos próprios, para seguirem com suas pesquisas. Idêntica situação foi vivida pela Dra. Tatiana Sampaio. Nos últimos meses, felizmente o trabalho da pesquisadora tem sido celebrado em eventos científicos e culturais, ganhando destaques na grande mídia brasileira. Ao mesmo tempo, especialistas pedem cautela: os resultados iniciais não garantem eficácia em larga escala, e o tratamento ainda está longe de ser disponibilizado ao público. Temos que entender que pesquisa cientifica é cara e demorada.

Dra. Tatiana tem a humildade de reconhecer seus limites e reforça que a pesquisa segue em curso. Mãe de três filhos, ela descreve sua casa como um ponto de encontro para estudantes e colegas. Embora não siga uma religião, afirma acreditar em Deus e defende que a ciência não responde a todas as perguntas. A trajetória da Dra. Tatiana Sampaio simboliza a persistência de uma pesquisadora científica brasileira diante de restrições orçamentárias. A polilaminina ainda precisa superar diversas etapas, mas já representa uma das iniciativas mais promissoras no campo da regeneração neural no país. Que o Brasil passe a reconhecer e valorizar seus pesquisadores e cientistas.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Foto Destaque: Divulgação/Faperj

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