Punir mais ou compreender melhor o caminho dos jovens – por Dra. Vera Resende

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Sempre que há aumento nos índices de criminalidade com a participação de menores de idade, o tema da redução da maioridade penal volta ao debate público. Trata-se de uma questão complexa, longe de alcançar consenso tanto no campo das ciências jurídicas quanto no das ciências sociais. É necessário refletir se as medidas punitivas aplicadas à população adulta têm sido eficazes na redução da criminalidade. Caso fossem, viveríamos em uma sociedade mais segura, com menor incidência de crimes. No entanto, o país apresenta um dos maiores índices de população carcerária do mundo.

É comum recorrer à comparação com modelos estrangeiros, especialmente em momentos de comoção diante de crimes cometidos por adolescentes. No entanto, cada sociedade possui sua própria cultura e organiza suas leis em articulação com políticas públicas de educação, saúde e inclusão social. Esses fatores influenciam diretamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes e ampliam as perspectivas de inserção no mercado de trabalho e na vida social. No Brasil, ainda há desafios significativos nesse campo e um longo caminho a ser percorrido. Sociedades que oferecem mais condições de desenvolvimento também estabelecem maiores níveis de exigência. Ainda assim, mesmo países com melhores indicadores sociais enfrentam problemas relacionados à criminalidade juvenil.

Outro ponto recorrente no debate é a tendência de associar a delinquência juvenil à população pobre e periférica. Essa visão simplifica um fenômeno complexo e não se sustenta diante dos fatos. Casos recentes e declarações de autoridades mostram que jovens de diferentes classes sociais também estão envolvidos em atos violentos.

Historicamente, crimes graves foram cometidos por jovens de famílias economicamente favorecidas. Casos emblemáticos, como os de Araceli e Ana Lídia, evidenciam essa realidade. Situações de violência contra pessoas em situação de rua, idosos e animais também ocorreram sem que houvesse a mesma pressão social por medidas extremas como a redução da maioridade penal ou a adoção de penas mais severas.

A violência, em qualquer contexto, produz efeitos que vão além do ato em si. Ela retira a humanidade tanto da vítima quanto do agressor. Em experiências clínicas com grupos de adolescentes em liberdade assistida, foi possível observar trajetórias marcadas pela ausência de orientação familiar, afeto e educação. O trabalho terapêutico em grupo buscava oferecer a esses jovens a possibilidade de se reconhecerem como parte da sociedade e de assumirem responsabilidade por suas próprias trajetórias. Ao entrarem em contato com o outro, puderam resgatar aspectos de sua própria humanidade. Muitos relataram que nunca haviam sido tratados com respeito ou considerados como sujeitos. Uma das falas mais marcantes foi a de um jovem que afirmou que, se tivesse sido reconhecido como alguém digno, talvez não tivesse seguido o caminho do crime. Essas reflexões indicam que o enfrentamento da violência exige mais do que respostas punitivas. É necessário investir na redução das desigualdades, na ampliação do acesso à educação de qualidade e na criação de oportunidades reais de desenvolvimento para crianças e adolescentes. Trata-se de um desafio coletivo que envolve responsabilidade social e compromisso com o futuro.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Homem também é vítima da violência – por Dra. Vera Resende

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A violência é um tema que precisa ser debatido de forma permanente, pois se trata de um fenômeno que se expande e atinge principalmente os grupos mais vulneráveis. Crianças, mulheres e idosos costumam aparecer como os principais alvos. No entanto, ninguém está totalmente protegido da escalada de violência que atravessa a sociedade, inclusive os homens, ainda que essa realidade seja menos mencionada.

A violência sofrida pelos homens recebe menos atenção porque eles ainda são associados a relações históricas de poder. Em muitas culturas, consolidou-se um imaginário de masculinidade ligado à força e à virilidade. Esse modelo é reproduzido desde a infância e influencia a forma como os meninos são educados. Quando a violência se naturaliza dentro desse contexto, ela tende a se multiplicar e a se expandir para diferentes espaços da vida social, como as ruas, os ambientes de trabalho, os meios de transporte, os espaços de lazer e os próprios grupos familiares.

No Brasil e em muitos outros países, a maior parte das mortes violentas ocorre entre homens e é provocada por outros homens. Muitas dessas situações estão associadas a demonstrações de força e afirmação de virilidade. O índice de mortalidade masculina também é mais elevado em acidentes, assassinatos e até em situações relacionadas à negligência com a própria saúde. Participei de estudos acadêmicos na década de 1990 e já observávamos indicadores preocupantes entre homens em contextos de grande vulnerabilidade, como população em situação de rua, população carcerária e pessoas em situação de dependência química.

As expectativas sociais ligadas ao modelo tradicional de masculinidade também contribuem para esse cenário. Dentro dessa lógica, homens não deveriam reconhecer nem expressar sentimentos. Muitos não conseguem compreender ou elaborar suas próprias experiências emocionais. Em consequência, raramente procuram atendimento médico ou psicológico, pois foram ensinados a evitar qualquer demonstração de fragilidade.

O homem contemporâneo também enfrenta conflitos importantes em sua vida cotidiana e, muitas vezes, não encontra espaço para dialogar sobre eles. Muitos ainda acreditam que são os únicos responsáveis pelo sustento da família, embora na prática dependam também da renda de suas companheiras para manter as despesas da casa. Além disso, cresceram em contextos nos quais as mulheres eram responsáveis pelo cuidado doméstico e hoje convivem com uma realidade diferente, em que as parceiras participam do mercado de trabalho e as tarefas da casa precisam ser compartilhadas.

Reduzir esse fenômeno destrutivo, que rompe o pacto civilizatório responsável por regular a convivência humana, exige enfrentar os fatores sociais e culturais que o alimentam. Compreender as transformações nas relações entre homens e mulheres e ampliar os espaços de diálogo são passos importantes para a construção de relações mais saudáveis e menos violentas.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Mais do que escolarização, É VIDA – por Dra. Vera Resende

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Assumir a experiência escolar como continuidade das relações que começam na família exige reconhecer o percurso entre a primeira infância e a chegada da criança à escola. A passagem da dependência total para uma independência relativa acontece no processo de amadurecimento e se constrói ao longo de várias etapas.

A idade escolar é decisiva para o desenvolvimento social. Nessa fase, ganha destaque um setor essencial da vida infantil, que funciona como via de expressão das conquistas da criança, seu ponto de apoio e afirmação de autonomia.

Insucessos podem ocorrer em qualquer situação de aprendizado, mas quando são interpretados como fracasso a criança pode se sentir exposta e fragilizada. O desempenho insatisfatório pode se somar a dificuldades nas relações sociais e aparecer em forma de resistência para interagir com pares e adultos, compreender regras, assumir responsabilidades e aprender com a experiência. São sinais que revelam intenso sofrimento psíquico.

Respeitar essa dor significa evitar dois extremos. De um lado, não transformar todas as dificuldades em diagnósticos, tratando a criança como portadora de um distúrbio grave. De outro, não negar o sofrimento ao substituí-lo por explicações distantes da sua realidade.

É necessário olhar para essa dimensão singular da experiência infantil sem rotulá-la como fracasso, mas entendê-la como parte natural do desenvolvimento, que organiza e segmenta a vida escolar. Esse olhar contribui para que a criança construa uma imagem mais favorável de si, em vez de relacioná-la à inadequação ou incapacidade. É uma perspectiva que coloca o aluno no centro, sem culpabilizá-lo e sem estigmatizar suas dificuldades, preservando sua autonomia.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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A violência de todo dia – por Dra. Vera Resende

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A sociedade está abalada com o aumento dos casos de feminicídio, que se tornam mais frequentes e mais visíveis a cada ano. O que nem sempre percebemos é que convivemos diariamente com outras formas de violência que passam despercebidas. A repetição desses comportamentos acaba por naturalizar gestos, palavras e atitudes agressivas no ambiente familiar, profissional e social, tornando difícil identificar quando a violência se instala.

No campo da cultura, a exposição constante a cenas de agressão também influencia nossa percepção. Filmes exibidos na televisão, mesmo os considerados leves, apresentam tramas marcadas por assassinatos e conflitos físicos. Jogos eletrônicos estimulam disputas baseadas na eliminação do oponente. A convivência com esse cenário contribui para a banalização da violência na vida cotidiana. O mesmo ocorre com agressões verbais, insultos e atitudes de humilhação, que surgem com a mesma frequência da violência física. Sempre há alguém tentando se impor sobre o outro por meio da força.

O problema se agrava quando essa normalização é transportada para a vida concreta. As brigas em bares, boates e ambientes esportivos são exemplos evidentes desse comportamento descontrolado. Infelizmente, a violência também chegou às escolas. Em muitos contextos, parece que perdemos a noção dos limites entre o aceitável e o intolerável.

Na prática clínica, encontro com frequência mulheres que sofrem violência e não reconhecem a gravidade da situação. Algumas mascaram o problema ao justificar a agressividade do parceiro com o uso de álcool ou drogas. Outras acreditam que a violência faz parte do destino, pois cresceram observando mães e avós vivendo relacionamentos marcados por desrespeito e dor. Esse padrão repetido por gerações cria um ciclo de conformismo difícil de quebrar.

A passividade diante de situações agressivas se torna um terreno fértil para o agravamento da violência. Relatos de empurrões, insultos, ameaças e destruição de objetos aparecem com naturalidade, como se fossem episódios passageiros. No entanto, a violência raramente diminui com o tempo. Ao contrário, tende a crescer à medida que a vítima perde a capacidade de reconhecer seus direitos e sua individualidade.

É fundamental prestar atenção ao que se apresenta como normal apenas porque é frequente. A violência psicológica costuma ser o primeiro passo. Ela aparece na desqualificação da vítima, no desprezo por suas ideias, na culpabilização constante e na tentativa de controlar suas escolhas. Quando a mulher deixa de se reconhecer como sujeito com voz e autonomia, o caminho para a agressão física se abre. Um objeto arremessado na parede hoje pode se voltar contra o próprio corpo amanhã. Um ataque verbal que parece pontual pode evoluir para espancamentos. E, em muitos casos, pode tirar a vida.

Romper esse ciclo requer consciência, apoio emocional e acesso a redes de proteção. A mulher não deve acreditar que suporta agressões em nome dos filhos, porque esse comportamento oferece às crianças um modelo de relacionamento marcado pela violência e pela submissão. Reconhecer a situação e buscar ajuda não é motivo de vergonha. É um ato de preservação da vida e da saúde emocional.

A violência cotidiana não começa de forma explícita. Ela nasce no silêncio, na naturalização do desrespeito e na repetição de padrões que precisam ser interrompidos. Falar sobre isso é essencial para quebrar um ciclo histórico e criar espaços mais seguros para todas as mulheres. Se a vida se organiza pelo respeito e pelo cuidado, é nesse caminho que precisamos insistir.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Reflexões sobre a banalização dos diagnósticos psicológicos – por Dra. Vera Resende

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Temos visto, com frequência, explicações psicológicas sobre situações sociais, violentas ou não, com clara intenção de diagnosticar possíveis patologias nas pessoas envolvidas. Parece que todos os internautas dominam teorias capazes de identificar sintomas e sinais característicos de quadros clínicos complexos que, na verdade, exigem cuidado e atenção profissional.

Muitos buscam informações duvidosas e incompletas em conteúdos divulgados por “profissionais” nem sempre da área da Psicologia, nem sempre qualificados, que descrevem comportamentos típicos de determinadas patologias sem o devido embasamento.

Não por acaso, encontramos cada vez mais pacientes jovens que chegam ao consultório com um diagnóstico pronto e mostram resistência à abordagem terapêutica, pois acreditam que já sabem o que têm e o tratamento que devem seguir. Essa nova tendência traz riscos importantes à saúde mental e emocional. Seus desdobramentos interferem na convivência familiar e, por consequência, na forma como nos relacionamos socialmente.

Um exemplo disso aparece nas distorções conceituais que transformam o ambiente familiar e os primeiros cuidados da infância em causas diretas de todos os problemas mentais. A experiência humana se desenvolve em estágios sucessivos. No primeiro deles, a infância, acontecem vivências boas e ruins que estão fora do controle da criança, pois ela ainda não possui recursos psicológicos para lidar com o que a vida lhe apresenta.

Enquanto o adulto conta com uma área de onipotência que lhe permite algum controle sobre os acontecimentos, por ter capacidade de avaliar e prever situações, a criança ainda está formando essa estrutura. Ela tenta reunir elementos externos para fortalecer o próprio ego, que ainda não é suficientemente organizado para protegê-la das ameaças. Por isso, não consegue se sentir responsável nem pelo que lhe acontece de bom, nem pelo que lhe causa sofrimento.

A criança depende do ego da mãe ou do adulto que a representa, pois é essa presença que a sustenta emocionalmente. Seu desenvolvimento avança do estágio de dependência total até a independência essencial, quando conquista a capacidade de estar só, de assumir compromissos e de sentir culpa de forma saudável. Assim, compreendemos o papel fundamental do ambiente familiar e das interações afetivas. Isso não significa que a criança não possa ser contrariada ou questionada, mas que precisa de uma base segura para aprender a lidar com o mundo e com suas próprias emoções.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Adolescentes mentem? – por Dra. Vera Resende

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Recebi a mensagem de uma mãe preocupada em saber como lidar com filhos adolescentes que mentem. Essa questão nos leva a refletir sobre a forma como a comunicação se desenvolve entre os membros da família. Uma distorção nesse processo pode gerar dificuldades desde a infância e tende a se agravar na adolescência.

É fundamental instaurar hábitos de abordagem respeitosa, se o objetivo for o respeito mútuo, com transparência e coerência entre discurso e comportamento. Quem não conversou com a criança dificilmente conseguirá dialogar com o adolescente, nem obterá respostas, se nunca demonstrou interesse sincero pelo cotidiano dos filhos. Já ouvi no consultório jovens manifestarem irritação e estranhamento diante do interesse tardio de pai ou mãe. É na construção do diálogo respeitoso e acolhedor que os pais conseguem distinguir a omissão da verdade da mentira.

Na omissão de um acontecimento ou experiência, o adolescente apenas não relata detalhes ou todo o evento, por inibição, receio ou medo. Isso acontece porque ele começa a construir seu próprio universo e nem todas as experiências serão compartilhadas, já que deseja garantir sua privacidade. Já a mentira envolve a substituição da verdade por uma narrativa inventada, que exige enredos entrelaçados. É mais grave e requer atenção. Daí a importância de estabelecer confiança mútua, por meio de um espaço emocional suficientemente acolhedor para permitir as manifestações do filho.

Vale ressaltar que as mentiras se organizam em torno do sistema de valores da família. Adultos que mentem na frente dos filhos autorizam, ainda que indiretamente, que eles repitam esse comportamento. Envolvê-los em situações mentirosas, mesmo as aparentemente inofensivas, pode gerar atitudes reprováveis no futuro. Crianças percebem, por exemplo, quando adultos dão um “calote” em alguém, ou quando são chamadas à cumplicidade em pequenos delitos dos pais, com frases como:

“Não conte que eu comprei…”
“Não conte que vi ou falei com tal pessoa.”
“Não conte que fui a tal lugar.”
“Me ajude a esconder…”

No outro extremo, a rigidez excessiva também pode obstruir o canal de comunicação. Famílias muito restritivas e autoritárias encontram maior dificuldade para dialogar e, muitas vezes, não sabem ouvir o que o jovem tem a dizer. Nesse contexto, adolescentes podem mentir sobre qualquer experiência pessoal, desde o desempenho escolar até acontecimentos cotidianos.

Adolescentes tendem a mentir quando não confiam nos pais, quando não existe espaço para diálogo e quando, em vez de respeito, sentem medo. O autoritarismo e o desrespeito às individualidades são grandes vilões da interação familiar.

A autoridade paterna existe por si só, não precisa ser conquistada nem imposta. Quando os pais são inseguros, recorrem ao autoritarismo, que se expressa em gritos, punições desproporcionais e indiferença ao estágio de desenvolvimento dos filhos. Essas atitudes promovem distanciamento e confronto.

A adolescência é uma fase natural de questionamento de valores e princípios. Invariavelmente, os pais se sentem desafiados pelas questões colocadas pelos filhos e, muitas vezes, reagem com temor. Nesses casos, é recomendável buscar ajuda profissional antes que a situação fuja ao controle.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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Saúde parnaibana é premiada em Congresso Estadual

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Com o “Grupo de psicoterapia com Enlutados: Movimentando-se através da dor” Santana de Parnaíba ficou entre os 15 melhores trabalhos do 11º David Capistrano, apresentado na 18ª mostra de experiências exitosas dos municípios.

Clique na imagem e saiba mais!

Realizado em formato virtual, o 35.º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, com o tema “A importância do SUS no enfrentamento da pandemia e na pós-pandemia”, promovido pelo COSEMS/SP, tem o objetivo de levantar propostas de melhoria para a saúde no estado.

Nesta edição, foram inscritos 725 trabalhos, divididos em 10 eixos temáticos, dos quais 15 foram premiados e outros 15 receberam menção honrosa. Todos os 30 trabalhos serão selecionados para a Mostra Nacional “Brasil aqui tem SUS”.

O prêmio representa o reconhecimento do mérito dos atores envolvidos e é um incentivo às experiências transformadoras na gestão municipal do SUS.


Fonte/texto/foto: SECOM-Santana de Parnaíba

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