Da formação do ofício: O médico como obra inacabada – por Dr. Guilherme Falótico

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Afirmam que existem instituições que produzem médicos em série, preenchendo-os de conhecimento estanque e entregando-os ao mundo com um pergaminho que tapa ausências. E questiono: que transformação é esta que converte um jovem em autoridade de avental branco, sem antes lhe revelar a humana imperfeição da matéria que tratará?

A realidade é que se formam profissionais como quem monta estruturas e, se faltar algum elemento, segue-se adiante, pois o diploma cobre todas as lacunas. E depois admira-se quando o organismo humano, esse sistema complexo e singular, recusa funcionar conforme os manuais.

Das casas de instrução vazias

Ingressa-se com ideais luminosos, egressa-se com protocolos nas mãos. A academia, essa suposta catedral do conhecimento, converteu-se frequentemente em depósito de informações transitórias. Ensina-se o corpo como mecanismo, mas omite-se que este mecanismo sofre, teme, espera, desanima. Ocupam-se mentes com dados como quem estoca volumes, mas esquecem o essencial: que a medicina é, antes de tudo, um encontro entre duas vulnerabilidades.

Comentam agora que a residência médica, esse ritual formativo, essa travessia necessária que transforma conhecimento teórico em sabedoria prática, perdeu valor. Tornou-se cerimônia acelerada, formalidade burocrática onde se trocam noites de vigília por assinaturas no currículo. Onde está o mestre que ensinava não apenas o procedimento, mas o respeito pelo mistério? Substituíram-no pelo supervisor apressado, ele mesmo cativo da produtividade.

Do aprendizado como arte esquecida

Lembro os antigos mestres, esses seres raros, para quem o ato médico era ritual, não transação. Instruíam com paciência de artesãos, demonstravam que diagnosticar é ouvir o que as palavras silenciam, que examinar é decifrar um texto escrito na linguagem íntima do corpo. Hoje, receio, muitos aprendem a observar exames e esquecem-se de ver o doente.

E assim vamos construindo médicos ruins tecnicamente e incultos humanamente.

Da correção necessária

Não será hora de repensar a formação médica? De voltar a fazer da medicina não um curso, mas um chamado cultivado? De tratar a residência não como etapa a vencer, mas como obra a esculpir?

Talvez necessitemos mais doentes reais nos corredores e menos apresentações e narrativas. Menos especialização antecipada e mais contato com o humano em sua plenitude.

Porque no final, quando todos os aparatos falharem e todos os protocolos se mostrarem insuficientes, restará apenas o médico com seu saber, sua intuição, sua humanidade. E esse médico não se forma em seis anos. Esse médico forma-se numa existência inteira de encontros, de equívocos, de aprendizados, de humildade.

O paciente, esse ser intricado que nos confia seu corpo, merece mais do que um técnico bem instruído. Merece um humanista que conheça a ciência. E forjar esse profissional exige mais do que instalações modernas ou currículos atualizados.

Que as escolas formem não médicos, mas pontes. Não técnicos, mas tradutores. E que a residência médica seja, novamente, não um suplício a suportar, mas um deserto necessário onde se perdem as certezas frágeis para encontrar a sabedoria humilde.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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Entre ossos, máquinas e dúvidas – por Dr. Guilherme Falótico

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Há dias em que entro no consultório e sinto que a Medicina, aquela que aprendi entre livros pesados e salas de plantão, anda perdendo algo que não sei nomear. Talvez seja gesto, talvez seja silêncio, talvez seja aquilo que só se percebe quando falta. Falta como falta cálcio na vértebra fraturada do idoso, como falta chão ao paciente diante de um diagnóstico que muda a vida. A Medicina, essa senhora antiga, parece correr atrás de uma tecnologia que lhe acena com milagres, mas cobra caro e exige a essência.

Procedimentos novos brotam como se fossem descobertas definitivas. Prometem curas rápidas, sem risco, sem esforço, quase sem verdade. A ciência, que sempre pediu calma, método e confronto com o real, passa a ser tratada como pedra no caminho. E nós, médicos, às vezes nos deixamos impressionar pelo brilho do novo, como se tradição fosse atraso, quando na verdade é estrutura.

Na Ortopedia isso se mostra com clareza. A cada ano surge um aparelho mais sofisticado, uma técnica anunciada como revolucionária, um tratamento que, dizem, fará o paciente correr antes de reaprender a andar. Mas o corpo não é máquina que aceita atualização automática. É terreno antigo, com suas marcas, desvios e memórias. E a Medicina que nele se faz precisa de fundamento, não de espetáculo.A tecnologia não é inimiga. É aliada valiosa quando usada com critério. O risco nasce da pressa, a pressa de lucrar, de aparecer, de vender esperança embalando o incerto como certeza. Parece que criamos o homem atrás do homem atrás da máquina, e nesse empilhamento o cuidado ao paciente vai desaparecendo.

Manter princípios éticos virou quase ato de resistência. Exige dizer não quando o mercado empurra o sim. Exige escolher o caminho mais lento, mais estudado, mais seguro, ainda que renda menos aplausos, menos curtidas, menos cifras. Exige lembrar que, antes da técnica, há alguém que deposita em nós uma confiança silenciosa e desarmada.

A Medicina que me formou não cabia em slogans. Era feita de escuta, prudência e dúvidas. Talvez seja justamente isso que precisemos recuperar, a coragem de duvidar. Porque é a dúvida que nos mantém humanos e é a humanidade que sustenta a Medicina, mesmo neste tempo de algoritmos apressados. Salvar um princípio é como reduzir um osso deslocado, dói, exige firmeza, mas devolve função. E a função da Medicina, ontem e hoje, não é brilhar. É orientar e cuidar.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Recebi a indicação de prótese do quadril. E agora? Um guia para seus próximos passos – por Dr. Guilherme Falótico

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Receber a indicação para uma prótese total do quadril costuma despertar uma mistura de alívio e apreensão. De um lado, surge a esperança de se livrar de uma dor que há tempos limita sua rotina. De outro, aparecem as dúvidas: “Será que é a hora certa?”, “A cirurgia é segura?”, “Como será minha vida depois?”.

Se você está se sentindo assim, saiba que é completamente normal. Essa é uma decisão importante, e compreender cada etapa do processo é o primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida.

Neste guia, você vai conhecer as etapas essenciais após a indicação da prótese, transformando incertezas em confiança para tomar a melhor decisão.

Passo 1 – Entenda o motivo da indicação

A artrose avançada, que causa desgaste da cartilagem, é o principal motivo para a recomendação da prótese de quadril. A cirurgia costuma trazer grandes benefícios para quem apresenta situações como:

  • Dor persistente mesmo com uso regular de analgésicos.
  • Dificuldade para dormir por causa da dor.
  • Limitação para atividades simples, como cortar as unhas dos pés ou entrar no carro.
  • Abandono de atividades prazerosas devido à limitação física.
  • Falta de resposta satisfatória a fisioterapia e medicamentos.

Passo 2 – Faça as perguntas certas na consulta

Chegue preparado para conversar com o seu médico. Leve suas dúvidas anotadas e peça explicações detalhadas sobre o que esperar antes, durante e depois da cirurgia.

Sobre o procedimento:

  • Qual técnica cirúrgica será utilizada?
  • Que tipo de prótese será implantada e por quê?
  • Qual o risco real de desgaste ou soltura, considerando minha idade?

Sobre a recuperação:

  • Quanto tempo precisarei usar muletas?
  • Quando poderei dirigir?
  • Como será o plano de fisioterapia?
  • Quando poderei voltar ao trabalho, de acordo com minha atividade?

Sobre os riscos:

  • Quais são as complicações mais comuns e como são prevenidas?
  • Qual é a taxa de infecção?
  • Como será o controle da dor no pós-operatório?

Passo 3 – Prepare-se para a recuperação

Fortaleça o corpo antes da cirurgia:

  • Exercite os membros superiores, que serão importantes no uso das muletas.
  • Mantenha ou ganhe força na perna não operada.
  • Controle o peso corporal: cada quilo a menos representa cerca de 4 kg a menos de carga sobre o quadril.

Organize sua rede de apoio:

  • Deixe sua casa livre de obstáculos (retire tapetes e crie corredores desobstruídos).
  • Combine ajuda para compras, transporte e companhia nas primeiras semanas.

Passo 4 – Conheça os números que trazem tranquilidade

  • 95% de satisfação: a artroplastia de quadril está entre as cirurgias com maiores índices de sucesso.
  • 20 a 30 anos de duração: as próteses modernas têm longa vida útil.
  • Alta hospitalar em 1 a 3 dias: a recuperação inicial costuma ser rápida.
  • 95% dos pacientes retornam às atividades normais.

Passo 5 – O que esperar do pós-operatório

Primeiras 2 semanas: controle da dor, cuidados com o curativo e exercícios leves.
De 2 a 6 semanas: ganho de autonomia com uso das muletas e fisioterapia constante.
De 6 semanas a 3 meses: retorno gradual às atividades e possível abandono das muletas.
De 3 a 6 meses: retomada completa das atividades, incluindo esportes de baixo impacto.

Passo 6 – Verdades sobre os medos mais comuns

“E se a prótese soltar?”
As técnicas modernas de fixação são altamente seguras. A soltura asséptica é rara e tende a ocorrer apenas após muitos anos.

“Vou andar mancando para sempre?”
A melhora da marcha é um dos principais objetivos da cirurgia. Com fisioterapia adequada, a maioria dos pacientes recupera o caminhar normal.

“Nunca mais poderei me agachar ou cruzar as pernas?”
Algumas restrições de amplitude de movimento podem existir, dependendo da técnica utilizada, mas a qualidade de vida melhora significativamente após o procedimento.

A indicação da prótese não é um ponto final, mas um recomeço. Este é o momento de se informar e participar ativamente de cada decisão sobre seu tratamento.

Lembre-se: milhares de pessoas recuperam sua qualidade de vida todos os anos graças à artroplastia do quadril. Com preparo e expectativas realistas, você também pode dar esse passo em direção a uma vida sem dor.

A decisão informada é sempre a melhor decisão. Invista no seu entendimento!


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Artroscopia do Quadril: a cirurgia minimamente invasiva que melhorou o tratamento de lesões não degenerativas do quadril – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sente dor no quadril ao caminhar, cruzar as pernas ou se levantar de uma cadeira? Já recebeu diagnósticos de “bursite” ou “artrose inicial”, mas a dor persiste, mesmo com fisioterapia e medicamentos? O problema pode estar em lesões específicas do quadril que, até poucos anos atrás, passavam despercebidas e não tinham tratamento adequado.

A boa notícia é que a medicina evoluiu, e hoje a artroscopia do quadril oferece uma solução precisa e minimamente invasiva para diversos problemas que antes exigiam cirurgias abertas e recuperações prolongadas.

Neste artigo, vou explicar como essa técnica revolucionária está ajudando milhares de pessoas – inclusive atletas e jovens adultos – a recuperarem sua qualidade de vida sem dor.

O que é a Artroscopia do Quadril?

A artroscopia é um procedimento cirúrgico realizado através de pequenas incisões de aproximadamente 1 centímetro. Por essas micro aberturas, o cirurgião introduz uma câmera (artroscópio) e instrumentos especiais para visualizar e tratar problemas dentro da articulação.

As principais vantagens desta técnica incluem:

  • Menor dano tecidual: Preserva músculos.
  • Visualização ampliada: Permite diagnóstico e tratamento mais preciso.
  • Recuperação mais rápida: Retorno mais breve às atividades diárias
  • Menos dor pós-operatória: comparada às cirurgias tradicionais abertas

Quais Problemas Podem Ser Tratados com a Artroscopia?

1. Impacto Fêmoro-Acetabular (IFA)

É a causa mais comum de dor no quadril em adultos jovens. Ocorre quando há um conflito mecânico entre a cabeça do fêmur e a borda do acetábulo (encaixe do quadril), causando:

  • Dor na virilha ao flexionar o quadril
  • Estalos ou sensação de travamento
  • Limitação progressiva dos movimentos

2. Lesões do Lábio Acetabular

O lábio é uma estrutura de fibrocartilagem que funciona como um “amortecedor” natural do quadril. Suas lesões causam dor e limitação, principalmente na prática esportiva.

3. Remoção de corpos livres articulares

4. Tratamento de tumores sinoviais

Quem Pode se Beneficiar Deste Tratamento?

  • Adultos jovens (20-50 anos) com dor persistente no quadril
  • Atletas que sentem dor durante ou após a prática esportiva
  • Pacientes com diagnóstico de IFA/ lesão labial
  • Pessoas que não melhoraram com tratamento conservador (fisioterapia, medicamentos)

Como é o Processo de Recuperação?

A recuperação varia conforme o procedimento realizado, mas geralmente inclui:

  • Alta hospitalar no mesmo dia ou 24 horas após a cirurgia.
  • Uso de muletas por 2 a 4 semanas.
  • Fisioterapia iniciada imediatamente.
  • Retorno às atividades leves em 4-6 semanas.
  • Retorno aos esportes entre 4 e 6 meses.

Não Aceite Conviver com a Dor no Quadril!

Muitas pessoas passam anos adaptando sua vida à dor, acreditando que não há solução ou que a única alternativa seria uma prótese total – o que não é verdade para a maioria dos casos de IFA e lesões labiais.

Agende uma consulta com um especialista em quadril e descubra se a artroscopia pode ser a solução para você voltar a se movimentar sem limitações.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Atividade física é o melhor remédio para prevenir dores e lesões ortopédicas – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sabia que a chave para evitar dores nas costas, lesões no joelho e desgaste articular pode estar mais próxima do que se imagina? A resposta não está necessariamente em remédios ou procedimentos complexos, mas em um hábito simples e acessível: a prática regular de atividade física.

Embora ainda exista a ideia de que se movimentar pode “gastar” as articulações, estudos mostram justamente o contrário. O corpo humano foi feito para se movimentar e o exercício cumpre papel fundamental na manutenção da saúde musculoesquelética.

Explico abaixo por que a atividade física é a sua maior aliada na prevenção de problemas ortopédicos em todas as fases da vida.

Por que o movimento é essencial

A atividade física regular atua como uma forma de “manutenção preventiva” do sistema ortopédico:

  • Fortalece a musculatura: músculos fortes funcionam como suporte para ossos e articulações, absorvendo impactos e reduzindo a sobrecarga.
  • Melhora a densidade óssea: exercícios com carga controlada, como caminhada e musculação, estimulam a formação de massa óssea, ajudando a prevenir a osteoporose.
  • Nutre as articulações: o movimento favorece a circulação do líquido sinovial, responsável por lubrificar e nutrir as cartilagens.
  • Mantém a flexibilidade: alongamentos e exercícios de amplitude preservam a elasticidade muscular e a mobilidade articular.

Sedentarismo e seus impactos

Os efeitos da falta de movimento atingem diferentes perfis:

  • Adultos que passam muitas horas sentados: a inatividade enfraquece a musculatura lombar, aumentando os casos de dor nas costas.
  • Pessoas acima do peso: o excesso de carga sobre joelhos, quadril e tornozelos acelera o desgaste das articulações e favorece a artrose.
  • Idosos: a perda natural de massa muscular (sarcopenia) e óssea (osteoporose) torna o exercício ainda mais decisivo para manter independência e qualidade de vida.

Qual a dose ideal de exercício

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, como caminhada rápida, natação ou ciclismo, além de duas a três sessões semanais de fortalecimento muscular, incluindo modalidades como musculação, pilates ou treino funcional. A regularidade é mais importante que a intensidade.

E quem já sente dores?

Mesmo em casos de dores ou condições ortopédicas, o movimento continua sendo aliado. A prática orientada é parte essencial do tratamento, desde que respeite os limites de cada paciente. Um ortopedista especializado pode indicar quais atividades são seguras e, muitas vezes, a fisioterapia especializada utiliza o exercício/movimento como ferramenta de reabilitação, fortalecendo a região afetada sem agravar a lesão.

A mensagem central é clara: movimentar-se é uma estratégia eficaz e acessível para preservar a saúde ortopédica em todas as fases da vida. Cada passo dado hoje representa um investimento valioso na qualidade de vida do futuro.

Consulte um ortopedista para uma avaliação personalizada e orientações sobre quais atividades são mais indicadas para o seu biotipo, idade e objetivos. Agende uma consulta e comece hoje mesmo a transformar sua saúde ortopédica. Seu futuro agradecerá por cada passo que você der agora!


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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Osteoporose: a doença silenciosa que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas do quadril – por Dr. Guilherme Falótico

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Você sabia que uma simples queda pode ser muito mais perigosa com o avanço da idade? A explicação está, muitas vezes, na osteoporose, uma doença silenciosa que fragiliza os ossos e aumenta de forma significativa o risco de fraturas, sobretudo no quadril.

Essa fratura é considerada um evento grave, capaz de transformar a rotina do paciente e da família. No entanto, existem formas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, que ajudam a evitar complicações e preservam a qualidade de vida.

O que é a osteoporose e por que o quadril é tão vulnerável?

A osteoporose enfraquece os ossos de maneira progressiva, tornando-os porosos e quebradiços, sem causar sintomas até o momento em que ocorre a fratura. O quadril é especialmente vulnerável porque suporta grande parte do peso do corpo. Em casos avançados, não apenas quedas, mas até movimentos bruscos podem resultar em fratura.

Um problema de saúde pública

A osteoporose atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, a maioria mulheres após a menopausa, em razão da queda dos níveis de estrogênio. Globalmente, uma fratura osteoporótica acontece a cada 3 segundos. Após os 50 anos, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens terão algum tipo de fratura relacionada à doença.

As fraturas do quadril têm impacto profundo: cerca de 40% dos pacientes não voltam a caminhar sozinhos e, infelizmente, essa condição é uma das principais causas de mortalidade em idosos.

Como identificar ossos enfraquecidos?

A principal ferramenta de diagnóstico é a densitometria óssea, exame rápido, indolor e não invasivo que avalia a densidade mineral dos ossos, especialmente da coluna e do quadril. Ele permite identificar precocemente a perda óssea e monitorar a resposta ao tratamento.

Exames laboratoriais e a análise do histórico clínico também auxiliam no diagnóstico, ajudando a descartar outras causas metabólicas de fragilidade óssea.

Estratégias de prevenção e tratamento

O cuidado com a saúde óssea tem dois objetivos principais: fortalecer os ossos e prevenir quedas.

1. Medidas não medicamentosas

  • Alimentação rica em cálcio: leite, queijos, iogurtes, vegetais verde-escuros (como couve e brócolis) e sardinha.
  • Vitamina D: obtida por meio de exposição solar segura (cerca de 15 minutos diários) e, se necessário, suplementação.
  • Atividade física regular: exercícios com impacto, como caminhada e musculação, são fundamentais para estimular a formação óssea e melhorar equilíbrio e força muscular.
  • Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool.

2. Tratamento medicamentoso
Em alguns casos, é necessário o uso de suplementação de cálcio e vitamina D, além de medicamentos modernos, que podem reduzir a perda óssea (antirreabsortivos) ou estimular a formação de osso novo.

A osteoporose é silenciosa, mas suas consequências podem ser devastadoras. Investir na saúde dos ossos é uma forma de garantir mais independência, autonomia e qualidade de vida no futuro. Não espere uma fratura para agir. A prevenção continua sendo o melhor tratamento.


Dr. Guilherme Falótico – Ortopedista especialista em cirurgia do quadril (CRM 128925). Formado e professor adjunto na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, é mestre e doutor em Ciências, com Fellowship no Rothman Institute (EUA), onde se especializou em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. Certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ, é reconhecido pela atuação de excelência aliada à ciência e à inovação na ortopedia.


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