A primeira edição do Mapa da Desigualdade da Região Metropolitana de São Paulo, divulgada nesta quinta-feira (6), revelou um retrato das diferenças sociais e da qualidade de vida entre os 39 municípios que compõem a maior metrópole do país. Entre os destaques do levantamento estão duas cidades da região Oeste: Santana de Parnaíba, que aparece como a segunda melhor colocada no ranking geral, e Pirapora do Bom Jesus, que ocupa a última posição.
O estudo foi elaborado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis e avaliou 40 indicadores, distribuídos em nove áreas temáticas, incluindo saúde, educação, segurança pública, saneamento, mobilidade, habitação, economia e meio ambiente.
No ranking geral, São Caetano do Sul lidera a classificação. Em seguida aparecem Santana de Parnaíba, Ribeirão Pires e Vargem Grande Paulista. Já Pirapora do Bom Jesus ficou na última colocação entre todos os municípios analisados.
O levantamento evidencia que cidades vizinhas, conectadas pela mesma dinâmica econômica e populacional, oferecem condições bastante diferentes de acesso aos serviços públicos e de qualidade de vida.
Confira o ranking:

Santana de Parnaíba consolida posição entre os melhores municípios
A segunda colocação de Santana de Parnaíba reforça um cenário observado nos últimos anos, em que o município vem registrando indicadores elevados em diversas áreas da administração pública.
Embora o estudo ressalte que nenhum município apresenta desempenho excelente em todos os indicadores, Santana de Parnaíba aparece entre as cidades mais equilibradas da Região Metropolitana, refletindo resultados consistentes em diferentes áreas analisadas.
O levantamento também alerta que mesmo os municípios mais bem posicionados ainda possuem desafios importantes, principalmente em indicadores específicos.
Pirapora do Bom Jesus enfrenta os maiores desafios
Na outra ponta do ranking está Pirapora do Bom Jesus, que apresentou o menor desempenho geral entre os 39 municípios avaliados.
Apesar da última colocação, o estudo mostra que a realidade da cidade não é negativa em todos os aspectos.
Um dos principais exemplos aparece na cobertura vacinal, em que Pirapora do Bom Jesus alcança 97%, figurando entre os melhores resultados da Região Metropolitana, atrás apenas de Vargem Grande Paulista.
Por outro lado, o município apresenta um dos maiores índices de homicídios do levantamento, com 16,3 mortes por 100 mil habitantes, além de desafios relacionados à infraestrutura e aos serviços públicos.
Segundo os organizadores, o objetivo do estudo não é rotular municípios, mas identificar prioridades para orientar investimentos e reduzir desigualdades.
Saúde revela diferenças de até 16 anos na expectativa de vida
A área da saúde foi a que concentrou o maior número de indicadores analisados. Entre os dados mais expressivos está a idade média ao morrer.
Enquanto moradores de São Caetano do Sul vivem, em média, 76 anos, em Francisco Morato essa média é de apenas 60 anos.
A diferença de 16 anos evidencia como as condições de vida variam dentro da própria Região Metropolitana.
O levantamento também analisou mortalidade infantil, mortalidade materna, gravidez na adolescência, desnutrição infantil e cobertura vacinal.
Saneamento ainda divide municípios
Os indicadores de saneamento básico também revelam contrastes significativos. Poá, Santo André e Taboão da Serra possuem cobertura universal de rede de esgoto. Já Juquitiba atende apenas 19,5% da população.
No abastecimento de água, onze municípios oferecem cobertura total, enquanto São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem pouco menos da metade dos moradores.
Educação ainda apresenta desafios
O estudo aponta que apenas 66,5% dos jovens entre 18 e 19 anos concluíram o ensino médio na Região Metropolitana.
Guararema lidera esse indicador com 86%, enquanto Salesópolis registra o menor índice, com 52%. Na capital paulista, o percentual é de 59,8%, abaixo da média regional.
Mobilidade amplia desigualdades
Outro dado preocupante está relacionado ao tempo de deslocamento até o trabalho. Em Francisco Morato, 52% dos trabalhadores de baixa renda gastam mais de uma hora para chegar ao emprego.
Segundo os pesquisadores, o problema está diretamente ligado à distribuição desigual dos empregos e da infraestrutura de transporte.
PIB elevado nem sempre representa melhor qualidade de vida
Na área econômica, o levantamento mostra que o maior PIB per capita não garante necessariamente melhores condições de vida.
Cajamar lidera esse indicador, com cerca de R$ 312,7 mil por habitante. Na outra ponta aparece Francisco Morato, com aproximadamente R$ 13,5 mil.
Os pesquisadores destacam que municípios com grandes centros logísticos ou industriais podem concentrar riqueza sem que ela seja distribuída de forma equilibrada à população.
Ferramenta para orientar políticas públicas
Segundo a Rede Nossa São Paulo e o Instituto Cidades Sustentáveis, o Mapa da Desigualdade foi criado para auxiliar governos municipais e estadual na definição de prioridades para investimentos.
A proposta é fortalecer políticas públicas integradas em áreas como mobilidade, saneamento, habitação, saúde, educação e segurança pública.
De acordo com Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo e do Instituto Cidades Sustentáveis, o diagnóstico permite identificar onde estão concentradas as maiores vulnerabilidades sociais.
“Há municípios vizinhos, integrados pelos mesmos fluxos econômicos e populacionais, mas com condições muito diferentes de acesso a direitos e serviços públicos. O diagnóstico territorial é fundamental para orientar investimentos e fortalecer a cooperação entre as prefeituras.”
O estudo utilizou dados oficiais do IBGE, DataSUS, Censo Escolar, SINISA e outros bancos públicos para comparar, de forma padronizada, os indicadores dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo.
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Foto: Reprodução/PMSP
