Resíduos deixados nas vias podem ser carregados pela água para bueiros, córregos e rios; Rio Pinheiros já teve 30,8 mil toneladas retiradas neste ano.
O aumento das chuvas em São Paulo traz um problema que começa nas ruas: o lixo descartado de forma irregular ou colocado para coleta com muita antecedência pode ser levado pela água para bueiros, córregos e rios, dificultando o escoamento e contribuindo para alagamentos.
O alerta foi reforçado pelo Governo de São Paulo diante dos volumes de precipitação registrados no Estado. Nos primeiros dez dias de setembro, as chuvas nas áreas de contribuição dos sistemas produtores que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo já haviam superado a média climatológica prevista para todo o mês.
A orientação aos moradores é colocar os sacos de lixo para fora de casa o mais próximo possível do horário previsto para a coleta e seguir o cronograma definido por cada prefeitura. Cada município possui regras e horários próprios para o serviço.
Quando resíduos permanecem nas ruas durante uma chuva forte, embalagens, garrafas, sacolas e outros materiais podem ser carregados até os bueiros. O acúmulo pode obstruir a rede de drenagem e dificultar o escoamento da água.
Parte desse material também pode seguir pela rede de drenagem até córregos e rios, contribuindo para a chamada poluição difusa, provocada pelo transporte da sujeira deixada em diferentes pontos da bacia hidrográfica.
Rio Pinheiros já teve mais de 30 mil toneladas retiradas
O tamanho desse problema pode ser observado no Rio Pinheiros, na capital. Dados do Lixômetro, painel instalado no Parque Bruno Covas, registraram 149,7 mil toneladas de resíduos retirados do rio desde o início das ações, em 2023.
Somente nos oito primeiros meses de 2026, foram coletadas 30.836,83 toneladas de resíduos, contra 28.667,53 toneladas no mesmo período do ano passado. O volume representa uma alta de quase 10%.
Desde 2023, o Governo de São Paulo informa ter destinado R$ 231,2 milhões para a limpeza do lixo flutuante do Rio Pinheiros.
A operação acompanha os dois canais do rio: o superior, com 15 quilômetros entre a Usina de Pedreira e a Usina São Paulo, e o inferior, com 10 quilômetros entre a Usina São Paulo e o encontro com o Rio Tietê.
Em junho, três novas embarcações foram incorporadas ao trabalho. Com o reforço, a operação passou de oito para 11 embarcações, com potencial informado pelo governo para retirar até 900 toneladas adicionais de resíduos por mês.
A estrutura conta com cinco conjuntos formados por embarcação e retroescavadeira embarcada, utilizados na retirada de resíduos acumulados nas barreiras flutuantes, além de seis barcos menores que atuam na coleta ao longo do rio.
Entre os materiais encontrados estão garrafas PET, embalagens de isopor e brinquedos. Também são retirados objetos maiores, como sofás e colchões.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), bairros como Jaguaré, Itaim Bibi, Morumbi, Guarapiranga, Vila Olímpia, Panamby e Capão Redondo estão entre as áreas que podem contribuir para a chegada desses resíduos ao Rio Pinheiros.
O trabalho de remoção é realizado pela SP Águas, Agência de Águas do Estado de São Paulo. A orientação do governo é que a população evite o descarte irregular e respeite os horários de coleta, especialmente durante períodos de chuva intensa.
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