A rotina desgastante dos caminhoneiros no Brasil tem gerado preocupações crescentes sobre a saúde mental dessa categoria. Longas jornadas de trabalho, pressão por prazos e a solidão nas estradas são fatores que contribuem para o aumento de casos de ansiedade, depressão e estresse entre esses profissionais.
Desafios da Profissão
Caminhoneiros autônomos, como Emerson André, que está na estrada há 16 anos, relatam os efeitos negativos da profissão. “O estresse do cotidiano e a pressão por estar longe da família têm gerado doenças”, afirma. A solidão e a tensão são constantes, segundo Daniel Francisco de Lima, conhecido como Del Caminhoneiro, que dirige há 27 anos. Ele destaca que, apesar da experiência, é difícil controlar a raiva e a tensão acumuladas.
O procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes alerta que a saúde mental dos caminhoneiros é um problema estrutural na cadeia logística do transporte rodoviário. Com uma média de idade de 46 anos, a categoria enfrenta um fenômeno denominado “apagão de motorista”, onde os jovens não se interessam pela profissão. Esse cenário é agravado por condições de trabalho desfavoráveis e uma perspectiva negativa sobre a carreira.
Condições de Trabalho e Saúde Mental
Uma pesquisa do Ministério Público do Trabalho (MPT) revela que 43,7% dos caminhoneiros trabalham com carga horária indefinida. Além disso, 50,49% recebem por comissão, o que gera insegurança financeira. Emerson André, que também é comissionado, enfatiza que a falta de garantias trabalhistas contribui para o estresse. “Se você não trabalha, não ganha”, explica.
Os dados também mostram que 56% dos caminhoneiros trabalham entre 9 e 16 horas por dia. Quase 25% deles ultrapassam as 13 horas de direção. Apesar da legislação exigir 11 horas de descanso diário, muitos não conseguem cumprir essa norma. Essa sobrecarga aumenta o risco de acidentes e compromete a saúde mental dos motoristas.
Uso de Substâncias e Riscos
Um estudo recente do MPT apontou que cerca de 27% dos caminhoneiros utilizam drogas para prolongar suas jornadas. O coordenador-geral de Segurança Viária da Polícia Rodoviária Federal, Jefferson Almeida, confirma que o uso de substâncias para combater o sono é comum, o que eleva o risco de acidentes nas estradas.
A pesquisadora Michelle Engers Taube destaca que caminhoneiros com jornadas superiores a 12 horas têm três vezes mais chances de desenvolver transtornos mentais. Além disso, um em cada cinco profissionais apresenta algum nível de vulnerabilidade emocional, conforme levantamento da plataforma Moodar.
Necessidade de Mudanças Estruturais
O psiquiatra Alcides Trentin Junior defende que os caminhoneiros precisam de avaliações periódicas de saúde mental, considerando as exigências da profissão. Ele ressalta que o Estado deve garantir condições adequadas nas estradas, como sinalização e pontos de descanso, para promover um ambiente de trabalho mais saudável.
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) pelo Ministério do Trabalho, que inclui a necessidade de um ambiente de trabalho psicologicamente saudável, é um passo importante. As empresas têm um ano para se adequar a essas novas diretrizes, que visam reduzir o estresse e a sobrecarga dos trabalhadores.
A saúde mental dos caminhoneiros é um tema que merece atenção, especialmente considerando o papel vital que desempenham na economia brasileira. A promoção de políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho pode ser fundamental para a saúde e segurança desses profissionais. Informação de Serviço: Para mais informações sobre saúde mental e apoio psicológico, acesse o site do Ministério da Saúde ou consulte serviços especializados em sua região.
A vacinação contra a Covid-19 não apenas previne a infecção pelo vírus, mas também protege contra complicações cardíacas e a Covid longa, segundo um novo consenso clínico publicado na Revista Europeia de Cardiologia Preventiva. O documento, elaborado por cinco entidades médicas da Europa, destaca a importância da imunização na redução da gravidade da doença e dos riscos associados.
Proteção Eficaz da Vacinação
O estudo revela que a vacinação diminui em mais de 40% o risco de desenvolver Covid longa em pessoas que receberam duas doses, em comparação com não vacinados. Além disso, a imunização pode aliviar os sintomas em indivíduos que já apresentam a Covid longa, uma condição que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo.
As entidades envolvidas no consenso recomendam que grupos de alto risco, como idosos e imunocomprometidos, recebam doses de reforço. Isso é crucial para minimizar tanto o risco de Covid longa quanto as complicações cardiovasculares associadas à infecção.
Complicações Cardíacas Associadas à Covid-19
As complicações cardíacas, como miocardite e infarto, são comuns após a infecção pelo coronavírus. Dados indicam que pessoas que tiveram Covid-19 têm o dobro de chances de desenvolver problemas cardiovasculares, e esse risco aumenta para quatro vezes entre aqueles que foram hospitalizados. O documento alerta que esses riscos podem persistir por até três anos após a infecção.
A Covid longa, que afeta cerca de 100 milhões de pessoas globalmente, inclui sintomas como falta de ar e arritmias. A comunidade científica observa que a incidência é maior entre idosos, mulheres e pacientes com doenças pré-existentes, como diabetes e hipertensão, que devem ser monitorados com atenção.
Importância da Educação e Prevenção
Os pesquisadores enfatizam que a educação sobre os sintomas cardiovasculares é fundamental, já que esses podem surgir semanas ou até anos após a infecção. A conscientização sobre fatores de risco modificáveis, como hipertensão e sedentarismo, é essencial para prevenir complicações.
Embora existam raros casos de complicações após a vacinação, os benefícios superam os riscos. Um estudo mostrou que, entre mais de 2,5 milhões de vacinados, apenas 54 desenvolveram miocardite, na maioria dos casos de forma leve.
Recomendações de Vacinação
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, reforça que o risco de miocardite devido à Covid-19 é significativamente maior do que o risco associado à vacina. Ele recomenda que pessoas acima de 60 anos e indivíduos com doenças crônicas mantenham a vacinação em dia, incluindo as crianças a partir de seis meses.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (13) do mutirão nacional de atendimentos hospitalares, o Dia E, realizado em 45 hospitais universitários de 25 estados, todos geridos pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A ação integra o programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias do SUS.
Durante visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB), Lula destacou que saúde é prioridade acima de ideologias. “Em se tratando de saúde, você não tem esse negócio de direita e esquerda, tem é pessoas comprometidas com a saúde do povo brasileiro”, afirmou, lembrando o papel do SUS durante a pandemia.
De acordo com o governo, apenas neste sábado foram realizados cerca de 2 mil cirurgias eletivas, 4,5 mil consultas e 22,7 mil exames, todos previamente agendados. Para atender à demanda, mais de 3,2 mil profissionais, incluindo 2,5 mil médicos e enfermeiros, além de 700 estudantes, atuaram em turnos extras.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que o programa prevê parcerias com a rede privada para acelerar atendimentos, inclusive com abatimento de dívidas de operadoras de saúde com o SUS. Já o presidente da Ebserh, Arthur Chioro, anunciou meta de aumentar em 40% o número de cirurgias realizadas nos hospitais universitários.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, médico anestesista, também participou do evento e exaltou o SUS como patrimônio nacional.
Esta foi a segunda edição do Dia E em 2025 – a primeira, em julho, registrou 12.464 procedimentos. Uma terceira edição está prevista para dezembro.
O colesterol LDL, frequentemente chamado de “colesterol ruim”, é um fator de risco significativo para doenças cardiovasculares, especialmente em pessoas acima de 40 anos. Um estudo recente realizado por especialistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) revela que níveis elevados desse tipo de colesterol podem aumentar em até 70% as chances de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Riscos do Colesterol LDL Elevado
O aumento do colesterol LDL está associado ao acúmulo de placas de gordura nas artérias, que pode obstruir o fluxo sanguíneo. Esse processo é muitas vezes silencioso e se agrava com o tempo, especialmente devido ao envelhecimento, que provoca a perda de elasticidade e o espessamento dos vasos sanguíneos. Essas condições favorecem o rompimento ou bloqueio das artérias, contribuindo para eventos cardiovasculares graves.
O endocrinologista Dr. Evandro Portes, do HSPE, ressalta que o risco cardiovascular é ainda maior para pessoas que fumam, têm obesidade, diabetes, hipertensão arterial ou levam um estilo de vida sedentário. “A avaliação do risco deve ser individualizada e considerar não apenas os exames laboratoriais, mas também fatores como idade, tabagismo e histórico familiar de doenças cardiovasculares”, explica.
Estratégias de Prevenção
As metas para controle do colesterol LDL variam conforme o perfil de risco de cada paciente. Para aqueles com maior risco, é recomendado que os níveis de LDL fiquem abaixo de 30 mg/dL. Já indivíduos sem doenças crônicas e com um estilo de vida saudável devem manter o LDL em até 130 mg/dL.
A prevenção envolve uma combinação de hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e a prática regular de atividades físicas, adaptadas à condição clínica do paciente. Essas mudanças podem resultar em uma redução de 10% a 20% nos níveis de LDL. Em casos mais severos, pode ser necessário o uso de medicamentos, como estatinas, que são amplamente prescritas para controlar os níveis de colesterol.
Importância do Controle Regular
A interrupção do tabagismo e a redução do consumo de álcool são fundamentais para a saúde cardiovascular. Dr. Portes enfatiza que quanto maior o risco de doenças cardiovasculares nos próximos dez anos, mais rigoroso deve ser o controle dos níveis de colesterol.
A conscientização sobre os riscos do colesterol LDL elevado é essencial para a prevenção de infartos e AVCs, especialmente em uma população que envelhece e enfrenta um aumento nos índices de doenças crônicas. Consultas regulares ao médico e exames de sangue são recomendados para monitorar a saúde cardiovascular.
O prefeito de Jandira, Dr. Sato, esteve presente nesta quinta-feira (11) no 1º Fórum de Políticas Públicas de Saúde Mental, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O evento contou também com a participação da deputada estadual Bruna Furlan (PSDB), presidente da Comissão de Saúde da Casa.
O fórum marcou a abertura da Semana Estadual do “Não te julgo, te ajudo”, incluída no Calendário Oficial de Eventos paulistas pela Lei 18.011/2024, de autoria da deputada Edna Macedo (Republicanos). Em seu discurso, Edna ressaltou que a saúde mental é essencial para o bem-estar coletivo, influenciando a qualidade de vida, produtividade e convivência social.
Bruna Furlan destacou o crescimento dos casos de ansiedade, depressão e transtorno bipolar, que ainda sofrem com estigma e preconceito, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. “Não há dúvida de que a saúde mental é uma questão de saúde pública extremamente relevante”, afirmou.
O deputado Altair Moraes (Republicanos) reforçou a importância do apoio emocional e do papel da família na superação de doenças mentais. Já o secretário estadual de Turismo, Roberto de Lucena, defendeu que o enfrentamento dos transtornos mentais deve ser responsabilidade compartilhada entre governo e sociedade, ressaltando o turismo como aliado na promoção do bem-estar e de uma sociedade mais saudável.
A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) convocou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para uma audiência pública. O encontro, agendado para o próximo mês, tem como objetivo discutir as ações e políticas do Ministério da Saúde no estado, especialmente em relação ao enfrentamento de desafios sanitários.
Contexto da Convocação
A solicitação para a presença do ministro surge em um momento crítico para a saúde pública paulista. Nos últimos meses, o estado tem enfrentado um aumento no número de casos de doenças respiratórias e outras condições de saúde que exigem atenção especial. A comissão, composta por deputados de diferentes partidos, busca entender como o governo federal está apoiando as iniciativas locais e quais medidas estão sendo implementadas para melhorar a saúde da população.
Além disso, a audiência se torna relevante em um cenário onde a colaboração entre os governos federal e estadual é crucial para o fortalecimento do sistema de saúde. A troca de informações e experiências pode contribuir para a formulação de políticas mais eficazes e integradas.
Segundo a presidente da Comissão, deputada Bruna Furlan (PSDB), autora do requerimento, a data da participação do ministro será definida posteriormente. É a segunda vez que o colegiado convida um titular da Saúde: em junho de 2023, a então ministra Nísia Trindade esteve na Alesp e apresentou um balanço das ações do Ministério em São Paulo. “Acho que essa aproximação é importante”, afirmou Bruna Furlan. “Os deputados têm a oportunidade de tirar suas dúvidas, saber como avançar com os projetos nos municípios”, completou.
Expectativas para a Audiência
Os deputados da Alesp esperam que o ministro Padilha apresente um panorama das ações do Ministério da Saúde em São Paulo, incluindo programas de vacinação, combate a epidemias e investimentos em infraestrutura hospitalar. A participação do ministro também é vista como uma oportunidade para que os parlamentares questionem diretamente sobre as dificuldades enfrentadas pelo estado e as estratégias para superá-las.
A audiência pública está prevista para ocorrer no dia 15 de outubro, e a expectativa é de que um grande número de profissionais da saúde, representantes de organizações não governamentais e cidadãos interessados participe do evento. A presença de Padilha é considerada fundamental para esclarecer dúvidas e promover um diálogo aberto sobre as políticas de saúde.
Importância do Diálogo
O diálogo entre os níveis de governo é essencial para o aprimoramento das políticas públicas. A saúde, sendo um dos principais pilares do bem-estar da população, demanda atenção contínua e ações coordenadas. A interação entre a Alesp e o Ministério da Saúde pode resultar em melhorias significativas para a população paulista.
A audiência pública também permitirá que a sociedade civil se manifeste sobre suas preocupações e sugestões, fortalecendo a transparência e a participação popular nas decisões que afetam a saúde de todos.
A Assembleia Legislativa de São Paulo realizou, nesta terça-feira (9), uma audiência pública para discutir a importância das Santas Casas de Misericórdia no atendimento hospitalar. A iniciativa foi do deputado Luiz Claudio Marcolino (PT) e contou com a presença da presidente da Comissão de Saúde da Alesp, deputada Bruna Furlan (PSDB), o que reforçou ainda mais a relevância do debate.
Durante o encontro, dados da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) mostraram que essas instituições respondem por mais de 60% das internações de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo fundamentais para o acesso da população, especialmente em cidades do interior.
O diretor-presidente da Federação das Santas Casas (Fehosp), Edson Rogatti, destacou como principal desafio a defasagem na tabela de procedimentos do SUS, sem reajuste há duas décadas. Ele elogiou o apoio dos parlamentares paulistas em medidas como a Tabela SUS Paulista, regionalização e saúde digital.
Também participou o médico Rodrigo Oliveira, representante do Ministério da Saúde, que apresentou o programa “Agora tem Especialistas”, voltado a reduzir filas de espera e ampliar o acesso à atenção especializada. Ele destacou a necessidade de integração entre União, estados e municípios para fortalecer o sistema.
Além de Marcolino e Bruna Furlan, o deputado Itamar Borges (MDB) também esteve presente.
A Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) realizou nesta quinta-feira (4) uma audiência pública para avaliar o primeiro ano de fornecimento gratuito de medicamentos à base de canabidiol pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. O encontro foi conduzido pelo deputado Caio França (PSB), autor da Lei 17.618/2023, que instituiu a política.
Segundo dados apresentados pelo médico José Luiz Gomes do Amaral, coordenador do grupo de trabalho da Secretaria de Estado da Saúde, 530 pacientes iniciaram o tratamento com derivados da Cannabis no último ano, dos quais 452 seguem em acompanhamento.
Caio França comemorou o avanço, mas destacou que a meta é ampliar o acesso. “É uma vitória, mas ainda precisamos alcançar muito mais famílias que necessitam dessa terapia”, afirmou.
Durante a audiência, parlamentares, especialistas e associações de pacientes relataram desafios para ampliar a oferta. Representantes de entidades lembraram que muitos ainda recorrem à Justiça para obter o medicamento. Fernanda Peixoto, presidente da Associação Maria Flor, afirmou que a organização atende 12 mil pacientes sem recursos públicos. “Somos prova do impacto positivo da Cannabis e da necessidade de ampliar as patologias atendidas pelo SUS”, destacou.
O deputado Eduardo Suplicy (PT), que participou de forma virtual, defendeu a urgência de uma regulamentação mais ampla. “A saúde não pode esperar. É fundamental simplificar o acesso e ouvir as associações”, disse.
Além do balanço, a frente parlamentar lançou o 3º edital para destinação de emendas a projetos nas áreas de Saúde, Ciência, Educação e impacto social relacionados à Cannabis e ao cânhamo. Serão destinados R$ 1,25 milhão, o maior valor já anunciado pela frente, segundo Caio França. As inscrições estão abertas no site fpcannabis.com.br e os vencedores serão divulgados em outubro.
Na noite desta segunda-feira (25), durante a apresentação do Plano de Metas 2025-2026, o prefeito de Santana de Parnaíba, Elvis Cezar (Republicanos), anunciou que o novo Hospital e Maternidade Municipal será entregue no dia 14 de novembro, data em que o município celebra seu aniversário.
O evento também marcou a assinatura do contrato entre a Prefeitura e a Agir – Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde, organização social vencedora do edital público e que será responsável pela administração da unidade. A OSS é uma instituição de direito privado, sem fins econômicos, que atua na área da saúde oferecendo soluções de gestão pautadas em eficiência, qualidade e atendimento humanizado.
A construção do hospital teve início ainda no segundo mandato de Elvis Cezar e já está concluída. A moderna estrutura conta com mais de 14 mil m² e será referência na região em atendimentos de média complexidade. Entre os principais equipamentos estão 200 leitos, unidades de UTI, Pronto-Socorro adulto e infantil, maternidade, consultórios clínicos e pediátricos, além de centro cirúrgico com tecnologia de ponta e setor completo de diagnóstico por imagem.
Emocionado, Elvis lembrou do esforço coletivo para a concretização do projeto, citando o apoio do deputado estadual Cezar (seu pai), do ex-prefeito Marcos Tonho e do ex-secretário municipal de Saúde, Dr. José Carlos Misorelli, que faleceu em novembro de 2024. “Esse hospital é fruto de muita dedicação e da união de pessoas que sonharam com uma saúde de qualidade para a população parnaibana”, destacou.
Elvis Cezar anunciou a entrega do novo Hospital e Maternidade de Santana de Parnaíba ao lado do ex-deputado Cezar e do representante da OSS Agir – Foto: Edson Mesquita Jr/ZH Digital
A entrega do hospital é considerada um marco para a cidade e está prevista para acontecer em uma data simbólica: o aniversário de Santana de Parnaíba.
Considerada um nutriente-base da alimentação, a proteína é protagonista no prato do brasileiro. Sua centralidade é observada em diferentes instâncias da sociedade: por um lado, organizações multilaterais frequentemente associam a pobreza e a insegurança alimentar à baixa ingestão proteica. Enquanto isso, entre a população de alta renda, influenciadores fitness defendem o consumo elevado do macronutriente, promovendo dietas e suplementos (como o whey protein) que prometem emagrecimento e ganho de massa muscular. Afinal, de quanta proteína realmente precisamos?
Essa é a pergunta que pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP buscaram responder, através de uma análise de dados epidemiológicos e populacionais em parceria com o Instituto de Estudos Avançados (IEA) e com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que 0,8g de proteína por quilo de peso corporal são suficientes para suprir necessidades fisiológicas – o que equivale a 180g de peito de frango em um dia para um adulto médio. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares, dentre os 20% mais pobres da população brasileira, apenas 3% apresentam ingestão abaixo desse nível. “Entre a população geral, quando o consumo energético é minimamente suficiente, o consumo proteico também é suficiente”, constata Nadine Marques, doutora em Saúde Pública pela FSP e pesquisadora na Cátedra Josué de Castro de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis.
Apesar da importância da proteína para uma dieta balanceada, a quantidade consumida pela população já está adequada: enquanto a OMS sugere que ela deve compor 10% a 15% do teor energético diário, a média do brasileiro chega a 18%, mesmo nos estratos sociais mais baixos.
Ricardo Abramovay, docente do IEA, acrescenta que o déficit proteico na população subnutrida é consequência da fome, e não causa. “Se uma pessoa não come o suficiente para satisfazer suas necessidades calóricas, as proteínas são ‘queimadas’ para gerar energia, e deixam de desempenhar seus papéis constitutivos”, explica. Em relação à suplementação, ele afirma que não há motivo para elevar drasticamente a ingestão proteica, exceto no caso de atletas de alto rendimento (quando a recomendação é de, no máximo, 2g/kg).
Os pesquisadores argumentam que existe uma armadilha em concentrar-se em apenas um nutriente, e não no conjunto do padrão alimentar. A pesquisa Vigitel, realizada pelo Ministério da Saúde em 2023, revelou que 79% dos adultos das capitais brasileiras não alcançam a recomendação da OMS para consumo de vegetais, frutas e verduras (400g diárias).
“Nosso trabalho fortalece a ideia do Guia Alimentar Brasileiro de que o mais importante para uma alimentação saudável, sobretudo para as crianças, não é muita carne, é muita diversidade”, comenta Abramovay.
Insegurança alimentar: um problema estrutural
Segundo o Relatório da ONU sobre a Insegurança Alimentar Mundial (Sofi 2024), a insegurança alimentar severa foi reduzida em quase 85% no Brasil em 2023. De acordo com os pesquisadores, a saída do Mapa da Fome é resultado de políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos. “Isso é algo a celebrar, mas refere-se apenas à população que realmente não tem acesso nenhum, diagnosticada com insegurança alimentar grave”, afirma Nadine Marques. “Um porcentual alto da população ainda não tem o acesso adequado, em termos de quantidade e de qualidade.”
De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), 253 municípios brasileiros têm mais de 10% das crianças menores de 5 anos com desnutrição aguda. “A humanidade já produz alimentos suficientes para suprir as necessidades da população mundo afora, e o que vemos é a continuidade dessa situação de fome, principalmente em países em desenvolvimento”, comenta a pesquisadora, “o que aponta para um problema de alcance físico e financeiro, e não falta de produção.”
Mesmo quando a segurança é alcançada, uma série de fatores dificulta o acesso do brasileiro a uma alimentação equilibrada. Regiões de baixa renda são muitas vezes caracterizadas como desertos ou pântanos alimentares: há venda prevalente de ultraprocessados de baixo custo, e ausência de feiras e mercados com produtos in natura, que são vendidos com altos preços.
“A erradicação da fome não passa apenas por transferência de renda e distribuição de alimento, mas passa, fundamentalmente, por mudar a estrutura global do sistema agroalimentar. […] Temos que combater a ideia de que é o consumidor que decide: são as instituições que decidem as nossas preferências, e então é necessário interferir nas instituições”, diz Ricardo Abramovay.
Sistema agroalimentar
As carnes são o epicentro do sistema agroalimentar global: 70% das áreas não correspondentes a desertos e geleiras são destinadas à pecuária ou à produção de grãos para ração. O modelo intensivo, marcado pela “tríplice monotonia” (baixa diversidade de cultivos, raças e manejo), agrava o desmatamento, a emissão de gás metano e a resistência antimicrobiana, devido ao uso massivo de antibióticos preventivos em criações confinadas. Com o crescimento populacional, a produção de carne vem se expandindo. “Isso faria sentido se a humanidade tivesse carência de produtos animais, mas não é o que acontece: nós já só consumimos excessivamente”, critica Abramovay.
O percurso da proteína na história
Há 50 anos, um ensaio controverso para nutrição era publicado por Donald McLaren: “The Great Protein Fiasco” criticava a supremacia da proteína na dieta da população, e debatia influências históricas e políticas que não se comprovavam cientificamente. A obra apontava o erro das organizações de desenvolvimento em focar seus esforços na oferta de proteínas, inclusive sob formas industrializadas.
Segundo Ricardo Abramovay, desde 1930 as Agências das Nações Unidas consideravam o déficit proteico o traço mais importante da desnutrição infantil nos países pobres. Para preencher essa lacuna, seria necessário distribuir formulações elaboradas com soja, milho, trigo e leite, como o leite em pó, entre as populações carentes – em detrimento de fontes vegetais proteicas localmente disponíveis. “Coincidência ou não, essa ideia coincide com um período da economia norte-americana em que havia excedente na produção de leite, e os EUA desejavam exportá-lo”, comenta.
Nadine Marques explica que o ramo do nutricionismo surgiu com o foco de “bater metas” para otimizar a saúde da população, quase como uma medicalização da alimentação. “As metas nutricionais foram desenhadas em um período de escassez e fome entre guerras, então isso fazia sentido”, explica a cientista. “Depois da Segunda Guerra Mundial, quando a produção de alimentos aumentou substancialmente, a ciência foi evoluindo para entender que é necessário enxergar o hábito alimentar como um todo.”
Mas a idealização do consumo de carne se perpetuou no senso comum, e beneficiou a indústria crescente de suplementos. “Para bater metas, é mais fácil fortalecer determinados alimentos e vender produtos que atendam a essas ‘necessidades’”, critica.
Em países de alta renda, dados epidemiológicos já apontam que o consumo de alimentos de origem animal é excessivo e, em casos extremos, pode ser prejudicial à saúde do fígado, rins, pâncreas e até mesmo do tecido muscular. O Nupens e a Cátedra estão conduzindo, atualmente, uma pesquisa mais abrangente sobre o consumo de proteínas pela população brasileira.
“Precisamos enxergar a alimentação como um equilíbrio entre alimentos e nutrientes e, principalmente, entender como ela está atrelada à cultura alimentar e à biodiversidade local, e não pode ser padronizada”, afirma Nadine Marques.
O protagonismo deste macronutriente é publicizado cada dia mais nas redes sociais. Para Nadine, influenciadores precisam ser responsabilizados pela informação que propagam, assim como veículos de comunicação tradicionais. “A seriedade com a qual eles devem trabalhar precisa ser proporcional ao engajamento que promovem”, comenta. “Existem dados científicos que, se tratados isoladamente, levam a conclusões enviesadas.”
Segundo a pesquisadora, a educação alimentar e nutricional é uma ferramenta de autonomia a ser promovida desde a infância, para que as crianças compreendam a lógica de produção dos alimentos e aprendam a enxergá-los com consciência. “Isso permite que as pessoas possam fazer melhores escolhas na idade adulta”, conclui.