Segurança Pública Básica: por que a aprovação da PEC 37/2022 fortalece o direito fundamental do cidadão e os recursos dos municípios – por Reinaldo Monteiro

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A Proposta de Emenda à Constituição nº 37, de 2022 (PEC 37/2022) propõe alterar o art. 144 da Constituição Federal para incluir, em seus incisos, as guardas (ou polícias) municipais e os agentes de trânsito entre os órgãos que compõem a segurança pública. Aprovada por ampla maioria no Senado Federal, a proposta tramita atualmente na Câmara dos Deputados, sob relatoria designada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Mais do que um ajuste de texto, a emenda tem efeitos concretos sobre a vida das pessoas: ela consolida o acesso do cidadão à chamada segurança pública básica e abre caminho para que os municípios recebam, de forma mais isonômica, recursos federais destinados à segurança.

Este artigo expõe os benefícios da PEC 37/2022 para a população, com foco no direito social à segurança previsto no art. 6º da Constituição, no conceito de segurança pública básica e na questão central do financiamento — em especial o acesso ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).

O que é “segurança pública básica”

A expressão segurança pública básica descreve a camada de proteção mais próxima do cidadão — aquela que se realiza no território do município, no cotidiano de praças, escolas, postos de saúde, terminais e logradouros públicos. É a segurança de proximidade, preventiva e comunitária, que antecede e complementa a atuação investigativa e repressiva das polícias estaduais.

O argumento, defendido por entidades das guardas municipais e por especialistas do setor, parte do art. 6º da Constituição, que arrola a segurança como direito social. Sendo um direito social, sua garantia é dever de todos os entes federados, inclusive do município — o ente mais próximo da população e, por isso, o primeiro a ser demandado quando falta proteção na ponta. A comparação mais usada é com a saúde: assim como o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a atenção básica por meio de unidades locais, defende-se que o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) tenha uma “unidade básica de segurança” operada pelo município, com a guarda municipal como protagonista.

Esse papel não é uma criação nova. O art. 144, § 8º, da Constituição já autorizava os municípios a constituir guardas para a proteção de seus bens, serviços e instalações — fórmula que, lida em conjunto com o Estatuto Geral das Guardas Municipais (Lei nº 13.022/2014), abrange muito mais do que o patrimônio físico: alcança a vida e a incolumidade das pessoas que utilizam esses espaços e serviços públicos. A PEC 37/2022, portanto, não inventa atribuições; ela constitucionaliza uma realidade já existente e reconhecida pela legislação e pela jurisprudência.

Uma realidade já reconhecida pela lei e pelos tribunais

A trajetória normativa que sustenta a PEC é sólida. A Lei nº 13.022/2014 conferiu às guardas municipais natureza de instituição de caráter civil, uniformizada e armada, com competências próprias de segurança pública. A Lei nº 13.675/2018 instituiu o SUSP e incluiu expressamente as guardas municipais e os agentes de trânsito como integrantes operacionais do sistema, ao lado das polícias federal, civis e militares, e os municípios como integrantes estratégicos.

No Supremo Tribunal Federal, a ADI 5.780 reconheceu a constitucionalidade do Estatuto das Guardas Municipais; a ADPF 995 declarou inconstitucionais as interpretações que excluam as guardas do sistema constitucional de segurança pública e afirmou que assim como os demais órgãos policiais podem efetuar prisões em flagrante; e a ADI 6.621 flexibilizou a leitura do rol do art. 144, superando a tese de taxatividade rígida. No Tema 656 da repercussão geral, a Corte reconheceu a constitucionalidade do exercício de policiamento ostensivo e comunitário pelas guardas. Já o Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivos, atribuiu aos agentes de trânsito natureza de atividade policial.

Apesar desse arcabouço favorável, ainda persiste insegurança jurídica. Como a disciplina das guardas e da segurança viária está nos parágrafos 8º e 10 do art. 144, e não nos incisos, instâncias ordinárias e órgãos de controle podem suscitar dúvidas sobre os limites de atuação dessas categorias. A inserção expressa nos incisos — objeto da PEC — encerra essa controvérsia topográfica e dá simetria às forças de segurança municipais.

O ponto decisivo para os municípios: acesso a recursos federais

Reconhecer o papel das guardas municipais e dos agentes de trânsito tem uma consequência prática direta: financiamento. Segurança pública custa dinheiro — equipamentos, viaturas, capacitação, tecnologia e valorização dos profissionais. E é justamente no financiamento que hoje se concentra uma das maiores desigualdades entre os entes federados.

Como funciona o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP)

O FNSP, criado pela Lei nº 13.756/2018, é o principal mecanismo federal de financiamento da segurança pública no país. Ele apoia projetos e ações em segurança e prevenção à violência, com recursos aplicados sobretudo em reequipamento, treinamento e qualificação das forças, incluindo as guardas municipais. O modelo de repasse, porém, trata os municípios de forma distinta: a lei prevê a transferência obrigatória (fundo a fundo) para os Estados e o Distrito Federal, mas não os inclui como beneficiários diretos dessa modalidade. Os municípios só conseguem acessar o fundo por meio de convênios, contratos de repasse ou instrumentos congêneres, após cumprirem diversos requisitos burocráticos.

Os números evidenciam a distorção. Conforme dados divulgados em 2025, o FNSP repassou em torno de R$ 2,5 bilhões a Estados e ao Distrito Federal no ano de referência, dos quais cerca de R$ 1,12 bilhão por transferência obrigatória; nenhum recurso foi distribuído diretamente aos municípios. Há guarda municipal em aproximadamente um de cada quatro municípios brasileiros, com efetivo estimado em torno de 100 mil profissionais — uma força de trabalho expressiva que opera com acesso limitado ao principal fundo federal da área.

O paralelo com a saúde e a tese da isonomia federativa

A reivindicação das entidades é que o SUSP funcione como o SUS na questão das transferências: repasses fundo a fundo diretos da União para os municípios, como ocorre na saúde desde os anos 1990 e como já acontece entre União e Estados na própria segurança. O argumento jurídico central é de isonomia federativa: se o município tem o dever constitucional de prover segurança pública básica e mantém uma guarda municipal que integra operacionalmente o SUSP, é incoerente que ele seja o único ente sem acesso direto e obrigatório aos recursos do fundo.

Vários projetos de lei tramitam no Congresso para corrigir esse descompasso — alterando a Lei nº 13.756/2018 para garantir transferências diretas a municípios que mantenham guarda municipal, plano municipal de segurança pública e fundo municipal de segurança pública. A discussão demonstra que o reconhecimento das guardas municipais é o pressuposto lógico do financiamento: quanto mais sólido e expresso o status constitucional dessas instituições, mais difícil torna-se negar-lhes o acesso isonômico aos recursos.

Onde a PEC 37/2022 entra

A PEC 37/2022 atua exatamente sobre esse pressuposto. Ao inserir as guardas municipais (polícias) municipais e os agentes de trânsito nos incisos do art. 144, a emenda eleva e estabiliza o status constitucional dessas categorias, eliminando a fragilidade argumentativa de que estariam fora do núcleo dos órgãos de segurança pública. Com isso, fortalece a base jurídica para que os municípios pleiteiem — e a União estruture — mecanismos de repasse direto e obrigatório, retirando o financiamento da segurança municipal da zona cinzenta dos convênios pontuais e burocráticos.

Em síntese, a sequência é clara: reconhecimento constitucional ➜ simetria com as demais forças ➜ legitimidade para acesso isonômico ao FNSP ➜ mais recursos aplicados na ponta ➜ mais segurança pública básica para o cidadão.

Os benefícios concretos para a população

O impacto da PEC se traduz em ganhos tangíveis para quem vive nas cidades:

Presença do Estado na ponta. Em áreas periféricas e municípios menores, onde o efetivo policial estadual costuma ser insuficiente, a guarda municipal é, com frequência, a força de segurança mais presente. Reconhecê-la e financiá-la adequadamente amplia o policiamento de proximidade e a prevenção no dia a dia.

Segurança jurídica das ações. Com status constitucional expresso, diminui o risco de que prisões em flagrante, abordagens e diligências preventivas sejam questionadas por argumentos meramente formais — o que protege tanto o agente quanto a validade da prova e, em última análise, o cidadão.

Cooperação federativa mais eficiente. Fortalecidas, as polícias municipais cuidam da segurança de proximidade e das infrações que afetam o cotidiano, permitindo que as polícias estaduais concentrem esforços em investigações complexas e no patrulhamento regional. O resultado é um sistema mais coeso, sem vácuos de proteção.

Trânsito mais seguro. O reconhecimento dos agentes de trânsito valoriza a segurança viária como componente da segurança pública, reforçando a prevenção de sinistros e a proteção da vida nas vias.

Valorização profissional. A formalização abre caminho para melhores condições de trabalho, planos de carreira mais robustos e acesso direto a recursos federais — fatores que se convertem em serviço de melhor qualidade para a população.

Por que aprovar é urgente

O Brasil convive com um sentimento difuso de insegurança e com uma relação entre efetivo policial e população historicamente abaixo da média internacional. Diante disso, deixar de aproveitar plenamente a força de trabalho já existente nas guardas municipais — e privá-las de financiamento isonômico — é um desperdício que recai sobre o cidadão. A PEC 37/2022, somada às iniciativas que ampliam o acesso ao Fundo Nacional de Segurança Pública, oferece uma resposta de baixo custo institucional e alto impacto social: usa estruturas que já existem, pacifica controvérsias jurídicas e direciona recursos para onde a demanda por proteção é mais imediata.

Portanto, a aprovação da PEC 37/2022 é, antes de tudo, uma medida em favor do cidadão. Ao constitucionalizar o papel das guardas (polícias) municipais e dos agentes de trânsito, a emenda dá densidade ao direito social à segurança pública básica, reconhece o município como garantidor de primeira linha e cria a base necessária para um financiamento federal mais justo. Reconhecimento constitucional e acesso a recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública caminham juntos: sem o primeiro, o segundo permanece frágil; com ambos, a segurança de proximidade deixa de depender de convênios incertos e passa a ser política pública estável, em benefício direto da população brasileira.


Reinaldo Monteiro, GCM de Barueri-SP, Presidente da AGM BRASIL, Bacharel em Direito com especialização em Direito Constitucional e Administrativo, Consultor em Segurança Pública, Palestrante e ex-Diretor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de São Paulo.

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Zerar seguidores não faz o Instagram entregar mais – por Adriana Vasconcellos Soares

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De tempos em tempos, uma teoria volta a circular entre criadores de conteúdo, empresas e influenciadores digitais. A ideia de que apagar seguidores ou até zerar completamente a base do Instagram faria o algoritmo “reiniciar” e voltar a entregar os conteúdos para mais pessoas.

A promessa parece tentadora. Menos seguidores ruins, mais alcance, mais crescimento. O problema é que essa lógica não funciona exatamente assim. O Instagram não possui um mecanismo de “reset” capaz de premiar perfis apenas porque removeram seguidores. O algoritmo não interpreta a exclusão da base como um sinal positivo automático. O que ele realmente observa é comportamento de audiência.

E é justamente aí que muita gente confunde causa e consequência. Perfis com muitos seguidores falsos, bots (contas automatizadas, falsas ou programadas para simular comportamento humano) ou contas inativas costumam apresentar um problema comum. Baixo engajamento proporcional. A conta até possui números altos, mas pouca interação real. Isso enfraquece sinais importantes para a plataforma, como retenção, compartilhamentos, comentários e salvamentos.

Na prática, um perfil com 100 mil seguidores e poucas interações pode parecer menos relevante para o Instagram do que outro com 10 mil seguidores altamente engajados. Por isso, quando alguém remove seguidores falsos ou inativos, algumas métricas podem melhorar naturalmente. A taxa de engajamento sobe, a audiência fica mais qualificada e o perfil passa a refletir dados mais reais. Mas isso não significa que o algoritmo resolveu entregar mais conteúdo porque o perfil “zerou”.

Existe uma diferença importante entre limpar audiência ruim e destruir completamente a base construída ao longo do tempo. Apagar todos os seguidores pode gerar efeitos negativos. O perfil perde prova social, reduz sinais históricos de relevância e enfraquece a distribuição inicial das publicações. Além disso, seguidores reais que ainda interagiam com o conteúdo também desaparecem nesse processo.

Outro ponto importante é que o Instagram vem realizando limpezas massivas de contas falsas, bots e perfis inativos desde 2025. Muitos usuários perceberam quedas bruscas no número de seguidores e passaram a associar isso a uma suposta melhora de alcance. Em alguns casos, o engajamento realmente melhora depois dessas remoções, mas não porque houve um “reset”. O que acontece é uma qualificação da audiência.

O problema central da maioria dos perfis não está apenas nos seguidores. Está no conteúdo.

Hoje, o Instagram prioriza sinais muito mais profundos do que quantidade bruta de audiência. A plataforma observa tempo de retenção, compartilhamentos, recorrência de interesse, interações reais e consistência temática. Se o conteúdo não gera interesse genuíno, zerar seguidores não resolve o problema. Muitos perfis enfrentam queda de alcance porque produzem conteúdos genéricos, sem posicionamento claro, sem narrativa e sem conexão consistente com o público. Outros sofrem com excesso de posts reaproveitados, baixa retenção nos vídeos ou frequência irregular de publicação.

O algoritmo atual favorece originalidade, relevância temática e capacidade de manter atenção. Não apenas volume de seguidores. Isso explica por que perfis menores muitas vezes conseguem crescer mais rápido do que contas enormes. O Instagram quer entregar conteúdos que façam as pessoas permanecerem na plataforma, interagirem e retornarem. É isso que define distribuição.

Nesse cenário, a estratégia mais inteligente não costuma ser radical. Em vez de apagar toda a base, o ideal é remover gradualmente seguidores claramente falsos, abandonar automações, revisar posicionamento e produzir conteúdos mais alinhados ao comportamento real da audiência. O foco precisa deixar de ser quantidade e passar a ser qualidade.

Ter menos seguidores reais e interessados tende a gerar muito mais resultado do que manter uma audiência inflada artificialmente. Afinal, bots não compram, não indicam, não comentam de verdade e não constroem reputação.

O Instagram mudou. Hoje, crescer na plataforma depende menos de “hackear algoritmo” e mais de construir relevância consistente. No fim, o algoritmo não recompensa perfis zerados. Ele recompensa conteúdo que faz sentido para pessoas reais.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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O Arraiá do Solstício – por Celso Tracco

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As festas juninas, são sem dúvida, uma das mais importantes manifestações do folclore brasileiro. Arrisco dizer que são celebradas em todos os municípios brasileiros e em todas as classes sociais. No nordeste brasileiro, o chamado “São João” tem uma enorme importância social, econômica e política, ninguém deixa de comemorar. As festas juninas extrapolam os motivos religiosos que as impulsionaram no Brasil colonial. Os santos católicos, Santo Antônio, São João e São Pedro, que têm suas datas comemorativas em junho, são uma fundamental referência para a comunidade católica, mas as festas adquiriram um caráter ecumênico, sempre atraindo multidões. Mas, quais foram as suas origens, onde elas começaram?

As tribos que habitavam a Europa Ocidental, mesmo antes do Império Romano, tinham como principal indicador do calendário, o Sol. E suas principais festas aconteciam no verão do Hemisfério Norte, que ocorre entre os meses de junho a agosto. Estas festas, denominadas pagãs, tinham seu ápice no Solstício de Verão, por volta do dia 21 de junho. Os povos dessas tribos realizavam rituais para marcar o início das colheitas, pedir proteção aos seus deuses, celebrar a fertilidade da terra. Eram comuns os elementos, como: fogueiras, danças específicas para a ocasião, comidas com os grãos recém-colhidos, celebrações comunitárias. O próprio Império Romano tinha suas festas para celebrar o verão e o solstício. Eram chamadas de Vestália, que acontecia em junho, em homenagem a Vesta, deusa do lar, do fogo, da vida doméstica, protetora de Roma. E em agosto, no auge do verão, homenagem a Netuno, deus do mar e das águas. O cristianismo, herdeiro das tradições populares romanas, com o passar do tempo “cristianizou” as festas de verão, adotando-as com os nomes de santos e suas festas religiosas.

No Brasil as tradições religiosas católicas foram trazidas pelos portugueses desde o século XVI. As festas juninas, em Portugal ganharam muita força após o século XII. A devoção a Santo Antônio, São João e São Pedro se consolidou, sendo estritamente religiosas, com procissões, rezas e ladainhas, fogueiras e rituais de fertilidade. Como curiosidade histórica, Santo Antônio, nasceu em Lisboa no ano de 1195, tornou-se frade da Ordem Franciscana, foi um grande estudioso e pregador. Devido ao seu grande saber teológico é considerado pela Igreja Católica Romana, Doutor da Igreja. Faleceu em Pádua, Itália em 1231. Sua fama de santo “casamenteiro” é uma tradição portuguesa. Foi canonizado em 1232 e desde então o dia de sua celebração é 13 de junho. São João Batista, primo de Jesus, é celebrado em 24 de junho, próximo ao solstício de verão e exatos seis meses antes da véspera do Natal. Dia 29 de junho é dia de São Pedro e São Paulo, pilares da Igreja, mas apenas São Pedro é celebrado nas festas juninas. Realizadas no Brasil desde a chegada dos portugueses, as festas foram incorporando várias características da cultura indígena e africana, como novos ritmos, e formas de dança. A partir do século XIX a festa se torna bem brasileira incorporando a cultura sertaneja, o ambiente rural e a religiosidade popular, formando o jeitão que permanece até hoje: roupas de “caipira”, a dança, a quadrilha originaria da Europa, fogueiras e comidas típicas brasileiras. As festas juninas são um patrimônio cultural do nosso país. Um bom exemplo de como transformar influências externas em algo essencialmente brasileiro. Celebrar Santo Antônio, São João, São Pedro é celebrar a própria formação cultural do Brasil, com sua criativa mescla das culturas indígena, europeia e africana. Aproveite seu dia e viva as festas juninas.   


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


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Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil

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Crise não começa quando viraliza – por Adriana Vasconcellos Soares

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Quando uma crise explode nas redes sociais, a sensação para muitas empresas é de surpresa. Mas, na prática, raramente uma crise surge do nada. Na maioria das vezes, os sinais estavam presentes muito antes do problema ganhar repercussão pública. O erro mais comum é acreditar que gestão de crise começa quando a marca já está sendo criticada. Na realidade, ela começa muito antes. Empresas que conseguem preservar reputação em momentos difíceis normalmente investem em preparação, monitoramento e processos claros de tomada de decisão.

A gestão de crise pode ser dividida em seis etapas. Prevenção, detecção, classificação, resposta, monitoramento e aprendizado. Embora pareçam fases independentes, elas funcionam como um ciclo contínuo de proteção da reputação.

A crise começa antes da crise

A prevenção é a etapa mais importante. A melhor crise é aquela que não acontece ou que consegue ser controlada antes de ganhar proporções maiores. Para isso, é fundamental que a empresa tenha um comitê de crise definido, reunindo áreas como marketing, atendimento, jurídico e assessoria de imprensa. Cada profissional precisa saber exatamente qual será seu papel em uma situação crítica.

Outro ponto importante é o treinamento de porta-vozes. Em momentos de tensão, declarações mal formuladas podem ampliar o problema. Por isso, quem representa a organização deve estar preparado para entrevistas, pronunciamentos e interações públicas.

Também é recomendável mapear riscos potenciais. Produtos, serviços, campanhas publicitárias, questões trabalhistas, falhas operacionais e posicionamentos institucionais podem se transformar em gatilhos de crise.

Mensagens pré-aprovadas para cenários recorrentes ajudam a acelerar respostas e reduzir erros. Da mesma forma, é importante definir canais oficiais de comunicação e deixar claro para o público onde buscar informações confiáveis.

Depois da prevenção vem a detecção. Ferramentas de social listening permitem acompanhar menções à marca em tempo real e identificar mudanças no sentimento do público. Comentários negativos isolados fazem parte da rotina de qualquer empresa. O alerta surge quando essas manifestações começam a ganhar volume, alcance e engajamento. Monitorar palavras-chave relacionadas à organização e termos sensíveis, como reclamações, denúncias, processos ou acusações, ajuda a identificar problemas ainda nos estágios iniciais. Quanto mais cedo a empresa percebe o problema, maiores são as chances de controle.

Nem toda crítica, porém, representa uma crise. Antes de agir, é necessário avaliar a gravidade do tema, o alcance da repercussão e a urgência da situação. Uma reclamação individual pode exigir apenas atendimento. Já uma denúncia envolvendo segurança, discriminação ou descumprimento de normas pode demandar resposta imediata e mobilização de diferentes áreas da empresa.

Responder rápido não significa responder sem estratégia

Quando a crise está instalada, a comunicação passa a ser decisiva. A recomendação é responder no mesmo canal onde o problema surgiu, reforçando sempre os canais oficiais da empresa. O público espera posicionamento claro, objetivo e coerente. Linguagem defensiva costuma gerar mais desgaste. O caminho mais seguro é demonstrar empatia, reconhecer preocupações legítimas e explicar quais medidas estão sendo adotadas.

Quando houver erro, assumir responsabilidade costuma produzir resultados melhores do que tentar minimizar ou transferir culpa. Em situações que envolvem dados pessoais ou informações específicas, o ideal é direcionar a conversa para canais privados, sem deixar de comunicar publicamente que a questão está sendo tratada.

Publicar uma nota também não encerra o problema. A empresa precisa acompanhar continuamente as reações do público, avaliar se o tom das conversas está mudando e verificar se novas informações surgiram. Dependendo da evolução do cenário, ajustes na estratégia podem ser necessários.

Outro cuidado importante é garantir alinhamento interno. Todos os porta-vozes e equipes envolvidas devem seguir a mesma narrativa para evitar mensagens contraditórias.

O que fica depois da crise

Uma crise bem administrada também gera aprendizado. Após o encerramento do episódio, é recomendável elaborar um relatório detalhado registrando ações adotadas, resultados alcançados, erros identificados e oportunidades de melhoria.

Os protocolos devem ser revisados e as equipes treinadas com base na experiência real. Quando fizer sentido, comunicar publicamente as mudanças implementadas ajuda a reconstruir confiança e demonstrar compromisso com a melhoria contínua.

Muitas empresas investem em gestão de crise apenas quando o problema já está instalado. O desafio é que reputação não se fortalece durante a crise. Ela é construída antes dela. Organizações que investem em monitoramento, planejamento, treinamento e comunicação consistente costumam enfrentar momentos difíceis com mais segurança e menor impacto.

No ambiente digital, onde uma publicação pode ganhar milhares de compartilhamentos em poucos minutos, estar preparado deixou de ser uma opção. Tornou-se parte da estratégia de proteção da marca e da continuidade dos negócios.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


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Envelhecer em uma sociedade que repudia a velhice – por Dra. Vera Resende

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É desconfortável perceber que ainda existem pessoas que consideram negativa a presença de instituições destinadas ao acolhimento e cuidado de idosos em suas proximidades. Mais preocupante ainda é constatar que algumas autoridades acabam legitimando atitudes discriminatórias como essa.

A velhice não é doença. É uma etapa natural da existência humana, cuja trajetória começa no momento do nascimento. Envelhecer traz consigo experiências diversas, como serenidade, memória afetiva e amadurecimento, mas também perdas, medos e, muitas vezes, solidão. Essas questões podem se tornar ainda mais dolorosas quando o ambiente ao redor é hostil, indiferente ou negligente.

A correria da juventude faz com que muitas pessoas esqueçam que o tempo passa rapidamente. Até que, em determinado momento, percebem que o corpo já não responde com a mesma agilidade e que algumas habilidades necessárias à rotina começam a exigir mais esforço.

Os estudos em Psicogerontologia, também conhecida como Psicologia Evolutiva da Velhice, ganharam força a partir da década de 1960, especialmente em razão do aumento da expectativa de vida após a Segunda Guerra Mundial. Entre os principais desafios enfrentados pela população idosa estão a perda da atividade profissional, o enfraquecimento físico, doenças crônicas, alterações cognitivas, redução das atividades prazerosas e o medo da morte. São experiências humanas inevitáveis para aqueles que alcançam a longevidade.

Diante dessa realidade, torna-se indispensável investir na formação de profissionais preparados e na criação de políticas públicas voltadas ao cuidado dos idosos. O objetivo deve ser garantir melhor qualidade de vida tanto para eles quanto para suas famílias, favorecendo um envelhecimento mais digno e acolhido dentro das próprias comunidades.

Também é necessária uma reflexão sobre a ética do cuidado em uma sociedade marcada pelo individualismo, pela competitividade e pelo preconceito. Falta educação emocional e convivência mais respeitosa para que pessoas impacientes e agressivas aprendam a cuidar umas das outras e, consequentemente, estejam mais preparadas para lidar com as demandas da velhice.

O contexto atual de comunicação acelerada, pouca presença afetiva, mensagens curtas e respostas rápidas não pode servir de justificativa para a intolerância e a falta de respeito. Muito menos contra aqueles que chegaram antes de nós e contribuíram para a construção da sociedade em que vivemos.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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IA, FATO ou FAKE? – por Celso Tracco

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Fato: A Inteligência Artificial, a já popular IA, é parte de nosso cotidiano, não tem mais volta. Ela é cada vez mais usada em todos os ambientes e setores da nossa vida, quer seja no agronegócio, na área acadêmica, artística, cientifica, médica, transportes, literária, no lazer em casa ou fora de casa. Incorporada ao celular, podemos até não perceber, mas esta ferramenta já está influenciando nossa vida. A IA é o ápice da chamada Quarta Revolução Industrial, ou Revolução 4.0. E como aconteceu nas três Revoluções anteriores, esta também irá modificar nosso modo de viver, nossos hábitos, nossas relações interpessoais, nossos contatos com o mundo. Por isso é correto tratá-la como uma “revolução” e não apenas como uma simples evolução. O mundo mudou e continua mudando velozmente. Isto é fato. Pode ser para melhor ou para pior, não sabemos. O futuro dirá. Porém, acredito que o caminho a ser escolhido ainda vai depender da Inteligência Natural, ou seja, de nós mesmos, os humanos.

Fake: Estamos já vivendo com uma verdadeira inundação de mensagens falsas na Internet. Como desconfiamos, a mentira nasceu com a humanidade. Somos mestres, desde a mais tenra idade, na arte de enganar, manipular, mentir, dizer meias verdades, em favor de alcançarmos nossos objetivos imediatos de modo mais rápido e com menor esforço. No passado, a mentira até podia ter “pernas curtas” e não gerar maiores transtornos, MAS, com a velocidade da luz da Internet, uma mentira pode atingir milhões de pessoas em segundos, e tornar-se uma verdade. Há cerca de 100 anos atrás, o regime nazista já tinha essa prática. Hoje, no Brasil, em ano eleitoral, quando ainda estamos em fase de pré-candidaturas, temos o uso massivo da IA. E aqui, corremos, como sociedade, um grande perigo. Cito um exemplo, a postagem de uma “dona Maria”, uma mulher comum, de meia idade, negra, pobre. Em seu vídeo, “d. Maria” fazia comentários políticos bastante contundentes. “D. Maria” jamais existiu, era fake, criada pela Inteligência Artificial, assim como o cenário, a plateia, e o conteúdo de suas falas. Os vídeos foram produzidos em 2025. Segundo informações da imprensa, a conta no Instagram de “d. Maria” alcançaram cerca de 9 milhões de visualizações, mais de 700 mil seguidores e milhares de comentários. “D. Maria” 100% fake, não era uma informação, mas uma desinformação. O grande problema é que a desinformação em escala exponencial, pode causar a desconfiança que tudo é falso. Em consequência aumenta o descrédito nas instituições, na imprensa, na ciência, gerando aumento da polarização e do extremismo. Um verdadeiro caos.

Não penso que devemos demonizar a Internet e principalmente a IA. Elas são ferramentas, e como tais, devemos tomar os devidos cuidados ao usá-las. Como por exemplo desenvolver uma educação digital crítica: saber identificar manipulações, verificar as fontes da postagem, desconfiar de conteúdos “verdadeiros” por definição própria. A opinião pública deve apoiar todas as iniciativas no sentido da responsabilização das empresas de tecnologia, pelos conteúdos falsos gerados por IA. Transparência deveria ser fundamental no conteúdo das redes sociais. Podemos e devemos fortalecer nossas relações humanas; quanto mais sólida for nossa rede real, com a família, escola, trabalho, amigos, comunidade, menos espaços haverá para a manipulação digital.

A IA não é uma ameaça por existir, mas pelo uso irresponsável que pode ser feito dela. Criar pessoas e conteúdos falsos é uma das fronteiras mais perigosas dessa tecnologia, porque atinge algo básico: a nossa capacidade de confiar. A tecnologia avança rápido, mas nossa consciência crítica precisa avançar ainda mais. Este artigo foi escrito com a ajuda de IA. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem de Roman Budnikov/Unsplash

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Influência não é sinônimo de fama – por Adriana Vasconcellos Soares

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Você já ouviu falar em Tatiana Sampaio ou Jaqueline Goes de Jesus?

Provavelmente, muita gente responderá não. E esse talvez seja um dos retratos mais claros da forma como o Brasil aprendeu a medir relevância de maneira distorcida.

Vivemos em uma era em que visibilidade virou métrica de valor. Seguidores, curtidas, alcance e visualizações passaram a funcionar como indicadores automáticos de importância. Quanto maior a exposição, maior a percepção de influência. Mas visibilidade e influência não são a mesma coisa.

Visibilidade é ser visto.

Influência é gerar impacto real na vida de alguém.

Uma influenciadora digital pode mobilizar milhões de pessoas para comprar um produto em poucas horas. Isso tem valor econômico, alcance e força comercial. Mas existe outro tipo de influência, menos barulhenta e muitas vezes invisível para os algoritmos.

Tatiana Coelho de Sampaio é bióloga e pesquisadora brasileira. Chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ganhou projeção internacional ao desenvolver a polilaminina, medicamento 100% brasileiro com potencial para regenerar lesões medulares. Seu trabalho influencia diretamente a possibilidade de uma pessoa voltar a abraçar o filho, recuperar autonomia ou caminhar novamente.

Devido à relevância de sua atuação na medicina regenerativa, Tatiana Sampaio passou a ser apontada na mídia especializada como uma das cientistas brasileiras com potencial para disputar um Prêmio Nobel no futuro. Em 2025, recebeu o Prêmio Todas, da Folha de S.Paulo, em reconhecimento ao impacto científico e social de sua pesquisa.

Jaqueline Goes de Jesus é biomédica, pesquisadora e cientista brasileira reconhecida internacionalmente por coordenar a equipe responsável pelo sequenciamento genético do SARS-CoV-2 apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de COVID-19 no Brasil. O feito auxiliou diretamente pesquisas relacionadas a diagnósticos, vacinas e monitoramento do vírus.

A pesquisadora baiana possui doutorado em Patologia Humana pela UFBA e atua como professora no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Além da atuação durante a pandemia, Jaqueline também teve papel relevante no mapeamento genético do vírus da zika no Brasil e em projetos de monitoramento de patógenos.

O impacto do trabalho dessas profissionais ultrapassa audiência. Ele altera realidades. As duas são importantes. Mas apenas um tipo de influência costuma ser premiado pelas plataformas digitais. Isso acontece porque o algoritmo não mede transformação. Mede reação.

Ele privilegia quem gera engajamento rápido, compartilhamento instantâneo e permanência na tela. O mercado, por sua vez, aprendeu a confundir atenção com autoridade. O resultado é uma distorção perigosa. Pessoas extremamente relevantes podem permanecer invisíveis, enquanto figuras altamente visíveis são percebidas automaticamente como referência.

Essa lógica afeta não apenas celebridades ou cientistas. Afeta empresas, empresários, médicos, advogados, professores, consultores e qualquer profissional que dependa de reputação para crescer.

A pergunta que deveria orientar qualquer estratégia de marca hoje é simples.

Você está construindo visibilidade ou influência?

Existe uma diferença importante entre acumular audiência e construir autoridade. Seguidores podem desaparecer quando o algoritmo muda. Influência permanece porque está ligada à percepção de valor, confiança e resultado entregue.

É justamente nesse ponto que a assessoria de imprensa ganha relevância estratégica.

Enquanto as redes sociais trabalham velocidade e alcance, a assessoria atua na construção de credibilidade. Ela transforma conhecimento em narrativa pública, posiciona profissionais como fontes confiáveis e conecta experiências reais a temas de interesse coletivo.

A lógica muda completamente. Em vez de disputar apenas atenção, o profissional passa a disputar relevância.

Quando uma empresa ou especialista aparece em entrevistas, reportagens, artigos e veículos de comunicação, sua autoridade deixa de depender exclusivamente do algoritmo. A reputação passa a ser validada por contexto, consistência e reconhecimento externo.

Isso não significa abandonar as redes sociais. Significa entender que presença digital sozinha não sustenta influência de longo prazo. A construção de marca mais sólida não é necessariamente a mais barulhenta. Muitas vezes, é a mais consistente.

A influência verdadeira não nasce apenas da exposição. Nasce da capacidade de transformar percepção, gerar confiança e produzir impacto real.

E talvez esteja aí uma das maiores mudanças da comunicação atual. As marcas mais fortes do futuro provavelmente não serão apenas as mais vistas. Serão as mais lembradas quando alguém precisar confiar em uma decisão importante.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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 MAIO AMARELO – por Celso Tracco

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Os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte no Brasil. A campanha educativa Maio Amarelo surgiu com o propósito de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de acidentes de trânsito. Apesar dos dados estatísticos serem precários, estima-se que em 2025, no Brasil, cerca de 33.000 pessoas perderam suas vidas no trânsito de nossas ruas e estradas. O número de feridos é ainda mais difícil de ser precisado, porém sabemos que é muito maior que o das mortes. Apesar de ainda ser alto, o número absoluto de mortes vem caindo e isso reforça a importância de se manter esta campanha consistentemente. Além da ideia educativa, ela funciona como um alerta sobre um problema que ultrapassa estatísticas, pois afeta famílias, a economia e a estrutura social de forma profunda. Fora as perdas humanas, que são irreparáveis, existe um impacto silencioso, também devastador: os danos materiais e sociais que se acumulam após cada acidente. Eles envolvem uma cadeia de custos que afeta indivíduos, empresas e a própria sociedade. Pontuando alguns acontecimentos que se originam em decorrência de um acidente de transito: perda total, ou reparos nos veículos acidentados, gerando aumento de custos com taxas de seguros e franquias; possíveis danos ao patrimônio público, como semáforos, postes, outras estruturas urbanas; nas estradas danos em passarelas, pontes, viadutos, barreiras de proteção; custos hospitalares como atendimento de urgência, cirurgia, reabilitação; perda de trabalho por afastamento, invalidez temporária; gastos sociais com previdência, saúde, assistência social. Os acidentes de trânsito geram gastos de bilhões de reais aos cofres públicos drenando recursos que poderiam ser investidos em educação, infraestrutura e políticas sociais.

Mais importante que as perdas materiais, estão os impactos sociais que os acidentes de trânsito causam, tais como: perdas de vidas humanas levando a uma desestruturação da família, com possível sobrecarga financeira; traumas emocionais podendo gerar depressão, estresse pós-traumático, desequilíbrio emocional no acidentado e em seus familiares; invalidez ou algum tipo de limitação produzindo redução da autonomia, longo período de reabilitação, dependência de terceiros. Os acidentes de trânsito, já desastrosos por si só, criam um ciclo de vulnerabilidade que afeta toda uma família e amigos, atingindo fortemente a camada mais necessitada, os mais pobres, os que têm menos acesso a suporte psicológico, jurídico e financeiro.

O Maio Amarelo não deveria ser visto apenas como mais uma campanha de conscientização, mas como um convite à responsabilidade coletiva. O trânsito é um espaço compartilhado e cada escolha individual tem impacto direto na sua vida e na vida de outras pessoas. Por isso é superimportante nos engajarmos em algumas atitudes, tais como: promover a educação no trânsito; incentivar a direção defensiva, o uso do cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, não beber se vai dirigir, não usar celular enquanto está na direção, apoiar as políticas que sejam eficazes para reduzir vítimas nos acidentes de trânsito. A direção defensiva e protetiva exige uma mudança comportamental que envolve empatia, paciência, responsabilidade e principalmente respeito ao próximo.

A campanha do Maio Amarelo nos lembra que o trânsito é um ambiente onde vidas se encontram, e podem se perder. Está claro que os danos materiais e sociais dos acidentes de trânsito são enormes, que em sua enorme maioria são evitáveis. Cada atitude consciente contribui para um trânsito mais seguro, humano e responsável. Procure usar mais o transporte público, do que o individual. A segurança viária não é apenas um tema de campanha, é um compromisso diário com a vida. Aproveite seu dia.

A escravidão, que existe desde a antiguidade, não é oriunda do racismo. Mas no Brasil a escravidão originou o racismo. Oxalá um dia a liberdade seja realmente igual para todos e a igualdade seja a tônica da sociedade brasileira. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem: Foto Benjamim Sepulvida/PMB

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SEO muda de função na era da inteligência artificial – por Adriana Vasconcellos Soares

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Durante muitos anos, dominar o Google parecia suficiente para garantir relevância digital. Se a empresa aparecia bem-posicionada, gerava tráfego e produzia conteúdos eficientes, o trabalho de SEO (Search Engine Optimization ou Otimização para Mecanismos de Busca) era considerado bem executado. Esse raciocínio ainda faz sentido, mas deixou de ser completo.

O Google continua sendo a principal porta de entrada para buscas e descoberta de informação na internet. O que mudou foi o comportamento do usuário. A jornada de decisão deixou de acontecer apenas no buscador tradicional e passou a ser distribuída entre diferentes inteligências artificiais, como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e os próprios AI Overviews do Google.

Hoje, profissionais e empresas utilizam essas ferramentas para entender contextos, comparar soluções, validar opções e aprofundar análises antes mesmo de acessar um site. Isso cria uma camada de influência. Antes do clique, existe a resposta. E, se a marca não aparece nela, já começa atrás na disputa.

O maior erro estratégico de muitas empresas é tratar AI SEO ou GEO (Generative Engine Optimization ou Otimização para Motores Generativos) como algo separado do SEO tradicional. Como se existisse um “SEO para IA” funcionando isoladamente. Isso leva à criação de conteúdos superficiais, genéricos ou produzidos apenas para tentar aparecer em respostas algorítmicas.

Na prática, o GEO não substitui o SEO. Ele amplia o SEO. A lógica da busca continua existindo, mas ficou mais complexa.

No ambiente B2B, a jornada do usuário se tornou híbrida. O profissional pesquisa no Google para validar demanda, utiliza IA para entender contexto, compara soluções com apoio algorítmico e só depois aprofunda a análise diretamente nas marcas. Isso altera completamente o topo do funil.

Perguntas que antes eram feitas apenas ao Google agora são distribuídas entre buscadores e inteligências artificiais. Questões como “qual o melhor CRM para empresas em crescimento” podem ser respondidas diretamente por IA, sem que o usuário visite um único site. Nesse cenário, a disputa deixa de ser apenas por clique e passa a ser por presença na resposta.

As inteligências artificiais tendem a destacar um conjunto menor de referências e marcas. Isso reduz o universo de empresas consideradas pelo usuário logo no início da jornada. E essa percepção começa antes mesmo da mídia paga, do contato comercial ou da estratégia de vendas.

Por isso, não aparecer nas respostas algorítmicas reduz drasticamente as chances de consideração. Não porque a empresa deixou de existir, mas porque deixou de ser lembrada quando a decisão começa a ser construída.

Esse movimento também muda o papel do SEO dentro das empresas. Antes, a principal preocupação era ranquear melhor. Agora, surge uma segunda questão igualmente importante. Como ser citado.

As duas coisas estão conectadas, mas não são iguais. Uma empresa pode ter bom posicionamento no Google e ainda assim não aparecer nas respostas das IAs. Da mesma forma, pode ser citada sem ocupar a primeira posição orgânica.

O SEO tradicional continua focado em indexação, ranking e tráfego. Já o GEO busca aumentar a capacidade de recuperação, interpretação e reutilização das informações pelas inteligências artificiais. Os dois precisam atuar juntos.

Grande parte das empresas ainda produz conteúdos pouco estruturados, genéricos e sem respostas claras, dificultando interpretação e reaproveitamento pelas inteligências artificiais. Outro erro comum é a falta de autoridade temática. Muitos conteúdos são isolados, sem coerência editorial ou aprofundamento real. Além disso, especialistas apontam excesso de foco no topo do funil e pouca produção voltada para comparação, validação e tomada de decisão. O resultado é previsível. A marca não é citada, não é lembrada e não entra na consideração.

O novo cenário exige mudança de mentalidade. Mais do que buscar palavras-chave, as empresas precisam mapear perguntas estratégicas que influenciam decisões reais de negócio. O conteúdo precisa ser estruturado de forma clara, objetiva e reutilizável pelas inteligências artificiais.

Também cresce o peso de conteúdos de fundo de funil, como comparativos, validações, provas sociais, análises técnicas e demonstrações de autoridade.

Como a assessoria de imprensa entra neste contexto

Nesse cenário, a assessoria de imprensa passa a ter um papel ainda mais estratégico. Além de fortalecer reputação e credibilidade perante o mercado, ela amplia a presença da marca em fontes confiáveis que alimentam buscadores e inteligências artificiais.

Quando uma empresa aparece de forma consistente em veículos de comunicação, entrevistas, artigos e reportagens, aumenta suas chances de ser reconhecida como referência também pelas IAs. Isso influencia percepção, confiança e consideração antes mesmo do clique.

Um exemplo recente desse movimento é a parceria firmada entre a Folha de S. Paulo e o Google. O acordo prevê o uso de conteúdos jornalísticos para aprimorar respostas do Gemini e reforça a importância de fontes confiáveis no ecossistema das inteligências artificiais. Nesse contexto, a assessoria de imprensa ganha relevância ao ampliar a presença das marcas em veículos reconhecidos.

O SEO deixa de atuar apenas como aquisição de tráfego e passa a participar diretamente da construção de percepção. O impacto já não aparece apenas em cliques e visitas, mas também em qualidade de lead, velocidade de decisão, conversão e geração de oportunidades.

A transformação mais importante talvez seja esta, a disputa começa antes do clique. Muitas empresas ainda analisam performance apenas por métricas tradicionais, enquanto parte da influência já acontece fora dos relatórios clássicos, dentro das respostas geradas por inteligência artificial.

No novo ambiente digital, aparecer continua importante. Mas ser lembrado antes mesmo da busca se tornou ainda mais estratégico.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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A criança que a família vê – por Dra. Vera Resende

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A infância marca um processo por meio do qual o ser humano percorre diferentes fases de crescimento e maturação biopsicossocial. É nesse período que a criança, sob os cuidados da família, se introduz na cultura, assimila códigos sociais, constrói vínculos e desenvolve sua capacidade de se relacionar com o outro. Durante esse percurso, muitas crianças apresentam comportamentos considerados desafiadores enquanto aprendem os limites do que é aceitável. Alterações no desenvolvimento psíquico podem surgir quando há rupturas na transmissão desses códigos culturais pelos adultos ou dificuldades em sua assimilação pela criança.

Essas questões alertam para o risco de se interpretar toda dificuldade infantil como incapacidade da família ou como sinal imediato de anormalidade. Muitas vezes, pais e responsáveis procuram confirmar padrões de normalidade para aliviar suas próprias angústias diante do comportamento dos filhos. Quando observamos uma criança por meio do discurso de terceiros, como pais e professores, percebemos que os relatos frequentemente estão atravessados por expectativas, desejos e frustrações dos adultos. Nesse contexto, a criança pode acabar expressando conflitos familiares por meio de sintomas emocionais ou comportamentais.

As crianças possuem recursos internos para lidar com suas próprias preocupações. No entanto, não devem ser responsabilizadas pelas angústias emocionais dos adultos. Quando os pais dificultam a comunicação de forma rígida, excessivamente crítica ou punitiva, a criança pode recorrer a sintomas físicos como forma de chamar atenção ou estabelecer contato. Em alguns casos, adoecer passa a representar uma maneira de obter cuidado diante de um ambiente emocionalmente inacessível.

Os conflitos psíquicos fazem parte do desenvolvimento humano. Eles surgem da tensão entre as necessidades internas e as exigências do ambiente e acompanham a vida emocional desde os primeiros anos. Quando não encontram espaço para elaboração, não desaparecem. Permanecem em níveis profundos da vida psíquica, mesmo que suas manifestações mais evidentes sejam negadas ou reprimidas. Alguns desses conflitos têm origem na qualidade das relações estabelecidas com os adultos. Outros decorrem da própria etapa do desenvolvimento em que a criança se encontra. Muitos tendem a ser superados naturalmente, desde que não sejam excessivamente valorizados ou cristalizados.

Independentemente da origem do conflito, compreender as circunstâncias em que ele surge e os sentimentos envolvidos permite reduzir seus impactos emocionais. Esse olhar exige que o terapeuta também considere os conflitos do próprio adulto, que frequentemente revive aspectos de sua infância ao se relacionar com a criança. Muitos pais temem lidar com sentimentos ambivalentes, como amor e irritação coexistindo ao mesmo tempo. Na tentativa de evitar frustrações ou conflitos, acabam renunciando à função parental e passam a ocupar apenas o lugar de amigos ou companheiros mais velhos.

É possível pensar em ações preventivas voltadas ao desenvolvimento infantil, mas não existe controle absoluto sobre as relações humanas. Pais e filhos se relacionam de forma espontânea e é justamente essa espontaneidade que sustenta vínculos autênticos. A prevenção deve estar relacionada à remoção de obstáculos ao crescimento emocional saudável. Toda intervenção terapêutica, educativa ou pedagógica na infância pode funcionar como medida preventiva quando favorece o desenvolvimento emocional da criança.

Pais amorosos e emocionalmente disponíveis conseguem estabelecer relações baseadas em respeito, acolhimento e limites consistentes. Por isso, é fundamental distinguir dificuldades próprias do desenvolvimento infantil daqueles quadros que assumem características persistentes e patológicas, exigindo acompanhamento psicoterapêutico.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


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