Restringir o acesso às Redes Sociais. É suficiente? – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 27 Second

As redes sociais já fazem parte da nossa vida cotidiana. Digitalizar virou um hábito. Assim como amar, comer, beber, andar, correr, jogar, gastar, economizar, observar, participar e por aí vai. É fácil listar um sem-número de verbos que significam uma atividade a qual optamos ou não, praticar. De algumas atividades podemos gostar tanto que, mais do que um hábito, viram um vício. O praticante pode se tornar escravo ou escrava daquela atividade. Penso ser o pior tipo de escravidão, pois a pessoa se torna escrava, pela sua própria vontade. Como o tempo pode-se desenvolver uma idolatria pelos vícios preferidos. Sem controle, o usuário (a) pode matar ou morrer pelos seus ídolos. Rompida a barreira da razão, dos bons princípios de convivência, do equilíbrio que sustenta o discernimento, tudo pode acontecer. Apenas como um exemplo comum: a bebida alcoólica, desde a antiguidade faz parte das celebrações da sociedade humana. Festas, conquistas, celebrações, casamentos, em geral são comemorados com bebidas alcoólicas. No entanto se a pessoa se torna dependente da bebida, uma droga lícita, ela não só está pondo sua vida em risco, como pode, indiretamente, ameaçar a vida de outras pessoas. É razoável pensar que a venda e o uso de bebida alcoólica devem ter algum tipo de restrição.

No caso das redes sociais, o ponto central é que o ambiente digital, tal como está estruturado hoje, expõe o usuário a riscos psicológicos, sociais e de segurança, tanto que vários países já começaram a impor proibições e limites de uso. Pesquisas tem mostrado queo uso prolongado de redes sociais está associado à ansiedade, depressão, baixa autoestima e sensação de inadequação. Plataformas com rolagem infinita, notificações constantes e vídeos automáticos são projetadas para manter o usuário conectado por longos períodos, criando dependência comportamental e afetando a saúde mental. Passar mais de 30 horas por semana em dispositivos digitais, comprovadamente afeta o sono, a concentração e o desempenho escolar. Principalmente entre os jovens, o cuidado deve ser redobrado.  

Os conteúdos a que os jovens podem estar expostos não são virtuosos, pelo contrário são violentos ou sexualizados, “fake news”, padrões irreais de beleza, grupos que incentivam autolesão ou comportamentos de risco. Organismos internacionais afirmam que algoritmos incentivam o uso contínuo, criando dependência semelhante à observada em jogos de azar, comprometendo a segurança dos menores e adolescentes. E, efetivamente, não existem restrições ao acesso digital.

O problema é tão grave que alguns países, como Austrália, França, Reino Unido, Indonésia já implementaram restrições de uso das redes sociais para menores de 15 anos. O Brasil, recentemente aprovou o chamado ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital, que não proíbe o uso, mas restringe conteúdos e exige maior transparência das plataformas.

Mas, proibir é suficiente?  Pesquisadores concordam que proibições isoladas não resolvem o problema. Os jovens conseguem burlar as regras usando celulares de adultos e os limites de idade não alteram os algoritmos que tornam as plataformas viciantes. Sem mudanças estruturais nas plataformas, os adolescentes podem migrar para ambientes digitais ainda mais perigosos. A solução defendida por especialistas envolve a reformulação dos algoritmos, a redução de mecanismos viciantes, a proteção de dados desde a concepção dos aplicativos, supervisão mais ativa dos pais e responsáveis e a educação digital nas escolas. A internet oferece oportunidades valiosas, mas seus riscos para crianças e adolescentes são reais e crescentes. O movimento global de proibições mostra que governos estão reagindo, mas também evidencia que o problema é mais profundo do que simplesmente proibir o acesso. E você o que pensa sobre este tema?  Você já se sente afetado (a) por este problema? Deixe seu comentário.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto:Reprodução/EBC

Happy
Happy
100 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

O cliente não vai embora apenas por causa do preço

2 0
Read Time:2 Minute, 19 Second

Quando um empresário perde um cliente, a primeira explicação costuma ser o preço. Em seguida, vem a concorrência. Embora esses fatores realmente influenciem a decisão de compra, eles nem sempre explicam por que uma empresa perde espaço no mercado. Em muitos casos, o problema está na comunicação.

Não me refiro à publicidade ou à frequência das publicações nas redes sociais. Falo da maneira como a empresa se apresenta, constrói sua reputação, transmite confiança e se relaciona com clientes, parceiros e fornecedores. Um dos erros mais comuns é comunicar apenas produtos e serviços. A empresa explica o que vende, destaca características, divulga promoções e apresenta novidades, mas deixa de responder à pergunta que realmente importa para o cliente. Por que escolher esta empresa e não outra?

Outro erro frequente é a falta de coerência. O site transmite uma imagem, as redes sociais apresentam outra e o atendimento reforça uma terceira percepção. Quando a comunicação perde consistência, a confiança também se enfraquece. E confiança é um dos principais fatores que influenciam uma decisão de compra.

Também é comum encontrar empresas que falam apenas sobre si mesmas. Contam sua história, destacam sua experiência e descrevem seus diferenciais, mas esquecem de mostrar como ajudam o cliente a resolver problemas reais. O foco deixa de ser quem compra para se concentrar em quem vende.

Existe ainda um erro silencioso, mas bastante comum. Muitas empresas só se comunicam quando querem vender. Permanecem meses sem produzir conteúdo, sem compartilhar conhecimento e sem manter qualquer diálogo com o mercado. Depois reaparecem anunciando promoções e esperam que o cliente continue lembrando da marca. A comunicação deixa de construir relacionamento e passa a existir apenas como ferramenta de venda.

Comunicação estratégica não significa falar mais. Significa comunicar melhor. É definir como a empresa deseja ser reconhecida, construir mensagens coerentes, compartilhar conhecimento e gerar confiança antes mesmo da necessidade de compra.  No fim, clientes não escolhem apenas produtos. Escolhem empresas nas quais acreditam. E essa confiança não nasce no momento da venda. Ela é construída, pouco a pouco, por cada mensagem, cada atendimento e cada experiência oferecida ao mercado.

Empresas que tratam a comunicação apenas como divulgação disputam atenção. Empresas que tratam a comunicação como estratégia conquistam confiança e permanecem na escolha dos clientes.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Idosos exigem respeito – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 26 Second

Dia 26/07 no Brasil é comemorado o Dia dos Avós. Parabéns a todos aqueles e aquelas que desfrutam do encantamento de conviver com um neto ou uma neta. Netos são a sobremesa da vida. Infelizmente, a vida da maioria dos idosos não é tão doce. Com o incremento da expectativa de vida, que já passa dos 75 anos, o Brasil vive uma transformação demográfica profunda. E isto altera as relações familiares, as questões econômicas, as políticas públicas e, principalmente, a forma como enxergamos o envelhecimento. Mas, ao mesmo tempo em que aumenta o número dos idosos, cresce também a necessidade de se enfrentar um problema estrutural: o etarismo, a discriminação social baseada na idade.

Em geral, quem chega a uma idade avançada, tem muito a contribuir nas áreas: social, cultural, econômica e afetiva. Eles são guardiães de memórias, tradições que formam o arcabouço de identidades familiares e comunitárias. Em muitas famílias são eles que sustentam vínculos afetivos, cuidam dos netos, de outro idoso. Transmitem valores e estabilidade emocional para as novas gerações. Além disso, sua participação econômica pode ser expressiva. Não são poucos, homens e mulheres, que continuam ativos no mercado de trabalho, e/ou empregando suas aposentadorias e pensões para o sustento da família. Entre a população de baixa renda, é comum que o benefício do idoso seja a principal fonte financeira da casa. Ignorar esta relevância, é ignorar a própria estrutura social brasileira.

Apesar de toda essa importância, o etarismo, assim como outras ofensas sociais, ainda é normalizado no Brasil. Ele aparece em situações jocosas, desvalorizando a capacidade cognitiva dos idosos, na exclusão digital, nas barreiras que dificultam o acesso ao mercado de trabalho e principalmente, na baixa prioridade que os governantes estabelecem para as políticas públicas destinadas aos idosos. É preciso mais respeito com os idosos. O etarismo se manifesta de muitas maneiras, mas vou abordar apenas duas: no campo do trabalho, em que pese algumas mudanças no relacionamento social, os idosos ainda são vistos como “menos produtivos”, “resistentes à digitalização”, “inadequados”, “teimosos e com dificuldades em socializar”, mesmo que tenham uma experiencia profissional comprovada; no campo da saúde, seus sintomas e queixas de dores e/ou desconfortos, são frequentemente minimizados como “coisas da idade”, “é assim mesmo”, “já vai passar” dificultando diagnósticos e tratamentos. Tem-se a nítida impressão de que não se dá a devida importância aos seus reclamos. Esses preconceitos ferem a dignidade, a autoestima, e limita possíveis oportunidades para o idoso (a).

O crescimento da expectativa de vida está relacionado com os avanços sociais. O aumento da população idosa é uma conquista coletiva, não deve ser vista como um fardo. Para enfrentar o etarismo, o Brasil precisa de uma mudança cultural significativa. Deve-se abandonar a ideia de que a juventude/ idade adulta são os únicos períodos produtivos da vida. Precisamos dar valor para a experiencia, a maturidade emocional, o conhecimento acumulado pelos idosos. Reconhecer que são recursos valiosos. Os idosos são parte essencial da identidade brasileira. Ter preconceitos contra eles é, no mínimo, uma falta de respeito. O etarismo, portanto, impede o país de aproveitar plenamente, todo potencial de trabalho que a velhice proporciona. Em uma sociedade marcada pela desigualdade, não absorver o significante papel dos idosos é desperdiçar uma fonte de recursos disponíveis. Construir uma sociedade que respeita todas as idades, é um compromisso moral, ético e humanitário. Todos serão beneficiados, incluindo aqueles que ainda irão envelhecer. Que no futuro próximo, nossos queridos idosos sejam tratados com amor, respeito e dedicação. Todo ser humano, não importa a idade, deve ter sua dignidade respeitada. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Rafa Neddemeyer/ABR

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Muitas felicidades, muitos anos de vida – por Dra. Vera Resende

0 0
Read Time:3 Minute, 17 Second

Quantas vezes ouvimos essa frase nas comemorações de aniversário? O que ela revela? O que sugere?

Não é difícil captar a alegria com a qual se deseja que os aniversariantes possam conviver com quem amam durante muitos anos, para que essa data se repita inúmeras vezes. Mas qual é a verdade contida nessa ideia? Será que as pessoas desejam que a existência se prolongue com a mesma força e vigor dos primeiros anos de vida?

Tomando como referência algumas comunicações na internet, a sensação é a de que há um enorme fosso entre a forma de perceber e abordar pessoas consideradas idosas e as expectativas dessas pessoas. O resultado é uma comunicação falha, que gera conflitos e sofrimentos evitáveis.

Não é possível estigmatizar as pessoas por causa da idade. De qual idoso estamos falando? A quem nos referimos?

Em um depoimento, uma jovem diz que seu avô se tornou uma pessoa amarga e reclamona. Ocorre-me perguntar como era esse avô antes de envelhecer. Pode ser que a neta tenha fixado na memória o avô de sua infância. Naquela época, ambos viviam ciclos diferentes da vida e interagiam com sentimentos, interesses e expectativas distintos. Quais foram as perdas do avô enquanto a neta crescia e se desenvolvia? Em que oportunidades houve trocas de experiências? Eles puderam falar sobre sentimentos, sonhos e receios?

Lancei a questão da comunicação com idosos em uma plataforma de inteligência artificial e obtive um manual cuja leitura leva a pensar que existe apenas um tipo de idoso. Um idoso com dificuldades para ouvir, lidar com a tecnologia, participar da vida social, ler, entre tantas outras limitações. Essa visão não leva em conta diferentes histórias de vida, experiências acumuladas e habilidades preservadas.

A velhice é apenas uma fase da vida que começou na infância. A evolução dos bebês nos ensina que cada aquisição de habilidades e aptidões ocorre em momentos diferentes, ainda que entre crianças da mesma faixa etária. Uns começam a andar antes de falar. Outros fazem o contrário, começam a falar e mais tarde desenvolvem a marcha.

No envelhecimento, não se pode pressupor que todos percam aptidões e habilidades de maneira padronizada apenas porque atingiram determinada faixa etária. É preciso considerar a história de cada pessoa, sua cultura, sua saúde física e emocional, as oportunidades que teve para se desenvolver, suas conexões sociais e profissionais e, enfim, os múltiplos fatores que tornam cada indivíduo único.

É bem provável que a irritabilidade mencionada pela neta, ao se referir ao avô, seja uma resposta ao sentimento de ser tratado como se seu “prazo de validade” estivesse vencido e de ser deixado de fora dos programas familiares. A exclusão é uma questão séria para quem passou a vida pensando, planejando e incluindo os filhos em suas preocupações.

Sentir-se inútil e descartado pode apagar o brilho da existência de pessoas que sonharam em aproveitar a companhia daqueles que amam e, justamente por eles, acabam sendo deixadas de lado. Na maturidade, muitas pessoas encontram mais dificuldades para construir novos laços de amizade. O abandono e a solidão sugerem que os votos de “muitos anos de vida”, ouvidos durante toda a existência, pareciam valer apenas para os anos da juventude, como se a velhice não coubesse nos sonhos de quem acredita que permanecerá jovem para sempre.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
100 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

O cliente não compra porque é rico ou pobre. Compra porque enxerga valor – por Adriana Vasconcellos Soares

1 0
Read Time:3 Minute, 19 Second

Existe uma ideia bastante difundida no marketing de que a classe A compra exclusividade enquanto a classe C compra preço. Embora essa lógica contenha parte da realidade, ela simplifica um comportamento muito mais complexo. As pessoas não compram apenas de acordo com sua renda, elas compram de acordo com aquilo que faz sentido para suas necessidades, valores, estilo de vida e percepção de valor.

É verdade que consumidores de maior renda costumam ter mais liberdade para escolher experiências personalizadas, serviços premium e produtos exclusivos. Da mesma forma, consumidores com orçamento mais limitado tendem a comparar preços com maior frequência e avaliar cuidadosamente o custo-benefício, mas essa não é uma regra absoluta.

Há empresários milionários que pesquisam preços antes de qualquer compra e negociam cada detalhe. Também existem consumidores de renda média que fazem sacrifícios financeiros para adquirir uma bolsa de luxo, um celular recém-lançado ou uma viagem internacional porque enxergam nesses bens uma forma de expressar identidade ou conquistar reconhecimento.

A renda explica quanto uma pessoa pode gastar, mas o comportamento explica por que ela decide gastar.

É justamente essa diferença que muitos pequenos empresários ignoram. Ao definir seu público apenas pela classe econômica, acabam construindo uma comunicação baseada em estereótipos. Enquanto isso, empresas que realmente conhecem seus clientes procuram entender perguntas muito mais importantes:

– O que faz essa pessoa confiar em uma marca?

– Ela procura segurança ou inovação?

– Busca praticidade ou exclusividade?

– Valoriza preço ou atendimento?

– Compra pela emoção ou pela lógica?

Essas respostas influenciam muito mais a decisão de compra do que a renda mensal. Consumidores de alta renda costumam avaliar aspectos como exclusividade, acesso antecipado, personalização e escassez. Já consumidores mais sensíveis ao orçamento tendem a priorizar utilidade, comprovação de valor, condições de pagamento e segurança na decisão.

Essas tendências existem, mas continuam sendo tendências, não regras.

Há consumidores de alta renda extremamente pragmáticos, e consumidores de menor renda altamente motivados por status, pertencimento e reconhecimento social. Por isso, a pergunta mais importante não deveria ser “qual classe social meu cliente pertence?”. A pergunta correta é “o que gera valor para ele?”.

Essa mudança de perspectiva transforma completamente a comunicação. Em vez de adaptar o discurso apenas ao poder aquisitivo, a empresa passa a construir mensagens alinhadas às motivações reais de compra. E é exatamente aí que entra o posicionamento. Empresas fortes não tentam agradar todo mundo, elas desenvolvem uma identidade clara, consistente e reconhecível. Sabem quem são, quais valores defendem e como desejam ser percebidas. Essa identidade funciona como um filtro natural e atrai pessoas que compartilham daquela visão e afasta quem procura outra proposta. O resultado é uma comunicação muito mais eficiente.

No fim das contas, pequenos negócios raramente deixam de crescer porque escolheram o nicho errado. Na maioria das vezes, eles deixam de crescer porque não conseguem comunicar claramente o valor que entregam.

Quem compra luxo procura confiança.

Quem compra economia também procura confiança.

Quem compra inovação procura confiança.

Quem compra tradição procura confiança.

O que muda é a forma como cada pessoa percebe esse valor.

Por isso, o sucesso não depende apenas do público escolhido, mas sim da capacidade de construir uma marca coerente, transmitir credibilidade e ocupar um posicionamento que faça sentido para as pessoas que você deseja atender.

No mercado atual, identidade vale mais do que generalizações e empresas que entendem isso deixam de disputar apenas preço ou status para disputar aquilo que realmente influencia qualquer decisão de compra: a percepção de valor.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A Copa do Mundo de futebol e as eleições – por Celso Tracco

0 0
Read Time:3 Minute, 21 Second

Mais uma vez, a seleção brasileira foi eliminada em uma Copa do Mundo. Caímos nas 8as. de final, perdendo para a Noruega, país sem tradição no futebol internacional. Nas redes sociais, muito se vê e ouve que o resultado do torneio pode ou irá influenciar o resultado das eleições. Mas, a história não diz isso. Desde 1994, quando começou a coincidência de eleições diretas para presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, com a realização da Copa do Mundo os resultados não justificam que o eleitor(a) carrega para as urnas a emoção da vitória ou da derrota da seleção.

 – 1994, o Brasil conquistou sua 4ª. Copa, vencendo a Itália nos pênaltis, após agoniantes 0x0 nos 120 minutos de jogo. A situação, governo FHC, obteve 54% dos votos contra 27% dados a Lula. A eleição foi resolvida no 1º turno. Influência do sucesso do Plano Real e não do futebol.

– 1998, perdemos da França, na final, por incontestáveis 3×0. “Vergonha nacional”. FHC, que havia proposto a emenda da reeleição, venceu no 1º turno novamente contra Lula, 53% a 31%. Após a reeleição, houve uma maxidesvalorização do real.

– 2002, Brasil penta campeão, venceu a Alemanha na final por 2×0. A oposição, Lula, venceu o candidato da situação, José Serra, no 2º turno obtendo 61% dos votos contra 39%.

 – 2006, Brasil eliminado pela França nas 4as. de final. “Vergonha nacional”. Lula é reeleito no 2º turno com 61% dos votos contra 39% dados a Geraldo Alckmin.

– 2010 – Brasil eliminado pela Holanda nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, agora perdemos de quem nunca foi campeão mundial. A situação, PT, elege o sucessor de Lula – Dilma Rousseff com 56% dos votos contra 44% de José Serra, no 2º turno.

– 2014, o Brasil passa pela maior vergonha futebolística da história: é eliminado, na semifinal, por acachapantes 7×1 para a Alemanha em pleno Mineirão. Dilma é reeleita, 2º turno, com 52% contra 48% dados a Aécio Neves. Após as eleições o Brasil mergulhou na maior crise econômica de sua história.

– 2018, o Brasil foi eliminado pela Bélgica, nas 4as. de final. “Vergonha nacional”, perdemos de qualquer um. Jair Bolsonaro é eleito no 2. ° turno com 55% dos votos contra 45% de Fernando Haddad (PT). O eleitor puniu quem provocou a crise econômica de 2015 e 2016.

– 2022, o Brasil foi eliminado pela Croácia, nas 4as. de final. “Vergonha nacional?”. Já nos acostumamos a perder para qualquer um. Jair Bolsonaro não consegue se reeleger. Obtém 49% dos votos no 2° turno contra 51% dados a Lula, que volta ao poder.

Evidentemente não há correlação entre o resultado da seleção brasileira e as eleições. Se aprofundarmos a pesquisa veremos que os estelionatos eleitorais, falcatruas e desmandos praticados por políticos de qualquer espectro ideológico, influenciaram muito mais as eleições do que o futebol. Até porque, há muito tempo não somos o país do futebol, já não há mais comoção quando o Brasil perde, a não ser o falso choro de jogadores multimilionários que são mais celebridades do que atletas. Também não somos mais o país do futuro. Mas somos o campeão mundial da corrupção, dos altos impostos, da desigualdade social, dos privilégios da máquina pública, dos escândalos financeiros. Isto sim é a verdadeira vergonha nacional, E somente pelo voto consciente de toda a população, poderemos expulsar esses políticos lesa-pátria de campo. Aqueles que primeiro jogam pelos seus interesses pessoais, antes dos interesses da população. E nem vai precisar do árbitro de vídeo. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto de Fauzan Saari na Unsplash

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Sua comunicação nas redes sociais pode estar afastando clientes – por Adriana Vasconcellos Soares

2 0
Read Time:4 Minute, 6 Second

“Eu publico com frequência, mas quase ninguém entra em contato.” Essa é uma das reclamações mais comuns entre pequenos empresários, médicos, advogados, consultores e profissionais liberais. Em muitos casos, o problema não está na qualidade do serviço oferecido, nem na falta de competência. O que falha é a comunicação.

As redes sociais deixaram de ser apenas um espaço para divulgar produtos ou compartilhar o dia a dia. Hoje, elas fazem parte do processo de decisão de compra. Antes de contratar um profissional, é comum que o cliente visite o Instagram, pesquise no Google, procure avaliações e tente entender se aquela pessoa transmite confiança. Se a comunicação não responde às principais dúvidas do público, dificilmente ela ajudará a gerar negócios.

O primeiro erro costuma aparecer logo na apresentação. Muitos perfis não deixam claro o que fazem, para quem trabalham ou qual problema ajudam a resolver. A bio é genérica, faltam informações de contato, os destaques estão desorganizados e o visitante precisa fazer esforço para entender os serviços oferecidos. Em poucos segundos, ele perde o interesse e procura outra opção.

Outro problema frequente é produzir conteúdo pensando apenas no algoritmo. Há quem publique frases motivacionais, datas comemorativas ou imagens bonitas todos os dias, mas raramente responde às dúvidas reais dos clientes. Curtidas podem aumentar a sensação de que a estratégia está funcionando, mas nem sempre representam geração de oportunidades.

O conteúdo precisa responder perguntas, explicar processos, esclarecer objeções e demonstrar conhecimento. Quando um empresário compartilha sua experiência, comenta situações do mercado, publica artigos, participa de entrevistas com a imprensa ou apresenta bastidores do trabalho, ele deixa de apenas aparecer e começa a construir autoridade.

A falta de consistência também prejudica os resultados. É comum encontrar perfis que publicam diariamente durante algumas semanas e depois passam meses sem qualquer atualização. Para quem visita a página, essa ausência pode transmitir a impressão de abandono ou falta de organização. Mais importante do que publicar todos os dias é manter uma frequência compatível com a rotina da empresa. Um calendário de conteúdo bem planejado costuma gerar resultados melhores do que ações intensas seguidas de longos períodos de silêncio.

Outro aspecto pouco valorizado é a reputação. Muitos empresários concentram todos os esforços apenas nas redes sociais e deixam de investir na construção de credibilidade. Reportagens, entrevistas, artigos publicados, participação em eventos, prêmios e depoimentos de clientes funcionam como importantes sinais de confiança para quem está pesquisando antes de contratar um serviço. Além de influenciar pessoas, esses conteúdos também fortalecem a presença digital da marca perante buscadores e sistemas de inteligência artificial.

O site também continua desempenhando um papel importante. Apesar do crescimento das redes sociais, muitos consumidores ainda procuram informações mais completas antes de tomar uma decisão. Um site desatualizado, lento ou com informações incompletas pode comprometer a imagem construída em outros canais. Ele deve explicar claramente quem é a empresa, quais serviços oferece e por que merece a confiança do cliente.

Um outro erro está na linguagem está em profissionais que utilizam termos excessivamente técnicos, enquanto outros adotam uma comunicação informal que não transmite segurança. O equilíbrio está em falar de forma simples, acessível e profissional, permitindo que qualquer pessoa compreenda o valor do serviço oferecido.

Existe ainda um detalhe que costuma passar despercebido. Muitas empresas produzem bons conteúdos, mas esquecem de orientar o próximo passo. O visitante lê o texto, concorda com a informação e simplesmente vai embora porque não sabe como entrar em contato, solicitar um orçamento ou agendar uma consulta. Uma comunicação eficiente facilita esse caminho e convida o público a continuar a conversa.

No cenário atual, marcado pelo crescimento da inteligência artificial e pela mudança no comportamento dos consumidores, estar presente nas redes sociais já não é suficiente. É preciso comunicar de forma estratégica. Isso significa integrar Instagram, LinkedIn, site, blog, assessoria de imprensa e outros canais para construir uma presença consistente, capaz de gerar reconhecimento e confiança ao longo do tempo.

No fim das contas, clientes não contratam apenas quem publica mais. Eles escolhem quem transmite segurança, demonstra conhecimento e consegue mostrar, por meio da comunicação, que é a pessoa certa para resolver determinado problema.

Se, ao analisar sua presença digital, você percebe que sua comunicação não responde às dúvidas do público, não demonstra autoridade ou não facilita o contato, talvez o problema não seja a falta de clientes. Talvez seja a forma como sua empresa está se apresentando ao mercado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

9 de Julho – A Revolução Constitucionalista – por Celso Tracco

0 0
Read Time:3 Minute, 27 Second

A Revolução Constitucionalista de 1932 constitui um dos momentos marcantes da política brasileira da primeira metade do Século XX. Deflagrada em São Paulo, a revolução tinha como objetivo principal pressionar o governo provisório de Getúlio Vargas a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte e restaurar a ordem institucional cancelada após a Revolução de 1930, terminando com a “República Velha” e iniciando a era Vargas. A revolução paulista foi derrotada militarmente, mas deixou um legado político, sendo até hoje lembrado como símbolo da luta pela legalidade e pelos ideais de uma república federativa. Por ela 9 de Julho é feriado no Estado de São Paulo. O Obelisco do Parque Ibirapuera é um mausoléu dedicado aos combatentes paulistas desta Revolução.

A Revolução de 1930 encerrou a “República Velha”, também conhecida como república do café com leite, pois desde 1894, data da primeira eleição direta para presidente da República, havia uma alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Em outubro de 1930 foi deposto o Presidente Washington Luís que estava em fins de mandato e foi impedido de tomar posse o presidente eleito Júlio Prestes. Ambos os políticos haviam sido Governadores do estado de São Paulo. Getúlio Dorneles Vargas, assumiu em 3 de novembro o governo provisório, dissolvendo o congresso nacional e suspendendo a Constituição de 1891. Vargas passou a governar centralizando a administração pública e nomeando interventores nos estados. No caso de São Paulo, os interventores vindos de outros estados, geraram muitas tensões entre as elites paulistas. A ausência de uma Constituição e governar por decretos, eram interpretados como claros indícios de autoritarismo. Para as classes econômicas, jurídicas e militares paulistas, a manutenção desta situação significava uma ruptura dos princípios federativos e democráticos.

A conjuntura de vários fatores serviu para a eclosão da revolução: a centralização do poder por Vargas; a intervenção federal nos estados; a perda da influência política de São Paulo. Em 23 de maio, no centro de São Paulo durante uma manifestação popular contra o regime, um grupo de apoiadores do governo central, dispararam armas de fogo contra a multidão. Quatro jovens morreram imediatamente: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo Camargo. A sigla MMDC tornou-se um símbolo da resistência paulista. No dia 9 de julho de 1932, as tropas paulistas se rebelaram contra o governo federal, iniciando uma revolução armada. O conflito se concentrou em regiões do Estado de São Paulo, como Vale do Paraíba e na Serra da Mantiqueira, fronteira com Minas Gerais. Estima-se em 35.000 o número de combatentes de São Paulo e cerca de 100.0000 os do governo federal. O número de mortos é incerto, alguns historiadores apontam entre 2.000 e 2.500 sendo deste total 800 a 1.000 paulistas. Sem armamentos e munições, e em visível desvantagem numérica, em 2 de outubro de 1932 São Paulo assinou sua rendição.

Apesar da derrota militar, alguns objetivos foram alcançados: foi convocada uma Assembleia Constituinte e uma nova Constituição foi proclamada em 1934; houve a ampliação dos direitos trabalhistas; foi instituído o voto feminino e secreto; houve a criação da Justiça Eleitoral. Sem dúvida houve um legado da Revolução Constitucionalista, mas pequeno. Getúlio Vargas seguiu no poder até 1945, quando foi deposto. Em 1937, tornou-se um ditador proclamando o Estado Novo, baseado em uma nova Constituição e aboliu a autonomia dos estados. Apenas entre 1934 e 1937 houve eleições, e somente para prefeitos. Em 1950 voltou ao poder por meio do voto democrático. Suicidou-se no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, então Capital Federal em 24 de agosto de 1954. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

O mercado que muitos pequenos negócios ainda ignoram – por Adriana Vasconcellos Soares

2 0
Read Time:4 Minute, 12 Second

Durante muito tempo, boa parte das estratégias de marketing concentrou seus esforços em conquistar consumidores mais jovens. Afinal, acreditava-se que inovação, consumo e crescimento estavam diretamente ligados às novas gerações. Mas os números mostram que essa lógica já não explica completamente o mercado brasileiro. Uma parcela cada vez mais ativa da economia é formada por pessoas com mais de 50 anos. Conhecida como “geração prateada” ou “economia prateada”, essa população reúne profissionais experientes, consumidores com maior poder aquisitivo e pessoas que permanecem economicamente ativas por muito mais tempo do que ocorria décadas atrás.

Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, somente em 2024, brasileiros entre 50 e 79 anos produziram cerca de R$ 89 bilhões por mês em renda do trabalho, o equivalente a 20% de toda a renda do trabalho do país. Além disso, essa parcela da população movimenta outros R$ 12 bilhões mensais provenientes de aposentadorias e pensões, ampliando significativamente sua capacidade de consumo.

Mais do que números, esse cenário revela uma mudança de comportamento. A ideia de que pessoas acima dos 50 anos estão encerrando a vida profissional já não reflete a realidade de uma parcela significativa da população. Muitos permanecem no mercado por escolha, ocupando cargos de liderança, atuando como consultores, empreendedores, professores e profissionais liberais. Outros iniciam uma segunda ou até uma terceira carreira, expressão utilizada para descrever profissionais que, após anos de experiência em uma área, decidem empreender ou seguir um novo caminho profissional. Há ainda quem permaneça trabalhando simplesmente porque deseja continuar produzindo, aprendendo e participando da vida econômica e social.

Ao mesmo tempo, trata-se de um público mais escolarizado, com maior expectativa de vida, mais autonomia financeira e disposição para investir em qualidade de vida, viagens, saúde, educação, tecnologia, lazer e experiências. Apesar disso, muitas pequenas empresas continuam direcionando praticamente toda sua comunicação para públicos mais jovens. Esse talvez seja um dos maiores erros estratégicos de posicionamento.

Quem conversa apenas com um perfil de consumidor pode deixar de enxergar um mercado altamente qualificado, fiel e disposto a consumir produtos e serviços que atendam suas necessidades reais.

Mas conquistar esse público não depende apenas de adaptar campanhas publicitárias, o maior desafio é construir confiança. É justamente nesse contexto que a comunicação estratégica e a assessoria de imprensa assumem um papel fundamental.

Consumidores mais maduros costumam valorizar reputação, credibilidade e histórico antes de tomar decisões. Eles pesquisam, comparam informações, procuram referências e tendem a confiar mais em empresas que demonstram autoridade no mercado.

Nesse contexto, entrevistas, reportagens, artigos assinados e presença recorrente na imprensa funcionam como importantes elementos de validação. Quando uma empresa aparece em veículos de comunicação explicando tendências, compartilhando conhecimento ou oferecendo orientações ao mercado, ela deixa de ser apenas mais uma opção comercial e passa a ser percebida como referência.

Esse movimento ganha ainda mais importância com o avanço da inteligência artificial. Ferramentas como Google AI Overviews, ChatGPT, Gemini e Perplexity passaram a utilizar conteúdos publicados em fontes confiáveis para construir respostas aos usuários. Isso significa que uma estratégia consistente de assessoria de imprensa fortalece não apenas a reputação perante as pessoas, mas também aumenta a presença digital em ambientes utilizados pelas inteligências artificiais.

Para pequenos negócios, essa pode ser uma oportunidade importante. Enquanto grandes empresas disputam investimentos elevados em mídia paga, negócios locais podem conquistar espaço produzindo conteúdo útil, compartilhando conhecimento especializado e construindo autoridade por meio da imprensa. Mais do que vender produtos, trata-se de construir relacionamento com um público que valoriza experiência, consistência e confiança.

O envelhecimento da população brasileira costuma ser apresentado como um desafio econômico. No entanto, especialistas defendem que ele também representa uma oportunidade de desenvolvimento, desde que empresas e governos saibam aproveitar o potencial produtivo e consumidor dessa geração.

Para quem atua com pequenos negócios, a mensagem é clara, talvez o próximo grande mercado para sua empresa não esteja nas novas gerações. Ele pode estar justamente entre consumidores que acumulam experiência, renda, tempo e disposição para continuar investindo em qualidade de vida. A diferença é que essas pessoas não procuram apenas preço. Elas procuram confiança. E a confiança continua sendo construída por meio de comunicação, reputação e autoridade.

A disputa não acontece apenas por visibilidade, ela acontece por confiança. E confiança continua sendo um dos ativos mais valiosos para qualquer negócio. No ambiente digital atual, ser encontrado é importante, mas ser reconhecido como uma fonte confiável pode fazer toda a diferença quando um cliente, um parceiro ou até mesmo uma inteligência artificial precisa escolher quem merece ser lembrado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista, assessora de imprensa e consultora em comunicação estratégica, posicionamento de marca e construção de autoridade para pequenos e médios negócios. Há mais de 26 anos desenvolve estratégias para fortalecer a reputação, ampliar a visibilidade e posicionar empresas, produtos e especialistas como referência em seus segmentos. É sócia da Six Comunicação Integrada.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Por trás de um sorriso, uma tragédia social – por Celso Tracco

0 0
Read Time:3 Minute, 18 Second

Uma das características da espécie humana é sua capacidade de se autodestruir. Seja por poder, ganância, ambição ou simplesmente prazer, nós, humanos estamos sempre envolvidos em conflitos, sejam contra nossos semelhantes, contra o meio ambiente ou contra nós mesmos. Nesta última categoria, nos destruímos pelos chamados vícios pessoais: fumar, ingestão de álcool, alimentos ultra processados, jogos de azar legalizados, apenas para citar alguns vícios que são lícitos, ou seja, são legalmente acessíveis para a maioria da humanidade. Neste grupo encontramos as “Bets”, nova febre nacional, como outrora foi o “Jogo do bicho”, a Loteca, a Mega Sena e demais loterias administradas pela Caixa Econômica Federal. Sim o hábito de arriscar a sorte, de modo aleatório, bastante antigo no Brasil assim como no resto do mundo. Agora, porém, tem uma enorme diferença: a facilidade de se fazer as apostas online e, teoricamente, a pessoa apostar quanto ela quiser {sic}. Esta nova mania nacional que está sendo impulsionada por sorrisos cativantes de “influencers”, que conduzem as novas, coloridas, impactantes e atraentes campanhas publicitarias, traz em seu bojo uma gigantesca tragédia social que afeta e impacta milhões de famílias brasileiras.

A entrada para o vicio é sempre uma porta larga e convincentes discursos agradáveis: “venha se divertir”, “não custa nada, jogue se quiser e com moderação”, “sucesso e muito dinheiro, imediatamente”. A lógica dos cassinos e das “bets” se apoia na desesperança de quem vive com as contas apertadas, salários baixos, subemprego e dívidas permanentes. A aposta parece ser uma saída fácil para o “paraíso”, quando de fato é o caminho certo para o “inferno”. O apostador, pode até pensar que está no comando de suas ações, mas na verdade está preso a um esquema estatisticamente estruturado para fazê-lo perder.

O cenário atual é agravado pela normalização do jogo. Celebridades, comunicadores, locutores, artistas, jogadores de futebol, são contratados pelas “Bets”, para vender a felicidade, traduzida por muito dinheiro fácil e tudo aquilo que o dinheiro pode comprar. A publicidade está nas transmissões esportivas, nos patrocínios aos times de futebol, em qualquer site que se acesse na internet. A mensagem final quer mostrar que é moderno, normal, inteligente, divertido apostar, mas a realidade é outra: a sociedade vive uma epidemia de endividamento que as apostas ajudam a propagar. E quanto mais ela se espalha mais difícil fica enxergar os reais problemas. Num país, como o nosso, onde a desigualdade social é abissal, a discussão sobre as “Bets”, não deve ficar na área moralista, pois oferecer a possibilidade de se obter dinheiro fácil, sempre vai atrair quem não tem nada.

A discussão deve ser na área social. É sobre como uma legislação pode permitir legalmente que milhões de pessoas sejam seduzidas, e usadas, por um processo que lucra com sua desgraça. Como uma falsa esperança passa a ser uma ferramenta de exploração. Como uma visão de liberdade torna-se um longo período de escravidão, arruinando a vida de famílias inteiras. A desgraça das apostas está na vergonha da perda, na ansiedade de novas apostas para recuperar a perda, em contínua ciranda que termina na angústia de uma dívida impagável. Regulamentar não basta, proibir também não trará o efeito desejado. É preciso seriedade para discutir temas como: saúde mental, educação financeira, proibição de publicidade e patrocínios, responsabilidades das plataformas digitais, proteção dos economicamente mais vulneráveis. Os governos e a sociedade civil, precisam, urgentemente, encarar as “Bets” como um problema real e crescente. Caso contrário, a desgraça das “Bets” continuará crescendo, de maneira cada vez mais devastadora. Sem apostas, aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são d

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto de Niek Doup na Unsplash

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: