Divulgar muito e vender pouco, o erro que trava o crescimento de empresas – por Adriana Vasconcellos Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 25 Second

A maior dor do empreendedor hoje não é a falta de esforço. É o excesso de esforço sem resultado. Produz conteúdo, investe em anúncios, publica com frequência e, ainda assim, as vendas não acompanham. A sensação é clara. Muito trabalho para pouco retorno.

Esse cenário é mais comum do que parece e não está ligado a um único fator. Ele surge da combinação de falhas estratégicas que comprometem a conversão.

A primeira delas é a baixa visibilidade orgânica. Redes sociais reduziram o alcance natural das publicações, tornando mais difícil ser visto sem investimento. Quando a marca não aparece, não entra no radar do cliente. Em paralelo, cresce a dependência de anúncios, muitas vezes sem segmentação adequada. O resultado é um custo de aquisição de cliente elevado. Quando esse custo se aproxima ou supera o valor gerado por cada venda, a operação perde eficiência e compromete a margem.

Outro ponto crítico está na sobrecarga. O “eu-preendedorismo” ainda domina boa parte dos negócios. O empreendedor acumula funções e o marketing perde consistência. Sem consistência, não há construção de marca, apenas ações isoladas.

A falta de direção estratégica completa o problema. É comum ver empresas dividindo esforços entre Instagram, Google, anúncios, conteúdo orgânico e outras frentes, sem clareza de papel para cada canal. O resultado é dispersão de investimento e baixa performance. O problema, portanto, não está nas ferramentas. Está na ausência de estratégia.

O primeiro ajuste é entender que visibilidade sem posicionamento não gera venda. Não basta aparecer. É preciso ser percebido como uma opção confiável. Isso exige clareza na comunicação, coerência na mensagem e alinhamento com a proposta de valor.

Nesse contexto, o marketing de conteúdo deixa de ser volume e passa a ser construção de percepção. Conteúdos bem direcionados educam, reduzem objeções e preparam o cliente antes do contato comercial.  A inteligência artificial também pode contribuir para ganho de produtividade e organização, mas não substitui estratégia. Quando usada sem critério, apenas acelera erros já existentes.

A escolha dos canais também precisa ser mais precisa. Redes sociais atraem e despertam interesse. O Google valida e reforça credibilidade. O WhatsApp facilita o fechamento. Quando esses pontos não se conectam, o processo de decisão do cliente se interrompe.

A assessoria de imprensa atua em outra camada desse processo. Ela não gera venda direta, mas constrói reputação e credibilidade. A presença em veículos de comunicação fortalece a percepção de autoridade, amplia a confiança e posiciona a marca como fonte relevante. Esse movimento impacta diretamente a forma como a empresa aparece nas buscas e nas respostas de inteligências artificiais, que tendem a priorizar fontes recorrentes, citadas e confiáveis. Na prática, isso reduz a resistência do cliente e encurta o caminho até a decisão.

Outro ponto decisivo está na relação entre marketing e comercial. Muitas empresas geram demanda, mas não convertem por falhas na abordagem, demora no atendimento, falta de acompanhamento ou dificuldade em apresentar valor com clareza. Nesses casos, o problema não está na divulgação, mas na execução da venda.

Por fim, é necessário olhar para a estrutura do negócio. Margens apertadas, precificação incorreta e dependência de descontos inviabilizam o crescimento, mesmo quando há volume de vendas.

Resolver a baixa conversão exige integração. Marketing, assessoria de imprensa e comercial precisam atuar de forma coordenada. Um atrai, outro constrói confiança e o terceiro transforma interesse em venda.

Quando essa estrutura funciona, divulgar deixa de ser tentativa e passa a ser estratégia. E é nesse momento que o resultado deixa de ser instável e começa a ganhar previsibilidade.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Famílias endividadas – por Celso Tracco

0 0
Read Time:3 Minute, 27 Second

O crescente endividamento das famílias brasileiras tem dominado o noticiário nacional. O portal G1 de 07/04/26 destaca: “o resultado da pesquisa de endividamento e inadimplência do consumidor realizada pela Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo em março/ 2026 mostra que 80% das famílias brasileiras têm dívidas. Este é o maior índice da série histórica. Apenas como comparação em março de 2025 o índice alcançou 77%. A mesma pesquisa aponta que a inadimplência (famílias com contas em atraso) estabilizou em torno de 29,6%, enquanto 12,3% informam não ter condição de honrar seus compromissos”. O fantasma do endividamento já assombra o Governo Federal que prepara medidas para mitigar o problema.  

Importante lembrar que o consumo das famílias é o principal fator do crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil, responde por cerca de 64% do PIB. Apesar da amplitude da oferta de crédito, via consignados, cartões de crédito, compras parceladas em prestações, as taxas de juros, em geral, são muito altas e em alguns casos indecorosas. No cartão de crédito e crédito rotativo, passa fácil de 100% a.a. enquanto a taxa da inflação anual não passa de 5% a.a. O sistema financeiro brasileiro é regulado por normas rígidas, porém, ele não protege o consumidor. Não há uma regulação sobre os juros abusivos; não há uma transparência na oferta de crédito e não há incentivos, juros mais baixos, por exemplo para bons pagadores, aqueles que pagam em dia e não são inadimplentes. As regulações não protegem o consumidor.

Os programas oficiais de transferência de renda, como o Bolsa Família, na minha opinião, ajudam a reduzir a pobreza, mas não atuam no problema estrutural do endividamento. Motivos:  as famílias de baixa renda, comprometem a maior parte do orçamento familiar com itens essenciais; têm menor acesso a crédito barato; são mais vulneráveis para contrair dívidas; sofrem mais com oscilações econômicas. Além disso, não possuem uma educação financeira adequada e isto impede o uso equilibrado e estratégico dos recursos disponíveis. Em geral, não contam com políticas públicas de proteção ao uso do dinheiro, o que amplia sua vulnerabilidade econômica. Infelizmente a educação financeira no Brasil ainda é limitada. Isso se reflete na dificuldade de compreender juros compostos, o chamado juros sobre juros; leva ao uso inadequado do cartão de crédito: o valor da fatura aumenta, e muito, se não for paga na data marcada; a família não se planeja a longo prazo, não considera possíveis declínios das entradas econômicas e o acúmulo de várias prestações no mesmo período.

O endividamento não é apenas um problema econômico, mas social, pois ele afeta: a saúde mental gerando ansiedade, estresse e depressão. Os relacionamentos familiares, ficam abalados com conflitos sobre o uso dinheiro. Cai a produtividade no trabalho, devido à preocupação constante com o pagamento das contas.

Possíveis alternativas para melhorar essa situação: regulação mais rígida contra juros extorsivos e incentivo aos bons pagadores; programas de renegociação de dívidas com juros reduzidos. Expansão de programas de educação financeira nas escolas. Planejamento financeiro familiar, consumo mais consciente e contrair crédito como último recurso.

O endividamento das famílias brasileiras é um fenômeno complexo, que não deve ser visto, apenas por escolhas individuais. Ele é resultado de uma combinação de fatores financeiros, políticos e sociais, que se autossustentam e criam um ciclo difícil de romper. Para enfrentar o problema, é necessário um conjunto de ações coordenadas entre Estado, sistema financeiro, empresas e sociedade civil. Além de reduzir dívidas, o desafio é construir um ambiente econômico que permita às famílias brasileiras viver com dignidade, estabilidade e perspectiva de futuro.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto destaque: Joédson Alves/Ag. Brasil

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

A assessoria de imprensa como alavanca para pequenos e médios negócios – por Adriana Vasconcellos Soares

0 0
Read Time:3 Minute, 38 Second

Pequenos e médios negócios enfrentam um desafio comum no ambiente atual. Precisam ganhar visibilidade, construir credibilidade e gerar vendas em um mercado cada vez mais competitivo. O problema é que muitos ainda concentram esforços apenas em redes sociais e anúncios, ignorando um ativo estratégico que pode acelerar esse processo: a assessoria de imprensa.

Diferente da publicidade, que depende de investimento contínuo para gerar alcance, a assessoria de imprensa atua na construção de reputação. Ela posiciona a empresa como fonte confiável de informação, conecta o negócio a veículos de comunicação e amplia sua presença em ambientes onde a percepção de valor é mais elevada.

Para empresas menores, isso faz diferença direta na forma como são percebidas. Quando um negócio aparece em um jornal ou portal relevante, em uma matéria jornalística ou como fonte especializada, ele deixa de ser apenas mais uma opção no mercado e passa a ser visto como referência. Esse movimento impacta decisões de forma silenciosa. Antes de comprar, contratar ou entrar em contato, o cliente pesquisa. E, nesse momento, não avalia apenas preço ou portfólio. Ele observa sinais de confiança. Onde essa empresa já apareceu, quem já falou sobre ela, qual é o nível de exposição institucional. É nesse ponto que muitos negócios perdem oportunidades sem perceber. Não por falta de qualidade, mas por ausência de reputação construída de forma estratégica.

A assessoria de imprensa atua exatamente nesse espaço. Por meio de pautas bem estruturadas, relacionamento com jornalistas e presença recorrente na mídia, ela constrói autoridade ao longo do tempo. Não é uma ação pontual. É um processo contínuo de posicionamento.

Outro ponto relevante é o impacto nas buscas e nas inteligências artificiais. Sistemas de IA tendem a priorizar informações provenientes de fontes confiáveis e recorrentes. Na semana passada, a Folha de S. Paulo e o Google firmaram um acordo que sinaliza uma mudança na forma como a informação circula e influencia decisões no ambiente digital. A parceria prevê o uso de conteúdos jornalísticos para aprimorar as respostas do Gemini e reforça um movimento que já vinha sendo alertado nesta coluna há alguns meses. De forma silenciosa, as inteligências artificiais estão cada vez mais conectadas a fontes confiáveis. Quando uma empresa é citada em veículos de comunicação, ela amplia sua relevância nesse ecossistema e aumenta suas chances de ser considerada nas respostas e recomendações.

Na prática, isso significa que a marca passa a ter mais chances de ser mencionada em respostas, comparações e recomendações feitas por IAs. Mesmo sem gerar clique direto, essa presença influencia na percepção e decisão.

Para pequenos e médios negócios, isso representa uma vantagem competitiva real. Enquanto muitos concorrentes disputam atenção apenas com anúncios, empresas que investem em reputação passam a ocupar um espaço mais sólido na mente do consumidor.

Além disso, a assessoria de imprensa contribui para reduzir o custo de aquisição de clientes ao longo do tempo. Quanto maior a credibilidade percebida, menor a resistência na decisão de compra. O processo comercial se torna mais fluido, e a conversão tende a acontecer com menos esforço. Outro benefício está na construção de marca. Redes sociais geram visibilidade rápida, mas a imprensa constrói memória. É ela que consolida posicionamento, reforça narrativa e sustenta crescimento de forma mais consistente.

Isso não significa substituir outras estratégias, mas integrar. O marketing atrai. O comercial fecha. E a assessoria de imprensa fortalece a percepção que conecta esses dois pontos. Para pequenos e médios negócios que querem crescer de forma estruturada, ignorar esse processo é limitar o próprio potencial. Visibilidade isolada não sustenta crescimento. Credibilidade sim. No cenário atual, não basta aparecer. É preciso ser reconhecido, lembrado e validado. E é justamente nesse ponto que a assessoria de imprensa deixa de ser um diferencial e passa a ser uma estratégia necessária para quem quer crescer com consistência.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Punir mais ou compreender melhor o caminho dos jovens – por Dra. Vera Resende

0 0
Read Time:3 Minute, 1 Second

Sempre que há aumento nos índices de criminalidade com a participação de menores de idade, o tema da redução da maioridade penal volta ao debate público. Trata-se de uma questão complexa, longe de alcançar consenso tanto no campo das ciências jurídicas quanto no das ciências sociais. É necessário refletir se as medidas punitivas aplicadas à população adulta têm sido eficazes na redução da criminalidade. Caso fossem, viveríamos em uma sociedade mais segura, com menor incidência de crimes. No entanto, o país apresenta um dos maiores índices de população carcerária do mundo.

É comum recorrer à comparação com modelos estrangeiros, especialmente em momentos de comoção diante de crimes cometidos por adolescentes. No entanto, cada sociedade possui sua própria cultura e organiza suas leis em articulação com políticas públicas de educação, saúde e inclusão social. Esses fatores influenciam diretamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes e ampliam as perspectivas de inserção no mercado de trabalho e na vida social. No Brasil, ainda há desafios significativos nesse campo e um longo caminho a ser percorrido. Sociedades que oferecem mais condições de desenvolvimento também estabelecem maiores níveis de exigência. Ainda assim, mesmo países com melhores indicadores sociais enfrentam problemas relacionados à criminalidade juvenil.

Outro ponto recorrente no debate é a tendência de associar a delinquência juvenil à população pobre e periférica. Essa visão simplifica um fenômeno complexo e não se sustenta diante dos fatos. Casos recentes e declarações de autoridades mostram que jovens de diferentes classes sociais também estão envolvidos em atos violentos.

Historicamente, crimes graves foram cometidos por jovens de famílias economicamente favorecidas. Casos emblemáticos, como os de Araceli e Ana Lídia, evidenciam essa realidade. Situações de violência contra pessoas em situação de rua, idosos e animais também ocorreram sem que houvesse a mesma pressão social por medidas extremas como a redução da maioridade penal ou a adoção de penas mais severas.

A violência, em qualquer contexto, produz efeitos que vão além do ato em si. Ela retira a humanidade tanto da vítima quanto do agressor. Em experiências clínicas com grupos de adolescentes em liberdade assistida, foi possível observar trajetórias marcadas pela ausência de orientação familiar, afeto e educação. O trabalho terapêutico em grupo buscava oferecer a esses jovens a possibilidade de se reconhecerem como parte da sociedade e de assumirem responsabilidade por suas próprias trajetórias. Ao entrarem em contato com o outro, puderam resgatar aspectos de sua própria humanidade. Muitos relataram que nunca haviam sido tratados com respeito ou considerados como sujeitos. Uma das falas mais marcantes foi a de um jovem que afirmou que, se tivesse sido reconhecido como alguém digno, talvez não tivesse seguido o caminho do crime. Essas reflexões indicam que o enfrentamento da violência exige mais do que respostas punitivas. É necessário investir na redução das desigualdades, na ampliação do acesso à educação de qualidade e na criação de oportunidades reais de desenvolvimento para crianças e adolescentes. Trata-se de um desafio coletivo que envolve responsabilidade social e compromisso com o futuro.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Espaçonave Terra – por Celso Tracco

3 0
Read Time:3 Minute, 22 Second

Após 53 anos, um voo tripulado volta a orbitar a Lua. A missão Artemis II foi concluída com um inequívoco sucesso. Depois de 10 dias no espaço a cápsula Orion amerissou no Oceano Pacífico próximo à costa da California. Os quatro tripulantes: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, emocionados celebraram o feito, junto às autoridades competentes e suas famílias, participando de vários compromissos oficiais. O mundo acompanhou o voo, do lançamento ao retorno à Terra, com destaque para lindas fotos feitas pelos astronautas. A escolha da tripulação foi bastante significativa: pela primeira vez na história, uma mulher, um afro-americano, um estrangeiro (canadense) além do comandante, compunham a tripulação de um voo espacial, superimportante, dos Estados Unidos. A Artemis viajou mais de 1,1 milhão de quilômetros, chegando a um ponto tão distante da Terra onde nenhum humano jamais esteve. Passou pelo lado oculto da Lua, igualmente um fato marcante, ficando 40 minutos sem nenhuma comunicação com o centro de controle. E a reentrada na atmosfera terrestre, segundo especialistas o momento mais importante e mais desafiador de uma viagem espacial, ocorreu sem qualquer incidente. O sucesso da missão abre espaço para a Artemis III que possivelmente fará um pouso na superfície lunar, para iniciar uma ocupação contínua do satélite pelos seres humanos.

Simbolicamente, podemos pensar no “lado escuro” do projeto. Entre 2012 e 2025 foram investidos perto de US$ 100 bilhões, no projeto Artemis. Creio ser razoável pensar, que esse montante, poderia ser investido em outras áreas como: saúde, educação, moradias. Até mesmo o país mais rico da Terra tem déficits em suas áreas sociais. Claro que cada um gasta seu dinheiro onde quer, mas os possíveis benefícios e riquezas da exploração econômica da Lua, se um dia chegar a acontecer, será igualmente utilizada por toda a população americana?  Ou apenas irá levar ao espaço a enorme desigualdade que já temos na Terra? Igualmente, a escolha da tripulação, sugere uma atenção sobre a representatividade e inclusão da espécie humana. Deveras positivo a participação de um afro-americano, uma mulher e um estrangeiro, entre os quatro tripulantes de uma inédita missão espacial americana. Infelizmente, muito distante da realidade que vivemos aqui na Terra, pois ainda precisamos de uma ampla política pública sobre diversidade e inclusão que realmente respeite todos os seres humanos, independentemente de gênero, cor, etnia ou credo. A humanidade há milênios convive com movimentos migratórios, mas o que estamos vendo em muitos países, Estados Unidos entre eles, é uma xenofobia declarada por muitos agentes públicos, não respeitando os mínimos direitos humanos básicos dos estrangeiros. Enquanto estamos debatendo sobre a ocupação da Lua e talvez de Marte, a Terra segue enfrentando eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Não está na hora de pelo menos, tentar minimizar os desastres ambientais, investindo em tecnologia, priorizando a solução dos problemas climáticos atuais do que investir no espaço?

Uma nova corrida espacial pode envolver disputas em vez de cooperação entre as grandes potências. A Artemis II mostrou que a humanidade é capaz de grandes feitos. A Lua, como a Terra não tem luz própria, apenas recebem e refletem a luz do Sol. Como disseram os astronautas, a Terra vista na escuridão do espaço, é como uma espaçonave, tripulada pela totalidade de seus habitantes, e ela só alcançará seu pleno potencial, quando a diversidade de sua tripulação, a exemplo da Artemis, estiver lutando pelas mesmas necessidades, mesmos princípios e mesmos objetivos, todos juntos para o bem de toda a humanidade. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto destaque: Nasa/Unsplash

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Acordo entre Folha e Google reforça novo papel da imprensa na era das inteligências artificiais – por Adriana Vasconcellos Soares

1 0
Read Time:4 Minute, 57 Second

O recente acordo entre a Folha de S. Paulo e o Google marca uma mudança relevante na forma como a informação circula e influencia decisões no ambiente digital. A parceria prevê o uso de conteúdos jornalísticos do veículo para aprimorar as respostas do Gemini e reforça um movimento que já vinha sendo alertado nesta coluna há alguns meses. De forma silenciosa, as inteligências artificiais estão cada vez mais conectadas a fontes confiáveis de informação.

Na prática, isso significa que parte do acervo e da produção contínua da Folha passa a alimentar diretamente um sistema que responde perguntas, orienta escolhas e molda percepções. Não se trata apenas de distribuição de conteúdo, mas de influência estruturada.

Durante anos, o SEO seguiu uma lógica clara. Produzir conteúdo, ganhar posições nos buscadores, atrair tráfego e converter. Mesmo com mudanças frequentes, o princípio era estável. Quem aparecia mais, tinha mais chances de ser escolhido.

Esse modelo começa a mudar de forma consistente. Hoje, uma parcela crescente dos usuários inicia sua jornada dentro de inteligências artificiais. Em vez de buscar links, fazem perguntas. Em vez de navegar por páginas, recebem respostas prontas, organizadas e contextualizadas. Muitas vezes, sem clicar em nenhum site.

Essa mudança desloca o centro da estratégia digital. O topo do funil deixa de ser medido apenas por visitas e passa a ser medido por exposição dentro das respostas geradas por IA. É o que se consolida como visibilidade por citação.

Se antes a disputa era por posição no Google, agora passa a ser também por presença nas respostas das inteligências artificiais.

Tráfego zero não é ausência de impacto

Um erro comum é avaliar desempenho apenas por métricas tradicionais. Nem toda influência gera clique. E nem toda decisão começa em um site. Um usuário pode fazer diversas perguntas ao longo de dias ou semanas. Se uma mesma marca aparece repetidamente nas respostas, mesmo sem gerar acesso direto, ela constrói familiaridade. Quando chega o momento da decisão, essa marca já ocupa espaço na mente do consumidor.

A conversão acontece, mas o caminho até ela não aparece de forma clara nas ferramentas tradicionais de análise.

Nesse novo cenário, a jornada se encurta. Antes, o consumidor passava por blogs, vídeos, comparadores e avaliações. Agora, grande parte desse processo pode acontecer dentro de uma única interação com IA. Isso reduz os pontos de contato, mas aumenta o peso de cada menção.

Uma citação relevante pode valer mais do que dezenas de impressões dispersas.

Citação é influência

Quando uma inteligência artificial menciona uma marca, ela não está apenas informando. Está validando. Está sinalizando que aquela empresa faz parte do conjunto de opções confiáveis para determinado tema.

Esse reconhecimento tende a se acumular. Quanto mais uma marca aparece com contexto claro, maior a probabilidade de continuar sendo referenciada. O contrário também é verdadeiro. Não aparecer significa, muitas vezes, não ser considerado. Esse movimento já começa a impactar a leitura interna das empresas. Em alguns casos, campanhas pagas apresentam melhor desempenho enquanto o tráfego orgânico parece estagnar. Na prática, o conteúdo orgânico continua relevante, mas seu papel mudou. Ele alimenta a base de conhecimento que sustenta as respostas das Ias, enquanto outros canais capturam a conversão.

O acordo entre Folha e Google torna esse processo mais explícito. Mostra que as plataformas estão estruturando parcerias com fontes confiáveis para qualificar suas respostas. E, nesse contexto, a origem da informação passa a ser ainda mais relevante.

O papel estratégico da assessoria de imprensa

É nesse ponto que a assessoria de imprensa ganha protagonismo. Mais do que gerar visibilidade em veículos tradicionais, ela passa a atuar como ponte entre marcas e os sistemas que organizam a informação no ambiente digital. Ao posicionar empresas em veículos relevantes, produzir conteúdo editorial consistente e fortalecer a presença institucional, a assessoria contribui diretamente para que essas marcas se tornem fontes confiáveis. E são essas fontes que alimentam as inteligências artificiais.

Entrevistas, artigos, menções em reportagens e presença recorrente na mídia aumentam a probabilidade de uma marca ser citada em respostas algorítmicas. Não por acaso, as IAs tendem a priorizar conteúdos com lastro editorial, frequência e credibilidade.

Nesse cenário, a assessoria deixa de ser apenas uma ferramenta de relacionamento com a imprensa e passa a ser um ativo estratégico de posicionamento digital. O impacto não está apenas na exposição, mas na construção de autoridade reutilizável. Uma vez consolidada, essa autoridade pode ser continuamente referenciada em diferentes contextos, perguntas e jornadas de consumo.

O novo jogo da visibilidade

O acordo entre a Folha de S. Paulo e o Google deixa claro que a disputa por atenção mudou de lugar. Ela não acontece mais apenas nos buscadores ou nas redes sociais. Ela acontece dentro das respostas das inteligências artificiais, que passaram a filtrar, organizar e indicar quais marcas merecem ser consideradas.

Nesse cenário, ser encontrado continua importante, mas já não é suficiente. O que realmente pesa é ser citado com frequência, com contexto e dentro de fontes confiáveis. É isso que constrói percepção, reduz dúvida e influencia decisões antes mesmo do clique.

Visibilidade, agora, é ser lembrado antes de ser procurado. E é exatamente nesse ponto que a assessoria de imprensa faz a diferença no negócio. Ao posicionar a marca em veículos relevantes, fortalecer sua reputação e garantir presença consistente em conteúdos de qualidade, ela amplia as chances de citação nas inteligências artificiais e consolida a empresa como referência no mercado.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Uma notícia. Um clone. Uma reflexão – por Celso Tracco

0 0
Read Time:3 Minute, 25 Second

Notícia recentemente divulgada por um dos principais veículos de impressa de nosso país, informava que pesquisadores do Instituto de Zootecnia da Universidade de São Paulo, sediado em Piracicaba – SP, tiveram sucesso em clonar um porco. “O porquinho nasceu saudável com 2,5 kg. Esse primeiro porco clonado no Brasil faz parte de uma pesquisa que vai ajudar a salvar 48 mil brasileiros que precisam de transplantes de órgãos. O projeto é do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Xenotransplanteé a transferência de órgãos entre espécies diferentes. E os órgãos dos suínos são muito parecidos com os dos seres humanos”. A notícia também esclarece que “os estudos começaram há mais de 30 anos. A eficácia dos laboratórios que já têm essa técnica estabelecida, é de apenas 1% a 5%. O próximo passo é clonar embriões geneticamente modificados para começar os estudos de transplantes em seres humanos e em futuro breve, os estudos pré-clínicos e clínicos para o fornecimento de órgãos. O coordenador do centro de pesquisa da USP explica que o sucesso na clonagem do porco foi um grande avanço, mas ainda existem desafios para que o xenotransplante faça parte da rotina da medicina” (cf. Portal G1; Jornal Nacional 03/04/2026).

Refletindo. Em primeiro lugar devemos aplaudir e enaltecer a pesquisa brasileira por esse feito. Isto coloca o Brasil em um estado avançado na técnica de clonagem de animais para não depender de outros países e dar soberania ao Brasil nesta área. Mais importante ainda ser feita pela USP, uma universidade pública. Sem dúvida um fato que deve ser aplaudido. Porém, independente de números, parece ser claro que o número de transplantes aumenta ano a ano no Brasil e a maioria deles é feita pelo S.U.S. o nosso sistema público de saúde. Também é fato que existe uma longa fila para transplantes. O principal impedimento para a obtenção de mais órgãos está na recusa, por parte das famílias dos falecidos, em permitir a retirada de órgãos que poderiam ser transplantados. Parece lógico que deveríamos ter mais campanhas educativas promovendo a doação de órgãos. Entendo, também, que se deve respeitar os sentimentos e desejos de cada família, mesmo sabendo que os órgãos de seu ente querido podem salvar vidas. Por último e não menos importante, penso que as questões éticas e sociais de se transplantar órgãos de outra espécie devem ser exaustivamente debatidas com a sociedade.  Sem dúvida a clonagem conseguida na USP, é um marco histórico que abre portas para uma revolução no transplante de órgãos. Porém o necessário desenvolvimento da pesquisa precisa ser equilibrado e cauteloso pois, os desafios técnicos, éticos e regulatórios são enormes. A sociedade civil deveria se mobilizar para obter políticas públicas garantindo que esse avanço tecnológico beneficie a população como um todo, de forma segura e justa. Assim sendo, a clonagem de porcos, ou de qualquer outro animal para fins de xenotransplante é um avanço promissor, louvável, podendo trazer esperança para milhares de doentes, mas na minha opinião, só deverá ser socialmente legítima se entre tantos outros pontos, respeitar limites éticos claros e bem conhecidos; garantir o bom tratamento aos animais em todos os procedimentos; a regulamentação, por parte do S.U.S., da chamada fila de transplante deve ser de amplo conhecimento da população e auditada por entidade respeitada, evitando a desigualdade social ao acesso; e o importantíssimo envolvimento de toda a sociedade no debate sobre necessidade ou não da clonagem.

Qual é a sua opinião sobre clonagem de animais? Deixe seu comentário e aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto destaque: Sandy Millar/Unsplash

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Redes sociais para saúde, produtos e serviços como escolher as melhores plataformas em 2026 – por Adriana Vasconcellos Soares

1 0
Read Time:4 Minute, 6 Second

A presença digital deixou de ser opcional. Em 2026, empresas, profissionais e marcas disputam atenção em um ambiente cada vez mais fragmentado e competitivo. Ainda assim, um erro comum continua se repetindo. Usar as mesmas redes sociais para qualquer tipo de negócio, sem considerar o comportamento do consumidor.

Produtos, serviços e saúde seguem lógicas diferentes de decisão. Quando essa diferença não é respeitada, a comunicação perde eficiência, o conteúdo não conecta e o resultado não aparece. Antes de escolher a plataforma, é preciso entender um ponto básico:

  • Produto vende por desejo.
  • Serviço vende por confiança.
  • Saúde exige segurança e autoridade.

A partir disso, a escolha das redes sociais deixa de ser tendência e passa a ser estratégia.

Redes sociais para divulgar produtos

Quando falamos de produtos como roupas, cosméticos, papelaria ou ferramentas, o principal gatilho de compra é visual e emocional. O consumidor não quer apenas informação. Ele quer ver, se identificar e desejar. Por isso, as redes mais eficientes são aquelas que estimulam descoberta e impacto rápido.

Instagram segue como a principal vitrine digital. Com forte apelo visual, permite apresentar produtos em fotos, vídeos curtos, bastidores e provas sociais. Além disso, recursos como loja integrada e marcação de produtos encurtam o caminho até a compra.

TikTok cresce como canal de alcance. É onde produtos viralizam, ganham escala e entram no radar de novos públicos. Funciona bem para demonstrações rápidas, tendências e conteúdos espontâneos.

Facebook continua relevante, principalmente para campanhas pagas e segmentação. Embora tenha perdido protagonismo orgânico, ainda entrega alcance consistente para públicos mais amplos.

WhatsApp é o ponto de conversão. Depois do interesse, é ali que a venda acontece. Atendimento rápido, envio de catálogo e proximidade fazem diferença.

Nesse cenário, o erro mais comum é tratar produto como catálogo estático. O que funciona é contexto, uso real e identificação.

Redes sociais para divulgar serviços

Serviços como advocacia, contabilidade, mecânica ou limpeza seguem outra lógica. Aqui, a decisão não é impulsiva. O cliente busca confiança, clareza e segurança antes de contratar. Isso muda completamente a estratégia.

Google é o principal ponto de partida. É onde o cliente pesquisa, compara e decide. Estar bem-posicionado, com avaliações, fotos e informações atualizadas, influencia diretamente a escolha.

Instagram funciona como canal de proximidade. Mostra bastidores, explica processos, responde dúvidas e humaniza o serviço. Ajuda a transformar uma marca em alguém confiável.

LinkedIn ganha força em serviços técnicos e B2B. É onde a autoridade profissional se consolida, principalmente em áreas como consultoria, jurídico e financeiro.

WhatsApp novamente aparece como canal de fechamento. Depois da confiança estabelecida, é ali que o contato se torna conversa e a conversa vira contrato.

O erro mais comum aqui é falar difícil demais. Quando o conteúdo é feito para outros profissionais e não para o cliente, a comunicação se perde.

Redes sociais para divulgar saúde

Na área da saúde, a lógica é ainda mais sensível. Não se trata apenas de atrair, mas de gerar segurança.

E o Instagram é a principal plataforma. Permite educar, aproximar e construir autoridade por meio de conteúdos simples, acessíveis e consistentes.

O YouTube é essencial para aprofundamento. Vídeos mais longos ajudam a explicar temas complexos e posicionar o profissional como referência.

Já o LinkedIn fortalece a credibilidade institucional e o relacionamento entre profissionais.

Google é indispensável para busca local. É onde o paciente procura clínicas, avalia reputação e toma decisão.

Aqui, além da estratégia, entra a responsabilidade e a credibilidade. Conteúdo precisa ser ético, informativo e sem promessas.

Tendências

Alguns movimentos são claros e impactam todos os segmentos:

  • Vídeos curtos seguem como principal formato de descoberta.
  • Conteúdo precisa ser rápido, direto e relevante.
  • A inteligência artificial passa a apoiar produção e personalização. Mas o diferencial continua sendo humano.
  • A comunicação se torna mais simples.
  • Quem complica perde atenção.
  • A jornada de compra encurta.
  • O cliente quer resolver rápido, sem fricção.

O papel da estratégia

Não existe uma única rede social ideal. Existe combinação estratégica. Lembre-se:

  • O Instagram atrai
  • O Google valida
  • O WhatsApp converte
  • O LinkedIn posiciona
  • E o YouTube aprofunda

Quando cada canal cumpre sua função, o resultado aparece de forma consistente. O problema não está na escolha da plataforma, mas na falta de clareza sobre o comportamento do cliente. Empresas que entendem isso deixam de apenas postar e passam a construir presença com intenção. E isso muda completamente o jogo.


Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

O berço cultural da adultização – por Dra. Vera Resende

1 0
Read Time:2 Minute, 54 Second

O imaginário social reconhece a infância como uma fase da vida e um direito de todo ser humano, cujas singularidades físicas, psicológicas e sociais devem ser respeitadas. Essa forma de compreender a infância ganhou força no início do século XX e estabeleceu uma separação clara entre a criança e o adulto, cada qual com suas características e necessidades.

No entanto, essa concepção vem se transformando. De certa forma, retoma-se uma lógica semelhante à da Idade Média, período em que não havia distinção nítida entre vida infantil e vida adulta. O avanço tecnológico e a velocidade da informação permitem que conteúdos diversos estejam acessíveis a todos, em qualquer momento. Crianças e adultos passam a compartilhar o mesmo fluxo de informações, como se ocupassem o mesmo nível de compreensão. Aquilo que antes era restrito ao universo adulto hoje é exposto de forma ampla e indiferenciada.

Esse movimento favorece o que alguns estudos apontam como o desaparecimento da infância. Ao romper as fronteiras que protegiam esse período da vida, a criança passa a se vestir, falar e se comportar como adulto antes de alcançar a maturidade física e psíquica necessária. Em diferentes espaços, como ruas e escolas, observa-se a presença de crianças que reproduzem atitudes e expressões típicas do mundo adulto, deixando de vivenciar características próprias da infância. As brincadeiras também refletem essa mudança, incorporando temas e preocupações que não pertencem ao universo infantil.

Os meios de comunicação têm papel relevante nesse processo. Como difusores de valores e comportamentos, contribuíram para a transformação da ideia de infância. A televisão, antes mesmo da expansão da internet e dos celulares, já apresentava a infância como uma etapa muito breve, como se apenas o bebê pudesse ser considerado criança. O mercado também passou a influenciar esse conceito, direcionando produtos tanto para o período que antecede o nascimento quanto para os primeiros anos de vida. A imagem de criança que se consolida é a de alguém com linguagem, interesses e comportamentos próximos aos dos adultos. Já na década de 1980, músicas populares traziam temas que antecipavam interesses por namoro e consumo.

Ainda não é possível mensurar com precisão todos os efeitos desse fenômeno na saúde emocional das crianças. No entanto, é evidente que essa exposição precoce desconsidera o tempo necessário para o desenvolvimento das condições psíquicas que permitiriam elaborar as demandas do mundo adulto. No ambiente familiar, essa ausência de diferenciação entre criança e adultos compromete a organização dos papéis. Dificulta o estabelecimento de limites, fragiliza a autoridade e pode levar à inversão de responsabilidades. No âmbito social, o cenário se torna ainda mais preocupante. Quando todos são tratados como adultos, a proteção da infância deixa de ser prioridade. A sociedade corre o risco de se eximir da responsabilidade de cuidar das crianças, o que pode contribuir para o aumento da violência contra essa população.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Páscoa da Ressurreição – por Celso Tracco

1 0
Read Time:3 Minute, 30 Second

Na História da Civilização Ocidental, povos e culturas bem antigas tinham o costume de celebrar a chegada da primavera no hemisfério norte. Eram rituais ligados à fertilidade, ao retorno da luz e ao renascimento da natureza após o inverno. Essas tradições atravessaram milênios, transformando-se de tempos em tempos, porém sem perder sua essência: a ideia de uma renovação da vida, de um ressurgimento.

A Páscoa Cristã, tem sua origem no Pessach, a celebração judaica que recorda a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Segundo relato bíblico, livro do Êxodo, Moises conduziu o povo hebreu por 40 anos, atravessando o deserto até chegarem à Terra Prometida, Canaã. O termo Pessach em hebraico, significa “passagem”. A passagem da escravidão para a liberdade e o início de uma nova vida na Terra prometida. A celebração do Pessach, continua sendo festejada na religião judaica até hoje, mantendo todo o seu simbolismo tendo seu ponto alto no jantar familiar (Seder) repleto de significados históricos, religiosos e espirituais.  

A Páscoa como hoje conhecemos, começa a ser celebrada no século I, quando as primeiras comunidades cristãs, seguidoras do Evangelho de Jesus Cristo, reinterpretam o Pessach à luz dos acontecimentos de Sua paixão, morte e ressurreição. Para o cristianismo, a Semana Santa é a principal semana do ano litúrgico.  Começa com a celebração do Domingo de Ramos, quando Jesus entra em Jerusalém aclamado pela multidão, segue com o Tríduo Pascal (Quinta-feira, Jesus institui o sacramento do amor: o lava-pés e a Eucaristia; Sexta-feira da Paixão, Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal; Sábado Santo, a Vigília Pascal) culminando com o Domingo de Páscoa que celebra a Ressurreição de Jesus, três dias após sua crucificação. Segundo a fé cristã, a Ressurreição de Cristo dá início a uma nova criação, ao novo êxodo. É a principal festa cristã! Celebra a vitória da vida sobre a morte e a promessa de renovação espiritual. A ressurreição, após a morte, é para todos aqueles que assim creem. A Igreja Católica definiu a data da Páscoa como o domingo da primeira semana de lua cheia, depois do início da primavera no hemisfério norte, isso explica por que a data varia de ano para ano.

A Páscoa da Ressurreição, celebrada pelos cristãos em todo o mundo, é mais do que uma data religiosa no calendário. Ela funciona como um lembrete poderoso de que a vida é capaz de renascer mesmo depois dos períodos mais sombrios. Em um tempo marcado por incertezas, tensões sociais, guerras e desafios coletivos, esta mensagem é claramente atual. Como vimos, no coração da celebração está a crença na ressurreição de Jesus Cristo, evento que simboliza a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre a escuridão e da esperança sobre o desânimo. Mas, para além da dimensão espiritual, a Páscoa provoca uma reflexão sobre o que significa renascer no cotidiano: reconstruir relações, recuperar a confiança, recomeçar projetos, reencontrar sentido na vida.

Talvez o maior desafio da Páscoa da Ressurreição seja transformar seu simbolismo em atitude concreta. Em tempos de polarização e radicalização, a proposta de renascer pode soar abstrata. Mas ela se manifesta em gestos simples: perdoar, escutar, acolher, reconstruir relações, procurar e encontrar. É nesse terreno do cotidiano que a mensagem pascal demonstra sua força mais transformadora e libertadora.

A celebração da Páscoa não promete, aqui na Terra, um mundo perfeito, mas lembra que a renovação é possível, pessoal e coletivamente. E, ao final, talvez seja isso que todos buscamos: a chance de recomeçar, de acreditar novamente, de enxergar luz onde parecia haver apenas trevas.

Que esta Páscoa da Ressurreição inspire caminhos de paz, esperança e humanidade. Tenha uma Feliz e Santa Páscoa.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Imagem Destaque: cdoncel/Unsplash

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: