Caso de policial encontrada morta em SP expõe relatos de relacionamento abusivo

0 0
Read Time:2 Minute, 18 Second

A Polícia Civil de São Paulo investiga como suspeita a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada dentro do apartamento onde morava, no bairro do Brás, região central da capital paulista. O caso ocorreu na quarta-feira (18) e, inicialmente tratado como suicídio, foi reclassificado após relatos da família apontarem possível violência doméstica.

Gisele vivia no imóvel com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Ele acionou a Polícia Militar e afirmou que a esposa teria atirado contra a própria cabeça. Em depoimento, declarou que minutos antes havia comunicado à soldado o desejo de se separar. Segundo o oficial, ela se exaltou, entrou no quarto e, enquanto ele tomava banho, ouviu um disparo. Ao arrombar a porta, disse ter encontrado Gisele caída, com a arma na mão.

A família da vítima contesta a versão apresentada pelo tenente-coronel e descreve um relacionamento marcado por controle e violência psicológica desde o casamento, em 2024. Parentes afirmam que a soldado passou a apresentar mudanças de comportamento e que vivia sob rígidas restrições impostas pelo marido.

De acordo com os relatos, Gisele era proibida de usar salto alto, batom e roupas de academia. Perfumes teriam sido guardados no quartel, e ela estaria impedida de manter contato frequente com familiares. Uma tia relatou que a sobrinha deixou de demonstrar a alegria habitual após o casamento.

A filha da soldado, de 7 anos, fruto de relacionamento anterior, também teria presenciado situações de tensão e violência psicológica. Cinco dias antes da morte, Gisele informou ao marido e à família que pretendia pedir o divórcio. Em ligação ao pai, pediu que fosse buscá-la, afirmando não suportar mais a pressão.

Segundo familiares, após ser informado sobre a separação, o tenente-coronel teria enviado um vídeo no qual apontava uma arma para a própria cabeça. A família interpreta o conteúdo como ameaça e reforça a suspeita de feminicídio.

A Polícia Civil aguarda laudos periciais, incluindo análise da trajetória do projétil, para esclarecer as circunstâncias da morte. Após o óbito, o tenente-coronel solicitou autorização para retornar ao apartamento, alegando que ficaria um longo período fora. O pedido foi inicialmente negado por policiais militares, mas acabou sendo autorizado posteriormente.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação, com acompanhamento da Polícia Militar. A reportagem tentou contato com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, mas não obteve resposta até a última atualização.

A família afirma que buscará a responsabilização criminal, defendendo que o caso seja tratado como feminicídio. Gisele estava em fase estável da carreira e se preparava para atuar no Tribunal de Justiça Militar, projeto que, segundo parentes, era um de seus objetivos profissionais.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Reprodução

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Violência contra a mulher: Polícia Civil prende 150 agressores em São Paulo

0 0
Read Time:1 Minute, 51 Second

A Polícia Civil realiza nesta quarta-feira (11) uma operação para o cumprimento de mais de mil mandados de prisão contra agressores de mulheres em todo o estado de São Paulo. Até o momento, 150 condenados pela Justiça foram presos em diferentes cidades. Cerca de mil policiais foram mobilizados para a Operação M — Carnaval Seguro. A ação é coordenada pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

“Essa operação reforça que a violência contra a mulher é tratada com máxima prioridade. As forças policiais estão mobilizadas para cumprir decisões da Justiça, retirar agressores das ruas e interromper ciclos de violência”, destacou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.

As ações tiveram início na segunda-feira (9), com a execução de mandados de prisão em todo o estado. “São agressores condenados que buscamos colocar atrás das grades para garantir à mulher o direito de viver livre e com segurança”, afirmou a coordenadora das DDMs, delegada Cristiane Braga. Hoje é considerado o “Dia D” da operação, com ações em diversas cidades paulistas.

Durante as diligências, quatro armas de fogo irregulares foram apreendidas. A iniciativa, que segue em andamento, integra um conjunto de ações permanentes do Governo do Estado de São Paulo voltadas à prevenção da violência contra a mulher, à repressão qualificada dos agressores e ao fortalecimento da rede de proteção às vítimas.

Operação realizada em dezembro cumpriu mais de 500 mandados contra agressores

Uma operação com o mesmo foco já havia sido realizada no fim de 2025, reforçando a estratégia contínua do Estado no enfrentamento à violência contra a mulher. Deflagrada nos dias 29 e 30 de dezembro, a ação foi uma iniciativa conjunta da Secretaria da Segurança Pública e da Secretaria de Políticas para a Mulher.

Na ocasião, 562 mandados de prisão contra agressores foram cumpridos em todas as regiões do estado. A maior parte das prisões ocorreu na Grande São Paulo, com 161 detidos, sendo 139 apenas na capital. Além disso, 18 homens foram presos em flagrante.

A operação mobilizou mais de 1,8 mil policiais civis e teve início com a prisão de 206 infratores já no primeiro dia, evidenciando a efetividade das ações integradas no combate à violência doméstica.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Fonte/foto: SSP-SP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Brasil atinge recorde de feminicídios em 2025: quatro mortes por dia

1 0
Read Time:2 Minute, 15 Second

O Brasil atingiu número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, ano em que a sanção da Lei do Feminicídio completou dez anos.

Na ocasião, a norma inseriu no Código Penal o crime de homicídio contra mulheres no contexto de violência doméstica e de discriminação. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No ano anterior, em 2024, o país já havia atingido recorde, com 1.458 vítimas.

“Se [a alta de casos] está acontecendo, isso é uma omissão do Estado, porque esse é um crime evitável”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), durante lançamento do relatório anual da Human Rights Watch (HRW), nesta quarta-feira (4).

O documento, que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países, apontou a violência doméstica e de gênero como uma das violações mais frequentes no Brasil.

Segundo a especialista, a omissão atinge todas as esferas de poder.

“A gente vive no Brasil hoje o desfinanciamento dessas políticas nos níveis municipais e estaduais, especialmente, que são os atores que estão envolvidos na rede de proteção, que tem à mão a assistência social, a saúde e a polícia para de fato fazer a diferença na vida dessas meninas e mulheres”, disse.

Samira Bueno destaca que não é possível fazer política pública para proteger a vida de meninas e mulheres sem recursos humanos e financeiros.

“Essa é uma bandeira que muitos políticos gostam de carregar, a defesa da vida das meninas e das mulheres, mas no momento em que tem o poder de caneta, que sentam na cadeira e que tem a capacidade de fazer a diferença, o orçamento não chega”, disse.

Repercussão na imprensa

No ano passado, casos de feminicídio tiveram grande repercussão na imprensa e nas redes sociais. O assassinato de Tainara Souza Santos, que foi atropelada e arrastada – presa embaixo do veículo – por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê foi um deles.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que os crimes recentes mostram o grave cenário de violência contra a mulher no país.

Pacto contra o feminicídio

Ontem, em uma iniciativa conjunta, o governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário lançaram o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio.

O plano prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.

A estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Fonte: Ag. Brasil | Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Feminicídio: chaga inadmissível – por Celso Tracco

3 0
Read Time:3 Minute, 12 Second

O feminicídio é a mais execrável violência baseada em gênero. Em 2025, a cada dia, 4 mulheres foram assassinadas no Brasil vítimas deste crime hediondo. A maioria dos assassinatos ocorrem pelo simples fato da vítima ser mulher, geralmente em contextos marcados por desigualdade, controle, abuso e relações de poder profundamente enraizadas na nossa sociedade. Não deve ser visto “apenas” como um crime individual, passional, mas como um fenômeno social que revela como estruturas históricas de machismo, misoginia e autoritarismo ainda moldam comportamentos contemporâneos.

No Brasil, o feminicídio foi reconhecido como crime hediondo em 2015, com punições severas. Ainda assim, os números permanecem alarmantes. A maioria dos assassinos tinha relacionamento próximo com suas vítimas. Muitas destas denunciaram agressões anteriores, o que prova que o feminicídio raramente é um ato isolado: ele costuma ser o desfecho trágico de um ciclo de violência que pode incluir agressões verbais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e físicas. Ciclo que poderia ter sido interrompido com proteção efetiva e políticas públicas mais robustas. As raízes dessas práticas criminais estão na desigualdade de gênero, na naturalização da violência doméstica e na ideia equivocada de que o corpo, a vida e as escolhas das mulheres devem ser controladas. Combater o feminicídio exige ações em várias frentes: educação para igualdade de gênero, fortalecimento das redes de apoio, acolhimento humanizado, responsabilização dos agressores e políticas públicas que funcionem na prática, não apenas no papel.

Durante séculos a sociedade reforçou papéis rígidos para homens e mulheres, colocando o homem como figura de autoridade e a mulher como alguém a ser controlada. Essa lógica patriarcal se manifestou em leis, costumes e práticas sociais. Mesmo com avanços significativos em direitos, igualdade e autonomia, resquícios daquela mentalidade ainda moldam comportamentos que geram agressões. Mais do que estatísticas, cada caso representa uma vida interrompida, uma família devastada e uma sociedade que falhou em proteger suas cidadãs. Falar sobre feminicídio é um ato de repulsa ao que acontece em nosso país, essa prática é inaceitável sob qualquer ponto de vista.

Enfrentar o feminicídio é um dever de toda a sociedade e exige ações articuladas e contínuas, tais como: educação visando a igualdade desde a primeira infância, passando por todo o sistema educacional e pelas empresas que devem orientar seus funcionários na derrubada de estereótipos de gênero; ter efetivas redes de apoio, acessíveis a todas as mulheres, de qualquer classe social e qualquer faixa de renda; campanhas de conscientização que previnam a prática de contínuas agressões as mulheres. Acolhimento comunitário e protetivo é fundamental, a violência não deve ser vista como um tema privado, é um tema social. O que se deve pensar, não é em ações isoladas, mas tentar construir um ambiente social onde a violência seja completamente rejeitada e a vida dos mais vulneráveis respeitada, protegida e dignificada. Devemos trabalhar e atuar para impedir a banalização da violência, e não combatê-la com mais violência.

Falar sobre feminicídio é um ato político necessário. É recusar o silêncio que protege agressores e invisibiliza vítimas. É reconhecer que a violência contra a mulher não é um problema individual, mas uma responsabilidade coletiva. Construir um futuro sem feminicídio significa transformar mentalidades, fortalecer políticas públicas, tornar a sociedade mais igualitária, humanizada, solidária e, acima de tudo, reafirmar que a vida das mulheres, assim como de todo ser humano, importa e importa muito. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Osasco dá passo firme contra a violência e veta agressores de mulheres no serviço público

0 0
Read Time:1 Minute, 33 Second

Diante do aumento dos casos de feminicídio e de violência contra mulheres, a Câmara Municipal de Osasco deu um passo importante no combate a esse tipo de crime. Durante a 72ª Sessão Ordinária, realizada na última terça-feira (9), os vereadores aprovaram, em primeiro turno, o Projeto de Lei 171/2025, que proíbe a nomeação de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha para cargos ou empregos públicos no município.

A proposta recebeu 18 votos favoráveis e estabelece que indivíduos com condenação criminal transitada em julgado, fundamentada na legislação de proteção às mulheres, ficam impedidos de exercer funções na administração pública municipal. A medida vale para todos os órgãos da administração direta, incluindo a Prefeitura, a Câmara Municipal e demais estruturas do poder público local.

Autor do projeto, o vereador Gabriel Saúde destacou que a iniciativa tem caráter educativo e simbólico, ao reforçar que Osasco não compactua com a violência de gênero. “O município não pode ser conivente com quem violenta, humilha e destrói vidas de mulheres. Essa luta é de todos nós. Quando uma mulher é agredida, toda a sociedade é ferida”, afirmou o parlamentar durante discurso na Tribuna.

Ao defender o projeto, Gabriel Saúde também recordou casos que marcaram a cidade e o país, como o feminicídio da jovem Amanda Caroline de Almeida, assassinada pelo ex-marido e jogada no Rio Tietê, além de outros episódios de violência extrema registrados no Brasil.

De acordo com o texto, a proibição de nomeação permanece válida até o cumprimento integral da pena ou até que ocorra alguma forma legal de extinção da punibilidade, conforme previsto na legislação penal.

Antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Gerson Pessoa (Podemos), o projeto ainda precisa ser aprovado em segundo turno. A nova votação está prevista para a sessão da próxima quinta-feira (11).

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: Marcello Casal Jr/Ag. Brasil

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Homem é preso por violência doméstica e posse irregular de arma de fogo em Carapicuíba

0 0
Read Time:51 Second

Na madrugada deste domingo (9), a Polícia Militar prendeu um homem acusado de violência doméstica e posse irregular de arma de fogo no bairro Vila Lourdes, em Carapicuíba.

As equipes foram acionadas pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) após denúncia de que o suspeito estaria ameaçando a esposa com uma arma. Ao chegarem ao local, os policiais fizeram contato com o homem, que autorizou a entrada da equipe na residência.

Durante a ocorrência, a filha do casal relatou que o pai vinha proferindo constantes ameaças e ofensas contra a mãe. Em varredura pela casa, os policiais localizaram, sob o colchão, um revólver calibre .38 com 21 munições intactas, além de uma pistola de airsoft.

Diante dos fatos, o homem recebeu voz de prisão em flagrante pelos crimes de violência doméstica e posse irregular de arma de fogo.

Ele foi conduzido à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri, onde a prisão foi ratificada pela autoridade policial. O armamento e as munições foram apreendidos.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS


Foto: PMESP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Violência doméstica em alta e prevenção em baixa – por Ramon Soares

0 0
Read Time:2 Minute, 44 Second

Os telejornais diários de fim de tarde nos remetem àqueles jornais impressos das décadas de 1980 e 1990, famosos por causarem impacto com suas manchetes sensacionalistas a ponto de se dizer que, “se fossem torcidos, sairia sangue”, não apenas pelos textos, mas principalmente pelas fotos, muitas vezes sem qualquer tipo de censura.

Poderia ser apenas uma comparação nostálgica, mas, infelizmente, é a realidade. Todos os dias, sobram matérias nos noticiários sobre mulheres assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros homens que se julgam donos dessas mulheres e as sentenciam à morte pelo simples fato de não aceitarem o fim de um relacionamento. Esse triste “espetáculo” é exibido em horário nobre na televisão brasileira, como se fosse apenas mais uma notícia. Mas, está lá, “mais um corpo estendido no chão”.

Em pleno 2025, no estado mais rico da federação, São Paulo, dados da Secretaria de Segurança Pública revelam uma média de 21 feminicídios por mês. E isso sem contar os casos em que as vítimas sobrevivem ou aqueles que sequer são registrados — seja por medo, por fatores culturais, pela ausência de aparato policial ou pela ineficiência do sistema em muitos locais.

Este texto não tem a pretensão de apresentar uma solução definitiva para esse tipo de crime. A complexidade do problema exige uma abordagem personalizada de acordo com as características de cada região do país, tanto no que diz respeito à prevenção quanto à repressão. O que se pretende aqui é escancarar a ausência de uma política pública de prevenção estruturada e contínua.

Atualmente, existe um trabalho relevante realizado pelas Guardas Municipais e Polícias Militares, conhecido como Patrulha Maria da Penha. Trata-se de uma ação que visa proteger mulheres que já possuem medidas protetivas, muitas delas em risco real de serem assassinadas por seus agressores. As instituições policiais, nesse caso, atuam na manutenção dessas medidas, com empenho e dedicação — um trabalho que, de fato, salva vidas.

Apesar disso, há uma falha evidente por parte dos governos: a ausência de uma política de Estado voltada à prevenção da violência doméstica.

A prevenção deveria começar cedo, talvez ainda na pré-escola (dependendo das diretrizes pedagógicas), seguir no ensino fundamental, médio, nas universidades, empresas, comunidades e até em condomínios — inclusive os de alto padrão.

Existe uma urgente necessidade de mudança cultural, de transformação dos padrões sociais. Não se pode mais aceitar essa realidade como algo “normal”. Uma sociedade que permite a morte sistemática de suas mulheres está inevitavelmente condenada ao colapso moral.

Não se trata de acreditar em uma solução mágica ou imediata, mas é evidente que pouco ou, quase nada tem sido feito de forma concreta.

Talvez no futuro surja alguma nova campanha, um mês temático para colorir o calendário, como já acontece com o Março Lilás ou o Outubro Rosa. Mas, provavelmente, será apenas mais um mês “colorido”, sem ações efetivas que mudem a realidade de fato.


Ramon Soares é Guarda Municipal em Barueri, bacharel em Direito pela UNIFIEO e vice-presidente da AGM Brasil. Palestrante e instrutor, coautor do projeto “Segurança Pública Básica” e possui certificado internacional em Segurança Escolar, obtido em Indianápolis (EUA).


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Zero Hora Digital.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Barueri mantém referência em atendimento a vítimas de violência doméstica

0 0
Read Time:1 Minute, 6 Second

A campanha nacional “Agosto Lilás”, realizada em agosto, chama atenção para o enfrentamento à violência contra a mulher e marca o aniversário da Lei Maria da Penha. No Brasil, além dessa legislação, outras normas como a Lei do Feminicídio e o Pacote Antifeminicídio ampliam a proteção às vítimas e endurecem penas para agressores.

Em 2024, o país registrou 1.459 feminicídios — uma mulher morta a cada seis horas — e, em 2025, São Paulo contabilizou aumento de 4% nos casos, com 129 assassinatos.

LEIA TAMBÉM:

Barueri mantém uma estrutura de atendimento considerada referência, com serviços gratuitos e sigilosos, voltados à orientação jurídica, apoio psicológico e medidas de segurança. Entre os destaques estão:

  • Cram (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) – Oferece atendimento jurídico, psicológico e social, mesmo sem boletim de ocorrência. Tel.: (11) 4706-4046.
  • Guardiã Maria da Penha – Programa da Guarda Civil Municipal que monitora mulheres com medidas protetivas. Tel.: (11) 4194-7562.
  • Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) – Primeira do Estado a funcionar 24 horas. Tel.: (11) 4198-0522 / 4198-3145.

Além disso, a Central 180 segue como canal nacional de denúncia, com atendimento gratuito e sigiloso 24 horas.

Mesmo com avanços, especialistas e autoridades reforçam que o combate à violência exige envolvimento de toda a sociedade, desde denúncias até ações de enfrentamento à cultura machista.


Foto: Arquivo/GESP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Lula sanciona lei que permite uso de tornozeleira eletrônica em casos de violência doméstica

1 0
Read Time:1 Minute, 35 Second

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei que prevê o uso de tornozeleira eletrônica, ou de qualquer outro dispositivo de monitoramento, para agressores acusados de violência doméstica contra a mulher.  A penalidade foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira (25).

A medida aprimora a Lei Maria da Penha e tem como objetivo reforçar a eficácia das medidas protetivas em casos de violência doméstica e familiar. Além da assinatura de Lula, o documento foi assinado por três ministras: Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Cida Gonçalves (Mulheres) e Simone Tebet (Planejamento).

A nova lei também determina que a vítima receba um dispositivo de segurança que a alerte caso o agressor se aproxime. A legislação já previa o afastamento do agressor e outras medidas; contudo, o monitoramento eletrônico poderá agora ser aplicado de forma cumulativa, oferecendo um reforço imediato à proteção, segundo informações do UOL.

A assinatura de Lula ao projeto de lei ocorreu na quinta-feira (24), durante um evento no Palácio do Planalto, que também serviu para sancionar outros dois projetos de proteção às mulheres.

O primeiro projeto sancionado prevê o aumento da pena em casos de violência psicológica contra a mulher, caso sejam usadas tecnologias de inteligência artificial ou qualquer outro meio de alteração de voz ou imagem.

Já a segunda lei proíbe a discriminação contra estudantes e pesquisadoras em processos de seleção para bolsas de estudo ou pesquisa, em razão de gestação, parto, adoção ou nascimento de filho.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

  • Rodrigo Gansinho retorna à Câmara de Osasco e assume vaga de Alexandre Capriotti

    Rodrigo Gansinho retorna à Câmara de Osasco e assume vaga de Alexandre Capriotti

    O primeiro suplente do PL, Rodrigo Gansinho, voltou a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Osasco nesta quinta-feira (11), durante a 33ª Sessão Ordinária. Ele assume temporariamente o lugar do vereador Alexandre Capriotti (PL), que solicitou licença por 31 dias para tratar de assuntos particulares. A posse foi conduzida pelo presidente da Câmara, Carmônio…

  • Hospitais Dia 24h ampliam atendimentos na madrugada e número de cirurgias cresce 220% em SP

    Hospitais Dia 24h ampliam atendimentos na madrugada e número de cirurgias cresce 220% em SP

    A ampliação do funcionamento dos Hospitais Dia da Prefeitura de São Paulo contribuiu para um aumento de 220% no número de cirurgias realizadas na rede municipal nos últimos cinco anos. O total de procedimentos passou de 46.538 em 2021 para 149.132 em 2025, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. Atualmente, 12 das 17 unidades…

  • Bancos terão horário especial nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo

    Bancos terão horário especial nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo

    As agências bancárias em todo o país terão horário especial de atendimento ao público nos dias em que a Seleção Brasileira entrar em campo pela Copa do Mundo. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as unidades encerrarão o expediente duas horas antes do início das partidas. O horário de abertura das agências será mantido…


Fonte: TV Cultura – Foto: SSP-SP

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Um alerta chocante: A cada 17 horas, uma mulher é morta no Brasil

1 0
Read Time:1 Minute, 21 Second

Um novo relatório da Rede de Observatórios da Segurança expôs uma realidade alarmante: em 2024, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 17 horas nos nove estados monitorados, incluindo São Paulo. O estado paulista encabeça a lista dos mais violentos, registrando 1.177 eventos de agressão e 144 feminicídios – a maioria cometida por parceiros ou ex-parceiros.

O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (13), aponta que, no total, 531 mulheres foram assassinadas pelo fato de serem mulheres no último ano. Além disso, ao menos 13 mulheres sofreram violência a cada 24 horas. “Apesar dos avanços na legislação e das políticas públicas, os números seguem crescendo”, alerta a pesquisadora Edna Jatobá.

A capital paulista lidera as estatísticas no estado, com 149 casos de violência, seguida por São José do Rio Preto (66) e Sorocaba (42). A maior parte das vítimas tinha entre 18 e 39 anos.

Enquanto outros estados, como Pernambuco e Bahia, registraram pequenas quedas nos índices de violência, São Paulo segue no topo do ranking, reforçando a necessidade de medidas mais eficazes para a proteção das mulheres.

Confira o número de vítimas de violência e de feminicídios em cada estado em 2024: 

EstadoVítimas de violênciaFeminicídios
Amazonas 60433
Bahia25746
Ceará207 45
Maranhão365 54
Pará38841
Pernambuco31269
Piauí23836
Rio de Janeiro63363
São Paulo1.177144
Total4.181531

Leia também: Resgate heróico: Motociclista é salvo por policiais militares após cair de viaduto no Rodoanel


Foto: Arquivo/PMB – *Com informações Ag. Brasil

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %
error: