Aniversário de São Paulo tem extensa programação gratuita

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Neste domingo (25), a cidade de São Paulo completa 472 anos. E para celebrar a data tão especial foi preparada uma extensa programação cultural, que vai desde a entrada gratuita em museus a apresentações de blocos pré-carnavalescos. E não vai faltar o tradicional Bolo do Bixiga, uma tradição de 40 anos na qual a comunidade do bairro da zona central da capital prepara a maior mesa de bolo de aniversário do mundo.

No Bixiga, o parabéns para a cidade acontece na Rua Rui Barbosa, seguido pela distribuição de bolo, a partir das 12h. Mas haverá ainda outra comemoração semelhante no Mercado Municipal. Lá também haverá distribuição gratuita de bolo para a população, mas mediante senha, que deve ser retirada a partir das 10h30.

Os museus, bibliotecas e Fábricas de Cultura ligados à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do estado de São Paulo terão uma programação diversa, com entrada gratuita. Entre os equipamentos, estão o Museu da Língua Portuguesa, o Catavento, o Museu das Culturas Indígenas, a Pinacoteca, o Museu da Imigração e o Museu da Imagem e do Som.

Na Pinacoteca, haverá ensaios pré-carnavalescos e abertos do bloco Afro Ilu Obá de Min. Reconhecido por sua atuação artística e política na valorização da cultura negra e feminina, o grupo vai ocupar a Praça da Pina Contemporânea, com tambores, dança e canto. 

O Catavento, museu muito apreciado por crianças, terá uma roda de samba com o Batucadas das Pretas, a partir das 12h. No Museu das Culturas Indígenas, o destaque é para uma roda de conversa sobre território, resistência e ocupação da cidade, que tem início às 10h30 com Akayse Fulni-ô e Kerexu Mirin, mediada por Emerson Baré Puranga. 

O Museu das Favelas vai promover o Baile da Perifanálise, a partir das 13h30, além do Di Quebradinha, um evento que vai promover oficinas e brincadeiras de rua com as crianças, a partir das 14h.

Nas Fábricas de Cultura haverá muito samba, cortejos, descida de carrinhos de rolimã e K-pop, além de gincanas e atividades lúdicas para toda a família.

No vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, será realizada uma programação especial do Sesc Verão, com apresentações e vivências que contarão com a participação de atletas brasileiros consagrados, como as ginastas medalhistas olímpicas Júlia Soares e Lorrane Oliveira, tudo com entrada gratuita.

A programação de aniversário da cidade também se estenderá para os parques e planetários municipais, que terão uma programação toda gratuita. No Planetário do Parque do Carmo, será exibido o Show da Luna no Planetário.

A prefeitura vai promover ainda o concerto Mitos Sonoros – FilarMônica, da Orquestra Experimental de Repertório, no Theatro Municipal, a partir das 17h. O concerto, gratuito, prestará uma homenagem especial ao artista e escritor brasileiro Maurício de Sousa, que recentemente completou 90 anos de idade. Os ingressos poderão ser retirados com 48 horas de antecedência pelo site e 2 horas antes do evento na bilheteria presencial do Theatro Municipal, conforme disponibilidade.

Outro evento para celebrar o aniversário da cidade é o Sabores dos Bairros, que chega em sua segunda edição reunindo gastronomia, música e cultura. A proposta é valorizar a diversidade gastronômica da cidade, destacando os sabores de bairros como Liberdade, Mooca e Bom Retiro. Entre as comidas, o tradicional lanche de mortadela, o pastel e as pizzas. O evento é gratuito e acontece na Avenida Professor Frederico Hermann Júnior, em frente à Subprefeitura de Pinheiros e próximo à Estação Pinheiros.

Parte da programação de aniversário da cidade pode ser consultada no site da prefeitura e também no site da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Paulo Pinto/Ag. Brasil

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SÃO PAULO. 472 ANOS – por Celso Tracco

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Fundada em 25 de janeiro de 1554 por padres missionários jesuítas, entre eles Manuel da Nobrega e José de Anchieta (canonizado santo pelo Papa Francisco em 2014), a vila de São Paulo foi erguida com o objetivo de evangelizar os indígenas que ali viviam. A data é celebrada na Igreja Católica pela Conversão de Saulo (Paulo) de Tarso ao cristianismo. Construíram um pequeno colégio, uma capela e alojamentos para alguns poucos colonos que cultivavam a terra para subsistir. Durante 300 anos, São Paulo teve um baixo desenvolvimento econômico e populacional. Em 1850 sua população beirava os 30.000 habitantes, pobres e sem importância para o país. Porém a partir da segunda metade do século XIX, seu status econômico mudou drasticamente devido à consolidação da cultura cafeeira. O café, produto de exportação, se espalhou pelo interior da província, trazendo riqueza e prestígio aos fazendeiros/barões do café. Para escoar a produção agrícola, ferrovias foram construídas, encurtando as distâncias, aumentando o comércio, criando cidades. A roda da fortuna, finalmente, girava na até então aprazível cidade de São Paulo.

E continuou girando, com maior intensidade, nas décadas seguintes. Devido à imigração estrangeira e doméstica, a industrialização, as novas formas de cultura, locais para feiras e negócios, tecnologia e logística, tornaram São Paulo a megalópole cosmopolita que conhecemos hoje. Sua principal força motriz está na mescla das etnias indígena, africana, europeia, asiática. É a terra dos imigrantes, dos que vieram para viver, criar seus filhos e netos, desenvolver, mesclando suas culturas, enriquecendo. São Paulo passa a ser vista, e realmente é, uma terra de oportunidades. Onde se ganha muito dinheiro. A ótica do capitalismo liberal se estabeleceu e persiste.

Porém, a roda da fortuna não gira na mesma velocidade para todos. A cidade e sua região metropolitana, é o retrato vivo de um sistema político econômico, excludente, elitista, aristocrático. Alguns exemplos: a cidade dispõe de hospitais, privados e públicos, que são referências internacionais, mas ao lado existem filas de muitos meses para marcar um exame ou cirurgia em hospitais municipais; ao lado de uma das maiores frotas de helicópteros privados do mundo, temos um sistema de transporte público altamente deficiente; ao lado de edifícios elegantes e caros, temos enormes favelas e moradias precárias; é uma das cidades que mais blinda carros no mundo e que também possui um elevado número de roubo e furto de celulares; existe uma fartura de comida, mas as dezenas de milhares dos moradores de rua precisam da ajuda de igrejas e voluntários para se alimentarem. A cidade sofre, constantemente com chuvas, enchentes, queda de árvores, recolhimento de lixo, trânsito caótico. Não há agente público que zele, que cuide da cidade. Parece que a incompetência é normal, entre as autoridades públicas.

Criado em 1917 o lema da bandeira da cidade em latim non ducor, duco – significa não sou conduzido, conduzo. Creio que esse lema deveria ser repensado. Se conduzo, tenho uma meta, um objetivo, tem um sentido de independência, de altivez, de caráter. Qual é o objetivo? Conduzo para onde? Se for para manter e fortalecer privilégios dos novos “barões” e “baronesas”, então está sendo muito eficaz. As desigualdades sociais permanecem abissais. Mas se for para termos uma cidade mais humanizada, solidária, justa, minimamente igualitária, este lema não representa a realidade.

Parabéns a todos os habitantes desta megacidade que todos os dias se levantam para trabalhar pensando e tendo esperança de dias melhores.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S.

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