Estação Barra Funda terá testes gratuitos de saúde nesta semana

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Ação nos dias 9 e 10 de outubro oferecerá avaliação de peso, altura, cintura e glicemia, além de orientação profissional

Passageiros que circularem pela Estação Palmeiras-Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, poderão fazer gratuitamente uma série de avaliações de saúde nos dias 9 e 10 de outubro. A ação será realizada das 9h às 16h, em referência ao Dia Nacional de Prevenção da Obesidade.

Organizada pela ADJ Diabetes Brasil, a iniciativa terá avaliação de peso, altura, circunferência abdominal e glicemia, além de orientação de profissionais de saúde. Ao todo, serão disponibilizados 800 testes de glicemia durante os dois dias.

A proposta é oferecer um atendimento rápido para quem estiver passando pela estação no caminho para o trabalho, estudo ou outros compromissos.

Segundo a organização, todo o circuito deve levar aproximadamente 15 minutos. Primeiro, o participante fornece informações básicas de identificação. Depois, passa pelas avaliações e recebe orientação sobre os resultados.

Caso seja identificada alguma alteração, os profissionais orientarão o participante sobre a necessidade de acompanhamento.

Obesidade avança entre adultos brasileiros

A campanha ocorre em um cenário de crescimento da obesidade e de outras doenças relacionadas à condição.

Segundo os dados citados pela organização, a obesidade entre adultos brasileiros cresceu 118% entre 2006 e 2024. Em 2024, 25,7% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal apresentavam obesidade, de acordo com os dados do Vigitel 2025 mencionados no material da campanha.

No mesmo período, o diabetes aumentou 135%, o excesso de peso cresceu 47% e a hipertensão teve alta de 31%.

Outro estudo citado pela entidade, baseado no Global Burden of Disease e publicado em setembro de 2026, aponta que o índice de massa corporal (IMC) elevado se tornou o principal fator de risco à saúde no Brasil.

Entre 1990 e 2023, a prevalência de obesidade entre adultos com 25 anos ou mais passou de 7,8% para 27,7%. Considerando conjuntamente sobrepeso e obesidade, o índice chegou a 66,8%.

Avaliação individual é defendida por especialistas

Para o endocrinologista Ronaldo Pineda Wieselberg, presidente da ADJ Diabetes Brasil, a prevenção deve estar associada à avaliação individual de cada pessoa.

A entidade também destaca que o tratamento da obesidade passou a considerar não apenas a perda de peso, mas o controle de complicações metabólicas e cardiovasculares.

A nova Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) em março de 2026, estabelece como meta ideal a redução de pelo menos 10% do peso corporal e considera também medidas como a circunferência abdominal e a gordura visceral na avaliação de risco.

O tratamento, segundo a orientação apresentada pela campanha, deve ser individualizado e considerar o histórico e as condições de saúde de cada paciente.

O endocrinologista também alerta para o uso inadequado de medicamentos para emagrecimento, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras. Segundo ele, esses medicamentos podem ser eficazes para algumas pessoas, mas devem ser utilizados com indicação e acompanhamento médico.

Serviço

  • O que: avaliação gratuita de saúde e orientação sobre obesidade
  • Quando: 9 e 10 de outubro de 2026
  • Horário: das 9h às 16h
  • Onde: Estação Palmeiras-Barra Funda, São Paulo
  • Avaliações: peso, altura, circunferência abdominal e glicemia
  • Testes de glicemia disponíveis: 800, durante os dois dias
  • Duração estimada: 15 minutos

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Governo pede inclusão de canetas emagrecedoras no SUS

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Pedido foi protocolado na Conitec nesta quinta-feira (24); Ministério cita queda de 70% nos preços e aumento da concorrência entre os medicamentos GLP-1.

O Ministério da Saúde protocolou nesta quinta-feira (24) na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) um pedido para avaliar a inclusão das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe GLP-1, no SUS.

O pedido ainda não significa que os medicamentos passarão a ser distribuídos gratuitamente pela rede pública. A proposta será analisada pela Conitec, órgão responsável por avaliar tecnologias em saúde e emitir recomendação sobre sua incorporação ao sistema.

Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência da obesidade no Brasil passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Para a pasta, o avanço da doença aumenta a necessidade de acompanhamento e tratamento de longo prazo, com possíveis impactos sobre a mortalidade, a qualidade de vida e os gastos do sistema de saúde.

O governo também argumenta que houve uma mudança no cenário econômico dos medicamentos. De acordo com o Ministério da Saúde, a ampliação da concorrência provocou uma redução de 70% nos preços das canetas emagrecedoras no Brasil em menos de um ano.

O que mudou desde a análise anterior

A nova solicitação ocorre depois de uma análise anterior da Conitec sobre medicamentos da classe. Em 2025, a comissão recomendou a não incorporação da liraglutida para o tratamento de pacientes com obesidade e diabetes mellitus tipo 2.

No caso da semaglutida para uma indicação específica de pacientes com obesidade grave e doença cardiovascular, a Conitec também havia emitido recomendação inicial pela não incorporação.

Agora, o Ministério da Saúde sustenta que o cenário de preços e de oferta mudou. A pasta solicita a avaliação de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida, princípios ativos sem proteção de patente, segundo o governo.

Critérios deverão definir quem terá acesso

Caso a incorporação seja aprovada, o tratamento não deverá ser disponibilizado indistintamente para qualquer pessoa com excesso de peso.

O Ministério da Saúde afirma que uma eventual incorporação será acompanhada de critérios clínicos para definir os pacientes que poderão receber os medicamentos. A proposta é concentrar o tratamento nos casos em que o controle da obesidade possa produzir benefícios relevantes para a saúde, reduzir complicações ou evitar procedimentos de maior complexidade.

O governo também cita uma diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicada no fim de 2025 sobre o uso de terapias baseadas em GLP-1 para o tratamento de longo prazo da obesidade. A organização destaca a necessidade de ampliar o acesso de forma equitativa e preparar os sistemas de saúde para a utilização desses medicamentos.

Brasil amplia oferta de medicamentos GLP-1

Segundo o Ministério da Saúde, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026. A expansão inclui medicamentos produzidos no Brasil e versões genéricas.

A estratégia de ampliação da concorrência também vem sendo acompanhada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em julho, a agência aprovou cinco novos medicamentos à base de semaglutida.

Paralelamente, o Ministério da Saúde mantém um estudo com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras morbidades. A pesquisa avalia o uso de semaglutida em pessoas que estão na fila para cirurgia bariátrica e deve ajudar a definir como o tratamento pode ser utilizado na rede pública.

A análise da Conitec será a próxima etapa para definir se os medicamentos poderão, de fato, ser incorporados ao SUS.

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Obesidade triplica no Brasil e já atinge 27,7% dos adultos

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Estudo do Global Burden of Disease aponta que a taxa passou de 7,8% para 27,7% entre 1990 e 2023; excesso de peso chegou a 66,8%.

A prevalência de obesidade entre adultos brasileiros com 25 anos ou mais mais do que triplicou entre 1990 e 2023, passando de 7,8% para 27,7%, segundo estudo da série Global Burden of Disease (GBD) publicado neste mês pela revista The Lancet.

O levantamento aponta que o Brasil teve o maior crescimento da prevalência de obesidade entre os 17 países latino-americanos analisados.

Quando são considerados conjuntamente sobrepeso e obesidade, classificados como excesso de peso, o avanço também é expressivo. A proporção passou de 40,3% em 1990 para 66,8% em 2023. Isso significa que cerca de dois em cada três brasileiros com 25 anos ou mais estavam acima do peso considerado adequado para a altura naquele ano.

Na comparação com outros países da América Latina, Brasil e Colômbia apresentaram o maior crescimento da parcela da população com excesso de peso, de 69%, enquanto a média da região foi de 47% no período analisado.

Mudança no padrão alimentar

Para Deborah Carvalho Malta, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das autoras do estudo, a evolução está relacionada a mudanças no padrão alimentar e na prática de atividades físicas.

O Brasil passou, nas últimas décadas, por uma transição nutricional marcada pela redução da desnutrição, ao mesmo tempo em que aumentou a presença de alimentos de menor qualidade nutricional na alimentação da população.

Segundo a pesquisadora, alimentos ultraprocessados ganharam espaço em substituição a opções consideradas mais saudáveis. Entre os fatores apontados estão o preço, a facilidade de preparo e a ampla publicidade desses produtos.

Ela também cita mudanças no consumo de alimentos tradicionais, como o feijão, fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais.

Além da alimentação, o aumento do sedentarismo é apontado como outro fator relacionado ao avanço do excesso de peso. A maior exposição a celulares, computadores e televisão também está associada à redução da prática de atividades físicas.

Impactos começam ainda na infância

O avanço da obesidade preocupa especialmente quando o excesso de peso começa durante a infância. Segundo Malta, crianças com obesidade apresentam maior predisposição para permanecer com o problema na vida adulta e desenvolver doenças crônicas.

O excesso de peso está associado a enfermidades como doenças cardiovasculares, renais e osteomusculares, além de diferentes tipos de câncer. A pesquisadora também chama atenção para possíveis impactos sobre a autoestima e o bem-estar psicológico.

Por isso, a prevenção precisa começar ainda nos primeiros anos de vida, com incentivo à alimentação adequada, atividade física e hábitos saudáveis.

Entre as medidas defendidas pela pesquisadora estão políticas de estímulo ao consumo de alimentos saudáveis, mudanças na tributação de produtos ultraprocessados e ações de promoção da alimentação adequada nas escolas.

O incentivo ao aleitamento materno e a oferta de alimentos saudáveis na merenda escolar também são apontados como medidas importantes para enfrentar o avanço do excesso de peso.

O que os números mostram

Em 1990, a obesidade atingia 7,8% dos brasileiros com 25 anos ou mais.

Em 2023, o índice chegou a 27,7%.

No mesmo período, a prevalência de excesso de peso, que reúne sobrepeso e obesidade, passou de 40,3% para 66,8%.

Os números mostram uma mudança significativa no perfil nutricional da população brasileira ao longo de três décadas e colocam o avanço da obesidade entre os principais desafios de saúde pública do país.

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SUS testa caneta emagrecedora em pacientes com obesidade grave

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Estudo acompanha 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças para avaliar se a semaglutida pode reduzir a necessidade de cirurgia e outros riscos à saúde.

Enquanto o debate sobre a chegada das chamadas “canetas emagrecedoras” ao Sistema Único de Saúde (SUS) ganha espaço, o Ministério da Saúde iniciou uma etapa que pode ser decisiva para definir como esses medicamentos serão utilizados na rede pública.

Desde junho, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, acompanha pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças que têm indicação para cirurgia bariátrica. O estudo, chamado Real-Bari, utiliza semaglutida, um dos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, e deve acompanhar cerca de 250 pacientes.

A principal questão é saber se o tratamento medicamentoso consegue produzir uma resposta clínica suficiente para mudar a trajetória de parte desses pacientes, inclusive aqueles que estão na fila para a cirurgia bariátrica.

O estudo também pretende avaliar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento para verificar como uma eventual utilização desses medicamentos poderia ser aplicada na realidade do SUS. Os primeiros resultados mais amplos são esperados para 2027.

Primeiro paciente perdeu 6 kg

O Ministério da Saúde apresentou o caso do primeiro paciente que recebeu a semaglutida dentro do protocolo do GHC. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o paciente estava na fila para cirurgia bariátrica e perdeu 6 quilos, além de apresentar redução da circunferência abdominal.

O ministro também relatou que o paciente afirmou ter mudado hábitos de vida, passando a realizar mais atividades físicas. O resultado, porém, é uma observação inicial e não representa, isoladamente, a conclusão do estudo.

O acompanhamento de 250 pessoas permitirá avaliar os efeitos do tratamento de maneira mais ampla e estabelecer critérios para o acompanhamento médico dos pacientes.

O que o SUS está tentando descobrir

A estratégia não se resume à perda de peso.

Entre os pontos que serão avaliados estão a possibilidade de controlar casos graves de obesidade, reduzir a necessidade de cirurgia bariátrica e verificar eventuais impactos sobre outras condições associadas à obesidade.

O Ministério da Saúde também aponta que o estudo avaliará aspectos econômicos e operacionais. Isso é relevante porque a eventual oferta em escala nacional depende não apenas da eficácia clínica, mas também de critérios de indicação, acompanhamento e sustentabilidade para o sistema público.

Canetas ainda não são oferecidas de forma ampla pelo SUS

Apesar dos anúncios sobre a preparação da oferta, as canetas à base de GLP-1 ainda não fazem parte de uma distribuição ampla e regular pelo SUS.

Em julho, o Ministério da Saúde informou que a semaglutida ainda estava sob análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Naquele momento, a pasta destacou que os medicamentos da classe ainda não eram oferecidos pelo SUS de forma geral.

A Conitec já analisou anteriormente uma proposta específica para utilização da semaglutida em pacientes com obesidade grau II e III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e doença cardiovascular estabelecida. A recomendação publicada em 2025 foi pela não incorporação para aquela indicação específica.

Isso significa que a experiência atualmente conduzida pelo GHC é especialmente relevante para a discussão sobre quais pacientes poderão ser beneficiados e em quais condições caso a tecnologia venha a ser incorporada ao SUS.

Produção nacional também entra na estratégia

Paralelamente ao estudo clínico, o governo federal trabalha para ampliar a oferta de medicamentos da classe GLP-1 no mercado brasileiro.

Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia estimulou empresas a apresentar projetos para produção nacional de canetas com esses princípios ativos. A pasta afirma que a entrada de novos produtos contribuiu para aumentar a concorrência e já resultou em medicamentos registrados com preços até 70% menores.

A redução dos preços é considerada pelo governo um dos fatores necessários para ampliar o acesso e viabilizar uma eventual incorporação desses medicamentos ao sistema público.

Por enquanto, portanto, a principal notícia não é apenas que as chamadas canetas emagrecedoras poderão chegar ao SUS. O que está em teste é uma nova estratégia para tratar pacientes com obesidade grave e avaliar se, em determinados casos, o medicamento pode evitar ou adiar uma cirurgia bariátrica.

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Foto: Fernando Frazão/ABR

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Mais de 60% dos brasileiros estão acima do peso e obesidade avança como problema de saúde pública

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Mais de seis em cada dez brasileiros estão acima do peso recomendado para a altura, segundo o relatório Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde. Realizada por meio de entrevistas telefônicas, a pesquisa é uma das principais referências sobre hábitos de saúde no país e aponta um cenário que vai além da estética, configurando um desafio crescente para o sistema público de saúde.

O levantamento acompanha os índices de sobrepeso e obesidade desde 2006. Naquele ano, a taxa era de cerca de 42,6%. Em 2024, o percentual chegou a 62,6%, evidenciando um crescimento expressivo ao longo de 18 anos. Apenas entre 2023 e 2024, houve aumento de 1,2 ponto percentual, o que reforça a tendência de avanço contínuo do problema.

Para o médico clínico Marcelo Bechara, especialista em ciência da obesidade, o quadro já pode ser classificado como epidêmico. Segundo ele, a principal preocupação não está apenas no excesso de peso, mas nas doenças associadas à condição. “Veremos cada vez mais casos de hipertensão, infarto, AVC, diabetes, esteatose hepática e até alguns tipos de câncer. O sistema de saúde tende a ficar mais sobrecarregado, com custos maiores e mais dificuldade para garantir atendimento adequado à população”, avalia.

O Vigitel também identificou mudanças nos padrões de atividade física da população. Atividades simples, como caminhadas e deslocamentos a pé, caíram de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em sentido oposto, a proporção de adultos que praticam atividade física moderada no tempo livre aumentou 42%, indicando uma mudança no tipo de exercício adotado pelos brasileiros.

Em meio à popularização de medicamentos para emagrecimento, Bechara ressalta que hábitos básicos ainda têm impacto relevante na redução do sobrepeso. De acordo com o especialista, a prática regular de atividade física, associada a uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, verduras, legumes, vegetais e fibras, além do controle do estresse e de um sono adequado, contribui diretamente para o bom funcionamento do organismo. Ele alerta ainda que o uso de fármacos deve ocorrer apenas quando indicado, sempre com acompanhamento médico.

O relatório reforça a necessidade de políticas públicas e ações preventivas para conter o avanço da obesidade no Brasil, considerada hoje um dos principais fatores de risco para doenças crônicas e para o aumento da pressão sobre o sistema de saúde.

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Foto: Freepik

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Obesidade infantil cresce no Brasil e especialistas alertam para riscos metabólicos e hormonais

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A obesidade infantil tem avançado de forma preocupante no Brasil, trazendo riscos que vão além do futuro. Especialistas apontam que alterações metabólicas, hormonais e cardiovasculares já podem surgir na infância, tornando essencial o acompanhamento médico desde cedo.

Segundo a endocrinologista pediátrica Patrícia Amorim, do Sabin Diagnóstico e Saúde, exames laboratoriais como hemograma completo, glicemia de jejum, perfil lipídico, análise de urina e dosagens hormonais podem ser necessários mesmo em crianças sem sintomas aparentes. “Eles ajudam a identificar alterações que ainda não se manifestaram clinicamente, principalmente quando há histórico familiar de obesidade ou doenças metabólicas”, explica.

O excesso de peso também pode afetar o desenvolvimento sexual. “A gordura corporal em excesso pode antecipar o surgimento de pelos pubianos, brotos mamários ou até menstruação precoce. Isso exige investigação hormonal adequada para descartar causas patológicas”, alerta Amorim.

Estudos reforçam a gravidade do problema. O Atlas Mundial da Obesidade 2024 mostra que 34% das crianças e adolescentes brasileiros entre 5 e 19 anos têm sobrepeso ou obesidade. A projeção para 2035 é ainda mais alarmante: metade dessa população pode ser afetada.

As principais causas são má alimentação, sedentarismo e uso excessivo de telas. “Após a pandemia, observamos uma redução drástica nas atividades físicas das crianças, o que impactou diretamente no ganho de peso”, afirma a endocrinologista.

Além de exames e acompanhamento médico, a prevenção passa por mudanças de hábitos. A recomendação é que crianças pratiquem atividade física pelo menos três vezes por semana, durante uma hora, e mantenham alimentação rica em frutas, verduras, legumes e proteínas saudáveis, com restrição de ultraprocessados, bebidas açucaradas e fast food.

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Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo/Ag. Brasil

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Obesidade cresceu em crianças e adolescentes brasileiras na pandemia

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O número de crianças e adolescentes com excesso de peso aumentou no país entre 2019 e 2021, período que abrange a pandemia de covid-19. Segundo levantamento do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância – Fiocruz/Unifase), houve crescimento de 6,08% no grupo das crianças de até 5 anos de idade. Entre aqueles com 10 a 18 anos, o crescimento foi de 17,2%. O excesso de peso inclui tanto os casos de sobrepeso como os de obesidade. 

Os dados do estudo são baseados no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan-WEB), ferramenta que monitora indicadores de saúde e nutrição. Segundo os pesquisadores, a diminuição de exercícios físicos e o desajuste na alimentação são as principais explicações para os problemas de peso.

“A obesidade infantil e de adolescentes no Brasil ainda é uma grande preocupação de saúde pública. Apesar de observarmos uma queda nos últimos anos, o Brasil ainda possui números acima da média global e da América Latina. Nos anos de pandemia, observamos um aumento nos índices de obesidade infantil, possivelmente como consequência do aumento no consumo de ultraprocessados durante o período de isolamento”, explica Cristiano Boccolini, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e coordenador do Observa Infância. 

Pós-pandemia

O cenário começa a melhorar no período seguinte, entre 2021 e 2022, mas ainda com percentuais altos. O número de crianças com excesso de peso teve um recuo de 9,5% e o de adolescentes queda de 4,8%. Em 2022, a taxa de crianças de até cinco anos com excesso de peso era de 14,2%. A de adolescentes estava em 31,2%.  

O último grupo é o que mais preocupa os pesquisadores do Observa Infância. Pelas análises das séries históricas, há uma tendência de queda do problema entre as crianças, principalmente depois do período de isolamento. Mas entre os adolescentes, a queda aconteceu apenas entre 2021 e 2022. No longo prazo, a tendência é de crescimento do excesso de peso. 

A comparação com outros países mostra que a situação no Brasil é mais crítica. Aqui, em 2022, há três vezes mais crianças com excesso de peso do que a média global (14,2% no Brasil e 5,6% na média global). Sobre os adolescentes, a média nacional é quase o dobro da global: 31,2% contra 18,2%. 

“Acreditamos que os altos números da obesidade infantil no Brasil devem muito à falta de regulação dos alimentos ultraprocessados no país. A partir de outubro de 2023 passa a vigorar plenamente a nova rotulagem frontal dos alimentos industrializados, indicando os excessos de sal, gorduras saturadas e açúcares na parte frontal das embalagens. As crianças são muito suscetíveis a esses produtos e acreditamos que a implementação dessa política terá algum impacto nos números de obesidade a partir deste ano”, diz Boccolini.

“Este estudo serve como um chamado à ação para políticas públicas, profissionais de saúde, escolas e famílias para redobrar os esforços na luta contra a obesidade infantil, garantindo um futuro mais saudável para as crianças do Brasil.” 

Leia também: Funcionários do Metrô de São Paulo confirmam greve para próxima terça-feira (28)


Fonte / Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

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Anvisa aprova o primeiro medicamento injetável contra a obesidade

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última segunda-feira (2) o Wegovy (semaglutida 2,4mg), primeiro medicamento injetável contra a obesidade. De acordo com os estudos, o remédio possibilitou uma redução de 17% do peso corporal dos pacientes, em média.

O GLP-1, hormônio encontrado em grandes quantidades no intestino dos seres humanos, é análogo à semaglutida. Sempre que a pessoa se alimenta, é ele que sinaliza ao cérebro que é preciso reduzir a fome do indivíduo.

Bem como a redução da fome, o GLP-1 também é responsável por retardar o esvaziamento do estômago e aumentar a produção de insulina, que por sua vez absorve a glicose nas células.

A injeção liberada pela Anvisa deve ser aplicada semanalmente para o tratamento da doença.

Leia também:


Fonte: TV Cultura

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Consumo de ultraprocessados aumenta o risco de obesidade em jovens

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O consumo de alimentos ultraprocessados pode aumentar em 45% o risco de obesidade para adolescentes, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de São Paulo e publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics.

A pesquisa apontou ainda que uma alimentação com alto consumo desse tipo de produto aumenta em 52% o risco de acúmulo de gordura abdominal e em 63% a chance para gordura visceral, entre os órgãos internos.

O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Participaram do estudo 3.580 adolescentes com idade entre 12 e 19 anos nos Estados Unidos. As entrevistas e exames foram conduzidos entre 2011 e 2016. Os jovens foram entrevistados de forma qualitativa, em um método que relembra toda a alimentação da pessoa nas últimas 24 horas.

Daniela Neri, uma das responsáveis pelo estudo, disse que foram feitas duas entrevistas com cada adolescente, em geral, sendo uma em um dia útil e outra no fim de semana. Dessa forma, de acordo com a pesquisadora, é possível ter um panorama da alimentação no cotidiano do jovem. “Um entrevistador treinado pergunta tudo o que ele consumiu nas últimas 24 horas por refeição, como foi preparado, horário consumido. É um dos métodos com menor erro para avaliar consumo”, explicou.

Os adolescentes passaram também por exames que mediram a massa corporal e o acúmulo de gordura no abdome e nos órgãos internos. Daniela Neri enfatiza que a gordura visceral aumenta o risco para diversas doenças.

A partir dos dados coletados, os jovens foram distribuídos entre três grupos, dos que menos consumiam os ultraprocessados aos que mais tinham esses alimentos na dieta. “A gente conseguiu observar que a partir do aumento do consumo desse alimentos no peso da dieta, havia maior risco de obesidade”, disse a pesquisadora.

Gordura e açúcar

Daniela Neri disse que os alimentos ultraprocessados têm muito pouco conteúdo nutricional, mas são mais atrativos, especialmente para crianças, por terem sabores, cores e texturas feitos para agradar. “São formulações de substâncias obtidas a partir do fracionamento de alimentos frescos”, disse dando como referência produtos como refrigerantes, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, salgadinhos e alimentos congelados.

Apesar do uso de alimentos frescos na produção, a pesquisadora alerta que o resultado final são produtos muito calóricos e com quantidades altas de sal, gorduras e açúcar. “Muito pouco do alimento fresco fica nessas formulações. Elas incluem açúcar, óleos e gorduras também. São acrescidos de muitas substâncias que são de uso exclusivo industrial, como concentrados de proteína, gordura hidrogenada e amidos modificados”, disse.

Para os jovens, os efeitos de um alto consumo desse tipo de produto são, segundo a pesquisadora, ainda maiores do que em adultos. “É uma fase de crescimento, desenvolvimento da criança. Então, o impacto é muito grande”.


Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil – Foto: Rovena Rosa

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Dormir pouco pode gerar ganho de peso, diz especialista

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A falta de noites bem dormidas pode gerar ganho de peso, aumento da vontade de comer e diminuição da sensação de saciedade. Segundo alerta do Instituto do Sono, por ocasião do Dia Mundial da Obesidade, celebrado hoje (4), os impactos negativos no organismo decorrentes da falta de sono ocorrem em pessoas de todas as idades, principalmente pela desregulamentação metabólica.

“Tem se comprovado nos últimos anos, cada vez mais, tanto em crianças ou adolescentes quanto em adultos, que dormir pouco tem suas consequências. E uma delas é o ganho de peso”, destaca a especialista em Medicina do Sono e pesquisadora do Instituto do Sono, Érika Treptow.

“Um dos motivos [para o ganho de peso] é que a gente desregula o organismo. Algumas substâncias começam a ser produzidas de maneira que não é o normal. Por exemplo, há uma substância chamada grelina, que está associada à vontade de comer, e ela aumenta bastante [com a falta de sono]. Apenas uma noite que a gente dorme pouco já é o suficiente para aumentar essa substância”, afirma.

Além da elevação da grelina, a falta de sono pode reduzir a produção da leptina, que é o hormônio associado à saciedade, ressalta a pesquisadora. Estudo publicado em 2022 na revista científica JAMA Internal Medicine, mostrou que o aumento de 90 minutos de sono por noite foi capaz de reduzir em 270 Kcal a ingestão calórica diária, o que, a longo prazo, pode resultar em perda de peso significativa.

Segundo a pesquisadora, o sono insuficiente também encurta o jejum que ocorre quando o corpo está adormecido. “Quem acaba dormindo menos tem tempo maior, oportunidade maior, número maior de horas em que pode se alimentar. O dormir menos também dá muito cansaço, então a pessoa tem dificuldade maior de realizar exercícios, por exemplo”.

Mas não é somente a falta de sono que acaba por gerar ganho de peso. O contrário também pode ocorrer. De acordo com Treptow, o excesso de gordura pode atrapalhar o sono. “Quando a gente ganha muito peso, principalmente dependendo do local onde esse peso se acumula, há tendência ao ronco, à apneia do sono e a um sono de pior qualidade”.

Para melhorar o sono, a especialista recomenda, principalmente, a regularidade dos horários de dormir. “Nosso organismo funciona conforme um ritmo e esse ritmo é ditado, principalmente, pelo nosso horário de dormir, de levantar, pelo horário das nossas refeições e pela luminosidade que a gente recebe durante o dia”.

“Todas as células do organismo funcionam conforme esse ritmo. A partir do momento em que eu durmo a cada dia num horário diferente, essa saída do ritmo provoca maior chance de doenças”, ressalta.

Érika Treptow orienta as pessoas a não se alimentarem, ingerirem bebidas alcoólicas ou estimulantes em horário próximo ao de dormir. O indicado é realizar uma refeição leve no período noturno. “As pessoas não devem também levar os problemas para a cama. Uma dica que a gente dá é ter um diário de preocupações, onde a pessoa anota tudo aquilo com que está preocupada, é como se esvaziasse a cabeça e conseguisse ir pra cama dormir”.

De acordo com a pesquisadora, outra dica importante é sair da cama, caso a pessoa acorde no meio da noite e não consiga mais dormir. “Tome um copo d’água, vá ao banheiro e depois você volta a dormir. Porque ficar fritando na cama, como algumas pessoas dizem, também reduz a chance de trazer qualidade boa do sono”.

Um ambiente adequado também é recomendado. O quarto deve ter pouca luminosidade, pouco barulho, uma temperatura boa. “Isso, agora no verão, a gente vê como prejudica para adormecer”.


Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil – Foto:

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