Maternidade ainda afasta mulheres da universidade e MEC amplia apoio

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A rotina de milhares de brasileiras dentro das universidades vai muito além das salas de aula. Entre provas, pesquisas, artigos e jornadas de estudo, muitas precisam dividir o tempo com a criação dos filhos, tarefas domésticas e trabalho. Para parte dessas mulheres, a maternidade acaba se tornando um obstáculo silencioso na permanência acadêmica, provocando atrasos na formação, queda na produção científica e até abandono dos cursos.

Nos últimos anos, universidades e órgãos ligados ao governo federal passaram a discutir com mais intensidade os impactos da maternidade na vida acadêmica. O debate ganhou força após pesquisas apontarem que mulheres enfrentam dificuldades muito maiores para manter a produtividade universitária após a chegada dos filhos, realidade que ainda afeta desde estudantes da graduação até pesquisadoras da pós-graduação.

Levantamentos do movimento Parent in Science mostram que a produção científica feminina sofre uma queda acentuada após a maternidade, principalmente na publicação de artigos, participação em pesquisas e orientação acadêmica. O cenário expôs um problema antigo das universidades brasileiras: a falta de estrutura voltada para mães estudantes e pesquisadoras.

Na tentativa de reduzir esse impacto, o Ministério da Educação (MEC) vem ampliando programas de apoio e permanência estudantil. Uma das medidas mais recentes foi a criação do Programa Aurora, iniciativa da Capes voltada a professoras orientadoras que estejam grávidas ou sejam mães de crianças pequenas. A proposta prevê apoio acadêmico durante a gestação e os primeiros anos da criança para evitar interrupções em pesquisas e atividades científicas.

A criação do programa também evidencia uma mudança gradual dentro das instituições de ensino, que passaram a reconhecer a maternidade como uma questão diretamente ligada à permanência universitária e à desigualdade de gênero na produção científica.

Atualmente, mulheres representam a maioria dos bolsistas de mestrado e doutorado da Capes no país. Mesmo assim, especialistas apontam que ainda existem barreiras estruturais importantes dentro do ambiente acadêmico, especialmente para mães que precisam conciliar estudo, trabalho e cuidados familiares sem rede de apoio.

Além da pós-graduação, as ações começaram a chegar também aos estudantes da graduação. Programas de assistência estudantil passaram a incluir auxílio-creche, apoio alimentar, moradia adaptada para famílias e iniciativas voltadas à permanência de universitários com filhos pequenos.

Em algumas universidades federais, mudanças práticas já começaram a aparecer. Restaurantes universitários receberam estruturas para alimentação infantil, moradias estudantis passaram por adaptações e espaços de acolhimento para crianças começaram a ser implantados dentro dos campi.

Entre essas iniciativas estão as cuidotecas, espaços criados para receber filhos de estudantes durante aulas e atividades acadêmicas. O projeto surgiu em uma universidade federal do Rio de Janeiro e deve ser ampliado para outras regiões do país nos próximos anos. A proposta é permitir que mães e pais consigam continuar frequentando aulas e pesquisas sem precisar abandonar a formação acadêmica.

Outra frente recente envolve o combate à discriminação relacionada à maternidade dentro das universidades. Uma lei sancionada pelo governo federal passou a proibir restrições contra estudantes e pesquisadoras grávidas ou mães em processos de bolsas acadêmicas e seleção universitária.

O avanço das medidas ocorre em meio ao aumento da pressão por ambientes universitários mais inclusivos e preparados para lidar com realidades que vão além do desempenho acadêmico. Para especialistas da área educacional, garantir permanência não significa apenas oferecer acesso à universidade, mas criar condições para que estudantes consigam concluir a formação com dignidade e suporte adequado.

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Foto: Rodrigo Resende/Rádio Senado – Divulgação MEC

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Menos de 40% dos alunos valorizam professores, aponta pesquisa do MEC

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Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) revelou que menos de 40% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental valorizam seus professores. O levantamento, que ouviu mais de 2 milhões de estudantes de 21 mil escolas públicas em todo o Brasil, foi realizado em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Itaú Social.

Alerta para a qualidade da educação

Os resultados da pesquisa acendem um alerta para gestores e especialistas em educação. O distanciamento entre alunos e professores pode comprometer a qualidade da aprendizagem e a permanência dos estudantes nas escolas. A pesquisa buscou entender a opinião dos alunos sobre diversos aspectos da vida escolar, incluindo a importância dos professores na formação pessoal e acadêmica.

Os dados mostram que a percepção dos alunos sobre a escola varia conforme a série. Estudantes do 8º e 9º anos tendem a ter uma visão menos positiva da escola em comparação aos alunos do 6º e 7º anos. Essa diferença de percepção pode estar relacionada a fatores como a pressão acadêmica e as mudanças na adolescência.

Confiança nas relações escolares

Outro dado relevante da pesquisa indica que 75% dos alunos do 6º e 7º anos confiam em pelo menos um adulto na escola. No entanto, esse número cai para 45% entre os estudantes do 8º e 9º anos. Essa diminuição na confiança pode refletir um ambiente escolar menos acolhedor para os alunos mais velhos, o que pode impactar diretamente sua motivação e engajamento.

A valorização dos professores também apresenta uma queda significativa. Enquanto 39% dos alunos do 6º e 7º anos afirmam respeitar e valorizar seus docentes, apenas 26% dos alunos do 8º e 9º anos compartilham dessa opinião. Essa realidade evidencia os desafios enfrentados na construção de uma relação saudável entre alunos e educadores.

Caminhos para a valorização

Diante desses dados, é essencial que gestores e educadores reflitam sobre estratégias para melhorar a relação entre alunos e professores. A promoção de um ambiente escolar mais inclusivo e a valorização do trabalho docente são fundamentais para reverter esse quadro. Programas de formação continuada para professores e ações que incentivem a participação dos alunos nas decisões escolares podem ser caminhos viáveis.

A pesquisa destaca a importância de ouvir a voz dos estudantes para aprimorar a educação e garantir que todos se sintam valorizados no ambiente escolar. A construção de uma relação de respeito e confiança é crucial para o desenvolvimento educacional e emocional dos alunos.


Foto: GESP

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MEC divulga novos prazos de inscrição para o Sisu, Prouni e Fies

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O Ministério da Educação disponibilizou na internet os editais dos primeiros processos seletivos de 2023 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Para acessar informações sobre os três programas, os estudantes devem utilizar o Portal Acesso Único. Os calendários de inscrições foram antecipados, conforme anúncio feito em dezembro pelo MEC.

O novo prazo de inscrição para o Sisu é de 16 a 24 de fevereiro de 2023. O resultado será divulgado no dia 28 de fevereiro. Antes, o resultado estava previsto para sair em 7 de março. As inscrições para o Prouni serão abertas no dia 28 de fevereiro e vão até o dia 3 de março. E para o Fies, terão início no dia 7 de março e terminarão no dia 10 do mesmo mês.

Segundo o MEC, em todos os processos seletivos a classificação tem por base a nota obtida na edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2022.

“Para o Prouni, serão válidas também as notas obtidas no Enem de 2021. Já no Fies, quem concorreu a uma das edições do Enem a partir de 2010 até a mais recente, poderá se inscrever”, informou o Ministério da Educação.

Veja as datas

Sisu

Inscrições: 16 a 24 de fevereiro

Resultado: 28 de fevereiro

Prouni

Inscrições: 28 de fevereiro a 3 de março

Resultados: 7 de março (1ª chamada); e 21 de março (2ª chamada)

Fies

Inscrições: 7 a 10 de março

Resultado: 14 de março.

Leia também: Barueri: Unidades da Prefeitura recebem tablets para auxiliar na tradução de Libras


Por Pedro Peduzi – Repórter da Agência Brasil – Foto: Arquivo/Ag. Brasil

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Prefeitos confirmam pedidos de propina em troca de verbas no MEC

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Em audiência pública na Comissão de Educação do Senado, nesta terça-feira (5), prefeitos de três municípios confirmaram aos senadores que foram abordados por pastores que pediam o pagamento de propina em troca da liberação de verbas do Ministério da Educação (MEC). A intermediação, segundo eles, teria sido feita pelos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, ligados à Igreja Ministério Cristo para Todos, de Goiânia (GO).

Segundo o relato do prefeito de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), ele foi procurado em abril do ano passado, quando estava em Brasília para participar de um evento no MEC com a presença do então ministro da pasta Milton Ribeiro e de diversos prefeitos. Um grupo de 20 a 30 pessoas foi almoçar, sem a presença do ministro, no restaurante Tia Zélia. Nesse local, Braga disse que foi questionado pelo pastor Arilton Moura sobre quais seriam as demandas do município.

O pastor teria orientado o prefeito de Luis Domingues a pagar R$ 15 mil “para protocolar o pedido no MEC”. Além disso, após a liberação dos recursos, Arilton Moura teria dito que o prefeito deveria lhe dar “1 quilo de ouro”.

“Ele disse que tinha que ver a nossa demanda. De R$ 10 milhões ou mais, tinha que dar R$ 15 mil para ele protocolar [no MEC]. E, na hora que o dinheiro já estivesse empenhado, era para dar um tanto X. Para mim, como a minha região era área de mineração, ele pediu um quilo de ouro”, contou.

Diante do pedido, o prefeito acrescentou que não disse “nem que sim, nem que não” e foi almoçar. Segundo Braga, o pagamento não foi feito nem as demandas liberadas.

Outro prefeito, Kelton Pinheiro (Cidadania), de Bonfinópolis (GO), também deu detalhes aos senadores de uma situação semelhante. À Comissão, ele disse que os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos teriam cobrado propina de R$ 15 mil para viabilizar a construção de uma escola com 12 salas, orçada em R$ 7 milhões, no município. A abordagem também ocorreu em um almoço com prefeitos que estavam em Brasília.

“O pastor Arilton chegou na minha mesa e me abordou de uma forma muito abrupta e direta: ‘Olha prefeito, vi que no seu ofício o senhor pede a escola de 12 salas. Essa escola deve custar uns R$ 7 milhões. Mas é o seguinte, eu preciso de R$ 15 mil na minha mão hoje, você faz a transferência para a minha conta. Para depois não cola comigo, porque vocês políticos. São um bando de malandros, que não tem palavra’. Aquilo me deu ânsia de vômito”, disse o prefeito Kelton Pinheiro aos parlamentares.

O prefeito de Boa Esperança do Sul (SP), José Manoel de Souza (PP), foi mais um a denunciar a cobrança de propina dos pastores. No caso dele, o valor pedido – em março do ano passado – foi ainda maior, cerca de R$ 40 mil. No encontro, estariam presentes o ex-ministro, os dois pastores e o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Lopes da Ponte.

“O pastor Arilton me disse: ‘Prefeito, você sabe muito bem como funciona, né? Não dá pra ajudar todos os municípios, mas eu consigo te ajudar com uma escola profissionalizante. Eu faço um ofício agora, eu coloco no sistema e, em contrapartida, você deposita R$ 40 mil na conta da igreja evangélica’”, relata. “Eu então bati nas costas dele [Arilton] e falei que para mim não serviria”, completou.

Livre acesso

Segundo as denúncias, mesmo sem cargos formais, os pastores tinham livre trânsito no ministério e intermediavam os pleitos de prefeituras junto a Ribeiro. O ministro deixou o comando da pasta após a divulgação de áudios em que ele afirma dar “prioridade” no repasse de verbas do FNDE aos “prefeitos que são amigos do pastor Gilmar Santos”. Ribeiro diz que a prioridade atende a um pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Na próxima quinta-feira (7) a Comissão de Educação ouve os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. Enquanto Milton Ribeiro ainda estava no cargo, o colegiado aprovou um convite para que ele comparecesse ao Senado. A audiência seria na semana passada, mas diante da exoneração de Ribeiro, ele não compareceu nem justificou sua ausência.

Histórico

As denúncias, que surgiram na imprensa em março, levaram à queda de Milton Ribeiro, que também é pastor protestante, no último dia 28. Em sua defesa, o ex-ministro afirmou que não praticou atos ilícitos.

“Tenho plena convicção de que jamais pratiquei qualquer ato de gestão que não fosse pautado pela legalidade, pela probidade e pelo compromisso com o Erário. As suspeitas de que foram cometidos atos irregulares devem ser investigadas com profundidade”, destacou. 

Ele acrescentou que decidiu solicitar ao presidente Bolsonaro a exoneração do cargo de ministro para que não paire nenhuma incerteza sobre sua conduta e a do governo federal. “Meu afastamento visa, mais do que tudo, deixar claro que quero uma investigação completa isenta”, disse em nota.

Investigação

Milton Ribeiro é alvo de investigação por suposto favorecimento na liberação de recursos para prefeituras por meio da intermediação de dois pastores. Os religiosos também são alvo do inquérito que foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).


Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil – Foto: Geraldo Magela/AB

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