As redes sociais já fazem parte da nossa vida cotidiana. Digitalizar virou um hábito. Assim como amar, comer, beber, andar, correr, jogar, gastar, economizar, observar, participar e por aí vai. É fácil listar um sem-número de verbos que significam uma atividade a qual optamos ou não, praticar. De algumas atividades podemos gostar tanto que, mais do que um hábito, viram um vício. O praticante pode se tornar escravo ou escrava daquela atividade. Penso ser o pior tipo de escravidão, pois a pessoa se torna escrava, pela sua própria vontade. Como o tempo pode-se desenvolver uma idolatria pelos vícios preferidos. Sem controle, o usuário (a) pode matar ou morrer pelos seus ídolos. Rompida a barreira da razão, dos bons princípios de convivência, do equilíbrio que sustenta o discernimento, tudo pode acontecer. Apenas como um exemplo comum: a bebida alcoólica, desde a antiguidade faz parte das celebrações da sociedade humana. Festas, conquistas, celebrações, casamentos, em geral são comemorados com bebidas alcoólicas. No entanto se a pessoa se torna dependente da bebida, uma droga lícita, ela não só está pondo sua vida em risco, como pode, indiretamente, ameaçar a vida de outras pessoas. É razoável pensar que a venda e o uso de bebida alcoólica devem ter algum tipo de restrição.
No caso das redes sociais, o ponto central é que o ambiente digital, tal como está estruturado hoje, expõe o usuário a riscos psicológicos, sociais e de segurança, tanto que vários países já começaram a impor proibições e limites de uso. Pesquisas tem mostrado queo uso prolongado de redes sociais está associado à ansiedade, depressão, baixa autoestima e sensação de inadequação. Plataformas com rolagem infinita, notificações constantes e vídeos automáticos são projetadas para manter o usuário conectado por longos períodos, criando dependência comportamental e afetando a saúde mental. Passar mais de 30 horas por semana em dispositivos digitais, comprovadamente afeta o sono, a concentração e o desempenho escolar. Principalmente entre os jovens, o cuidado deve ser redobrado.
Os conteúdos a que os jovens podem estar expostos não são virtuosos, pelo contrário são violentos ou sexualizados, “fake news”, padrões irreais de beleza, grupos que incentivam autolesão ou comportamentos de risco. Organismos internacionais afirmam que algoritmos incentivam o uso contínuo, criando dependência semelhante à observada em jogos de azar, comprometendo a segurança dos menores e adolescentes. E, efetivamente, não existem restrições ao acesso digital.
O problema é tão grave que alguns países, como Austrália, França, Reino Unido, Indonésia já implementaram restrições de uso das redes sociais para menores de 15 anos. O Brasil, recentemente aprovou o chamado ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital, que não proíbe o uso, mas restringe conteúdos e exige maior transparência das plataformas.
Mas, proibir é suficiente? Pesquisadores concordam que proibições isoladas não resolvem o problema. Os jovens conseguem burlar as regras usando celulares de adultos e os limites de idade não alteram os algoritmos que tornam as plataformas viciantes. Sem mudanças estruturais nas plataformas, os adolescentes podem migrar para ambientes digitais ainda mais perigosos. A solução defendida por especialistas envolve a reformulação dos algoritmos, a redução de mecanismos viciantes, a proteção de dados desde a concepção dos aplicativos, supervisão mais ativa dos pais e responsáveis e a educação digital nas escolas. A internet oferece oportunidades valiosas, mas seus riscos para crianças e adolescentes são reais e crescentes. O movimento global de proibições mostra que governos estão reagindo, mas também evidencia que o problema é mais profundo do que simplesmente proibir o acesso. E você o que pensa sobre este tema? Você já se sente afetado (a) por este problema? Deixe seu comentário.

Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.
*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo
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