Você já ouviu falar em Tatiana Sampaio ou Jaqueline Goes de Jesus?
Provavelmente, muita gente responderá não. E esse talvez seja um dos retratos mais claros da forma como o Brasil aprendeu a medir relevância de maneira distorcida.
Vivemos em uma era em que visibilidade virou métrica de valor. Seguidores, curtidas, alcance e visualizações passaram a funcionar como indicadores automáticos de importância. Quanto maior a exposição, maior a percepção de influência. Mas visibilidade e influência não são a mesma coisa.
Visibilidade é ser visto.
Influência é gerar impacto real na vida de alguém.
Uma influenciadora digital pode mobilizar milhões de pessoas para comprar um produto em poucas horas. Isso tem valor econômico, alcance e força comercial. Mas existe outro tipo de influência, menos barulhenta e muitas vezes invisível para os algoritmos.
Tatiana Coelho de Sampaio é bióloga e pesquisadora brasileira. Chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ganhou projeção internacional ao desenvolver a polilaminina, medicamento 100% brasileiro com potencial para regenerar lesões medulares. Seu trabalho influencia diretamente a possibilidade de uma pessoa voltar a abraçar o filho, recuperar autonomia ou caminhar novamente.
Devido à relevância de sua atuação na medicina regenerativa, Tatiana Sampaio passou a ser apontada na mídia especializada como uma das cientistas brasileiras com potencial para disputar um Prêmio Nobel no futuro. Em 2025, recebeu o Prêmio Todas, da Folha de S.Paulo, em reconhecimento ao impacto científico e social de sua pesquisa.
Jaqueline Goes de Jesus é biomédica, pesquisadora e cientista brasileira reconhecida internacionalmente por coordenar a equipe responsável pelo sequenciamento genético do SARS-CoV-2 apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de COVID-19 no Brasil. O feito auxiliou diretamente pesquisas relacionadas a diagnósticos, vacinas e monitoramento do vírus.
A pesquisadora baiana possui doutorado em Patologia Humana pela UFBA e atua como professora no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Além da atuação durante a pandemia, Jaqueline também teve papel relevante no mapeamento genético do vírus da zika no Brasil e em projetos de monitoramento de patógenos.
O impacto do trabalho dessas profissionais ultrapassa audiência. Ele altera realidades. As duas são importantes. Mas apenas um tipo de influência costuma ser premiado pelas plataformas digitais. Isso acontece porque o algoritmo não mede transformação. Mede reação.
Ele privilegia quem gera engajamento rápido, compartilhamento instantâneo e permanência na tela. O mercado, por sua vez, aprendeu a confundir atenção com autoridade. O resultado é uma distorção perigosa. Pessoas extremamente relevantes podem permanecer invisíveis, enquanto figuras altamente visíveis são percebidas automaticamente como referência.
Essa lógica afeta não apenas celebridades ou cientistas. Afeta empresas, empresários, médicos, advogados, professores, consultores e qualquer profissional que dependa de reputação para crescer.
A pergunta que deveria orientar qualquer estratégia de marca hoje é simples.
Você está construindo visibilidade ou influência?
Existe uma diferença importante entre acumular audiência e construir autoridade. Seguidores podem desaparecer quando o algoritmo muda. Influência permanece porque está ligada à percepção de valor, confiança e resultado entregue.
É justamente nesse ponto que a assessoria de imprensa ganha relevância estratégica.
Enquanto as redes sociais trabalham velocidade e alcance, a assessoria atua na construção de credibilidade. Ela transforma conhecimento em narrativa pública, posiciona profissionais como fontes confiáveis e conecta experiências reais a temas de interesse coletivo.
A lógica muda completamente. Em vez de disputar apenas atenção, o profissional passa a disputar relevância.
Quando uma empresa ou especialista aparece em entrevistas, reportagens, artigos e veículos de comunicação, sua autoridade deixa de depender exclusivamente do algoritmo. A reputação passa a ser validada por contexto, consistência e reconhecimento externo.
Isso não significa abandonar as redes sociais. Significa entender que presença digital sozinha não sustenta influência de longo prazo. A construção de marca mais sólida não é necessariamente a mais barulhenta. Muitas vezes, é a mais consistente.
A influência verdadeira não nasce apenas da exposição. Nasce da capacidade de transformar percepção, gerar confiança e produzir impacto real.
E talvez esteja aí uma das maiores mudanças da comunicação atual. As marcas mais fortes do futuro provavelmente não serão apenas as mais vistas. Serão as mais lembradas quando alguém precisar confiar em uma decisão importante.

Adriana Vasconcellos Soares é jornalista formada pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Atua desde 2000 no desenvolvimento de estratégias para divulgar empresas, produtos e serviços. É sócia da Six Comunicação Integrada, agência especializada em criar mecanismos de comunicação para fortalecer marcas, gerar novos negócios e construir reputação sólida nos meios de comunicação.
Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
- Castello Branco deve receber 1,38 milhão de veículos no feriado de Corpus Christi
- Polícia descobre laboratório clandestino de canetas emagrecedoras em São Paulo
- São Paulo libera vacina da gripe para toda a população acima de 6 meses
- Mutirão oferece 100 vagas de emprego em Cajamar com salário de R$ 1,9 mil
- Barueri investe R$ 1,3 bilhão na saúde e registra 70 mil faltas em consultas e exames




