Alcoolismo mata 12 pessoas por hora no Brasil e gera custo de R$ 19 bilhões ao país

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Reconhecido como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1967, o alcoolismo provoca cerca de 3 milhões de mortes por ano no mundo, o equivalente a 5,3% do total de óbitos globais. No Brasil, são estimadas 12 mortes por hora relacionadas ao consumo de álcool, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A maior parte das vítimas no país é formada por homens pretos e pardos, com baixa renda e escolaridade, residentes nas regiões Sul e Sudeste.

Dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, apontam que o chamado “consumo episódico pesado” — ingestão excessiva de álcool em uma única ocasião — cresceu 5% entre 2006 e 2024. O aumento foi mais expressivo entre mulheres, pessoas de 25 a 44 anos e indivíduos com ensino superior completo.

Após ingerido, o álcool atinge o sistema nervoso central e compromete funções cognitivas e motoras. Entre os efeitos imediatos estão dificuldade de coordenação, visão turva, fala arrastada e prejuízo da memória. Em quadros mais graves, pode haver alucinações, alterações de humor, agressividade e surtos psicóticos. O uso abusivo prolongado também está associado a danos persistentes, mesmo após a interrupção do consumo, como perda de autocontrole e dificuldade de concentração.

Rede de apoio e recuperação

O enfrentamento do alcoolismo envolve informação, acesso a tratamento e redes de apoio. Uma das iniciativas mais conhecidas é o Alcoólicos Anônimos (A.A.), irmandade presente em 180 países que promove reuniões gratuitas de ajuda mútua.

Em São Paulo, o zelador B. Silveira, 54, relata que ingressou no programa em 2003, após anos de dependência. Ele afirma ter iniciado o consumo ainda na infância e enfrentado complicações no fígado ao longo da vida adulta. Segundo o relato, o processo de recuperação contribuiu para a reinserção no mercado de trabalho e para a reconstrução dos vínculos familiares.

Especialistas apontam que o suporte social é fator determinante para a manutenção da sobriedade e redução de recaídas.

Impacto econômico e políticas públicas

Além das consequências à saúde, o alcoolismo impõe impacto econômico significativo. Estudo do DataSUS, do Ministério da Saúde, estima custo anual de R$ 19 bilhões ao Estado. Desse total, pouco mais de R$ 1 bilhão corresponde a despesas do Sistema Único de Saúde (SUS) com internações e procedimentos. Outros R$ 18 bilhões estão relacionados a perdas de produtividade, mortalidade precoce, licenças médicas e aposentadorias antecipadas.

Entre as políticas públicas voltadas à redução de danos está a campanha “Se beber, não dirija”. Em São Paulo, a Lei 15.428/2014, de autoria do deputado Edson Giriboni, tornou obrigatória a divulgação da frase em propagandas e cardápios de bares, restaurantes e casas noturnas.

A iniciativa se soma à chamada Lei Seca (Lei Federal 11.705/2008), que endureceu penalidades para motoristas alcoolizados, ampliou a fiscalização com testes do bafômetro e reforçou operações de trânsito.

Especialistas defendem ainda a ampliação da rede de clínicas especializadas, fortalecimento de programas de reinserção social e medidas tributárias sobre bebidas alcoólicas como estratégias para reduzir a mortalidade, os acidentes e os gastos públicos associados ao consumo abusivo de álcool.

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Foto: Freepik

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