IA, FATO ou FAKE? – por Celso Tracco

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Fato: A Inteligência Artificial, a já popular IA, é parte de nosso cotidiano, não tem mais volta. Ela é cada vez mais usada em todos os ambientes e setores da nossa vida, quer seja no agronegócio, na área acadêmica, artística, cientifica, médica, transportes, literária, no lazer em casa ou fora de casa. Incorporada ao celular, podemos até não perceber, mas esta ferramenta já está influenciando nossa vida. A IA é o ápice da chamada Quarta Revolução Industrial, ou Revolução 4.0. E como aconteceu nas três Revoluções anteriores, esta também irá modificar nosso modo de viver, nossos hábitos, nossas relações interpessoais, nossos contatos com o mundo. Por isso é correto tratá-la como uma “revolução” e não apenas como uma simples evolução. O mundo mudou e continua mudando velozmente. Isto é fato. Pode ser para melhor ou para pior, não sabemos. O futuro dirá. Porém, acredito que o caminho a ser escolhido ainda vai depender da Inteligência Natural, ou seja, de nós mesmos, os humanos.

Fake: Estamos já vivendo com uma verdadeira inundação de mensagens falsas na Internet. Como desconfiamos, a mentira nasceu com a humanidade. Somos mestres, desde a mais tenra idade, na arte de enganar, manipular, mentir, dizer meias verdades, em favor de alcançarmos nossos objetivos imediatos de modo mais rápido e com menor esforço. No passado, a mentira até podia ter “pernas curtas” e não gerar maiores transtornos, MAS, com a velocidade da luz da Internet, uma mentira pode atingir milhões de pessoas em segundos, e tornar-se uma verdade. Há cerca de 100 anos atrás, o regime nazista já tinha essa prática. Hoje, no Brasil, em ano eleitoral, quando ainda estamos em fase de pré-candidaturas, temos o uso massivo da IA. E aqui, corremos, como sociedade, um grande perigo. Cito um exemplo, a postagem de uma “dona Maria”, uma mulher comum, de meia idade, negra, pobre. Em seu vídeo, “d. Maria” fazia comentários políticos bastante contundentes. “D. Maria” jamais existiu, era fake, criada pela Inteligência Artificial, assim como o cenário, a plateia, e o conteúdo de suas falas. Os vídeos foram produzidos em 2025. Segundo informações da imprensa, a conta no Instagram de “d. Maria” alcançaram cerca de 9 milhões de visualizações, mais de 700 mil seguidores e milhares de comentários. “D. Maria” 100% fake, não era uma informação, mas uma desinformação. O grande problema é que a desinformação em escala exponencial, pode causar a desconfiança que tudo é falso. Em consequência aumenta o descrédito nas instituições, na imprensa, na ciência, gerando aumento da polarização e do extremismo. Um verdadeiro caos.

Não penso que devemos demonizar a Internet e principalmente a IA. Elas são ferramentas, e como tais, devemos tomar os devidos cuidados ao usá-las. Como por exemplo desenvolver uma educação digital crítica: saber identificar manipulações, verificar as fontes da postagem, desconfiar de conteúdos “verdadeiros” por definição própria. A opinião pública deve apoiar todas as iniciativas no sentido da responsabilização das empresas de tecnologia, pelos conteúdos falsos gerados por IA. Transparência deveria ser fundamental no conteúdo das redes sociais. Podemos e devemos fortalecer nossas relações humanas; quanto mais sólida for nossa rede real, com a família, escola, trabalho, amigos, comunidade, menos espaços haverá para a manipulação digital.

A IA não é uma ameaça por existir, mas pelo uso irresponsável que pode ser feito dela. Criar pessoas e conteúdos falsos é uma das fronteiras mais perigosas dessa tecnologia, porque atinge algo básico: a nossa capacidade de confiar. A tecnologia avança rápido, mas nossa consciência crítica precisa avançar ainda mais. Este artigo foi escrito com a ajuda de IA. Aproveite seu dia.


Celso Tracco é economista, mestre em Teologia Sistemática, escritor, consultor e palestrante (www.celsotracco.com.br). Com ampla experiência como executivo em empresas nacionais e internacionais, é especialista em marketing, vendas e comportamento humano. Atuou como professor universitário e tem três livros publicados. Em sua coluna, abordará temas como política, economia e sociedade.


*Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo

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Imagem de Roman Budnikov/Unsplash

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