São Paulo tem 101 idosos para cada 100 jovens, diz Seade

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Índice de envelhecimento do Estado superou 100 em 2025; em 2000, eram 34 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos.

O Estado de São Paulo chegou a um novo marco no envelhecimento da população. Em 2025, havia 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 habitantes com menos de 15 anos, segundo dados da Fundação Seade.

O índice de envelhecimento, que mede justamente essa relação entre idosos e jovens, passou pela primeira vez da marca de 100 no Estado. Na prática, o indicador mostra que a população idosa já supera numericamente a população com menos de 15 anos.

A mudança ocorreu de forma acelerada nas últimas décadas. Em 2000, São Paulo tinha 34,1 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. O índice subiu para 53,9 em 2010, chegou a 82,3 em 2020 e alcançou 101 em 2025.

Segundo Lucia Yazaki, porta-voz da Fundação Seade, a transformação está relacionada principalmente à redução da fecundidade e ao aumento da expectativa de vida. A taxa de fecundidade no Estado está atualmente em 1,5 filho por mulher, enquanto no século passado girava em torno de quatro filhos.

Com menos crianças nascendo e mais pessoas vivendo até idades avançadas, a estrutura etária paulista também mudou. A tradicional pirâmide populacional, com uma base larga formada por crianças e um topo estreito de idosos, vem dando lugar a uma estrutura mais envelhecida.

Geração X começa a chegar aos 60 anos

Outro fator que contribui para a mudança é a chegada da geração X à faixa dos 60 anos. No Estado de São Paulo, 549 mil pessoas dessa geração alcançaram os 60 anos em 2025, segundo os dados apresentados pela Seade.

Esse grupo representa 6,6% da população idosa. Ao mesmo tempo, São Paulo possui cerca de 9,2 milhões de habitantes entre 45 e 60 anos, faixa etária que se aproxima numericamente da população idosa.

O envelhecimento da população aumenta a necessidade de adaptação das políticas públicas. Entre as áreas impactadas estão saúde, previdência, cuidados, lazer e infraestrutura.

Envelhecimento ocorre em todo o Estado

A pesquisa também aponta diferenças importantes entre as regiões paulistas. Os menores índices de envelhecimento estão concentrados principalmente no sul do Estado, enquanto municípios do norte e noroeste apresentam índices superiores a 120 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos.

Em Registro, por exemplo, são 93 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. Já em regiões como Araçatuba e Presidente Prudente, o indicador chega a 120 idosos para cada 100 crianças e adolescentes.

Segundo a Seade, as diferenças regionais estão relacionadas a indicadores como fecundidade e mortalidade, que apresentam forte relação com as condições socioeconômicas das populações locais.

Apesar das diferenças, o levantamento mostra que o envelhecimento é uma tendência presente em todo o Estado, com índices superiores aos registrados nas décadas anteriores.

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Foto: Marcelo Camargo/ABR

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Envelhecer em uma sociedade que repudia a velhice – por Dra. Vera Resende

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É desconfortável perceber que ainda existem pessoas que consideram negativa a presença de instituições destinadas ao acolhimento e cuidado de idosos em suas proximidades. Mais preocupante ainda é constatar que algumas autoridades acabam legitimando atitudes discriminatórias como essa.

A velhice não é doença. É uma etapa natural da existência humana, cuja trajetória começa no momento do nascimento. Envelhecer traz consigo experiências diversas, como serenidade, memória afetiva e amadurecimento, mas também perdas, medos e, muitas vezes, solidão. Essas questões podem se tornar ainda mais dolorosas quando o ambiente ao redor é hostil, indiferente ou negligente.

A correria da juventude faz com que muitas pessoas esqueçam que o tempo passa rapidamente. Até que, em determinado momento, percebem que o corpo já não responde com a mesma agilidade e que algumas habilidades necessárias à rotina começam a exigir mais esforço.

Os estudos em Psicogerontologia, também conhecida como Psicologia Evolutiva da Velhice, ganharam força a partir da década de 1960, especialmente em razão do aumento da expectativa de vida após a Segunda Guerra Mundial. Entre os principais desafios enfrentados pela população idosa estão a perda da atividade profissional, o enfraquecimento físico, doenças crônicas, alterações cognitivas, redução das atividades prazerosas e o medo da morte. São experiências humanas inevitáveis para aqueles que alcançam a longevidade.

Diante dessa realidade, torna-se indispensável investir na formação de profissionais preparados e na criação de políticas públicas voltadas ao cuidado dos idosos. O objetivo deve ser garantir melhor qualidade de vida tanto para eles quanto para suas famílias, favorecendo um envelhecimento mais digno e acolhido dentro das próprias comunidades.

Também é necessária uma reflexão sobre a ética do cuidado em uma sociedade marcada pelo individualismo, pela competitividade e pelo preconceito. Falta educação emocional e convivência mais respeitosa para que pessoas impacientes e agressivas aprendam a cuidar umas das outras e, consequentemente, estejam mais preparadas para lidar com as demandas da velhice.

O contexto atual de comunicação acelerada, pouca presença afetiva, mensagens curtas e respostas rápidas não pode servir de justificativa para a intolerância e a falta de respeito. Muito menos contra aqueles que chegaram antes de nós e contribuíram para a construção da sociedade em que vivemos.


Dra. Vera Resende – Psicóloga clínica (CRP 06-2353), mestre e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Com sólida trajetória acadêmica, foi professora e supervisora de estágio clínico na Unesp, ministrou aulas na pós-graduação, orientou teses, integrou grupos de pesquisa e coordenou cursos de especialização e extensão. Atuou no Instituto Sedes Sapientiae, participando de seminários e publicações na área de psicanálise da criança. Atualmente, mantém consultório próprio, oferecendo atendimentos, supervisão clínica e aperfeiçoamento para psicólogos iniciantes.


Os textos, análises e opiniões publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seu(sua) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição editorial do portal Hora de S. Paulo.

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População de SP cresce, envelhece e idosos viram maior grupo no estado

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O estado de São Paulo ganhou quase 3 milhões de habitantes em 13 anos e chegou a 46,1 milhões de pessoas em 2025, segundo dados da IBGE. O destaque é o envelhecimento da população: os idosos já são 8,07 milhões, representando 17,6% do total, a maior faixa etária do estado.

O avanço desse grupo é o mais expressivo no período. Desde 2012, a população com 60 anos ou mais cresceu 46%, indicando uma mudança estrutural no perfil demográfico paulista.

Em contrapartida, a população jovem apresentou queda. Pessoas com menos de 25 anos tiveram redução de 9,6%, enquanto a faixa de 25 a 29 anos recuou 11,6%, evidenciando um processo de envelhecimento gradual da população.

Outras faixas etárias com grande presença são os grupos de 40 a 49 anos, com 7,27 milhões (15,8%), e de 30 a 39 anos, com 7,23 milhões (15,7%), mantendo forte peso na composição populacional.

No cenário nacional, São Paulo segue como o estado mais populoso, concentrando cerca de 22% da população brasileira, que soma mais de 212 milhões de habitantes.

A distribuição por gênero permanece estável: 51% da população é feminina e 49% masculina, mesma proporção observada desde o início da série histórica.

Também houve mudanças na composição racial. A proporção de pessoas que se declaram brancas caiu de 64,2% para 56,2% entre 2012 e 2025. Já a população que se declara preta subiu de 5,6% para 8,6%, e a parda passou de 28,8% para 33,3%.

O crescimento populacional de São Paulo foi de 7% no período, ligeiramente abaixo da média nacional, que registrou alta de 8%.

O novo perfil demográfico aponta desafios e mudanças importantes para políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde, previdência e assistência social, diante do aumento da população idosa.

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Foto: Benjamim Sepulvida/PMB

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Brasil envelhece e crescimento da população desacelera, aponta IBGE

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A população brasileira segue envelhecendo e crescendo em ritmo cada vez menor, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2025, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (17).

Em 2025, o Brasil registrou 212,7 milhões de habitantes, com crescimento de apenas 0,39% em relação ao ano anterior. A taxa segue abaixo de 0,60% desde 2021, indicando desaceleração demográfica.

Os dados mostram uma mudança clara no perfil etário do país. A população com até 39 anos diminuiu 6,1% desde 2012, enquanto as faixas mais velhas cresceram. O grupo com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6% no período.

Essa transformação também aparece na pirâmide etária, que apresenta base mais estreita e topo mais largo, refletindo o envelhecimento da população.

Regionalmente, Norte e Nordeste concentram maior proporção de jovens, enquanto Sudeste e Sul apresentam maior presença de idosos, ambos com cerca de 18% da população acima de 60 anos.

A pesquisa também aponta mudanças no perfil racial. A população que se declara branca caiu de 46,4% em 2012 para 42,6% em 2025. Já a população preta cresceu de 7,4% para 10,4% no mesmo período.

Outro destaque é o aumento de pessoas que vivem sozinhas. Em 2025, os domicílios unipessoais chegaram a 19,7%, frente a 12,2% em 2012.

No campo da habitação, cresceu o número de imóveis alugados, que atingiram 23,8%, enquanto os domicílios próprios quitados caíram para 60,2%.

Em relação à infraestrutura, o acesso à água encanada chegou a 86,1% dos domicílios, mas ainda há forte desigualdade regional. No Norte, o índice é de 60,9%, enquanto no Sudeste chega a 92,4%.

O saneamento também apresenta disparidades. Apenas 71,4% dos domicílios têm acesso à rede de esgoto ou sistema adequado, com índices mais baixos nas regiões Norte e Nordeste.

Apesar dos avanços, os dados reforçam desafios estruturais e apontam para um país em transição demográfica, com impacto direto em políticas públicas e no mercado de trabalho.

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Foto: Arquivo/Reprodução/PMO

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Eleitorado 60+ cresce 74% e pode decidir eleições de 2026 no Brasil

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O número de eleitores com 60 anos ou mais no Brasil cresceu 74% nos últimos 16 anos e pode ter papel decisivo nas eleições de 2026. Os dados são de um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral.

Enquanto o eleitorado geral aumentou 15% entre 2010 e 2026, a chamada geração prateada saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões de pessoas aptas a votar.

Atualmente, esse grupo já representa cerca de 23% dos eleitores brasileiros, o equivalente a quase um em cada quatro votantes.

Segundo o estudo, em cenários de disputa acirrada, como o registrado nas eleições de 2022, esse público pode ter peso determinante no resultado.

De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o eleitorado 60+ tende a atuar como fiel da balança.

“É bastante plausível afirmar que a geração prateada pode ser decisiva nas eleições, especialmente em cenários polarizados”, afirmou.

O levantamento também aponta que a participação desse público nas urnas vem aumentando. A taxa de abstenção entre eleitores com mais de 60 anos caiu de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022.

Entre os maiores de 70 anos, mesmo sem obrigatoriedade de voto, também houve aumento na participação ao longo dos últimos pleitos.

Outro dado relevante é o crescimento da presença de candidatos com mais de 60 anos. Em 2024, mais de 70 mil pessoas dessa faixa etária disputaram eleições municipais, o maior número da série histórica.

O avanço acompanha o envelhecimento da população brasileira, que passou de 7% para 16% em três décadas, segundo o estudo.

Para especialistas, a tendência é que esse grupo ganhe ainda mais relevância nas próximas eleições, influenciando estratégias de campanha e o cenário político nacional.

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Foto: Alejandro Zambrana/TSE

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