CNJ manda cancelar R$ 4,7 bilhões em precatórios do Master

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Corregedoria Nacional determinou o cancelamento de 16 títulos emitidos pelo TRF1 e a devolução dos valores à União; créditos envolvem empresas do setor sucroalcooleiro.

A Corregedoria Nacional de Justiça determinou nesta quarta-feira (23) o cancelamento de 16 precatórios que somam cerca de R$ 4,7 bilhões, emitidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A decisão também determina a devolução dos valores depositados em contas judiciais para a Conta Única do Tesouro Nacional.

A decisão foi assinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, em resposta a uma medida apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os precatórios foram expedidos antes do trânsito em julgado da fase de execução dos processos que reconheceram as dívidas da União. Para a Corregedoria, não há previsão legal para a manutenção desses títulos na condição de “precatórios bloqueados”.

Os valores permaneciam bloqueados em contas judiciais desde dezembro de 2023. Pela determinação, a Presidência do TRF1 e a Coordenadoria de Execução Judicial terão cinco dias para cancelar os precatórios, devolver os recursos à União, incluindo os rendimentos, e comprovar o cumprimento da decisão.

Os créditos envolvem as empresas Companhia Açucareira Usina Capricho, Una Agroindustrial S/A e Companhia Açucareira Vale do Ceará Mirim, todas relacionadas ao setor sucroalcooleiro.

Relação com o Banco Master

O caso ganhou repercussão porque os créditos foram negociados com o Banco Master. A operação passou a ser investigada no contexto das apurações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Reportagens também revelaram a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre o banco e um escritório de advocacia que atua em processos relacionados aos precatórios do setor sucroalcooleiro. O documento foi localizado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, conforme as informações divulgadas sobre a investigação.

O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos confirmou a existência de contrato com o Master para atuar nos processos, mas afirmou que não recebeu valores a título de pró-labore ou de êxito. Segundo a banca, havia previsão de remuneração de 5% em caso de êxito.

As informações sobre o contrato e as relações mencionadas nas investigações não significam, por si só, que tenha havido irregularidade por parte dos envolvidos. As circunstâncias são objeto de apurações e devem ser tratadas conforme as conclusões das autoridades responsáveis.

Decisão do CNJ

A decisão desta quarta-feira não trata de eventual irregularidade na negociação dos créditos com o Banco Master. O fundamento apresentado pelo CNJ está relacionado à expedição dos precatórios antes do trânsito em julgado da fase de execução e à manutenção dos valores em contas judiciais.

O CNJ informou que o entendimento segue decisões anteriores do próprio Conselho sobre precatórios expedidos sem o trânsito em julgado e menciona a necessidade de preservar a autoridade das decisões administrativas e evitar risco de prejuízo ao erário.

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Foto: Rovena Rosa/ABR

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Moraes e Mendonça trocam acusações durante sessão do STF

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Moraes disse que o colega teria pedido sua inclusão em eventual delação de Daniel Vorcaro; Mendonça negou e chamou a acusação de “mentira”.

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma discussão nesta terça-feira (15), durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.

Durante a sessão, Moraes acusou Mendonça de ter pedido a investigadores da Operação Compliance Zero que seu nome fosse incluído em uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e investigado por suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras.

“Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes durante o debate. O ministro afirmou ainda ter testemunhas, entre advogados e policiais, que teriam presenciado Mendonça pedir a inclusão de seu nome em uma colaboração de Vorcaro.

Moraes também acusou o colega de agir por motivação político-eleitoral e afirmou que Mendonça estaria ligado a um grupo político que, segundo ele, tentou promover um golpe de Estado no país. Mendonça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mendonça negou as acusações e afirmou, em plenário, que não direcionou o caso Master nem pediu a inclusão de Moraes em uma eventual delação de Vorcaro.

“Isso é mentira!”, reagiu Mendonça. O ministro também afirmou que, caso as supostas testemunhas fossem chamadas para depor, “vão todas mentir”.

Após o confronto entre os dois ministros, Gilmar Mendes, decano do STF, também acusou Mendonça de ter motivações político-partidárias ao retirar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero que relaciona Moraes a Vorcaro.

Gilmar propôs que o julgamento fosse adiado para 23 de setembro. A data coincide com a sessão já marcada para analisar um pedido de Moraes para a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade na condução do caso Master.

O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a sessão para o almoço. A previsão de retomada era para as 15h desta terça-feira.

Relatório e mensagens

O relatório que trouxe as menções a Moraes foi divulgado em 1º de setembro, após Mendonça retirar o sigilo do documento. O material reúne 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025.

Segundo o relatório, as mensagens indicariam uma relação de proximidade entre Vorcaro e o ministro. Em uma delas, o ex-banqueiro aparenta mencionar um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Outro trecho sugere que Vorcaro teria buscado informações junto a Moraes sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão. O ex-banqueiro foi preso preventivamente em 17 de novembro de 2025.

Moraes nega ter cometido irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que a investigação avançou sobre um ministro do Supremo sem comunicação prévia ao presidente da Corte ou ao plenário.

Acusações cruzadas

Em 2 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um documento que apresentou como relatório de inteligência da Polícia Federal. O material levantava a hipótese de que Mendonça teria direcionado a investigação da Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos.

O documento, porém, não é assinado e não apresenta o timbre da Polícia Federal. Na própria capa, há a indicação de que o conteúdo foi produzido como conjectura e não possui valor probatório.

Com base nesse material, Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.

O julgamento desta terça-feira reúne os ministros do STF. Moraes e Mendonça participam da sessão lado a lado.

Mais cedo, Nunes Marques se declarou impedido e Dias Toffoli se declarou suspeito para participar da análise do caso.

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Gilmar acusa Mendonça de viés eleitoral no caso Master

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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de conduzir o caso Master com um suposto viés político-eleitoral. A declaração ocorreu durante sessão extraordinária da Corte.

Gilmar afirmou que Mendonça teria escolhido deliberadamente a data de uma etapa do processo para coincidir com manifestações populares de 7 de setembro.

“Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou Gilmar, dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin.

O ministro acrescentou que esse tipo de conduta não deveria ocorrer. Em resposta, Mendonça acusou Gilmar de ser “leviano” ao levantar a suspeita.

“Não aponte o dedo para mim”, respondeu Mendonça.

A discussão ocorreu durante o julgamento, pelo plenário do STF, de uma questão envolvendo uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes relacionada ao caso Master.

Gilmar pede adiamento do julgamento

Após a manifestação, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para pedir que o Supremo adiasse o julgamento para 23 de setembro.

A data coincide com outro julgamento já marcado por Fachin, que analisará um pedido de Moraes para que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade na condução do caso Master.

A sessão foi suspensa para o intervalo de almoço e deveria ser retomada às 14h.

Fachin informou ainda que a transmissão pela TV Justiça seria interrompida durante o horário eleitoral gratuito.

Caso Master provocou crise no STF

O conflito entre os ministros ocorre em meio à crise desencadeada pela divulgação de um relatório da Polícia Federal relacionado à Operação Compliance Zero.

O documento, cujo sigilo foi levantado por Mendonça em 1º de setembro, reúne mensagens atribuídas pela investigação ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e que mencionam Alexandre de Moraes.

Segundo o material apresentado no processo, as mensagens indicariam uma relação de proximidade entre Vorcaro e Moraes. Em um dos trechos, o ex-banqueiro teria mencionado um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, Vorcaro teria buscado informações sobre uma operação policial que poderia resultar em sua prisão.

Moraes negou ter cometido irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

Ministros também são alvo de pedidos de investigação

A divulgação do material provocou reações dentro do próprio Supremo.

Em 2 de setembro, Moraes encaminhou a Fachin um documento que, segundo ele, seria um relatório de inteligência da Polícia Federal e que apontaria possível direcionamento da Operação Compliance Zero por Mendonça para atingir adversários políticos.

O documento, entretanto, não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz a indicação de que o conteúdo seria uma conjectura, sem valor probatório.

Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.

A Procuradoria-Geral da República também pediu a Fachin a anulação do relatório parcial relacionado às mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro. Segundo a PGR, Mendonça teria permitido o avanço da investigação sobre um ministro do Supremo sem comunicar previamente o presidente da Corte ou o plenário.

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Mendonça barra acesso a dados de Vorcaro antes de julgamento

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu não liberar, neste momento, aos demais integrantes da Corte a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo Mendonça, o compartilhamento do material poderia tumultuar o julgamento previsto para terça-feira (15) e colocar em risco o andamento das investigações.

Na terça-feira, o plenário do STF fará uma sessão extraordinária para analisar a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.

Em despacho publicado neste domingo (13), Mendonça afirmou que os ministros já têm acesso ao material utilizado para o julgamento. Para ele, a inclusão de novos elementos nos autos, especialmente a íntegra das informações encontradas no telefone do ex-banqueiro, não seria adequada neste momento.

Segundo o ministro, a medida poderia provocar questionamentos e desviar o julgamento de seu objetivo original, além de comprometer o andamento e o resultado das investigações.

O posicionamento ocorreu após ministros manifestarem interesse em ter acesso ao conteúdo integral do aparelho. Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já haviam solicitado acesso aos dados.

Crise entre ministros

Parte do conteúdo extraído do celular de Vorcaro já foi tornada pública, incluindo conversas atribuídas ao ex-banqueiro com Moraes. Mendonça também retirou o sigilo de conversas de Vorcaro com aliados nas quais aparecem referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A divulgação das mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes ampliou a crise interna no STF e provocou novos movimentos entre os ministros.

Em meio ao conflito, Moraes encaminhou ao ministro Edson Fachin um pedido de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O documento aponta, em tese, possíveis condutas relacionadas a improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a grupos políticos.

Fachin posteriormente retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News.

Além da sessão marcada para terça-feira, o STF tem outra data prevista para analisar o caso envolvendo Mendonça. Em 23 de setembro, está programado o julgamento do pedido de investigação contra o ministro.

Segundo Fachin, porém, o procedimento ainda está em fase de instrução e não reúne, até o momento, todos os elementos necessários para ser submetido ao plenário.

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Foto: Carlos Moura/STF

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Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhoes com Daniel Vorcaro para filme sobre Bolsonaro

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Mensagens, áudios e documentos obtidos pelo portal Intercept Brasil apontam que o senador Flávio Bolsonaro teria negociado um investimento de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para financiar um filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem divulgada nesta quarta-feira (13), os recursos teriam sido tratados diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O projeto audiovisual, intitulado “Dark Horse”, é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e tem o ator Jim Caviezel no papel principal.

De acordo com os documentos citados pela publicação, ao menos US$ 10,6 milhões — aproximadamente R$ 61 milhões — já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em operações relacionadas à produção do longa.

Em um dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com a continuidade do projeto e cobra uma definição sobre novos repasses financeiros.

Na gravação, o senador afirma que atrasos poderiam comprometer a permanência de atores, diretores e integrantes da equipe internacional do filme.

“Agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar”, afirmou Flávio em trecho divulgado pela reportagem.

As mensagens reveladas também mostram proximidade entre o parlamentar e Daniel Vorcaro. Em uma das conversas reproduzidas pelo portal, Flávio escreve: “Estou e estarei contigo sempre”.

A reportagem afirma ainda que Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar para Dubai. Dias depois, o Banco Master acabou liquidado pelo Banco Central.

Outro ponto revelado envolve Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela Polícia Federal como operador financeiro ligado ao empresário.

Segundo documentos mencionados pela publicação, Zettel teria investido ao menos R$ 13,5 milhões em empresas ligadas ao financiamento do filme.

O Intercept afirma que parte dos recursos passou por empresas associadas à Entre Investimentos e Participações, apontada como responsável por intermediar operações financeiras destinadas ao projeto audiovisual.

Documentos também indicariam transferências para uma empresa ligada ao deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O filme “Dark Horse” tem estreia prevista para setembro e retrata a ascensão política de Jair Bolsonaro.

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Foto: Imagem criada por Inteligência Artificial

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STF tem maioria para manter prisão preventiva de Daniel Vorcaro

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Os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques formaram maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central por falta de dinheiro em caixa para honrar seus compromissos. 

A partir das 11h desta sexta, a Segunda Turma do Supremo começou a votar se mantém a prisão de Vorcaro, em sessão virtual. Resta apenas o voto do ministro Gilmar Mendes, que têm até a próxima sexta (20) para votar. 

Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero em 4 de março, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.  

Mendonça, atual relator do caso no Supremo, autorizou a medida após receber da Polícia Federal indícios de que Vorcaro mantinha uma estrutura particular para monitoramento e intimidação de pessoas que via como inimigas de seus interesses. 

O ministro Dias Toffoli, que também integra a Segunda Turma e foi o primeiro relator do caso no Supremo, declarou-se suspeito para julgar os processos relativos ao banco, por motivo de foro íntimo. 

O movimento de Toffoli se deu em razão de polêmicas oriundas de negócios passados de uma empresa de sua família e um fundo ligado ao Master. Decisões controversas no caso também desgastaram o ministro na condução do processo. 

A PF chegou a produzir um relatório sobre os pontos de contato entre Toffoli e Vorcaro, mas o documento acabou sendo descartado pelo Supremo, que viu nele um movimento ilegal de investigação de um ministro do Supremo sem autorização judicial. 

Voto

Em seu voto, Mendonça não se ateve apenas a reproduzir a liminar em que autorizou a prisão de Vorcaro, mas também buscou rebater argumento apresentados pela defesa do banqueiro após a medida. 

O relator afastou, por exemplo, o argumento de que um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp de Vorcaro, chamado A Turma, fosse apenas um “mero grupo” do qual o banqueiro fazia parte. 

“Trata-se, sim, de organização composta por conjunto de indivíduos coordenados pelos investigados Phillipe Mourão (agora falecido) e Marilson Roseno, sob a liderança e comando inequívoco de Daniel Bueno Vorcaro, responsável por dar ordens diretas ao grupo”, escreveu o ministro. 

Mendonça destacou ainda a “natureza violenta” dos integrantes do grupo, apontando para indícios colhidos pela PF de ameaças concretas a indivíduos. 

O ministro classificou os integrantes de A Turma como “milicianos” e deu como exemplo uma ameaça de morte feita a um ex-funcionário de Vorcaro.

Na mesma decisão em que mandou prender Vorcaro, Mendonça também determinou a prisão de Phillipe Mourão, conhecido como Sicário, e Marilson Roseno, apontados como coordenadores da milícia pessoal do banqueiro. 

Mourão atentou contra a própria vida pouco após ser preso. Ele foi atendido e levado para um hospital, mas não resistiu. 

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: Divulgação/Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo

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Toffoli deixa relatoria de investigação sobre o Banco Master

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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu para deixar a relatoria do inquérito que trata das fraudes do Banco Master.

O pedido foi feito após reunião convocada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para tratar do relatório da investigação da Polícia Federal (PF) que apontou menções ao ministro encontradas em mensagem de celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

A partir de agora, caberá a Fachin fazer redistribuição do caso para outro ministro.

Durante reunião, que durou cerca de três horas, os ministros tomaram ciência do relatório da PF que mostra menções a Toffoli no celular de Vorcaro, que teve o aparelho apreendido durante busca e apreensão. A menção está em segredo de Justiça.

Os ministros também ouviram a defesa de Toffoli, que pediu para continuar na relatoria do caso.

Contudo, diante da pressão para deixar o caso, o ministro aceitou deixar o comando do processo, que terá um novo relator.

Desde o mês passado, Toffoli é criticado por permanecer na condição de relator do caso após matérias jornalísticas informarem que a Polícia Federal encontrou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo comprou uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que era de propriedade de familiares do ministro.

Mais cedo, Toffoli divulgou nota à imprensa, confirmou que é um dos sócios do resort e disse que não recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro.

Veja nota oficial do STF:

Nota do oficial dos dez ministros do STF

Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.

Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.

Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.

Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.

A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.

Assinam:
Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino

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Fonte: Ag. Brasil | Foto: ASCOM/STF

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